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Entrevista

Jozailto Lima

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Sílvio Santos - “Se o PT der tranquilidade para Eliane, ela topa disputar com Edvaldo”

“Está claro que Edvaldo Nogueira escolheu um outro caminho liberal”
 22 de junho de 2019, 20h00​


Sílvio Santos é um petista histórico, daqueles que leem com críticas negativas, mas muito mais positivas, a história do seu partido.

Daqueles que veem política com uma certa transigência e que, em nome disso, já foi pelo PT vice-prefeito de Aracaju na segunda gestão de Edvaldo Nogueira, obtida com a eleição de 2008.

Foi secretário de Estado duas vezes: da Saúde e da Casa Civil e está hoje no front dos que sonham com a sombra do petismo voltando aos poderes centrais do Estado e da Prefeitura de Aracaju.

Para Sílvio Santos, 62 anos, a construção dessa volta do PT à ribalta dos poderes do Estado e da Capital pode começar pela eleição de Aracaju em 2020. Isso mesmo: com o PT se constituindo numa força de oposição à reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira, PCdoB.

Aliás, na visão de Sílvio Santos, que é um jornalista por formação - ele começou o curso da UFS e terminou na Unit -, a construção de uma candidatura do PT na oposição a Edvaldo Nogueira foi uma saída compulsória. Forçosa. Imposta pelo próprio Nogueira.

E a opção a essa candidatura, na visão de Sílvio, pode vir na pessoa de Eliane Aquino, que na eleição de 2016 disputara e se elegera vice-prefeita de Edvaldo Nogueira, e que em 2018 elegeu-se vice-governadora do Estado.

Mas será que Eliane Aquino, que tem uma visãozinha pequeno burguesa da política, usa sapatilhas de vidro, toparia essa empreitada dura? “Eu vou falar pelas palavras dela: eu acho que se o PT buscar uma unidade interna que dê tranquilidade para Eliane fazer essa disputa, acredito que ela topa”, diz Sílvio.

Mas como leitor pragmático da política, Sílvio pondera. “Agora, não é uma coisa simples e fácil. Há muitos interesses legítimos dentro do PT, e essa construção é que vai dizer se ela vai ser candidata ou não”, diz.

Entre os “interesses legítimos dentro do PT”, há os que conjeturam uma candidatura a prefeito de Aracaju do chorão beato de Lula, Márcio Macedo, em vez da de Eliane com seus pés de vidro.

Mas aqui carece de uma definição, da parte do pensamento de Sílvio Santos, para uma candidatura própria do PT a prefeito de Aracaju em vez da manutenção do apoio ao projeto de reeleição de Edvaldo Nogueira.

“Eu acredito é que Edvaldo Nogueira mudou de posição política. Nós o apoiamos baseados num projeto e num programa progressista para Aracaju, e esse programa foi completamente abandonado”, diz Sílvio.

Mais do que “completamente abandonado”, emenda Sílvio. Foi trocado, migrado. “Hoje Edvaldo tenta viabilizar um outro programa, que, na minha opinião, é liberal, e a respeito do qual eu tenho várias críticas”, diz ele.

“Aliás, num primeiro momento em que eu dei uma declaração sobre isso, ainda entendia que era o momento de fazermos uma repactuação. Mas hoje isso já passou. Porque o sinal foi emitido e o prefeito reagiu como se fosse de um adversário. Então, acho que está muito claro que Edvaldo escolheu um outro caminho, um outro projeto político que não tem convergência com aquilo que o PT defende”, completa.

Mas não é só de PT, de Edvaldo, de Eliane e de eleições de Aracaju que a visão de Sílvio Santos se ocupa nesta Entrevista. Ele fala dos dramas nacionais do PT, de Lula, do Governo de Belivaldo Chagas e, sobretudo, do momento Brasil sob Jair Bolsonaro.

Aqui, Sílvio faz um prognóstico sombrio. “Eu temo que tudo isso possa migrar para uma ditadura militar. Acho que há um clima para isso. Precisamos dialogar com a grande maioria dos brasileiros que não estão no Fla-Flu do ódio”, adverte.

