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Entrevista

Jozailto Lima

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Marco Queiroz: “Endosso a política tributária praticada pelo Governo de Sergipe”

“Todas as atividades de um secretário de Fazenda têm criticidade máxima”
10 de novembro de 2019 - 8h


Marco Queiroz, como secretário de Estado da Fazenda, pode ser considerado definitivamente suspeito, e até o é, mas ele não nega o conceito de que Sergipe pratica uma política tributária coerente.

Pode até ter problema no casco dessa política, e os R$ 8,3 bilhões da chamada dívida ativa bem que sinalizam em direção a isso. Mas Marco atenua, com a tese de que dívida ativa não é um problema exclusivo de Sergipe.

E, para além de achar que a Procuradoria Geral do Estado é ativa na cobrança dela, defende um remédio para esse tipo de débito para com todos os Estados: a securitização.

“Nós precisamos um projeto que os Estados possam securitizar a dívida ativa. Porque há fundos com interesse em comprar essas dívidas. No mais, afirmo que hoje temos uma PGE totalmente atuante. Agora, dívida ativa não é um problema só em Sergipe. Todos os Estados da federação têm”, diz Marco.

Dívida ativa do Estado, no entanto, não é propriamente o foco mais promissor de Marco Queiroz, um homem que vem da Caixa Econômica Federal, mas que antes, na sua adolescência de trabalhador, fora também do fisco do Estado de Sergipe e do município de Aracaju.

No posto de secretário há menos de seis meses - fará os 180 dias em seis de dezembro -, Marco está preocupado mesmo é com ações maiores, que ajudem Sergipe a ter um melhor equilíbrio fiscal e financeiro e que possa pagar fornecedores e servidores em dia.  

“Neste momento, a Sefaz trabalha com a redução da sonegação, porque não se pode trabalhar um horizonte melhor com uma sonegação alta. E essa redução vai se dar com o aumento da fiscalização, com uma ação estratégica”, diz ele.

“Veja: assumi em 6 de junho e em 1º de agosto estabelecemos novas condições de parcelamento das dívidas das empresas para com o Estado, porque entendemos que na maioria das vezes o empresário quer pagar, mas a dívida não cabe no orçamento da empresa, que às vezes é pequena”, completa.

Marco Queiroz informa mais. “Agora mesmo estamos com dois projetos aprovados na Assembleia Legislativa, um com o Refis do ICMS e outro com um projeto que chamamos de Recuperar, que é para possibilitar pagamentos com prazos maiores para o IPVA, porque identificamos que esse imposto também está com índice muito alto de inadimplência. Essas são ações que devem melhorar a arrecadação e o fluxo de caixa do Estado”, avisa.

O pouco tempo de Marco Queiroz à frente da Sefaz de Sergipe foi o suficiente para que ele percebesse que ali, enquanto se descansa, carrega-se pedras. E que pedras! Mas elas não o intimidam.

“Posso garantir que todas as atividades de um secretário de Fazenda têm criticidade máxima, como a elaboração do orçamento, o cuidado com a aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal, com o planejamento. Na atividade de gerenciamento do fluxo de caixa do Governo, de somar esforços para que ele consiga ser gerenciado num período de muita contingência, é extremamente crítica a atividade dessa pasta”, diz ele.

Mas se engana, no entanto, quem pensa que Marco Queiroz, do alto daquela simplicidade e timidez lá dele, tenha vacilado diante do convite feito por Belivaldo Chagas. “Quando o governador me convidou, fiquei muito surpreso, mas ao mesmo tempo feliz e honrado, e também me senti desafiado”, diz ele.

“Não tive receio, no entanto, porque o governador já tinha me dito que havia uma equipe boa e competente, então quando cheguei lá procurei fazer uma imersão no que é a Sefaz e no processo de arrecadação”, diz.

Para bem além dos cacoetes de quem quer agradar a um superior, Marco Queiroz diz encontrar em Belivaldo Chagas o homem certo na hora certa para enfrentar uma crise que solapa os Estados do Brasil de norte a sul.

