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Entrevista

Jozailto Lima

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Mendonça Prado: “As minhas chances são de 100%”

Publicado em  2  DEZ 2017, 20h00

 “É hora de inverter a lógica e priorizar o ser humano”

Deem um tempo nas grandes obras, nas grandes marcas pessoais de governantes, na egolatria de governadores, que Mendonça Prado vem aí. Pode soar estranho para um Estado tomado por poucas obras marcantes, mas é isso que o pré-candidato do PPS ao Governo de Sergipe, Mendonça Prado, traz como cartão de vista para os seus futuros eleitores de 2018, e com base em que pretende se fazer governador.

Aliás, a palavra pretende é francamente depreciativa diante do entusiasmo e da certeza que Mendonça Prado tem de que será o sucessor de Jackson Barreto no dia 1° de janeiro de 2019. “As minhas chances são de 100%. Vamos ganhar as eleições. Tenho certeza absoluta de que o PPS vai chegar ao Governo”, anuncia ele.

“A única coisa que nos diferencia dos outros é o poder econômico. Mas não temos receio, porque sabemos perfeitamente que a sociedade vive um momento de perplexidade e que vai levar em conta, pela primeira vez na história, os projetos, os planos”, reforça ele.

Mas o que de fato vem a ser este “dar um tempo nas grandes obras, nas grandes marcas pessoais de governantes, na egolatria de governadores”, de que fala Mendonça Prado? “Vivemos um momento de sérias dificuldades, e todas elas ocasionadas por gestões que priorizaram marcas governamentais e deixaram em segundo plano o progresso social, a evolução do ser humano”, define ele.

“O primeiro passo é a coragem do discurso no sentido de dizer que não vamos construir nada novo antes de colocar para funcionar o que se tem. Em nome da responsabilidade de uma geração que entende que deve organizar o Estado, as finanças públicas, a gestão, os serviços públicos. Esse é o ponto fundamental da diferenciação que vamos dar à campanha eleitoral. Não vamos nos preocupar com marcas. Vamos nos preocupar em botar o Estado para funcionar com aquilo que tem. Então, chegou a hora de inverter a lógica da administração e priorizar o ser humano. O sergipano em si”, diz ele.

Abraçado já um pré-candidato ao Senado, na figura do ex-deputado federal João Fontes, Mendonça Prado sonha alto na construção da sua Arca de Noé eleitoral para 2018. Quer, por exemplo, arrastar para a sua embarcação bichos graúdos como o senador Antonio Carlos Valadares, PSB, para ser o par de Fontes, e idealiza o ex-deputado estadual e empresário Marcos Franco para vice-governador. “Nos últimos tempos, Valadares tem sido um senador com posições elogiáveis”, afaga ele.

Mas Mendoncinha não é só ternura. Nas pessoas políticas do senador Eduardo Amorim, PSDB, e do prefeito Edvaldo Nogueira, PC do B, ele desfere duros cocorotes verbais. “Com todo o respeito, o projeto de Eduardo Amorim sequer existe, porque ele nem se pronunciou se vai ou não vai ser candidato. Nem ele acredita. Se acreditasse, já tinha dito que seria”, diz. 

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Com a mãe, Maria Mendonça Prado

JLPolítica - Em nome de que o senhor se dispõe a disputar o Governo do Estado de Sergipe?
Mendonça Prado -
Em nome da responsabilidade de uma geração que entende que deve organizar o Estado, as finanças públicas, a gestão, os serviços públicos. Vivemos um momento de sérias dificuldades, e todas elas ocasionadas por gestões que priorizaram marcas governamentais e deixaram em segundo plano o progresso social, a evolução do ser humano. Veja: nós temos hoje, em Sergipe, um número assustador de jovens dependentes químicos, temos deficiência no setor de educação, o que está trazendo graves consequências para a segurança e a saúde públicas. Então, chegou a hora de inverter a lógica da administração e priorizar o ser humano. O sergipano em si.

JLPolítica - O senhor já concebeu um projeto de Governo para apresentar à sociedade?
MP –
Sim. Nós temos ideias que vamos colocar no papel para os debates que serão iniciados a partir da convenção partidária. A partir de junho do próximo ano. Mas já estamos dialogando com a população, mostrando como será um eventual governo do PPS.

