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Entrevista

Jozailto Lima

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Pedro Litsek: “Sergipe será um dos dois maiores produtores de energia do Brasil”

Publicado em 2 de fevereiro de 2019, 20h00

“Com a Celse, estamos falando de investimentos de R$ 6 bilhões”

Para o ano de 2019, o Estado de Sergipe tem uma previsão orçamentária de R$ 9,9 bilhões a ser realizada - isso é a somatória de todos os recursos que devem cair no caixa estadual, das receitas próprias às do Fundo de Participação do Estado. Apesar das carências do Estado, são muitos recursos.

E esses R$ 9,9 bilhões servem de parâmetro comparativo para o investimento de R$ 6 bilhões que a Celse - Centrais Elétricas de Sergipe - está fazendo neste Estado desde 2017 para torná-lo, segundo previsões desta companhia, um dos dois maiores produtores de energia do Brasil.

Tudo isso virá da Usina Termelétrica Porto de Sergipe, instalada no município da Barra dos Coqueiros, no imenso terreno onde um dia se sonhou o Polo Cloroquímico de Sergipe, e que tem dia e ano para começar produzir energia elétrica: 1º de janeiro de 2020. Pelos números, vê-se que não se trata de pouca coisa. É algo hiperbólico.

“Se já estivesse em funcionamento, a Celse hoje seria capaz de abastecer 15% de toda a demanda de energia do Nordeste. Se não me engano, acho que a capacidade de Xingó é de 3.000 MW - então a Celse seria, em termos de capacidade instalada, metade de Xingó - mas estou certo de que Xingó está produzindo na casa dos 600 MW”, diz Pedro Litsek, diretor-presidente da Celse. Logo, a Celse equivalerá, por aproximação, a três Xingós quando ligar a sua alavanca de sua produção.

Isso, na avalição de Pedro Litsek, um engenheiro Mecânico formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, botaria Sergipe num panteão jamais imaginado até 2015, quando a EBrasil - uma das empresas mantenedora da Celse - ganha um leilão para produção de energia via termelétrica.

“Em termos de produção, com a Celse Sergipe será um dos dois maiores produtores de energia do Brasil. E isso daí tem toda uma parte de impostos que a gente vai recolher, como ISS, o ICMS” diz ele. Desde já, a Celse já abarca Sergipe positivamente a partir de 2017, quando começam as obras civis de montagem da planta industrial da termelétrica na Barra. Aliás, são entre 2,8 mil e 3 mil empregos diretos, com atenção especial ao homem local ou regional.

  Mas o mais significativo de tudo isso é que a Usina Termelétrica Porto de Sergipe da Celse, apesar do seu peso e do faturamento de R$ 1 bilhão por ano - nasce com paridade de faturamento com o Grupo Samam, de 90 anos e um dois mais sólidos do Estado -, não será uma unidade que encerre em si mesma todo o potencial econômico.

A Celse é - todos apontam - apenas um ponto de partida para uma onda de desenvolvimento socioeconômico que virá para Sergipe através dela. Através do gás natural liquefeito que ela vai oferecer, trazido do Qatar, lá na Península Arábica. “Eu espero que Sergipe consiga utilizar muito dessa disponibilidade de gás e a gente consiga atrair indústrias, novos empreendimentos”, pontua Litsek.

“Só pra lhe dar um exemplo: a Golar Power tem um projeto para abastecer caminhões e ônibus com gás natural liquefeito, em substituição ao diesel. O gás natural liquefeito é 30% mais barato que o diesel - então por que não criar uma frota de caminhões, por exemplo, utilizando GNL? Imagina uma transportadora diminuir o seu custo de combustível em 30%! Isso é maravilha. Então, quem sabe a gente não começa a partir daqui de Sergipe criar esse negócio e não consegue colocar por aqui uma montadora de caminhões acionados a gás natural liquido?”, afirma Litsek.

No entorno da Celse pode nascer um novo parque industrial?, pergunta-lhe o JLPolítica? “Poderia, sim. Eu acho que tem tudo para isso acontecer. A ideia, inclusive, é essa. É o que a gente gostaria de ver acontecer”, diz ele. O diretor-presidente da Celse diz que a companhia sonha, ainda, como um dos seus subprodutos, com o desenvolvimento da pesquisa científica do Estado, e garante que vai ter uma relação de perto com as instituições de pesquisas, sobretudo as universidades. Para isso, obrigatoriamente, a Celse destina 1% do seu faturamento.

