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Entrevista

Jozailto Lima

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Sérgio Sobral: “A retomada do mercado imobiliário é pra já”

Publicado em 10 de março de  2018, 20:00h

“Negócio imobiliário com corretor por perto é de múltiplas garantias”

Aos 61 anos, o administrador de Empresas Sérgio Sobral converteu-se numa espécie de autoridade mundial a serviço de negócios imobiliários bons e seguros. Isso não é uma metáfora. Não é uma figura de linguagem. Isso é real.

E aconteceu com Sérgio plantado em Aracaju, de onde administra desde dezembro de 2002 o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Sergipe - Creci-SE - e fez desta instituição um dos três mais notáveis entre os 25 Conselhos desta categoria no país, disputando ombro a ombro em peso, importância e iniciativas com os Creci’s de Estados notáveis, como São Paulo e Rio de Janeiro.

A dedicação às causas do mercado imobiliário por parte desse cara de nome longo - Sérgio Waldemar Freire Sobral - fez dele um homem de classe para além de Sergipe. Hoje, Sérgio Sobral é diretor-secretário do Cofeci - Conselho Federal de Corretores de Imóveis -, o que equivale a dizer que é o braço direito do presidente dessa instituição, João Teodoro.

Mas foi um pouco mais além: o próprio Cofeci o indicou para ser o vice-presidente da Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa - Cimlop -, que é a única confederação mundial do mercado imobiliário. “Veja você como o Cofeci trata bem o Creci de Sergipe”, reconhece Sérgio, cheio de entusiasmo.

E é do alto dessa boa dedicação aos negócios imobiliários e às suas causas que Sérgio Sobral faz uma constatação e uma previsão bastante positivas. Da constatação: “O negócio imobiliário com corretor por perto é de múltiplas garantias. Primeiro, o corretor fez um curso, tem uma preparação técnica. Ele fez estágio. Depois, veio aqui e deu entrada no seu registro do Creci. Passou por uma comissão, uma plenária, onde se vê certidões e tudo o mais sobre a vida dele”, diz.

Da previsão: “Sentimos que a retomada do mercado imobiliário é pra já. Nós tivemos uma reunião em São Paulo nesse final de ano, juntamente com o Secovi/São Paulo, que é a maior entidade de construção, incorporação, o sindicato da habitação, o Cofeci, a CBIC, que é a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, em torno de 22 entidades, analisamos e concluímos o seguinte: São Paulo já tem regiões estabilizadas e em crescimento”, prevê ele.

“No mercado imobiliário, a crise começou primeiro no Sul, Sudeste, São Paulo, que equivale a quase 40% desse mercado, depois é que veio para o Nordeste. Então, se São Paulo retomou o crescimento, automaticamente irá para as outras regiões do Brasil. Depois tivemos uma reunião com todos os presidentes Creci’s em Foz do Iguaçu. A conclusão foi, analisado Estado por Estado, de que um dos Estados que haverá crescimento maior é o de Sergipe”, afirma ele.

Corretor desde 1982, Sérgio Sobral leva a profissão e o Creci muito a sério. Casado com Fátima Sobral, estudante do oitavo período de Direito trancado, Sérgio viu a mulher ser elevada à condição de a primeira conselheira federal do Brasil, e os filhos Fausto Sobral e Manuela Sobral lhe seguirem os passos - Fausto é dono da Tropical Imobiliária e Construções. Dono da Japiaçu Imobiliária, Sérgio fez o primeiro loteamento aos 17 anos.

Sérgio Sobral acha que o Creci e o mercado imobiliário de Sergipe são dois exemplos de sucesso para o resto do Brasil. Em 16 anos sob a gestão dele, o Cresci de Sergipe virou modelo para muitos outros conselhos Brasil afora. Do mercado sergipano, ele tem uma boa visão e um certo orgulho.

