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Entrevista

Jozailto Lima

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Márcio Souza: “Nossa tática é ter 18% dos votos e ir ao segundo turno”

Publicado em 25 de agosto de  2018, 20:00h

“As esquerdas deixaram de lado a defesa dos trabalhadores”

A tradução da sigla que Márcio Souza ocupa para tentar ser governador de Sergipe – PSOL – Partido Socialismo e Liberdade – já diz do real sonho dele. Ainda que, aparentemente, haja nesse sonho de socialismo e de liberdade convergência e discrepância.

Convergência, no fato de ser ele um economista, um sujeito que tem formação numa área que estuda os movimentos das riquezas e da pobreza humana; e discrepância e, logo divergência, pelo fato de ele ser na prática um policial militar.

Em país de terceiro mundo, onde pobreza é confundida com bandidagem e geralmente criminalizada, um policial conflita com a noção de liberdade? Márcio Souza parece preferir fazer a análise por um outro viés.

Ele diz, por exemplo, que entre o economista de formação e o policial que o é na prática, nesta e em outras horas eleitorais, quem prepondera é “um outro”.

“Para além dessas figuras, creio que o que prevalece é o cidadão consciente do seu papel, mas que tem na formação em economia um auxílio na avaliação da conjuntura e na contribuição da construção de uma nova sociedade. O militar ficar em segundo plano”, diz ele. Não que ele tenha algo contra o ser policial.

Quem é do PSOL traz uma marca forte de esperança. Esperança de arrebentar todos os paradigmas de política e economia e estabelecer uma nova ordem. Mais justa e mais igualitária. E é com este sonho que Márcio Souza vai à eleição do dia 7 de outubro.

Para Márcio, é possível cavar espaços entre mais oito outros candidatos e chegar na galeria de um segundo turno. “Eu acredito que o segundo turno vai existir em Sergipe. A nossa tática é a de ter 18% dos votos e ir a ele, como ocorreu no Rio de Janeiro com Marcelo Freixo, que foi para o segundo turno contra Crivela com esse percentual”, diz ele.

“Qual ambiente nós temos no Rio de Janeiro? O da violência crescente. Em Sergipe também tem. Desorganização das finanças públicas? Em Sergipe também tem, assim como atrasos do funcionalismo público. Condicionantes que levaram Marcelo Freixo ao segundo turno lá no Rio traduzem também o cenário da disputa eleitoral aqui”, pontua ele.

Como não poderia ser diferente para quem carrega o DNA quase utópico do PSOL, Márcio Souza tem queixa das antigas esquerdas de Sergipe. Acha que o PT, por exemplo, perdeu o pé da história e se aliou ao MDB de Temer por aqui – embora o MDB daqui não seja o mesmo de Temer.

Apesar de chamar a atenção agora, por disputar o Governo de Sergipe, mas Márcio Souza não é marinheiro de primeira viagem nesses embates. Já disputou três vezes a Prefeitura de Estância e uma vez a Alese. Na última, em 2016, obteve 27% dos votos válidos dos estancianos.

“Ocupamos o espaço das esquerdas, que foi, por causa de sua busca do poder pelo poder, deixando de lado a defesa dos trabalhadores e eleitoralmente não apresentando outra alternativa. Dessa forma, 27% de votos em Estância, dentro de uma polarização, mostra que um grande setor da juventude, dos servidores públicos organizados e da população mais sofrida está buscando novos nomes que tenham alinhamento com a com a defesa dos direitos”, diz ele.

EM NOME DO QUE SE CANDIDATA?
“Nada melhor do que uma candidatura voltada para os anseios populares e que possa ser a voz daqueles e daquelas que foram às ruas para combater o golpe, combater o governo Temer e as medidas de retrocesso da reforma trabalhista, da terceirização”

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Com Guilherme Boulos, candidato do PSOL à presidência
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Passa a impressão de leveza e prudência

MOVIMENTO DIREITISTA AVANÇA
“São nove (candidaturas). Mas apenas duas dentro do espectro da esquerda - a nossa e a do PSTU, embora eles não tenham a mesma avaliação da conjuntura política com relação ao golpe que a democracia sofreu em 2016”

JLPolítica - Em nome de que ideais o senhor é candidato ao Governo do Estado de Sergipe?
Márcio Souza -
Em nome da necessária renovação da política sergipana. Em nome do momento político que vivemos, do pós-golpe, quando a esquerda precisa se reorganizar. E nada melhor do que uma candidatura voltada para os anseios populares e que possa ser a voz daqueles e daquelas que foram às ruas para combater o golpe, combater o governo Temer e as medidas de retrocesso da reforma trabalhista, da terceirização. Acredito que esse setor progressista, que fez os deputados federais e senadores recuarem, pode determinar o segundo turno. Então, nós estamos dialogando para além do PSOL com esses setores, servidores públicos e a juventude.  