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"Nós ainda perdemos duas das maiores lideranças, Marcelo Deda e Zé Eduardo Dutra", lamenta
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Sílvio Alves Santos nasceu no povoado Lagoa do Meio, em Capela, no dia 17 de janeiro de 1957

JLPolítica - Há perspectiva de ressureição do PT de Sergipe no âmbito de vir a ser Governo de Sergipe e Governo de Aracaju algum dia novamente?
SS -
Sim, há. Eu, particularmente, sou muito otimista com relação a isso. E o resultado eleitoral de 2018 sinaliza muito fortemente nesse sentido. O PT amargou um período onde apanhou muito, de 2013 para cá. Aqui em Sergipe, em particular, além de toda essa tempestade, nós ainda perdemos duas das maiores lideranças, Marcelo Deda e Zé Eduardo Dutra, por mortes. Em 2014, e em 2016, a gente estava bastante fragilizado e muitos até dos aliados apontaram para o nosso fim. Mas em 2018, a gente teve um resultado eleitoral que considero que fomos, junto ao PSD, os dois maiores vitoriosos da eleição.

JLPolítica - Os detentores do poder em Sergipe hoje, na capital e no Estado, com Edvaldo Nogueira e Belivaldo Chagas, suprem um pouco essa carência de PT?
SS -
Eu não diria isso, até porque ainda que a gente não tivesse passado pelo que passamos, certamente esse período seria ideal para que os aliados estivessem governando. Mas eu acho que a eleição deles demonstra ainda a força do PT como aliado.

JLPolítica - Essa reinserção poderá ser tentada em 2020, na sucessão de Aracaju?
SS -
Sim, é possível. O PT precisa construir essa possibilidade em 2020, o que significaria consolidar o resultado eleitoral de 2018, que já nos apontou o caminho. Agora as lideranças do PT precisam consolidar esse caminho, traduzir aquilo em política real e construir uma candidatura viável para retomar o protagonismo na cena política na capital.

JLPolítica - Quais são os pontos principais da desarmonia causada pelo prefeito Edvaldo Nogueira com vocês do PT?
SS -
Na minha opinião - e aí eu falo aquilo que eu sinto -, a minha crítica é na política. Não tenho nenhuma questão pessoal nisso. Agora, eu acredito é que Edvaldo Nogueira mudou de posição política. Nós o apoiamos baseados num projeto e num programa progressista para Aracaju, e esse programa foi completamente abandonado.

JLPolítica – Como assim?
SS -
Hoje Edvaldo tenta viabilizar um outro programa, que na minha opinião é liberal, e a respeito do qual eu tenho várias críticas, já pontuadas anteriormente. Aliás, num primeiro momento em que eu dei uma declaração sobre isso, ainda entendia que era o momento de fazermos uma repactuação. Mas hoje isso já passou. Porque o sinal foi emitido e o prefeito reagiu como se fosse de um adversário. Então, acho que está muito claro que Edvaldo escolheu um outro caminho, um outro projeto político que não tem convergência com aquilo que o PT defende.

DA VOLTA DO PT DE SERGIPE AO PODER
“Eu, particularmente, sou muito otimista com relação a isso. E o resultado eleitoral de 2018 sinaliza muito fortemente nesse sentido. O PT amargou um período onde apanhou muito, de 2013 para cá”

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Com o ex-governador Albano Franco

JLPolítica - Essa repactuação, peremptoriamente, empurra vocês para uma candidatura desgarrada da dele?
SS -
Sim, hoje o sentimento do PT é o de ter uma candidatura própria, e certamente com base nisso. Nós não queremos mais discutir a manutenção nesse bloco como numa confraria, num grupo de amigos, que se sairmos iria haver uma divisão que, poderia levar a derrota. Nós entendemos como um projeto político, que, já teve um rompimento por parte de Edvaldo. Com base nisso, defendo que o PT tenha a candidatura própria a prefeito de Aracaju para retomar esse programa.

