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Entrevista

Jozailto Lima

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Nivaldo do Sepuma: “Edvaldo Nogueira não honra o que fala”

Publicado em 21  de Julho de  2018, 20:00h

“Servidor nunca viveu momento tão duro como esse”

Sepuma. Do ponto de vista da importância comparativa, e guardando-se as proporções para cima e para baixo, ele é uma espécie de Sintese no âmbito dos servidores gerais da Prefeitura Municipal de Aracaju. Ou um Sindicato dos Bancários, quando era um ativo Sindicato dos Bancários sob aquele bom sindicalista chamado José Souza.

No seu comando, uma das figuras mais polêmicas do sindicalismo sergipano, ou quiçá da vida de Sergipe, o economista Nivaldo Fernando dos Santos. Ele é tanto o sindicato que, ao longo dos últimos 30 anos, perdeu os dois sobrenomes e passou a ser apenas e simplesmente Nivaldo do Sepuma.

Os dois nascem quase que sob a mesma quadra funcional: economista formado pela Universidade Tiradentes em 1980, Nivaldo entra por concurso como economista para a área de Planejamento da Secretaria de Finanças da Prefeitura de Aracaju em 1° de abril - opa, é uma mera coincidência - de 1981 e em 9 de dezembro de 1988 ele funda o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Aracaju – Sepuma –, que viria a lhe servir de sobrenome. Aliás, Sepuma é um sobrenome sindical que Nivaldo mantém livre e alheio ao domínio de qualquer central sindical, o que só faz aumentar o patrulhamento à pessoa dele a à instituição que comanda.

Nestes 30 anos, nunca nenhuma outra pessoa presidiu o Sepuma. É território e terreiro só dele. Mas adverte: em mandatos obtidos democraticamente nas urnas. Nivaldo do Sepuma é do tipo que dá um boi para não entrar numa briga. Mas uma vez entrado nela, dá boiadas para não sair da contenda. É beligerante.

Traz em si as marcas do maniqueísmo externo: é odiado e amado em doses cavalares. Mas sua missão é grandiosa no contexto dos servidores públicos municipais de Aracaju: defender um terço deles – ou cinco mil dos 15 mil – que formam a base do seu Sepuma. A arraia-miúda da gestão, como definem alguns gestores.

Em nome dessa base, já foi preso, já promoveu greves e mais greves, já invadiu com seu núcleo sindical a Prefeitura de Aracaju e nela acampou nesta gestão de Edvaldo Nogueira por alguns dias, de onde saiu com um amargo sentimento de que nunca na história de Aracaju o servidor público da capital foi tão maltratado como está sendo pelo atual prefeito.

“São dois anos sem reajuste. O servidor nunca viveu momento tão duro como esse. Edvaldo Nogueira não honra o que fala. Estão aí a questão dos fundadores da Guarda Municipal de Aracaju, da tabela, das horas extras do servidor”, diz ele.

Segundo Nivaldo, a rejeição à possibilidade de reajuste salarial por parte do prefeito é muito danosa aos servidores. “Impacta fortemente no poder aquisitivo, no poder de compra. O caderninho da bodega da esquina fica prejudicado. A gente teve uma discussão muito forte sobre a questão do tempo integral, e resolveram inventar uma teoria incompreensível”, diz ele.

“Veja como é Edvaldo: nós passamos uma semana acampados no gabinete dele, dormindo, almoçando, jantando, tomando banho. Com uns 20 servidores. Na hora em que saíamos, a Kombi que nos levaria embora não pegou na chave e Edvaldo ainda ajudou a gente a empurrar na porta da Prefeitura. Tudo isso sob promessa de que cumpriria o acertado como decorrência daquela manifestação. Mas nada cumpriu”, diz o sindicalista.

Apesar disso tudo, Nivaldo do Sepuma diz que não tem “nada pessoal” contra o prefeito de Aracaju. “As questões são do ponto de vista de presidente de sindicato e de prefeito. Mas, se ele passar a honrar as coisas que prometeu em campanha, vamos fazer uma travessia melhor do que a de Milton Nascimento”, avisa.