GESTÕES PRIORIZARAM MARCAS
“Vivemos um momento de sérias dificuldades, e todas elas ocasionadas por gestões que priorizaram marcas governamentais e deixaram em segundo plano o progresso social, a evolução do ser humano”

JLPolítica - Mas as pessoas poderiam saber um pouco das linhas mestras de seu projeto para além das propostas manjadas de segurança, educação e saúde que sempre permeiam todos as candidaturas? 
MP -
O primeiro passo é a coragem do discurso no sentido de dizer que não vamos construir nada novo antes de colocar para funcionar o que se tem. Esse é o ponto fundamental da diferenciação que vamos dar à campanha eleitoral. Não vamos prometer nada novo. Por exemplo: na área de segurança pública, que é o grande gargalo do Governo e traz até um estrago à imagem governamental, onde ele às vezes gasta milhões em uma obra, tem-se as delegacias deterioradas, quarteis da PM deteriorados, tem um efetivo reduzido, falta de recursos no orçamentos das polícias para colocar combustível - hoje uma viatura circula com 16 litros de gasolina, e isso é um escândalo -, porque o Governo não prioriza no seu orçamento aquilo que é essencial para a população que é, neste momento, saúde, segurança e educação e que se iniciam com a caneta de um governante. Porque você não faz absolutamente nada sem recursos, e quem diz para onde vai o dinheiro é o governador. Um secretário, um delegado-geral, um comandante da PM, sem recursos para desenvolver as atividades, nada faz.   

JLPolítica - Mas o senhor não acha que está muito em cima para se ter um programa de Governo com a visão de quem quer preparar o Estado?
MP -
Não, porque já conhecemos muito bem o Estado. Tive o privilégio de ser secretário e conheço muito bem a máquina administrativa. Sei quais são os erros da gestão que ocasionam esse freio que não permite o desenvolvimento do Estado nem a melhora de vida da população. Para se ter segurança, é necessário montar uma estrutura, mas o Estado não tem regime semiaberto. De cada dez cidadãos que são sentenciados, sete geralmente vão para o semiaberto, mas como não tem onde colocar essas pessoas, elas estão voltando para casa e reincidindo. Matando, roubando e estuprando por falta de estrutura prisional. 

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Exerceu dois mandatos de deputado federal

JLPolítica - O senhor foi secretário de Segurança Pública, porque não realizou as mudanças de que fala agora?
MP -
Nenhum secretário faz, porque não toma conta da caneta nem do dinheiro. Por exemplo, aumentar o gasto com combustível é uma vontade de qualquer secretário. Tenho certeza de que João Elói quer isso, mas quem pode dizer se a prioridade é a estrada, a segurança ou o monumento em frente ao Museu da Gente é o governador. Eu pretendo e, corajosamente, vou dizer: se chegarmos ao poder, vamos inverter a lógica. Jamais faria essa obra que o governador está fazendo lá em frente ao Museu da Gente da Sergipana. 

JLPolítica - O senhor se sente preparado para tocar o Estado, administrativamente, se lhe caísse às mãos? 
MP -
Totalmente. Preparado e decidido a tomar decisões para mudar os rumos da administração. Vou dar outro exemplo: o Hospital de Câncer, eu não faria. Ele vai custar, só para edificar, quase R$ 100 milhões, com os equipamentos. Sendo que se tem na rede de saúde hospitais que não funcionam em sua plenitude, como em Lagarto, Itabaiana, Estância, São Cristóvão e todos correm para o Hospital de Urgência. Com esses recursos, se resolveria o problema da saúde e não criaria um novo local para fazer o custeio e novos investimentos, porque vai ter que contratar servidor, empresa de serviços, manutenção. Ou seja, vai pulverizar ainda mais os recursos que você deveria concentrar para resolver o que tem. Vai se ter mais um elefante branco. Mais um hospital que não vai funcionar na sua plenitude, com o único objetivo de deixar a marca de um governante. Nós não vamos nos preocupar com marcas. Vamos nos preocupar em botar o Estado para funcionar com aquilo que tem. 