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Nasceu no Rio de Janeiro no dia 17 de julho de 1960
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É engenheiro Mecânico formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

DA USINA TERMELÉTRICA PORTO DE SERGIPE
“A termelétrica da Celse é uma usina que a gente chama de ciclo combinado, formada por três turbinas a gás e uma turbina a vapor, que começa com produção de 1.551 MW”

JLPolítica - O que é, em síntese, a Usina Termelétrica Porto de Sergipe, da Celse, quando começa a funcionar e quantos MW de energia inicia gerando?
Pedro Litsek -
A termelétrica da Celse é uma usina que a gente chama de ciclo combinado, formada por três turbinas a gás e uma turbina a vapor, que começa com produção de 1.551 MW. Além da usina em si, teremos uma linha de transmissão que a conecta ao sistema interligado da Subestação do Jardim e tem o sistema também de regaseificação do gás natural liquefeito, composto de um navio regaseificador que vai ficar ancorado há 6 quilômetros da costa de Sergipe e será ligado à termelétrica através de um gasoduto. 

JLPolítica - O que é que os senhores processarão? Vão receber gás de onde e fazer o que com ele?
PL -
A gente vai receber o gás na forma líquida. Esse gás virá do Qatar transportado por navios a menos 160ºC. Esse navio vai chegar aqui na Costa de Aracaju, atracar ao lado de uma unidade que chamamos de FSRU (Floating, Storage, Regasification Unit) que armazenará o gás natural liquefeito. Toda vez que a usina precisar desse gás ele aquece e o transforma da forma líquida para a gasosa, escoa através do gasoduto e chega na usina para a produção da energia. 

JLPolítica - A Ebrasil, em parceria com a Golar Power, tem na Celse seu primeiro negócio de energia ou já atua nesse ramo em outras partes do mundo? 
PL -
A Celse hoje tem dois acionistas. Uma é a Golar Power e a outra é EBrasil. Cada uma dessas duas empresas tem 50% das ações da Celse. A Golar Power por sua vez tem como acionistas a Golar LNG, que é uma empresa Norueguesa, e a Stonepeak Infrastructure Partners, um fundo de investimentos americano. Já a EBrasil não. Ela é uma empresa brasileira, que já está no mercado de energia há algum tempo. Ela tem três projetos de geração térmica que já estão atuando faz algum tempo. São projetos evidentemente menores, somando uns 700MW. Mas diria que é uma empresa já de tradição no setor.

JLPolítica - Mas dizem que a Celse é uma empresa sergipana, outros falam que tem um pé pernambucano e a alma norueguesa. Afinal, o que é e de onde vem a Celse? 
PL -
Pois é: a Celse tem essas três vertentes. Mas eu, pessoalmente, acho que uma empresa que se estabelece num Estado tem que se transformar naquele Estado, ser um pouco daquele Estado. Então tudo que a gente for fazer aqui na esfera da Celse, gostaria muito que o fosse dentro da tradição do Estado. Ou seja, os projetos de Lei Rouanet, os projetos de P&D, tudo eu gostaria que fosse feito aqui dentro. 

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Reinaguração do Arquivo Público de Sergipe: a Celse parceira do Governo

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“A Celse é um projeto que tem três unidades de turbinas a gás e uma turbina a vapor - esse é o projeto principal. Os acionistas têm mais duas licenças ambientais para Sergipe. Ali do lado da Celse a gente poderia fazer mais uma unidade de 600 MW e outra de 1,200 MW”

JLPolítica - O senhor diria que a Celse é tudo isso, mas com alma sergipana? 
PL -
Com uma alma sergipana, exatamente.