Nivaldo Fernando dos Santos até acha uma brecha para uma lisonja à gestão de Edvaldo Nogueira, embora propositadamente desvie a brasa para a sardinha de Jeferson Passos, o secretário municipal de Fazenda.

“Nós identificamos que a saúde financeira do município de Aracaju está muito bem, em todos os cenários. É preciso que digamos isso. A gente nunca disse que o menino Jeferson Passos é ruim. É um bom tocador de arrecadação. Mas, lamentavelmente, não há, por outro lado, o compromisso social de socializar com os servidores esse ganho”, avisa.

Na versão de Nivaldo, Edvaldo Nogueira nem se constitui na pior figura pública aracajuana na relação com o Sepuma e os servidores. Esse posto cabe ao empostado Almeida Lima, que angariou a fama ruim sem sequer ter sido eleito - na condição de vice-prefeito, sucedeu Jackson Barreto de 1994 a 1996. Do Sepuma, Almeida ganhou o apelido nada carinhoso de Nero de Aracaju.

“Tivemos sérias questões com ele, que chegou ao ponto de levar o Sepuma a fechar as portas. Almeida segurou todas as consignações do Sindicato. Tivemos que entrar na Justiça. O saudoso desembargador Epaminondas de Andrade Lima nos concedeu a segurança, determinando que ele devolvesse o dinheiro do Sepuma e voltasse a cobrar. Por isso que eu dizia que Almeida era o Nero de Aracaju. A gente ia fazer um ato, mandava produzir os bonecos e ele mandava roubar. Ele era terrível”, relembra Nivaldo.

UNIVERSO DE REPRESENTAÇÃO DO SEPUMA
“Contempla os servidores da administração geral - coveiros, crecheiros, motoristas, vigilantes, tratoristas. Também os agentes administrativos, economistas, administradores, contadores. Algo em torno de cinco mil. Enfim, a base operacional da Prefeitura

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Diz que não tem “nada pessoal” contra o prefeito de Aracaju
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Acha que merece os 30 anos de comando do Sepuma

ARACAJU TEM MUITO SERVIDOR
“A folha da Prefeitura do mês de maio revela 15.780 pessoas dentro dela. É muita gente. Acho que dez mil servidores atenderiam, e bem, às demandas dos munícipes”

JLPolítica - A que tipo de servidor público o Sepuma contempla hoje em dia?
Nivaldo Fernando dos Santos -
Contempla todos os servidores da administração geral, envolvendo aí coveiros, crecheiros, motoristas, vigilantes, tratoristas, mas também os agentes administrativos, economistas, administradores, contadores. Enfim, a base operacional da Prefeitura.

JLPolítica – De quantas pessoas é composta a base do Sepuma?
NFS -
Isso dá algo em torno de cinco mil. Os servidores da saúde, educação, do fisco, Procuradoria, ficam de fora. O nosso é o pessoal operacional, que está lá na ponta, na atividade-fim. Somos o número maior de servidores e na hora da composição da folha representamos o menor percentual de gasto.

JLPolítica – Isso significa o que?
NFS –
Isso significa que é inversamente proporcional, e sendo assim há uma injustiça salarial. Todos da Prefeitura sabem, inclusive o próprio prefeito Edvaldo Nogueira, com quem tivemos discutindo no primeiro ano, 2017, e nos anos pretéritos, quando ele passou pela Prefeitura, a realidade desses trabalhadores a quem ele chama de arraia-miúda. Mas entendo que não é de forma preconceituosa. Porque assim Déda também chamava.

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Em 9 de dezembro de 1988 ele funda o Sepuma

EXCESSO DE SINDICATOS NA ESFERA DE ARACAJU
“São 20. Veja: só da Saúde são 12. Faz mal. Pulveriza. Dispersa. Tem Sindicato que a base é a própria Diretoria. Brinca-se de se fazer sindicalismo. Divergem, quase todos e em tudo”

JLPolítica – O que fazer para mudar essa realidade?
NFS –
Apenas honrar as promessas de campanha. Eles sempre prometem, a exemplo de Edvaldo Nogueira nas últimas eleições, que asseverou em abril de 2016 que honraria a matriz salarial que havíamos iniciado com o prefeito João Alves Filho, que se transformou em lei. Mas, lamentavelmente, ele não cumpriu.

