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Entrevista

Jozailto Lima

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Sérgio Ferrari: “Dá-nos uma felicidade muito grande em fazer uma obra pública”

“Construir obras públicas é fotografar uma nova autoestima”
16 de novembro de 2019 - 20h


Antonio Sérgio Ferrari Vargas sabe muito bem do que está falando quando diz que “dá-nos uma felicidade muito grande em fazer uma obra pública”. E, seguramente, não está sendo populista quando afirma isso.

Sérgio Ferrari é um engenheiro, ainda mais dos de Minas. Um tipo que conhece os subterrâneos das coisas e suas potencialidades na vida prática e real.

E como secretário municipal da Infraestrutura e presidente da Empresa Municipal de Obras e Urbanização de Aracaju, esse engenheiro bate estaca e finca sonhos em forma de obras que certamente produzem “a felicidade muito grande” bem mais em quem é alvo delas do que nos seus fazedores, como ele próprio ou o prefeito da cidade, Edvaldo Nogueira.

Certamente deve ser explosiva a alegria de quem vive numa rua enlameada, sem rede de esgotos e vê-la, de um momento para o outro, migrar para a sanidade de uma pavimentação asfáltica e à distribuição de resíduos líquidos por canais subterrâneos.

É disso que Sérgio Ferrari, aparentemente um cabra frio, fala quando evoca a tal “felicidade muito grande em fazer uma obra pública”. Fala por ele e fala pelas multidões que são beneficiadas pela ação pública devidamente custeada pela força da produtividade delas enquanto produtoras e pagadoras de impostos aos governos. 

Em síntese, o que Sérgio Ferrari diz, no seu jeitão meio tímido, é que construir estruturas e equipamentos públicos tem lá um quê de muito de humanidade. E essa é uma constatação que ninguém pode tirar nem com o gancho, porque tem mesmo essa tal humanização.

No caso específico de Aracaju, isso parece sobressair mais intensamente nesta gestão, porque ela se iniciou em 1º de janeiro de 2017 com a cidade arrasada por uma gestão anterior que lhe paralisou em tudo. Inclusive, e talvez sobretudo, na autoestima.

Como homem das obras, Sérgio Ferrari estima que o Governo de Aracaju deve fechar seus quatro anos amealhando mais de R$ 1 bilhão para essa esfera. “A nossa previsão antes da assinatura desse contrato com o BID era de mais ou menos uns R$ 800 milhões. Com o contrato do BID, nós vamos ter assegurados mais de R$ 1 bilhão para investimentos”, diz Ferrari.

“Eu, pessoalmente, tenho uma grande satisfação em fazer uma obra pública. Dá-nos uma felicidade muito grande quando acabamos uma obra, tiramos uma fotografia e vemos como ela muda a cara do local. E as pessoas que vivem nesses espaços que eram abandonados talvez não tinham autoestima. Mas quando a obra chega, a primeira coisas que elas fazem é investir na sua casa. Você precisa ver como o pessoal investe depois que a rua é pavimentada”, diz Sérgio Ferrari.

Antonio Sérgio Ferrari Vargas nasceu no dia 5 de outubro de 1952 em São José do Rio Preto, no Estado de São Paulo. Ele é filho de Antonio Vargas e de Yolanda Ferrari Vargas, pai de Bárbara Mundin Ferrari Vargas e de Diana Mundin Ferrari Vargas, esposo de Maria Augusta Mundin Vargas e avô de uma trupe de cinco netos - Gabriela, Carolina, Miguel, Mateus e Camila, de 18 a sete anos.

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É casado com Maria Augusta Mundin Vargas, a professora Guta
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Nasceu no dia 5 de outubro de 1952 em São José do Rio Preto, no Estado de São Paulo

INVESTIMENTOS PODEM PASSAR DE R$ 1 BILHÃO
“A nossa previsão antes da assinatura desse contrato com o BID era de mais ou menos uns R$ 800 milhões. Com o contrato do BID, nós vamos ter assegurados mais de R$ 1 bilhão para investimentos”

JLPolítica - O senhor estima que ao final dos quatro anos da gestão de Edvaldo Nogueira quanto em recursos terá vazado para obras e infraestrutura de Aracaju?
Sérgio Ferrari -
A nossa previsão antes da assinatura desse contrato com o BID era de mais ou menos uns R$ 800 milhões. Com o contrato do BID, nós vamos ter assegurados mais de R$ 1 bilhão para investimentos.

