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Entrevista

Jozailto Lima

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Marco Pinheiro: “Acese forte fomenta o emprego, o empresário e o negócio”

Publicado em 17  de novembro de  2018, 20:00h

“Desburocratize, tire o Estado do pescoço do empresário e deixe ele produzir”

O lema do empresário e líder empresarial Marco Pinheiro bem que poderia ser associativismo forte, mercado pujante; Estado menos burocrático, mais emprego e uma iniciativa privada mais feliz e próspera. Poderia e o é, embora sem encontrar ecos nas contrapartidas que ele defende.

Marco Pinheiro ultrapassou a metade do mandato de presidente da mais antiga instituição de classe produtora sergipana - a Associação Comercial e Empresarial de Sergipe - Acese –, que está com 146 anos, e tem, muitos planos até o final da gestão.

Porque tudo que esse Marco Pinheiro menos quer é ser uma peça decorativa no campo dessa importante instituição. Bem ao contrário disso, ele é um agitado executivo da ideia de que o empresariado deve se agrupar, de associar, se fazer ouvir e ganhar batalhas que fortaleçam o empreendedorismo, a quem precisa de trabalho, emprego e renda e à sociedade de um modo geral.

Para isso, Marco Pinheiro não tem a menor dúvida: deve-se tirar do pescoço de quem empreende e quer empreender a canga forte e coercitiva do poder do Estado. “Paulo Guedes respondeu isso com muita propriedade: desburocratize, tire o Estado do pescoço do empresário e deixe ele produzir”, evoca Marco Pinheiro.

“Nós temos entraves que tornaram a situação reversa: hoje você bate às portas do poder público para abrir uma empresa, para gerar impostos e para gerar empregos. O burocrata público quer lhe dizer quando você pode abrir, se você pode abrir e se você não pode abrir e o porquê. Então você tem fiscalizações que não têm data, etapas que não têm prazos definidos”, diz ele.

“Se eu fosse um desses agentes públicos hoje, eu diria que o Estado tem que caminhar para inverter esse processo, indo atrás do empresário para ele abrir o negócio. Facilitar a vida dele. A fiscalização do Corpo de Bombeiros, por exemplo, deveria ser uma consultoria gratuita para que o empresário fizesse o projeto. Afinal, se você abre um negócio, é bom para o Estado, pois está gerando imposto e empregos”, completa.

Um dos sonhos de Marco Pinheiro é ver seu mandato virar a página em dezembro de 2019 exatamente com um grau de associativismo bem mais alto. Ele entende que muito tem sido feito nessa esfera, mas pondera que muito mais ainda falta para que a cultura associativista ganhe um adensamento justo.

“Pela falta dessa cultura, coloca-se sempre a pergunta: o que você me oferece primeiro para depois eu me associar? Quando, na verdade, tinha que ser o contrário, porque associados e fortes, podemos reivindicar tudo. Esse é o grande X da questão”, diz. E dá um exemplo do que ainda falta na esfera de Sergipe.

“Às vezes o empresário sergipano não sabe que se ele participasse mais, teríamos mais força. Um exemplo é Caruaru, em Pernambuco: a Associação Comercial de lá tem 1.700 associados. Olha, a nossa tem 500. O poder público e o meio político só compreendem a força da gente através do peso da voz”, diz Pinheiro.

“Então essa fragmentação faz com que determinadas reinvindicações não sejam ouvidas melhor. Se tivéssemos mais associados, se nos uníssemos mais em torno das pautas, se as pautas fossem mais assertivas, acho que teríamos um resultado melhor. Mas vamos buscar esse caminho”, afirma.

Marco Pinheiro não se queixa, no entanto, dos poucos que se dão à causa da Acese. Esses poucos, admite ele, fazem muito, e “voluntariamente”. “São pessoas que dão um pouco do seu tempo, do tempo do seu negócio, para o coletivo. E não há qualquer tipo de remuneração”, diz.

Em nome disso, a gestão da Acese sob Pinheiro avança. É, inclusive, uma instituição superavitária e com alvissareiros planos de futuro. “Agora estamos nos preparando para um passo extraordinário: colocarmos a Acese na plataforma da Lei Rouanet. Temos um projeto de ocupação inteligente do espaço-sede, por entender que ele não pode ser apenas um prédio bonito. Por isso, vamos criar lá o Ceac do Empresário, que é destinando a atendimento específico ao empresariado e a gerar condições para que ele seja bem atendido. O espaço também terá galeria de arte e cafeteria. Fará o que tem que ser feito: dar vida ao prédio histórico. E para ter vida, precisa ter gente. Para ter gente, tem que ter serviço”, diz ele.  