JLPolítica - Isso representa uma perda de quanto para o servidor?
NFS -
Ah, é substanciosa, porque a tabela que nós havíamos negociado com o ex-prefeito João Alves realinhava toda a estrutura da matriz salarial a nível 5, o que daria um sobre fôlego para que os servidores tivessem dias melhores. Creio que, em média, seria mais de 20%.

JLPolítica – E essa “arraia-miúda” são cinco mil dentro de um efetivo total de quantos servidores municipais?
NFS –
Olha, a folha da Prefeitura do mês de maio revela 15.780 pessoas dentro dela.

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Foi ao MP estadual denunciar a existência de fantasmas na PMA

INTERLOCUÇÃO RUIM COM EDVALDO NOGUEIRA
“Porque Edvaldo não honra o que fala. Estão aí a questão dos fundadores da Guarda Municipal, da tabela, das horas extras. São dois anos sem reajuste. O servidor nunca viveu momento tão duro” 

JLPolítica – Isso é muito ou pouco para uma comunidade de 650 mil habitantes?
NFS -
É muito. É muita gente. Mas aí tem o problema de os dados da Prefeitura serem inconsistentes. Em dado momento você pega uma informação que lhe traz um certo número e daqui a pouco já tem outro, falando outra coisa.

JLPolítica – Aracaju poderia ser tocada com quantos mil servidores, com eles ganhando mais e o serviço sendo melhor prestado?
NFS -
Acho que dez mil servidores atenderiam, e bem, às demandas dos munícipes.

JLPolítica - Há quantos sindicatos na base dos servidores públicos municipais de Aracaju?
NFS -
São 20. Veja: só da Saúde são 12.

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É odiado e amado em doses cavalares

QUEM TEM RAZÃO NA QUESTÃO DOS FANTASMAS?
“A razão está com o Sepuma, não tenha dúvida. Só uma pessoa no gabinete do prefeito Edvaldo Nogueira, em 2017, levou mais de R$ 340 mil sem nunca ter pisado o pé no gabinete dele”

JLPolítica – Essa babel sindical faz bem ou faz mal?
NFS -
Faz mal. Pulveriza. Dispersa. Tem Sindicato que a base é a própria Diretoria. Brinca-se de se fazer sindicalismo. 

JLPolítica – E eles falam uma mesma língua ou divergem muito, e em quais aspectos?
NFS -
Divergem, quase todos e em tudo. Para que nós pudéssemos construir o novo Estatuto do Servidor, por exemplo, foi gasto mais de um ano. O Estatuto foi aprovado em 2016, mas havia muita disparidade, de como se pensar em dar ao servidor uma nova ordem jurídico-funcional e que trouxesse também não só os direitos, as vantagens, mas os deveres e as obrigações.

JLPolítica - Já foi pensada alguma vez uma espécie de unificação?
NFS –
Não. Mas eu acho que com a não obrigatoriedade da contribuição sindical, talvez isso vá fazer alguns sindicatos terem maior reflexão sobre a possibilidade da unicidade.

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É uma das figuras mais polêmicas do sindicalismo sergipano

CUSTO COM OS CARGOS EM COMISSÃO
“Em janeiro mesmo, Edvaldo gastou R$ 3,8 milhões, e na folha de maio deste ano os CCs ultrapassam os R$ 5,3 milhões, superando os de João Alves em 2016”

JLPolítica – Como é que é o Sepuma do ponto de vista financeiro? É sólido ou deficitário?
NFS -
O Sepuma está passando por um momento difícil, porque a gente tem custos fixos e variáveis. Os variáveis estamos buscando ajustar, como agora que estava revendo contratos de publicidade. O Sepuma busca um equilíbrio, mas está no limite.

JLPolítica – A interlocução atual entre o Sepuma e o prefeito Edvaldo Nogueira não é boa?
NFS -
Não. Não é porque Edvaldo Nogueira não honra o que fala. Estão aí a questão dos fundadores da Guarda Municipal de Aracaju, da tabela de que falei há pouco, das horas extras do servidor. São dois anos sem reajuste. O servidor nunca viveu momento tão duro como esse.  

