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Entrevista

Jozailto Lima

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Professor Dudu: “Resistimos. Era para ter sido bem pior”

Publicado em 30 DEZ 2017, 20h00

“Tivemos um ano horrível para o trabalhador”

Esta é a leitura que o presidente da Central Única dos Trabalhadores - CUT-SE - Rubens Marques de Sousa, o Professor Dudu, faz de 2017, que se encerra neste domingo, 31. Ele representa uma entidade que tem 95 sindicatos signatários e uma base com cerca de 300 mil trabalhadores.

Neste aspecto - assim como em tantos outros -, o Professor Dudu não faz rodeios, nem concessões. “Foi um dos anos mais duros da história. Claro que em outros momentos o Brasil viveu turbulências, crise econômica, índice de desemprego agudo, mas 2017 foi diferente, porque foi quando as conquistas de direitos históricos caíram”, diz ele, logo na primeira resposta a esta entrevista.

“Nós fomos derrotados com a terceirização, com a reforma trabalhista, com a PEC que limita os investimentos sociais e, apesar de entendermos isso, sabemos que poderia ter sido pior se não tivesse havido resistência. A massa entende que o movimento sindical foi derrotado. E é uma verdade. Mas é preciso fazer uma ressalva: era para ter sido bem pior. Nós resistimos”, analisa.

Aos 57 anos, este bacharel em Estudos Sociais e em Letras, com pós-graduação em História, vem de uma família de mais 10 irmãos, e de origem muito simples. O pai, Gervásio Gomes de Sousa, foi de agricultor a tropeiro em Cedro, no povoado Poço dos Bois, e bodegueiro em Estância. Homem humilde, Gervásio não findou plenamente iletrado porque a esposa, Maria Helena Marques Souza, ensinou-lhe as parcas letras – possivelmente inspirando Dudu a seguir o magistério.

Com essas duas formações acadêmicas, o Professor Dudu ganha a vida há 30 anos no batente da salas de aula - ensina literatura à turma do nível médio, adora o que faz e anda reclamando de que nomes nobres da literatura sergipana e nascidos em sua Estância, sobretudo na poesia, estejam indo para a vala do esquecimento sem que ninguém faça nada para avivá-los.

Nem o exercício de uma função no Sintese e na Presidência da CUT desde 2013 arrancou Dudu Marques da prática de professor. “Eu nunca me afastei na sala de aula um minuto sequer. Eu tenho 30 anos de magistério, cumpro meu papel rigorosamente e com um detalhe: eu chego aqui na CUT às 7 da manhã e, no final da tarde, vou para Estância, onde dou aula no Colégio Estadual Walter Franco”, diz ele.

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Na campanha de prefeito em Estância em 2004, quando perdeu para Ivan Leite
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Com Lula

JLPolítica – Professor Dudu, como é que foi o ano de 2017 para o trabalhador brasileiro?
Professor Dudu -
Foi um dos anos mais duros da história. Claro que em outros momentos o Brasil viveu turbulências, crise econômica, índice de desemprego agudo, mas 2017 foi diferente, porque foi quando as conquistas de direitos históricos caíram. Nós fomos derrotados com a terceirização, com a reforma trabalhista, com a PEC que limita os investimentos sociais e, apesar de entendermos isso, sabemos que poderia ter sido pior se não tivesse havido resistência. A massa entende que o movimento sindical foi derrotado. E é uma verdade. Mas é preciso fazer uma ressalva: era para ter sido bem pior. Nós resistimos.

JLPolítica – E para os sergipanos, teve esta mesma performance?
PD -
Para Sergipe, também foi horrível. Jackson Barreto, e esse não é um discurso retórico, conseguiu ser o pior governador da história. Falo não só no “aspecto salário”, onde ele destruiu, devastou com a vida do servidor - uma categoria ou outra conseguiu sobreviver, mas a massa dos servidores foi para o estado de pauperização, pendurada no Credi Salário, nos bancos. Mas não foi só isso: dados do Ipea e do Anuário Socioeconômico de Sergipe apontam que Jackson Barreto fracassou na segurança. Sergipe é o Estado mais violento do Brasil. O analfabetismo em Sergipe aumentou mais do que em qualquer outro Estado. Fracassou na saúde, hoje praticamente toda terceirizada, aprofundando a crise que já existia; na educação. Na cultura, acho que essa página do programa ele nem abriu ainda.