Marco Aurélio Pinheiro Tarquínio é um sergipano-paulista. Ele nasceu no dia 23 de março de 1964 no município de Ribeirão Pires, no Estado de São Paulo. Aos quatro anos atracou com a família – o pai era da Receita Federal, depois virou do Fisco estadual - em Aracaju, e nunca mais saiu daqui.

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“Às vezes o empresário sergipano não sabe que se ele participasse mais, teríamos mais força", lamenta
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Com os filhos Emanuella e Gabriel, consolidando a participação da família nos negócios

DA ANTIGUIDADE E DO PODER DA ACESE
“A entidade antecede a própria economia local. Ela vem com os portugueses, com aquela ideia do associativismo. Mas pela falta dessa cultura, coloca-se sempre a pergunta: o que você me oferece primeiro para depois eu me associar? Quando, na verdade, tinha que ser o contrário”

JLPolítica - Qual é a responsabilidade de presidir uma entidade de 146 anos numa economia onde se tem raros registros de empresas com 100 anos de existência?
Marco Pinheiro -
A entidade antecede a própria economia local. Ela vem com os portugueses, com aquela ideia do associativismo. E no Nordeste tem uma dificuldade ainda maior do que na Região Centro Sul e no nosso Estado ela se acentua em função de você não ter uma cultura associativista. Mas pela falta dessa cultura, coloca-se sempre a pergunta: o que você me oferece primeiro para depois eu me associar? Quando, na verdade, tinha que ser o contrário, porque associados e fortes, podemos reivindicar tudo. Esse é o grande X da questão. Através disso, ao longo dos anos a Acese vem pegando bandeiras importantes, como a da Lei Geral da Micro Empresa, do teto do Simples. Mas é preciso haver uma mudança na educação, na concepção da educação, para que nós nos unamos para pedir no geral e não pedir para receber algo da entidade.

JLPolítica - O senhor acha que a Acese cumpre bem a missão de defender os interesses empresariais e de estimular o empreendedorismo sergipano?
MP –
Creio que sim. Grandes nomes da nossa economia local, ao longo do tempo, deram sua contribuição à Acese e, especificamente, à sociedade sergipana. Alguns pontos foram mais marcantes e outros mais sublimares. Por exemplo, naquele momento em que Alagoas e Sergipe disputavam a RPNE, a Acese teve papel fundamental, e conseguiu que essa base petrolífera ficasse aqui em Sergipe. E ao longo do tempo houve outras lutas e contribuições.

JLPolítica - Acese depende de que para sobreviver?
MP -
A Acese é uma entidade associativista, então ela não depende de verba. Ela não depende de impostos. Ela vive da contribuição voluntária de seu associado. Nós procuramos trazer conhecimento a todos. Os melhores cases de sucessos vêm através do conhecimento. Quando você traz palestras de alto nível para os micro, pequenos e médios empresários, o acesso a essas informações é uma grande contribuição para eles. Mas também fazemos parcerias com o Sistema S, seja com o Sebrae ou com a Fecomércio, e a partir delas viabilizamos cursos e palestras específicas para o setor empresarial. Então, a Acese faz esse papel de meio de campo entre os empresários e as entidades, identificando necessidades e fomentando as demandas.

JLPolítica - O empresariado sergipano compreende bem esta missão da entidade?
MP -
Sim. Às vezes o empresário sergipano não sabe que se ele participasse mais, teríamos mais força. Um exemplo é Caruaru, em Pernambuco: a Associação Comercial de lá tem 1.700 associados. Olha, a nossa tem 500. O poder público e o meio político só compreendem a força da gente através do peso da voz. Então essa fragmentação faz com que determinadas reinvindicações não sejam ouvidas melhor. Se tivéssemos mais associados, se nos uníssemos mais em torno das pautas, se as pautas fossem mais assertivas, acho que teríamos um resultado melhor. Mas vamos buscar esse caminho.

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Aposta forte nas perspectivas de Belivaldo Chagas

DA NECESSIDADE DE UM MAIOR ASSOCIATIVISMO
“Às vezes o empresário sergipano não sabe que se ele participasse mais, teríamos mais força. Um exemplo é Caruaru: a Associação Comercial de lá tem 1.700 associados. Olha, a nossa tem 500. O poder público e o meio político só compreendem a força da gente através do peso da voz”

JLPolítica - A partir de quando a Acese deixa de ser uma entidade meramente comercial e passa a ser empresarial?
MP –
Sim, a Acese vem originariamente da área de comércio, até porque ela cuidava da pauta das exportações na época. A transformação começou quando a área de serviço passou a ser uma atividade com grande número de prestadores. Foi na gestão de Fernando Carvalho, o primeiro presidente da área de serviço, que ela abriu esse leque. De lá para cá, por volta dos anos 2000, o setor tem crescido. E a entidade passou a englobar esses empresários, além dos do agronegócio e, inclusive, hoje também temos o profissional liberal e o autônomo, como os advogados.