JLPolítica - E tudo isso vazará no curso dos quatro anos?
SF –
Não. Não significa que você vai investir tudo. Parte desses recursos vai ser licitado no ano que vem ainda. Mas significa que nós vamos ter captado, vamos estar com condições para executar esse volume de recursos nem que seja na gestão a seguir, seja ela de quem for.

JLPolítica - Quais são as principais obras que estão em curso hoje na capital?
SF -
Eu divido as nossas obras em duas vertentes. A primeira vertente é a questão de infraestrutura. Isso significa que você pega um bairro que não tem pavimentação e coloca drenagem, muitas vezes o esgoto, nos locais que não têm, e só depois pavimenta. Esse modelo daí nós estamos investindo muito na Zona Norte, onde está sendo feito o trabalho de pavimentação em vários bairros, a exemplos do a Rosa do Sol, Jardim Bahia, Jardim Indara, Tia Caçula, são bairros inclusive pouco conhecidos, grande parte da população talvez nem conheça esses nomes. Também tem bairros antigos, por exemplo, o Jardim Indara já tem mais de 30 anos, e que não era pavimentado. É um trabalho muito interessante, porque você vê a mudança imediata na satisfação da população.

JLPolítica - Vem sempre com esgotos essas obras?
SF -
Quando não tem esgoto - e na maioria das vezes não tem -, a gente faz o esgoto e entrega para a Deso operar. Isso se concentra na Zona Norte da cidade, no Santa Maria e no 17 de Março, que já é Sul. A outra grande parte da obra deste Governo é a de investimento na questão de mobilidade. Nós estamos fazendo por esse programa de mobilidade, os quatro grandes corredores da cidade.

JLPolítica - Por que a obra da Avenida Euclides Figueiredo demora tanto em ficar pronta?
SF -
Demora porque é uma obra muito complicada. Nós estamos refazendo praticamente todo o sistema de drenagem, colocando uma dimensão de drenagem muito maior do que a que se colocou até hoje, e nós ainda pegamos um período muito ruim para você fazer obra, que é o da chuva. Então para fazer uma obra de escavação em época chuvosa, o rendimento é muito ruim. Agora que acabou o período de chuva, a obra deu uma avançada, e é muito fácil verificar isso. Olha o tipo de obra que tem dois bueiros circulares com uma dimensão muito grande, e é uma região muito baixa.

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Recebendo o título de cidadão sergipano ao lado da esposa, a professora Guta

DEMORA DA OBRA DA EUCLIDES FIGUEIREDO
“Demora porque é uma obra muito complicada. Estamos refazendo praticamente todo o sistema de drenagem, colocando uma dimensão de drenagem muito maior do que a que se colocou até hoje, e ainda pegamos um período muito ruim para você fazer obra, que é o da chuva”

JLPolítica - Mas baixa é toda Aracaju.
SF -
Sim. Aracaju é uma cidade baixa, fica a 50 centímetros do mar   e se você fizer uma obra convencional num local baixo não vai resolver. Então nós temos que adaptar um projeto para conseguir aproveitar uma situação, uma geometria e que não complique na hora em que chover.

JLPolítica - O senhor quer dizer que as obras públicas feitas pelo Governo Municipal de Aracaju são cuidadosas, com essas demandas de futuro, para terem durabilidade?
SF -
Temos tido uma grande preocupação. Para você fazer uma obra, uma pavimentação, primeiro precisa saber qual é a finalidade dela e, segundo, tem que ser uma obra duradoura. Isso é importante para zelar pelo dinheiro público.