JLPolítica - Então não foi sem lógica que a sua corrente política elegeu o governador Jackson Barreto como saco de pancadas?
PD -
Não, não foi. Foi por merecimento. Ele vai ficar pra história como o pior governador do Estado. E mais: em momentos de crise aguda, ele viaja, tira férias e Sergipe pegando fogo.

OS DIREITOS HISTÓRICOS E A QUEDA
“Foi um dos anos mais duros da história. Claro que em outros momentos o Brasil viveu turbulências, crise econômica, desemprego agudo, mas 2017 foi diferente, porque foi quando as conquistas de direitos históricos caíram”

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Em Havana, num 1° de Maio com os cubanos, a seis metros de Fidel Castro

JLPolítica - O senhor considera isso uma fuga?
PD -
Claro. Na hora da crise é que se mostra quem você é. É muito fácil governar quando se tem aliado, como no tempo em que Lula era presidente e mandava tudo para cá, e foi assim com Edvaldo também. Ele dirigiu Aracaju herdando de Déda uma Prefeitura arrumadinha, vários projetos, e agora ele está administrando numa situação diferente e tem que mostrar quem ele é.

JLPolítica - A CUT trabalha com a ideia de quantas pessoas desempregadas em Sergipe?
PD -
Não há dados concretos. Só medem quantidade de carteira assinada, e isso é muito irrelevante.

JLPolítica - Mas há quem estipule que haja algo em torno de 400 mil pessoas desempregadas...
PD -
Mas é um dado difícil de se aferir. Porque a pessoa pode estar desempregada e no mercado informal, mas num mercado informal precarizado, e essas não entram nas estatísticas. Acho que isso é um erro e é por isso que não arrisco falar sobre dados, a não ser que mude a característica da pesquisa.

JACKSON, O PIOR GOVERNADOR DA HISTÓRIA
“Jackson Barreto, e esse não é um discurso retórico, conseguiu ser o pior governador da história. Falo não só no “aspecto salário”, onde destruiu, devastou com a vida do servidor. A massa dos servidores foi para o estado de pauperização”

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Com Déda e Jaques Wagner, na Praia do Saco nos anos 90

JLPolítica - Há brechas para se ter esperanças em dias melhores em 2018?
PD -
Não tem. Para ter esperança em 2018, tem que de haver uma política agressiva de recuperação da economia, e não estou vendo esse governo aí fazer isso.

JLPolítica - Já é possível medir danos ou algum tipo de virtude da reforma trabalhista posta em prática desde o dia 11 de novembro de 2017?
PD –
Danos, já. A gente recebe as pessoas que não sabem nem como lidar no trabalho. Trabalha dois dias por semana e vem perguntar se tem direito a vale-transporte, por exemplo. Tem direito, sim. O problema é que elas nos procuram porque nem o empregador sabe informar. E quero saber que tipo de Previdência essa pessoa vai ter.

JLPolítica - O fim do imposto sindical vai provocar que tipo de estragos no casco da atividade sindical brasileira?
PD -
Depois de fazer uma análise bem tranquila, acho que o fim desse imposto não é um problema, e a CUT não pode entrar em contradição, já que defendemos esse ponto de vista o tempo inteiro. Desde quando a CUT nasceu defendeu o fim dele, porque há muito sindicato cartorial que recebe o imposto e faz acordo coletivo danoso para a classe trabalhadora, então a única forma que você tem de extirpar do mundo sindical esses sindicatos é fazendo isso. Eles não têm filiados. O imposto é arbitrário, descontado de todo mundo. É absurdo. Você toma o dinheiro de quem não autorizou. E já tem sindicato fechando.