JLPolítica - O senhor acha que na sociedade sergipana difusamente e, especialmente no empresarial, já fundou-se essa cultura de que a atividade corporativa da Acese transcende os aspectos meramente comerciais?
MP –
Sim, já entenderam que nos propomos a discutir temas que vão além do meramente comercial. A Acese traz o relator da reforma tributária, ao mesmo tempo que discute e insiste com os governantes sobre cosias como a não decretação do ponto facultativo da última sexta, 16 de novembro, por exemplo. Veja: a gente enxerga o macro, mas também cuida das coisas do dia a dia. Então, trazemos o ministro, através da parceria importante com a Fecomércio, ou o presidente do TST, e ao mesmo tempo está tratando da pauta do ICMS de algum produto. É da causa geral dela.

JLPolítica – Quem ganharia com uma Acese mais forte?
MP -
Sem dúvida, toda a sociedade. Uma Acese forte ajuda a fomentar a geração de emprego, com o amparo a cada pequeno empresário e a cada pequeno negócio. No sistema do Almoço com Negócios, inclusive, são vários os testemunhos por pesquisa quantitativa e qualitativa que ele se tornou um ambiente de fechar negócio. Ali as pessoas trocam contatos, depois serviços e informação. Hoje, com o advento das redes sociais, os próprios associados estão fomentando a compra de produtos e serviços entre eles. Assim começa uma máquina que se entrosa dentro da própria Acese. O almoço é um evento consagrado, que já vem de três gestões. É uma vez a cada dois meses, mas, às vezes, em função da agenda do convidado, já chegou a ocorrer duas edições no mesmo mês e no mês seguinte não haver nenhuma. Depende muito. Sempre trazemos convidados que procuram abranger a todos os segmentos. A gente não setoriza. Por exemplo, como consequência das eleições, numa parceria com o Banco do Brasil, estamos trazendo o economista chefe da BrasilPrev, que vai analisar, no dia 20 de novembro, o cenário econômico pós-eleição, como ficarão as Previdências dos Estados e da União e como deverá ser o comportamento da economia diante desses desafios.    

JLPolítica - Há perspectiva de se chegar a dezembro de 2019 com um número maior de associados?
MP –
Há. Estamos trabalhando para isso. Fizemos um trabalho, e ele veio muito do nosso viés empresarial, de restruturação da entidade, de enxugamento de despesas, da melhoria da qualidade da receita, da melhor equipe, do investimento em pessoal e em mobiliário. Estamos fazendo o dever de casa. A Acese tem que gerar receita positiva, receita cognitiva de importância para que você se associe a ela, e com tudo isso, estamos avançando na gestão da qualidade dos funcionários, para que sirvam bem o associado.

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É do presidente eleito, Jair Bolsonaro

A ÁREA DE SERVIÇO ALTEROU A PAUTA
“A Acese vem originariamente da área de comércio, até porque ela cuidava da pauta das exportações na época. A transformação começou quando a área de serviço passou a ser uma atividade com grande número de prestadores. Foi na gestão de Fernando Carvalho”

JLPolítica - Quais são os principais pontos do seu portfólio de serviços que garantem a manutenção e a subsistência da Acese?
MP –
Primeiro, fizemos uma engenharia normal de administração, melhoramos o portfólio de atendimento, ampliamos o leque de serviços prestados. Então hoje temos os produtos que já tínhamos, o CertiSign – Certificado Digital –, o SSPC, fizemos um convênio com a CDL e passamos a oferecer os produtos CDL na Acese. E agora estamos nos preparando para um passo extraordinário: colocarmos a Acese na plataforma da Lei Rouanet. Temos um projeto de ocupação inteligente do espaço-sede, por entender que ele não pode ser apenas um prédio bonito. Por isso, vamos criar lá o Ceac do Empresário, que é destinando a atendimento específico ao empresariado e a gerar condições para que ele seja bem atendido. O espaço também terá galeria de arte, cafeteria. Fará o que tem que ser feito: dar vida ao prédio histórico. E para ter vida, precisa ter gente. Para ter gente, tem que ter serviço.  