JLPolítica - Tem alguma obra de grande significação licitada ou em vias de licitação em Aracaju?
SF -
No momento nós temos uma obra muito significativa, que vai ter um impacto muito grande na população, primeiro pelo transtorno que vai criar, que é a Avenida Hermes Fontes, e depois pelo benefício. Nós vamos recapear a Avenida Hermes Fontes toda. Vamos repará-la para fazer dela um melhor corredor de ônibus.

JLPolítica - Como será essa intervenção?
SF -
Em alguns locais, vamos tirar o canteiro central para permitir a entrada de ônibus, e vamos pegar desde a Praça da Bandeira até o São Conrado. O que acontece é o seguinte: a Hermes Fontes é uma Avenida muito importante para Aracaju, e veja que ela não tem uma avenida paralela. Então, na hora em que for executar essa obra teremos muita dificuldade. É preciso muito planejamento junto com a SMTT para que o transtorno, que vai ter, seja muito avisado para a população para evitar que haja agravamento no descontentamento.

JLPolítica - Essa obra começa quando?
SF -
Provavelmente agora no mês de dezembro.

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Com Déda, Emanuel Nascimento e Edvaldo Nogueira

OBRA BEM FEITA, ZELO PELO DINHEIRO PÚBLICO
“Temos tido uma grande preocupação. Para você fazer uma obra, uma pavimentação, primeiro precisa saber qual é a finalidade dela e, segundo, tem que ser uma obra duradoura. Isso é importante para zelar pelo dinheiro público”

JLPolítica - Vai mexer em todo o canteiro central e na arborização inteira?
SF -
Nem toda, mas nos locais em que vai ter ponto de ônibus.

JLPolítica - O senhor não acha que a Acácia Mimosa, o famoso Mata-Fome, que toma parte da Hermes Fontes, é uma árvore que não cabe mais em Aracaju?
SF -
É uma árvore que na realidade não é nem nativa e a raiz dela interfere muito na calçada. Mas esse é um assunto que deve ser debatido com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente - Sema. Aracaju é uma cidade pouco arborizada e quando se faz uma retirada de um árvore, tem que fazer uma compensação. Então essa discussão vai nos levar a exatamente para a gente poder repor, e não será uma questão dessa que deve virar uma crítica maior que o valor estratégico da obra em si.

JLPolítica - A arborização não afeta a sua área, não lhe diz respeito?
SF -
Preocupa-me, mas não me diz respeito. É da Sema, e evidentemente que numa obra dessas nós temos que ter a autorização e às vezes isso gera dificuldade. E a população critica muitas vezes.

JLPolítica - Qual foi o orçamento da Emurb para o ano de 2019?
SF -
O orçamento total deu R$ 340 milhões, mas a questão é que não é só a Emurb. São a Emurb e a Secretaria Municipal da Infraestrutura – Seinfra. Das duas, aí o orçamento deu mais ou menos R$ 400 milhões. Não é um orçamento unificado, mas há convergência.

JLPolítica - A empresa que o senhor presidente tem um corpo técnico próprio? Nele, quantos engenheiros atuam?
SF -
A empresa tem um corpo técnico ativo, sim, e de bons engenheiros. Mas para poder fazer o acompanhamento dessas obras muito grandes nós fizemos um concurso de curta duração. O critério nesse concurso foi muito mais valorizar a experiência profissional e nós contratamos 20 pessoas, entre engenheiros e arquitetos, de modo que o pessoal que está como fiscal de obras é de grande experiência em empresas em Aracaju. Atraímos uma expertise que acho que hoje em dia nós temos um quadro profissional com competência técnica invejável.