JLPolítica – Dê-me dois pontos que devem classificar o programa de Edvaldo como algo liberal.
SS –
Dou: a privatização da saúde e a forma como ele trata os servidores públicos. Edvaldo não os recebe, não negocia, não escuta as reivindicações democraticamente. Para além disso, tem um ponto crucial, que entendo que seja aquilo que Déda falava quando era prefeito em 2006: cadê o plano diretor?Isso para mim é crucial, pois o prefeito fala em cidade inteligente, mas como pensar uma cidade inteligente sem o plano diretor moderno, que olhe para os espaços da cidade de forma democrática?

JLPolítica - O senhor acha que Belivaldo Chagas seguirá essa desgarrada em relação de Edvaldo?
SS -
Eu acho que os sinais que Belivaldo têm emitido até agora são sinais de busca pela manutenção do bloco. Agora, eu não tenho ideia de como acontecerá se de fato esse rompimento se consolidar. Nós sempre fomos aliados e é possível que isso gere uma dor de cabeça no governador. Mas certamente ele terá que tomar uma posição mais à frente.

JLPolítica - Afinal, quando Eliane Aquino vai reunir condições e disposições políticas de descer do conforto dela e vir à planície de cara limpa disputar uma eleição como titular?
SS -
Eu creio que Eliane Aquino já evoluiu muito. Vamos lembrar que Eliane não tinha atuação da política e, de repente, ela criou um protagonismo e uma liderança que impressionam a todos de fato. Hoje ela é uma das principais lideranças do PT, com um apelo popular enorme e isso assusta naturalmente a alguns. Mas acho que nos últimos anos ela tem se determinado a assumir um papel e uma responsabilidade política que não só o PT, mas a própria sociedade estão a exigir dela.

JLPolítica - O senhor acha que ela topa disputar a sucessão de Edvaldo Nogueira?
SS -
Eu vou falar pelas palavras dela: eu acho que se o PT buscar uma unidade interna que dê tranquilidade para Eliane fazer essa disputa, acredito que ela topa. Agora, não é uma coisa simples e fácil. Há muitos interesses legítimos dentro do PT, e essa construção é que vai dizer se ela vai ser candidata ou não.

DA DESCARACTERIZAÇÃO POLÍTICA DE EDVALDO
“Acredito que é Edvaldo Nogueira mudou de posição política. Nós o apoiamos baseados num projeto e num programa progressista para Aracaju, e esse programa foi completamente abandonado”

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Com o ex-senador Antonio Carlos Valadares

JLPolítica - Quais são hoje os ranços e as diferenças que separam Eliane e Edvaldo Nogueira? Com foi a relação dos dois durante os dois anos de prefeito e vice?
SS -
Olha, essa é uma relação que a gente não tem nenhum elemento para dizer que tenha sido tensa. Uma relação bem tranquila. O único problema, que não é relação pessoal, é que eu acho que o PT começou a ser desprestigiado também no Governo de Edvaldo, mesmo tendo a vice-prefeita.

JLPolítica - E nesse desprestígio entrou a própria vice?
SS -
Não, com ela própria não. Mas, por exemplo, o passo seguinte. Veja: nós tínhamos a vice-prefeita e duas secretarias - a Funcaju e a Secretaria de Assistência. Quando a vice-prefeita é eleita vice-governadora, Edvaldo faz uma reforma e, embora o resultado eleitoral do PT nos fortalecesse, ele diminui substancialmente o papel do PT. Ele desidrata o PT. Aí é um gesto de desarmonia não só com o PT, mas com a própria Eliane.

JLPolítica - O senhor disputará um mandato de vereador em 2020?
SS -
Pretendo. Tem uma discussão na corrente política do PT da qual participo que aponta para esse caminho, e nós estamos começando a construir isso.

JLPolítica - Há possibilidade de uma aliança do PT de Sergipe com o PSB de Sergipe nas eleições municipais de 2020?
SS -
Veja, a gente nunca pode falar de impossibilidades de alianças em um cenário político qualquer brasileiro, ainda mais na capital. É óbvio que o PSB tomou um caminho de oposição desse campo que a gente atua. Mas, por exemplo, numa eleição em que o PT tendo candidatura própria significa um rompimento também com o bloco que governa Aracaju, naturalmente que vamos buscar aliados, parceiros para fazer essa disputa. O PSB historicamente é um aliado do PT, no plano nacional. Inclusive, na última eleição, a maioria do PSB apoiou a candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República, mesmo depois de um rompimento em 2014 e com o PSB tendo um papel de algoz no impeachment de Dilma. Quer dizer, mesmo com todos esses problemas, há uma reaproximação. Diria que é uma possibilidade.

