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Entrevista

Jozailto Lima

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Rogério Carvalho: “Espero reciprocidade de confiança de Jackson Barreto”

Publicado em  26  de maio de  2018, 20:00h

“Lula está muito vivo e será a maior força política desta eleição”

Uma eleição na qual se escolha um senador para pensar diferentemente Sergipe e o Brasil, onde não haja espaço para uma “aliança subliminar e de subterrâneos” entre opositores - no caso, entre Jackson Barreto, MDB, e André Moura, PSC - e em que o preso Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, vai ter um peso que surpreenderá a muita gente.

Estes são alguns dos pontos de vista que saltam desta entrevista com o ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-secretário de Estado da Saúde de Sergipe, “o quase senador” de 2014, Rogério Carvalho, PT. Ele é pré-candidato ao Senado este ano e está trabalhando diuturnamente para tentar chegar lá.

Não tem interesse em nenhum outro espaço eletivo, como os de vice-governador ou de deputado federal, mandato que conquistara em 2010, com 116.417 votos, o que faz dele um dos mais votados parlamentares da história contemporânea de Sergipe nos últimos 40 anos, pódio dividido com Augusto Franco, Marcelo Déda, Eduardo Amorim e Jackson Barreto.

No pós-São João, Rogério Carvalho vai apresentar à sociedade sergipana um projeto macro do que pensa como eventual senador por Sergipe e para o Brasil. Com exclusividade, adianta uns pontos – não todos. Por exemplo, não referenda o modelo que ele identifica praticado pelos três representantes do Estado, que é o de correr atrás de emendas de Orçamento da União e deixar de lado debates, temas e projetos mais consistentes e volumosos.

“O Senado tem mais tempo para debater os grandes temas. Para pautar o debate político nacional e interferir nas grandes direções do país. Acho que esse é um papel fundamental, porque hoje nós estamos mudos. Nós não temos senadores que cumpram esse papel no cenário nacional. Não só sergipanos. Isso em Sergipe é claro, evidente”, diz Carvalho.

“Um senador pode ter um papel, do ponto de vista econômico-regional, muito maior, porque todas as agências passam pelo Senado. O diálogo sobre as questões dos interesses do Estado são de responsabilidade do senador. Ele tem essa prerrogativa constitucional que tem que cumprir, isso na relação com o presidente. Não pode trocar aquilo que é a representação do seu Estado por emendas que diminuam a força e a capacidade para uma articulação altiva”, completa ele.

Para tentar pela segunda vez pisar no tapete do Senado como um representante de Sergipe, Rogério Carvalho prefere manter-se na mesma calha político-partidária de 2014. Ou seja, numa aliança com os governistas, via MDB de Jackson Barreto. A mesma aliança que lhe deixou há quatro anos com apenas 31.114 votos atrás de Maria do Carmo – 416.988 votos dele, 45,52% dos válidos, e 448.102, 48,91%, dela.

“Esse bloco é uma construção da qual nós participamos, nós somos criadores não individualmente. Não Rogério, mas o PT liderou esse bloco. O PT está na origem. O fato de a gente não liderar, não quer dizer que a gente não tem que estar aqui nesse bloco”, justifica. Rogério Carvalho é um animal político muito abespinhado. Já protagonizou bons sopapos desarmônicos na política de Sergipe.

Ele jura de pés juntos, no entanto, que mudou muito e que estaria surfando outras ondas, muito zen. Vem desse “novo Rogério” uma leitura distensionada sobre a central de boatos que bota Jackson Barreto e André Moura no saco de uma pareceria de subterfúgio na disputa pelo Senado. Pelo que Rogério bateria a cara contra o muro e sobraria na curva da disputa.    

“O senhor nutre alguma desconfiança na tal da aliança subliminar e de subterrâneos entre Jackson Barreto e André Moura na disputa pelo Senado?”, provoca-lhe uma pergunta dessa entrevista. “Não nutro desconfiança nenhuma”, responde ele.