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Com Déda, Bosco Mendonça, e Max Montalvão

REFORMA DA HERMES FONTES E O MATA-FOME
“É uma árvore que na realidade não é nem nativa e a raiz dela interfere muito na calçada. Mas esse é um assunto que deve ser debatido com a Sema. Aracaju é uma cidade pouco arborizada e quando se faz uma retirada de uma árvore, tem que fazer uma compensação”

JLPolítica - A Emurb consegue ter mão de obra própria para tocar pequenas obras no dia a dia da gestão?
SF -
A Emurb atua em cinco áreas diferentes. Uma, é a área de acompanhamento de obras, e isso é feito pela Diretoria de Obras. Aí, a nossa função é só fiscalizar. A gente lícita, contrata e fiscaliza a obra. Quem executa a obra são empresas contratadas. A área dois, é a de habitação, e há a Diretoria de Habitação, que inclusive vai desenvolver um programa habitacional muito grande no ano que vem, que se chama Projeto Mangabeiras. A área três, é a que trabalha com licenciamento de obras, e a área quatro é a que a gente chama de Diretoria Operacional. Essa área tem a Usina de Asfalto, tem equipamentos de terraplenagem, e nós fazemos pequenos serviços. São pequenos reparos, pequenas manutenções na rede de drenagem da cidade. São recapeamentos pequenos. Nós temos uma equipe exatamente para isso, no que responde a sua pergunta.

JLPolítica - Qual o problema mais grave de Aracaju a ser reparado no aspecto de obra urbana?
SF -
Temos alguns problemas em Aracaju, que é uma cidade baixa, que tem muitos alagamentos, lençóis freáticos muito sensíveis. Quando tem chuva, têm-se várias áreas muito vulneráveis na cidade. Nesse aspecto, nós temos uma área hoje em dia que faz parte da preocupação do prefeito Edvaldo Nogueira, que é Jabutiana. No ano passado e neste, durante a fase da chuva, tivemos muito alagamento. Então, estamos com um projeto elaborado para tentar dar uma solução para o Jabotiana.

JLPolítica - Seria via desassoreamento daquele trecho do rio Poxim?
SF -
Sim. Basicamente fazer uma drenagem. Esse é um projeto. Isso hoje talvez seja uma das grandes prioridades.

JLPolítica - Não só para a região da Jabutiana e Santa Lúcia, mas também para a do Batistão, essa área mais baixa da cidade.
SF -
Sim. Nós visitamos a Prefeitura de Santos, no Estado de São Paulo, e lá eles têm um sistema de comportas que quando a maré sobe a comporta baixa e fecha, impedindo que a água venha para os canais. Nós estamos estudando a possibilidade de aplicar isso aqui nas imediações do Batistão, na região das Quatro Bocas.

JLPolítica - O senhor sabe quantificar o índice de canais cobertos na cidade de Aracaju?
SF -
Não é significativo. Não deve chegar a 40%.

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No Governo Déda, foi secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano e secretário de Estado do Planejamento sob o Governo de Marcelo Déda

O ORÇAMENTO DA EMURB E DA SEINFRA MUNICIPAL
“O orçamento total deu R$ 340 milhões, mas a questão é que não é só a Emurb. São a Emurb e a Secretaria Municipal da Infraestrutura - Seinfra. Das duas, deu mais ou menos R$ 400 milhões. Não é um orçamento unificado, mas há convergência”

JLPolítica - Há projetos significativos para cobrir alguns deles?
SF -
Eu, particularmente, sou contra a cobertura de canal. Por quê? A população pede muito para cobrir canais. Acontece que uma cidade que tem uma configuração muito baixa quando um canal entope e ele é coberto, você não está vendo o que está acontecendo. Não sabe onde entupiu. Então, para você limpar um canal desses, é muito complicado. Quando você pega o aberto e ele tem algum problema de obstrução, você consegue ver onde.

JLPolítica - Em síntese, o senhor defende o canal aberto e bem-tratado.
SF -
Sim, é isso. E mais: com um trabalho educativo para que ninguém jogue material sólido lá nele.