Belivaldo Chagas é um homem, do ponto de vista fiscal, extremamente responsável. Todas as interações que tenho tido com ele demonstram o foco dele na melhoria da gestão, na racionalização da máquina pública. Belivaldo tem noção de Estado como gestor. É, sim, um político que tem visão de gestor. Eu costumo dizer que o governador vai deixar um legado para Sergipe como um gestor preocupado com a administração pública”, diz.

E é do alto desta visão pessoal que Belivaldo tem que o secretário da Fazenda acredita nas possibilidades de que os 73 mil servidores públicos de Sergipe, entre os da ativa e os aposentados, recebam o 13º salário ainda este ano. 

Marco Antonio Queiroz nasceu no dia 13 de junho de 1966 - olha aí a origem do Antonio, pois o 13 é dia de Santo Antonio - em Aracaju. Ele é filho de Ataliba Menezes Queiroz e de Maria de Jesus Queiroz.

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“Belivaldo Chagas é um homem, do ponto de vista fiscal, extremamente responsável", assegura
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Marco Antonio Queiroz nasceu no dia 13 de junho de 1966, em Aracaju

DO CONVITE PARA SEFAZ, E DA SEGURANÇA
“Quando o governador Belivaldo Chagas me convidou, fiquei muito surpreso, mas ao mesmo tempo feliz e honrado, e também me senti desfaiado. Não tive receio, porque o governador já tinha me dito que havia uma equipe boa e competente”

JLPolítica - No dia 6 de dezembro o senhor fará seis meses no comando da Sefaz. Já pegou as rédeas dela e já sabe onde as cobras dormem?
Marco Queiroz -
Na verdade, não tenho essa impressão de que ali cobras durmam. Quando o governador Belivaldo Chagas me convidou, fiquei muito surpreso, mas ao mesmo tempo feliz e honrado, e também me senti desafiado. Não tive receio, no entanto, porque o governador já tinha me dito que havia uma equipe boa e competente, então quando cheguei lá procurei fazer uma imersão no que é a Sefaz e no processo de arrecadação.

JLPolítica – E o que govenador lhe disse que tinha, o senhor encontrou lá?
MQ -
Sim. Encontrei uma equipe grande, um bom time, e nunca tive receio de estar à frente da Sefaz. Algumas pessoas até me advertiram, dizendo para que eu levasse pessoas de minha confiança, mas me preocupei apenas em chegar lá e fazer essa imersão no que a casa dispunha. Tanto é que eu passei um período sem dar entrevista, para poder conhecer como funcionava o processo.

JLPolítica – E atualmente, como o senhor se sente?
MQ -
Hoje, estou muito bem à vontade. Mas dizer que tenho as rédeas seria precipitado, porque todos os dias a gente aprende mais e, além disso, é uma Secretaria extremamente demandada, que gerencia o orçamento do Estado na sua execução e a arrecadação de impostos. Estamos sempre no meio de muitas mudanças. Temos em cursos várias reformas que afetarão positivamente o caixa do Estado.

JLPolítica - Mas o senhor não sentiu um frio de barriga com o convite do governador para assumir a Sefaz?
MQ -
Pra ser sincero, não senti. Eu me senti foi honrado. Só não aceitei no mesmo dia porque tinha o protocolo de ser cedido pela Caixa. Eu não tive receio, não me passou nada pela cabeça que me deixasse em dúvida sobre aceitar ou não o convite.  

JLPolítica - Qual é a atividade mais difícil entre as diversas atividades que um secretário de Estado de Fazenda tem que enfrentar na rotina do cargo?
MQ -
Posso garantir que todas as atividades de um secretário de Fazenda têm criticidade máxima, como a elaboração do orçamento, o cuidado com a aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal, com o planejamento, que prevê a lei orçamentária do ano seguinte, elaborada no ano atual. Na atividade de gerenciamento do fluxo de caixa do Governo, de somar esforços para que ele consiga ser gerenciado num período de muita contingência, é extremamente crítica a atividade dessa pasta.

