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Entrevista

Jozailto Lima

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Marival Santana: “Melhorei a autoestima política de Simão Dias”

“Meus oito anos de gestão valerão por 30 anos do passado”
22 de dezembro - 8h00

O prefeito de Simão Dias, Marival Santana, PSC, 49 anos, é um sujeito simples na origem e na formação escolar e familiar. Vem das brenhas do mato dentro: nasceu no povoado Saco Grande. Mas, ao mesmo tempo, e talvez por essa origem, é uma figura sagaz, decidida e obstinada nos objetivos.

A começar pelo modo como chegou ao poder, sem nunca ter disputado nada antes. No dia 7 de outubro de 2012, dois meses e sete dias depois de ter completado 42 anos, Marival Santana arrebatava seu primeiro mandato de prefeito da nona maior cidade de Sergipe.

E o Marival Santana de pouca escolaridade formal, mas de muita sabedoria no trato com as pessoas, chegou lá desbancando uma enorme cabroeira de poderosos da época. Ele próprio elabora a recordação disso.

“Fui contra tudo e todos: governador, prefeito, senador, deputado federal. Tudo. Antes de mim, só se elegia prefeito aqui quem fosse indicado por um agrupamento tradicional, e eu não tive indicação de nenhum desses agrupamentos”, diz ele.

No “contra tudo e todos” evocado aí por Marival Santana entram o governador da época Marcelo Déda, PT, o ex-vice-governador Belivaldo Chagas, o senador Antonio Carlos Valadares, o deputado federal Valadares Filho e o futuro deputado estadual Luciano Pimentel.

Não custa lembrar aqui que o candidato abatido ali pelo então neófito Marival fora o ex-prefeito de três mandatos Zé Valadares, PSB, o Zé Tragédia, irmão do ex-senador Valadares. Marival sacudiu contra a titela desse povo todo 2.901 votos de frente - foram 14.208 dele e 11.307 de .

E se reelegeu em 2016 contra o mesmo esquema -dessa vez, vencendo o então vereador  Cristiano Viana, PSB, e com uma pancada de vantagem eleitoral bem mais gorda do que a de quatro anos atrás: foram 16.993 votos para ele e 9.007 pro oponente. “Faltaram apenas 14 votos para dar oito mil de diferença de mim para ele”, lembra - ou tripudia? - Marival.

Hoje aliado do governador Belivaldo Chagas, PSD, com quem espera montar uma chapa em dobradinha para eleger seu sucessor ano que vem, Marival não tem nenhuma queixa desse passado sem apoios de grandes caciques. Pelo contrário: basta-se com dois apoiamentos.
“Só tive o apoio de Deus e do povo, que me fizeram chegar até aqui. E hoje, o fato de ter acontecido isso comigo pode ajudar a despontar mais jovens que venham de famílias humildes, de povoados, como eu vim, que conseguirão chegar à vida pública”, diz ele.

“Depois de mim, a população daqui tem outra visão. A de que tudo é possível. De que não é preciso ter nascido em berço de ouro para acessar o poder. Melhorei a autoestima política do lugar. Qualquer jovem que estudou na escola pública, como eu estudei, pode chegar a ser prefeito, a ser vereador ou mesmo governador”, completa. 

Mas o prefeito de Simão Dias tem convicção de que melhorou bem mais que a “autoestima política do lugar”. Marival acha que os oitos anos de seus mandatos terminarão como os de uma gestão que valerá pelos 30 anos passados de todos os seus oponentes juntos.

“Eu costumo desafiar a oposição que por aqui passou, como os 30 anos dos Valadares, a fazer um comparativo com a nossa gestão de sete anos, e não aparece um sequer para topar comparar. O que Simão Dias cresceu nesses sete anos não se compara aos 30 anos passados”, afirma.

Nesta Entrevista, Marival Santana vai dizer tudo o que fez nesses sete anos de gestão de Simão Dias. E dirá, sobretudo, o que fará para afunilar em um os sete pré-candidatos aliados - cinco do seu lado e dois do de Belivaldo - que dançam a dança do acasalamento em busca da graça de uma candidatura a prefeito.