PREPARADO PARA TOCAR O ESTADO?
“Totalmente. Preparado e decidido a tomar decisões para mudar rumos da administração. Exemplo: o Hospital de Câncer, eu não faria. Vai custar quase R$ 100 milhões. Vai se ter mais um elefante branco”

JLPolítica - Para além do entusiasmo de todo candidato, quais são suas reais chances eleitorais?
MP -
As minhas chances são de 100%. Vamos ganhar as eleições. Tenho certeza absoluta de que o PPS vai chegar ao Governo. A única coisa que nos diferencia dos outros é o poder econômico. Mas não temos receio, porque sabemos perfeitamente que a sociedade vive um momento de perplexidade e que vai levar em conta, pela primeira vez na história, os projetos, os planos. O eleitor será o maior responsável pelo processo de mudança. Se ele errar no voto, estará compactuando com todas as falhas gerenciais que estamos acompanhando hoje. 

JLPolítica - Essa sua certeza do 100% está baseada em que?
MP -
No olhar do povo. Quando eu converso, sinto a receptividade para com as nossas ideias e propostas. E as pessoas sabem que sou uma pessoa que tem pulso firme, que tem coragem para enfrentar os problemas, que não vai tergiversar e que vai fazer o que falar na campanha.

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Foi casado com Ana Alves. Hoje, discute aliança entre o seu PPS e o DEM, presidido por ela

JLPolítica - Sem fazer parte dos chamados grupões da política estadual com sua candidatura pelo PPS, com que corpo técnico o senhor montaria um eventual Governo? 
MP -
Conheço os melhore servidores públicos do Estado de Sergipe. Os melhores gestores públicos. E essa foi a melhor coisa que aconteceu, idealizada por Albano Franco, que trouxe concurso público e recrutou gente capaz de planejar, executar políticas públicas melhor do que qualquer quadro nacional. Vamos aproveitar o que temos de melhor no nosso Estado, os melhores servidores, até como uma forma de reduzir custos, aproveitando os servidores da máquina pública, que são excelentes.

JLPolítica - Mas parece que são muito poucos...
MP -
São 50. E é um setor que vamos querer ampliar, esse dos gestores. Porque eles ajudam muito. Mas temos técnicos extraordinários, e eu conheço todos e de todas as áreas. E não vai importar o partido. Não vamos ter compromisso com uma bandeira ideologia. Não. O compromisso será com o futuro de Sergipe. E não estaremos preocupados em deixar as marcas. Nos contentamos com as marcas anteriores: as de João, de Albano, de Jackson, de Marcelo Déda. Todos eles fizeram péssimas coisas e coisas extraordinárias. Todos eles fizeram coisas boas e ruins. As marcas que eles deixaram já são suficientes. O que queremos é aproveitar o que eles deixaram e colocar tudo para funcionar.   

SONHO REAL DE VITÓRIA
“As minhas chances são de 100%. Vamos ganhar as eleições. Tenho certeza absoluta de que o PPS vai chegar ao Governo. A única coisa que nos diferencia dos outros é o poder econômico”

JLPolítica - O Estado de Sergipe não funciona?
MP -
Lamentavelmente, os índices nos principais setores - educação, saúde e segurança pública - são abomináveis. Não estou falando isso da boca pra fora. As estatísticas é que demonstram. E nós queremos trabalhar com estatística de forma similar ao que aconteceu em Pernambuco, em São Paulo, nas Bahia, onde todos trabalham com estatísticas.

JLPolítica - Que indicadores lhe levam a achar que a eleição pode sair da calha da polarização entre os grupos de JB/Belivaldo e Eduardo Amorim/Valadares e vir a ter o senhor como variável de opção?
MP -
Sergipe é um Estado diferente: temos apenas 75 municípios, de 2,3 milhões de habitantes e 1,3 milhão de eleitores. Eu diria que é um Estado em que não há motivos para você se assustar com a força de um governo que hoje está enfrentando sérias dificuldades. O maior adversário do governo é o próprio governo, com seus índices, com uma gerência que não é boa. E não estou aqui culpando ninguém, porque a crise também estagnou o país. E temos uma oposição totalmente desacreditada. Já está aí há oito anos com uma candidatura ao Governo do Estado posta e que não empolga nem a eles. Não tiveram coragem nem de lançar a tal da pré-candidatura.