JLPolítica - O planejamento da gestão municipal de Aracaju, de que tanto fala o prefeito Edvaldo Nogueira, favorece em que grau as ações da Emurb?
SF -
O prefeito Edvaldo Nogueira fez um excelente trabalho de planejamento estratégico. Nós passamos o primeiro semestre de 2017 pensando e planejando que ações iríamos fazer pela cidade. E, a partir dali, virou um balizador. Você pode até fazer algum outro projeto que não estivesse previsto no planejamento estratégico, mas a prioridade, o foco, foram as ações daquele planejamento. Isto permitiu que todos fizéssemos realmente um trabalho com objetivo, com foco e resultado. Diria que esse planejamento foi importantíssimo.

JLPolítica - Por que os vereadores da oposição se queixam tanto de falta de transparência da gestão, e isto atinge em que grau a sua Secretaria e a empresa que dirige?
SF -
O que seria a transparência para uma empresa como Emurb? Seria basicamente você comunicar suas licitações para que as pessoas tenham acesso e saibam se elas estão sendo feitas de maneira correta.

JLPolítica - Mas a Emurb faz isso?
SF -
 A Emurb faz isso. Todas as nossas licitações são publicadas no Diário Oficial de Aracaju. Ultimamente, nós fizemos uma revisão no índice de transparência do Tribunal de Contas e vamos atingir uma média de 80 a 90 pontos de transparência.

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Com a esposa e três dos seus cinco netos

JABUTIANA, UMA ZONA DE PREOCUPAÇÃO
“Temos alguns problemas em Aracaju, que é uma cidade baixa, que tem muito alagamento, lençóis freáticos muito sensíveis. Quando tem chuva, têm-se várias áreas vulneráveis. Nesse aspecto, temos uma área hoje em dia que faz parte da preocupação do prefeito Edvaldo Nogueira, que é Jabutiana”

JLPolítica – E isso é bom?
SF -
 É muito bom. Estamos dentro de um nível ótimo de transparência junto ao Tribunal de Contas.

JLPolítica - Qual é o investimento no recapeamento asfáltico dos quatro corredores de ônibus de Aracaju, e a quantos quilômetros isso corresponde?
SF - 
No projeto de mobilidade da capital, que são quatro corredores, o investimento total são R$ 120 milhões.

JLPolítica - Quais são eles?
SF -
 O canal Beira Mar, o canal da Hermes Fontes, o canal que a gente chama de corredor Jardins e o canal da Rio Janeiro.

JLPolítica - O corredor Jardins é o da Avenida Ministro Geraldo Barreto Sobral?
SF -
 Começa na lá no Augusto Franco, pega a Ministro Geraldo Barreto Sobral e vai até o centro da cidade, até a Rodoviária Velha. O canal da Beira Mar começa no terminal de ônibus da Atalaia e vai até o mercado central; o da Hermes Fontes começa no São Conrado e vai até a Praça da Bandeira, e o da Rio de Janeiro, começa no São Conrado e vai até a Estação da Leste.

JLPolítica - Quais estão em obra hoje?
SF -
Hoje estão em obra o Jardins, o Beira Mar e estamos começando o da Rio de Janeiro. Deveremos iniciar o da Hermes Fontes provavelmente em dezembro.  

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As suas duas filhas: Bárbara e Diana

COMPORTAS PARA EVITAR INVSÃO DA MARÉ
“Visitamos a Prefeitura de Santos, São Paulo, e lá eles têm um sistema de comportas que quando a maré sobe a comporta baixa e fecha, impedindo que a água venha para os canais. Estamos estudando a possibilidade de aplicar isso aqui nas imediações do Batistão, na região das Quatro Bocas”

JLPolítica - O senhor não respondeu quanto quilômetros...
SF -
Ao todo, são 35,7 km de corredores de transporte de mobilidade urbana em execução. São 10 km do corredor da Beira Mar; 11,5 km do corredor Centro-Jardins, 7,5 km do corredor Augusto Franco e 6,7 km do corredor da Hermes Fontes.

JLPolítica – Quando as obras desses corredores ficarão prontas?
SF -
O canal da Beira Mar nós queremos inaugurar em janeiro. O do corredor Jardins, provavelmente em fevereiro. O da Rio de Janeiro, talvez em junho. Ou julho. O da Hermes Fontes vai demorar mais: é uma obra macro, de maior valor, e a mais complicada.