Marival Silva Santana nasceu no dia 1º de agosto de 1970. Ele é filho de Lourival Fiel de Santana, 83 anos, e de Maria de Lurdes Silva Santana, 74 - ambos vivos.

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Hoje, é aliado do governador Belivaldo Chagas, PSD, com quem espera montar uma chapa em dobradinha para eleger seu sucessor
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Marival Silva Santana nasceu no dia 1º de agosto de 1970

UM BALANÇO DE ACERTOS E OBRAS
“O balanço que faço é o da certeza do dever cumprido e de que conseguimos avançar, fazer com que Simão Dias se desenvolvesse bastante. Peguei um município endividado e já consegui pagar mais de R$ 20 milhões”

JLPolítica - Qual é o balanço que o senhor faz destes sete anos de gestão?
Marival Santana -
O balanço que faço é o da certeza do dever cumprido e de que conseguimos avançar, fazer com que Simão Dias se desenvolvesse bastante.

JLPolítica - Em que aspectos e áreas?
MS -
Conseguimos diversos projetos, várias conquistas em diversos segmentos. Então eu digo que o balanço é super positivo, porque as condições em que recebi a cidade para as condições de hoje eram bem diferentes.

JLPolítica - Sim, e como é que o senhor recebeu, administrativamente, o município de Simão Dias no dia 1º de janeiro de 2013?
MS -
Eu encontrei um município com carências em todas as áreas: educação, saúde, estradas, e com uma dívida de R$ 30,2 milhões junto ao INSS que me levou a fazer um financiamento para adquirir certidão negativa assim que cheguei à Prefeitura. Encontrei um município com pendências de retroativas do piso salarial de professores, dívida de salário de professor de 1996, e de lá para cá passaram-se três gestões que não arcaram. Só negociaram. Portanto, peguei um município endividado e já consegui pagar mais de R$ 20 milhões de dívidas das gestões passadas. 

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Sonha em entregar a caneta a seu vice, Aloízio Viana. Mas não impõe o nome dele

SETE ANOS QUE VALEM POR 30 PASSADOS
“Costumo desafiar a oposição que por aqui passou, como os 30 anos dos Valadares, a fazer um comparativo com a nossa gestão de sete anos, e não aparece um sequer para topar comparar. O que Simão Dias cresceu nesses sete anos não se compara aos 30 anos passados”

JLPolítica - Em que pé se encontravam os 32 escolas municipais de Simão Dias em 2013?
MS -
Das 32, que antes eram mais, porque algumas foram incorporadas, eu encontrei apenas um colégio novo, na região do Assentamento 8 de Outubro. De lá para cá, eu construí novos ou reformei 25, entre colégios e creches. Creches foram duas modelos, uma com 360 crianças em tempo integral e outra com 400. A última foi entregue no ano passado e era a quarta neste modelo em todo o Brasil.

JLPolítica - E a estrutura da saúde pública, como estava?
MS -
A estrutura da saúde pública não era diferente e estava deficiente em todos os setores. Nós só tínhamos quatro equipes de PSF. Hoje temos 12, embora três estejam sem médicos, porque um pediu desligamento do Programa Mais Médicos e dois deles passaram para a residência médica. Estamos aguardando a reposição deles. Consegui fazer 12 novas Unidades Básicas de Saúde. Dessas, 11 estão em funcionamento e uma ainda está em finalização. Também construí outros pequenos postos de saúde, como no Coração de Maria e no Povoado Bom Sucesso, que tinha 18 anos que o posto estava abandonado. Tinha até uma família morando nele. Tiramos a família e reconstruímos. Na Caraíba de Cima, também. Temos cerca de sete postos para finalizar e para que na nossa gestão todos sejam concluídos.