JLPolítica - A Celse é responsável pela Usina Termelétrica Porto de Sergipe. Mas como se configura esse o Complexo de Produção de Energia? Ela terá quantas outras unidades? 
PL - 
A Celse hoje é um projeto que tem três unidades de turbinas a gás e uma turbina a vapor - esse é o projeto principal. Agora, os acionistas da Celse têm mais duas licenças ambientais para Sergipe. Ali do lado da Celse a gente poderia fazer mais uma unidade de 600 MW e mais uma unidade de 1200 MW - lembrando que a Celse tem os 1.551 MW. Então a gente tem hoje licenças para uma usina que é 1/3 da Celse e uma que é 2/3. Se essas duas forem construídas, poderemos duplicar a capacidade instalada no local.

JLPolítica - Qual o valor dos investimentos da UTE Porto de Sergipe no modelo atual?
PL -
Olha, hoje, com a Celse, nós devemos estar falando aí em torno de R$ 6 bilhões, dos quais mais ou menos R$ 1,3 bilhão a R$1,4 bilhão são oriundos de dinheiro próprio dos acionistas. O restante é de financiamento internacional.

JLPolítica - Hoje, nas obras de construção civil para preparar a UTE, são gerados quantos empregos diretos? 
PL -
A gente deve estar hoje com algo na ordem de 2,8 mil a 3 mil trabalhadores mobilizados. 

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“A gente entendeu isso como um pedido bacana", avalia, sobre as intervenções de JB em favor de Sergipe

INVESTIMENTO DE MAIS DA METADE DO ORÇAMENTO DE SERGIPE
“Hoje nós devemos estar falando aí em torno de R$ 6 bilhões, dos quais mais ou menos R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão são oriundos de dinheiro próprio dos acionistas. O restante é de financiamento internacional”

JLPolítica - O que é uma termelétrica no modelo da que a Celse está a montar em Sergipe? 
PL -
Uma termelétrica hoje é a forma mais eficiente de produção de energia elétrica, a menos agressiva com o meio ambiente que se pode ter de uma geração que a gente chama de firme. Ou seja, se eu precisar dela eu a tenho inteira, diferentemente de uma hidrelétrica, que depende das chuvas ou de uma eólica ou solar, que dependem dos ventos e do sol. Então, de todas as formas de geração de energia que existem hoje, termelétrica é aquela capaz de dar exatamente aquilo que se precisa, na hora que se precisa. Esse, ao meu ver, é o melhor projeto que existe.

JLPolítica - Ela é uma produção modular, se pode produzir o tanto de energia que se queira?
PL –
Sim. Eu posso modulá-la, apesar de a forma como eu vendi a energia é pra gerar ou 0 ou 100% dessa energia.

JLPolítica - De onde e como virá para Sergipe o gás que gerará a energia dela?  
PL -
O gás vem do Qatar, na Península Arábica. A gente tem um contrato com uma empresa chamada Ocean LNG. Ela é uma joint venture da Qatargás e da Exon, e esse gás virá de navio do Qatar até aqui.

JLPolítica - Que estudos garantem que esse modelo de energia seria mais barato que a produzida pelas hidrelétricas, ou a eólica ou solar?
PL -
É difícil você falar em custo, porque a geração termelétrica é em geral mais cara do que todas essas que você está citando. Acontece que a da termelétrica é aquela energia que se faltar as outras, ela é ativada. Então entre os projetos termelétricos que existem hoje, esse é provavelmente o mais barato.

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"A gente segue tendo uma ótima relação com o Governo do Belivaldo Chagas", comemora

O GÁS DA PENÍNSULA ARÁBICA ATÉ SEREGIPE
“O gás vem do Qatar, na Península Arábica. A gente tem um contrato com uma empresa chamada Ocean LNG. Ela é uma joint venture da Qatargás e da Exon, e esse gás virá de navio do Qatar até aqui”

JLPolítica - A Celse tem projetos de atuar na produção dessas chamadas energias limpas e renováveis? 
PL -
Não. Hoje a gente não tem nenhuma previsão de atuar nesses projetos.

JLPolítica - Qual é a tradução da capacidade instalada da Celse, de 1.551 MW de energia, comparada com o que se produz hoje no Nordeste? Ou talvez com Xingó?
PL -
Olha, se já estivesse em funcionamento, a Celse hoje seria capaz de abastecer 15% de toda a demanda de energia do Nordeste. Se não me engano, acho que a capacidade de Xingó é de 3.000 MW - então a Celse seria, em termos de capacidade instalada, metade de Xingó – mas estou certo de que Xingó está produzindo na casa dos 600 MW. Mas do ponto de vista de energia gerada, nós vamos ser muito maiores que Xingó. Porque Xingó tem o problema de água, e hoje você sabe que o São Francisco está gerando muito pouco. Então, apesar de Xingó ter uma capacidade instalada elevadíssima, a geração, de fato, tem sido muito mais baixa.  

JLPolítica - Como é que se darão - ou já estão se dando - as obras submarinas e as instalações da subestação de energia e das linhas de transmissão? 
PL -
A parte das linhas de transmissão está praticamente quase toda concluída. Da parte submarina, o gasoduto está instalado e agora a próxima grande obra é a instalação do sistema submarino de fundeio do navio - onde ele ficará fundeado enquanto libera o gás necessário. Ele já chegou, está aguardando a liberação alfandegária e a partir da semana que vem, provavelmente, a gente inicie a instalação dele.

JLPolítica - Qual é a tradução da instalação de fundeio? Ele vai ter uma base de fundeamento melhor para hospedar? 
PL -
O navio vai estar há 6 quilômetros da costa, numa lâmina d’água de mais ou menos 20 metros de profundidade, e então no fundo do oceano vamos cravar uma estrutura bastante grande que vai servir para prendê-lo. Esta embarcação está indo hoje num trajeto de Singapura para Camarões, onde vai carregar de gás e vir pra cá. Ele vai chegar aqui em Sergipe mais ou menos na segunda metade de março. Então, todo esse sistema está sendo montado para que o navio já chegue com a instalação da âncora concluída.

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"Uma termelétrica hoje é a forma mais eficiente de produção de energia elétrica", assegura

CELSE SERIA CAPAZ DE ABASTECER 15% DO NORDESTE
“Se já estivesse em funcionamento, a Celse hoje seria capaz de abastecer 15% de toda a demanda de energia do Nordeste. A capacidade de Xingó é de 3.000 MW - então a Celse seria, em termos de capacidade instalada, metade de Xingó. Mas Xingó está produzindo na casa dos 600 MW”

JLPolítica - Esse navio ancorado tem que período de durabilidade na oferta de gás?
PL -
Se a usina estiver operando em capacidade nominal (o que é capacidade nominal? A 100% DE SUA CAPACIDADE), esse gás dura mais ou menos 16 dias.

JLPolítica - A Empresa Celse tem elo ou link com distribuidoras de energia do Brasil para vender o seu peixe energético quando chegar a hora da sua pescaria?
PL -
Os leilões são feitos de maneira que, ao final deles, você assina contratos de suprimento de energia com todas aquelas distribuidoras que compraram energia naquele leilão. Ou seja, hoje a gente tem contato com 26 distribuidoras. A Energisa de Sergipe, por exemplo, comprará 1% da nossa energia. A Light, do Rio de Janeiro, acho que são 11%. 

JLPolítica - O uso do gás em forma líquida é uma solução tecnológica que se extingue na produção da energia elétrica, ou ele poderá abrir oportunidades de outros negócios futuros?
PL -
Esse é um ponto importante, porque espero que a gente não veja Celse como um projeto termelétrico que está aqui e pronto. Na verdade, a gente quer que a Celse seja um polo de gás. A gente espera poder atrair, a partir da Celse, outras indústrias que se beneficiem dessa disponibilidade de gás.

JLPolítica - Por que Sergipe foi o Estado escolhido para que a Celse atracasse aqui o projeto dela?
PL -
Para se instalar um projeto termelétrico, precisa-se basicamente de três coisas: ter uma subestação com capacidade de receber aquele energia que está sendo gerada; ter acesso à água de resfriamento e ter acesso ao gás. Então, quando esses empreendedores começam a procurar um local para licenciar um projeto, encontraram isso justamente aqui em Sergipe. Primeiro você tem a subestação de distribuição, que é grande e suficientemente capaz de escoar toda essa energia produzida. O terreno onde a gente está se instalando é próximo do mar - então a gente tem a água do mar para o resfriamento e, vamos dizer assim, uma condição de ancoragem de navio que permite que a gente pare esse navio em segurança por aqui. Esses três ingredientes estavam aí. A gente usou eles. 

