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Entrevista

Jozailto Lima

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Milton Andrade: “O Governo de Belivaldo Chagas não entrega o que prometeu”

“Quero a maioria íntegra e competente. Chega de corrupção”
24 de agosto - 20h00


Muita gente no Estado de Sergipe anda de olho no jovem liberal Milton Andrade. De olho nele estão figuras da economia, dos negócios e do empreendedorismo, mas sobretudo a turma da política.

Pela primeira ala, Milton Andrade, à beira dos 32 anos - nasceu em 10 de novembro de 1987 -, é um quase fenômeno: já vai perto de 20 empresas como sócio ou como consultor-gestor. Atua em oito tipos diferentes de negócios. Tem expertise em adquirir ou associar-se a empresas em dificuldades e reabilitá-las para o mercado.

Na segunda ala, a da política, no ano passado Milton Andrade deu o primeiro passo já pensando identicamente grande: pelo PMN, disputou o Governo do Estado de Sergipe. Claro: visto a olho nu, o resultado foi pequeno. Ele obteve apenas 35.111 votos ali.

Mas Milton Andrade não subestima esse “efetivo de votos” e nem a sua estreia nos campos áridos da política. “Foram poucos para vencer. Mas muitos para quem tinha oito segundos de tempo de TV na propaganda eleitoral, não tinha candidato ao Senado nem à Presidência em sua coligação para somar votos”, diz ele.

“Os 35.111 votos são suficientes para três Estádios do Batistão inteiros lotados. É muita gente. Mas mais do que o número de votos, fiquei satisfeito com o conceito que se criou da minha pessoa e das minhas ideias. Quem nos ouviu, afirmava que tínhamos as melhores propostas e o melhor preparo”, completa um Milton pouco modesto.

E é com essa “satisfação” do conceito que se criou da pessoa e das ideias dele que Milton Andrade está disposto a investir numa carreira política de verdade. Apesar de suspeitar que ela possa fazer mal à sua performance empresarial, pela qual tem um enorme zeloso e um reconhecido orgulho.

“Atrapalha, e muito”, diz, sobre a militância política. “Tudo que eu coloco ou exponho, cria-se a desconfiança de que quero capitalizar politicamente. Veja o caso do retorno Centro de Distribuição da Cencosud: eu que agendei a reunião da Diretoria com o Governo do Estado. Deu tudo certo e não fizeram nenhuma menção à atuação do Fórum Empresarial nessa aproximação. Claro que isso é omitido propositalmente para não me dar musculatura política. É pequeno discutir a paternidade de bons projetos. Os projetos acontecendo, quem viabilizou é o de menos”, diz.

Mas assim como ele tem foco nos negócios, o tem para a política, e com segurança. “Quero chegar ao ponto de a maioria de nossos representantes ser composta por pessoas íntegras e competentes. Chega de corrupção e incompetência. Meu projeto não é pessoal. Já me sentiria contemplado, mesmo não estando entre os eleitos, em ver mais gente como Alessandro Vieira e Emília Correa ocupando os espaços políticos”, diz ele.

Hoje, Milton Andrade tem ação no Fórum Empresarial de Sergipe. “Participarei ativamente da construção de uma opção nova de verdade para os aracajuanos. Atualmente coordeno o Fórum Empresarial e enquanto estiver nessa posição não discuto participação minha, mas garanto que estarei, não necessariamente como candidato, ajudando na construção de bons nomes e boas propostas para a cidade”, diz ele, referindo-se a Aracaju e à eleição de 2020.

Mas não só para a cidade de Aracaju. Milton Andrade acha, por exemplo que o governador Belivaldo Chagas vai mal administrativamente no âmbito de Sergipe. “O Governo de Belivaldo Chagas não entrega o que prometeu: o de ter chegado pra resolver. Conhecia a realidade do Estado e prometeu soluções. Então, quais são os fatos novos que justificam a não-solução dos problemas? O diagnóstico do Governo está correto, no entanto a velocidade nas viabilidades e materializações está de tartaruga”, diz Milton.

Filiado ao Novo, simpatizante de Jair Bolsonaro, assumindo-se como um liberal mais de mercado que da política, Milton Andrade busca para si uma distinção: a de não subscrever o ódio que imanta o debate político hoje.