JLPolítica - Para os padrões de Sergipe, Simão Dias é fisicamente grande em seus 564 quilômetros quadrados e 72 povoados. Quais as maiores exigências que esses povoados têm do poder público?
MS -
Esses povoados solicitavam muito abastecimento de água - não era um costume da antiga administração levar. Ao chegar, implantamos abastecimento através de poços artesianos, fazendo a análise da água, como o Povoado Brinquinho, que teve todas as casas contempladas com água encanada custeada 100% por essa administração. Conseguimos fazer isso também nos povoados Saco do Capim, Ilhota, Jaqueira, Salobra - em seis localidades, porque Simão Dias é muito amplo - Paracatu, em duas regiões. Em parceria com o Governo do Estado, no Projeto Dom Távora, também teve água encanada em mais três povoados, que era o maior déficit, e hoje nós fizemos. Onde não é possível, a gente chega com carro-pipa. Outro déficit é a questão de pavimentação, que eu consegui concluir em povoados como Brinquinho, Triunfo e em outro fizemos as praças, como Tabocas, Apertado de Pedra e Espinheiro. E temos projetos para fazer muito mais nesses povoados, que eu acredito que a gente consiga licitar até o fim do ano. Estamos com pendência apenas na Caixa para beneficiar mais nove povoados.

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No Carnaval do Povo de Simão Dias

UM DESEQUILÍBRIO NA EDUCAÇÃO PÚBLICA
“Na sede temos 11 escolas estaduais e três municipais. Então, há déficit de aluno quando analisa a relação entre professor-aluno, e aí é uma educação que não se sustenta. O município tem uma suplementação de R$ 400 mil por mês de recursos próprios

JLPolítica - E do ponto de vista das estradas vicinais?
MS -
Das condições que pegamos para as condições de hoje, houve um avanço muito significativo, com abertura, alargamento, cascalhamento. Tivemos um inverno bastante chuvoso, que danificou muito as estradas e eu não consegui chegar a 100% delas ainda depois das chuvas, mas os moradores reconhecem as mudanças.

JLPolítica - Com um orçamento de R$ 84 milhões por ano, média de R$ 7 milhões por mês, dá para fazer o quê numa cidade do porte de Simão Dias, a nona do Estado?
MS -
A gente tem uma grande dificuldade com relação à educação, porque, como é sabido, Simão Dias é um berço de fazer governadores e os governadores que passaram fizeram muitas escolas públicas estaduais aqui. Para se ter ideia, na sede do município temos 11 escolas estaduais e três municipais. Então, há um déficit de aluno quando você analisa a relação entre professor-aluno, e aí é uma educação que não se sustenta. Nesta área, o município tem uma suplementação de R$ 400 mil por mês de recursos próprios, além dos 25% para custear a educação, então compromete recursos que poderiam ser investidos em outras áreas e serviços. Mas a gente entende que educação é uma prioridade, assim como a saúde. Mas o orçamento é deficitário para as necessidades do município. 

JLPolítica - O senhor conseguiu realizar obras públicas com recursos federais e estaduais?
MS -
Sim, e diversas. Quando estou em programas de rádio, eu costumo desafiar a oposição que por aqui passou, como os 30 anos dos Valadares, a fazer um comparativo com a nossa gestão de sete anos, e não aparece um sequer para topar comparar. O que Simão Dias cresceu nesses sete anos não se compara aos 30 anos passados.

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Com as filhas caçulas: Mychelle e Marília. E a neta, Letícia

DO GESTOR PATRIMONIALISTA AO DO PREJUÍZO
“A oposição sabe que não posso mais ser candidato e usa esse argumento. Continuo trabalhando em prol da população simãodiense. E se for olhar pelo lado patrimonialista, essa foi a única coisa que não foi boa pra mim. Eu mais perdi do que ganhei”

JLPolítica - A oposição simãodiense diz que o senhor foi um prefeito realizador no primeiro mandato e no segundo virou um patrimonialista. Que se valeu do Governo para se realizar pessoalmente. O que o senhor diria disso?
MS -
O que tenho a dizer é que a oposição se passasse mais 20 anos na administração não pagaria o que deve à população em falta de serviços públicos, e por isso fica com essas críticas infundadas. Ao contrário do que dizem, nossa gestão, os nossos avanços, as novas construções e consolidações aconteceram ainda mais nesse segundo mandato. Porém, a oposição sabe que não posso mais ser candidato e usa esse argumento. O que tenho a dizer é que continuo com o afinco de sempre, trabalhando em prol da população simãodiense. E se eu for olhar pelo lado patrimonialista, essa foi a única coisa que não foi boa pra mim. Eu mais perdi do que ganhei.