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Em reunião com o reitor Jouberto Uchoa, da Unit

UM NAVIO DE GÁS ANCORADO NO MAR
“O navio vai estar há 6 quilômetros da costa, numa lâmina d’água de 20 metros de profundidade, e no fundo do oceano vamos cravar uma estrutura bastante grande que vai servir para prendê-lo. Esta embarcação está num trajeto de Singapura para Camarões”

JLPolítica - Quais as dificuldades encontradas na construção de uma relação institucional com Sergipe para tocar em frente este projeto? Ou não houve qualquer tipo de dificuldade? 
PL -
Eu diria que praticamente não houve quase nenhuma. O nosso relacionamento com as instituições sergipanas foi sempre excelente. A gente teve uma ótima interlocução na época do governo do Jackson Barreto e a gente segue tendo uma ótima relação com o governo do Belivaldo Chagas. Com a Prefeitura de Barra dos Coqueiros também. Eu diria pra você que estamos supercontentes com a forma com qual fomos recebido aqui.

JLPolítica - O senhor está no projeto desde o começo ou chegou depois? 
PL -
Eu cheguei nesse projeto em julho de 2017. 

JLPolítica - Os empresários sergipanos se queixam muito de que não foram demandados para a construção das obras locais da companhia que o senhor representa. Isso é fato até em que grau?
PL -
É fato em parte. Primeiro, essa é uma obra que tem uma certa sofisticação - então precisa-se ter empresas de porte para os grandes pacotes. Falo de pacote de civil, pacote de montagem eletromecânica - nos exige-se empresa com expertise. Mas veja: a gente tem hoje 70 empresas sergipanas contratadas na obra, entre vários tipos de empresas, que vão desde as de transporte às de alimentação. As obras que a gente está fazendo, por exemplo, as de reforma desses prédios públicos, o são todas com empresas sergipanas.

JLPolítica - Então as queixas procedem somente em parte?
PL -
Se você pensar pelo ponto de vista do montante de investimento e do quantitativo desse investimento que foi pra Sergipe, procedem quando vê-se que a obra terá custado R$6 bilhões e o que ficou para as empresas sergipanas - eu não lembro-me exatamente do valor, mas vamos pensar aí em R$ 200 milhões. Do ponto de vista do valor, diria que procede. Mas com um atenuante: aqui a gente não tem empresas com tanta envergadura pra poder, vamos dizer assim, contratar para algum pacote que seja realmente relevante. Pense bem: desses R$ 6 bilhões, eu diria pra você que R$ 4 bilhões são de equipamentos importados. 

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Palestrando em almoço com empresários

UMA EMPRESA FOMENTADORA DE OUTRAS EMPRESAS
“Espero que a gente não veja Celse como um projeto termelétrico que está aqui e pronto. A gente quer que a Celse seja um polo de gás. A gente espera poder atrair, a partir da Celse, outras indústrias que se beneficiem dessa disponibilidade de gás”

JLPolítica - Depois de prontas, com toda as suas fases de expansão, a Celse terá que grau de importância para a economia sergipana? 
PL -
Eu acho que vai ser um grau de extrema importância a partir do momento em que, em termos de produção, com a Celse, Sergipe será um dos dois maiores produtores de energia do Brasil. E isso daí tem toda uma parte de impostos que a gente vai recolher, como ISS, o ICMS. Então vai ter uma relevância, sim.

JLPolítica - Essa energia facultará o desenvolvimento derivado e progressivo de Sergipe com atração de novos investimentos, ou toda ela vai ser vazada integralmente para fora?
PL -
Eu espero que Sergipe consiga utilizar muito dessa disponibilidade de gás e a gente consiga atrair indústrias, novos empreendimentos. Só pra lhe dar um exemplo: a Golar Power tem um projeto para abastecer caminhões e ônibus com gás natural liquefeito, em substituição ao diesel. O gás natural liquefeito é 30% mais barato que o diesel - então por que não criar uma frota de caminhões, por exemplo, utilizando GNL? Imagina uma transportadora diminuir o seu custo de combustível em 30%! Isso é maravilha. Então, quem sabe a gente não começa a partir daqui de Sergipe criar esse negócio e não consegue colocar por aqui uma montadora de caminhões acionados a gás natural liquido?

