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Entrevista

Jozailto Lima

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Rogério Carvalho - “Não acredito que Lula nos remeta a Edvaldo Nogueira”

“Márcio Macedo tem muita vontade de ser prefeito e está aberto à tarefa de servir”
22 de fevereiro - 20h

Pensando ou não no Governo do Estado em 2022, o médico e senador Rogério Carvalho, PT, converteu-se no maior padrinho da pré-candidatura do ex-deputado federal Márcio Macedo à Prefeitura de Aracaju este ano. Logo, é um dissidente-em-chefe do projeto de reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira. É recomendável não convidá-los a um cafezinho em comum.

Mas não é só disso que se faz o personagem Rogério Carvalho hoje na política sergipana e na nacional. Ele está conseguindo manter aquela uma certa serenidade na leitura da vida e da política, algo obtido entre 2014 e 2018, quando perdeu a primeira eleição de senador e amargou uma planície de quatro anos.

E nessa visão de serenidade, Rogério insiste na tese de que o PT, apesar de tudo, tem um extrato mais positivo do que negativo na vida brasileira e, obviamente, na sergipana.

E é desse contexto que Rogério Carvalho acha que o seu partido, em Sergipe, vai resgatar o protagonismo iniciado por Marcelo Déda em 2000 e mantido até 2010, na simbologia de duas eleições de prefeito de Aracaju e duas de governador de Sergipe - as quatro, milagrosamente, de primeiro turno, e graças ao muque do próprio Déda -, mas perdido em 2014 e em 2018.

No centro desse resgate petista, Carvalho coloca a pré-candidatura de Márcio Macedo a prefeito de Aracaju agora em 2020 como uma espécie de argamassa forte, de sustança inestimável. Na visão dele, nada detém o projeto Márcio-PT. Nem mesmo Luiz Inácio Lula da Silva, que continua idolatrado pelos petistas de Sergipe e, até certo ponto, com prestígio em alta na capital e no Estado.

Para Rogério, passa longe a ideia de que Lula peça para desarmar a tenda e recolher a candidatura de Márcio - uma tese ainda acalentada no agrupamento que elegeu Edvaldo Nogueira em 2016 - para manter a integridade dos governistas em torno do atual prefeito.

“Não acredito que Lula faça isso, nos remeta a Edvaldo Nogueira. Até porque Lula está muito satisfeito, inclusive muito grato e muito feliz com essa unidade construída no PT de Sergipe. Não é uma unidade forçada”, diz o senador.

“Nós reencontramos o equilíbrio, o reencaixe, e isso deixa o ex-presidente muito satisfeito, e muito mais satisfeito ainda de saber que apesar das dificuldades que nós tivemos no passado eu tenho sido um dos principais apoiadores da pré-candidatura de Márcio Macedo, o que demonstra maturidade, crescimento, reencaixe e reordenação do partido”, diz.

Ademais, o senador admite que Edvaldo Nogueira deu muitos sinais de que não quis a companhia de Lula e nem a do PT em muitas oportunidades nos últimos tempos. “Edvaldo fez uma opção, ao longo do governo dele, de ir pro centro-direita. E teve alguns momentos, importantes para a gente, como foi por exemplo o do impeachment da Dilma Rousseff, que ele não se posicionou”, diz.

“Depois, quando Lula esteve aqui na Caravana, e eu estava coordenando essa Caravana em Sergipe, Edvaldo disse que só receberia Lula se fosse na Prefeitura. E não foi ao evento com a presença de Lula. Edvaldo não queria essa proximidade com Lula”, reforça.

Também não é só de pré-candidatura de Márcio Macedo, de protagonismo do PT no Estado e de restrições a Edvaldo Nogueira que faz-se o “novo” arcabouço do senador Rogério Carvalho.

Ele se diz contente com o desempenho do seu primeiro de ano de mandato, é resistente em fazer alguma mea culpa dos visíveis erros do PT, e acha que o Brasil retrocedeu ao período pré-renascentista com o Governo de Jair Bolsonaro.