“Minha essencialmente econômica. A livre concorrência. O empreendedorismo. pauta é É através de uma economia sólida que se pode melhorar os investimentos nas áreas prioritárias como saúde, segurança e educação. Só perco meu tempo com discussões que possam gerar frutos. Dessa liberdade política de agressões e fake news, estou fora. Está mais para libertinagem do que liberdade política”, avisa.

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“Minha pauta é essencialmente econômica. A livre concorrência. O empreendedorismo", defende
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Nasceu em 10 de novembro de 1987

JLPolítica - Qual o seu planejamento pessoal para o ano eleitoral de 2020 na cidade de Aracaju?
Milton Andrade -
Participarei ativamente da construção de uma opção nova de verdade para os aracajuanos. Atualmente coordeno o Fórum Empresarial de Sergipe e enquanto estiver nessa posição, não discuto participação minha, mas garanto que estarei, não necessariamente como candidato, ajudando na construção de bons nomes e boas propostas para a cidade.

JLPolítica – O partido Novo vai fazer alianças e coligações, ou marchará sozinho? Não haveria uma certa autossuficiência em ir sem aliados?
MA -
O partido Novo só se coliga com quem tem as mesmas ideologia e práticas. Alianças por conveniência são abolidas no Novo. Como o Novo é o único partido a se negar a usar os recursos do fundo eleitoral, é inviável qualquer coligação atualmente. Claro que isso dificulta um sucesso a curto prazo, mas foi justamente pegando atalhos que deformamos nossa democracia. Atalho não é e nunca será o caminho.

JLPolítica – O senhor não se sente um dos nomes dessa frente de centro-direita de que fala Rodrigo Valadares e outros direitistas?
MA -
Considero-me um liberal e, portanto, de centro-direita. Mas não tenho nada a ver com a linha de mesmo nome defendida pelo deputado estadual Rodrigo Valadares. Rodrigo tem uma estratégia mais de combate e de polarização. Minha linha é mais propositiva e de diálogo. Não há estilo certo ou errado. Mas são claramente estilos diferentes.

JLPolítica - O senhor achou muito ou pouco os 35.111 votos recebidos para governador de Sergipe na candidatura de 2018?
MA -
Poucos para vencer. Mas muitos para quem tinha oito segundos de tempo de TV na propaganda eleitoral, não tinha candidato ao Senado nem à Presidência em sua coligação para somar votos. Apenas uma pessoa com mandato votou em mim: a vereadora Emília Correa, que disputava a Câmara Federal. Quem tem mandato raramente abraça nomes novos. Isso só prova o quanto Emília é diferente dos demais. Fiquei, no entanto, satisfeito com a votação. Os 35.111 votos que você menciona na pergunta são suficientes para três Estádios do Batistão inteiros lotados. É muita gente. Mas mais do que o número de votos, fiquei satisfeito com o conceito que se criou da minha pessoa e das minhas ideias. Quem nos ouviu, afirmava que tínhamos as melhores propostas e o melhor preparo.

JLPolítica – Como está o partido Novo do ponto de vista de organização nos municípios em Sergipe?
MA -
Só temos diretório em Aracaju. O Novo só abre diretório com pelo menos 150 filiados contribuintes ativos. Com pouca gente envolvida, não se tem episódios como esse recente do PSL, em que fica um grupo tomando do outro o comando por apenas decisão do Diretório Nacional.

DAS RESTRIÇÕES QUE O PARTIDO NOVO FAZ ÀS COLIGAÇÕES
“O partido Novo só se coliga com quem tem as mesmas ideologia e práticas. Alianças por conveniência são abolidas no Novo. Como o Novo é o único partido a se negar a usar os recursos do fundo eleitoral, é inviável qualquer coligação atualmente”

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No ato de filiação ao partido Novo: partido que não aceita fundo eleitoral

JLPolítica - Aonde o senhor quer chegar nos caminhos da política?
MA -
Quero chegar ao ponto de a maioria de nossos representantes ser composta por pessoas íntegras e competentes. Chega de corrupção e incompetência. Meu projeto não é pessoal. Já me sentiria contemplado, mesmo não estando entre os eleitos, em ver mais gente como Alessandro Vieira e Emília Correa ocupando os espaços políticos.

