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Entrevista

Tanuza Oliveira

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Rogério Carvalho: “Sou do PT e eu nunca disse que Jackson é ilegítimo”

Publicado em 30  de setembro de  2018, 20:00h

“Com Haddad, o Brasil viverá tempos de muita paz”

Na eleição de 2014, Rogério Carvalho, PT, quase foi eleito senador: ficou em segundo lugar e apenas 31.114 votos atrás da senadora Maria do Carmo, reeleita com 448.102 mil votos. Agora em 2018, volta à disputa, dessa vez sem a então adversária, mas supostamente tendo que brigar por espaço na sua própria chapa, dividida com o também candidato ao Senado Jackson Barreto.

Ambos se autointitulam os “candidatos de Lula” e vêm protagonizando pequenos episódios que deixam escapar que as coisas não são tão amigáveis assim quando não há certeza de espaço para ambos. “Na verdade, eu sou do PT e eu nunca disse que Jackson é ilegítimo. Eu só disse que eu sou legítimo candidato do Partido dos Trabalhadores, de Lula e Haddad. O que acontece é que a oposição aproveita qualquer oportunidade para criar polêmicas. Estamos tranquilos”, afirma Rogério Carvalho.

Ele credita sua não eleição, há quatro anos, a uma manipulação na divulgação de dados de pesquisa. “Nesta eleição, nós estamos atentos, sabemos dos riscos que corremos, mas estamos prevenidos para evitar que ocorra de novo tamanha injustiça com o processo democrático que venha comprometer e induzir o eleitor de forma errada na hora de escolher seu candidato”, destaca.

Rogério é médico e professor na Universidade Federal de Sergipe, nasceu em Lagarto e, desde cedo, sabia que queria trabalhar pelo povo. Ainda estudante, ajudou a criar o Hospital Universitário. Depois de cursar mestrado e doutorado, com Marcelo Déda na Prefeitura de Aracaju, ele criou o Samu, que se tornou referência nacional, além de 102 clínicas de saúde e 8 hospitais regionais, já como secretário de Estado da Saúde.

Foi deputado estadual e quando eleito deputado federal, foi o mais bem votado daquela eleição. Na Câmara Federal, relatou o Programa Mais Médicos e criou a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH –, que, na opinião dele, modernizou a assistência à saúde. Por ser professor, tem uma grande atenção com a educação, ajudando, inclusive, a trazer o Campus da UFS para Lagarto e ampliando o número de campus do Instituto Federal de Sergipe – IFS – no interior.

Este ano, ele tem como slogan o desejo de ser “a sua voz no Senado”. E acredita que terá apoio total do partido para alcançar esse objetivo. “A Articulação de Esquerda tem pedido voto para mim, tem se empenhado. A professora Ângela tem se empenhado, o professor Iran tem se empenhado e a Eliane Aquino tem pedido voto para mim em todos os eventos, em todos os atos que ela participa”, garante.

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Rogério Carvalho é o candidato do PT ao Senado e entende que, por isso, é naturalmente o candidato de Lula
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“Lula é o mais querido, o PT é o preferido", aposta

O QUE FEZ DIFERENTE NESSA CAMPANHA DE 2018
“Em 2014, eu fui vítima de manipulação na divulgação de dados de pesquisa que comprometeu o resultado eleitoral. Nesta eleição, nós estamos atentos, sabemos dos riscos que corremos, mas estamos prevenidos para evitar que ocorra de novo tamanha injustiça com o processo democrático que venha comprometer e induzir o eleitor de forma errada na hora de escolher seu candidato”

JLPolítica – O senhor chegou bem perto de ser eleito senador em 2014. O que fez diferente agora em 2018 para achar que se elege?
Rogério Carvalho –
Em 2014, eu fui vítima de manipulação na divulgação de dados de pesquisa que comprometeu o resultado eleitoral. Nesta eleição, nós estamos atentos, sabemos dos riscos que corremos, mas estamos prevenidos para evitar que ocorra de novo tamanha injustiça com o processo democrático que venha comprometer e induzir o eleitor de forma errada na hora de escolher seu candidato.

JLPolítica – O senhor disse, no início da campanha, que esperava reciprocidade de Jackson Barreto. O senhor a obteve?
RC –
Eu tenho recebido apoio da população e simpatia do povo que me recebe de braços abertos em todos os lugares que eu passo. Isso é o que mais importa. Mostramos no nosso ato da virada, que na verdade, se tornou o ato da unidade, que no campo da política o respeito prevalece.    

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Ele já foi deputado estadual, federal e secretário de Estado da Saúde

BRIGA INTERNA COM JACKSON BARRETO?
“Na verdade, eu sou do PT e eu nunca disse que Jackson é ilegítimo. Eu só disse que eu sou legítimo candidato do Partido dos Trabalhadores, de Lula e Haddad. O que acontece é que a oposição aproveita qualquer oportunidade para criar polêmicas. Estamos tranquilos”

JLPolítica – Que história é essa de o seu marketing estar fazendo uma paródia com a propaganda das Havaianas, considerando-o o original e Jackson Barreto o ilegítimo?
RC –
Na verdade, eu sou do PT e eu nunca disse que Jackson é ilegítimo. Eu só disse que eu sou legítimo candidato do Partido dos Trabalhadores, de Lula e Haddad. O que acontece é que a oposição aproveita qualquer oportunidade para criar polêmicas. Estamos tranquilos.

JLPolítica - O senhor já imaginou que pode levar um processo da Alpargatas, produtora da sandália que o senhor faz referência?
RC –
Eu fiz uma paródia. O vernáculo, a linguagem não é propriedade de ninguém, é de uso universal e público.

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Com o pai, seu Norurival

MAS QUEM LULA QUER NO SENADO?
“O PT tem como prioridade eleger os seus Senadores, e eu sou do PT. Lula é do PT e Haddad é do PT. O Partido de Jackson também tem a mesma prioridade. É assim que pensam todos os partidos. Lula é maior líder político que país já teve”

JLPolítica – Afinal, quem Lula quer no Senado, o senhor ou Jackson?
RC –
O PT tem como prioridade eleger os seus senadores, e eu sou do PT. Lula é do PT e Haddad é do PT. O Partido de Jackson também tem a mesma prioridade. É assim que pensam todos os partidos.

JLPolítica – O senhor considera possível a eleição de dois senadores ligados a Lula?
RC –
Sim. Lula é maior líder político que país já teve.

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E a mãe, dona Lourdes

ESTIGMA DA CORRUPÇÃO SOBRE O PT
“O PT já venceu esse estigma e é o partido preferido de 28% dos sergipanos, e de mais de 20% dos brasileiros. De longe é o partido mais querido como diz a nossa música: “Lula é o mais querido, o PT é o preferido, é o Haddad é o amor”.
O Fernando Haddad é uma pessoa muito sensata, muito madura, e muito pacífica. Eu acredito que com Haddad, o Brasil viverá tempos de muita tranquilidade, paz, e uma construção coletiva belíssima”

JLPolítica – O PT tem vivido tempos difíceis nos últimos anos. Como vencer esse estigma e sair vitorioso em um partido com esse contexto?
RC –
O PT já venceu esse estigma e é o partido preferido de 28% dos sergipanos, e de mais de 20% dos brasileiros. De longe é o partido mais querido como diz a nossa música: “Lula é o mais querido, o PT é o preferido, é o Haddad é o amor”.

JLPolítica – O senhor não acha que com Fernando Haddad ou Jair Bolsonaro os brasileiros terão um país conflagrado nos próximos quatro anos?
RC –
O Fernando Haddad é uma pessoa muito sensata, muito madura, e muito pacífica. Eu acredito que com Haddad, o Brasil viverá tempos de muita tranquilidade, paz, e uma construção coletiva belíssima. 

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Aqui, aparece ao lado dos irmãos e sobrinhos

APANHA, MAS BATE COM LEVEZA
“O que importa na eleição não é o que dizem da gente, é o que o eleitor entende sobre o que a gente fala e o que se compreende ou não da nossa mensagem, e é nisto que eu estou focado. E eu não sou cabeça quente, eu defendo com energia minhas ideias e propostas, e tenho certeza que o povo percebe isso”

JLPolítica – O senhor é um dos candidatos mais batidos pela oposição. Como tem lidado com isso sem parecer o Rogério cabeça quente de antes?
RC –
O que importa na eleição não é o que dizem da gente, é o que o eleitor entende sobre o que a gente fala e o que se compreende ou não da nossa mensagem, e é nisto que eu estou focado. E eu não sou cabeça quente, eu defendo com energia minhas ideias e propostas, e tenho certeza que o povo percebe isso.

JLPolítica – Por que a apropriação da “marca Lula” por Heleno Silva não causou no senhor tamanha reação quanto a proporcionada pela ação de Jackson Barreto?
RC –
Eu tenho dito que Heleno Silva é do time de Temer, e tenho feito referências nos meus programas, inclusive a maioria das referências é dirigida para o Heleno. Outras interpretações, já são daqueles que querem acabar com a nossa unidade.