“Ficam pedindo muito uma autocrítica do PT, e eu pergunto: alguém está fazendo autocrítica sobre as políticas e o que Jair Bolsonaro está fazendo com relação ao meio ambiente, à indústria, as relações internacionais, às minorias, à Previdência, à área social, ao mundo do trabalho? Qual é a autocrítica que está sendo pedida ao Governo Bolsonaro?”, fustiga ele.

Ah, sim, Rogério diz não arquivou o sonho de um dia governar Sergipe, mas admite que essa não é uma pauta da hora. “Governar o Estado em que se nasce e onde você se milita politicamente é uma honra para qualquer cidadão. Se eu tiver a oportunidade de ser candidato dentro de um contexto, para mim vai ser uma honra. Não coloco como uma questão de vida ou morte, que me mova agora. O que me move agora é exercer e fazer um grande mandato como senador, porque aprendi a viver o agora”, diz ele.

Rogério Carvalho dos Santos nasceu em Aracaju no dia 2 de agosto de 1968 – está, portanto, com 51 anos -, mas foi criado até os 14 anos no município de Lagarto, de onde são os pais Nourival da Silva Santos, falecido, e Maria de Lourdes de Carvalho Santos, uma senhorinha que ainda hoje vive numa chácara dentro da zona urbana, onde ordenha pessoalmente umas vaquinhas pro leite doméstico.

Ele é pai de três mulheres - Júlia Feliz Carvalho Santos, de 19 anos, Raquel Feliz Carvalho Santos, 18, e Valentina Cunha Wanderley de Carvalho, de apenas 5. É médico com graduação pela Universidade Federal de Sergipe e com residência em Medicina Preventiva pela Universidade de Campinas - Unicamp - de São Paulo. É mestre e doutor em Saúde Pública.

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Aposta que nem Lula barra a pré-candidatura de Márcio Macedo
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Rogério Carvalho dos Santos nasceu em Aracaju no dia 2 de agosto de 1968

O QUE DIFERE NOS MANDATOS DE DEPUTADO E SENADOR
“O mandato de deputado requer do parlamentar uma especialização. O senador precisa ser um generalista. Portanto, precisa desfocar da área específica de interesse e formação de vida e procurar entender de todos os temas que mexem com a vida das pessoas, porque pelo Senado vai passar de um tudo”

JLPolítica - É mais fácil dizer quem se é no Senado do que na Câmara?
RC –
Sim, é bem mais fácil. 

JLPolítica – E qual é a avaliação que o senhor tem do seu desempenho no primeiro ano do mandato de senador?
RC -
Eu acho que foi um ano dentro das expectativas da maioria das pessoas que votaram em mim, porque eu sinto esse retorno nas ruas. Onde eu chego, as pessoas reforçam que eu estou no caminho certo - e isso é muito importante. Mas também pelo fato de as avaliações consistentes que instituições fazem do desempenho dos parlamentares, e aí em todas elas eu tive um bom desempenho.

JLPolítica – Quais, por exemplo?
RC -
Na avaliação do Diap, que é uma das mais conceituadas, fiquei entre Os Cabeças do Congresso no primeiro e no segundo semestre. Na avaliação feita pela Adviser, fiquei entre a elite do Congresso. Fiquei entre os dez mais populares na do Congresso em Foco, e pela FSP, que avalia a influência das redes sociais, saí da 79ª posição para a 13ª, sendo o parlamentar que mais cresceu no último trimestre como influente nas redes sociais. São quatro avaliações positivas.