JLPolítica – O senhor, que gostava tanto do seu avô José Andrade, o Zé da Suprema, foi até meio que criado por ele, acha que ele teria que conceito dessa sua entrada na política?
MA -
O cidadão Zé da Suprema estaria entusiasmado com a possibilidade de mudanças. Estaria em cada almoço, café e esquina do calçadão defendendo o nome e as propostas do neto. Já o avô, dentro de casa, estaria desestimulando, mandando eu tomar conta da minha família e dos negócios.

JLPolítica – A política atrapalha ou ajuda aos negócios do líder empresarial Milton Andrade?
MA -
Atrapalha, e muito. Tudo que eu coloco ou exponho, cria-se a desconfiança de que quero capitalizar politicamente. Veja o caso do retorno Centro de Distribuição da Cencosud: eu que agendei a reunião da Diretoria com o Governo do Estado. Deu tudo certo e não fizeram nenhuma menção à atuação do Fórum Empresarial nessa aproximação. Claro que isso é omitido propositalmente para não me dar musculatura política. É pequeno discutir a paternidade de bons projetos. Os projetos acontecendo, quem viabilizou é o de menos.

JLPolítica - Entre a sua pessoa e a de Dr Emerson Ferreira, pela qual o senhor acha que o senador Alessandro Vieira optaria para disputar a Prefeitura de Aracaju em 2020?
MA -
Dr. Emerson foi candidato na chapa de Alessandro Vieira e é presidente do Diretório Municipal do Cidadania. É o nome natural do senador Alessandro.

JLPolítica - Como está sua relação política com Alessandro Vieira?
MA -
É a melhor possível. Tenho profunda admiração pelo trabalho que Alessandro vem fazendo no Senado. Não conheci nenhum outro senador de Sergipe que atuasse com tanta independência e preparo.

DA CONSIDERAÇÃO AOS 35 MIL VOTOS PARA GOVERNADOR
“Os 35.111 votos que você menciona são suficientes para três Estádios do Batistão inteiros lotados. É muita gente. Mas mais do que o número de votos, fiquei satisfeito com o conceito que se criou da minha pessoa e das minhas ideias”

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É filho da empresária Simone Andrade (faleceu cedo)

JLPolítica – O senhor estranha o modo furtivo e esconso de Alessandro Vieira fazer política?
MA -
Não acho que ele atue assim. Muitas vezes ele é mal interpretado porque não se consegue imputar um rótulo a ele de direita ou de esquerda. Ele sempre atua de forma independente. Em algumas pautas, o posicionamento está mais à direita. Em outras, mais à esquerda. Concordo com ele em algumas pautas e discordo em outras. Mas ninguém pode afirmar que ele é movido por outros fatores que não os das suas convicções. Acredito que Alessandro Vieira seja a definição perfeita de um político de centro.

JLPolítica - Ao seu ver, qual o lugar reservado ao político Valadares Filho nas eleições de 2020 em Aracaju?
MA -
Cada um é quem sabe o melhor pra si, mas não acredito que ele tenha fôlego para mais uma eleição majoritária. Ele corre o alto risco de sair pequeno, assim como Marina Silva. Acredito que seja o momento de Valadares Filho recuar e reagrupar. No lugar dele, eu não descartaria uma eleição à Câmara de Vereadores de Aracaju, já visando o retorno à Câmara Federal. Mas ele tem mais experiência política do que eu e deve saber o que é melhor para ele.

JLPolítica - Como o senhor lê essas zoeiras todas em torno da passagem do PSL de Sergipe para Rodrigo Valadares, PTB?
MA -
Virou uma baixaria. Um fato deprimente e triste. Quero estar bem longe de tudo isso.

JLPolítica - Qual é o conceito que o senhor tem do desempenho do Governo de Jair Bolsonaro nestes oito meses?
MA -
É um Governo que tem uma pauta econômica muito bem definida por Paulo Guedes. Segurança Pública idem, com Sérgio Moro. E, anotem esse nome, Tarcísio Freitas é o melhor ministro de Infraestrutura que esse país já viu. De resto, é perda de tempo com picuinhas e pautas menores, muitas vezes criadas pelo próprio presidente, que sofre de uma incontinência verbal sem tamanho. Poderia ser engraçado enquanto deputado, mas como presidente essa conduta não tem espaço. Até atrasa e atrapalha nas aprovações de importantes projetos.