JLPolítica - Haverá eleição do PT em setembro. O senhor levanta o crachá da unidade interna ou o das várias candidaturas?
SS -
O da unidade interna, sempre. A nossa unidade é que nos fortalece para os embates futuros - e os embates futuros são muito mais importantes do que a disputa interna.

DOIS EXEMPLOS DE UM EDVALDO LIBERAL
“A privatização da saúde e a forma como ele trata os servidores públicos. Edvaldo não os recebe, não negocia, não escuta as reivindicações democraticamente. Para além disso, cadê o plano diretor?”

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É um petista histórico

JLPolítica - O senhor disputará a Presidência do partido?
SS -
Não.

JLPolítica - Acha que a Presidência deve continuar com Rogério Carvalho?
SS -
Eu não sei se Rogério é candidato à reeleição. Até agora, não tem a discussão de nomes, mas acho que nós temos que ter a sabedoria de sentarmos as lideranças do PT, as várias correntes e discutirmos um nome comum para dirigir o PT de Sergipe.

JLPolítica - Especificamente em Sergipe, o senhor vê sinais de novos quadros ou, usando um termo da cana de açúcar do tabuleiro da sua região, só há soca das mesmas touceiras de sempre?
SS -
Eu vejo lideranças novas. Tem o vereador Camilo Feitosa na Câmara de Aracaju, tem algumas lideranças emergentes dos movimentos de juventude. Eu vejo de uma forma alvissareira jovens atuando internamente no partido, em várias frentes, nessas políticas de juventude, nos grêmios escolares, nos DCEs.E vejo com satisfação que há, para mim, uma renovação, novos quadros.

JLPolítica - Qual o conceito que o senhor tem destes seis meses de mandato de Belivaldo Chagas à frente do Governo de Sergipe?
SS -
Olha, tem sido um período muito difícil, mas Belivaldo tem dado demonstração de foco na solução dos problemas, tem buscado alternativas. Ele é muito seguro, a seu modo, muito pé no chão. Ele tem buscado alternativas que já começam a sinalizar a retomada do Estado nos eixos de uma volta à prosperidade.

JLPolítica - Esses anúncios todos - da Celse, de parque de energia solar no sertão, de novos investimentos de gás da Petrobras -, o senhor acha que reconfiguram o futuro econômico e de desenvolvimento do Estado?
SS -
Sem sombra de dúvidas. É um campo onde Sergipe tem um potencial imenso, essa área de energia e, a partir daí, a gente tem como criar cadeias produtivas que definitivamente fortaleçam a economia de Sergipe. Nós passamos muitos anos dependentes dos humores de investimentos da Petrobras. Toda a vez que a Petrobras investia o Estado crescia, quando recuava, o Estado recuava junto. E agora, com essas várias fontes e esses investimentos, tenho uma boa impressão - e aí vai caber ao Governo e aos investidores privados enxergarem isso, de forma a se criar cadeias produtivas e preparar a mão de obra para isso.

ELIANE DISPUTARIA PMA COM EDVALDO?
“Acho que se o PT buscar uma unidade interna que dê tranquilidade para Eliane fazer essa disputa, acredito que ela topa. Não é uma coisa simples e fácil. Há muitos interesses legítimos dentro do PT”

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Foi secretário de Estado duas vezes: da Saúde e da Casa Civil

JLPolítica -  Qual o papel do Estado nessa questão da mão de obra?
SS -
Aí, o Estado cumpre um papel fundamental na educação, na educação técnica, para preparar o sergipano para assumir esses empregos. Você sabe que o perfil do emprego mudou muito nos últimos anos com a implantação de novas tecnologias etc. Se não tivermos uma população preparada para isso, é bem possível que a gente tenha todo esse desenvolvimento e os empregados venham de fora. Então, é preciso que o Estado faça esse papel também de preparar o sergipano para assumir essa mão de obra.

