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Entrevista

Jozailto Lima

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Olivier Chagas: “Estou credenciado pro desafio de ser prefeito de Itabaiana”

Publicado em 27 de abril de 2019, 20h00

“Itabaiana precisa voltar a ser protagonista e polarizar com a capital”


Aos 50 anos, e depois de ter carregado muitas pedras da política sobre a cabeça, o itabaianense Olivier Chagas, PT, não alimenta mais dúvidas: chegou a hora de ser prefeito da sua Itabaiana não natal.

E, para começo de conversa, Olivier Chagas garante que se sente preparado, sim, para construir uma candidatura que lhe leve ao trono municipal em sucessão ao prefeito Valmir de Francisquinho no ano que vem.

“Me sinto sim. Sou advogado há 25 anos, fui militante do movimento estudantil, presidente da subsecção da OAB de Itabaiana, conselheiro estadual da OAB/SE, vereador da minha cidade, secretário de Estado da pasta do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, presidente da Adema e, desde os 16 anos, milito no mesmo partido político”, diz ele, apresentando suas credenciais.

“Por este histórico, e por me sentir vocacionado para a vida pública, às vezes gerando sacrifício familiar e profissional, entendo estar credenciado a tal desafio”, amplia ele. Para além dessas tais credenciais pessoais lá dele, Olivier parece focado numa quadra da política itabaianense que guarda uma especificidade única e muito particular.

Mas que quadra é essa? É a que pega o prefeito Valmir de Francisquinho já reeleito, portanto sem direito de disputar um novo mandato, contempla Luciano Bispo no comando da Alese, e restando dúvida de se a deputada Maria Mendonça teria paciência para voltar à disputa municipal.

Aí, no centro desse contexto, Olivier Chagas sabiamente sonha em puxar o osso do prestígio eleitoral de Luciano Bispo para o seu angu sucessório de 2020. “Luciano Bispo e Itabaiana me conhecem muito bem. Todos sabem do meu histórico, da minha origem familiar e como o nosso partido age com respeito e lealdade”, oferece-se.

“Fui candidato a vice­-prefeito de Luciano Bispo na eleição de 2012. Perdemos e, na eleição seguinte, fomos para a sua campanha de deputado de corpo e alma, o que lhe ajudou a ganhar e a se tornar presidente da Assembleia. Não é só Luciano, mas toda a sociedade e os grupos políticos de Itabaiana que sabem do nosso perfil ético. Não fazemos acordos às escuras, nem fugimos dos nossos compromissos”, completa a obra.

Mas, antes disso, Olivier sonha mesmo é com outra unção política nessa empreitada. “Quero ser o ungindo de Deus e o aprovado pelo povo de Itabaiana. Na verdade, tudo é construção, e o que me importa é um projeto político que seja apesentado ao povo com respeito e consistência de viabilidade”, diz.

E Olivier Chagas teria, segundo garante, esse tal projeto, que deve ser apresentado na hora certa à sociedade e à classe política. Para ele, Itabaiana tem que resgatar seu signo de avanço e de progresso no contexto de Sergipe.

“O povo de Itabaiana é inteligente e tenho certeza de que sabe que a nossa cidade precisa continuar crescendo, voltando inclusive a ser protagonista enquanto cidade do interior que polarizava com a capital”, diz ele.

Olivier Chagas acha que a sua condição de ex-secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos lhe deu muita régua e compasso para enfrentar o posto de gestor número um de Itabaiana. Acredita, inclusive, que essa Secretaria levou investimentos de mais de R$ 100 milhões para Itabaiana e todo o seu entorno.

Se Olivier Chagas não dissesse de público, ninguém jamais saberia de um detalhe curioso da vida dele: nasceu na cidade de São Paulo, no velho, bom e quase itabaianense Brás, daí o sua Itabaiana não natal do começo desse texto. Ele tem, no entanto, toda a anatomia clássica dos itabaianenses, como uma aguçada ironia, uma inteligência emocional sempre bem dosada e um humor perenemente ativado.

“Nasci em São Paulo, mas vivo em Itabaiana desde os seis anos de idade. Tenho inclusive título de cidadão itabaianense”, justifica ele. Nem carecia. Olivier é filho da dona de casa Eloísa Cândida das Chagas, uma paulista de Lorena, no Vale do Paraíba, e de Olívio Chagas, já falecido.