E, mostrando que é um zen pouco dado a oferecer o outro lado da face, faz a sisuda advertência: “Acho que essa é uma eleição em que ou os candidatos se posicionam claramente de um lado ou de outro, ou vão perder. Quem ficar na ambiguidade não será agraciado pelo eleitor”, diz. Jura que do seu lado não há espaço para ambiguidade. “Jackson pode confiar na minha parceria. E eu espero o mesmo dele. Espero dele reciprocidade de confiança”, diz.

Da dupla JB-André, Rogério Carvalho tem observações graves a fazer do segundo. Para ele, a eleição de Senado de 2018 não pode sofrer interferência do poder econômico, como acontecera na de 2014, na qual ele ressente de diabruras financeiras de Albano Franco, cujo filho Ricardo Franco foi candidato a primeiro suplente de Maria.

“Eu diria que alguns candidatos têm arregimentado muitas lideranças, porque essas lideranças normalmente vêm em troca de algum benefício objetivo”, diz. O senhor está se referindo a André Moura? “André Moura é, sim, um candidato que precisa ser acompanhado e observado por todos os pontos de vista”, diz. 

Petista menos meloso do que Márcio Macedo, do tipo que acredita, sim, que o PT errou na condução do Brasil, Rogério Carvalho não aliena a visão de que Lula terá, preso ou não, fortíssimo peso nas eleições do Brasil neste ano.

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Partidário obediente: quer Lula livre e chama Temer de golpista
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Nasceu em Aracaju, mas conheceu a infância e adolescência em Lagarto

A REAL DIMENSÃO DE UM SENADOR
“Acho que um senador precisa ter uma posição clara do que quer fazer por nosso país, por nosso Estado. O Senado tem mais tempo para debater os grandes temas”

JLPolítica - Para convencer o eleitor sergipano este ano, um candidato ao Senado precisa ter que mensagem?
Rogério Carvalho -
Precisa responder às grandes questões nacionais que estão na agenda de todas as pessoas. É difícil a gente imaginar uma eleição regional na qual a gente vê uma preocupação maior com temas nacionais, de grande relevância, como nessa eleição. Mas é assim. Acho que um senador precisa ter uma posição clara do que quer fazer por nosso país, por nosso Estado. Obviamente, qual o papel que o ente federado, regional, tem que ter no desenvolvimento econômico. Isso tem que ser revisto totalmente. Então, é preciso que um senador fale sobre isso. E também sobre as questões da cidadania, que é o que está em xeque, o que caracteriza cidadão brasileiro, seus direitos. Está na ordem do dia.

JLPolítica - As necessidades locais se conectam às nacionais?
RC -
Totalmente. Porque na hora em que você elimina o direito da pessoa se aposentar, o direito de ela receber uma pensão do cônjuge, e se isso passa por uma reforma nacional, dialoga diretamente com quem está situado localmente. Quando você faz uma emenda constitucional que corta gastos ou que congela gastos públicos, você vai gerar menos distribuição de riqueza no país inteiro: menos educação, menos saúde, menos assistência social e, no final das contas, menos distribuição de riqueza e menos direitos para população.

JLPolítica – Quais são os reais papel e interlocução que um bom senador por Sergipe necessariamente deve ter com a Presidência da República para fazer bem ao Estado e ao mandato?
RC -
Pela Câmara, passam todos os projetos de iniciativa do Governo Federal. Então, a Câmara faz a limpeza e praticamente prepara a matéria para que ela vá a um juízo final, que é no Senado. O Senado tem mais tempo para debater os grandes temas. Para pautar o debate político nacional e interferir nas grandes direções do país. Acho que esse é um papel fundamental, porque hoje nós estamos mudos. Nós não temos senadores que cumpram esse papel no cenário nacional, não só sergipanos. Isso em Sergipe é claro, evidente.