JLPolítica - O senhor não acha temerária a sede como determinadas pessoas políticas estão indo ao pote de uma linha política de direita, de centro-direita, ou até de extrema direita?
MA –
Vejo nisso temeridade e oportunismo. Existe um vácuo de representação na direita, isso é um fato. Daí muita gente quer “surfar a onda Bolsonaro”. Prefiro uma linha propositiva, sem ataques pessoais. Nada mais velho do que o assassinato de reputações na política.

A POLÍTICIA SERIA RUIM PARA OS NEGÓCIOS PESSOAIS?
“Atrapalha, e muito. Tudo que eu coloco ou exponho, cria-se a desconfiança de que quero capitalizar politicamente. Veja o caso do retorno do Centro de Distribuição da Cencosud: eu quem agendei a reunião da Diretoria com o Governo do Estado. Deu tudo certo e não fizeram nenhuma menção à atuação do Fórum Empresarial”

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E do auditor fiscal Sérgio Roriz

JLPolítica - E se essa onda em torno de Jair Bolsonaro virar uma marolinha antipática, o que será feito de quem está acenando com radicalismo para uma linha direitista?
MA -
Quem se aproxima por oportunismo se afasta por oportunismo. Por isso, a linha da coerência por ser um percurso mais longo, mas também é o único caminho sólido para uma construção política. Como já disse: atalho não é caminho.

JLPolítica – Nessa questão, como o senhor define o seu liberalismo? O senhor seria mais liberal na economia do que na política?
MA -
Minha pauta é essencialmente econômica. A livre concorrência. O empreendedorismo. É através de uma economia sólida que se pode melhorar os investimentos nas áreas prioritárias como saúde, segurança e educação. Só perco meu tempo com discussões que possam gerar frutos. Dessa liberdade política de agressões e fake news, estou fora. Está mais para libertinagem do que liberdade política.

JLPolítica – O senhor acha que a sociedade sergipana está mais para que posição política entre a extrema direita, a direita, o centro-direita ou centro esquerda e esquerda?
MA -
Esquerda. É isso que os resultados eleitorais demonstram. Mas também vejo uma saturação. Desde que a esquerda chegou ao poder em Sergipe em 2007, tudo piorou. Aliás, foi assim por onde a esquerda passou. Acredito que o ciclo está se encerrando. Só não podemos sair de um extremo a outro. Precisamos construir um ambiente para atrair pessoas moderadas para o jogo político e sair desse binarismo e radicalismo que nada constrói. Só destrói.

JLPolítica - Qual é o seu conceito do Governo de Belivaldo Chagas à frente de Sergipe?
MA -
O Governo de Belivaldo Chagas não entrega o que prometeu: o de ter chegado pra resolver. Conhecia a realidade do Estado e prometeu soluções. Então, quais são os fatos novos que justificam a não-solução dos problemas? A Previdência sergipana em crise não é fato novo. Por outro lado, ao contrário de Jackson Barreto, Belivaldo se envolve nos problemas administrativos e busca soluções. Muitas soluções que ele apresenta são as mesmas que eu defendo. O problema é o tempo para que a solução anunciada vire realidade. Veja os casos do CIC – Centro de Interesse Comunitário, nosso centro de convenções -, Ceasa, PPP para duplicação das rodovias... Tudo isso já foi anunciado, mas nada ainda virou realidade. O diagnóstico do Governo está correto, no entanto a velocidade nas viabilidades e materializações está de tartaruga.

JLPolítica - O senhor indicaria três pontos que ajudassem Sergipe a sair da crise econômica e financeira em que vive?
MA -
Sim, e começaria por uma minirreforma previdenciária estadual: geraria uma economia de R$ 350 de reais a R$ 400 milhões ao ano. Privatizações de empresas públicas e extinção de outras deficitárias: gastamos dobrado. Temos Secretaria de Turismo e Empresa Sergipana de Turismo, por exemplo. Essa duplicidade se repete em outras seis pastas do governo. E o retorno disso? Nenhum! É um desperdício de dinheiro público. E terceiro, melhoria do ambiente de negócios através da unificação de licenças e Parceria Público-Privada para obras estruturantes, em especial. Essas três medidas fariam com que Sergipe deixasse de ser o pior Estado para se empreender do Brasil. 