GESTÃO PARTICIPATIVA E DEMOCRÁTICA
“Eu peço que na minha plenária os nossos conselheiros, que são 54, não sejam como a lagartixa, que fica só balançando a cabeça. A gente tem que discutir”

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É diretor-secretário do Cofeci - Conselho Federal de Corretores de Imóveis
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É casado com Fátima Sobral: a primeira conselheira federal do Brasil

O PODER DO MERCADO IMOBILIÁRIO
“Se vem uma crise, o primeiro que é atingido é o mercado imobiliário. Também na hora que começa a sair dela, começa por ele, que é quem alavanca toda economia”

JLPolítica - Este momento de crise nacional interfere de que maneira no negócio mobiliário, sobretudo, na vida dos Crecis e seus corretores de imóveis?
Sérgio Sobral –
Olha, se vem uma crise, o primeiro que é atingido é o mercado imobiliário. Também na hora que começa a sair dela, começa por ele, que é quem alavanca toda economia é o mercado imobiliário. O mercado imobiliário hoje é muito grande e equivale a 19% do PIB nacional. Quarenta por cento da mão de obra não especializada está no mercado imobiliário, que engloba a construção civil, arquitetos, corretores, engenheiros, designers e toda a indústria de material de construção. São vários segmentos. É uma conjuntura. Então, o mercado imobiliário é uma referência.

JLPolítica - E como é que o mercado imobiliário sergipano, onde o senhor lida, está sentido essa crise? Os negócios caíram?
SS -
 Eu diria que estamos bem, porque o mercado imobiliário sergipano é atípico. E por que atípico? Primeiro, porque aqui 80% das construções são de pequeno e médio porte. Então, elas se adaptaram rapidamente ao mercado de venda de imóveis, que é majoritariamente de até R$ 300 mil. Aqui em Aracaju tem um detalhe: a classe média é muito forte. Aqui têm poucos ricos. E o sergipano é bom pagador e uma referência nacional –isso nos ajuda a ser diferente. Todo mundo quer fazer negócio com sergipano. Aqui, por exemplo, durante os anos de 2013, 2014 e 2015 foi o Estado que mais cresceu o número de corretores no Brasil e o segundo em imobiliárias. Por tudo isso é que digo que estamos bem.

JLPolítica – Então o senhor quer dizer que a crise sobre Sergipe é um pouco diferente da nacional?
SS – É diferente, porque aqui é forte. Aqui é o segundo Estado que tem mais carro mais carro novo proporcionalmente no Brasil. Temos algumas particularidades. Quais são, então, os problemas do mercado imobiliário daqui? Primeiro, o IPTU daqui de Aracaju é muito caro, e o é porque foi uma empresa de Pernambuco que fez um levantamento. Devia ser corretores que fizessem essa planta de valores. Todos sabem que o mercado diminuiu os valores, as construtoras estão dando descontos. Nos imóveis usados as pessoas estão dando desconto. Então, os pernambucanos que fizeram esta medida não desvalorizaram. O Creci defende que o plano de valor deveria ter sido feito por sergipanos. Segundo, essa planta de valores devia ser como o mercado: atentar para a eventual desvalorização do setor. Outro absurdo está sendo praticado no valor do ITBI: a Prefeitura às vezes avalia em 50% acima do valor que as construtoras venderam.

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Fez do Creci-SE um dos três mais notáveis entre os 25 Conselhos do país

MERCADO IMOBILIÁRIO SERGIPANO É ATÍPICO
“Eu diria que estamos bem, porque o mercado imobiliário sergipano é atípico. E por que atípico? Primeiro, porque aqui 80% das construções são de pequeno e médio porte”

JLPolítica - O senhor diria que o IPTU, sobretudo de Aracaju, está salgado?
SS – 
Está salgadíssimo, sem dúvida alguma. Está totalmente fora da realidade. Porque esse IPTU é feito sobre uma planta de valores que levou em conta a realidade de 2014, quando o mercado era outro, alto. Hoje é uma planta totalmente diferente.