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Participou do Governo de Jackson Barreto, comandando a SSP

JLPolítica - Seria errado dizer que a sua pré-candidatura e eventual candidatura ao Governo de Sergipe é filha de uma desilusão política em relação a Jackson Barreto e a Edvaldo Nogueira?
MP -
Seria, porque não tenho nenhuma vinculação ideológica com Jackson Barreto e nem com Edvaldo Nogueira. Tenho pelos dois respeito, amizade e sou grato a ambos pela oportunidade que me deram. Entretanto, a minha forma de enxergar o mundo é totalmente diferente e todo mundo sabe disso pela minha história. O meu apoio a Jackson em 2014 foi circunstancial: eu não quis votar em Eduardo Amorim, sublimei um projeto de deputado federal e não me arrependo. Estou aqui de pé e vou disputar o Governo do Estado de cabeça erguida. Mas o meu apoio a Jackson foi fundamental para a vitória dele, porque o meu discurso desconstruiu o outro candidato. Eu diria que Jackson precisava de 100 para ganhar a eleição, tinha 99 e eu entrei com aquele 1. E só ganhou porque teve esse 1. O que aconteceu foi que constituímos uma amizade. Ele se tornou grato a mim e me convidou para o seu governo. Mas eu não fui para o partido dele, não faço parte de nenhum partido ligado a ele. Mas o tenho como uma pessoa respeitável, que viu o apoio que dei a ele e retribuiu. Ele teve um gesto de gratidão. E eu o respeito muito, mesmo pensando de forma diferente.

JLPolítica - A turma da oposição está fazendo um discurso de que o senhor não terá Jackson como oponente, que não baterá nele na campanha. Que, enfim, o poupará. Qual a visão do senhor a respeito disso?
MP -
A oposição quer que eu bata, porque eles mesmos não têm coragem. Eu não vou bater em ninguém. Nem na oposição. Os momentos são distintos. Nós faremos uma campanha altamente propositiva. Eu não vou bater nem em um e nem em outro. Vou propor o debate frente à frente para mostrar o melhor projeto.

UMA PESSOA QUE TEM PULSO FIRME
“Sinto a receptividade. As pessoas sabem que sou uma pessoa que tem pulso firme, que tem coragem para enfrentar os problemas, que não vai tergiversar e que vai fazer o que falar na campanha”

JLPolítica - Por que o senhor gosta tanto do debate público?
MP -
Porque está demonstrado que o debate que é definidor. Por que Marcelo Déda teve tantas vitórias? Porque ele teve a capacidade de mostrar quais eram os seus projetos. Por que que Valadares Filho imprensou Edvaldo Nogueira no primeiro turno? Porque ele se saiu bem nos debates, na apresentação de suas propostas.

JLPolítica - O senhor se acha bom de debate?
MP -
Não, mas acho que é uma oportunidade de me apresentar para o eleitorado. Eles estão aí há muito tempo e eu ainda preciso dessa oportunidade de me expor ao público em pé de igualdade.

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Filiou-se ao PPS, atendendo ao convite do presidente Clóvis Silveira (a seu lado na foto)

17JLPolítica - O senhor se arrepende da metáfora de que “Edvaldo não vale a sola do meu sapato” ou a reiteraria?
MP -
Reitero. Sem problema nenhum. Tudo que eu digo, eu penso antes. Não falo nada sem pensar.

JLPolítica - Mas o senhor não revisou sua visão da relação com ele?
MP -
Respeito Edvaldo, mas é que eu achava que ele era uma figura com uma capacidade de liderança maior. Eu, como sempre estive em partidos com líderes fortes, passei pelas Forças Armadas, sempre acho que líder tem que ser líder, para mandar, para ser solidário. Nós precisamos disso. Estamos vivendo um momento em que você não tem líder.

EQUIPE SEM BANDEIRA IDEOLÓGICA
“Temos técnicos extraordinários, e eu conheço todos e de todas as áreas. Não vai importar o partido. Não vamos ter compromisso com uma bandeira ideologia. O compromisso será com o futuro de Sergipe”

JLPolítica - E qual é a capacidade de liderança de Edvaldo?
MP
- Edvaldo simplesmente não é líder. É integrante de um partido político que se destacou pela capacidade de dialogar e de alcançar espaços. Com isso, ele se tornou chefe do Executivo. Não significa dizer que ele seja um líder. Chefe é chefe. Líder é líder. Edvaldo pode até ser chefe do Executivo, até porque foi eleito para isso. Mas líder ele não é.   

JLPolítica - O senhor não teme vir a ser elevado a um ficha suja exatamente pela licitação do lixo da Prefeitura de Aracaju e isso lhe atrapalhar o futuro? 
MP -
Não. Por hipótese alguma. Até porque a denúncia que fizeram contra mim é inepta. Uma denúncia precisa descrever conduta de quem comete qualquer ato ilícito. E a denúncia contra mim não teve nenhum ato ilícito descrito. Além disso, a investigação feita pela Polícia Civil foi totalmente errada, não sei se por má fé ou por incompetência, porque me trataram como gestor que cometeu erros no processo licitatório e eu nunca fiz licitação. Eu celebrei um contrato emergencial. Erraram o foco. Em contrato emergencial não há de se cobrar competitividade entre empresas. Não há de se cobrar o que está previsto na lei 8.666, que é para diversas modalidades de licitação pública. Não há que se falar em concorrência, em direcionamento em contrato emergencial, porque nesse tipo de contratação a administração pública tem a liberdade de fazer junto à empresa que tenha noções técnicas e dentro de um valor justo para realizar determinada atividade. O valor era tão justo que, posteriormente à minha saída, a empresa foi contratada com um valor maior e com menos serviços num contrato emergencial. E mais: contratou, inclusive, entre outras, a empresa que foi o pivô de todo esse problema. Então, eu não tenho absolutamente nenhum receio sobre isso

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Ao lado do pai, Luciano Prado. Ao fundo, a mãe, Maria Mendonça Prado; e a irmã, Cândida

JLPolítica - O senhor andou tentando atrair o DEM para o seu projeto político. Acha que isso vai ser possível?
MP -
Acho, desejo e creio que seja uma coligação extremamente coerente. O DEM sempre foi parceiro de partidos liderados por Clovis Silveira. Ele inclusive já chegou a ser candidato a vice-governador de João Alves, e eu passei 30 anos no DEM. Meu pai foi deputado pelo PFL, que é o Democratas. Ou seja, não há nada mais coerente do que essa coligação.

  JLPolítica - O senhor não vê a sua pré-candidatura e sua eventual candidatura como muito solitária?
MP -
De jeito nenhum. Pelo contrário. Eu me sinto extremamente feliz em me ver como aposta de Clovis Silveira, a quem já prometi erigir uma estátua, que foi quem descobriu essa possibilidade. Depois disso, o PPS tem filiado pessoas extraordinárias, como Jorge Alberto e João Fontes. Na próxima semana, estaremos filiando Laurinho Menezes, empresário e primeiro-suplente de senador - um cara muito bem-relacionado, de família economicamente forte, sobrinho de Luciano da Celi, ou seja, bem situado na economia local. Também temos vereadores como Jailton Santana, e pessoas do interior que estão se aproximando, a exemplo de Osmar Farias, lá de Monte Alegre. Também tivemos uma conversa boa com correligionário de Propriá.

AJUDOU JACKSON, MAS ADEUS!
“Diria que Jackson precisava de 100 para ganhar a eleição, tinha 99 e entrei com aquele 1. E só ganhou porque teve esse 1. O que aconteceu foi que constituímos uma amizade. Ele se tornou grato a mim e me convidou para o governo”

JLPolítica – Mas quem mais?
MP -
Estamos conversando e ampliando, até porque a perspectiva aqui é muito boa para os candidatos proporcionais. Estamos conversando também com Bosco Costa, do PROS, porque nossa chapa é a melhor para ele disputar mandato federal. É onde ele tem maior chance, com os nomes que temos. Ana Alves, do Democratas, que é pré-candidata a deputada federal, também vai encontrar aqui as melhores condições para a eleição. Também estamos conversando com o Livres, que são os meninos do PSL e do empresariado jovem local. Estamos indo muito bem, inclusive tentando trazer o senador Antonio Carlos Valadares. Seria uma honra ter o PSB conosco nessa chapa, já que o senador tem um filho jovem que tem feito uma política boa, moderna, com futuro promissor e ele, principalmente, que tem uma experiência extraordinária. Nos últimos tempos, Valadares tem sido um senador com posições elogiáveis. Votou no impeachment, mas não ficou com aquela coisa de ser o contra.  

JLPolítica - Quando o senhor faz referência ao senador Valadares, está dizendo que não acredita na unidade entre ele e Amorim no projeto da oposição?
MP -
Com todo o respeito, o projeto de Eduardo Amorim sequer existe, porque ele nem se pronunciou se vai ou não vai ser candidato. Nem ele acredita. Se acreditasse, já tinha dito que seria.  

