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Entrevista

Jozailto Lima

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Rodrigo Valadares: "Belivaldo não é desonesto, mas faz péssimo Governo"

“Do mesmo jeito que o nazismo, o comunismo devia ser proibido”
29  de setembro - 8h00


Um político imberbe e inconsequente, ou um político de convicções próprias e de pegada radical no que pensa e fala dentro do universo de uma nova direita sergipana e brasileira?

Rotular o deputado estadual Rodrigo Valadares, PTB e de braços dados com o PSL, pode ser uma tarefa a gosto do freguês. Quem é de esquerda, o tem como um abusado, quase asqueroso. Intragável. Quem é de direita – exceto, alguns bolsonaristas roxos –, o bota no panteão dos heróis, um novo pop star da política. Um rapaz promissor.

O certo é que das observações afiadas e cortantes feito aço de navalha desse Rodrigo Valadares, ninguém escapa. Ele se acha radicalmente nascido para a direita. Do tipo que fica paparicando Adam Smith, equivocando-se frente a John Maynard Keynes e evocando as virtudes de programas como o New Deal e Plano Marshall.

Mas se lhe mostrarem uma foto do guerrilheiro Che Guevara, Rodrigo é capaz de triturá-la com os dentes. “Eu me lembro que quando a gente era muito novo, viajamos uma vez e ele (o pai, ex-deputado Pedrinho Valadares) levou um livro de Che Guevara. Depois, aos 16 anos, aos 17 anos, eu vi que Che Guevara era um canalha. Meu pai não era de uma esquerda radical”, demonstra.

Diante dessa credencial, Rodrigo Valadares reforça, sem tensão, sentimento de culpa e bem confortavelmente a sua fina estampa de direitista. “Sim. Sempre fui, desde que eu tinha 16 anos”, diz.

E garante: isso não lhe dói. “De forma nenhuma. A partir do momento em que você começa a estudar, por exemplo, pelo clássico do Adam Smith, “A Riqueza das Nações”, um dos primeiros livros liberais que que li aos 16 anos, você já passa a entender porque algumas nações prosperam e outras não”, diz.

“Você capta porque faz uma nação enriquecer e melhorar drasticamente o padrão de vida dos seus cidadãos e uma outra nação ficar imersa em problemas econômicos e sociais graves”, compara.

Nessa condição de leitor da cartilha do direitismo, Rodrigo Valadares mete os pés pelas mãos e reforça a mistura de comunismo com nazismo. E pede, a lá Heil Jair Bolsonaro, o banimento das práticas comunistas.

“Do mesmo jeito que o nazismo é proibido, sem dúvida nenhuma o comunismo devia ser proibido, vetado. É um regime cruel. Os países que migraram para a esquerda foram devastados econômica e socialmente. Neles, houve genocídios, porque a gente sabe que o comunismo e o socialismo foram responsáveis por mais de 100 milhões de mortes”, diz o moço.

Mas a prática política de Rodrigo Valadares não se ocupa apenas do etéreo distante. Ele é cáustico e impiedoso quando mira os seus desafetos do tempo presente e próximo, como os ex-aliados Belivaldo Chagas, governador do Estado, e Edvaldo Nogueira, prefeito de Aracaju.

“Vejo Belivaldo como um cara de bem. Não é um mau caráter. Não é um cara desonesto, mentiroso. Não é incompetente, e sempre teve bom trato. Mas está fazendo um péssimo governo por estar dentro desse sistema podre, que destruiu nosso Estado. Hoje a administração dele está refém desse grupo e eu vejo que isso dói nele”, diz.

E de Edvaldo Nogueira? “Ele faz uma gestão mentirosa. Meu conceito é o de que é uma vergonha. Edvaldo não resolveu os problemas básicos que se propôs a resolver. Eu acho que qualquer cidadão que já morou em Aracaju, saiu no passado relativamente recente e voltou tem a sensação de que Aracaju empobreceu, regrediu. E é muito triste ver isso” diz.

Por fim, Rodrigo Valadares não enverga a carapuça, sob hipótese alguma, de o rei das fake news. “Não visto. Na verdade, isso foi uma invenção de Edvaldo Nogueira, através do seu marqueteiro Carlos Cauê, dois comunistas. Eles utilizam de uma tática leninista, que é a do “acuse-os do que você é”. Edvaldo sabe que ele pegou a fama de prefeito-pinóquio”, diz.