JLPolítica - Mas termina na gestão de Edvaldo Nogueira?
SF -
 Está previsto para que sim.

JLPolítica - A gestão municipal obedece a um rito democrático na definição das obras, ou faz o que der na cabeça do gestor da Emurb ou na do prefeito?
SF -
Ela obedece a um critério. Por orientação do prefeito, logo no começo da obra nós pegamos um mapeamento de Aracaju e observamos na cidade qual a área que tem asfalto, a que usa ainda paralelepípedo e a que está sob terra batida. A partir desse mapa, a gestão dá as prioridades. O que se pode verificar é que grande parte dos locais de terra têm obras hoje em dia.

JLPolítica - Até que ponto o Governo de Aracaju atende às necessidades do Santa Maria, possivelmente o bairro mais populoso da capital e certamente o de maior complexidade social?
SF -
Estamos hoje com três obras em andamento no Santa Maria. Resolvemos um problema muito antigo, que é a antiga ocupação Marivan, um bairro que tem mais de 40 anos. E estamos resolvendo também três áreas importantes, que são as invasões Santa Maria, da Terra Dura e a Senhor do Bomfim. E estamos iniciando ainda este ano a recuperação de uma área muito carente, que é o Paraíso do Sul. Com isso, a gente pretende deixar a área do Santa Maria praticamente com 90% pavimentada.

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Quando Déda era prefeito de Aracaju, Sérgio era o seu presidente da Emurb

SEGUINDO A BULA DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
“O prefeito Edvaldo Nogueira fez um excelente trabalho de planejamento estratégico. A prioridade, o foco, foram as ações daquele planejamento. Isto permitiu que fizéssemos realmente um trabalho com objetivo, com foco e resultado. Esse planejamento foi importantíssimo”

JLPolítica - Quando será concluída a Maternidade do 17 de Março?
SF -
Ela está prevista para ser concluída em agosto do ano que vem. Vai ser a maior maternidade de Aracaju, pois tem quatro pavimentos. Na realidade, ela vai atender uma das regiões mais carentes da cidade e será a única maternidade na Zona Sul da cidade. Serão diretamente beneficiados os bairros Santa Maria, São Conrado, Atalaia, Coroa do Meio, Aeroporto, Farolândia e toda a Zona de Expansão. Ela tem um investimento de R$ 16.765.873,12 com 7.589,92 metros quadrados de área total construída, dois elevadores, 25 leitos, ou salas de atendimento, duas salas cirúrgicas, uma UTI, 96 vagas para estacionamento de veículos e três vagas para estacionamento de ambulâncias.

JLPolítica - Por algum motivo, tem havido desistência de construtoras vencedores de licitações em Aracaju?
SF -
 Não. Mas já aconteceram dois casos de empresas contratadas que acabamos rescindido o contrato porque não estavam executando dentro do ritmo planejado. Nós temos adotado uma política de cronograma em obra, mas entendemos que têm momentos de chuva e aí nesses casos a empresa pode atrasar. Mas, se depois disso, como estamos pagando em dia, não temos atraso, a empresa não tiver correspondendo, chamamos para conversar, negociar e, caso não corresponda, rescindimos o contrato.

JLPolítica - Aquela ideia da avenida perimetral, ligando Nossa Senhora do Socorro a Atalaia, não foi abandonada não é?
SF -
Não. Ela faz parte desse novo investimento que o prefeito acabou divulgando agora, que é o do BID. Estamos reavaliando, readequando o projeto, pois é antigo. E depois vamos licitar essa obra a partir de meados do ano que vem.

JLPolítica - Qual o significado para o projeto do Governo Municipal da usina asfalto de Aracaju?
SF -
A usina asfalto de Aracaju significa independência operacional da Emurb. Em alguns momentos que se tem uma quebra de ritmo, pois a empresa contratada não está executando, a Emurb tem capacidade de chegar e fazer a pavimentação de uma obra. Nós já conseguimos a não perder recursos, pois temos essa liberdade operacional.