JLPolítica - Uma planta atualizada derrubaria esse valor em quanto por cento?
SS - 
Numa faixa de no mínimo 30%.

JLPolítica - O Creci de Sergipe não foi ouvido na atualização disso?
SS - 
Não. Foi só a empresa de Pernambuco. A Prefeitura pede todo ano nossa participação, e indicamos um corretor e um suplente para uma comissão, aquela a que a pessoa recorre do valor. Mas nós temos um voto só lá. E nada.

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Administra desde dezembro de 2002 o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Sergipe - Creci-SE

IPTU DE ARACAJU É MUITO CARO
“O IPTU daqui de Aracaju é muito caro, e o é porque foi uma empresa de Pernambuco que fez um levantamento. Devia ser corretores que fizessem essa planta de valores”

JLPolítica - Um Estado como Sergipe, com 2,2 milhões de habitantes, com uma Capital de 650 mil, a existência de cinco mil e poucos corretores é muito ou suficiente?
SS - 
No Brasil temos 380 mil corretores. Nos Estados Unidos, com uma população de mais de 120 milhões do que a nossa - nós temos 210 milhões e eles 330 milhões -, têm a maior associação de corretores do mundo, com um 1,3 milhão de profissionais. A diferença é o seguinte: nos Estados Unidos toda família tem seu corretor, seu médico, seu advogado. Lá não tem aquele negócio da pessoa “só vai vender via essa imobiliária”, coisa assim. Todo o cliente tem o seu corretor por lá. Também lá nos Estados Unidos eles usam muita parceria entre os corretores. Nós temos que fortificar isso aqui no Brasil, tanto que estamos para lançar até o final de abril aqui um portal na web para o corretor com tendência mundial. Se funcionar bem em Sergipe, o Cofeci lançará em dimensão nacional. É um portal que vai pegar os imóveis de Sergipe, do Brasil, da Europa, da Ásia, dos Estados Unidos e anuncia-los. É um portal com interlocução com o mundo.

JLPolítica - Mas a pergunta ficou em aberto, cinco mil e poucos corretores é muito ou suficiente?
SS -
Diria que o suficiente, mas com espaço para mais. Está havendo uma mudança no mercado imobiliário no sentido de especializar corretores em terrenos, apartamentos, em casas, em aluguéis, em avaliações, que é importantíssimo. Isso significa pegar imóveis e fazer cadastramento, pegar opção, autorização de venda. Com esse mercado se especializando, esse número é suficiente. Tem ainda aí um problema: esses 5.400 não estão todos na ativa. Em atividade, temos uns 3.300.

JLPolítica - Até que ponto a informalidade brasileira, o cara fazer um negócio próprio, atrapalha a ação do corretor de imóveis?
SS - 
O pior estrago para o mercado imobiliário é exatamente o contraventor. É por isso que Sergipe é o único Estado onde conseguimos, já há alguns anos, que fosse aprovada na Assembleia Legislativa e foi sancionada pelo governador a lei de que o corretor assine a escritura juntamente com o comprador. Tenho conversado com o pessoal dos cartórios para que fiquemos vigilantes a isso. E já disse aos corretores que, quando forem para o cartório, peçam para assinar a escritura. Isso é bom para os honorários do corretor e é bom e garantia para o cliente também.

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Com a esposa, Fátima Sobral, e o deputado federal Laércio Oliveira

CORRETORES DE MENOS NO BRASIL
“No Brasil temos 380 mil corretores. Nos EUA, com uma população de mais de 120 milhões do que a nossa, têm a maior associação de corretores do mundo, com um 1,3 milhão”