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Com o pai, ex-deputado Pedrinho Valadares. Morto no mesmo acidente aéreo que também vitimou Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco
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Rodrigo Santana Valadares nasceu em Aracaju no dia 6 de agosto de 1989

JLPolítica - O que foi possível realizar nestes 10 meses com o seu mandato?
Rodrigo Valadares -
Nós entramos aqui na Alese com um desafio muito grande de fazer um mandato oposicionista para mostrar os problemas mais graves de Sergipe, o que está sendo resolvido e o que não está. Nesses 10 meses já tivemos grandes avanços em relação à nossa postura: apresentamos vários projetos de lei importantes, embora saibamos que há uma dificuldade de quem é oposição, mas através de nossas cobranças, já conseguimos vitórias como o pagamento da carreta do câncer, que hoje infelizmente está parada e a mudança da política do turismo no Estado, com a saída do secretário. Fizemos grandes reivindicações através da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família e da Frente Parlamentar em Defesa das Guardas Municipais, que eu presido a ambas. Começamos um trabalho forte de prevenção ao suicídio e à automutilação. Fizemos nosso primeiro evento de imersão no penúltimo sábado. Então, a gente vê que, apesar de ser oposição, vou conseguindo grandes avanços. Diria que, com certeza, é um mandato operoso. 

JLPolítica - Quais os principais projetos apresentados pelo seu mandato até agora?
RV -
Sem dúvida nenhuma, o primeiro é o projeto em que sugerimos o desconto do ICMS para pequenas e micro empresas, que são as que geram quase 80% dos empregos aqui em Sergipe. Seriam 50% de descontos as instaladas no interior do Estado e 70% para as da região metropolitana.

JLPolítica – Isso não gera prejuízo ao erário?
RV -
Nós fizemos um estudo e vimos que o impacto orçamentário é muito pequeno diante desse benefício. A gente sabe que Sergipe vive hoje da arrecadação de poucas grandes empresas. Além disso, temos o projeto do fim da cobrança da taxa de religação da Deso e da Energisa. 

JLPolítica - O senhor tem estudos que indiquem o peso dessas duas taxas, as de religação da Deso e da Energisa?
RV -
Na verdade, o nosso projeto de lei se baseou no princípio básico da relação de consumo, e eu como presidente da Comissão de Defesa do Consumidor entendo que são dois serviços que têm monopólio regulamentado pelo Estado, e a partir do momento em que há esse monopólio, o Estado e o Poder Legislativo têm que regular isso também. 

JLPolítica - Essas duas taxas são cobradas em quais circunstâncias?
RV -
Quando se deixa de pagar a conta nessas duas companhias e o serviço é suspenso, além de pagar a conta, você tem que pagar a taxa para religar. E essa relação acaba sendo abusiva, porque você não tem outra opção de empresa para fazer isso. O projeto ainda está em tramitação, mas acredito que ele deve passar, porque tem forte apelo social e popular. 

JLPolítica - O Poder Legislativo por dentro lhe pareceu melhor ou pior do que o que o senhor conhecia por fora?
RV -
Eu tinha mais experiência com a Câmara Federal, até pelo mandato do meu pai, pela minha vivência na Câmara e pelas amizades ali. Aqui é um pouco diferente, porque são apenas 24 deputados e as coisas são muito mais travadas. Para conseguir uma maioria aqui na Alese, a dificuldade é maior. Então, eu não diria um Poder Legislativo nem melhor nem pior, mas diferente. E trabalhar na oposição é difícil. A gente sabe que nas votações a gente é literalmente tratorado. 

DOS OBJETIVOS DENTRO DA ALESE
“Nós entramos aqui na Alese com um desafio muito grande de fazer um mandato oposicionista para mostrar os problemas mais graves de Sergipe, o que está sendo resolvido e o que não está. Nesses 10 meses já tivemos grandes avanços”

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Elegeu-se deputado estadual com 15.221 votos

JLPolítica - Por que o senhor se interessou tanto pelo mando do PSL de Sergipe?
RV -
Na verdade, nós fomos convidados para assumir e organizar o PSL de Sergipe. Eu conheço o presidente Luciano Bivar e a Executiva Nacional desde 2016, que foi o primeiro momento de aproximação minha com o PSL. O partido ainda estava no Movimento Livres, que sempre me interessou porque foi justamente na época que eu migrei de uma visão política conservadora, pura, que é uma política de Estado um pouco maior, para uma política conservadora nos costumes e liberal na economia, que é a famosa do estado mínimo. Foi logo na época que eu comecei a estudar Milton Friedman, da Escola de Chicago. Então, o PSL viu a posição política que a gente alcançou em Sergipe e nos convidou para assumir o partido. 

JLPolítica -Afinal, o partido vai ou não ficar sob o seu comando?
RV -
Eu não vou porque não tenho janela. Mas por enquanto vai ficar, sim. 

JLPolítica - Seu irmão Fábio Valadares vai mesmo responder pelo comando do PSL de Sergipe?
RV -
Vai. Na verdade, já está respondendo. Está articulando, rodando os diretórios, montando as chapas, as pré-candidaturas majoritárias para 2020. E Fábio vem me surpreendendo positivamente. Posso dizer que a política às vezes está no sangue, e ele está se desenvolvendo bem.

 JLPolítica - O Fábio Valadares tem pretensões político-eleitorais?
RV -
Há uma possibilidade grande de ele se candidatar a vereador por Aracaju. Depende dele querer, mas eu acho que seria uma boa opção. Ele leva jeito. Sempre acompanhou, junto comigo, o trabalho do nosso pai. Sempre se interessou por política. Na minha campanha, foi muito ativo, inclusive fazia muitas agendas que eu não poderia fazer, como reuniões, bate-papo. Enquanto eu estava em caminhadas, carreatas, ele ia para o bate-papo e começou a desenrolar nesse período.

JLPolítica - A grita geral dos bolsonaristas de primeira hora não vai lhe interditar no partido?
RV -
Não e veja que não interditou até agora. Na verdade, não foram os bolsonaristas de primeira hora, já que a maioria deles nos apoia. Foi o pessoal ligado a quem perdeu o comando do partido em Sergipe. 

SOB O PESO DA TRATORAGEM NA ALESE
“Para conseguir uma maioria aqui na Alese, a dificuldade é maior. Então, eu não diria um Poder Legislativo nem melhor nem pior, mas diferente. E trabalhar na oposição é difícil. A gente sabe que nas votações a gente é literalmente tratorado”

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Na coligação que tentou eleger seu primo segundo, Valadares Filho, governador

JLPolítica - Que história foi essa de ameaças feitas à sua pessoa? Elas foram reais e vindas de quem?
RV -
Sim, foram reais. Mas é um assunto que, até por questões de segurança, não posso me manifestar. Mas espero que o mais breve possível, com fé em Deus, vai ficar tudo tranquilo novamente.

JLPolítica - O senhor as associa diretamente a João Tarantella?
RV -
Não posso comentar detalhes.

JLPolítica - Quem deve ser o candidato a prefeito de Aracaju no segmento da direita que o senhor representa?
RV -
Na verdade, no que se diz de direita, talvez eu seja o único assumido. Mas há outros nomes que podem disputar a eleição. Tem a própria Emília Correa, a delegada Daniele Garcia, o empresário Milton Andrade. São opções que o eleitorado pode ter.

JLPolítica - Mas sua condição de pré-candidato é definitiva ou pode voltar atrás?
RV -
A bem da verdade, eu nunca me lancei. Mas caso seja escolhido, seja o entendimento do nosso agrupamento PTB-PSL de que nós devemos ir para esse desafio, eu estarei 100% à vontade para topar essa empreitada.

JLPolítica - Uma eventual candidatura do senhor a prefeito de Aracaju não retira ainda mais as chances do seu primo Valadares Filho numa também eventual terceira disputa a este posto?
RV -
Sendo bem sincero, claro que duas candidaturas de uma mesma família, ainda mais não existindo aliança política, tende a prejudicar o outro. Mas o remédio aí é aguardar pra ver no que vai dar.

DE COMO NASCE O NAMORO COM O PSL
“Nós fomos convidados para assumir e organizar o PSL de Sergipe. Eu conheço o presidente Luciano Bivar e a Executiva Nacional desde 2016. O PSL viu a posição política que a gente alcançou em Sergipe e nos convidou para assumir o partido”

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Com Eduardo Campos, de quem seu pai foi assessor

JLPolítica - O senhor acha que Valadares Filho deveria ser o candidato a prefeito?
RV -
Na minha modesta opinião pessoal, não, e é o que eu digo a ele. Mas acho que ele deveria focar - e aqui eu não quero me intrometer na vida do PSB nem na de Valadares Filho, que é um primo muito querido - na candidatura à Câmara Federal, onde ele teria grandes chances.

JLPolítica - Antes da ascensão de Jair Bolsonaro, o senhor se sabia um político de direita? 
RV -
Sim. Sempre fui, desde que eu tinha 16 anos.

JLPolítica - E isso não lhe dói?
RV -
Não, de forma nenhuma. A partir do momento em que você começa a estudar, por exemplo, pelo clássico do Adam Smith, “A Riqueza das Nações”, um dos primeiros livros liberais que que li, aos 16 anos, você já passa a entender porque algumas nações prosperam e outras não. Você capta porque faz uma nação enriquecer e melhorar drasticamente o padrão de vida dos seus cidadãos e uma outra nação ficar imersa em problemas econômicos e sociais graves

.JLPolítica - O senhor separa isso entre esquerda e direita? Entre liberal e não liberal?
RV -
Se você analisar um ponto de vista histórico, todos os países que se desenvolveram foram países que adotaram posições livres, liberais, na sua economia e nas posições de direita.

JLPolítica - O senhor teria um referencial próximo?
RV -
A gente está vendo agora na Venezuela, nossa vizinha, o que que está acontecendo: hoje professoras universitárias dali estão recorrendo à prostituição para poder se alimentar. As pessoas não têm o básico do serviço público e é isso que a esquerda gera: o colapso total no social e no econômico. Eu vi um filme recentemente que falava sobre o comunismo no Camboja e a gente vê como pode ser brutal um regime totalitário. Digo: socialismo não tem nada a ver com justiça social e com igualdade. Tem a ver com concentração absoluta de poder e subjugamento de toda uma população.

DO IMPEDIMENTO DE FALAR DAS AMEAÇAS RECEBIDAS
“Sim, foram reais. Mas é um assunto que, até por questões de segurança, não posso me manifestar. Mas espero que o mais breve possível, com fé em Deus, vai ficar tudo tranquilo novamente”

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Com Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil do Governo Jair Bolsonaro

JLPolítica - Então o senhor se julga um direitista com convicção e não meramente empírico?
RV -
Sem dúvida, sempre fui um direitista convicto. E sempre estudei, porque acho que o grande problema é esse: os países que temos como referência do oposto são Chile, Estados Unidos, Nova Zelândia, Coreia do Sul. São nações livres e, independentemente de terem ou não um governo de esquerda, a política econômica dali não muda.

JLPolítica - O senhor não teme que sua visão se choque com a do sergipano, que é mais de centro à esquerda?
RV -
Eu acho que a partir do momento que existe conscientização, essas coisas vão mudando. A gente viu a América Latina guinar pra uma linha de esquerda no passado recente e viu também a destruição que isso gerou. Então, naturalmente, as pessoas vão ter consciência disso. Infelizmente, a esquerda ainda acha que tem o monopólio da verdade. Mas essas coisas vão acabar. A tendência é mudar, até pelo peso das redes sociais.

JLPolítica - Se pudéssemos invadir o além e sondar a opinião dos mortos, o senhor arriscaria a achar que seu pai, o ex-deputado federal Pedrinho Valadares, diria o que dessa sua opção de extrema direita?
RV –
 Meu pai sabia das minhas posições. Meu pai era um cara de centro-esquerda e acho que ele manteria essa visão dele hoje. Pedrinho Valadares não impunha as posições políticas dele a mim. Eu me lembro que quando a gente era muito novo, viajamos uma vez e ele levou um livro de Che Guevara. Depois, aos 16 anos, aos 17 anos, eu vi que Che Guevara era um canalha. Meu pai não era de uma esquerda radical.

JLPolítica - O senhor de fato acredita que o direitismo em Sergipe e no Brasil vai prosperar, ou isso é apenas reflexo de uma desilusão momentânea do que o PT gerou com tanta corrupção?
RV -
Depende do que se entende por direitismo. Eu acho que se você for analisar pela pauta econômica e pelas mudanças que o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer fazer – e se conseguir êxito -, o direitismo vai crescer muito, porque são políticas econômicas que funcionam. Todos os países que prosperaram adotaram essas políticas econômicas. Veja que o próprio Paulo Guedes é um discípulo de Milton Friedman, que foi conselheiro da economia do Chile e tornou o Chile um país que saiu do nada para ter o dobro da renda per capita que tem o Brasil.

JLPolítica - O senhor acha que o mundo inteiro é liberal?
RV -
Não. Mas nesse momento está havendo uma onda em direção a isso. O paradigma histórico mostra que até a segunda metade do século XX, os liberais, a escola austríaca, o Milton e essas doutrinas todas ficaram relegadas ao esquecimento devido às políticas adotadas. Por exemplo: tivemos em 1929 a Grande Depressão, os programas do New Deal e depois o Plano Marshall de recuperação da Europa, que foi também uma política keynesiana, e vê-se que o Estado sendo ativo na vida econômica nunca deu resultado satisfatório. O caminho é o Estado deixar os indivíduos tomarem as decisões.

SERÁ OU NÃO CANDIDATO A PREFEITO DE ARACAJU?
“A bem da verdade, eu nunca me lancei. Mas caso seja escolhido, seja o entendimento do nosso agrupamento PTB-PSL de que nós devemos ir para esse desafio, eu estarei 100% à vontade para topar essa empreitada”

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É casado com Moana Rollemberg Marinho Valadares, com quem é pai de Luísa Rollemberg Marinho Valadares, de seis anos, e de Pedro Almeida Valadares Neto, 4

JLPolítica - Qual é o seu conceito da gestão de Edvaldo Nogueira à frente da Prefeitura de Aracaju?
RV -
Meu conceito é o de que é uma vergonha. Ele faz uma gestão mentirosa. Edvaldo não resolveu os problemas básicos que se propôs a resolver. Colocou como slogan “Aracaju, cidade inteligente”. Mas como falar em cidade inteligente se você não resolve o buraco da rua? Se não resolve o saneamento básico, a geração de emprego e renda? Os problemas de saúde, educação? Aracaju está feia, esburacada. Decadente.

 JLPolítica - As pessoas percebem isso?
RV -
Eu acho que qualquer cidadão que já morou em Aracaju, saiu no passado relativamente recente e voltou tem a sensação de que Aracaju empobreceu, regrediu. E é muito triste ver isso. Claro que em locais da zona sul, tem-se até uma aparência razoável. Mas quando você vai para a zona norte, vê uma devastação total. Ora, Aracaju era uma cidade bonita e hoje se tornou decadente. Tudo isso pela incompetência administrativa e, sobretudo, pelo modo de Edvaldo Nogueira vencer as eleições, que é mentindo, dando uma falsa esperança à população e entregando depois o desastre total.

JLPolítica - Qual é o seu conceito da gestão de Belivaldo Chagas à frente da Governo do Estado?
RV -
É de forma muito sincera que falo isso, porque o conheço e por estar à vontade com você: eu vejo Belivaldo como um cara de bem. Não é um mau caráter. Não é um cara desonesto, mentiroso. Não é, por si só, incompetente, e sempre teve bom trato. Mas vejo que ele está refém de todo um sistema político de um agrupamento, porque ele foi escolhido por esse agrupamento para ser o candidato a governador. Ser governador não foi uma coisa que ele construiu ao longo da sua história, como Marcelo Déda e João Alves Filho fizeram. Belivado era o que estava ali na marca da bola para manter o poder desse grupo. Hoje a administração dele está refém desse grupo e eu vejo que isso dói nele.

JLPolítica - O senhor diria que Belivaldo é um governador engessado?
RV -
Totalmente. Fico até com pena, porque ele não é um cara ruim. Mas está fazendo um péssimo governo por estar dentro desse sistema podre, que destruiu nosso Estado. A gente vê todo o Brasil caminhando para a frente - só no mês passado, foram 130 mil empregos gerados - e Sergipe sempre gerando saldo negativo na empregabilidade - no segundo semestre fora quase 4 mil empregos perdidos. E infelizmente Belivaldo hoje representa esse sistema podre. Não por querência dele, mas por ter sido eleito nesse contexto. Porque Belivaldo Chagas não é um canalha, mas ele provavelmente vai entrar para a história como um dos piores governadores de Sergipe por estar refém disso tudo. Queria muito, inclusive, poder contribuir. Não tenho interesse nenhum em participar do governo, mas coisas que eu falo em plenário ele adota, como a do turismo de que já falamos, a redução do ICMS para o combustível de avião, que eu fiz o projeto. Mas podia ser uma mais completa.

JLPolítica - Como é a sua interlocução pessoal com o governador?
RV -
Eu já pedi para ele me receber, mas não recebe, o que acho besteira, pois só quero contribuir com meu Estado. Fico triste de ver uma pessoa de que estive a vida toda por perto, era um grande amigo de meu pai, refém disso tudo. Provavelmente vai sair do Governo - a gente sabe que no TSE não vai demorar - e o que vai ser de Belivaldo? Vai ser completamente abandonado por esses ditos aliados, e isso me dói.

VALADARES FILHO NÃO DEVERIA SER CANDIDATO A PREFEITO
“É o que eu digo a ele. Mas acho que ele deveria focar - e aqui eu não quero me intrometer na vida do PSB nem na de Valadares Filho, que é um primo muito querido - na candidatura à Câmara Federal, onde ele teria grandes chances”

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É filho de Simone Chrystine Santana Valadares e irmão de Fábio Santana Valadares, de 27 anos

JLPolítica - O senhor acha que ele perde o mandato definitivamente?
RV -
Acho muito difícil reverter.

JLPolítica - A frente de oposicionistas na Alese, da qual o senhor faz parte, consegue fazer cócegas contra os interesses do Governo de Belivaldo Chagas?
RV -
Não tenho dúvida nenhuma. Se não tivéssemos incomodando tanto não estaríamos sendo tão falados. Claro, se você for por uma linha objetiva e me perguntar se numa votação a gente poderia ganhar, eu diria que é difícil, porque a gente tem que fazer uma mobilização muito grande. Mas na parte da conscientização da população e das demandas, a gente está conseguindo muitos avanços.

JLPolítica - O senhor acha que o Governo de Belivado é bem-defendido na Alese pelo bloco de governistas?
RV -
O bloco dos governistas faz a parte deles. O problema é que é difícil defender algo que está muito ruim. O Governo de Belivaldo é quase indefensável.

JLPolítica - O senhor veste a carapuça de rei das fake news que tentam lhe dar, ou acha isso desproporcional?
RV -
Não visto. Na verdade, isso foi uma invenção de Edvaldo Nogueira, através do seu marqueteiro Carlos Cauê, dois comunistas. Eles utilizam de uma tática leninista, que é a do “acuse-os do que você é”. Edvaldo sabe que ele pegou a fama de prefeito-pinóquio por ter mentido muito durante as eleições. Prometeu revogar o aumento do IPTU, não fez. Prometeu fazer a licitação do transporte público, não fez. Fez uma musiquinha dizendo para chamar ele que a cidade estava parada, esburacada, e a cidade continua um caos. Então, ele sabe que é mentiroso e utiliza desse expediente para me colocar como autor de fake news. A única fake que me atribuem foi um vídeo postado por engano, que, no mesmo dia foi corrigido. Assumimos ali o nosso equívoco. E eu pergunto: o que Edvaldo vai fazer a respeito das mentiras dele? Vai resolver ou mentir?

JLPolítica - Se tivéssemos eleições em outubro de 2019 para a Assembleia, o senhor acha que, pelo seu comportamento, excederia os 15.221 votos?
RV -
Olhe, fiz uma campanha sendo um candidato extremamente desconhecido, que as pessoas fazem associação à minha família e também a meu pai. Hoje, eu tenho a oportunidade de mostrar minha própria imagem e, graças a Deus, a aceitação está sendo surpreendente do ponto de vista positivo. Eu saía na rua e ninguém me conhecia. Hoje eu saio e sou bem-recebido. Fico muito feliz pelo meu trabalho estar sendo aceito, mas em relação à votação não tenho como mensurar. Mas acredito que pudesse aumentar pela aceitação com o eleitorado.

VENEZUELA, REFORÇO AOS PRINCÍPIOS DA DIREITA
“A gente está vendo agora na Venezuela, nossa vizinha, o que que está acontecendo: hoje professoras universitárias dali estão recorrendo à prostituição para poder se alimentar. As pessoas não têm o básico do serviço público e é isso que a esquerda gera”

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Com o chamado G4. Grupo de quatro deputados que fazem oposição ao Governo Belivado Chagas: Samuel Carvalho, Kitty Lima, ele e Georgeo Passos