JLPolítica - No entorno da Celse pode nascer um novo parque industrial?
PL -
Poderia, sim. Eu acho que tem tudo para isso acontecer. A ideia, inclusive, é essa. É o que a gente gostaria de ver acontecer. 

JLPolítica - Qual o faturamento previsto para a Celse no ponto máximo de maturação, e isso ser dará quando?
PL –
Por esse contrato, vamos falar o que seria nossa previsão de faturamento só por conta da receita, que a gente precisa de receita fixa - o EBITDA (faturamento antes do imposto de renda) da Celse deve ser da ordem de R$ 1 bilhão por ano. Agora, o que acontece é que a gente tem duas receitas. Uma é a fixa, que remunera o investimento e o custo fixo e é pago mensalmente pelas distribuidoras, e tem uma receita variável que remunera basicamente o gás quando a usina está operando. Então, é difícil falar
em faturamento, porque se em um ano eu não despacho nada, meu faturamento é um. Mas se no ano seguinte despacho muito, meu faturamento pode ser o dobro.                                                                                                      

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Solenidade de entrega do navio Regaseificador Golar Nancok na Coréia do Sul

DA IMPORTÂNCIA DA CELSE PARA A ECONOMIA SERGIPANA
“Vai ser um grau de extrema importância a partir do momento em que, em termos de produção, com a Celse
Sergipe será um dos dois maiores produtores de energia do Brasil. E isso daí tem toda uma parte de impostos que a gente vai recolher”

JLPolítica - Quantos anos de isenção fiscal a empresa obteve do Governo de Sergipe?
PL -
Nós temos diferimento do ICMS nas importações dos equipamentos para a usina, bem como do diferencial de alíquota nas aquisições interestaduais, nas importações de matérias primas, recolhimento do ICMS de 6,2%, por 10 anos. No ISS, a gente não tem nenhum tipo de isenção. 

JLPolítica - É possível se montar um planta industrial dessa envergadura, usufruir da isenção fiscal por esse período concedido e depois picar a mula, mudar de Estado?
PL -
É impossível. É impossível, porque há determinados equipamentos que você não consegue desmontar. As turbinas, você consegue. Mas se você pensar que 60% do custo da construção de uma termelétricas são equipamentos e 40% são da montagem, qual o sentido de gastar em desmontá-la? Porque se gastaria algo em torno de 20% na desmontagem. Depois você vai pegar e gastar de novo os 40% para montar. Não faz o menor sentido. 

JLPolítica - Em que pé se encontram as licenças ambientais nos três níveis exigidas para a implantação de um empreendimento deste?
PL -
A gente tem todas as licenças de instalação emitidas e agora está entrando com o pedido de licença de operação para a parte offshore. E a licença de operação para a linha e para a usina a gente deve entrar com o pedido a partir de abril ou maio. 

JLPolítica - Em tempos de acidentes de mineradoras como a da Vale em Minas, há que se questionar: uma termelétrica é muito passiva de acidentes?
PL –
Não. É raro um acidente grave numa termelétrica. Vamos pensar no navio regaseificador: a história desse tipo de embarcação não tem registro de acidente nenhum. É bastante seguro. Eu diria que não me lembro de um acidente assim importante numa termelétrica, com danos externos ao território da usina. 

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Visita da consulesa americana Catherine Griffith à usina

UMA FROTA DE CAMINHÕES MOVIDA A GNL
“O gás natural liquefeito é 30% mais barato que o diesel - então por que não criar uma frota de caminhões, por exemplo, utilizando GNL? Imagina uma transportadora diminuir o seu custo de combustível em 30%! Isso é maravilha”

JLPolítica - Que garantias as pessoas e o Estado têm de que a ação da Celse não será danosa ao homem e ao meio ambiente?
PL -
Primeiro, a garantia da confiança nos órgãos ambientais. É preciso acreditar que eles estão licenciando algo que cumpre as normas e as leis de meio ambiente. Além disso, é bom lembrar que o projeto é financiado em parte pelo Banco Mundial, que tem normativas muitas vezes mais restritivas do que as do Brasil, então a gente cumpre não só o Conama e as normas locais, como os parâmetros internacionais do Banco.