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Mas em Lagarto, flexibiliza o rigor das convicções e é capaz de compor a mesa de André Moura, que lidera o "golpista" Governo Temer no Congresso Nacional, de olho nos votos que podem lhe render o apoio do prefeito Valmir Monteiro

ROTINAZINHA DE EMENDAS AO ORÇAMENTO DA UNIÃO
“A emenda ao Orçamento da União é importante, mas não é o foco central da atividade de um senador. É apenas complementar. Mas virou principal. Eu acho isso pobre. Muito pobre”

JLPolítica – O que pode um senador?
RC -
Um senador pode ter um papel, do ponto de vista econômico-regional, muito maior, porque todas as agências passam pelo Senado. Todos os ministros passam pela aprovação do Senado, e o diálogo sobre as questões dos interesses do Estado são de responsabilidade do senador. Ele tem essa prerrogativa constitucional que tem que cumprir, isso na relação com o presidente. Não pode trocar aquilo que é a representação do seu Estado por emendas que diminuam a força e a capacidade para uma articulação altiva. 

JLPolítica – Mas, especificamente, qual é o seu conceito dessa articulação exercida hoje pelos três que estão em Brasília?
RC –
Creio que é uma articulação que não está à altura do Estado. Primeiro, porque não pauta nenhum grande tema nacional. Segundo, não tem a interlocução que deveria ter com o Governo, porque estão submetidos a interesses menores de troca por emendas, por votação. É muito pouco para resolver questões que são de abrangência geral do Estado, como é para ser o verdadeiro papel do senador. 

JLPolítica - Tem alguém pior entre os três? 
RC -
Eu diria que é difícil, neste momento, nesta conjuntura. Os três não têm cumprido o papel de destaque naquilo que deve ser o papel do senador. 

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Em 2014, não conseguiu chegar ao Senado, na chapa majoritária que reelegeu Jackson governador: revindica outra chance

COM OS INTESTINOS JUDICIALMENTE LIMPOS
“Graças a Deus. Tenho um processo, que é um ato culposo e não doloso, sem gerar danos ao erário. Não sugere inelegibilidade. Discuto isso no STJ para tentar reformular a decisão e não precisar ir ao TSE”

JLPolítica – O senhor não acha pouquíssima, e burocrática, essa rotinazinha de emendas ao orçamento da União que eles apresentam anualmente?
RC -
Eu acho isso pobre. Muito pobre. O senador tem todos os dias naquela tribuna todas as matérias de grande relevância do país. Ele pode influir nas decisões da nação de modo a atender interesses gerais do Estado, em defesa das pessoas. Por exemplo: a questão do nosso pré-sal aqui de Sergipe. Por que que vai ampliar a exploração do Rio de Janeiro e a gente não tem exploração em Sergipe? Por que a Fafen vai ser fechada com três senadores calados? Por que que não concluir a duplicação da BR-101? Por que que a BR-235 não é duplicada? Por que que a SE-270, que liga lagarto à BR-101, os dois grandes eixos estruturantes, não é duplicada? Por que que o gás natural não chega a todas as regiões, sendo Sergipe um grande produtor desse tipo de gás? A emenda ao Orçamento da União é importante, mas não é o foco central da atividade de um senador. É apenas complementar. Mas virou principal. 

JLPolítica – Olhando para os Estados vizinhos, o senhor não acha que Sergipe tem perdido muito em termos de obras e projetos de infraestrutura nacionais?
RC -
Sim, porque fica focado nas emendas e não na grande discussão e nem na interferência das grandes diretrizes do nosso país. Porque se eu recebo a emenda e me contento, eu não faço grandes debates dos grandes eixos que promovem o desenvolvimento. Por isso Sergipe está fora. 

Política – Perante a Justiça eleitoral, o senhor está com os intestinos políticos limpos judicialmente, ou corre perigo de uma interdição?
RC -
Com os intestinos bastante limpos, graças a Deus. Agora, eu tenho um processo, que é um ato culposo e não doloso, sem gerar danos ao erário. Portanto que não sugere inelegibilidade. Estou discutindo isso no STJ para tentar reformular a decisão e não precisar ir ao TRE ou ao TSE antes do pleito.  