JLPolítica - Em que pé estão as UBSs e as escolas públicas municipais de Aracaju do ponto de vista físico?
SF -
Temos três grandes contratos de manutenção com a Secretaria de Educação, pelos quais estamos recuperando todas as unidades de ensino da cidade. Estamos reconstruindo várias escolas e fazendo manutenção de várias delas. Manutenção da parte hidráulica, das esquadrilhas e das quadras. Até o final do ano que vem, teremos uma grande quantidade de escolas recuperadas. Estamos iniciando agora o mesmo trabalho com a Secretaria Municipal de Saúde. Vamos fazer licitação para várias unidades. Mas a Saúde tinha uma equipe que trabalhava com ela que faz essa manutenção. Ela apenas está passando para a gente agora.

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Ao receber o título de cidadão sergipano. Na mesa, o comandante do 28º BC, Coronel Carneiro

JOGANDO PELAS REGRAS DA TRANSPARÊNCIA
“Todas as nossas licitações são publicadas no Diário Oficial de Aracaju. Ultimamente, fizemos uma revisão no índice de transparência do Tribunal de Contas e vamos atingir uma média de 80 a 90 pontos de transparência”

JLPolítica - Qual é o quadro de pessoal da Emurb?
SF -
 Nós temos 200 pessoas, mas temos muito serviço terceirizado.

JLPolítica - Para o senhor, que sempre lidou nesta área, o que é fazer obra pública? Qual o significado humanitário e social por trás dela?
SF -
Eu, pessoalmente, tenho uma grande satisfação em fazer uma obra pública. Dá-nos uma felicidade muito grande quando acabamos uma obra, tiramos uma fotografia e vemos como ela muda a cara do local. E as pessoas que vivem nesses espaços que eram abandonados talvez não tinham autoestima. Mas quando a obra chega, a primeira coisas que elas fazem é investir na sua casa. Você precisa ver como o pessoal investe depois que a rua é pavimentada. Elas começam a pensar e a agir: “Vou fazer um jardinzinho aqui, vou pintar a minha casa ali”. É bonito demais ver isso. A cidade fica vibrante, a economia pulsa. Talvez a maior satisfação que eu tenho venha daí. Você vai num Bairro como o Pantanal, que era um lugar abandonado, que não tinha nada, e vê como as pessoas brilham.

JLPolítica - O senhor tem tolerância com quem é intolerante com os períodos de realização de obras e seus eventuais transtornos, sobretudo políticos que querem faturar contra o Governo e a Emurb?
SF -
 Eu passei a ter uma posição de tolerância e paciência, sim. Acho que com a idade a gente aprende mais. Eu recebo as críticas com humildade. Sou, sim, uma pessoa humilde. Tento ver no que a crítica está correta. Eu procuro entender que a população reclama muitas vezes com razão e me compete saber ouvir a opinião dela nas várias discussões com relação à obra, o transtorno. Eu reconheço que causa transtorno provisório, mas entendo que o futuro será muito melhor.

JLPolítica - O que o senhor acha dos que pedem um calendário de obras à noite?
SF -
De fato, muita gente reclama, pergunta porque não se faz obra à noite. Agora ninguém perguntou para aquele que mora naquele determinado local se aceitaria fazer obra noturna, se não seria mais grave tirar o sono das pessoas. O barulho da máquina frisadora, aquela que tira o asfalto, é algo ensurdecedor. São 130 decibéis. E assim ninguém dos que reclamam perguntou se queriam trocar a noite pelo dia. Além do mais, tem os custos. Por exemplo, imagine fazer uma obra dessa e, por acaso, topa no cano de água e tem um vazamento. De dia eu vejo e tenho com acionar a Deso na mesma da hora.

JLPolítica - O senhor se sente um paulista ainda?
SF -
Eu sou um sergipano. Eu sou um cidadão aracajuano. Tenho filhos e netos sergipanos. Mas você nunca perde a raiz. Tenho parentes lá e tal. 

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Déda empossando Ferrari como secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano