“Obras em andamento somam investimentos de R$ 639 milhões “

Por Jozailto Lima
15 jul 2017, 21h10

O papel dele no Estado é muito nobre. Gigantesco. Braço literalmente executivo do Executivo, a ação dele gera melhorias sociais e de infraestrutura para o coletivo, contempla milhares de pessoas e propicia empregos diretos. Mas ele não é um político.

Trata-se do secretário de Estado da Infraestrutura e do Desenvolvimento Urbano, engenheiro Valmor Barbosa, pela mão de quem passa todo o planejamento e execução das obras públicas em Sergipe.

Muito dedicado à causa, Valmor Barbosa sabe de cor e salteado o que já foi feito no Estado, o que está em execução e o que está em vias de licitação.

Para um tempo marcadamente tomado pela crise, o inventário de realizações do Estado apresentado por Valmor Barbosa não é dos mais modestos. “Já concluímos 144 obras, temos 87 em andamento e 118 em processo licitatório”, diz ele.

E vais mais além. “Atualmente, o elenco de obras que o Estado possui em andamento resulta num investimento de R$ 639,4 milhões. São obras que mudarão a realidade da população”, diz o engenheiro Valmor nesta entrevista ao JLPolítica.

Valmor Barbosa é um homem público desde 1986, com atuação na Prefeitura de Aracaju. Ele é natural de Boquim e é formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Sergipe. Já foi diretor de Obras e Operações da Empresa Municipal de Obras e Urbanização – Emurb – e o diretor-presidente dela.

Nesta entrevista, Valmor Barbosa faz um passeio, senão por todas as obras, pelo menos pelas maiores, diz do tamanho delas, dos prazos e valores. A mais importante? “Entre tantas, é difícil selecionar uma. Creio que todas são marcantes”, diz.

É natural de Boquim e é formado em Engenharia Civil  pela Universidade Federal de Sergipe


JLPolítica – Secretário, assim a olho nu, o Governo de Sergipe, sob esta gestão de janeiro de 2015 pra cá, teria que arsenal de obra a mostrar para a sociedade?

Valmor Barbosa – Temos muitas obras em diversas áreas. A mobilidade é um dos segmentos bastante contemplados. Entregamos o Sistema Viário do Entorno do Aeroporto, o Sistema Viário do Centro Administrativo, a nova entrada de Aracaju pelas avenidas Lauro Porto e Santa Gleide, o Contorno Norte de Itabaianinha, o Contorno Leste Laranjeiras, as Rodovias do Arroz, em Propriá, Carira/Altos Verdes, Santa Luzia Crasto, a nova entrada de Tobias Barreto, a pavimentação de 18 ruas no loteamento Santa Tereza, a duplicação da Avenida Tancredo Campos e a segunda etapa da orlinha do bairro industrial. Também entregamos o Mercado e o Balneário Bica em Lagarto, uma escola profissionalizante em Nossa Senhora das Dores e outra em Poço Redondo, 600 unidades habitacionais em Nossa Senhora do Socorro e 580 no Porto D’antas, infraestrutura completa em dois residenciais com 610 casas em Tobias Barreto, além de uma adutora específica para ambos, o Espaço Zé Peixe, a reforma do Centro de Criatividade, o desmonte do Morro da Piçarreira e outras obras de menor porte, mas de grande importância social, a exemplo de quadras esportivas, pavimentação granítica em ruas de várias cidades do interior, reformas de escolas na capital e no interior, reforma de delegacia, terminal rodoviário, dentre outras.

JLPolítica – O senhor teria condições de dizer quantas delas foram entregues, quantas estão em realização e quantas estão licitadas ou em fase de? 
VB – No que compete à Seinfra e suas vinculadas (Deso, Cehop e DER), já concluímos 144 obras. Temos 87 intervenções em andamento e 118 delas em processo licitatório.

JLPolítica – Em valores financeiros atualizados, quanto estão em investimentos e quantos já o foram?

VB – Atualmente, o elenco de obras que o Estado possui em andamento resulta num investimento de R$ 639.424.880,33. São obras que mudarão a realidade da população, como é o corredor viário da Avenida João Rodrigues, que compreende a Duplicação da Avenida Euclides Figueiredo, e urbanização com calçadão e todos os equipamentos públicos necessários para o lazer e conforto também na Zona Norte. Outra grande obra que mudará Aracaju será a Interligação da Avenida Augusto Franco com a Avenida Gasoduto. Além desse grande volume de obras em andamento, ainda há obras em licitação prestes a iniciar e obras que ainda serão licitadas, como o capeamento e recapeamento de várias vias urbanas em rodovias, em sedes de municípios, reforma e ampliação de mais colégios estaduais, como a do Atheneu Sergipense, aguardadas pela população. Temos a construção de um Centro Profissionalizante em Simão Dias, a reforma e restauração do Terminal Rodoviário Luiz Garcia (conhecida como Rodoviária Velha), também a do Terminal Rodoviário em Santo Amaro das Brotas, reforma da 5ª Delegacia Metropolitana em Socorro, construção do Ceasa em Itabaiana que já foi licitada e diversas outras obras em todo o Estado que somam investimentos no valor de R$ 195.722.603,12, o que perfaz um valor acima de R$ 800 milhões no total.

JLPolítica – Qual dessas o senhor assinalaria como as mais importantes?
VB – 
Entre tantas, é difícil selecionar uma. Creio que todas são marcantes. A construção e entrega do mercado da cidade de Lagarto. A Fonte da Bica. A construção das rodovias Itaporanga/Itabaiana, SE 100, Japoatã/Propriá.  As do Arroz em Propriá, de Carira/Altos Verdes, Santa Luzia Crasto, o Sistema Viário do Centro Administrativo, a nova entrada de Aracaju pelas avenidas Lauro Porto e Santa Gleide, o Contorno Norte de Itabaianinha, o Contorno Leste Laranjeiras. A construção do Ginásio Poliesportivo de Itabaiana, o Centro de Reabilitação em Aracaju (CER IV), o Terminal Pesqueiro, a duplicação e o calçadão da Euclides Figueiredo, a ordem de serviço que se dará em agosto para a construção do Ceasa de Itabaiana, entre tantas outras obras de relevância.

JLPolítica – Que tipo de liberdade, ou mobilidade, o Estado ou a Seinfra obteve da Assembleia Legislativa recentemente, na lida com os recursos dos Proinveste?
VB – À Seinfra cabe a execução das obras, solicitadas e planejadas pelo governo.

JLPolítica – Quantos milhões do Proinveste o Governo tem em caixa?
VB – Quem pode falar nesse caso é a Secretaria da Fazenda, órgão que é gestor do contrato do Proinveste.

Foi diretor-presidente da Empresa Municipal de Obras e Urbanização – Emurb 


JLPolítica – Os itabaianenses teriam mais a comemorar pelo Ceasa ou mais pela estrada que os liga à BR-101, passando por Itaporanga?

VB – Creio que por ambas. Cada uma delas possui uma importância peculiar. A rodovia interligará a BR-235 à 101, facilitará o escoamento da produção não apenas oriunda de Itabaiana e cidades vizinhas, mas também dos municípios baianos que fazem fronteira e próximos ao Território Agreste, sem contar que melhorará o acesso dos moradores dos povoados dos municípios nos seus 52 km de percurso (Itabaiana, Areia Branca, Itaporanga D’ajuda e São Cristóvão) às suas sedes municipais e à capital, bem como valorizará os imóveis em suas imediações. Por sua vez, a Ceasa dinamizará ainda mais o comércio do território, uma vez que Itabaiana possui a maior feira-livre do interior sergipano. O município é um dos maiores produtores de alimentos e a maioria dos grandes projetos de irrigação está ali. Com a construção de um espaço adequado, o abastecimento regional, a distribuição e a exportação tendem a aumentar e fortalecer a economia.

JLPolítica – Quanto custará cada obra desta e quais suas características?
VB –
 Ambas fazem parte da cartilha de obras do Proinveste. A Rodovia Itabaiana/Itaporanga recebe R$ 58.140.592,81 em investimentos e interligará a BR-101, na altura do povoado Aningas, em São Cristóvão, passando por povoados dos municípios de Itaporanga e Areia Branca até encontrar-se com a BR-235 no povoado Rio das Pedras, em Itabaiana. Entrecortada por planaltos, vales e vegetação nativa, a rodovia atende ao padrão estabelecido nas novas estradas estaduais e terá dez metros de largura, sendo sete de pista de rolamento e três de acostamento, sistema de drenagem pluvial, sinalização horizontal e vertical, além da construção de duas pontes sobre riachos que cortam o percurso. Com investimentos de R$ 30.689.968,93 e a ser edificada na estrada para a Mata da Raposa, em um terreno de 34.528,87 m², a Ceasa terá uma área construída de 10.652,58 m², com três blocos, uma praça de alimentação, estacionamento para carga e descarga, guaritas, casas de lixo e gás, reservatório e castelo d’água. O bloco A será composto pelo setor administrativo (sete salas), 12 boxes destinados a grandes lojas de produtos diversos (artesanato, vestuário, embalagens, utensílios domésticos, farmácia, casa lotérica, entre outros), e dois espaços destinados a unidades bancárias, totalizando 1.470,30 m². Com 3.637,58 m² de área a ser construída, o segundo bloco (B) será destinado ao setor de varejo (produtos agrícolas) com 36 boxes destinados ao mercado do produtor e 55 boxes varejistas, todos eles com 12,00 m² de área.