JLPolítica – Tem havido alguma complicação em sentar lado a lado da senadora Maria do Carmo?
RC –
Nenhuma. Muito pelo contrário. E tenho com ela hoje uma relação de muito carinho, muito respeito – isso tanto dela comigo quanto de mim para com ela. Eu disputei uma eleição com dona Maria, mas eu não sou inimigo dela. Eu posso dizer até que tenho uma relação de afeto e, até certo ponto, de amizade, porque me preocupo com ela. Eu tenho cuidados com ela. Vou, inclusive, fazer um discurso em homenagem ao ex-governador João Alves e ao ex-governador e meu correligionário Marcelo Déda, por serem, na minha opinião, os políticos mais marcantes de Sergipe dos séculos XX E XXI.

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Filho da UFS, por onde se fez médico, hoje Rogério Carvalho devolve o aprendizado com o ensino: é professor concursado de Saúde e Sociedade no curso de Medicina dela

QUE STATUS CONSEGUIU NO PRIMERIO ANO DE MANDATO?
“Na avaliação do Diap, fiquei entre Os Cabeças do Congresso no primeiro e no segundo semestre. Na avaliação da Adviser, fiquei entre a elite do Congresso. Fiquei entre os dez mais populares na do Congresso em Foco, e pela FSP, que avalia a influência das redes sociais, saí da 79ª posição para a 13ª, sendo o parlamentar que mais cresceu no último trimestre. São quatro avaliações positivas”

JLPolítica - Como é estar no outro lado, na condição de oposicionista, após tantos anos de governo?
RC -
Eu vivi quatro anos como parlamentar de situação e agora estou vivendo essa condição de opositor no Senado. E é muito mais difícil, porque você tem um papel na resistência e na redução de danos do que propriamente de aprovar suas proposições positivas. Mas isso não é mais nem menos importante. Isso é um anteparo que a sociedade precisa. De alguém que faça esse papel do barramento, da correção de trajetórias. É da natureza da democracia.

JLPolítica - O convite a Lurian Silva para ser sua assessora é uma decisão pessoal ou um lance para se aproximar mais do pai da moça?
RC -
Foi um gesto de solidariedade pessoal. Porque eu fiquei sabendo que ela tinha vontade de vir morar no Nordeste em função do clima e da segurança, porque a violência policial e institucional no Rio de Janeiro a deixava muito assustada. Quando eu soube, eu ofereci a ela a possibilidade de ela vir trabalhar no meu gabinete aqui em Sergipe. Não foi pedido do partido, não foi pedido do pai dela, Lula. Não foi pedido de ninguém: eu que tomei conhecimento da situação dela e solidariamente propus que viesse trabalhar comigo. Ela aceitou.

JLPolítica – Quais as atribuições de Lurian no contexto do seu mandato?
RC -
Ela é jornalista e deve cumprir a tarefa nessa esfera comunicacional aqui em Sergipe. 

JLPolítica - O senhor pretende tê-la no processo político-eleitoral de 2020?
RC -
Não. Não a vejo com pretensões políticas para 2020, ou depois. Mas ela me ajudará, e nos ajudará aqui, em todos os processos eleitorais municipais.

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Com Gleisi Hoffmann, deputada federal e presidente nacional do PT

POR QUE LURIAN SILVA COMO ASSESSORA EM SEGIPE?
“Foi um gesto de solidariedade pessoal. Porque eu fiquei sabendo que ela tinha vontade de vir morar no Nordeste em função do clima e da segurança, porque a violência policial e institucional no Rio de Janeiro a deixava muito assustada. Não foi pedido do partido, não foi pedido do pai dela, Lula. Não foi pedido de ninguém”

JLPolítica - O senhor não acha perigoso que o PT não promova uma mea culpa de tudo que lhe aconteceu entre 2003 e impeachment de Dilma Rousseff?
RC -
Acho que erros todos somos passíveis de cometer, mas ficam pedindo muito uma autocrítica do PT, e eu pergunto: alguém está fazendo autocrítica sobre as políticas e o que Jair Bolsonaro está fazendo com relação ao meio ambiente, à indústria, as relações internacionais, às minorias, à Previdência, à área social de maneira geral, ao mundo do trabalho? Qual é a autocrítica que está sendo pedida ao Governo Bolsonaro? Então, eu diria que o PT, nesse campo, agregou muito mais à imagem do país do que a maioria dos governos que passaram pelo comando do país.