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Foi genro e combativo aliado de João Alves. Rompeu inconformado com a aliança deste com os irmãos Eduardo e Edivan Amorim

JLPolítica - Nesse território de desconstituição do que é tradição política, o senhor teria a dizer o que aos rebeldes e iconoclastas? 
MP -
A rebeldia é peculiar aos jovens, e isso faz parte. Eu diria que a juventude não está afastada da política. Qualquer pesquisa de opinião pública que você pegar vai mostrar que existe nomes que se tornaram opção talvez por uma aversão à política que se estabeleceu no país e atos comportamentais diferentes dos que a sociedade deseja. Eu diria que precisamos nos tornar responsáveis pela mudança. Não é mudança apenas de nomes, e sim de comportamentos, analisando projetos, acompanhando o perfil de cada um para oportunizar a essas pessoas espaços de poder e que possam mudar conceitos de gestão e criar novas perspectivas de futuro para nos nossos jovens.

JLPolítica - O senhor se arrepende da ruptura política que fez com a família Alves justamente num momento em que ela ia caindo em declínio e que parece sem um herdeiro político?  
MP -
Não. Nunca me coloquei na condição de herdeiro de ninguém, até porque já o sou de Luciano Prado. É o que eu sempre visualizei. João Alves era meu líder e eu nunca briguei com ele. Não houve uma ruptura. O que aconteceu foi que, em determinando momento, João inseriu o DEM em uma coligação que passou a ser liderada por Edivan Amorim. E todo mundo sabe que não há sintonia entre ele e eu. Mas eu votei na senadora Maria do Carmo. Trabalhei pela campanha dela. Lógico que um homem como doutor João, que está há anos na política, pode não ter ficado satisfeito em eu acompanhá-lo em 90% e não nos 100%. Mas isso é normal. Nada melhor que o tempo.

EDVALDO É CHEFE DO EXECUTIVO, NÃO LÍDER
“Edvaldo não é líder. É integrante de um partido que se destacou pela capacidade de alcançar espaços. Com isso, se tornou chefe do Executivo. Não significa dizer que ele seja um líder. Chefe é chefe. Líder é líder”

JLPolítica - Em que contas de gratidão o senhor tem João Alves Filho e Maria do Carmo?
MP -
Sempre fui e sou muito grato a eles. O meu pai sempre foi uma liderança política no patamar de deputado estadual, me proporcionou todas as condições para que eu fosse um deputado estadual e me deixou um legado para que eu pudesse continuar com tranquilidade a sua política. Mas eu não posso negar que João me colocou num patamar mais elevado, e sou grato por isso. Eles sempre me ajudaram. Não nego isso nem vou negar jamais. Veja, eu sou grato até a Augusto Franco, que era o líder do meu pai, estava para meu pai como doutor João está para mim. Nunca fui atrás de nenhum Franco, mas enquanto houver um Franco vivo, terei total respeito. Não deponho contra eles. Posso até trombar um pouco, mas a força, a imagem do que eles fizeram, considero e preservo.

JLPolítica - Ter um segundo candidato ao Senado ao lado João Fontes não seria uma maneira de embotar as potencialidades eleitorais dele?
MP -
Não, pelo contrário. Mas isso vamos conversar ainda. Há duas vagas. E não sou homem preso a dados de eleições anteriores e acho que cada uma tem sua história. Nem sempre um lado faz um senador e o outro lado faz o outro. Já houve momentos de um lado fazer os dois, como quando Valadares e Zé Eduardo. O que a gente precisa é se apresentar para o povo com o que tem de melhor. Apresentar as boas propostas. E Sergipe vive um momento que é diferente das eleições dos últimos 30 anos: não vamos ter uma eleição comum e sim mudança de geração na liderança da política.

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Feito presidente da Emsurb por Edvaldo Nogueira, foi afastado por decisão judicial, em função da Operação Torre de Babel

JLPolítica - E o senhor está apostando que essa mudança pode vir através da sua pessoa?
MP -
Vai acontecer. Nós vamos ganhar as eleições – aliás, não sou eu não. Quem vai ganhar é o povo de Sergipe, comigo.