JLPolítica - O senhor acha que a economia sergipana está lendo direito o significado do investimento da Celse de R$ 6 bilhões para produzir energia a partir do gás vindo do Catar?
SS -
Eu ainda acho, inclusive, que todos têm olhado pouco para a Celse. Esse empreendimento é uma coisa impressionante: os números, os investimentos, a grandeza da Celse. Acho que, no geral, a classe política, e até mesmo a imprensa, têm olhado a Celse com pouca densidade. 

JLPolítica - O senhor tem que conceito desse início de mandato do senador Rogério Carvalho?
SS -
Olha, eu acho que Rogério está muito focado. Tem trabalhado muito, e acho que ele inicia com qualidade o seu mandato. Ele está se preparando para isso. Tem levado a consolidar um perfil de negociador. Você sabe: a política exige muito isso. Tem gente que faz uma opção pelo debate mais sectário. Rogério entendeu que é necessário fazer uma melhor interlocução. Fazer aproximação. Você mantém seu campo ideológico, mantém suas ideias, mas é o diálogo com forças diferentes é que faz construir as políticas e levar a cabo. Ele agora acaba de se eleger presidente de uma frente de senadores do Nordeste. Quer dizer, ele está ocupando um espaço que certamente dará destaque ao seu mandato.

JLPolítica - Não acha que ele está meio num vácuo, quase perdido?
SS -
Não vejo isso não. O Congresso perdeu muita qualidade, e acho que em meio a isso fica mais difícil você verificar as qualidades e os novos talentos que estão ali. Então, acho que o Rogério tem dado demonstração de que está focado e de que já emite sinais de um mandato de qualidade. Aliás, não só Rogério. Eu acho que o próprio senador Alessandro Vieira também tem feito algumas posições que, embora mais à direita, mais conservadoras, mas mostra-se bem. Porque você pode fazer um bom mandato, mesmo conservador, claro. Mesmo porque também a sociedade é muito plural.

JLPolítica - Há temores da nova força política chamada Alessandro Vieira e o seu bloco do Cidadania?
SS -
Não, temor não. Eu acho que é uma força a ser observada. Acho que, ao contrário, se você observar a postura de Alessandro é diferente de de várias lideranças desse campo que entraram nesse oba-oba do bolsonarismo, das patentes militares e tal. O Alessandro tem sido mais cuidadoso. Por exemplo, ele agora está tomando porrada por causa do decreto das armas, que ele votou contra. Isso é positivo, e veja que ele votou igual o Rogério.

DA POSSIBILIDADE DE ALIANÇA COM PSB EM 2020
“O PSB historicamente é um aliado do PT, no plano nacional. Na última eleição, a maioria do PSB apoiou Haddad à Presidência, mesmo depois de um rompimento em 2014. Diria que é uma possibilidade”

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Com os cinco filhos e a netinha Maria Ester

JLPolítica - Até quando os senhores acham que as conversas grampeadas do Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jata podem mudar o destino de Lula e desta operação?
SS -
Eu tenho uma visão que é o seguinte: qual é o problema de tudo isso que está acontecendo que eu considero muito grave, De uma gravidade imensa? É que o Brasil ainda não consolidou sua democracia. O Brasil não tem ainda instituições consolidadas, fortes. Se tivéssemos, esse processo todo, a Lava Jato, já teria finalizado, já teria anulado todos os processos em detrimento de todo o esforço feito no combate à corrupção. Ok, não dá para zerar tudo, não dá para dizer que foi tudo uma grande sacanagem. A iniciativa de combate à corrupção é sempre louvável. Mas não pode, num estado democrático de direito, um juiz ser uma espécie de super homem capaz de fazer qualquer coisa para prender o bandido. Não é qualquer coisa. Porque se você permitir que o juiz, que o Judiciário e o Estado sejam capazes de qualquer coisa para prender alguém, há a possibilidade de esse alguém pode ser um bandido, mas também pode ser um inocente.

JLPolítica - O senhor então não dá por nulo todos os indícios de eficácia da Operação Lava Jato no âmbito da corrupção brasileira?
SS -
Não. Acho que a iniciativa é louvável. A prática do Moro na Lava Jato é que é condenável.