JLPolítica – Mas, para o senhor, qual foi o maior pecado do PT nos quatro governos que ele teve à frente do Brasil?
RC -
O grande pecado do PT é o pecado natural de quem governa, que é o de se ocupar de governar e perder o que tem de estratégico no horizonte, como, por exemplo, uma reforma política mais consistente e tornar mais claro e mais permanente algumas conquistas de Estado. Ou seja, de garantias de Estado para a sociedade, principalmente os mais pobres.

JLPolítica – E a maior virtude?
RC -
A maior virtude do PT foi a de colocar na agenda de Governo 70 milhões de brasileiros que ninguém via. O Brasil bancarizou 70 milhões de brasileiros. Nós criamos 20 milhões de empregos, fizemos o maior programa de eletrificação rural da história da humanidade, o maior programa de transferência de renda da história da humanidade, mantivemos ao longo dos governos do PT uma diminuição da concentração de riqueza no país, produzimos a inversão da relação de ricos e pobres nas universidades públicas, fizemos a política mais importante do ponto de vista da distribuição de riqueza, que foi a permanente correção do salário mínimo - foram 12 anos ininterruptos de correção do poder de compra do salário mínimo, saindo de US$ 60, chegando a ter um salário mínimo de US$ 300.

JLPolítica - O senhor quer dizer que houve mais virtudes que pecado?
RC –
Quero. Foram muito mais virtudes do que pecado, sim, inclusive do ponto de vista econômico. Nós deixamos o país com reservas de quase US$ 380 bilhões, liquidamos a dívida externa, passamos de devedor a credor do Fundo Monetário Internacional. Na política internacional, ajudamos a criar os Brics, o G20, passamos a ter um papel estratégico na geopolítica internacional e nos transformamos em uma potência ecológica que está em franco processo de destruição agora. O Brasil foi signatário no acordo de Copenhague, se não me engano, foi o grande protagonista do protocolo de contenção de emissão de gases que contribui para o aquecimento global e hoje somos pária e desprezível para o mundo.

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Com Fernando Haddad, candidato a presidente derrotado por Bolsonaro, em 2018

UMA MEA CULPA DO PT AQUI, Ó! E BOLSONARO?
“Ficam pedindo muito uma autocrítica do PT, e eu pergunto: alguém está fazendo autocrítica sobre as políticas e o que Bolsonaro está fazendo com relação ao meio ambiente, à indústria, as relações internacionais, às minorias, à Previdência, à área social, ao mundo do trabalho? Qual é a autocrítica que está sendo pedida ao Governo Bolsonaro?”

JLPolítica – O senhor leu, e o que achou das críticas feitas por Tarso Genro nos 40 anos do PT?
RC -
Infelizmente, o Tarso Genro não milita, não vive o PT no dia a dia e acho que ele é um barco a vela que está sempre procurando o vento para tirar vantagem, e esse tipo de posição é muito confortável e não interessa à sociedade. Porque quando você tem pessoas, lideranças que caminham com o vento, vê que elas nunca estarão do lado que precisam estar quando o vento for desfavorável. Nessas situações, elas perdem o prumo. Então, para mim, não têm muita relevância.

JLPolítica – O senhor se considera um correligionário, herdeiro ou algoz de Marcelo Déda, como deixa subentendido Eliane Aquino?
RC -
Eu sou herdeiro, correligionário e tenho muita gratidão por ter tido a oportunidade de voltar para Sergipe – eu estava em São Paulo - pelas mãos de Marcelo Déda. E acho que contribuí bastante com o projeto que ele implementou no Estado. Não tenho nenhuma razão para me sentir algoz. Pelo contrário.