JLPolítica – E o que isso impacta na vida real deles?
NFS -
Impacta fortemente no poder aquisitivo, no poder de compra. O caderninho da bodega da esquina fica prejudicado. A gente teve uma discussão muito forte sobre a questão do tempo integral, e resolveram inventar uma teoria incompreensível. Ainda bem que o procurador-geral, Netônio Machado, recebeu uma iluminação e refez o parecer, que estava prejudicando os servidores.

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Calcula que a folha de CCs de Edvaldo é maior que a de João Alves

PREFEITO MAIS INTOLERANTE COM O SINDICALISMO
“Sem dúvida, foi Almeida Lima. Chegou ao ponto de levar o Sepuma a fechar as portas. Almeida segurou todas as consignações do Sindicato. Tivemos que entrar na Justiça”

JLPolítica - Seria justo dizer que a grande pauta dos servidores públicos municipais é a do salário?
NFS –
Sim. A do cumprimento da matriz salarial que fora negociada com o então prefeito João Alves Filho e que Edvaldo Nogueira dissera em campanha que era legalista e que, como tal, se eleito assumiria aquilo que estava pactuado na lei. E não assumiu.

JLPolítica - Quem, entre a Prefeitura e o Sepuma, está com a verdade na questão da existência ou não de funcionários fantasmas?
NFS –
A razão está com o Sepuma, não tenha dúvida. Só uma pessoa no gabinete do prefeito Edvaldo Nogueira, em 2017, levou mais de R$ 340 mil sem nunca ter pisado o pé no gabinete dele.

JLPolítica – O senhor poderia dar o nome dessa pessoa?
NFS –
Posso: o nome é Ana Dória, conhecida como Aninha. Uma pessoa boa, que adoro, a eterna secretária de Jackson Barreto. Mas ela nunca foi lá na Prefeitura. E isso é preciso dizer: não foi somente em 2017. Essa desonra, esse desrespeito ao erário, ocorre desde lá do primeiro mandato de Edvaldo Nogueira.

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“A saúde financeira do município de Aracaju está muito bem", avalia

UMA CÂMARA MUNICIPAL NA CONTRAMÃO
“A Câmara de Aracaju é uma Secretaria Municipal, lamentavelmente. O comportamento de Nitinho, seu presidente, demonstra que ele é um secretário de Edvaldo e não um chefe de Legislativo”

JLPolítica – Passa pelo Governo de João Alves Filho?
NFS -
Passa. Vem com Edvaldo, perpassa João e volta para Edvaldo. Ela só foi exonerada agora, depois da denúncia do Sepuma.

JLPolítica - O senhor calcula que tenha quantos “servidores” nessa mesma situação?
NFS -
Não posso mensurar hoje. Mas quando fizemos a denúncia, a Secretaria de Governo, comandada à época por Carlos Cauê, que não tinha - e não tem - 40 birôs, só de cargos comissionados tinha 240. Fora os funcionários efetivos.

JLPolítica – O senhor tem provas dessas existências?
NFS -
Temos. Entregamos ao Ministério Público. Assim como as provas de que a Secretaria de Saúde, no hall dos comissionados, tem mais de 200 auxiliares de gabinete. Para botar onde todo esse pessoal?

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Diz que a Câmara de Aracaju é uma secretaria municipal

CONLUIO NA ESFERA PREVIDENCIÁRIA
“A Prefeitura paga o duodécimo e ainda paga essa parte da Câmara (na Previdência). Gera um déficit mensal de mais de R$ 1 milhão. Vamos denunciar a situação ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas”

JLPolítica - O senhor teria mesmo as provas que certifiquem o aumento de Cargos em Comissão na Prefeitura de Aracaju na comparação entre os Governos de Edvaldo Nogueira e de João Alves Filho?
NFS -
Sem dúvida. Em dezembro de 2016, o doutor João Alves tinha 2.449 comissionados, ao custo de R$ 5,1 milhões mensal. Em 6 de janeiro de 2017, Edvaldo Nogueira editou um decreto estabelecendo que a despesa com CCs seria no mínimo de 50% do valor do cargo em comissão de setembro de 2016. Isso teria que gastar no máximo R$ 3,5 milhões. Mas esse decreto nunca foi cumprido. Em janeiro mesmo, ele gastou R$ 3,8 milhões, e na folha de maio deste ano os CCs ultrapassam os R$ 5,3 milhões, superando os de João Alves em 2016. E sem contabilizar que no dia 20 de fevereiro, na abertura dos trabalhos da Câmara, Edvaldo foi levar a mensagem e lá disse que reduziu os cargos em comissão em mil. Se João em dezembro tinha 2.449, Edvaldo teria que ter, assim, 1.449. Se com esses 1.449 Edvaldo está pagando R$ 5,3 milhões, quer dizer que ele aumentou o quantitativo salarial.