JLPolítica – A Acese é uma instituição superavitária ou deficitária no aspecto financeiro?
MP –
A Acese sofreu, ao longo dos últimos quatro anos, o que toda a economia nacional sofreu com a crise: o abalo da economia, a diminuição dos associados e de receitas. Por isso só fizemos o dever de casa: arrumar tudo para poder dar condição melhor de investimento. É o que a gente cobra hoje do governo: que tudo que arrecade não seja para pagar funcionário nem serviço da dívida e pensionista. Então, nós teríamos que fazer a mesma coisa, já que cobramos essas ações. Eu diria que hoje a Acese está estabilizada e é superavitária.

JLPolítica - Quem administra a Acese, tem noção da real importância daquele prédio?
MP –
Na medida em que você vai mergulhando no dia a dia, que vai encontrando grandes personalidades da economia, da história, aí a ficha cai e você se dá conta da enorme responsabilidade que você tem ali. É uma entidade de 147 anos e um prédio de 128. Toda essa história vai nos motivando a vencer paradigmas e a apresentar novas ideias. A gente pensa: viemos até aqui, mas podemos fazer diferente. E é interessante como os associados se abrem para essas novas ideias, principalmente os mais antigos e os ex-presidentes.

JLPolítica – Ou seja, a Acese não se basta em ser uma entidade estanque. Ela quer se reinventar.
MP -
A Acese precisa se reinventar, e diariamente.

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Com Laércio Oliveira, deputado federal reeleito pelo PP de Sergipe

ACESE ABRINDO ESPAÇOS NA LEI ROUANET
“Estamos nos preparando para um passo extraordinário: colocarmos a Acese na plataforma da Lei Rouanet. Temos um projeto de ocupação inteligente do espaço-sede, por entender que ele não pode ser apenas um prédio bonito. Por isso, vamos criar lá o Ceac do Empresário”

JLPolítica - Como é a configuração organizacional da Acese?
MP -
A Acese é composta de um presidente - o sistema é presidencialista –, mais cinco vice-presidentes por área e tem um Conselho de 20 pessoas da sociedade que, voluntariamente, se dispõem a ajudar. São pessoas que dão um pouco do seu tempo, do tempo do seu negócio, para o coletivo. Toda vez que foi o contrário, não andou bem. E não há qualquer tipo de remuneração.

JLPolítica - O mandato é de quantos anos?
MP –
Nós realizamos uma reforma estatutária, porque ele não estava em consonância com a necessidade. Hoje, se a gente conveniasse com o Banco do Brasil para fazer uma galeria de arte, a gente não teria nem com o receber legalmente esse recurso. Então, fizemos um ajuste no estatuto, no marco legal, e dentro desse marco o mandato da Federação das Associações Comerciais era de três anos, a CSCB também, e a Acese tinha de dois. Equacionamos para três anos, e todo o sistema ficou equiparado.

JLPolítica - Na divisão do PIB de importância da configuração econômica sergipana hoje, como se distribuem as atividades comerciais, de serviço e de indústria?
MP -
Dentro da economia, quem emprega mais é o setor de serviços, disparadamente. Ele é o maior da economia sergipana. Depois do serviço, vem o comércio. Indústria vem em terceiro lugar. O agronegócio, a seguir.

JLPolítica - A sua atividade, a de vigilância patrimonial e pessoal, tem avançado muito em Sergipe. Não há nisso uma denúncia velada de que o modelo de desenvolvimento sergipano e nacional é nocivo?
MP -
Eu relaciono essa visão a um pouco de desconhecimento da atividade. Primeiro, porque a segurança privada existe no mundo todo, principalmente nos países mais civilizados. Podemos dizer que há um quadro de violência exacerbada, por crimes de pequeno porte e que assustam a sociedade como um todo. Essa parte da sociedade, que é a vítima, não paga segurança privada. A visita que fizemos à Colômbia foi bastante esclarecedora nesse sentido. Nós vimos um país que tem uma economia infinitamente menor que a nossa e que se propôs a vencer a criminalidade. Chegava a ter 300 pessoas mortas num mês em uma única cidade, como Medellín ou Bogotá. Quando eles se dedicaram a um combate sem trégua ao narcotráfico e à corrupção e levaram e os serviços públicos às comunidades, se transformaram numa comunidade abastada e segura. Essa é a grande sacada. Porque aquele jovem que estava ali tinha um ídolo, que era o traficante.  