JLPolítica - O seu bloco de aliados tem pelo menos cinco pretendentes a uma candidatura para lhe suceder com seu apoio. Vai ser fácil convergir para um e acomodar quatro?
MS -
Se essas pessoas que se colocam para nos suceder nesse trabalho brilhante forem pessoas que tenham mais compromisso com a população do que comigo mesmo, tenho certeza de que não terei problema quando entendermos que um deles tem que ser o candidato. Mas afirmo: todos os cinco vão se consolidar em um só.

JLPolítica - Por que o senhor acha que o candidato deve ser o seu vice-prefeito Aloizio Viana?
MS -
O Aloizio Viana foi meu vice-prefeito na primeira e na segunda gestão e é uma pessoa está sempre à nossa disposição. Mas afirmo que não tem nada definido. Desses nomes que estão se colocando ai, eu tenho certeza de que, se lá na frente a gente entender que não será o dele, Aloizio vai abraçar esse outro nome. Então, repito, esses cinco nomes vão se consolidar em um. E o nome de Aloizio não é uma imposição. É mais um nome que está à disposição para que a gente possa avaliar e se for do entendimento das alianças políticas, tenho certeza de que será abraçado como os outros. 

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Em evento dos jogos estudantis de Simão Dias

DAS VIRTUDES DO VICE ALOIZIO VIANA
“Aloizio tem sido um cara que demonstrou muito compromisso e responsabilidade com a população simãodiense. Ele tem cinco mandatos de vereador e dois de vice já. Claro que ninguém é perfeito. Ele tem a deficiência dele, como eu tenho a minha”

JLPolítica - Mas quais as características que Aloizio apresenta para ser um bem-posicionado entre os cinco?
MS -
Aloizio tem sido um cara que demonstrou muito compromisso e responsabilidade com a população simãodiense. É claro que ninguém é perfeito. Ele tem a deficiência dele, como eu tenho a minha, mas é um nome que eu tenho certeza que apoiará qualquer um outro. Ele tem cinco mandatos de vereador e dois de vice já.

JLPolítica - O senhor se vê indo para a sucessão do ano que vem apartado do governador Belivaldo Chagas?
MS -
Não. Pretendemos sair aliados. Esse é o desejo do governador e é também o meu. Isso em prol de uma Simão Dias melhor, porque deixar um sucessor que vai contar com o apoio do Governo do Estrado é benéfico, como foi na nossa gestão.

JLPolítica - O senhor tem noção do que pensa Belivaldo Chagas sobre sua inclinação preferencial por de Aloizio?
MS -
Nas nossas conversas com Belivaldo sempre falamos que quem indica os candidatos a prefeito ou vice vai ser definido lá na frente. É natural que ele queira colocar o candidato a prefeito, como eu também. Mas não é uma imposição de nenhum de nós, e acredito que não teremos problemas.

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Dando uma refrescada no tradicional bloco popular, o Okatia, que conta mais de 40 anos de vida

NÃO SE VÊ DESGARRADO DE BELIVALDO EM 2020
“Pretendemos sair aliados. Esse é o desejo do governador e é também o meu. Isso em prol de uma Simão Dias melhor, porque deixar sucessor que vai contar com o apoio do Governo do Estrado é benéfico, como foi na nossa gestão”

JLPolítica - Quem do lado de Belivaldo poderia vir como candidato a vice, entre o vereador Fábio Rabelo e vereadora Iraildes Marques? Ou a prefeito?
MS -
Os nomes são esses dois e tem mais algumas pessoas, embora Fábio e Iraildes tenham avançado e demonstrado mais interesse. Qualquer um deles, se for entendimento do grupo, serve para qualquer uma das posições - tanto de prefeito quanto de vice.