JLPolítica – Até onde vai a pretensão do senhor de um dia governar Sergipe?
RC -
Vai até o limite das possibilidades. Governar o Estado em que se nasce e onde você se milita politicamente é uma honra para qualquer cidadão. Se eu tiver a oportunidade de ser candidato dentro de um contexto, para mim vai ser uma honra. Não coloco como uma questão de vida ou morte, que me mova agora. O que me move agora é exercer e fazer um grande mandato como senador, porque aprendi a viver o agora.

JLPolítica - Se o prefeito Edvaldo Nogueira se reeleger este ano em Aracaju não será uma embargo, um dificultador do projeto do senhor?
RC -
De forma nenhuma. Não vejo.

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Com o governador Belivaldo Chagas e Davi Alcolumbre, que preside o Senado

SOB O PT HOUVE MAIS VIRTUDES QUE PECADOS
“Inclusive do ponto de vista econômico. Nós deixamos o país com reservas de quase US$ 380 bilhões, liquidamos a dívida externa, passamos de devedor a credor do FMI. Foram 12 anos ininterruptos de correção do poder de compra do salário mínimo, saindo de US$ 60, chegando a ter um salário mínimo de US$ 300”

JLPolítica – Márcio Macêdo é mesmo o melhor nome do projeto de retomada do protagonismo do PT no âmbito da capital de Sergipe?
RC –
Ele é o melhor nome que nós temos para cumprir uma tarefa neste momento. Do partido, Márcio é o que está mais preparado e com melhor disposição para cumprir o papel nessa retomada de protagonismo. Márcio tem uma trajetória política que atende bem ao verso de Noel Rosa, de que “ninguém aprende samba no colégio”. Na verdade, ele aprendeu política na prática. Tem uma militância. Essa é uma característica importante para quem não nega a política como tangente de transformação social. E a negação política é fazer a política sem a autenticidade do ser político. É um problema. E Márcio Macêdo não tem isso. Ele não incorre nessa possibilidade. Ele foi secretário de Orçamento Participativo de Aracaju, foi secretário do Meio Ambiente do Estado de Sergipe, foi deputado federal, presidiu o PT de Sergipe, foi vice-presidente do PT Nacional, tesoureiro do PT Nacional, organizou as finanças do partido. Então, tem toda uma experiência, uma vivência e muitas vontades. Entre essas, muita vontade de ser prefeito e de interagir com as pessoas. Ou seja, está aberto para a tarefa de servir. Porque para ser prefeito é preciso ter muita vontade de estar de corpo aberto. É preciso abrir mão da sua própria vida.

JLPolítica - O senhor estranha a afirmação peremptória de Belivaldo Chagas de que apoiará Edvaldo Nogueira e de que vai querer influenciar na escolha do seu pré-candidato a vice-prefeito?
RC –
Não. Para mim cada um segue o caminho que lhe convém. Acho que se Belivaldo Chagas vai apoiar o Edvaldo Nogueira, é natural que ele queira indicar alguém do partido dele para compor a chapa.

JLPolítica - A sucessão municipal de Sergipe agora em 2020 é, até que ponto, laboratório para um projeto do PT na sucessão estadual de 2022?
RC -
A sucessão municipal de Sergipe é uma retomada de protagonismo político. Isso não quer dizer que o resultado de uma eleição seja fundamental para o resultado de uma outra eleição. Mas é a retomada do protagonismo para o exercício do que fora o PT antes, até a eleição de Déda, em 2010.

JLPolítica - A baixa densidade de Márcio Macêdo nas pesquisas eleitorais não lhe incomoda?
RC -
Não. Mas é preciso ver que eu era o quinto em 2018. Eu era tido como um candidato inviável ao Senado em 2014. Em 2014 eu perdi a eleição com apenas 21 mil votos de diferença, menos de 3%, e em 2018, apesar de ser considerado o quinto nas pesquisas, terminei em segundo, com 50 mil votos na frente do terceiro colocado. Então...