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Com as filhas, Raquel, Valentina e Júlia

APROPRIAÇÃO DE “LULA” PELOS CANDIDATOS
“Eu tenho dito que Heleno Silva é do time de Temer, e tenho feito referências nos meus programas, inclusive a maioria das referências é dirigida para o Heleno. Outras interpretações, já são daqueles que querem acabar com a nossa unidade”

JLPolítica – O senhor está seguro de que o PT de Sergipe, por inteiro, incluindo Eliane Aquino e a articulação de esquerda, vai seguir 100% a sua candidatura?
RC –
Não tenho a menor dúvida! A Articulação de Esquerda tem pedido voto para mim, tem se empenhado. A Professora Ângela tem se empenhado, o professor Iran tem se empenhado e a Eliane Aquino tem pedido voto para mim em todos os eventos, em todos os atos que ela participa.

JLPolítica – O senhor é bastante crítico com relação ao papel que os atuais senadores por Sergipe vêm desempenhando no Congresso. Como e o que o senhor faria de diferente deles?
RC –
Faria no que eles não estão fazendo. Votando contra medidas que retiram direitos dos trabalhadores, e que aniquilam a Constituição de 1988. Além de defender os investimentos estratégicos e estruturantes do desenvolvimento econômico, e a geração de emprego que são as maiores necessidades da nossa juventude e do povo sergipano.

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Ele acredita que, com Haddad, o Brasil viverá tempos de muita tranquilidade e paz

ARTICULAÇÃO DE ESQUERDA O APOIA
“Não tenho a menor dúvida! A Articulação de Esquerda tem pedido voto para mim, tem se empenhado. A professora Ângela tem se empenhado, o professor Iran tem se empenhado e a Eliane Aquino tem pedido voto para mim em todos os eventos, em todos os atos que ela participa”

JLPolítica – O senhor não acha que ter tido apenas R$ 505 mil do Fundo Partidário para a sua campanha seja muito pouco?
RC –
É a regra! E a gente precisa trabalhar com a nova regra. Eu prefiro a regra atual à anterior porque pelo menos a gente sabe com o que conta, e qual o tamanho da campanha que a gente pode fazer, sem humilhações.

JLPolítica – O que lhe aconteceria do ponto de vista político se, hipoteticamente, o senhor ficasse sem o mandato de senador?
RC –
Sou médico e professor e vou trabalhar normalmente como qualquer cidadão faz quando encerra um pleito eleitoral. Eu tenho carreira, política é uma escolha de vida.

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E considera Lula o maior líder político que país já teve

CRÍTICAS À BANCADA SERGIPANA
“Faria o que eles não estão fazendo. Votando contra medidas que retiram direitos dos trabalhadores, e que aniquilam a Constituição de 1988. Além de defender os investimentos estratégicos e estruturantes do desenvolvimento econômico, e a geração de emprego que são as maiores necessidades da nossa juventude e do povo sergipano”

JLPolítica – Quem será o deputado federal eleito pelo PT em Sergipe, Márcio Macêdo ou João Daniel?
RC –
O que receber mais votos do povo. Tenho amizade com os dois candidatos. Por mim, os dois estariam eleitos e aptos a assumirem o cargo.

JLPolítica – Para o senhor, Belivaldo terá mais ou menos força se for ao segundo turno sem que Jackson tenha sido eleito?
RC –
Belivaldo terá força se for eleito. Independentemente se for no primeiro ou no segundo turno. Melhor ainda se tiver dois senadores.

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Foi secretário de Saúde de Marcelo Déda

O QUE ACONTECE SE NÃO VENCER?
“Sou médico e professor e vou trabalhar normalmente como qualquer cidadão faz quando encerra um pleito eleitoral. Eu tenho carreira, política é uma escolha de vida”

JLPolítica – O senhor não acha que, a partir de 2019, haverá uma exigência maior de que a bancada dos 11 sergipanos em Brasília tenha maior coesão em defesa dos interesses do Estado?
RC –
Gostaria muito de acreditar que essa cobrança fosse permanente. Infelizmente, para alguns não vai adiantar a cobrança porque eles estão lá para cumprir e atender os interesses meramente pessoais e familiares. No meu caso, eu acredito que seria muito importante que a cobrança aumentasse e houvesse mais pessoas interessadas em acompanhar os mandatos para distinguir quem trabalha e quem não trabalha.

JLPolítica – Como o senhor avalia hoje essa ação dos 11?
RC –
Isso uma tarefa que a população nessas eleições vai fazer melhor do que eu na hora de definir quem fica e quem muda.

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Além de político, Rogério é médico e professor da UFS