JLPolítica - Ao longo dos seus 30 anos de Sepuma, é possível medir qual foi o prefeito mais intolerante no trato com o sindicalismo?
NFS -
Sem dúvida, foi Almeida Lima. Tivemos sérias questões com ele, que chegou ao ponto de levar o Sepuma a fechar as portas lá na Rua Boquim, onde era a sede. Almeida segurou todas as consignações do Sindicato. Tivemos que entrar na Justiça. O saudoso desembargador Epaminondas Andrade Lima nos concedeu a segurança, determinando que ele devolvesse o dinheiro do Sepuma e voltasse a cobrar. Por isso que eu dizia que Almeida era o Nero de Aracaju. A gente ia fazer um ato, mandava produzir os bonecos e ele mandava roubar. Ele era terrível. Fazia tudo para inviabilizar o Sindicato.   

JLPolítica - De um modo geral, a Câmara Municipal de Aracaju atua pensando mais nos cidadãos ou no prefeito?
NFS –
Ah, bem mais no prefeito. A Câmara Municipal de Aracaju é uma Secretaria Municipal de Aracaju, lamentavelmente. O comportamento do vereador Nitinho, seu presidente, demonstra claramente que ele é um secretário de Edvaldo e não um chefe de Poder Legislativo.

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É economista formado pela Universidade Tiradentes em 1980

FAVORÁVEL AO FIM DA IMPOSIÇÃO DO IMPOSTO SINDICAL
“Só acho que se deu de forma equivocada. Deveria ter sido gradual. Tendo um marco temporal e se encerrando depois. Seria uma forma de os sindicatos irem se organizando, porque assumiram compromissos”

JLPolítica - E que comportamento é esse?
NFS –
É o da subserviência, manifestada no aspecto dos projetos encaminhados à Câmara e que têm o beneplácito da Casa. Sejam eles de que forma forem, de interesse ou não da comunidade, passam, ou são barrados. A exemplo da CPI do Lixo.

JLPolítica – O senhor aponta inclusive que houve conluio dele e do prefeito na questão da Previdência Municipal. Em que aspecto?
NFS –
Houve sim. A lei 163/2017 trouxe para o Executivo e para o Legislativo responsabilidade, quando criou a contribuição previdenciária compulsória para honrar o déficit atuarial do plano financeiro do Aracaju Previdência tanto para o servidor aposentado, pensionista do Executivo quanto do Legislativo. E a gente descobriu, há poucos dias, que num acordo pouco republicano - tanto que não foi publicizado - a Prefeitura está honrando a parte dela e a parte da Câmara. Só nesses primeiros cinco meses, já foram levados do erário municipal mais de R$ 6 milhões. Esse dinheiro tinha que sair do duodécimo da Câmara. Mas não: a Prefeitura paga o duodécimo e ainda paga essa parte da Câmara. Gera um déficit mensal de mais de R$ 1 milhão. Vamos denunciar a situação ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas.

JLPolítica – O senhor é favor do fim da imposição do imposto sindical anual no Brasil?
NFS -
Sou. Só acho que o fim se deu de forma equivocada. Porque acho que deveria ter sido gradual. Aos poucos, tendo um marco temporal e se encerrando depois. Seria uma forma de os sindicatos irem se organizando, porque a gente assumiu compromissos. Na hora do julgamento, três ou quatro ministros falaram sobre isso. Disseram que a retirada deveria ser gradual e não abrupta, como foi. 