2018, O ANO DA ESPERANÇA IMPOSSÍVEL
“Para ter esperança em 2018, tem que de haver uma política agressiva de recuperação da economia, e não estou vendo esse governo aí fazer isso”

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Com Dilma, em Aracaju, quando ela passou por aqui licenciada antes do impeachment: sem figurões da política local

JLPolítica - A CUT nunca teve receio de ser mal compreendida ao defender o fim desse imposto?
PD -
Tem conflitos na nossa base e a gente foi mal compreendido, sim. Disseram que estávamos fazendo coro para Governo golpista. Eu explico que só se acaba com sindicalismo pelego acabando com esse imposto, porque é quem o alimenta. Agora, é verdade que há um grupo pequeno de sindicatos sérios que defendem o imposto.

JLPolítica - E qual seria a solução, então?
PD -
Nesse caso, a CUT defende que haja uma taxa negocial, que seria uma compensação, mas tem diferenças. No comércio, por exemplo, o funcionário trabalha sempre ao lado do patrão. Chega a ficha de filiação e ele o demite no dia seguinte. Há fábricas que são assim também. Ou seja, há ramos de trabalho em que a filiação sindical é difícil. A taxa negocial funcionaria assim: se o trabalhador recebe uma negociação salarial e um bom reajuste, você propõe em assembleia um desconto equivalente ao imposto. Se a categoria aprovar, você recebe. Se não, não recebe. É diferente de tomar o dinheiro arbitrariamente.

JLPolítica - O patronato ainda acha que o sindicalismo é um bicho-papão?
PD -
Acha. Em São Paulo, saem campanhas agressivas na mídia de que há empresas que não vão se instalar em São Bernardo, Diadema, por causa do movimento sindical, que é muito forte e danoso para o setor patronal.

FIM DO IMPOSTO SINDICAL NÃO É PROBLEMA
“Depois de fazer uma análise bem tranquila, acho que o fim desse imposto não é um problema, e a CUT não pode entrar em contradição, já que desde quando nasceu defendeu o fim dele”

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Numa universidade em Cuba, agradecendo a reitora pela formação em Medicina do estanciano Hermann Hoffman

JLPolítica - O que seria do capitalismo se não houvesse o sindicato?
PD –
Seria uma escravidão. Por exemplo: o capitalismo não tem limites, ao menos no periférico, como o nosso, que redefiniu o conceito de trabalho escravo. Quando você coloca lá “trabalho escravo” e você não conceitua, abre a porta para um fazendeiro colocar o trabalhador para dormir com o gado, comer em caco de coco, dormir no chão. Eles derrubaram a palavra “análogo” da expressão “trabalho análogo ao escravo”. Então, nosso capitalismo é primitivo.

JLPolítica - Quantos sindicatos formam a base da CUT de Sergipe?
PD -
São 95 sindicatos.

JLPolítica - Quem hoje é maior em Sergipe, a CUT ou a CTB, em termos de quantidade de trabalhadores representados?
PD -
A CUT continua sendo a maior central sindical de Sergipe, do Brasil e da América Latina. É a quarta central do mundo.

RISCO DO CAPITALISMO TUPINIQUM
“O capitalismo não tem limites, ao menos no periférico, como o nosso, que redefiniu o conceito de trabalho escravo. Quando você coloca lá “trabalho escravo” e não conceitua, abre a porta para um fazendeiro colocar o trabalhador para dormir com o gado”

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No Lançamento da Frente Brasil Popular, com Plínio Pugliesi e João Pedro Stédile

JLPolítica - Nestes desacertos econômicos, a Central que** o senhor preside não faz nenhum tipo de mea culpa dos erros do PT, partido ao qual ela se filia?
PD –
Aqui eu vou dizer de forma tranquila que os sindicatos que vêm para CUT têm uma coisa muita clara, que é a autonomia que nós implantamos. Isso nos dá orgulho. Há sindicatos que têm o presidente filiado ao PSOL e que não saíram da CUT. Inclusive, há sindicato que o presidente é também presidente do PSOL. Tem sindicatos de servidores federais que têm muita resistência ao PT, mas que estão na CUT. A prova de fogo foi quando Marcelo Déda ganhou a eleição, porque o embate se dava mais a nível nacional. E a CUT mostrou independência. Em nenhum momento nós deixamos de fazer a crítica. Para se ter uma ideia, quando Déda foi candidato, a assessoria dele perguntou se ele poderia vir à CUT lançar a plataforma dele. Falamos que não ficaria bem. Ele ficou com mágoa. Edvaldo também não veio.