JLPolítica - Política e intelectualmente falando, até quando os senhores do PT vão carregar de bar em bar, de rua em rua, conduzir e imolar o cadáver desse Quincas Berra D’Agua chamado Luis Inácio Lula da Silva?
SS -
É muito difícil desencanar de Lula, porque toda vez, inclusive, que ele se posiciona, mostra-se que é o político mais sagaz da cena nacional. Agora mesmo, quando ele está preso, repercutem no mundo inteiro suas entrevistas. Então não é só no PT. É na sociedade. E, em sã consciência, ainda que se ache que Lula é o Bandido da Luz Vermelha, não dá para dizer que o que ele diz não faz sentido, não é? Que o que ele sinaliza não faz sentido, ou que sua trajetória tenha sido sem sentido. Não. Ainda que ele tenha feito tudo que a Lava Jato diz que ele fez, o que nós questionamos, não dá para você apagar o que significa a liderança política de Lula. Essa coisa ainda vai perdurar muito tempo na cena política de Sergipe, e do Brasil.

JLPolítica - O PT, sozinho enquanto partido, não sobreviverá ao mito Lula?
SS -
É claro que tem que sobreviver, e acho que o desafio do PT é o de começar daí. Porque Lula, seja de que forma for, aconteça o que acontecer com ele, é um homem de 73 anos de idade e logo-logo vai estar fora da cena. É preciso dar um passo adiante, e creio que o PT está tendo uma oportunidade agora.

JLPolítica – Por quais caminhos?
SS -
A liderança de Fernando Haddad vem com um outro perfil e numa posição que eu acho que o PT poderia começar e pensar numa ocupação de espaço maior, a partir desse perfil – um professor universitário. É preciso que há vários outros Haddad pelo Brasil afora. É necessário que joguemos luzes sobre essas novas lideranças.

HÁ DE SE VER RENOVAÇÃO NO PT DE SERGIPE
“Vejo de forma alvissareira jovens atuando no partido, em várias frentes, nessas políticas de juventude, nos grêmios escolares, nos DCEs.
Tem o vereador Camilo Feitosa na Câmara de Aracaju, tem algumas lideranças emergentes dos movimentos de juventude”

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Hoje, ele é casado com a repórter-fotográfica Janaína Santos

JLPolítica - O senhor acha que Lula fez bem ao PT, tendo imposto e eleito Dilma Rousseff presidente da República do Brasil?
SS -
Desde o começo eu fui muito crítico à escolha do nome de Dilma Rousseff. Não dá para você fechar os olhos a tudo e dizer, como disse Dilma, que a política não tem importância. Eu, particularmente, tenho muita dificuldade de entender um tema que é de público muito debatido, que é essa história de segregar o político do técnico. Creio que uma coisa não pode estar dissociada da outra. O técnico participando de um Governo, ele atende a um projeto político. Não tem como se afirmar, sendo técnico, que “ah, eu não tenho compromissos com o projeto político”. Não existe isso. Uma coisa tem de haver ligação com a outra.

JLPolítica - A Dilma agiu assim?
SS -
Faço esta ponte para voltar à Dilma: acho que ela pecou muito nessa seara. Aliás, um erro que estou vendo muitíssimo no atual Governo, o do Bolsonaro, que é o de hostilizar a classe política.

JLPolítica - Quem ganha com esse Fla-Flu de direita e esquerda que petistas e bolsonaristas inauguraram e sustentam em nome Brasil?
SS -
Ninguém ganha. Todos perdem. Eu tenho feito um debate interno no PT demonstrando que a direção nacional do partido precisa dar uma linha diferente de tudo que está estabelecido aí. Esse Fla-Flu só estimula o antipetismo. Precisamos falar com a grande maioria da população brasileira que não está nesse Fla-Flu que só fomenta o ódio. O que precisamos é politizar o debate. Mas para fazê-lo, não precisamos ficar nessa coisa do nós contra eles. Nós precisamos dialogar com aqueles que estão fora desse jogo, assistindo à distância e achando que a partida está ruim. Isso exige um outro nível de debate.