JLPolítica - Com o movimento direitista avançando, quais as reais chances de o PSOL e outros partidos tidos como pequenos elegerem o governador de Sergipe?
MS –
Na minha avaliação, essa eleição está sendo manifestada pela enorme quantidade de candidatos: são nove. Mas apenas duas dentro do espectro da esquerda - a nossa e a do PSTU, embora eles não tenham a mesma avaliação da conjuntura política com relação ao golpe que a democracia sofreu em 2016.

JLPolítica – E isso equivale ao que?
MS -
Isso significa que esse setor está difuso, dividido e, numa eleição de dois turnos, pode ser resolvido pelo setor progressista, pelo servidor público que tem seu salário atrasado, pela população que sofre. Essas pessoas terão a grande oportunidade de com apenas 18% ou 20% colocar uma candidatura de esquerda no segundo turno. Existe um grande descontentamento com a política, e de desesperança também. E isso vai se traduzir nas urnas, com o grande número de abstenções, de votos nulos e brancos. Acredito que os eleitores mais conscientes com certeza vão optar por uma candidatura democrática e popular, como a nossa.

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É sindicalista e atuante

CANDIDATURA POPULAR FORTALECIDA
“Existe um grande descontentamento com a política, e de desesperança também. E isso vai se traduzir nas urnas, com o grande número de abstenções, de votos nulos e brancos. Acredito que os eleitores mais conscientes com certeza vão optar por uma candidatura democrática e popular, como a nossa”

JLPolítica - Aliás, como o senhor explicaria uma certa retração da esquerda? Isso estaria ligado à crise de Lula?
MS -
Em Sergipe, especialmente, isso diz respeito à conduta que o PT teve nos últimos tempos. O PT está aliado ao MDB golpista, ao PSB, do Kassab, que dá sustentação ao Governo Temer. A ausência das grandes lideranças, por causa da supressão biológica de Marcelo Déda e Zé Eduardo Dutra, e a aposentadoria eleitoral da companheira Ana Lúcia Menezes também pesam. Tudo isso mostra que o petismo em Sergipe não tem oxigênio suficiente para puxar as esquerdas, atrair os setores. E dessa forma, está apenas sendo apoiador daqueles que apoiaram o golpe e que estão fazendo o pior governo da história de Sergipe.

JLPolítica - O PSOL pediria também um “fora Jackson”, como fez semana passada a articulação de Esquerda do PT?
MS -
Já fazemos isso, desde as várias manifestações que realizamos com as Centrais Sindicais, com os movimentos sociais. Fizemos isso ao longo de 2017.

JLPolítica – De 2008 a 2016, o senhor já disputou três eleições de prefeito de Estância e uma de deputado estadual. Não chegou lá em nenhuma. Que convicções lhe fazem crer que chegaria agora, e logo ao Governo do Estado?
MS -
É bom pontuar que o PSOL existe desde 2005. Ou seja, há 13 anos. É um partido novo. E em Sergipe não houve nenhuma liderança vinda do PT. Eu fui do PT, fui da Articulação de Esquerda, militei junto com o professor Dudu, presidente da CUT. Inclusive, por conta desse deslocamento, tivemos a grande responsabilidade de, em Sergipe, fortalecer o PSOL, especialmente numa cidade operária, de tradição de resistência à ditadura militar, que é Estância. Ao longo de eleições sucessivas de 2008, 2012 e 2016, tivemos grandes resultados, sobretudo em 2016, porque ocupamos o espaço das esquerdas, que foi, por causa de sua busca do poder pelo poder, deixando de lado a defesa dos trabalhadores e eleitoralmente não apresentando outra alternativa. Dessa forma, 27% de votos em Estância, dentro de uma polarização, mostra que um grande setor da juventude, dos servidores públicos organizados e da população mais sofrida, está buscando novos nomes que tenham alinhamento com a defesa dos direitos.