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Entende que Belivaldo é correto, simples e popular. Aposta na companhia de Jackson como candidato ao Senado

COM OS INTESTINOS JUDICIALMENTE LIMPOS
“Graças a Deus. Tenho um processo, que é um ato culposo e não doloso, sem gerar danos ao erário. Não sugere inelegibilidade. Discuto isso no STJ para tentar reformular a decisão e não precisar ir ao TSE”

JLPolítica - Mas o que diria a quem acha que o senhor não terá candidatura exatamente por essa questão jurídica?
RC -
Não creio que isso será um impedimento à minha candidatura, por causa exatamente de ser uma condenação por um ato culposo. Para a improbidade gerar a inelegibilidade, precisa haver um ato doloso.

JLPolítica – O senhor se imagina um candidato ao Senado fora do ninho dos governistas?
RC -
Não. Porque esse bloco é uma construção da qual nós participamos, nós somos criadores não individualmente. Não Rogério, mas o PT liderou esse bloco. O PT está na origem. O fato de a gente não liderar, não quer dizer que a gente não tem que estar aqui nesse bloco. O PT é uma construção coletiva. Vai alternando. Foi com Marcelo Déda, foi com Jackson Barreto e agora, vai com Belivaldo Chagas. Daqui a pouco pode ser o PT de novo, quem sabe. 

JLPolítica – As pregações da Articulação de Esquerda, inclusive com duas pré-candidaturas majoritárias, via Professor Dudu e Joel Almeida, serão abafadas pelo resto do PT?
RC –
Não. Eles terão oportunidade de apresentar seus nomes e o partido vai definir o que for mais interessante do ponto de vista da maioria. Se eles conseguirem a maioria, eles têm chance. Particularmente, acho que eles não conseguirão a maioria. 

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Mas não é a vontade de uma banda de seu partido, que reivindica candidatura própria do PT para Governo e Senado

O SENADO POR PROJETO ÚNICO DO PT
“O PT tem uma prioridade enquanto partido: estou pleiteando uma vaga no Senado. Isso vai ser a nossa prioridade. Duas representações é lisonjeio demais. Mas se tiver uma vaga só, essa será para o Senado” 

JLPolítica – O ex-governador Jackson Barreto seria um parceria crível e ideal nesta sua empreitada para tentar chegar ao Senado?
RC –
Sim. Acho que a gente se complementa. A questão é como nós vamos construir essa complementaridade na disputa. Mas estamos abertos a isso. 

JLPolítica – O senhor não acha demais o PT ter duas representações na chapa majoritária dos governistas, uma de senador e outra de vice?
RC -
O PT tem uma prioridade enquanto partido. É em função do momento histórico do país que estou pleiteando uma vaga no Senado da República. Para reorganizar e reestruturar o nosso país, então isso vai ser a nossa prioridade. A gente fica muito feliz de ter o reconhecimento dos demais partidos. Duas representações, para nós, é lisonjeio demais. Mas a gente tem que ter uma definição: se tiver uma vaga só, essa será para o Senado. 

JLPolítica - O PT não acha que a vice possa preterir a vaga de Senado?
RC -
Não. Não passar por aí. 

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E de uma banda do MDB: a lagartense dinastia Reis não quer Rogério Carvalho na chapa majoritária governista

VISÃO RETROSPECTIVA DA DERROTA DE 2014
“Era uma disputa contra forças muito poderosas. Enfrentei uma candidata que era um mito; Albano Franco, com todo o poder econômico e midiático, e o prefeito da capital, que era uma grande liderança histórica”

JLPolítica - O que acha da defesa do prefeito de São Cristóvão, Marcos Santana, de que o senhor deveria ser o candidato a vice-governador na chapa de Belivaldo Chagas e não Eliane Aquino?
RC -
Eu respeito a opinião do prefeito Marcos. Acho que quando declara isso, ele reconhece a capacidade de agregar valor à chapa de Belivaldo Chagas do ponto de vista executivo, do ponto de vista da formulação. Mas tenho um papel partidário a cumprir, que tem uma relevância muito grande para o partido. E o partido identifica isso como relevante também para sua posição no país, que é disputa ao Senado. 

JLPolítica - O senhor tem planos de lançar em breve um projeto de candidatura ao Senado? 
RC -
Sim. Esperamos fazer isso depois dos esteios juninos, para que não haja uma competição desleal com essa que é uma grande manifestação do nosso povo. 