JLPolítica - O PT e os petistas não dão uma certificação de desonestidade política e intelectual quando não assumem que o Brasil de Bolsonaro, do ódio, do atraso, da recessão e do desemprego é um reflexo direto do Brasil do PT e dos petistas?
SS -
Há muita discordância nisso. É preciso reconhecer os méritos do PT no Governo. Se você pegar todos os números, todos os indicativos, até o final do primeiro Governo de Dilma, até ela ter a reeleição de 2014 questionada - porque a partir daí ela não governou mais, e não daria nem para se falar num segundo mandato de Dilma, logo, num quarto mandato petista -, teremos o melhor período da história da República do Brasil em empregos, assistência social e desenvolvimento. Creio que o Governo de Dilma cometeu alguns erros na condução da economia, com sua política de exoneração. Admito que algumas atitudes do primeiro Governo de Dilma fora equivocadas e trouxeram prejuízos à nossa economia. Mas o que eu chamo a atenção é de que não dá para jogar fora a água do banho da criança com ela dentro. Eu admito que nos Governos do PT houve avanços em várias áreas e houve erros. Mas não acolho a ideia de que se jogue luz somente sobre os erros.

JLPolítica - Mas o senhor não admite que Bolsonaro e tudo isso que aí está são uma consequência direta dos erros do PT?
SS -
Sim, admito. Mas eu acho que o antipetismo que já existia mesmo quando Lula saiu do Governo em 2010, ampliou-se à medida em que alguns desses erros de que falei foram cometidos na economia e principalmente, quando, ao final a eleição de 2014, o resultado começou a ser questionado, e aí muita gente se sentiu encorajada para ir para as ruas e pedir o fim do Governo petista. Isso potencializou o antipetismo que estava latente.

SERGIPE E A PREPARAÇÃO DA MÃO DE OBRA PRÓPRIA
“Você sabe que o perfil do emprego mudou muito nos últimos anos. Se não tivermos uma população preparada para isso, é bem possível que a gente tenha todo esse desenvolvimento e os empregados venham de fora”

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"Sim, hoje o sentimento do PT é o de ter uma candidatura própria", comenta, sobre a sucessão de Edvaldo

JLPolítica - Aonde o senhor acha que vai dar tudo isso que se passa sob Bolsonaro?
SS -
Eu tenho muitas preocupações e temo que possa dar em coisa pior.

JLPolítica - Migrar para uma ditadura militar, por exemplo.
SS -
Sim. Eu temo que tudo isso possa migrar para uma ditadura militar. Acho que há um clima para isso. Acho, porque não vejo uma saída séria para as práticas desse Governo. Basta olharmos o episódio da demissão do presidente do BNDES, o Joaquim Levy.

JLPolítica - Foi uma demissão nada republicana.
SS -
Acho que a forma da demissão foi obscura, mas nem quero questioná-la. Preocupa-me o fato de que ele colocou no lugar do grande técnico um garoto de terceiro escalão, que os jornais começaram a mostra que trata-se de um cara farrista, que anda derrubando portões dos condomínios. Ou seja, sem o menor preparo para o comando de um banco com uma estrutura como o BNDS, que dispõe de técnicos da melhor qualidade.

JLPolítica – Qual o antídoto para esse suposto risco que o senhor visualiza em Bolsonaro para a democracia?
SS -
Eu acho que a oposição - e isso não só o PT, mas o campo e lideranças de centro - precisa dar uma sinalizada de um projeto alternativo que faça com que a sociedade compreenda bem, e que o peso da sociedade e dessas forças políticas se encarregue de colocar uma espécie de freio no Governo e nas loucuras do Governo de Bolsonaro. Em síntese, apontar caminhos. Dizer o seguinte: “Olha, não pode ser por aí”. Fazer-se um pacto pelo democracia e pela Brasil. 

DA NECESSIDADE DE LER MELHOR A CELSE
“Ainda acho que todos têm olhado pouco para a Celse. Esse empreendimento é impressionante: os números, os investimentos, a grandeza da Celse. Acho que a classe política, e até mesmo a imprensa, têm olhado a Celse com pouca densidade”

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Já foi vice-prefeito de Aracaju