JLPolítica – E como serão os espaços para os feirantes em si?
VB – Além dos boxes, serão construídas 54 pedras para varejistas, que somam 548,90 m² e quatro banheiros masculinos e quatro femininos, sendo que, metade serão específicos para pessoas com mobilidade reduzida. Destinado ao setor de atacado, o bloco C será o maior de todos, com área equivalente a 4.501,10 m² e comportará 61 boxes para frutas, legumes e hortaliças, 24 boxes para grãos, raízes e tubérculos, 25 boxes para açougue (carne bovina, suína, frango e pescado), todos eles com espaço de 24,00 m² e seis banheiros masculinos e femininos, dois exclusivos a pessoas com necessidades especiais. A Praça de Alimentação possuirá uma área de 867,18 m², com espaço para sete restaurantes e/ou lanchonetes, cada um com 24,00 m², sopão com área de 101,94 m², área de circulação, quatro banheiros masculino e feminino, sendo dois específicos às pessoas com dificuldades de locomoção.

JLPolítica – Por que o Ceasa de Lagarto não está em pleno funcionamento?
VB – Na realidade, o Governo do Estado construiu em Lagarto um mercado que é o mais moderno de Sergipe, com uma área de 9.510,79 m², em dois pavimentos interligados por uma moderna rampa de acesso. O espaço possui 223 boxes destinados à comercialização de carnes variadas e pescados e 383 boxes destinados à venda de frutas, legumes, verduras e cereais, além de uma praça de alimentação com 28 lanchonetes, setor administrativo com copa, ponto bancário, posto da guarda municipal, câmara fria com a maior capacidade de animais abatidos do estado, ambulatório e dependências essenciais. Em volta da área externa foram construídos 11 quiosques, estacionamento com 69 vagas para veículos automotores, área para carga e descarga de caminhões. O Governo entregou a obra em dezembro de 2016 à Prefeitura Municipal, a quem compete o seu gerenciamento.

“Entre tantas obras, é difícil selecionar uma. Creio que todas são marcantes”, diz 


JLPolítica – Afinal, a ponte entre Sergipe a Alagoas, acontece ou não sob este governo?

VB – Como se trata de recursos do Governo Federal e envolve outro ente federado, o Estado de Alagoas, Sergipe não tem o domínio sobre esta questão, cabendo mais diretamente ao Governo Federal a decisão final. Mas o Governo de Sergipe vem fazendo gestões junto aos órgãos competentes para a realização da obra no local indicado por Sergipe, por entender que é de grande importância para o desenvolvimento da região.

JLPolítica – Sim, este litígio entre fazê-la em Brejo Grande, como quer Sergipe, ou em Neópolis, como prefere Alagoas, pode ser superado?
VB –
 Sergipe defende e elaborou projeto para a construção da ponte entre Brejo Grande e o município de Piaçabuçu, em Alagoas. Porém, o governo alagoano deseja que seja entre Neópolis e Penedo. É uma questão que está sendo estudada pela equipe do Governo Federal no âmbito do Ministério do Turismo, a quem caberá determinar o local. Várias reuniões já foram realizadas entre os dois Estados e também com participação do Ministério do Turismo. As ponderações de cada lado foram feitas e cabe ao órgão federal decidir.

JLPolítica – Do ponto de vista geopolítico e econômico, esta ponte é mesmo necessária?
VB – Claro que sim. É uma obra viável e importante porque ligará toda a faixa litorânea dessa região do Nordeste. Com a construção por parte do Governo de Sergipe da Rodovia SE100, que liga Pirambu a Pacatuba, interligará os Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas até Pernambuco. É uma obra de extrema relevância para o turismo e colocará Sergipe no centro do fluxo turístico, levando desenvolvimento turístico, econômico e mobilidade para a região. O escoamento da produção da região se tornará mais acessível e rápido.

JLPolítica – O senhor acha que a obra do Hospital do Câncer se basta com menos de R$ 100 milhões? JB a entrega ou não?
VB – É importante lembrar que o Governo Jackson Barreto termina em 31 de dezembro de 2018 e a obra está prevista para uma duração de três anos, portanto não tem condições de entregar dentro do período desse governo. É perfeitamente plausível o valor citado para a realização dela, porém não podemos esquecer que após a entrega da obra de construção civil se terá toda uma necessidade de equipar o hospital e são equipamentos de alta tecnologia e de alto custo. Mas aí será uma outra questão em que novas formas de financiamento devem ser encontradas pela Secretaria de Saúde que com certeza conduzirá de forma competente.

“São obras que mudarão a realidade da população”, diz o engenheiro


JLPolítica –Qual é o investimento do Estado na reformulação do Centro de Convenções e quando ele ficará pronto?

VB – A obra foi orçada em R$ 20,7 milhões. Desse total, o Ministério do Turismo participa com R$19,7 milhões e como contrapartida do Governo do Estado, R$ 1 milhão.

JLPolítica – Ele ficará à altura de Sergipe ou será um pavilhão de eventos a mais?
VB – Essa é uma questão que só a Secretaria de Estado do Turismo pode responder, pois é a responsável pela obra e também o órgão que cria e tem a gestão das políticas públicas de Turismo.

JLPolítica – As obras da termelétrica passam pela Seinfra? Quanto de investimento sai de Sergipe para ali? 
VB –
 Estarão sob o acompanhamento da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia – Sedetec.

JLPolítica – A reforma do Aeroporto Santa Maria e do seu entorno levará quanto de investimento? 
VB – A previsão é de que a reforma custe em torno de R$ 85 milhões. Para concluir a pista de pouso de decolagens, a previsão é de R$ 25 milhões. As duas obras são de responsabilidade da Infraero. O Governo do Estado já investiu mais de R$ 50 milhões com o desmonte do Morro da Piçarreira e o sistema viário do entorno do aeroporto.

Sabe de cor e salteado o que foi feito,  o que está em execução e o que está em licitação


JLPolítica – O senhor não acha que Sergipe deu um tempo na fase das boas estradas?
VB – O Estado de Sergipe tem um alto investimento em rodovias, basta ver o número que foram construídas e que estão em construção. Agora, a frustação de receitas prejudica o investimento do Estado como um todo. Um ponto importante que devemos lembrar é que toda obra de construção de rodovias com todos esses programas de financiamento exige-se a participação do Estado com contrapartidas e inclusive o pagamento de indenizações. O Estado já pagou mais de R$ 50 milhões em desapropriações. Tudo isso são fatores somados à grave crise que o país atravessa, impedindo realização ainda maior do que a que está sendo feito. De 2007 para cá, Sergipe evoluiu muito quando se fala de rodovias. Foram construído mais de 400 km e recuperados mais de 500 km. Atualmente, o Governo está construindo várias rodovias, como as já citadas Arroz, em Propriá, Carira/Altos Verdes, as rodovias Itabaiana/Itaporanga D’ajuda, a SE 100 Pirambu/Pacatuba, Proinveste R$ 38,7 milhões, Japoatã/Propriá, Proinveste, R$14 milhões, Escurial/ Nossa Senhora de Lourdes, CIDE R$9,65 milhões e Nossa Senhora Aparecida/Cruz das Graças, CIDE R$ 2,992 milhões, dentre outras. Trata-se de um volume de investimento grandioso de R$ 123,5 milhões com esses programas.

JLPolítica – O Governo está em dia com suas obrigações junto aos empresários da construção?VB – Com relação às obras financiadas através dos programas e convênios, o Estado não tem problemas de pagamentos. Nas obras que são custeadas por recursos do tesouro do Estado, existe uma certa dificuldade devido à frustação de receitas, mas o Estado vem mantendo os investimentos e dentro do possível, honrando os compromissos como permite a realidade econômica atual.

JLPolítica – Quais foram os investimentos na Deso neste Governo?
VB – A Deso vem realizando inúmeras obras durante o Governo Jackson Barreto, a exemplo da implantação do Sistema de Esgotos Sanitários da Euclides de Figueiredo e de várias outras localidades na capital e no interior, reformas de várias Estações de Tratamento de Esgotos, como a do Orlando Dantas, esgotamento sanitário de Itabaiana, redes coletoras e emissários de várias subbacias na capital e interior, ligações de água tratada entre muitas outras obras em execução em todo território sergipano, representando um valor em execução de R$182 milhões, montante bastante representativo. Sem falar em diversas outras obras que serão licitadas e serão dadas as ordens de serviço por parte do executivo.