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A reunião do sim, para comandar a Sefaz sergipana. Com Belivado e José Carlos Felizola, titular da Casa Civil

UMA FUNÇÃO SOB CRITICIDADE MÁXIMA
“Posso garantir que todas as atividades de um secretário de Fazenda têm criticidade máxima, como a elaboração do orçamento, o cuidado com a aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal. Digo que não tem folga”

 JLPolítica - O senhor diria que mais ainda agora?
MQ -
Sim. Principalmente no momento em que se encontram praticamente todos os Estados da federação, com problemas financeiros. Indo para a arrecadação de impostos, tem que gerenciar uma política tributária que seja inclusiva; gerenciar para que as operações que estejam inadimplentes não afetem sobremaneira o caixa do Estado, porque se as empresas declaram e não recolhem os impostos, a inadimplência sobe, o que gera problemas com a arrecadação, que já está comprometida com o orçamento do ano passado. Então, é difícil estabelecer uma atividade que seja a mais crítica na esfera da Sefaz.  

JLPolítica - Qual é a sua visão do governador Belivaldo Chagas enquanto condutor das políticas públicas macros de Sergipe?
MQ -
Belivaldo Chagas é o gestor certo na hora certa. É um homem, do ponto de vista fiscal, extremamente responsável. Todas as interações que tenho tido com ele demonstram o foco dele na melhoria da gestão, na racionalização da máquina pública. Como, por exemplo, a criação dos Comitês de Gestão das Estatais e para tocar as PPPs, sob a coordenação de Oliveira Júnior. Então, reafirmo que Belivaldo tem noção de Estado como gestor. É, sim, um político que tem visão de gestor. Eu costumo dizer que o governador vai deixar um legado para Sergipe como um gestor preocupado com a administração pública.

JLPolítica - Quais são as ações que a Sefaz têm em curso para aliviar o horizonte turvo das finanças públicas sergipanas?
MQ -
Neste momento, a Sefaz trabalha com a redução da sonegação, porque não se pode trabalhar um horizonte melhor com uma sonegação alta. E essa redução vai se dar com o aumento da fiscalização, com uma ação estratégica. Veja: assumi em 6 de junho e em 1º de agosto, estabelecemos novas condições de parcelamento das dívidas das empresas para com o Estado, porque entendemos que na maioria das vezes o empresário quer pagar mas a dívida não cabe no orçamento da empresa, que às vezes é pequena.

JLPolítica - O que se faz, então?
MQ –
Agora mesmo estamos com dois projetos aprovados na Assembleia Legislativa, um com o Refis do ICMS e outro com um projeto que chamamos de Recuperar, que é para possibilitar pagamentos com prazos maiores para o IPVA, porque identificamos que esse imposto também está com índice muito alto de inadimplência. Essas são ações que devem melhorar a arrecadação e o fluxo de caixa do Estado.

JLPolítica - O que é que se pode fazer para Sergipe ir além de um orçamento anual de R$ 10 bilhões?
MQ -
Existem ações locais, que precisam ser feitas, e ações estruturais – e isso tem muito do plano nacional -, algumas já estão em curso. As locais são uma política tributária efetiva, e nós estamos realizando: o Governo tem estado atento a alguns setores da economia que em algum momento precisam estar alavancados, por conta da possibilidade de utilização do imposto como instrumento de alavancagem econômica.