JLPolítica - Num esboço simples, o que o senhor dirá à sociedade?
RC -
Primeiro que o senador da República deve cumprir um papel de defesa dos interesses maiores do Estado – bem dentro do formato que tratamos numa resposta anterior. E, nessa perspectiva, que a gente resolva as questões da nossa infraestrutura sergipana - como BRs-101 e 235 e a SE-270, que são nossos eixos mais importantes -, que a gente garanta o gás natural em todas as regiões do Estado, que consolide os campi da Universidade Federal de Sergipe e do IFS em todo o território do Estado, e que se faça um debate sobre o papel dos Estados no desenvolvimento da economia e da distribuição de renda do nosso país. 

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Eleito deputado estadual em 2006, licenciou-se da Alese para ser o secretário de saúde do primeiro Governo de Déda

QUESTÃO FINANCEIRA SERÁ DISSIPADA EM 2018?
“A luta será desigual e espero que a justiça e o Ministério Público fiquem atentos à disputa eleitoral, à compra de lideranças, que é uma vergonha. André Moura precisa ser observado por todos os pontos de vista”
 

JLPolítica - O senhor tocaria no Pacto Federativo? 
RC –
Não só isso. A União tem um papel na macroeconomia, que define câmbio, inflação, meta. Ou seja, tem um papel macro. A organização microeconômica, das cadeias produtivas, da vida real, requer um posicionamento do Senado sobre a disponibilização de crédito para fomentar a organização e o desenvolvimento dessas cadeias produtivas e, assim, gerar emprego. Porque o problema do desemprego, que é o que mais aflige a população, não será resolvido sem desenvolvimento econômico, que, por sua vez, requer crédito disponível e política para reorganizar esse desenvolvimento. Então o senador pode disputar isso com veemência e força. 

JLPolítica - Numa visão retrospectiva e ligeira: por que o senhor não se elegeu senador em 2014?
RC -
Porque tive de enfrentar muitas forças. Era uma disputa contra forças muito poderosas. Enfrentei, ao mesmo tempo, uma candidata que era um mito, a dona Maria; enfrentei Albano Franco, com todo o poder econômico e midiático, e enfrentei o prefeito da capital, que também era uma grande liderança histórica. Então eu tive que enfrentar, na mesma eleição, o poder econômico, o da mídia corporativa, o do mito e o de João Alves, marido de Maria. Além das dificuldades que tivemos, que são naturais de uma campanha, como falta de financiamento. 

JLPolítica - Essa questão financeira será dissipada para 2018? 
RC -
Da condição de fazer campanha, sim. Mas a luta será desigual e eu espero que a justiça e o Ministério Público consigam ficar atentos à disputa eleitoral, à compra de lideranças, à compra de votos, que é uma vergonha. 

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Desincompatibilizou-se em 2010 do comando da Saúde para disputar e conquistar uma vaga na Câmara Federal

DESCONFIANÇA NA TAL ALIANÇA SUBLIMINAR JB-ANDRÉ
“Não nutro desconfiança nenhuma. Essa é uma eleição em que ou os candidatos se posicionam claramente de um lado ou de outro, ou vão perder. Quem ficar na ambiguidade não será agraciado pelo eleitor” 

JLPolítica - Quem, como em 2014, teria em 2014 esse poder? 
RC -
Eu diria que alguns candidatos que têm arregimentado muitas lideranças, porque essas lideranças normalmente vêm em troca de algum benefício objetivo. 

JLPolítica - O senhor está se referindo a André Moura?
RC -
André Moura é, sim, um candidato que precisa ser acompanhado e observado por todos os pontos de vista. 

JLPolítica – Há mudança profunda ou só superficial naquele antigo Rogério Carvalho bateu-levou?
RC –
Eu diria que há mudanças profundas. Até porque a própria maturidade traz a compreensão de que você não consegue resolver tudo sozinho. Isso me coloca numa condição de mais tranquilidade. De mais paz, mais tolerância e mais compreensão.