NUMA LINHA DE COMPREENSÃO DE ALESSANDRO VIEIRA
“Muitas vezes ele é mal interpretado porque não se consegue imputar um rótulo a ele de direita ou de esquerda. Ele sempre atua de forma independente. Mas ninguém pode afirmar que ele é movido por outros fatores que não os das suas convicções. Acredito que Alessandro Vieira seja a definição perfeita de um político de centro”

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É neto de José Andrade Barreto, o Seu Zé da Suprema

JLPolítica - Com que olhar o senhor acha que a classe empresarial de Sergipe recebe o alinhamento incondicional do líder empresarial Laércio Oliveira com o Governo de Belivaldo Chagas?
MA -
Existem dois Laércios. O de Brasília, que é o melhor deputado federal que temos. Defende pautas impopulares, porém necessárias, não se rendendo ao populismo barato. O deputado Laércio Oliveira é extremamente aprovado pela classe empresarial. O Laércio Oliveira de Sergipe, o político, tem dificuldade de explicar aliança com um governo que tem tanta rejeição do setor produtivo, seja pelos inúmeros atrasos no pagamento a fornecedor seja pela lentidão já mencionada.

JLPolítica - E isso seria extensivo à aliança que Laércio faz com o prefeito Edvaldo Nogueira em Aracaju?
MA -
Sim, seria extensivo, sendo que nesse caso tem um fator a mais: o fator ideológico. Edvaldo é do Partido Comunista do Brasil. É bem atípica uma aliança de alguém do setor produtivo com comunistas.

JLPolítica - Doeu-lhe o veto que fora feito à sua indicação para o comando da Codevasf?
MA -
De forma alguma. O jogo político é bruto. Fiquei feliz que foi num consenso que o meu nome era preparado e que o veto foi por questões políticas. Além disso, ser lembrado pelo senador Alessandro Vieira é uma honra.

JLPolítica - O senhor e o senador Alessandro Vieira já deram o assunto Codevasf por encerrado?
MA -
O senador não é de falar muito. Nem eu sou de perguntar. Então, já viu... (risos). Mas acredito que esse assunto já tenha sido sepultado.

JLPolítica - O senhor tem tempo de acompanhar e aferir a atuação dos 11 sergipanos no Congresso Nacional? E teria que conceito disso?
MA -
Sempre acompanho. Tem a turma que é contra o Brasil. Ou seja, pouco importa se é bom ou ruim, serei contra porque veio do governo Bolsonaro. Nessa turma estão o senador Rogério Carvalho e o deputado federal João Daniel. Tem uma turma nova, que está construindo seu espaço e buscando protagonismo na Câmara. Não é algo fácil alcançar o protagonismo em meio a 513 deputados. O Fábio Mitidieri é de esquerda. Discordo dele em quase tudo. Mas foi coerente e correto em votar a favor da Previdência. Demonstrou não dar coro à oposição raivosa. E o senador Alessandro que, embora novato, já é liderança nacional. Ah, e temos apenas sete deputados federais. A pauta do Valdevan Noventa é em São Paulo.

DOS DESCOMPASSOS PESSOAIS DE JAIR BOLSONARO
“É um Governo que tem uma pauta econômica muito bem definida por Paulo Guedes. De resto, é perda de tempo com picuinhas e pautas menores, muitas vezes criadas pelo próprio presidente, que sofre de uma incontinência verbal sem tamanho. Poderia ser engraçado enquanto deputado, mas como presidente essa conduta não tem espaço”

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É casado com Maria Regina Nascimento Barretto de Andrade. Eles são pais de Arthur Nascimento Barretto de Andrade, de dois anos, e de Maria Nascimento Barretto de Andrade, de quatro meses.

JLPolítica – Tem mais virtudes ou mais defeitos a Medida Provisória da liberdade econômica?
MA –
Tem só virtudes. O empreendedorismo no Brasil não é acessível à classe pobre. São tantas burocracia e exigência de licenças que só consegue empreender quem tem condições financeiras para isso. A MP da Liberdade Econômica vem para simplificar e tornar acessível o empreendedorismo para a classe mais pobre. Com ela, a cena do milho da feirante sendo recolhido pela Emsurb não vai ocorrer mais. Quanto mais burocracia e licenças, maior a reserva de mercado e pior para as grandes massas.