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Ocupa o posto de cabo da PM há 20 anos

MAS ESQUERDA ENFRAQUECEU
“Ao longo de eleições sucessivas de 2008, 2012 e 2016, tivemos grandes resultados, sobretudo em 2016, porque ocupamos o espaço das esquerdas, que foi, por causa de sua busca do poder pelo poder, deixando de lado a defesa dos trabalhadores”

JLPolítica – Mas se chegasse, que tipo de ação principal marcaria uma gestão sua de governador e quais são as suas principais propostas?
MS -
O Governo do Estado tem um grande desafio, que é o de colocar em dia o pagamento do servidor público e o de buscar soluções para a Previdência Social. Por ouro lado, estamos buscando e avaliando o desenvolvimento econômico do Estado. Então, o papel do Estado para o próximo período é o de resgatar, fortalecer as instituições estatais, como o Banese, com mais de R$ 90 milhões em lucro; a Deso e os próprios royalties da Petrobras, para assim poder fomentar o desenvolvimento econômico. Precisamos direcionar esses recursos para a reestruturação desse pequeno Estado que precisa de mais atenção, sobretudo na segurança pública e na educação. Esses dois temas serão os de maior importância que o PSOL vai enfrentar num futuro governo.

JLPolítica – Para o senhor, o que é Sergipe, enquanto um dos entes da federação, e o que é que o senhor faria por ele que outros não fizeram em seus 198 anos de emancipação?
MS –
Para mim, Sergipe, que tem o peso de 1% do PIB brasileiro e na demografia, é importante sim para a federação, pela sua história, pela sua cultura, pelas belezas naturais, por esse povo lutador que temos. Sergipe pode ser um exemplo para o Nordeste do ponto de vista dos índices sociais que precisamos conquistar, como educação e segurança pública. Nós precisamos mostrar para o Brasil esse povo trabalhador e uma gestão eficiente, moderna e com participação popular e total transparência no gasto público.

JLPolítica - O senhor vê Sergipe acima da capacidade dos grupos que historicamente o administraram ao longo da sua história?
MS –
Sergipe tem potencialidades. É necessário que essas amarras tradicionais sejam desfeitas, e ganhar o governo é o início de um processo de renovação, de um ciclo político e social que nós precisamos romper. Coisa que o governador Marcelo Déda tentou ao longo de sua trajetória e que não conseguiu. Hoje tem seus aliados governando o Estado, levando para a esfera federal péssimos índices.   

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Tem queixa das antigas esquerdas de Sergipe

SEM ALIANÇAS NO 2º TURNO
“Condicionantes que levaram Marcelo Freixo ao segundo turno lá no Rio traduzem também o cenário da disputa eleitoral aqui. Por isso acreditamos ser a opção do setor progressista. Caso não ocorra o que estamos planejando, o PSOL não fará opção política para o segundo turno”

JLPolítica - Se o senhor tivesse de eleger um problema único de Sergipe, que mereceria a sua atenção no dia 1° de janeiro de 2019, caso fosse escolhido governador, que problema seria este?
MS –
Nesse momento, pela visibilidade negativa que estamos tendo, a segurança pública seria um ponto essencial. Mas agora com outra forma, outro modelo de segurança pública que queremos implantar para dar mais segurança e dignidade.  

JLPolítica - O que seria delineado para a segurança num eventual governo seu?
MS -
Nós precisamos fortalecer os Conselhos de segurança, valorizar os homens e as mulheres da segurança pública, que hoje não têm formação, nem treinamento nem valorização das suas carreiras. Precisamos trazer a população para contribuir com as decisões. Precisamos, inclusive, ampliar a capacidade de resolução dos crimes da polícia civil através de mais investimento em inteligência, com a Polícia Técnica. A tecnologia é necessária. 

JLPolítica - Até onde o senhor acredita que haja espaço para o socialismo na economia brasileira, uma das mais desiguais do mundo?
MS -
Primeiramente, entendemos que historicamente o país foi construído com medidas estatais, ou seja, com o fortalecimento do Estado, como com a Petrobras e a Eletrobras. São exemplos de que a presença do Estado na economia é fundamental para fomentar o desenvolvimento e seus efeitos multiplicadores. Quando o mercado não encontra soluções, é o Estado que vai resolver esses grandes problemas. 

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Traz uma marca forte de esperança

ADVERSÁRIOS SÃO MAIS DO MESMO
“Há diferenças entre eles. Não posso colocar todos no mesmo bolo. Meu conceito é que eles são mais do mesmo. Essas candidaturas não representam um diferencial ideológico, propositivo ou de soluções para o nosso Estado”
 

JLPolítica - Mas num mundo globalizado, o senhor acha que esse Estado forte ainda tem espaço?
MS -
Eu tenho observado que ainda há espaço, sim, de um estado que venha realizar ações que a iniciativa privada não tem interesse. Um exemplo é a exploração do petróleo, cujo grau de risco é muito acentuado. E a iniciativa privada só tem interesse porque a tecnologia do Estado, através das estatais, garante o lucro. Nós sabemos que o grau de desenvolvimento de um país está muito ligado à pesquisa e à inovação que vêm da universidade pública, então considero que é importante a presença do Estado na economia. 