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Mas a boa relação com o Governo de Sergipe remonta à Jackson Barreto

GOVERNADOR COMO UMA BOA ÂNCORA
“Belivaldo Chagas é o gestor certo na hora certa. É um homem, do ponto de vista fiscal, extremamente responsável. Todas as interações que tenho tido com ele demonstram o foco dele na melhoria da gestão, na racionalização da máquina pública”

JLPolítica – Como o quê?
MQ -
Como, por exemplo, a redução do imposto sobre o QAV – Querosene de Aviação. Nosso Estado tem um viés turístico muito grande, onde o setor de serviços participa em 75% do PIB - isso são dados da Sedetec -, e nós identificamos que tinha um problema sério aqui: os voos não estavam parando em Aracaju por causa do preço do combustível. E esse insumo equivale a até 45% no custo de uma companhia aérea. E essa política melhorou: nós fizemos um convênio com a Gol e com a Azul.

JLPolítica - Passada a reforma da Previdência nacional, que prazo Sergipe deve se dar para fazer a sua reforma da Previdência local?
MQ -
A reforma da Previdência local está em curso. Existe um grupo de estudo com a participação da Sergipeprevidência, da Procuradoria Geral do Estado, da própria Sefaz, da Secretaria de Administração, e estamos sempre pontuando saídas com o governador. Na verdade, a reforma da Previdência nacional só falta a promulgação - ela já passou nos dois turnos no Senado e na Câmara. Agora, existe algo mais, que é chamada a PEC Paralela, que na quarta-feira última foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e deve estar indo para a votação. Mas o Estado de Sergipe já tem o estudo do que deve ser feito por aqui caso a PEC Paralela, que inclui Estados e Municípios na reforma atual, não tramite no tempo que se precisa. Se ela demorar muito e não for aprovada nas duas Casas do Congresso e nos dois turnos, o ano que vem é ano eleitoral, com eleições municipais, o que torna difícil a aprovação dela. Caso isso não aconteça, se nós percebermos isso, o governador deve encaminhar uma reforma própria aqui do Estado de Sergipe.

JLPolítica - Qual é a solução que esta reforma deve apontar para que o erário sergipano não seja vazado em R$ 100 milhões por mês?
MQ -
Nós temos esses estudos, mas não foi batido o martelo pelo governador, que tem uma preocupação muito grande de não gerar expectativa que de repente não se cumpra e, então, gere mais dificuldade na relação com os servidores. Mas estejam certos os sergipanos que a solução deve ser apresentada.

JLPolítica - Uma reforma tributária ampla, geral e irrestrita não deveria preceder à da Previdência?
MQ -
O Brasil precisa de reformas urgentes. Vivemos um momento acelerado de reformas, que é a resposta de um Congresso renovado e da necessidade do país, mas escalonar se a tributária seria mais necessária do que a da Previdência é difícil. Difícil, porque a reforma tributária trará mudanças na relação entre os entes da federação e a da Previdência traz mudança na relação do Estado com seus servidores e do regime geral com os trabalhadores. Então, são reformas que se complementam.

JLPolítica - E qual é o perfil da reforma tributária que o Brasil necessita para garantir um novo pacto federativo?
MQ -
Já estão na Câmara duas PECs – Propostas de Emendas à Constituição: a 45 e a 110. A 45 cria o chamado IBS - Imposto sobre Bens e Serviços -, uma espécie de IVA - Imposto sobre Valor Agregado – que, em tese, já existe na maioria dos países. A reforma que está na Câmara e no Senado partem do pressuposto da substituição do ICMS pelo IVA, e elas transformam o cenário tributário, que hoje tem uma série de impostos, cerca de 20 - imposto sobre folha, previdenciário, etc -, que oneram o processo produtivo.

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Em almoço promovido pelo Fórum Empresarial de Sergipe

UMA REFORMA QUE NÃO PODE ESPERAR
“A reforma da Previdência local está em curso. Existe um grupo de estudo com a participação da Sergipeprevidência, da Procuradoria Geral do Estado, da própria Sefaz, da Secretaria de Administração. O Estado de Sergipe já tem o estudo do que deve ser feito”