JLPolítica - Qual a garantia em se fazer negócios com imóvel, seja terreno, apartamento, casa, tendo um corretor ao lado? Que eficácia isso garante?
SS -
Negócio imobiliário com corretor por perto é de múltiplas garantias. Primeiro, o corretor fez um curso, tem uma preparação técnica. Ele fez estágio. Depois, veio aqui e deu entrada no seu registro do Creci. Passou por uma comissão, uma plenária, onde se vê certidões e tudo o mais sobre a vida dele.Fora isso, nós fizemos convênio com a Universidade Tiradentes e várias turmas foram formadas lá em Gestão Imobiliária. Eu fui até da primeira turma. Nós temos também mensalmente cursos, palestras para cada dia mais o corretor se aperfeiçoar tecnicamente. Porque hoje o mercado não é aquele mercado de antigamente. Hoje, o corretor tem que fazer a pré-venda, a venda e a pós-venda. Ele tem que acompanhar, porque o mercado imobiliário é muito dinâmico. É totalmente diferente dos outros segmentos. Cada dia mais o corretor tem que se aprimorar.

JLPolítica – O Sistema Cofeci-Creci interage muito na preparação da mão de obra?
SS -
Há alguns anos, o sistema Cofeci-Creci conseguiu o exame de proficiência. Mas, no primeiro exame de proficiência que nós fizemos a nível nacional só passaram 4%. Nós, no entanto, já estávamos em 29%. Veja que eu recebia quase diariamente liminar para gente se inscrever sem proficiência. Pessoas daqui entraram com liminar para ser inscritas sem fazer proficiência. Quem derrubou foi o Creci de Sergipe. Hoje essa proficiência é muito importante. É uma espécie de exame da OAB para a corretor. Pois imóvel é o maior sonho de uma família. O cliente e o mercado querem uma pessoa qualificada, com aperfeiçoamento, que entenda de direito imobiliário, de documentação cartororial, de marketing para fazer divulgação. De avaliação, que é importantíssimo.

JLPolítica - Quais as atribuições de um corretor de imóvel? Ele só vende?
SS -
São várias atribuições: ele vende, ele aluga, ele administra. Faz avaliação.

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A dedicação às causas do mercado imobiliário é uma marca

O ESTRAGO FEITO PELO CONTRAVENTOR
“O pior estrago para o mercado imobiliário é o contraventor. É por isso que Sergipe é o único Estado onde conseguimos a lei de que o corretor assine a escritura com o comprador”

JLPolítica - É possível fazer uma análise da evolução do Creci de Sergipe 2002, quando o senhor o assume no centro de uma intervenção, a até hoje? Ele teve que evolução - patrimonial, de organização?
SS -
Eu diria que houve uma evolução surpreendente desde quando teve intervenção em dezembro de 2002 e o vice-presidente, que era eu, assumiu. Naquela época, o Creci tinha um fusquinha, um fiscal e por sede uma casinha com três salas. Mais que isso: devia ao Cofeci mais de R$ 300 mil. Devia, no geral ao mercado, mais ou menos R$ 140 mil. Isso tudo era uma fortuna.

JLPolítica - O que aconteceu de lá para cá?
SS -
Nós investimos e construímos a primeira sede – e hoje aqui temos duas sedes, uma dentro da outra. Nós somos o maior terreno de sede de Creci do Brasil. São 1.900 metros quadrados. Compramos carros: hoje temos sete veículos. Tínhamos só um computador na época e compramos uma série de outros. Compramos móveis. Começamos a investir nos equipamentos. Construímos uma sede de 350 metros quadrados. Depois construímos a segunda sede, no fundo. Uma é vizinha à outra. Intercaladas. Construímos mais 600 metros. Triplicamos o tamanho. Investimos na parte física. Investimos na parte funcional, no RH, nos funcionários. Preparamos funcionários para o melhor atendimento possível. Temos um quadro de funcionários de primeira linha. Fiscalização de primeira linha.

JLPolítica - O Creci tem autonomia financeira hoje?
SS -
Em termos de capitalização, o Creci de Sergipe é um dos três maiores do Brasil. Esse dinheiro e essa pujança são do corretor de imóveis sergipano. Estamos dando nossa contribuição, porque aqui nenhum presidente, conselheiro, diretor, é remunerado. Ninguém conselho. No Brasil, são 30 conselhos de conselhos de classe - como os de engenheiros, de médicos. Todo mundo aqui no Creci atua no sentido de fortalecer a categoria, o mercado imobiliário. Somos a único conselho de classe no Brasil, uma autarquia federal especial, onde ninguém é remunerado. Nós chegamos à quarta melhor fiscalização do Brasil. Como consequência, diminuiu o número de contraventores. A fiscalização forte, o corretor assinando a escritura junto com o comprador e vendedor, fortaleceu-nos. Depois da parte estrutural, de pagarmos as dívidas todas, partimos agora para fazer divulgação. Acredito que somos um dos conselhos que mais faz divulgação. Temos programa de televisão, patrocinamos programa de televisão. Já tivemos cinco programas. Nós tínhamos o “Minuto Creci” nas rádios. Colocamos informes em todos os jornais. Temos nosso informativo, nossa revista, nosso site, Facebook, WhatsApp. Toda uma rede social de divulgação. Sabemos o peso disso em favor da nossa categoria.

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Como diretor-secretário do Cofeci é uma espécie de braço direito do presidente dessa instituição, João Teodoro

GARANTIA DE TER CORRETOR POR PERTO
“Negócio imobiliário com corretor por perto é de múltiplas garantias. Primeiro, o corretor fez um curso, tem uma preparação técnica. Ele fez estágio. Depois, veio aqui e deu entrada no seu registro do Creci”

JLPolítica - Qual a interlocução daqui com o Cofeci? O Cofeci acompanha os passos do Creci de Sergipe com interesse ou com menos intensidade do que outros Crecis do Brasil?
SS – 
O Creci daqui se fortaleceu tanto a nível nacional que eu sou diretor-secretário do Cofeci - logo o presidente do menor Estado do Brasil. Diretor-secretário é o braço direito do presidente do Cofeci. Ocupo essa Diretoria por causa da administração do Creci-SE, pois se não fossem os conselheiros, diretores, o presidente não chegaria a esse cargo. Esse grupo nosso fez um trabalho tão bom que chegou ao ponto de eu ser diretor-tesoureiro do Cofeci, fui também o vice-presidente institucional do Cofeci e hoje sou diretor-secretário. Fora isso, o próprio Cofeci indicou o presidente do Creci de Sergipe para ser o vice-presidente da Cimlop - Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa -, que é a única confederação mundial do mercado imobiliário. Veja você como o Cofeci trata bem o Creci de Sergipe.

JLPolítica - Hoje o Nordeste brasileiro atraiu uma certa sedução do mercado internacional, sobretudo na região litorânea. Nós sergipanos estamos sendo contemplado com isso ou nós estamos aquém?
SS -
Eu digo que o Nordeste é a bola da vez. Mas nós de Sergipe, neste aspecto, estamos aquém. Por que estamos aquém? Por falta de ação pública. Eu já trouxe um grupo de portugueses, levei representantes do Cofeci para salões imobiliários na França, nos Estados Unidos, na Espanha, na Itália. São vários eventos internacionais que o Cofeci vai e que nós vamos juntos, representando a Diretoria do Cofeci, e divulgando Sergipe. Tentamos na época até com o saudoso Marcelo Déda levar Sergipe para o estande do próprio Cofeci lá fora. Mas o Estado nunca quis participar. Essa é a verdade. Então, vendemos o Brasil, vendemos o Nordeste principalmente, que é a bola da vez e Sergipe se insere nisso - aqui você tem praias nativas, lindas, aqui o povo é trabalhador, referência em credibilidade, terras baratas. Mas aqui o turismo, depois de Teresina, no Piauí, é o pior em números de apartamentos. Aqui tem um problema: essas ilhas todas do Mosqueiro, por exemplo, não têm um bar, um restaurante, hotel. Nada. Além de aqui hoje praticar um dos maiores impostos estaduais.

JLPolítica - Ou seja, não investir no Turismo em Sergipe, além de atrapalhar o trade turístico, os hotéis, e outros setores, atrapalha também o mercado imobiliário?
SS -
Sem dúvida alguma. Nós tínhamos dois eventos internacionais para trazer este ano para cá - um congresso internacional de corretores do mundo todo e uma reunião da Cimlop -, que iriam reunir num sei quantos países também. Mas fazer aonde aqui, se não temos sequer auditório? Aqui nem Centro de Convenções tem. Só tem o Teatro Tobias Barreto. Para um evento desse vinham os estandes internacionais - não tivemos condições. 

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O Cofeci o indicou para ser o vice-presidente da Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa - Cimlop

EXAME DE PROFICIÊNCIA, A OAB DO CORRETOR
“Há alguns anos, o sistema Cofeci-Creci conseguiu o exame de proficiência. No primeiro já estávamos em 29%. É uma espécie de exame da OAB para a corretor”

JLPolítica - Quem é a bola da vez entre os nove Estados do Nordeste do ponto de vista de atração imobiliária? É Bahia, Rio Grande do Norte ou Ceará?
SS -
São aqueles Estados onde os governadores, os prefeitos mais trabalham, como Bahia e Alagoas. Na Bahia, o governador e o prefeito estão brigando para ver quem mais faz obras. Enquanto aqui não há nada disso.

JLPolítica - Mas qual a receita para colocar Sergipe na rota do Nordeste?
SS -
O que Sergipe precisa é investir em turismo e infraestrutura. Tem que dar um choque de gestão no Estado.

JLPolítica - Os Crecis regionais e o Cofeci já chegaram a ter uma bancada de 140 deputados e 22 senadores de apoio. Como é essa relação? Ela está valendo? Os senhores têm uma agenda fácil no Congresso Nacional?
SS –
 Ah, temos. Cada presidente de cada Estado tem sua bancada de apoiadores. Vamos ter no começo de abril um café da manhã com todos eles lá. Temos 65 projetos no Congresso e há aqueles que são prioritários. Esse prioritário é o fim do tributo sobre o terreno de marinha. E fazer extensivo ao Brasil inteiro a prerrogativa do corretor assinar escritura junto com o comprador e vendedor, fato que só tem em Sergipe - agora que Paraná está conseguindo também. São vários projetos para fortalecer a categoria.

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Corretor desde 1982, Sérgio Sobral leva a profissão e o Creci muito a sério

SURPREENDENTE EVOLUÇÃO DO CRECI
“Diria que houve uma evolução surpreendente no Creci desde quando teve intervenção e eu assumi. O Creci tinha um fusquinha, um fiscal e por sede uma casinha com três salas”

JLPolítica - É significativo para Sergipe, Estado deste tamanho, ter conseguido emplacar essa prática da assinatura casada, corretor e comprador?
SS – 
Sem dúvidas alguma. Isso aí fortalece a categoria. Isso vários Estados já tentaram no Brasil e não conseguiram. Quando um Estado vai tentar isso, pede o apoio de Sergipe. Duas vezes já chegamos perto de fazer isso valer nacionalmente. Uma vez foi parar na mão do ex-presidente Lula e uma vez da ex-presidente Dilma. E eles não sancionaram.

JLPolítica - O que é um bom corretor de imóveis? O que caracteriza o corretor no âmbito do imobiliário como um bom profissional?
SS -
O bom corretor de imóveis é aquele que está sempre se aprimorando, aperfeiçoando. Sempre ligando para os clientes. Fazendo a pós-venda, que é importante. Fazendo parceria com os companheiros, se especializando numa área. Não adianta a pessoa vender e querer atuar em várias áreas. O bom corretor é aquele que tira todas as dúvidas do cliente, porque hoje nós temos um Código Civil recém-atualizado. O corretor de imóveis antigamente tudo que o cliente perguntasse tinha que saber. Agora não. Antes tem que falar sobre o memorial descritivo, vários detalhes, especificação de imóveis. Hoje o corretor de imóvel é um consultor. Tem que usar muita rede social, essa parte da fotografia, direito imobiliário, documentação cartorária, usar o marketing pessoal e de divulgação.

JLPolítica - O sistema Creci-Cofeci trabalha com que expectativa de recuperação do mercado? Qual a esperança do sistema? É melhorar em 2018 ou só melhorar em 2019, 2020?
SS -
Sentimos que a retomada do mercado imobiliário é pra já. Nós tivemos uma reunião em São Paulo nesse final de ano, juntamente com o Secovi/São Paulo, que é a maior entidade de construção, incorporação, o sindicato da habitação; o Cofeci, a CBIC, que é a Câmara Brasileira da Indústria Construção, em torno de 22 entidades, analisamos e concluímos o seguinte: São Paulo já tem regiões estabilizadas e em crescimento. No mercado imobiliário, a crise começou primeiro no Sul, Sudeste, São Paulo, que equivale a quase 40% desse mercado, depois é que veio para o Nordeste. Então, se São Paulo retomou o crescimento, automaticamente irá para as outras regiões do Brasil. Depois tivemos uma reunião com todos os presidentes Creci’s em Foz do Iguaçu. A conclusão foi, analisado Estado por Estado, de que um dos Estados que haverá crescimento maior é o de Sergipe, porque Sergipe tem uma diferença: essas empresas estrangeiras que estão entrando, automaticamente, vão fortalecer a nossa economia. Uma das coisas é isso. A segunda, é que o Governo Federal vai investir no financiamento do Minha Casa Minha Vida. Nós tivemos uma reunião semana passada com a Diretoria da Caixa. Os imóveis que a Caixa está retomando Sergipe é que está mais vendendo no Brasil, proporcionalmente

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Dono da Japiaçu Imobiliária, fez o primeiro loteamento aos 17 anos

CRECI DE SERGIPE, UM DOS TRÊS DO BRASIL
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m termos de capitalização, o Creci de Sergipe é um dos três maiores do Brasil. Esse dinheiro e essa pujança são do corretor de imóveis sergipano. Estamos dando nossa contribuição”

JLPolítica - A previsão é que haveria algo em torno de 12 milhões de imóveis no déficit imobiliário nacional. Os senhores trabalham com que quantitativo?
SS -
Sim, com esses 12 milhões. É um levantamento perfeito. Passou até num evento que teve no Senado. O suprimento disso é uma garantia da estabilidade do mercado imobiliário, sem sombra de dúvidas. Fora isso, têm pessoas que estão casando, prestes a casar, aumentando a renda, então automaticamente com este novo panorama vai mudar de patamar residencial. Veja esse detalhe: o cidadão americano muda, durante toda a vida dele, de quatro a cinco casas. De 10 em 10 anos, geralmente, ele muda de imóvel. Já o brasileiro normalmente muda duas. Isso é ruim para o mercado.

JLPolítica - O sistema Creci/Cofeci encara com que olhos a corrupção brasileira, sobretudo, no mercado de construção?
SS -
O sistema Creci/Cofeci encara a corrupção como uma tristeza. Nesses 12 anos em que estamos participando de eventos internacionais, começamos como o primo-pobre. Começamos a fazer trabalhos nos salões imobiliários, divulgando o Brasil. Hoje em dia, a gente vai para o evento, ficou para o sistema Cofeci/Creci o respeito, mas a gente vê lá fora uma preocupação. O pessoal até com pena do Brasil. Tipo, “como é que o Brasil, um país tão rico, com esse litoral, beleza por todo lado, principalmente no Nordeste, um povo tão diversificado, chega a esse ponto?Como é que a corrupção enraizou desta maneira?”. Mas continuamos, junto ao Governo Federal, Ministério do Turismo, Ministério das Relações Exteriores, divulgando e trazendo investidores para o Brasil. Nós ganhamos os maiores prêmios de divulgação nos Estados Unidos, na Europa, sem o Governo. 

JLPolítica - O senhor diria que a corrupção atrapalha a vida privada de quem não é corrupto, os bons negócios?
SS – 
Sem dúvida nenhuma. Chegamos ao ponto de fazer valer o que disse Rui Barbosa há décadas e décadas atrás, de que o brasileiro teria vergonha de ser honesto. Hoje está havendo uma mudança, e tem que mudar. Mas o que eu acho é que o problema primeiro do Brasil, sinceramente, é a Educação. E o segundo é Educação, e o terceiro, a Educação. Temos que fazer como os tigres asiáticos fizeram: pegar duas ou três gerações e investir na Educação. Aí muda.

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Acha que o Creci e o mercado imobiliário de Sergipe são dois exemplos de sucesso para o resto do Brasil

FIM DO TRIBUTO AO TERRENO DE MARINHA
“Temos 65 projetos no Congresso e há aqueles que são prioritários. Esse prioritário é o fim do tributo sobre o terreno de marinha”

JLPolítica - A sua gestão é democrática? O senhor ouve os conselheiros? De que forma ela é estruturada?
SS - 
Eu peço que na minha plenária os nossos conselheiros, que são 54 - 27 efetivos e 27 suplentes - não sejam como a lagartixa, que fica só balançando a cabeça. A gente tem que discutir. Tem que ter críticas construtivas. Na plenária da semana retrasada falei sobre isso. Se é um Conselho, todos acertamos ou todos erramos.

JLPolítica - A sua gestão tem mais acertos do que erros?
SS – 
Eu acredito que mais acertos, sim. Duas sedes construídas, uma frota de carros proporcionalmente maior do Brasil, proporcionalmente maior número de fiscais, um dos três conselhos com maior liquidez. Então...

JLPolítica - Quais são os outros dois conselhos com maior liquidez, inadimplência baixa?
SS - 
Normalmente São Paulo e Rio de Janeiro. Os dois maiores.

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Os filhos Fausto e Manuela lhe seguirem os passos, também operam no ramo imobiliário

A CORRUPÇÃO É UMA TRISTEZA
“O sistema Creci/Cofeci encara a corrupção como uma tristeza. A gente vê lá fora uma preocupação. O pessoal até com pena do Brasil. Tipo, “como é que o Brasil, país tão rico, chega a esse ponto?”

JLPolítica - Para além do que já foi feito, qual a perspectiva futura de empreendimento de valoração do Creci e dos corretores de Sergipe?
SS -
Nós vamos investir mais em cursos, palestras, simpósios. Tivemos nesses dias evento para mulher com várias palestras, com palestrantes de todo o Brasil. Implantamos o “Clube do Corretor”. É o único “Clube do Corretor” Creci do Brasil. Com uma carteira, nós temos mais de 50 convênios com universidades, escolas, churrascaria, posto de gasolina, comércio de uma maneira geral, e descontos. Vamos fortalecer essa parte do “Clube do Corretor”. Vamos implantar uma Câmara de Mediação Arbitrária. Já fizemos dois cursos aqui para os corretores para que eles participem dessa câmara. Que sejam juízes arbitrais. Essa câmara será muito boa para o mercado imobiliário, para as construtoras, as imobiliárias, clientes, incorporadoras. Mais qualificação para o corretor. Nós estivemos com a Caixa Econômica e vamos implantar um cartão de crédito com chancela do Creci e a Caixa - será bom para o corretor. Ele e toda família poderão usar. Esse portal imobiliário será bom para o corretor. O corretor vai lançar neste portal os imóveis que tem. E será bom para o mercado imobiliário sergipano, nacional e internacional. Sem custo algum para o corretor.

JLPolítica – Com a estimativa de 380 mil corretores no Brasil, os senhores devem estar entre as cinco maiores categorias profissionais da nação, junto com médicos, advogados.
SS -
Sua previsão foi certeira. Somos a quinta maior categoria de profissionais e em arrecadação. Isso nos é muito significativo.

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Acertou em não trocar o mercado imobiliário pelo futebol