JLPolítica – Quando o senhor entra nestas contendas eleitorais, quem é que prevalece acima, ou paralelamente ao cidadão, é o economista ou o militar?
MS -
Para além dessas figuras, creio que o que prevalece é o cidadão consciente do seu papel, mas que tem na formação em economia um auxílio na avaliação da conjuntura e na contribuição da construção de uma nova sociedade. O militar ficar em segundo plano. 

JLPolítica – Nas quatro eleições das quais participou, e nesta pré-campanha, o senhor teria sofrido algum gesto de preconceito ou hostilidade por ser um policial militar?
MS -
Em nenhuma das candidaturas anteriores, o fato de ser policial militar - e olhe que estou no PSOL há 13 anos -foi motivo para que levantassem alguma desconfiança. Quando tomaram conhecimento da minha candidatura ao governo, houve duas situações: setores da vanguarda da esquerda que não conheciam minha trajetória de luta nem minha trajetória de vida colocaram em xeque essa candidatura do PSOL. Como também setores mais conservadores dentro da corporação, que também não conheciam o meu caráter, a minha trajetória e o meu compromisso político, acharam contraditório um militar estar num partido de esquerda. 

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Acredita ser possível chegar ao segundo turno

RELEVÂNCIA DE SERGIPE PARA O PAÍS
“Para mim, Sergipe, que tem o peso de 1% do PIB brasileiro e na demografia, é importante sim para a federação, pela sua história, pela sua cultura, pelas belezas naturais, por esse povo lutador que temos. Sergipe pode ser um exemplo para o Nordeste”

JLPolítica - E o senhor vê contradição nisso?
MS -
Não, porque vejo a profissão de policial como a de um trabalhador, tanto é que nós defendemos uma polícia única, uma polícia que tenha as características de polícia ostensiva e judiciária, mas que não seja militarizada. Para isso, é necessário mudar a Constituição, que não é papel do governador e sim do Congresso. Então é preciso ouvir os agentes da segurança pública e a sociedade para que possamos desenvolver esse novo modelo de segurança pública, com polícia única e tendo o policial como um defensor dos direitos humanos. 

JLPolítica - Qual é a sua visão de polícia? Ela existe para que e para quem?
MS -
Nós temos uma dualidade dentro da esquerda: ou socialismo ou barbárie. A barbárie, inclusive, que é trazida pelo capitalismo. Mas sabemos que precisamos ter instituições fortes. Quem defende que o Estado esteja presente na economia, que esteja presente no equilíbrio da sociedade, precisa defender isso. E a polícia é uma instituição necessária, principalmente nesse momento, para o equilíbrio da sociedade. Agora, uma polícia cidadã, que não tenha como inimigo a juventude, ou as pessoas que moram na periferia. Ou seja, precisamos de outro modelo. Mas é necessário verificar que os homens e as mulheres que compõem as polícias Civil e Militar não têm culpa do sistema com o qual é operacionalizada a segurança pública atualmente. 

JLPolítica - Quanto o senhor pretende investir em sua campanha e de que forma vai levantar o dinheiro?
MS -
O partido já designou aproximadamente R$ 14 mil para a candidatura ao Governo, O fundo eleitoral destinado à candidatura ao Governo é de apenas R$ 14 mil. Estamos acostumados a trabalhar com campanhas militantes, franciscanas. Obtivemos em Estância, aproximadamente, dez mil votos investindo apenas R$ 13 mil. E esse valor foi fruto da contribuição de apoiadores, de quem crê do projeto. 

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Com Simone Rocha, sua vice

GRUPOS QUE GOVERNARAM O ESTADO 
“É necessário que essas amarras tradicionais sejam desfeitas, e ganhar o governo é o início de um processo de renovação, de um ciclo político e social que nós precisamos romper. Coisa que o governador Marcelo Déda tentou ao longo de sua trajetória e que não conseguiu”

JLPolítica - Quem é Ana Simone das Dores Rocha, a sua candidata a vice-governadora?
MS -
Ana Simone é uma companheira do PSOL lá de Estância. Uma companheira que sempre militou pela esquerda, que hoje atua no movimento sindical, faz parte da direção estadual, é um agente cultural com formação em Pedagogia, também militante das bases da Igreja Católica. Então nós temos um grande orgulho em tê-la conosco na composição dessa chapa, que é uma chapa que tem essa igualdade de gênero que o PSOL sempre teve preocupação. Até porque as duas primeiras candidaturas do partindo, em 2010 em 2014, foram duas mulheres, professora Avilete e professora Sonia Meire. 