JLPolítica - Sua aliança política com o governador Belivaldo Chagas rendeu algo de positivo administrativamente para Simão Dias?
MS -
Rendeu, sim. Porque antes eu não tinha apoio do Governo do Estado. Com a chegada dele, vieram as parcerias, os projetos de pavimentação, por exemplo. Então, tem sido positiva a aliança do Governo do Estado com o Governo de Simão Dias.

JLPolítica - O senhor acha que a oposição terá como candidato a prefeito Antonio Carlos Valadares ou Cristiano Viana?
MS -
Em um outro momento, até na Coluna Aparte, do seu Portal, já saiu uma entrevista com o ex-vereador Cristiano Viana onde ele falava que se saíssemos aliados – eu e o governador -, que ele não se colocaria à disposição da candidatura de prefeito, e sairia como vereador novamente. Inclusive, sobre isso o ex-senador se pronunciou, se colocando à disposição. Mas eu não acredito nessa disponibilidade dele. E o Cristiano tem sido o nome que eles anunciam, embora eu não veja a mesma simpatia do próprio, mas o Valadares tem instigado muito a candidatura de Cristiano. Eu acho que o que ele tem por certo é um mandato a ser obtido de vereador. Mas o grupo tem apertado ele.

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Com a netinha Letícia, filha do seu primogênito, Mayke

DAS DIFICULDADES DE CRISTIANO VIANA EM 2020
“Cristiano foi candidato a prefeito em 2016 contra mim, contando com o apoio de Valadares, senador na época, de Valadares Filho, deputado federal, e tivemos um cenário de 26 mil votos válidos, dos quais ele obteve nove mil e eu 17 mil. Faltaram apenas 14 votos para dar oito mil de diferença de mim para ele”

JLPolítica - Eles se gabam de ter uma pesquisa dando três por um em vocês. Isso existe?
MS -
Se a pesquisa foi encomendada por eles, feita da forma que eles quiseram, pode até dar esse resultado. Mas se for limpa, acho difícil.

JLPolítica - Entre os dois, o senhor vê algum mais forte que o outro?
MS -
Eu não sei. Cristiano Viana foi candidato a prefeito em 2016 contra mim, contando com o apoio de Valadares, que era senador na época, de Valadares Filho, que era deputado federal, e nós tivemos um cenário de 26 mil votos válidos, dos quais ele obteve nove mil e eu 17 mil. Faltaram apenas 14 votos para dar oito mil de diferença de mim para ele. Na eleição de Governo de 2018, Cristiano também contou com esse apoio e teve apenas 8 mil votos para deputado federal aqui. De modo que nesse próximo cenário de 2020 não sei se vai manter, pois ele não tem mais o apoio de um senador e de um deputado.  

JLPolítica - O senhor vê possibilidades de uma reforma estabelecer um novo pacto federativo brasileiro, levando mais recursos da nação aos municípios, que é onde vivem as pessoas?
MS -
Isso seria o ideal para os municípios, pois é neles onde acontecem as ações, são eles que estão na ponta com as pessoas, e ficam com apenas 12% das receitas. Hoje essa mudança seria a salvação dos prefeitos, que não ficariam em Brasília com o pires na mão. Eu vejo possibilidade e torço para que isso aconteça.

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Ele é filho de Lourival Fiel de Santana, 83 anos, e de Maria de Lurdes Silva Santana, 74 - ambos vivos

QUE TIPO DE PREFEITO TERÁ SIDO?
“Terei sido um prefeito que dei o melhor de mim para contribuir com o desenvolvimento da cidade, que fiz o possível para ter cada vez melhor uma cidade onde eu resido, moram meus familiares, meus filhos e futuramente meus netos. As pessoas me avaliam bem”

JLPolítica - O senhor aprova o fim de 1.250 municípios brasileiros com menos de cinco mil habitantes, como quer o Governo Federal?
MS -
O Governo Federal tem tentado colocar isso em prática, mas não acho que seja benéfico, pois cada município tem sua história, sua cultura. Eu sou contra essa visão.