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Já foi preso, já promoveu greves e mais greves

O SEGREDO DE UM MANDATO DE 30 ANOS
“Acredito que seja o do respeito pelo que fazemos. E não só eu, porque quando me reelejo não sou somente eu. Tem toda uma Diretoria em torno. Nesses 30 anos, só tivemos concorrentes três vezes”

JLPolítica – O senhor entende que o imposto sobrevive estando ao sabor do opcional do trabalhador ou da empresa?
NFS -
Acho que a tendência é se exaurir. Acabar. Por causa do grau de prioridade. O trabalhador não tem ainda essa consciência. Entre contribuir com o Sindicato e levar um dia do salário para a feira, não tenho dúvida de qual será a escolha.

JLPolítica – Qual é o segredo, Nivaldo, para se perdurar tanto como sindicalista, com tanta recondução ao mandatos num mesmo Sindicato como lhe ocorre no Sepuma?
NFS -
Acredito que seja o do respeito pelo que fazemos. E não só eu, porque quando me reelejo não sou somente eu. Tem toda uma Diretoria em torno. Nesses 30 anos, só tivemos concorrentes três vezes: uma vez que foi o compadre do ex-prefeito Jackson Barreto; depois Roberto Morais e por fim uma pessoa de Santa Rosa. Mas a maioria foi chapa única.

JLPolítica – A sua última aprovação, neste ano de 2018, se deu com quanto por cento?
NFS
– Com 100%.

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O Sepuma é território e terreiro só dele

UMA INVEJINHA DE FIDEL CASTRO?
“Não. É apenas uma coincidência. Não é antidemocrático, porque não é imposto. Há eleição. Não é algo de forma ditatorial. Os servidores votam livremente”

JLPolítica – O senhor não vê uma afronta à democracia nessa duração tão alongada?
NFS -
Não. Não é antidemocrático, porque não é imposto. Há eleição. Não é algo de forma ditatorial. Os servidores votam livremente. Acho que o Sepuma é o único sindicato cujas eleições acontecem em um único dia, das 8h às 18h, na sua sede. Isso é pedagógico. É educativo. O servidor esteja aonde estiver, se quiser votar, vem.

JLPolítica - O senhor sente uma invejinha de Fidel Castro?
NFS -
Não. É apenas uma coincidência (risos).

JLPolítica - Tem um ato do senhor, enquanto sindicalista, do qual se arrependa muito?
NFS –
Sim: o de haver confiado em Edvaldo. Me arrependo muito disso. De a cada reunião acreditar nele, porque o Sepuma foi o único sindicato que ele recebeu, é importante frisar isso. Mas ao sair de lá, com tudo aparentemente preparado e negociado, me parecia como um certo político fez com o professor Getúlio Nunes: lhe ouviu um pedido, atendeu e deu ordens positivas a subordinados por um telefone que não falava com ninguém. Se você não quer negociar, você não pode deixar o servidor sair cantando vitória, comprando fiado por conta e depois ser apunhalado.

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Mas adverte que é reconduzido democraticamente à presidência

MAIOR ARREPENDIMENTO COMO SINDICALISTA
“O de haver confiado em Edvaldo. Passamos uma semana acampados no gabinete dele. Na hora em que saíamos, a Kombi que nos levaria não pegou na chave e Edvaldo ainda ajudou a gente a empurrar. Mas nada cumpriu”

JLPolítica - O senhor acha irreconciliável essa situação com Edvaldo?
NFS -
Acho. Veja como é ele: nós passamos uma semana acampados no gabinete dele, dormindo, almoçando, jantando, tomando banho. Com uns 20 servidores. Na hora em que saíamos, a Kombi que nos levaria embora não pegou na chave e Edvaldo ainda ajudou a gente a empurrar na porta da Prefeitura. Tudo isso sob promessa de que cumpriria o acertado como decorrência daquela manifestação. Mas nada cumpriu. De modo que eu acredito que não temos nada pessoal. As questões são do ponto de vista de presidente de sindicato e do prefeito. Mas, se ele passar a honrar as coisas que prometeu em campanha, vamos fazer uma travessia melhor do que a de Milton Nascimento.