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É do tipo que acredita, sim, que o PT errou na condução do Brasil

MUDANÇAS PROFUNDAS OU SUPERFICIAIS NO ROGÉRIO BATEU-LEVOU?
Diria que profundas. A própria maturidade traz a compreensão de que você não resolve tudo sozinho. Isso me coloca numa condição de mais tranquilidade. De mais paz, mais tolerância e mais compreensão”

JLPolítica - E isso traz resultado bom eleitoralmente?
RC -
Para mim, é menos relevante que isso gere resultado eleitoral. É mais relevante para mim enquanto pessoa. 
Porque assim eu tenho uma vida mais serena. 

JLPolítica – A classe médica já lhe manda mais flores do que antes?
RC -
Sim, porque acredito que ao longo do tempo o distanciamento vai mostrando o que foi feito e o que não foi feito. E aí a comparação ainda é inevitável. 

JLPolítica – É verdade que o senhor mantém uma interlocução meio fogo-de-monturo com os Valadares?
RC -
Não é verdade. Eu não tenho esse tipo de relação com os Valadares. 

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“Lula continua sendo o principal ator e a principal liderança política do país", aposta

CHANCES DE MÁRCIO MACEDO E JOÃO DANIEL ELEITORALMENTE
“Os dois têm chances, mas precisam ampliar seus leques de aliança e a construção política para que, numa disputa dentro da chapa, tenham votação que lhes garanta quórum mínimo de estar à frente dos demais”
 

JLPolítica – O senhor nutre alguma desconfiança na tal da aliança subliminar e de subterrâneos entre Jackson Barreto e André Moura na disputa pelo Senado?
RC –
Não nutro desconfiança nenhuma. Acho que essa é uma eleição em que ou os candidatos se posicionam claramente de um lado ou de outro, ou vão perder. Quem ficar na ambiguidade não será agraciado pelo eleitor. 

JLPolítica - Tem espaço para ambiguidade na sua candidatura? 
RC -
Não. Não tem. Jackson pode confiar na minha parceria. E eu espero o mesmo dele. Espero dele reciprocidade de confiança. 

JLPolítica – O senhor defende que o PT deve ir de chapinha ou de chapão na proporcional?
RC -
Esse é um debate que ainda está muito cedo, porque vai depender de como os partidos vão apresentar as suas chapas. Se vem com um candidato só e nós vamos com três, obviamente, vamos ter prejuízo, porque vamos dar mais votos e receber menos. Depende muito de como os partidos vão se apresentar para compor essa chapa. 

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O prefeito de São Cristóvão, Marcos Santana, quer Rogério vice de Belivaldo

“BELIVALDO CHAGAS É UM HOMEM POPULAR, NÃO POPULISTA”
“É um homem correto. O principal traço dele é a objetividade com que se relaciona com as pessoas e a posição honesta com que ele se posta e se manifesta na vida pública. Vejo nele um homem e popular. Não populista”

JLPolítica - O que é que este ano reserva para Márcio Macedo e João Daniel eleitoralmente?
RC -
Eu acho que Márcio tem a favor dele o fato de cultivar uma identidade muito forte com Lula. João Daniel tem a favor dele a construção que ele fez junto aos movimentos sociais. Acho que os dois têm chances, mas ainda precisam ampliar seus leques de aliança e a construção política para que, numa disputa dentro da nossa chapa, tenham votação que lhes garanta quórum mínimo de estar à frente dos demais. 

JLPolítica - Os dois são convergentes ou divergentes ao seu projeto de Senado?
RC
- São convergentes. 

JLPolítica – Se não legitimarem Eliane Aquino candidata a vice-governadora, ela obviamente deve disputar um mandato de deputada federal? Isso traz que efeitos à disputa interna do PT?
RC -
Bom, eu acho que isso traz um efeito em como o PT vai disputar a eleição. Vamos poder pensar e encaminhar uma chapa individualizada, sob pena de não eleger ninguém?  