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Com os tucanos Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, e Eduardo Amorim, senador por Sergipe

UMA ENTIDADE SOB O SISTEMA PRESIDENCIALISTA
“A Acese é composta de um presidente, mais cinco vice-presidentes por área e tem um Conselho de 20 pessoas da sociedade que, voluntariamente, se dispõem a ajudar. São pessoas que dão um pouco do seu tempo, do tempo do seu negócio, para o coletivo” 

JLPolítica - O empresariado sob a jurisdição da Acese é resistente aos processos de qualificação propostos por ela?
MP -
Não, ao contrário. Ele é carente desse tipo de ação. O que falta hoje ao empresário sergipano ou aracajuano é uma oferta melhor para o tempo dele. Gasta-se muito mais tempo para a burocracia ou fiscalizações do que para se qualificar no seu negócio.

JLPolítica – Como é que se relacionam a Acese e as demais entidades afins, como as do Sistema S, CDL e CDL?
MP -
Muito bem. Eu sou conhecido como um associativista nato, e a primeira coisa que me propus a fazer foi o seguinte: a Acese, na qualidade de entidade-mãe, ou seja, todas as demais nasceram a partir dela, teve como primeiro papel se aproximar de todas elas. De realizar eventos em parceria. Então, não houve uma só ação que não tivessem presentes o CDL e sindicatos. Começamos a fazer esse trabalho porque identificamos que o público de todos nós era praticamente o mesmo. A proposta foi a de otimizar tempo, como também cobramos do Governo. Se íamos fazer um evento sobre o Simples, o público seria quase o mesmo, então eventos em conjunto foram o marco da nossa união. E a Acese é a facilitadora disso tudo.

JLPolítica - A Fecomércio, sob o comando de Laércio Oliveira, interagiu mais?
MP
- Foi um marco, porque Laércio Oliveira tem visão. Visão de futuro, de presente, tem de dinamismo e de envolvimento com as demais entidades. Isso vem da característica empresarial dele, que levou para lá. A começar pelo fato de ele ter ampliado o número de sindicatos associados à Federação, que antes tinha uma quantidade incipiente.

JLPolítica - Tirando as questões de ordem tributária, qual a maior problemática entre os empresários sob a jurisdição da Acese e os Governos de Sergipe e de Aracaju?
MP -
Paulo Guedes respondeu isso com muita propriedade: desburocratize, tire o Estado do pescoço do empresário e deixe ele produzir. Nós temos entraves que tornaram a situação reversa: hoje você bate às portas do poder público para abrir uma empresa, para gerar impostos e para gerar empregos. O burocrata público quer lhe dizer quando você pode abrir, se você pode abrir e se você não pode abrir e o porquê. Então você tem fiscalizações que não têm data, etapas que não têm prazos definidos, fiscalizações danosas. Se eu fosse um desses agentes públicos hoje, eu diria que o Estado tem que caminhar para inverter esse processo, indo atrás do empresário para ele abrir o negócio. Facilitar a vida dele. A fiscalização do Corpo de Bombeiros, por exemplo, deveria ser uma consultoria gratuita para que o empresário fizesse o projeto. Afinal, se você abre um negócio, é bom para o Estado, pois está gerando imposto e empregos.

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Assegura que faz na Acese uma gestão superavitária

QUEM É QUEM ENTRE OS SETORES
“Dentro da economia, quem emprega mais é o setor de serviços, disparadamente. Ele é o maior da economia sergipana. Depois do serviço, vem o comércio. Indústria vem em terceiro lugar. O agronegócio, a seguir”

JLPolítica - Mas não há a máxima de que a Junta Comercial Sergipana é uma das mais dinâmicas do Brasil?
MP –
A Jucese faz um trabalho hercúleo. Extraordinário. O problema é que o Estado Brasileiro, como está constituído, tem vários órgãos com processos individuais e idênticos. Por exemplo: você pede uma licença básica em um órgão, depois o outro barra. É impressionante como não existe uma articulação de um comando único. Nós temos apresentado isso ao deputado Laércio Oliveira, dito publicamente que o governador Belivaldo Chagas e o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, procurem colocar essas Secretarias dentro de um viés de desenvolvimento. O presidente Jair Bolsonaro está tendo essa visão. Você tem a Sedetec, que quer atrair empresas, e tem um órgão que não consegue a licença dentro da mesma estrutura de governo. Isso não funciona.

JLPolítica - A dependência do empresariado sergipano aos diversos níveis de Governo é algo que tem cura?
MP -
Tem. Primeiro, temos que pensar que só não há cura para a morte. Para todo o resto, há uma solução. Nesse caso, depende da maneira como você pensa. Se você pensa que tem que diminuir recursos investindo em previdência, em encargos, você tem que sobrar dinheiro para investir e gerar condição de abrir negócio. Por que o Estado não tem. Os municípios não têm essa condição. Um exemplo invertido disso é Itabaiana. Parece que Itabaiana não vive em Sergipe ou no Brasil. Porque o comércio dela é naturalmente pujante, por uma vocação da população. Mas essa vocação não seria possível se tivesse um governo municipal que travasse.  

JLPolítica - Quem empreende em Itabaiana não passa pelos mesmos processos?
MP -
Depende do viés de quem governa. Uma grande dificuldade que a população sergipana enfrenta é a do transporte público, que é tributado igual a qualquer coisa. Ou seja, o diesel do ônibus paga o mesmo preço de tarifa do cidadão comum. Então não é de interesse público, como deveria ser. Sergipe é um dos três únicos Estados que não têm uma política de incentivo ao desenvolvimento e à qualidade de transporte público.

JLPolítica - Há que se esperar que no governo de Belivaldo, que tanto fala em desenvolvimento, esses entraves das empresas possam melhorar?
MP -
A grande receita é o diálogo. Eu acho que quem quer governar precisa ouvir. Às vezes são pequenas coisas que estão tão arraigadas no dia a dia da administração que o governante acaba deixando passar batido. Por exemplo: hoje uma grande modalidade de negócio é a montagem de escritórios, galerias de salas, todo profissional liberal têm que ter uma licença municipal de vigilância sanitária. Se você tiver uma clínica, na mesma sala com quatro dentistas, serão quatro taxas de vigilância sanitária. Isso é um dos milhares de entraves.

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Com Emanoel Sobral, que preside o Sebrae de Sergipe

DO PERVERSO PODER BUROCRÁTICO DO ESTADO
“Nós temos entraves que tornaram a situação reversa: hoje você bate às portas do poder público para abrir uma empresa, para gerar impostos e para gerar empregos. O burocrata público quer lhe dizer quando você pode abrir, se você pode abrir e se você não pode abrir e o porquê”

JLPolítica - O que é, em síntese, a Lei Geral da Micro e Pequena Empresas?
MP -
É uma esperança de agilidade, rapidez e de uma condição tributária mais justa para a sociedade. Porque pagamos impostos sobre tudo. Impostos mostram que um funcionário que recebe R$ 2 mil, custa mais R$ 2 mil ao empregador. Ou seja, R$ 4 mil. Dos R$ 2 mil que ele recebeu, fica com R$ 1.450. Quem não produz, acaba ficando com mais do que quem trabalha. E essa lógica é perversa. Não há dinheiro que chegue para alimentar essa máquina. Por isso que se defende a redução da máquina. E com isso não estou querendo dizer que deve haver a redução da escola de qualidade, de postos de saúde. De forma alguma. Mas não há dinheiro que chegue para alimentar o crescimento vegetativo da máquina.

JLPolítica - Isso, numa visão de ciclo, termina redundando no desemprego...
MP –
Sim. Mas também na pobreza da população. O que se tem é um Estado rico e uma população pobre.

JLPolítica - Que tipo de reforma a Acese busca para esta Lei?
MP -
Essa lei é nacional. Nós temos buscado, como bem colocou o Afif Domingos, grande batalhador do Simples, crescer sem medo. É preciso ter uma progressividade. Um rito de passagem mais leve, suave. Começar por desburocratizar. A mentalidade brasileira é de mais agentes públicos e não de melhoria do sistema que sirva ao mercado. E o Estado brasileiro, quanto mais investe no sistema, deveria ficar mais barato, e não mais caro.

JLPolítica - O senhor se admite dono de um perfil mais negociador, em nome da instituição, que seus antecessores?
MP -
Não me considero nem mais menos do que os meus antecessores. Eu me considero uma pessoa que tem um perfil de somação. Um perfil firme para reivindicar, quando isso é necessário, como quando ficamos contra o aumento do IPTU. Somos e ficamos contra a taxa de publicidade, porque não há dinheiro que chegue para tantas taxas. Defendemos e perdemos que todas as placas que fossem meramente de identificação da loja não fossem pagas. Vão ser. E o equívoco ainda maior: ainda que fosse para vender, quando eu vendo, eu pago mais impostos. Mas o Brasil é campeão em acúmulo tributário.

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Com Brenno Barreto, que preside a CDL de Aracaju

DA IMPORTÂNCIA DA GESTÃO LAÉRCIO OLIVEIRA NO SISTEMAS
“Foi um marco, porque Laércio tem visão. Visão de futuro, de presente e de envolvimento com as demais entidades. Isso vem da característica empresarial dele, que levou para lá. A começar pelo fato de ter ampliado o número de sindicatos associados à Federação, que antes tinha uma quantidade incipiente”

JLPolítica - Qual seria o botão de número 1 que deveria ser acionado para se gerar mais empregos em Sergipe?
MP -
Todo governante que quisesse passar para a história do Estado ou do município teria que pensar em como desburocratizar, facilitar a vida de que quer empreender. Cada um que for empreender, é menos um a depender do poder público.

JLPolítica - Não lhe entristece que essa desburocratização, tão falada há 30 anos, ainda não tenha sido efetivada?
MP -
O Brasil se fez vítima do Estado cartorial. Nesse Estado, cada um foi lutar pelos seus interesses individuais em detrimento dos interesses nacionais. Por exemplo: você gasta uma fábula de cartório e aí você visita países que não têm Detran. Ou INSS. A máquina cresce e você acaba não conseguindo atingir os anseios daquela sociedade.

JLPolítica - Nesse aspecto geral de que o senhor se queixa, Sergipe pode fazer algo positivo se o Brasil não fizer?
MP -
Eu acho que a política nacional é muito importante. Mas a política local é o dever de casa. Eu acredito muito no governador Belivaldo Chagas. Agora sob o manto de uma eleição própria, dono de seus votos e de seu mandato, terá a liberdade de procurar fazer um funcionamento da máquina reduzido e com mais eficiência e sob um viés desenvolvimentista. 

JLPolítica - O senhor e a Acese foram chamados para dar algum tipo de colaboração na formatação, pela Sefaz, do Plano de Recuperação Econômica do Estado, que prevê a geração de 100 mil empregos?
MP -
Nós participamos de forma indireta, via Fórum Empresarial, que representa as entidades. Ele deu as contribuições. Acho que foram tímidas.

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Com Luciano Bispo, que preside a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe. Na pauta, os 145 anos da Acese, à época

UM CENTRO DE CONVENÇÕES, SIM. MAS QUEM O FARIA?
“Perdemos muito no turismo de negócios, já que sem o Centro não era possível captá-los. Se você me perguntar se cabe ao Estado fazer esse Centro de Convenções, diria que não. Mas cabe a Sergipe ter. Eu teria aí um marco legal atrativo, que atraia um grande empresário a fazer”

JLPolítica - Em síntese, quais foram elas?
MP -
Nós colocamos que a desburocratização é fundamental, e a necessidade de tirar o viés cartorial dos órgãos de regulamentação e que esses órgãos tivessem visão desenvolvimentista. Acredito que o governador terá habilidade para construir isso. Ele tem procurado isso, e também temos visto o deputado Laércio Oliveira mais próximo dele nessas visões. Belivaldo tem demonstrado que será preciso medidas efetivas e eu tenho provocado, no bom sentido, que os Poderes Legislativo e Judiciário também precisam dar sua contribuição.

JLPolítica - A falta de um Centro de Convenções digno deste nome em Aracaju tem que impacto negativo na economia de Sergipe?
MP -
Inicialmente, perdemos muito no turismo de negócios, já que sem o Centro não era possível captá-los. Se você me perguntar se cabe ao Estado fazer esse Centro de Convenções, eu diria que não. Mas cabe a Sergipe ter. Eu teria aí um marco legal atrativo, que atraia um grande empresário a fazer, como o Teatro Tobias Barreto naquele momento foi importante. Mas o Estado administrar um teatro também não caberia. O ideal seria entregar à mão privada. Claro que entregar a quem é especialista, porque não adiantar privatizar ou terceirizar se não for assim. Eu devo ter uma Ferrari em Aracaju? Eu tenho pista de qualidade para andar com uma Ferrari por aqui? Não. Então acho que esse pequeno/médio Centro deveria ser iniciado buscando uma PPP, e com a fomentação natural, que é a lei de mercado, ele cresceria. Não se faz primeiro um grande hotel esperando que apareçam clientes. As coisas vão crescendo. Então, o Centro de Convenções precisa primeiro sair do papel, depois conseguir um modelo que não seja público, porque não funciona. E também não adianta fazer como no passado, na Orla, que foi construída e terceirizaram todos os pontos para quem não era do ramo. Se não tivermos investidores sergipanos, que se procure no Nordeste; se também não tivermos no Nordeste, que se procure nacionais ou internacionais. O importante é que tenhamos o espaço.

JLPolítica – O que mais avilta a atividade comercial sergipana, entre a violência urbana e a inadimplência dos consumidores?
MP -
São duas pragas. Primeiro, oferecer o crédito de maneira indistinta a quem não podia pagar. Isso gerou uma inadimplência. Além disso, você tem uma violência que inibe o crescimento do comércio. De novo, remeto à Colômbia, onde visitei uma favela e todos os negócios estão abertos, com cafeterias, loja de roupas, drogaria, restaurantes. Não havia o pavor da violência. Entre nós, temos mercearias que quando conseguem atender é através de grades. Não é à toa que tivemos essa epidemia de violência.

JLPolítica - Qual o principal viés de ordem econômica particular ou de atuação pública que garantiria uma revitalização do centro econômico e empresarial de Aracaju?
MP -
O Centro precisa ressurgir economicamente, com a compra de produtos ou serviços. Você tem um negócio ali e precisa de estímulo, como estamos em construção a ideia que São Paulo tem usado de criar incentivos via IPTU - até porque o IPTU mais caro do Estado é o do Centro de Aracaju, por ter a planta mais antiga. Nesse sentido, o primeiro ponto seria a recuperação das fachadas, incentivando o empresário via redução do IPTU, para que ele deixasse a fachada dele original, tirando a publicidade, que serve mais para encobrir as avarias existentes em todas elas. Segundo, tínhamos que ter uma cooperação técnica entre a atividade privada e a pública. Por que se procura o shopping? Porque há sensação de segurança. Temos calçadões Brasil afora que são fechados, como shopping, embora a céu aberto, onde há segurança, revista às pessoas e elas se sentem mais tranquilas ao andar. Então precisa-se vencer esse preconceito da segurança pública e privada na gestão de espaços públicos. É preciso pensar fora da caixa.

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É casado com Franqueline Pereira de Melo Tarquínio

UMA APOSTA AFETIVA EM JAIR BOLSONARO
“A expectativa é imensa. Um candidato a presidente que saiu do seio do povo. E na minha opinião, ele não está nem montando um Ministério: está montando uma liga da justiça. São super nomes, pessoas qualificadas e com pensamento moderno”

JLPolítica - E no aspecto imobiliário, não pode haver avanços?
MP -
Se a gente recuperar a parte econômica, a Prefeitura pode depois identificar as grandes áreas desabitadas e sem construção, e do mesmo jeito criar um incentivo para o mercado imobiliário. Em vez de construir um conjunto de apartamentos num lugar onde nem saneamento básico tem, e com grande dificuldade de transporte público, faria ali. Apartamentos populares para quem trabalha na região, seria uma ideia fantástica.

JLPolítica - Qual é a expectativa do senhor com o próximo Governo Belivaldo Chagas?
MP –
Tenho todas as expectativas de um governador eleito pelo voto democrático e que a sociedade avalizou numa vitória esmagadora. A população entendeu, aceitou, compreendeu e creditou o governador Belivaldo Chagas como a pessoa capaz de, como ele disse na campanha, chegar para resolver. Tenho plena convicção de que ele será essa pessoa

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Com quem tem dois filhos - Emanoella Tarquínio, 30 anos, e Gabriel Tarquínio, 22

BELIVALDO CHAGAS E UM VIÉS DESENVOLVIMENTISTA
“Eu acredito muito no governador Belivaldo Chagas. Agora sob o manto de uma eleição própria, dono de seus votos e de seu mandato, terá a liberdade de procurar fazer um funcionamento da máquina reduzido e com mais eficiência e sob um viés desenvolvimentista” 

JLPolítica - Qual é a expectativa do senhor com o futuro Governo Jair Bolsonaro?
MP -
 Eu sou suspeito em falar, porque sou bolsonarista. Então, a expectativa é imensa. Um candidato a presidente que tinha sete segundos de televisão, que não tinha apoio das linhas partidárias e saiu do seio do povo. Com nenhuma campanha nunca antes visto se deu isso. E na minha opinião, ele não está nem montando um Ministério: está montando uma liga da justiça. São super nomes, pessoas qualificadas e com pensamento moderno. Ele colocou a situação de forma simples: não vai se abandonar o Mercosul, mas não se pode ficar no Mercosul. Tem que comercializar para o mundo. Isso cria a diminuição do Estado, dessa dívida monstruosa, dos juros extorsivos. Aliás, nós não temos juros, temos uma extorsão. E a economia vive de expectativa. Centenas de empresários já começaram a fazer investimentos no Brasil, e ele nem tomou posse. O dólar caiu, a bolsa de valores subiu de maneira extraordinária e observa-se que contamina, que a economia fica motivada, do mesmo jeito que Lula, que recebeu um governo arrumado de FHC, pegou as commodities de vento em popa, com aquela sensação de bonança. Eu acho que a sensação agora é a de esperança, principalmente no combate à corrupção, que é quem consome o dinheiro do povo brasileiro.

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É filho de Hildebrando Tarquínio da Silva e de Josefa Pinheiro Tarquínio