JLPolítica - Esses sindicatos todos de que o senhor fala compõem uma base de quantos trabalhadores?
PD -
Chega a 300 mil.

JLPolítica - A CUT é hoje uma instituição eminentemente urbana, de costas para as realidades rurais?
PD -
Boa pergunta, esta. Nós perdemos, há um tempo, a base de sindicato rural. E de três anos para cá, eles estão voltando. E voltam dizendo que saíram achando que a CUT não era o melhor caminho, porque não priorizaria o sindicato rural, mas agora viram que não era isso. Até agora, já voltaram 14 sindicatos.

A CUT E A AUTONOMIA POLÍTICA
“A CUT têm uma coisa muita clara, que é a autonomia que implantamos. Há sindicatos que têm o presidente filiado ao PSOL e que não saíram da CUT. Inclusive, há sindicato que o presidente é também presidente do PSOL”

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Num ato em defesa da Deso: uma vitória

JLPolítica - Mas a Fetase não está com a CUT...
PD -
Não, a Fetase não. Ela está com a CTB.

JLPolítica – Mas lhe faz falta?
PD -
Faz. A Fetase é uma instituição importantíssima. Mas temos um diálogo bom com eles. Nos convidam para atividades. Pode ser que mude, agora que os sindicatos estão voltando.

JLPolítica - A relação da CUT com a CTB é boa?
PD -
É boa. Mas vou dizer uma coisa: há conflitos. Porque o mundo sindical não é um mundo de igreja, mas eu respeito. Eu sou duro, mas não sou desrespeitoso com os companheiros. Com a UGT também temos uma relação muito boa.

A VOLTA DOS SINDICATOS RURAIS
“Perdemos, há um tempo, a base de sindicato rural. E de três anos para cá, estão voltando. E voltam dizendo que saíram achando que a CUT não era o melhor caminho, porque não os priorizaria, mas agora viram que não era isso”

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Como professor de Literatura do nível médio em Estância numa aula de campo

JLPolítica - O Sintese é o maior sindicato na base da CUT e qual seria o peso dele na sustentação desta Central?
PD -
É o maior, o que mais contribui. Sem o Sintese, hoje a CUT teria dificuldade de andar, porque a arrecadação da CUT é muito pequena. Você tem a contribuição normal, mas tem um pleito do movimento social, que é parceiro, mas não tem dinheiro. Quem vai pagar isso? A CUT não tem dinheiro e tem que recorrer a alguns sindicatos e cada um colabora. Se não fosse assim, a CUT não funcionaria. O Sintese aqui entra bem. É solidário.

JLPolítica - Qual é a receita mensal da CUT?
PD -
Hoje gira em torno de R$ 6 a R$ 8 mil. Na verdade, os sindicatos não pagam diretamente à CUT estadual e sim à CUT nacional. E eles devolvem apenas 3,5%. Quando você paga jornalista, funcionário, internet e manutenção para fazer a luta, só sobram R$ 2 mil, R$ 3 mil. E isso você gasta num só dia. Por isso eu digo que para ser presidente de uma Central tem que ter muita credibilidade na base para passar o pires. Eu já consegui 20 ônibus dos movimentos sociais para uma manifestação.

JLPolítica - A CUT é uma instituição a serviço do mandato da deputada Ana Lúcia Menezes ou o mandato da deputada Ana Lúcia Menezes é um mecanismo de suporte à CUT?
PD -
A gente tem o mandato dela como um instrumento da classe trabalhadora. A gente leva as demandas. Nunca se negou a encaminhar pauta, seja boa ou ruim. Porque às vezes o deputado pode estar a serviço de uma Central, mas não quer pegar a parte ruim. Ana Lúcia não. Inclusive ela nos avisa quando chega um Projeto de Lei que nos interessa. 