JLPolítica – O senhor sente muita diferença entre os modos e comportamentos dos candidatos a prefeito de Aracaju que lhe visitam pedindo apoio nas eleições e para os dos prefeitos eleitos?
NFS -
Sim. Há uma dicotomia muito grande. O próprio Edvaldo fez isso. A balança estava equilibrada em favor dele. E por que? Por causa do bom comportamento dele lá em 2010, 2012. O cara que nos pediu voto em 2016 foi aquele de 2010 e 2012. Ao ser eleito, a balança desequilibrou. 

JLPolítica - Como é que o Sepuma e suas lideranças observam o quadro da sucessão estadual hoje?
NFS -
Preocupados. Porque o Estado está acéfalo. Você olha e todas as variáveis são sofríveis. Eu li recentemente sobre o turismo do Estado, e é de fazer dó.

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“Não é antidemocrático, porque não é imposto. Há eleição", justifica

UMA TRAVESSIA MELHOR DO QUE A DE MILTON
“Acredito que não temos nada pessoal. As questões são do ponto de vista de presidente de sindicato e de prefeito. Se ele passar a honrar o que prometeu em campanha, vamos fazer uma travessia melhor do que a de Milton Nascimento”

JLPolítica - O senhor não identifica um nome capaz de “dar um jeito” em Sergipe?
NFS -
Não sei. O que aconteceu com Edvaldo Nogueira nos deixou cascudos.

JLPolítica – O Sindicato e seus dirigentes terão preferência por um candidato?
NFS -
Não. O Sindicato, não. Mas os dirigentes, como cidadãos, podem ter suas preferências. Quem sabe se eu não faço isso e vou para as ruas pedir votos. Mas será difícil.

JLPolítica - A extinção de profissões, em decorrência do avanço da tecnologia, é um problema na esfera do serviço público municipal?
NFS -
É. A máquina substituindo o homem gera desemprego, fim de profissões. Mas a economia de escala é um caminho sem volta. Basta ver os bancários.

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Já invadiu com seu núcleo sindical a Prefeitura de Aracaju

UM EDVALDO BOM DE PRODUZIR RECEITAS
“Identificamos que a saúde financeira de Aracaju está muito bem, em todos os cenários. É preciso que digamos isso: a gente nunca disse que o menino Jeferson Passos é ruim. (Mas não) socializam com os servidores esse ganho”

JLPolítica – O senhor tem acompanhado o desempenho das receitas e despesas do município de Aracaju?
NFS -
Tenho. Como economista da Prefeitura e como presidente do Sindicato, é minha responsabilidade.

JLPolítica – E o que elas apontam?
NFS -
Nós identificamos que a saúde financeira do município de Aracaju está muito bem, em todos os cenários. É preciso que digamos isso. Se você migrar para as receitas tributárias próprias – IPTU, ISS, taxas, contribuições –, encontra um cenário como o do último quadrimestre, que é o que se toma como parâmetro, onde a Prefeitura teve, em 2016, R$ 186 milhões de receita; no de 2017, R$ 199 milhões, e em 2018, R$ 209 milhões. No quadro da receita corrente líquida, que envolve as receitas próprias e as transferências governamentais, R$ 572 milhões no primeiro quadrimestre; para uma despesa de folha liquida de pouco mais de R$ 100 milhões.

JLPolítica - O senhor percebeu que acabou de fazer um elogio ao gestor Edvaldo?
NFS -
Sim, a gente nunca disse que o menino Jeferson Passos é ruim. Não tem engenheiro que é bom tocador de obra? O Jeferson é um bom tocador de arrecadação. Mas, lamentavelmente, não há, por outro lado, o compromisso social de socializar com os servidores esse ganho.

JLPolítica - Mas essa boa arrecadação não é mérito do prefeito também?
NFS -
Edvaldo é tinhoso: ele monitora, ele acompanha. Agora, o que nos estranha é a Prefeitura estar com essa despesa crescente com cargos de comissão. A receita corrente líquida em ascendência e a Prefeitura dizer que não tem como reajustar o salário do servidor, haja vista que a publicação do quadro de detalhamento dos limites com a lei de responsabilidade fiscal com todos os penduricalhos dentro da folha - quase 16 mil pessoas -, o comprometimento da despesa de pessoal chega a 48%, quando ele tem até 54% para ir. É uma margem muito boa.

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Não acha-se um Fidel Castro, em que pese os 30 anos no trono do Sepuma