 JLPolítica - O senhor considera a reforma tributária algo complexo demais?
MQ -
Sim. Falar sobre reforma tributária exige alguns cuidados, porque hoje estão em vigor no Brasil impostos federais, estaduais e municipais. No Brasil, a tributação é extremamente onerosa para o setor produtivo. Um relatório do Banco Mundial aponta que, de 190 países, o Brasil esteve na posição 184 no item tributação. Tanto que no global o país ficou na posição 124 no relatório Doing Business, mas na tributação fomos para 184. O Brasil precisa de uma reforma tributária que acabe com a regressividade dos impostos, que significa que quem ganha menos acaba pagando mais imposto. Por exemplo, o preço do arroz é igual para quem ganha um salário mínimo e para quem ganha 10 salários mínimos, por exemplo. A outra questão que deve ser atacada na reforma é que o imposto deve vir para a unidade onde se consome o produto, porque hoje os estados industrializados ficam com a maior parte da arrecadação. A relação de Sergipe, que é vizinho da Bahia, é de déficit comercial com a Bahia. Os produtos consumidos em Sergipe não são produzidos aqui. A taxa média de consumo interno é de 18%. E a média estadual é de 12%, então se o produto é produzido na Bahia e vem para Sergipe, Bahia fica com 12%, e Sergipe fica com 6%. Isso porque a produção foi lá.

JLPolítica - Qual é a visão do senhor para o Plano Mais Brasil, elaborado pelo Ministério da Economia do Governo Jair Bolsonaro?
MQ -
As reformas são necessárias. Foram apresentadas três PECs pelo governo agora - uma emergencial, uma sobre fundos institucionais e uma sobre os Estados. São reformas essenciais. Primeiro, nós enfrentamos um período pós-recessão, onde a receita caiu muito. A maioria das receitas da Federação tem vinculações, e essas vinculações vêm ainda da Constituição de 1888. Hoje, 50% da arrecadação de ICMS é vinculada. Então, é uma possibilidade que os governadores vão ter de fazer gestão sobre esses valores que hoje nós não temos. 

JLPolítica - No lugar de Paulo Guedes, o senhor subscreveria o fim de 1.250 municípios atingidos por este plano?
MQ -
Essa é uma questão política que já está em discussão. Não é uma questão econômica. Está sendo discutida no Congresso e inclusive em Sergipe há algo em torno de 10 municípios que seriam extintos. Penso, no entanto, que todos nós cidadãos brasileiros aguardamos uma solução de bom senso, moderada. Simplesmente excluir municípios do mapa pode gerar mais transtornos do que benefícios. 

JLPolítica - Qual é o conceito da política tributária praticada pelo Governo de Sergipe hoje?
MQ -
A política tributária praticada pelo Governo de Sergipe é uma que eu endosso, faço parte dela. Estou diariamente com a equipe técnica da Fazenda estudando para que o Governo do Estado possa realizar benefícios com o que lhe cabe na política tributária. Um exemplo é o PSDI - Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial -, que já soma 30 mil empregos. E, mais recentemente, nós temos aplicado estudos no sentido de que os segmentos da economia sergipana possam ter na nossa política auxílio para enfrentar algumas intempéries, ou aproveitar a janela de oportunidade para Sergipe atrair empresas, como foi em julho, quando o governador reduziu o ICMS sobre o gás, porque quando nós percebemos que Sergipe tinha encontrado blocos de gás natural onde, segundo a Petrobras, a produção pode chegar a 20 milhões de metros cúbicos por dia - 10 vezes mais do que a produção atual. Percebemos ali que Sergipe tem condição de ter uma nova matriz econômica. Diria que o Governo de Sergipe usa a política tributária para estimular a economia sergipana.

JLPolítica - O senhor sabe dizer quanto o Estado perde de imposto com o PSDI?
MQ -
Arrecadação com as empresas do PSDI é algo em torno de R$ 330 milhões ao ano com ICMS. E nós temos estudos também sobre a renúncia fiscal. Mas esse tema tratado aqui vai ajudar pouco. O que quero dizer é que criamos um estudo sério, uma política séria da parte do governo em beneficiar setores. Ademais, digo que nenhum Estado da federação vai deixar de ter renúncia fiscal enquanto houver a guerra fiscal entre os Estados.