RELAÇÕES COM A CTB E A UGT
“Vou dizer uma coisa: há conflitos (com a CTB). Porque o mundo sindical não é um mundo de igreja, mas respeito. Sou duro, mas não sou desrespeitoso com os companheiros. Com a UGT também temos uma relação muito boa”

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O professor Dudu, em sala de aula: como há 30 anos

JLPolítica – Qual é o maior ônus de ser um sindicalista orgânico, honesto e dedicado à causa dos trabalhadores?
PD -
É caríssimo. Digo todo dia aos meus filhos que estudem para fazer concurso, pois não encontrarão emprego em outro lugar, porque o filho do presidente da CUT aqui não tem espaço. Meu filho sofreu preconceito no Curso de Direito por um professor, um juiz aposentado reacionário. Ele chegou em casa reclamando desse tipo de comportamento. Comigo é a mesma coisa. Não é uma vida fácil. E você precisa evitar pedir favores, quando às vezes a própria família acha que você pode resolver certas situações. Mas você não pode querer duas coisas: ou um presidente como eu, autônomo, ou um cara pidão fora do contexto sindical. Os dois não é possível. Porque se eu for pedir, eu me queimo. Minha filha teve dengue hemorrágica, ficou à beira da morte. Minha consciência ia doer até o último dia de minha vida se ela morresse, porque ela teve no João Alves, num descaso terrível, e um político ofereceu-se para levá-la para Salvador. Eu não aceitei.

JLPolítica - O senhor já foi alvo de algum tipo de violência física ou verbal?
PD -
Verbal já. De passar no Calçadão de Aracaju e o cara me xingar. E recebi ameaça de morte quando comecei a militar no MST.

JLPolítica – Isso tudo vale a pena?
PD -
Tem coisas que você não escolhe. E eu não escolhi. Fui eleito sem saber que fui. E perdi o controle sobre mim mesmo. Há muita cobrança. Agora, tudo bem, já assumi. Eu optei por isso depois que me colocaram na luta.

UMA CUT POBRE, QUE PASSA PIRES
“Só sobram R$ 2 mil, R$ 3 mil. E isso você gasta num só dia. Por isso digo que para ser presidente de uma Central tem que ter muita credibilidade na base para passar o pires. Eu já consegui 20 ônibus dos movimentos sociais para uma manifestação”

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Dudu num momento de greve geral da construção civil

JLPolítica – Mas se seu filho ou uma das suas filhas quisesse ser presidente de CUT, o senhor apoiaria?
PD -
Eu pediria para fazer um doutorado na área em que estão estudando. 

JLPolítica - O senhor é licenciado da condição de professor para ser presidente da CUT?
PD -
Não. Eu nunca me afastei na sala de aula um minuto sequer. Eu tenho 30 anos de magistério, cumpro meu papel rigorosamente e com um detalhe: eu chego aqui na CUT às 7 da manhã e, no final da tarde, vou para Estância, onde dou aula no Colégio Estadual Walter Franco. Nunca me afastei da sala de aula.

JLPolítica - As pré-candidaturas do PT pela corrente Articulação de Esquerda, ao Governo e ao Senado por Sergipe, são para valer ou café-com-leite?
PD -
São para valer, e estou fazendo uma trabalho cotidiano para dar visibilidade ao meu nome e ao do Professor Joel. Aproveito até para agradecer ao Portal JLPolítica, porque foi o primeiro que nos tratou de forma séria. O primeiro, não. O único. Os outros não trataram. Rádio, sim.

MANDATO DE ANA LÚCIA POR PARCEIRO
“A gente tem o mandato dela como instrumento da classe trabalhadora. A gente leva as demandas. Nunca se negou a encaminhar pauta, seja boa ou ruim. Porque às vezes o deputado pode estar a serviço de uma Central, mas não quer pegar a parte ruim. Ana Lúcia não”

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Reconhece o mandato de Ana Lúcia como instrumento da classe trabalhadora

JLPolítica - O senhor acha que seus nomes passam pelas prévias do PT geral?
PD -
Estou tentando convencer a militância a não aceitar a decisão final na prévia, porque na prévia só votam os delegados. E para ser delegado, tem que estar em dia com o partido, uma série de burocracias. Minha sugestão é a de um plebiscito. Quem é petista, vai lá e opina. Democratiza mais. E se fizer, não tenho dúvida de que vamos ter uma boa disputa. Desconfio - não vou afirmar porque não sou leviano - mas desconfio de que haja uma articulação não só da esquerda, mas da própria direita, para que meu nome e o de Joel não apareça nas pesquisas.

JLPolítica – Mas o senhor não acha, independentemente dos mecanismos, que são baixíssimas as possibilidades de estas duas pré-candidaturas serem elevadas a candidaturas de fato, em face do peso de outras correntes petistas?
PD -
Não acho. E não acho pelo seguinte: quem vai influenciar muito a política de Sergipe é Lula. Se ele for candidato, é uma coisa; se ele não for candidato, será outra. Da mesma forma se Jackson for candidato, será uma coisa; se Jackson não for, será outra. Então ninguém pode garantir que Jackson Barreto é candidato ao Senado. Ele caiu pelas tabelas nas pesquisas e se ele não for, muda tudo. Aí tem um detalhe: como eu não sou político profissional, sou idealista, eu disputo em qualquer circunstância, e os outros não. Só disputam se a chance de ganhar existir. Então, tem essa diferença. E é por isso que eu estou lhe dizendo que temos chance.

JLPolítica - O senhor acha que Luiz Inácio Lula da Silva viabiliza uma candidatura à presidente?
PD -
Eu torço para que viabilize. Mas o cenário que se apresenta hoje mostra que praticamente está definido. Não querem deixar ele ser candidato, porque se for não tem como não ganhar. Só há uma chance de ele não ser presidente: é sendo interditado. E essa possibilidade existe. Lula só será candidato se tiver muita gente na rua no 24 de janeiro, dia do  julgamento. Caso contrário, será interditado pelo judiciário, que tem lado. Se os demais Estados fizerem o que os movimentos sindical e social em Sergipe estão fazendo, Lula passará.

PRÉVIAS DO PT TROCADAS POR PLEBISCITO
“Estou tentando convencer a militância a não aceitar a decisão final na prévia (do PT), porque só votam os delegados. Minha sugestão é a de um plebiscito. Quem é petista, vai lá e opina. Democratiza mais”

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Np Uruguai, integrando manifestação internacional de trabalhadores

 JLPolítica – O senhor e o Professor Joel Almeida guardam algum tipo de ressentimento pelo fato de a maioria dos institutos de pesquisa e parte da mídia nem sempre levarem seus nomes a sério como merecem?
PD –
Claro que sim. Isso é coisa de Estado atrasado. As pessoas têm que respeitar as candidaturas, todas elas. Se não ficam só as dos figurões. Acho que a partir da postura do JLPolítica pode ser que mudem isso. É o que esperamos.

JLPolítica - Se o projeto político eleitoral de sua corrente for vencido e o PT se aliar ao PMDB, os senhores votarão com o eventual candidato Belivaldo Chagas ou viram dissidentes?
PD -
Já posso antecipar: não tenho nenhuma predisposição a votar. Enfrento esse debate internamente para viabilizar uma candidatura independente e de esquerda, que haja compatibilidade com a CUT. Belivaldo dá sequência ao Governo desastroso de Jackson.

SEM DISPOSIÇÃO PARA VOTAR EM BELIVALDO
“Já posso antecipar: não tenho nenhuma predisposição a votar. Enfrento esse debate internamente para viabilizar uma candidatura independente e de esquerda, que haja compatibilidade com a CUT. Belivaldo dá sequência ao Governo desastroso de Jackson”

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No Museu da Alfabetização de Cuba: ali a alfabetização foi erradicada