Este é um nordestino do povoado Serra de Itabaiana, um retirante que partiu para São Paulo na década de 50, onde foi desempregado, taxista e militar por acidente, ao entrar voluntariamente para o Exército Brasileiro no pós-Segunda Guerra Mundial. “Ele inclusive fez parte das tropas arregimentadas pela ONU, indo para a missão no Canal de Suez”, relembra o filho. Depois que saiu do Exército, Olívio Chagas foi caminhoneiro e comerciante em Itabaiana.

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Olivier Chagas: ainda no Brás, em SP, um bebê sob os malabarismos de afeto do pai Olívio Chagas
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Olivier Chagas tem 50 anos

MAS SERIA UM QUARTA VIA?
“Acho muito cedo para se falar em quantas vias teremos na eleição de Itabaiana. O prefeito Valmir já foi reeleito, o deputado estadual Luciano Bispo tem dito que não será candidato a prefeito e os Teles ainda não se manifestaram”

JLPolítica - O senhor se sente, politicamente, preparado para tentar construir uma candidatura a prefeito de Itabaiana para 2020?
Olivier Chagas -
M e sinto sim. Sou advogado há 25 anos, fui militante do movimento estudantil, presidente da subsecção da OAB de Itabaiana, conselheiro estadual da OAB/SE, vereador da minha cidade, secretário de Estado da pasta Meio Ambiente e Recursos Hídricos, presidente da Adema e, desde os 16 anos, milito no mesmo partido político. Por este histórico, e por me sentir vocacionado para a vida pública, às vezes gerando sacrifício familiar e profissional, entendo estar credenciado a tal desafio.

JLPolítica - Qual é a configuração do peso político do PT hoje dentro da política municipal de Itabaiana?
OC -
O PT já esteve representado na Câmara de Vereadores três vezes, inclusive numa delas por mim. Na última eleição, a de Governo de Estado e demais mandatos, apoiamos candidatos do nosso partido que saíram vitoriosos: os deputados estaduais Francisco Gualberto e Iran Barbosa, o federal João Daniel, a vice-governadora Eliane Aquino e o senador Rogério Carvalho. O nosso candidato a presidente da República, Fernando Haddad, teve 65,72% dos votos válidos contra 34,28% de Bolsonaro. Foi uma goleada.

JLPolítica - O senhor se consideraria uma quarta via, partindo-se do princípio de que Valmir de Francisquinho, Luciano Bispo e Maria Mendonça comporiam hoje as três demais?
OC -
Acho muito cedo para se falar em quantas vias teremos na próxima eleição de Itabaiana. O prefeito Valmir de Francisquinho já foi reeleito, o deputado estadual Luciano Bispo tem dito que não será candidato a prefeito e os Teles ainda não se manifestaram.

JLPolítica - Quais as chances de se repetir em Itabaiana em 2020 o mesmo arco de aliança que se deu em 2018 em torno de Belivaldo Chagas?
OC -
Se tivermos desprendimento para construir um projeto arrojado e moderno para a nossa cidade, e a maturidade de que as lideranças precisam ser ouvidas e ter oportunidades, esse será um caminho natural. Itabaiana não pode deixar de evoluir.

JLPolítica - E o que lhe leva a crer que poderia ser o senhor o ungido pelo grupo dos Bispo de Lima?
OC -
(Risos) Quero ser o ungindo de Deus e o aprovado pelo povo de Itabaiana. Na verdade, tudo é construção, e o que me importa é um projeto político que seja apesentado ao povo com respeito e consistência de viabilidade.

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Olivier Chagas é casado com a enfermeira Adeilma Barreto desde 1997

REPETECO EM 2020 DA ALIANÇA EM TORNO DE BELIVALDO?
“Se tivermos desprendimento para construir um projeto arrojado e moderno para a nossa cidade, e a maturidade de que as lideranças precisam ser ouvidas e ter oportunidades, esse será um caminho natural. Itabaiana não pode deixar de evoluir”

 JLPolítica - Que contrato de confiança o senhor teria a fazer com os Bispo de Lima para receber o apoio deles?
OC -
Ora, Luciano Bispo e Itabaiana me conhecem muito bem. Todos sabem do meu histórico, da minha origem familiar e como o nosso partido age com respeito e lealdade. Fui candidato a vice­-prefeito de Luciano Bispo na eleição de 2012. Perdemos e, na eleição seguinte, fomos para a sua campanha de deputado de corpo e alma, o que lhe ajudou a ganhar e se tornar presidente da Assembleia. Não é só Luciano, mas toda a sociedade e os grupos políticos de Itabaiana que sabem do nosso perfil ético. Não fazemos acordos às escuras, nem fugimos dos nossos compromissos.

JLPolítica - O senhor não acha que entre a assistente social Ana Cristina Machado Silva, esposa de Roberto Bispo e, logo, cunhada de Luciano Bispo, e o senhor, ela teria muito mais condições de cair nas graças do grupo dos Bispo de Lima?
OC –
 Olha, tenho o maior carinho e respeito pela minha amiga Ana Cristina e pelo esposo dela, o Roberto Bispo. Ela é boa gente e uma excelente profissional. Servidora pública, inclusive. Mas acho que política não deve ter como parâmetro cair na graça de “grupo”. Precisa, sim, é de um projeto político de qualidade, que abarque as necessidades de Itabaiana, que é uma das mais importantes cidades do nosso Estado.

JLPolítica - É hipótese impossível e plenamente descartada a de o senhor ser o escolhido dos grupos de Valmir de Francisquinho ou dos Teles de Mendonça?
OC -
 Há algumas eleições que nós do PT e esses dois grupos, Valmir e Teles de Mendonça - que romperam recentemente -, fazemos política em projetos diferentes. Na eleição passada, nós fizemos campanha e trabalhamos para o governador Belivaldo Chagas. Nosso compromisso é com um projeto de eficiência e modernidade para Itabaiana. Mas se a sua pergunta é se algum deles apoiaria o nosso projeto, isso de fato só eles poderiam responder.

JLPolítica - Olhando hoje para o processo sucessório municipal de Itabaiana, como é que o senhor fotografa as pretensões dos três grupos do município? Valmir não terá direito à reeleição. O senhor vê Luciano Bispo e Maria Mendonça se expondo pessoalmente à disputa?
OC -
 Vejo esse quadro com normalidade. É legítimo que todos lutem por seus espaços. Como você diz, Valmir não pode mais ser candidato, porque é reeleito. Luciano Bispo tem dito expressamente que não será candidato, enquanto que de Maria Mendonça ainda não ouvi nada.

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Com quem tem três filhos - Ícaro, de 14 anos, Gabriel, de 11, e Lucas, de seis

NA POLÍTICA NÃO VALE PARÂMETRO PARENTESCO
“Tenho o maior carinho e respeito pela minha amiga Ana Cristina e pelo esposo Roberto Bispo. Ela é boa gente e uma excelente profissional. Mas acho que na política não deve ter como parâmetro cair na graça de “grupo””

JLPolítica - O senhor não teme que, nesta hora em que se busca renovação da política, com chances dos não-políticos, figuras empresariais como José Corcino de Melo, da Credimóveis, Ricardo Barbosa, Conceição Sobral Arrojado, Agnaldo de Verso, Messias Peixoto, ligados aos três grupos da cidade, possam tomar a cena dos políticos, digamos, profissionais?
OC -
Primeiro, quero dizer que conheço todos os nomes que você cita e que são meus amigos. Segundo, que essa hipótese não me preocupa. Mas por que? Porque é legítimo que todos possam pleitear. Aqueles que quiserem, devem sim participar da eleição, se candidatando. Isso é natural e importante para a democracia.

JLPolítica - O município sente falta de uma renovação? Em qual dos empresários citados na pergunta anterior o senhor veria vontade de ir à disputa política pelo mando municipal?
OC -
Necessidade de renovação, há sim, e sempre. Mas esta pergunta sugiro que seja feita a cada um eles. Agora, uma coisa é certa: todas estas pessoas que você cita, de alguma forma, já são gestoras do nosso município. Porque são empreendedores destemidos que geram emprego, renda, impostos, participam dos festejos religiosos, da vida social, como também de entidades como Rotary, CDL, Maçonaria e Associação Comercial. 

JLPolítica - O que é que o senhor, enquanto pré-candidato, pensa para uma gestão diferente de Itabaiana?
OC -
O povo de Itabaiana é inteligente e tenho certeza de que sabe que a nossa cidade precisa continuar crescendo, voltando inclusive a ser protagonista enquanto cidade do interior que polarizava com a capital.

JLPolítica - O que ela precisa para avançar nisso?
OC -
A futura gestão em Itabaiana precisa ouvir a todos, saber intervir de maneira a fomentar os diversos setores da economia: o comércio, a indústria, os serviços, o produtor rural, o setor de transporte – tudo isso para crescer mais em geração de renda e emprego. Também neste projeto, com a mesma atenção, precisa discutir com a comunidade acadêmica- professores, estudantes e pais de alunos - sobre o ato de inovar as nossas escolas, o nosso modelo educacional, e reestruturar a rede municipal de saúde pública, valorizar o servidor para melhorar o serviço oferecido ao cidadão. Nossa cidade precisa investir na chance de ter projetos. Mas projetos bons, bem elaborados, para que assim a gente tenha condições de captar recursos, de chamar a atenção para nossa potencialidades como o turismo. Nós temos uma serra linda, nela o Parque dos Falcões, um museu da música belíssimo, riquíssimo em cultura e história, mantido pela mais antiga instituição musical do Brasil. Temos um comércio extraordinário (aí incluído o nosso Shopping). Nossa rede de restaurantes e churrascarias é fantástica. Todavia, volto a ressaltar: tudo isso só será possível de avanços se tivermos um excelente projeto, fruto de uma ampla discussão com todos, e contar com uma equipe boa, dedicada, com profissionais qualificados. Nada de amadorismo. 

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Ele tem seis irmãos - quatro homens e duas mulheres.

LIBERDADE PRA RENOVAR A POLÍTICA COM EMPRESARIADO
“Necessidade de renovação, há sim, e sempre. É legítimo que todos possam pleitear. Aqueles que quiserem, devem sim participar da eleição, se candidatando. Isso é natural e importante para a democracia”

JLPolítica - O município de Itabaiana poderia ter êxitos exuberantes em outras áreas, como o tem em negócio/comércio e na agricultura familiar?
OC -
Creio que sim. Veja a cultura: temos muitos talentos que precisam ser melhor aproveitados nas artes cênicas, na música, na escultura, no cinema, no esporte, além de outros vieses que podemos descobrir conversando com o nosso povo.

JLPolítica - O que falta para encaminhá-lo nesta direção?
OC -
Falta atenção, apoio, o fomento da gestão pública, para valorizar os nossos talentos, as nossas vocações.

JLPolítica - O senhor chegou meio que desacreditado na Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Mas acha que se saiu bem nela e dela?
OC -
Eu não diria desacreditado. Mas fui visto com certa desconfiança. Então trabalhamos muito e graças ao empenho da nossa equipe, creio que correspondemos com a confiança, representamos o nosso papel bem dentro do governo e levamos bom serviço aos sergipanos.

JLPolítica - Qual foi o maior impacto da experiência de gestor executivo que a sua condição de secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos lhe rendeu?
OC -
Ah, ela me rendeu muitas coisas positivas: o fato de criar relações aqui em Sergipe com os colegas secretários, de lidar diretamente com prefeitos, vereadores e lideranças, de despachar com o governador e lhe prestar contas do nosso trabalho, de estar em Brasília nos ministérios, no congresso nacional, no Banco Mundial, de comandar uma equipe maravilhosa, foi muito aprendizado, muito crescimento. E tudo isso coroado com os resultados de levar para o povo ações positivas e benefícios, que foram muitos. 

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É militante histórico do PT de Lula

OS PASSOS PARA UMA FUTURA GESTÃO
“A futura gestão em Itabaiana precisa ouvir a todos, saber intervir de maneira a fomentar os diversos setores da economia: comércio, indústria, serviços, produtor rural, setor de transporte. Também precisa discutir com a comunidade acadêmica”

JLPolítica - Cite um?
OC -
Cito o Programa Água Doce que, através de sistemas de dessalinizadores, leva água de qualidade a comunidades longínquas, no alto sertão, onde chove pouco, não tem abastecimento da Deso, o IDH é baixo e a mortalidade infantil está além da média. É muito gratificante levar coisas boas a pessoas, especialmente às mais carentes.

JLPolítica - Durante a sua gestão, a ação da ex- Secretaria de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de alguma forma chegou a Itabaiana e em seu entorno?
OC -
Garanto que sim. E, mais do que isso: chegou de forma bem acentuada. O Governo do Estado investiu em Itabaiana e no seu entorno, só através da Secretaria de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos – Semarh -, hoje Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade - Sedurbs -, cerca de R$ 100 milhões. É o maior conjunto sincronizado de obras estruturantes que se realizou na história do município. O Programa Águas de Sergipe é um dos principais do Governo, que envolve um valor global de US$ 112 milhões, viabilizando cerca de 80 ações dentro da Bacia do Rio Sergipe. Das obras que beneficiam Itabaiana de forma direta, posso citar a recuperação dos perímetros irrigados da Ribeira e Jacarecica II (substituindo todo o sistema de capitação, tubulação e distribuição de água, que gera economia de água e de energia); reflorestamento de matas ciliares nas áreas de preservação permanente do perímetros irrigados Jacarecica I e II e Ribeira; Painel de Segurança de destas barragens citadas para prevenir incidentes de deterioração/rompimento; capacitação dos agricultores e de suas famílias para uso sustentável da agricultura através da agroecologia, bem como sobre o uso correto de agrotóxicos; construção de Estações Elevatórias e de Tratamento e Esgoto; reestruturação da rede de esgoto do município, e a obra da macrodrenagem para evitar alagamentos na cidade.   

JLPolítica – Com o fim da Secretaria de Estado Secretaria de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos o senhor virou superintendente Especial de Recursos Hídricos do Governo do Estado de Sergipe e esse espaço pertence ao grupo de Jackson Barreto. O senhor será ou não mantido aí?
OC –
 Não. Ficarei no cargo apenas até o dia 30.

JLPolítica - Mas, fora do Governo por mais de um ano até as eleições de 2020, enfraqueceria sua intenção de disputar a Prefeitura de Itabaiana, ou isso não alteraria rumos?
OC –
Não me preocupo com isso. Creio que não influencia, pois continuarei trabalhando, poderá ser na iniciativa privada, em meu escritório de advocacia, ou mesmo pode ocorrer de ocupar outro espaço no governo, caso o governador Belivaldo Chagas me convoque. Estou à disposição porque sou um soldado do grupo.

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E de Marcelo Déda

APRENDIZADO COMO SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE
“Me rendeu muitas coisas positivas: o fato de criar relações em Sergipe com colegas secretários, de lidar diretamente com prefeitos, vereadores e lideranças, de despachar com o governador, de estar em Brasília nos ministérios - foi muito aprendizado”

JLPolítica - Do ponto de vista institucional, nos campos da governabilidade e do desenvolvimento econômico, qual é a leitura que o senhor faz da gestão de Jair Bolsonaro na Presidência da República?
OC -
 Vejo o Governo de Bolsonaro, infelizmente, como um desastre. Digo infelizmente porque quem perde com isso somos todos nós, especialmente os mais pobres, mas os ricos também, porque as mazelas sociais atingem direta ou indiretamente a todos. Veja estes dois exemplos: reforma da Previdência e a privatização do patrimônio público.

JLPolítica – O se passa com eles?
OC -
No primeiro caso, é para cortar valor e dificultar benefícios dos pobres, inclusive aqueles que recebem o BPC, pensionistas e trabalhadores rurais. Isso é ruim para todos, pois não só empurrará as pessoas para a miserabilidade, como também desaquecerá a economia. Dinheiro na mão do pobre é a certeza de que ele vai gastar no mercado local, interno e fará gerar riqueza. Tenho certeza de que estas medidas afetarão diretamente o nosso comércio itabaianense. Por outro lado, as privatizações estão sendo uma maneira vergonhosa de entregar as nossas riquezas, algumas estratégicas, como o petróleo, o que interfere até em nossa soberania.

JLPolítica - O senhor vê erros ou acertos no pedido de impeachment feito pelo senador sergipano Alessandro Vieira contra dois ministros do STF?
OC -
Confesso que não conheço o teor dos argumentos dele, mas a priori acho uma pretensão exagerada, precipitada. Se foi pelo erro de censurar a imprensa, já foi corrigido pelo caminhos da legalidade. Se foi por instaurar processo investigativo no âmbito do STF, também errado, o feito não prosperará, caso o Ministério Público deixe de proceder denúncia criminal. Já se houve má-fé nestes erros, aí estão a Corregedoria, o Conselho nacional da Justiça, dentre outros órgão para providências.  

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Com Belivaldo Chagas em 2018: sonha essa parecia em Itabaiana em 2020