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Vê chances concretas de João Daniel e Márcio Macedo ganharem uma nova vaga na Câmara Federal

LULA SERÁ A MAIOR FORÇA DESTA ELEIÇÃO
“Lula continua sendo o principal ator e a principal liderança política do país quando observadas as intenções de voto. E a maior referência da população no que diz respeito a um governo de lembranças boas”

JLPolítica - Numa dessas entrevistas domingueiras com o senhor para este portal, publicada no dia 15 de junho de 2017, o título era, na primeira pessoa, “Lula não sairá de cena nem morto”, quando se discutia a possibilidade de prisão ou não dele. Essa previsão está valendo?
RC –
Está muito. Aliás, mais do que nunca. Lula continua sendo o principal ator e a principal liderança política do país, quando observadas as intenções de voto. E a maior referência da população no que diz respeito ao que ela espera de um governo de lembranças boas. Então Lula está muito vivo e vai ser a maior força política desta eleição de 2018. 

JLPolítica - A caravana “Lula Livre”, que em Sergipe o senhor tem liderado, tem apenas pretensão de efeito político ou jurídico também?
RC -
A caravana “Lula Livre” é um movimento de defesa do nosso legado. De defesa da inocência do companheiro Lula. Mas, obviamente, que a gente não espera, com isso, resolver aquilo que deve ser resolvido nos tribunais. Mas trata-se de uma força que conforta as pessoas. É isso que a gente sente: que a caravana conforta os admiradores de Lula. E esse é um movimento politicamente interessante. 

JLPolítica - Qual é o espólio do PT de Sergipe hoje?
RC -
Eu diria que ele é bom, porque a gente tem o legado de Marcelo Déda e tem o legado de governos nacionais do PT, que criaram uma rede de proteção social. Esse legado é legítimo na sociedade. Nesse momento, a sociedade identifica a importância desse espólio. 

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É médico formado pela Universidade Federal de Sergipe

OS ERROS COMETIDOS PELO PT
“O PT, e qualquer partido que governa, vai cometer erros sim. O PT, como qualquer instituição comandada por gente, vai cometer erros. E cometeu. Não os erros que nos imputam, mas cometeu vários”

JLPolítica – Que tipo de benefício teria um candidato ao Governo de Sergipe que vá à eleição colado ao nome de Luiz Inácio Lua da Silva candidato ou não à Presidência?
RC –
Teria o benefício do reconhecimento de um governo que melhorou a vida das pessoas com programa de transferência de renda, bolsa família, que mexe na vida das pessoas. Como o Minha Casa Minha Vida e o Luz Para Todos, que também mexeram com a vida das pessoas e com a vida no campo. As universidades, a oportunidade da juventude mais pobre fazer um curso superior, mexe com a estrutura familiar e agrega linguagens novas. Então são grandes feitos que hoje fazem do ex-presidente Lula uma referência que qualquer um que se aproximar pode tirar benefício. O legado do ex-presidente Lula e dos governos do PT, pelo que temos visto e sentido, é muito mais positivo do que negativo. 

JLPolítica - Há riscos de não ser Belivaldo Chagas o credor desse legado?
RC –
Não corre esse risco. Belivaldo é um homem correto. 

JLPolítica – Qual é o principal traço que o senhor identifica nele?
BC –
O principal traço de Belivaldo Chagas é a objetividade com que ele se relaciona com as pessoas e a posição clara e honesta como ele se posta e se manifesta na vida pública.

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Com duas de suas três filhas: a primogênita Júlia e a caçula Valentina

JLPolítica – O senhor vê traço de populismo nele?
BC –
Não, não vejo. Eu vejo nele um homem simples e popular. Não populista.

JLPolítica – O senhor professa uma crença 100% de que o seu PT não cometeu erros gravíssimos na condução do Brasil de 2003 até Dilma Rousseff? 
RC -
Não. PT, e qualquer partido que governa, vai cometer erros sim. O PT, como qualquer instituição comandada por gente, vai cometer erros. E cometeu. Não os erros que nos imputam, mas cometeu vários. 

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Acima, com os três irmãos e as duas irmãs. Abaixo, com a mãe Maria de Lourdes de Carvalho Santos, que trouxe Rogério ao mundo em 2 de agosto de 1968