JLPolítica - O senhor acha que existe um alinhamento de propósitos entre os candidatos ao Senado Jossimário Mick e Sônia Meire, seus colegas de chapa?
MS -
Sim, porque ambos são da educação. O PSOL tem a educação como prioridade. São dois professores, que têm esse compromisso. O professor Jossimário é um jovem que representa também essa necessidade de inovação. A Professora Sônia traz acúmulo da esquerda nesses últimos anos. 

JLPolítica - Os partidos de esquerda, inclusive o PSOL, têm pautas bastante ligadas aos direitos humanos. O senhor acredita que essas pautas sejam capazes de convencer e arrastar o eleitor?
MS -
Nesse momento, o PSOL tem crescido não apenas com discurso de classe, mas com discurso da valorização e defesa dos direitos humanos, contra as opressões. E nós acreditamos sim que essa bandeira da defesa dos negros, da comunidade LGBT, da mulher, da juventude, das liberdades individuais, atrai um setor que quer ser representado tanto no Congresso Nacional quanto no Poder Executivo e nas assembleias legislativas. Acreditamos que com esse perfil teremos uma musculatura eleitoral necessária para esta eleição. 

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Diz lutar por justiça e igualdade

ESTADO FORTE TEM ESPAÇO
“Eu tenho observado que ainda há espaço, sim, de um estado que venha realizar ações que a iniciativa privada não tem interesse. Um exemplo é a exploração do petróleo, cujo grau de risco é muito acentuado. E a iniciativa privada só tem interesse porque a tecnologia do Estado, através das estatais, garante o lucro”

JLPolítica - Caso haja segundo turno em Sergipe, sem o seu partido, como votariam o senhor e o PSOL?
MS - Eu acredito que o segundo turno vai existir em Sergipe
. Não existe desde 2002. A nossa tática é a de ter 18% dos votos e ir a ele, como ocorreu no Rio de Janeiro com Marcelo Freixo, que foi para o segundo turno contra Crivela com esse percentual. Qual ambiente nós temos no Rio de Janeiro? Violência crescente. Em Sergipe também tem. Desorganização das finanças públicas? Em Sergipe também tem, assim como atrasos do funcionalismo público. Condicionantes que levaram Marcelo Freixo ao segundo turno lá no Rio traduzem também o cenário da disputa eleitoral aqui. Por isso acreditamos ser a opção do setor progressista. Caso não ocorra o que estamos planejando, o PSOL não fará opção política para o segundo turno, deixando os nossos eleitores livres para fazer a devida escolha do dia 27 de outubro. 

JLPolítica – Qual é o seu conceito do bloco dos seus oito adversários?
MS –
Há diferenças entre eles. Não posso colocar todos no mesmo bolo. Existe um setor mais à esquerda, com o PSTU. Há setores mais palatáveis, com a Rede, e temos um centro, com as candidaturas de Valadares Filho e Belivaldo Chagas. À direita, temos João Tarantela, Milton Andrade, Mendonça Prado e Eduardo Amorim. Meu conceito é que eles são mais do mesmo. Essas candidaturas não representam um diferencial ideológico, propositivo ou de soluções para o nosso Estado. 

JLPolítica - Como socialista, o senhor se dá por contente com o que acontece na Venezuela?
MS -
Nós temos a avaliação de que o que ocorre na Venezuela inicialmente tem sua importância, porque temos que prestigiar a autodeterminação dos povos. O povo da Venezuela vem elegendo Chaves, Maduro, então há uma disputa de poder entre a direita e a esquerda e uma orquestração internacional para que esse modelo não vingue, não tenha sucesso. 

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E é com este sonho que vai à eleição

SOBRESSAI O ECONOMISTA OU O MILITAR?
“Para além dessas figuras, creio que o que prevalece é o cidadão consciente do seu papel, mas que tem na formação em economia um auxílio na avaliação da conjuntura e na contribuição da construção de uma nova sociedade. O militar ficar em segundo plano”

JLPolítica - O senhor espera que vingue?
MS -
O ambiente que acreditamos nesse momento é de grandes dificuldades para que a esquerda apresente de forma sólida esse projeto, até porque há uma disputa desfavorável à revolução bolivariana dentro da sociedade brasileira e junto à juventude. 

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É pai de quatro filhos. Tem 41 anos e já é avô