JLPolítica – Não houve um excesso na quantidade prevista de domingos trabalhados?
MA -
Não. Precisamos ter dois balizadores para analisar uma proposta. 1) Como funciona nos países desenvolvidos? 2) Esta medida dá mais liberdade de escolha ao cidadão ou coloca o Estado como o determinante das relações? Respondendo as essas indagações: as duas maiores economias do mundo preveem regras mais brandas aos domingos do que a atual MP da Liberdade Econômica. E isso tem uma lógica.

JLPolítica – Qual seria essa lógica?
MA –
É que existem setores que precisam funcionar aos domingos. E mais: alguns só funcionam durante o final de semana, como alguns bares e restaurantes. A possibilidade de trabalhar aos domingos, tendo uma folga a cada quatro domingos trabalhados, vai permitir, por exemplo, que o estudante do interior possa trabalhar aos finais de semana e pagar por sua universidade. É assim no primeiro mundo. A segunda análise, se a decisão empodera o cidadão ou o Estado, é uma reflexão obrigatória aos liberais: ninguém é melhor que o próprio indivíduo para decidir o melhor caminho para si. O excesso de intervenção estatal só faz afastar a possibilidade de pequenos empreendedores prosperarem, além de aumentar a informalidade. Quanto mais intervencionista o Estado, mais fraca a sociedade. E vice-versa.

JLPolítica – Enfim, o senhor acha mesmo que o Fórum Empresarial de Sergipe tem obtido algo de positivo em favor dos empreendedores sergipanos?
MA -
O Fórum deve se ater a demandas comuns às entidades de classe. Estamos trabalhando numa proposição ao poder público com dois eixos: a) modernização legislativa e, b) oportunidades para Parcerias Público-Privadas. Essa será nossa marca. De forma pontual, conseguimos alguns avanços, a exemplo do retorno a Aracaju do Centro de Distribuição do GBarbosa que estava em Salvador, na Bahia, pauta sobre a qual o Fórum Empresarial foi determinante.  

JLPolítica - Quais pautas são prioritárias daqui pra frente pelo Fórum?
MA -
Existem duas outras pautas em andamento: oportunidade de negócios para exportação e modernização da legislação de construção em Aracaju no que tange à acessibilidade. Nesta semana, junto com outras entidades, o Fórum também participou da discussão da taxa de publicidade das fachadas de lojas. Na reforma da Previdência, pessoalmente participei de dezenas de debates em todo o Estado, através do Fórum Empresarial, para explicar a importância da reforma.

“SÓ QUER SABER DO QUE PODE DAR CERTO”
“Minha pauta é essencialmente econômica. É através de uma economia sólida que se pode melhorar os investimentos nas áreas prioritárias. Só perco meu tempo com discussões que possam gerar frutos. Dessa liberdade política de agressões e fake news, estou fora. Está mais para libertinagem do que liberdade política”

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“Muitas vezes ele é mal interpretado porque não se consegue imputar um rótulo a ele de direita ou de esquerda. Ele sempre atua de forma independente", sobre o senador Alessandro Vieira

JLPolítica – As diversas formas de Governo reconhecem o papel do Fórum?
MA -
Algumas medidas do governo também foram tomadas após o Fórum Empresarial defendê-las publicamente, a exemplo da redução do ICMS sobre o querosene de aviação (defendemos uma redução mais agressiva, mas já é um avanço) como também as anunciadas - mas não concretizadas - PPP's do CIC e do Ceasa. Não dá pra dizer que o governo tomou essas medidas por causa do Fórum, mas sem dúvida, foi o Fórum o primeiro a defende-las. Enfim, o papel do Fórum é o de coordenar as demandas das entidades, bem como provocar debates sobre pautas necessárias para o desenvolvimento de Sergipe.

DO DESAPONTAMENTO VINDO DE BELIVALDO CHAGAS
“O Governo de Belivaldo Chagas não entrega o que prometeu: chegou pra resolver. Conhecia a realidade do Estado e prometeu soluções. O diagnóstico do Governo está correto, no entanto a velocidade nas viabilidades e materializações está de tartaruga. Então, quais são os fatos novos que justificam a não-solução dos problemas?”

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Na sua posse como presidente do Fórum Empresarial de Sergipe