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Recebendo a diretoria do Sindicato dos Concessionários de Veículos do Estado de Sergipe (Sincodiv/SE)

SERGIPE PRATICA UMA BOA POLÍTICA TRIBUTÁRIA
“A política tributária praticada pelo Governo de Sergipe é uma que eu endosso, faço parte dela. Estou diariamente com a equipe técnica da Fazenda estudando para que o Governo do Estado possa realizar benefícios com o que lhe cabe na política tributária”

 JLPolítica - A existência de uma dívida ativa de quase R$ 8,3 bilhões de impostos não identifica uma baixa eficácia do Governo do Estado em cobrá-los?
MQ -
Não, porque o que precisa é uma regulação. Por exemplo, nós precisamos, e já está em curso no Congresso, um projeto que os Estados possam securitizar a dívida ativa. Porque há fundos com interesse em comprar essas dívidas. No mais, afirmo que hoje temos uma PGE totalmente atuante. Agora, dívida ativa não é um problema só em Sergipe. Todos os Estados da federação têm dívida ativa.

JLPolítica - O senhor não identificaria fragilidade da Procuradoria Geral do Estado no terreno da cobrança?
MQ -
A Procuradoria Geral do Estado é feita por servidores altamente qualificados, por procuradores que diariamente nos acessam, dando sugestões para a melhoria da arrecadação. Inclusive, hoje mesmo (a entrevista foi dada na quinta) eu tive uma reunião com os procuradores para discutir como usar o Refis como instrumento para estimular a arrecadação. O problema não é na PGE. O Brasil precisa ter uma regulamentação para que as dívidas ativas dos estados e dos municípios possam ser securitizadas.

JLPolítica - Por falar nisso, quando será feito, se é que será feito, o concurso para auditores técnicos no Estado?
MQ -
Não estamos enfrentando essa questão desse momento ainda, embora em breve ela deve ser enfrentada, tendo em vista que o último concurso tem 30 anos. Foi em 1989. A maioria dos auditores fiscais e dos auditores técnicos já tem idade para se aposentar. Entendemos que existe essa necessidade, mas eu, pessoalmente, não enfrentei ainda essa questão.

JLPolítica - O Estado não estaria vacilando na questão de corpo técnico para esse boom de desenvolvimento que vem por aí com a energia? 
MQ –
Não. Muito pelo contrário. Nós temos técnicos altamente qualificados sob a liderança de José Augusto Carvalho, na Sedetec. Inclusive, recentemente, o jornal Valor Econômico publicou uma matéria onde aponta Sergipe como o Estado mais bem posicionado na questão da regulação do novo mercado de gás. Estamos atentos e o governador tem sancionado decretos e leis que vão beneficiar Sergipe como novo vetor do mercado de gás.

JLPolítica - De que servirão os R$ 298 milhões para Sergipe do leilão do Pré-Sal?
MQ -
A informação que nós temos é a de que serão R$ 146 milhões, e a ideia sempre foi a de utilizar esses recursos para sanar o déficit da Previdência. Reduzi-lo. Inicialmente, pensávamos em R$ 400 milhões, que seriam suficientes para quatro meses de Previdência, o que daria uma folga nas contas públicas. Nós iríamos, e ainda vamos, utilizar esses valores exclusivamente para sanar esse déficit. Isso vai fazer com que o Estado tenha uma folga em seu fluxo de caixa.

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É casado com Inês Lima de Souza Queiroz

EXTERMINAR OU NÃO EXTERMINAR MUNICÍPIOS
“Essa é uma questão política que já está em discussão. Não é uma questão econômica. Está no Congresso e inclusive em Sergipe há algo em torno de 10 que seriam extintos. Simplesmente excluir municípios do mapa pode gerar mais transtornos do que benefícios” 

 JLPolítica - Estes recursos saem ainda este ano ou são os ovos naquilo da galinha?
MQ -
A expectativa a é de que esses recursos saiam até o dia 27 de dezembro. A Secretaria do Tesouro Nacional colocou esse prazo para creditar os recursos.