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Com os pais, Lourdes e Norival , numa visão bucólica dos campos de Lagarto, onde ele vive até os 14 anos: afeto do qual não se desvincula

E A PRETENSÃO DE UM DIA GOVERNAR SERGIPE?
“Vai até o limite das possibilidades. Governar o Estado em que se nasce e onde você se milita politicamente é uma honra para qualquer cidadão. Se eu tiver a oportunidade de ser candidato dentro de um contexto, para mim vai ser uma honra. Não coloco como uma questão de vida ou morte”

JLPolítica - As pesquisas hoje não querem dizer grande coisa, é isso que o senhor pensa?
RC -
Sim. Cientificamente, hoje as pesquisas não conseguem fazer a leitura do que será o resultado da eleição dia 4 de outubro. Veja: se nem pesquisas feitas uma semana antes do pleito conseguem acertar o resultado das urnas, quanto mais as de seis meses antes.

JLPolítica - O senhor vê espaço para o crescimento de Márcio Macêdo?
RC -  
Eu vejo espaço para o crescimento dele e mais que isso: vejo espaço para o PT no segundo turno. E vou dizer o porquê: nós temos uma base que é petista em Aracaju, que tem carinho por Déda e que tem carinho por Lula e o representante de Déda, de Lula e do PT nas eleições de 2020 em Aracaju é Márcio Macedo.

JLPolítica - Essa base, por baixo hoje, daria que teto? Que média? Uns 20%a 25% de votos?
RC -
Com certeza, mais de 20% em todas as pesquisas que perguntam qual é o partido de sua preferência. E quando você pergunta sobre a influência de Lula na definição do candidato, isso passa dos 60%.

JLPolítica – A partir de quando o senhor pressente que Edvaldo Nogueira “não é tão companheiro dos companheiros”, como o senhor já falou?
RC -
Olha, no meu caso, e no caso do PT, acho que a partir de 2012 isso ficou muito claro quando ele, que tinha sido apoiado pelo PT em 2000, 2004 e 2008, preteriu o PT em nome do PSB, apoiando Valadares Filho. Aquilo foi uma imposição dele a Marcelo Déda. Naquele momento já tinha uma certa semente de que ele não era tão companheiro. Em 2016, Edvaldo apareceu falando que tinha compreensão do papel que deveria desempenhar à partir daí e o PT deu outra chance para ele, com uma participação na chapa.

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Rogério e Déda, sob a torre mais famosa de Paris: fará um pronunciamento no Senado reconhecendo o amigo e João Alves como os mais importantes de Sergipe nos séculos

BAIXA PERFORMANCE DE MÁRCIO NAS PESQUISAS NÃO CONTA?
“É preciso ver que eu era o quinto em 2018. Eu era tido como um candidato inviável ao Senado em 2014 e perdi a eleição com apenas 21 mil votos de diferença, menos de 3%, e em 2018, apesar de ser considerado o quinto nas pesquisas, terminei em segundo, com 50 mil votos na frente do terceiro. Então...”

JLPolítica – E o que houve de errado aí?
RC –
Edvaldo Nogueira fez uma opção, ao longo do governo dele, de ir pro centro, pro centro-direita. E teve alguns momentos, importantes para a gente, como foi por exemplo o do impeachment da Dilma Rousseff, que ele não se posicionou. Depois, quando Lula esteve aqui na Caravana, e eu estava coordenando essa Caravana em Sergipe, Edvaldo disse que só receberia Lula se fosse na Prefeitura. E não foi ao evento com a presença de Lula. Edvaldo não queria essa proximidade com Lula. E nem com o PT, obviamente. Depois disso, quando Lula saiu da prisão, não houve nenhuma linha de manifestação do prefeito de Aracaju. Então ele foi se desgarrando e buscando um caminho, que é legítimo, pois todo mundo pode fazer as suas escolhas, mas foi se desgarrando, mais para centro-direita, para outro campo. O que é legítimo que ele faça.