JLPolítica - Que tipo de prefeito o senhor acha que terá sido nestes oito para Simão Dias?
MS -
Eu acredito que terei sido um prefeito que dei o melhor de mim para contribuir com o desenvolvimento da nossa cidade, que fiz o possível para ter cada vez melhor uma cidade onde eu resido, onde moram meus familiares, meus filhos e futuramente meus netos. Como eu falei, as pessoas me avaliam bem, mas eu pessoalmente falar disso é meio constrangedor. Parece que estou me autopromovendo. Mas não vejo como comparar o que essa administração fez com as outras dos últimos 30 anos. Para se ter ideia, nesse momento, restando apenas um ano da gestão, eu tenho 17 obras em andamento, prestes a serem entregues.

JLPolítica - Quem lhe suceder vai pegar um município em que aspecto administrativamente? Estará endividado ou saneado?
MS -
Quem me suceder vai pegar um município com algumas dificuldades, mas, com certeza, nada comparado ao que eu encontrei em 2013. Quando eu assumi, a Prefeitura era num prédio caindo, hoje funciona numa sede concentrada com seis Secretarias, reduzindo o número de casas alugadas, que eram 29. Aqui, funcionam, setor de licitação, de engenharia, patrimônio, eu englobei tudo para reduzir custos e aproximar a gestão. Apenas Saúde, Inclusão e Educação são fora daqui. Ao todo, são nove Secretarias. 

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É casado com Maria Andrea Gama Santos Santana, com quem tem uma prole composta de cinco filhos - Mayke Santos Santana, 27 anos; Matheus Santos Santana, 24; Myllena Santos Santana, 21; Mychelle Santos Santana, oito, e Marília Santos Santana

“MELHOREI A AUTOESTIMA POLÍTICA DO LUGAR”
“Depois de mim, a população daqui tem outra visão. A de que tudo é possível. De que não é preciso ter nascido em berço de ouro para acessar o poder. O fato de ter acontecido comigo, pode ajudar a despontar mais jovens que venham de famílias humildes, de povoados”

JLPolítica - Qual é o seu horizonte político depois da 2020, quando deixar a Prefeitura Municipal de Simão Dias?
MS -
Eu nunca fui político antes de chegar à Prefeitura de Simão Dias. Eu nunca vivi um pós-mandato. Me conheço bastante e sei que quando chegar o dia 31 de dezembro de 2020, que eu finalizar meu mandato, vou voltar para o que eu fazia antes. Vou avaliar ainda, mas tenho certeza do dever cumprido, de ter dado o melhor de mim. Vou ter um 2021 inteiro para ver se dou prosseguimento em 2022 ou se contribuo apenas com apoios e ideias em favor dos amigos. Vou analisar.

JLPolítica - O senhor teria uma justificativa para o fato de Simão Dias ter dado até hoje tantos governadores para Sergipe?
MS -
É verdade que tivemos vários governadores, mas eu sou tão novo na política que não tenho uma teoria para isso. Dizem por aqui que é a água do Tanque Novo - coisa de quem bebeu ou bebe dela. Todo mundo comenta isso. Inclusive, antes de mim, só se elegia prefeito aqui quem fosse indicado por um agrupamento tradicional, e eu não tive indicação de nenhum desses agrupamentos. Fui contra tudo e todos: governador, prefeito, senador, deputado federal. Tudo.
JLPolítica - O senhor foi apoiado por quem?
MS -
Só tive o apoio de Deus e do povo, que me fizeram chegar até aqui. E hoje, o fato de ter acontecido isso comigo pode ajudar a despontar mais jovens que venham de famílias humildes, de povoados, como eu vim, que conseguirão chegar à vida pública. Depois de mim, a população daqui tem outra visão. A de que tudo é possível. De que não é preciso ter nascido em berço de ouro para acessar o poder. Melhorei a autoestima política do lugar. Qualquer jovem que estudou na escola pública, como eu estudei, pode chegar a ser prefeito, a ser vereador ou mesmo governador. 

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"Quando chegar o dia 31 de dezembro de 2020, que eu finalizar meu mandato, vou voltar para o que eu fazia antes", assegura o seu destino