JLPolítica - O Estado ainda deve, de restos a pagar do Governo passado, quanto à iniciativa privada?
MQ -
Não é que a gente deixe de pagar a alguns fornecedores, mas há atrasos. O Estado está trabalhando com déficit mensal entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões. E a gente termina chegando ao final do ano com déficit recorrente, com necessidade de complementação do orçamento. Algo em torno de R$ 200 milhões e R$ 300 milhões para que quitemos todas as dívidas com os fornecedores. E mais: não sobra nada pra investir. Nossa despesa equivale a 96,9% da receita. É uma situação de alta criticidade.

JLPolítica - Qual é o planejamento para quitar essas dívidas?
MQ -
Estamos repactuando dívidas com a iniciativa privada, estamos trabalhando arduamente para aumentar arrecadação, prova disso são os dois Refis para os quais eu chamo a atenção. Foram os últimos da administração, porque a PEC que está em curso fala muito em reduzir a renúncia fiscal, o que impactará nesses Refis futuros.

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E pai de Felipe Lima de Souza e Silva, 28 anos, Valter Vinicius de Souza Costa, 24, e de Luana Maria Cavalcante Queiroz, de 20

DOS ESFORÇOS PARA SE PAGAR O 13º
“O governador já disse que vai pagar o 13º do servidor. Pontuou que ainda não sabia como, mas que o valor seria pago. Hoje, precisaríamos de auxílio do crédito de terceiros. Há no horizonte a possibilidade de parcelar”

JLPolítica - Na Sefaz há um comitê para dar justificativa às pessoas que devem ao Estado?
MQ -
A Sefaz tem vários canais de comunicação - o telefone, uma página na web, rede sociais, um canal de Ouvidoria. Temos todo o amparo. Mas existe uma contingência fiscal e o problema não é só em Sergipe. Ao todo, 14 Estados do Brasil não conseguem ter empréstimo com o aval da União. Nós estamos entre eles. Nossa nota é C, e temos Estados com nota D. Temos casos de pujanças em outras épocas e que hoje estão impedidos de operar, como Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 27 Estados da federação, só um tem nota A, que é o Espírito Santo. E outros que têm a nota B, já foram sinalizados de que podem cair para C.

JLPolítica - Entre o senhor e Belivaldo Chagas, quem mais atrofia o sono pensando no pagamento do décimo terceiro dos 73 mil servidores?
MQ -
Sofremos juntos, mas penso que mais é o governador do Estado que, desde a primeira vez que conversei com ele, e é um exemplo que levo comigo, mostrou sensibilidade com a questão do servidor público. Ele tem muita preocupação em honrar com o pagamento do servidor público e hoje nós não conseguimos pagar toda a folha dentro do mês, mas o governador tem nos cobrado e se cobrado muito sobre isso. Então, diante da situação macroeconômica, esse e outros problemas, como o óleo nas praias em pleno verão, quando o governador está tentando reerguer o setor de turismo, chamam muito a atenção dele. Mas o governador já disse numa live que vai pagar o 13º salário do servidor. Ele pontuou que ainda não sabia como, mas que o valor seria pago. Nós não conseguimos pagar no modelo anterior, que era a primeira parcela e depois a segunda em dezembro. Hoje, nós precisaríamos de auxílio do crédito de terceiros. Há no horizonte a possibilidade de parcelar o 13º - o servidor não terá ônus nenhum, porque o Governo do Estado vai pagar um abono e ele vai contrair um consignado sem custos dos juros desse empréstimo, que serão pagos pelo produto do abono a ser dado. E o servidor pode fazer esse consignado em qualquer banco.

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Marco Queiroz sob os afagos da filhota Luana Maria Cavalcante Queiroz, de 20 anos