JLPolítica – O senhor acha que ele erra na mão quando tenta construir, pela primeira vez, um caminho próprio de que ele é o senhor do processo sucessório dele? Antes era com Déda, Jackson e Belivaldo em 2016. Ele erra ao tentar construir esse caminho próprio?
RC -
Não acho que ele erra, assim como não acho que nós estamos errando. Ele tem o direito de buscar o caminho dele, como nós temos o direito de buscar o nosso caminho. Ninguém pode tutelar ninguém. Ele pode ir para a direita e nós vamos nos manter na esquerda. Na centro-esquerda.

JLPolítica – Mas, e se Lula determinar que o PT de Sergipe se reanexe e marche com Edvaldo Nogueira, como ficarão os senhores?
RC -
Não acredito que Lula faça isso, nos remeta a Edvaldo Nogueira. Até porque Lula está muito satisfeito, inclusive, muito grato e muito feliz com essa unidade construída no PT de Sergipe. Não é uma unidade forçada. Nós reencontramos o equilíbrio, o reencaixe, e isso deixa o ex-presidente muito satisfeito, e muito mais satisfeito ainda de saber que apesar das dificuldades que nós tivemos no passado eu tenho sido um dos principais apoiadores da pré-candidatura de Márcio Macedo. Estou plenamente apoiando a pré-candidatura dele, o que demonstra maturidade, crescimento, reencaixe e reordenação do partido.

JLPolítica - Qual é o papel de Eliane Aquino nesse reencaixe? Ela está “a cavalheira”, a dama, para somar na pré-candidatura contra Edvaldo?
RC -
Ela está. Eliane tem participado ativamente deste processo e será uma militante ativa na campanha de Márcio a prefeito de Aracaju.

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O paizão Rogério Carvalho e o trio de mulheres - Júlia Feliz Carvalho Santos, de 19 anos, Raquel Feliz Carvalho Santos, 18, e Valentina Cunha Wanderley de Carvalho, por quem ele tem extremo zelo

QUANDO EDVALDO COMEÇA SE DESGARRAR DOS COMPANHEIROS
“Acho que a partir de 2012 isso ficou muito claro quando ele, que tinha sido apoiado pelo PT em 2000, 2004 e 2008, preteriu o PT em nome do PSB, apoiando Valadares Filho. Aquilo foi uma imposição dele a Marcelo Déda. Edvaldo fez uma opção, ao longo do governo dele, de ir pro centro-direita”

JLPolítica – O senhor identifica a possibilidade de o PT botar Valadares Filho na ciranda de uma parceria em 2020 em Aracaju?
RC –
Não. Porque o PT precisa se aproximar mais de si mesmo. A presença de Valadares neste momento destoaria do caminho que a gente ainda precisa percorrer.

JLPolítica – O senhor considera o senador Alessandro Vieira uma nova e real força política, ou apenas uma nuvem que passará?
RC -
É muito cedo para saber, e só o desempenho e a exposição dele, a partir das suas escolhas, serão capazes de consolidar ou não se é uma nuvem passageira ou se uma força efetiva.

JLPolítica - Mas, pelas escolhas que Alessandro tem feito no Congresso, o senhor, que senta lado a lado com ele, sente bons presságios?
RC –
Não. O Alessandro tem se posicionado em torno de uma agenda ultraliberal, que está alinhada com os interesses do mercado financeiro. Diria que isso é ruim para o Brasil e para os brasileiros mais pobres.

JLPolítica – Num eventual segundo turno entre Edvaldo Nogueira e Danielle Garcia, qual seria a opção do PT?
RC -
Não creio num segundo turno entre esses dois. E de qualquer modo é cedo para a gente discutir com quem Márcio irá para esta segunda etapa da eleição.

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Com mãe, dona Lourdes, no curralzinho da chácara onde ela ordenha umas vaquinhas pé-duras