JLPolítica - O senhor tem deixado claro que neste universo de políticos e partidos, o PPS só não faz aliança com Eduardo Amorim e com o PSDB dele e nem com André Moura e o PSC? Por que?
MP -
A questão de Eduardo Amorim e de André Moura é que são pessoas com as quais eu tive embates duríssimos e que, por isso, o eleitorado jamais compreenderia qualquer aproximação. Primeiro que eu não tenho nenhuma motivação para fazer acordo com essas pessoas e segundo, que jamais me colocaria numa posição dúbia perante o eleitorado. Eu ia dizer o que? Não tem como. E voto você rejeita? De ninguém. Eu só não divido a coligação com essas pessoas.

DESEJO DA COLIGAÇÃO COM O DEM
“Acho, desejo e creio que seja uma coligação extremamente coerente. O DEM sempre foi parceiro de partidos liderados por Clovis. Meu pai foi deputado pelo PFL, que é o Democratas. Nada mais coerente”

JLPolítica - Se o senhor fosse a segundo turno, aceitaria o apoio deles?
MP -
Voto não se rejeita de ninguém.

JLPolítica - Mas os receberia em palanque?
MP -
Em palanque não precisa. Para votar, não precisa disso. Não faço nada para deixar o eleitor em dúvida. Eu quero que o povo saiba como eu sou, com erros, acertos, defeitos e qualidades.

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No rádio, acusou o delegado Alessandro Vieira (filiado a Rede) de usar a Operação Babel para pretensões eleitorais. Ele comandava a Policia Civil durante a operação

JLPolítica - O senhor mira na sociedade sergipana alguém que colocaria como candidato a vice na sua chapa?
MP -
Sim, mas nesse momento não posso falar, porque estaria prestigiando um nome em detrimento de outros. Mas temos pessoas extraordinárias. Se você me perguntar sobre os candidatos ao Senado, eu diria que o senador Valadares é um nome experiente. Um nome que daria equilíbrio à nossa chapa. As pessoas não querem mudar só nomes. Querem mudar conceitos, posturas, comportamento. Essa história de que o cara está há muito tempo realmente pesa um pouco. Entretanto, quando se está há muito tempo e não tem tantas máculas, como Valadares, é mais válido.

JLPolítica - Mas que perfil deveria ter essa pessoa para vice-governador?
MP -
Para vice, gostaria de ter um jovem ao meu lado. Um jovem preparado em termos intelectuais, para nos ajudar na administração pública, porque faremos algo totalmente diferente, e vamos precisar de pessoas extremamente competentes. Vamos precisar de alguém com a contabilidade do Estado. O governo atual vai deixar um débito de R$ 1,3 bilhão com esses dois empréstimos – o do Proinveste e do Finisa. Então temos que ter capacidade.

HERANÇA E AFETO POR JOÃO ALVES
“Mas eu não posso negar que João me colocou num patamar mais elevado, e sou grato por isso. Eles sempre me ajudaram. Não nego isso nem vou negar jamais”

JLPolítica - Mas sua mirada no vice não poderia se voltar para Valadares Filho?
MP -
Ele se enquadra nesse perfil que descrevi: é jovem, embora eu não tenha muita intimidade com ele. Mas o Valadares Filho já tem um grupo preparado. Assim como um empresário jovem, correto, que é Marcos Franco, com quem ainda não tive a honra de conversar. Mas se uma pessoa com as características dele topasse, seria muito importante para Sergipe. 

JLPolítica - Há o perigo de Valadares se achar superior e não querer ser seu vice, talvez até pela eleição do ano passado?
MP - Cada eleição é uma história. Fui o deputado federal mais votado da história de Aracaju, mais do que Marcelo Déda, Jackson Barreto, por exemplo. Valadares foi candidato numa eleição, foi bem votado, quando foi a deputado federal teve cotação ruim em Aracaju. Então, é aquilo que eu disse, não trabalho com dados passados, cada eleição é uma história. 

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Foi três vereador por Aracaju, metade de um mandato de deputado estadual e dois de deputado federal. Já foi secretário de Estado da Administração e de Segurança Pública

SENADOR VALADARES POR SONHO DE CONSUMO
“Estamos tentando trazer o senador Antonio Carlos Valadares. Seria uma honra ter o PSB conosco nessa chapa. Nos últimos tempos, Valadares tem sido um senador com posições elogiáveis”

Abaixo, video do discurso dele em 28 de junho de 2012, quando deputado federal pelo DEM. Exaltado, se dizendo ofendido, ele manda o então presidente da Câmara dos Deputados Marco Marco, do PT do Rio Grande do Sul,  "se respeitar e procurar o seu lugar".. Assista:

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