JLPolítica - O homem e mar, então, estariam a salvo?
PL -
Com certeza. Zelamos por isso. Aqui internamente a gente tem um Departamento de Meio Ambiente, que cuida e monitora isso diretamente. Hoje a gente tem 100 funcionários aqui no escritório, dos quais 25 são dessa área. Ou seja, 1/4 do pessoal da usina. 

JLPolítica - As intervenções em espaços urbanos, reforma de espaços culturais Teatro Tobias Barreto, Biblioteca e o Arquivo Públicos - que a Celse está fazendo em Aracaju em pareceria com o Estado, e as obras na Barra dos Coqueiros, em parceria com a Prefeitura, fazem parte do protocolo oficial de chegada da companhia a esses dois níveis de Governo, ou é uma opção unilateral da Celse?
PL -
Na realidade, isso se deu assim: quando a gente ganhou o leilão e veio anunciar a vinda da empresa, o Jackson Barreto falou assim: “já que vocês vão fazer um investimento desse tamanho aqui no Estado, façam um investimento onde a gente está precisando”. E a gente entendeu isso como um pedido bacana da parte dele, que atende aos interesses da sociedade sergipana, e topou fazer essas intervenções. Na sequência, a gente entendeu que devia fazer intervenções na Barra também, já que é o município receptor do empreendimento. A gente conversou com o prefeito Airton Martins e ele identificou algumas obras de interesse da comunidade, obras de urbanização, construção de escolas, praças, etc. Então, são investimentos voluntários e não exigidos pela legislação. É meio que uma retribuição pela forma como a gente foi bem recebido por aqui. 

JLPolítica - É 100% dos senhores ou tem contrapartida? 
PL -
Não tem contrapartida. 

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"Com a Celse, Sergipe será um dos dois maiores produtores de energia do Brasil", calcula

AMPARO DE TODAS AS LICENÇAS AMBIENTAIS
“A gente tem todas as licenças de instalação emitidas e agora está entrando com o pedido de licença de operação para a parte offshore. E a licença de operação para a linha e para a usina a gente deve entrar com o pedido a partir de abril ou maio”
 

JLPolítica - Quanto de investimento demandam essas intervenções?
PL -
A gente está gastando algo em torno de R$ 15 milhões. 

JLPolítica - A presença dos investimentos da Celse, com o consequente funcionamento de tudo, pode ter que consequência nas áreas de tecnologia e pesquisa científica?
PL -
Gostaríamos muito de instigar as entidades, as instituições de pesquisas: a Celse vai ter que investir mais ou menos 1% do faturamento em projetos de pesquisa e desenvolvimento. Isso é algo obrigatório. E seria muito bom se a gente gastasse esse dinheiro aqui mesmo, nas universidades, nas instituições de pesquisa daqui. No que depender de mim, a gente vai gastar esse dinheiro plenamente aqui.

JLPolítica - Os senhores já têm interlocução com essas instituições científicas?
PL -
Com a Unit, a gente manteve contato. Mas devemos levar em conta que a gente ainda não está no momento de se investir esse dinheiro. Não adianta conversar agora. Mas a partir do ano que vem, a ideia é fazer um workshop com essas instituições, para começar a prepará-las para criar esses projetos de acesso à verba. 

JLPolítica - Enfim, o senhor levanta a bandeira da produção da usina em que dia e mês de 2020? 
PL -
A nossa data contratual é 1º de janeiro de 2020. 

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Assegura que cumpre todas as normas ambientais

SEM PERIGOS AO HOMEM E AO MEIO AMBIENTE
“Há a garantia da confiança nos órgãos ambientais. É preciso acreditar que eles estão licenciando algo que cumpre normas e leis de meio ambiente. É bom lembrar que o projeto é financiado em parte pelo Banco Mundial, que tem normativas muitas vezes mais restritivas do que as do Brasil”

JLPolítica - O senhor continua por aqui depois dessa inauguração?
PL -
Eu devo estar aqui para a operação também. Só não sei se para os 25 anos. 

JLPolítica - A EBrasil tem outros projetos no país para empreender nessa esfera?
PL -
Não. Os projetos que a EBrasil tem hoje em execução são de leilões de 2007, 2008.

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E por cumprir as normas ambientais, tem convicção que a Celse não oferece risco ambiental ao Estado