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Entrevista

Jozailto Lima

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Valadares Filho: “Estou muito preparado para ser um grande governador”

Publicado em 29  de setembro de  2018, 20:00h

“Precisamos de sangue novo para colocar Sergipe nos eixos”

Se ele colocará “Sergipe nos eixos”, não se sabe ao certo. Mas nem o ódio político, tão em voga nesta hora, tem como negar que, apesar da origem, o candidato Valadares Filho, PSB, é de fato “sangue novo”.

Ele é o “novo” até na idade: nesta segunda-feira, dia 1º de outubro, Valadares Filho fará 38 anos. Nasceu em 1980. Seguramente, é o mais jovem candidato a disputar o Governo de Sergipe e com reais chances de chegar lá - pelo menos é assim que apontam as pesquisas de opinião pública, nas quais aparece sempre liderando, ainda que com pouca margem de frente.

Em 2006, ao se eleger govenador de Sergipe, Marcelo Déda, PT, tinha 45 anos. Em 1982, ao participar das eleições diretas para resgate dos Governos de Estado, João Alves Filho se fez governador com 41 anos. Antonio Carlos Valadares o sucedeu em 1986 com 43 anos, Albano Franco chegou lá aos 54, em 1994, e Jackson Barreto se elegeu em 2014, aos 70 de bola, depois de um tropeço 20 anos antes que quase o catapultou ao centro do poder.

Apesar da pouca idade, curtida em três mandatos de deputado federal e na disputa de duas eleições de prefeito de Aracaju, Valadares Filho admite que está pronto, maduro e preparado para a alta missão de comandar seu Estado. “Eu terei agora essa oportunidade de mostrar que estou muito preparado e focado para ser um grande governador”, avisa ele, sem rodeios.

“Todo político tem sempre o objetivo de chegar ao Executivo em virtude de, nele, ter a oportunidade mais direta de ajudar as pessoas, de ajudar o seu Estado, de mudar a realidade da vida das pessoas. Mas é claro que eu me dei por muito satisfeito com o Legislativo”, diz.

“Sou muito feliz como deputado federal, tenho honra pelos meus mandatos, tanto que eles me levaram a disputar o governo com chances de vencer esta eleição. Se não fossem os mandatos que fiz, as pessoas não iriam reconhecer a minha importância política. Mas o Executivo dá ao político uma oportunidade maior de ajudar as pessoas, de melhorar a vida delas e de desenvolver o seu Estado, a sua cidade. É o que eu busco”, afirma.

Para Valadares Filho, não basta se achar pronto, maduro e preparado. Ele entende que precisa ter uma vontade voltada para a mudança e avisa que tem projeto em nome disso. “A nossa candidatura tem a concepção de uma ideia dos novos valores, de um novo Sergipe, de um governo que veio para modificar tudo que deu errado até agora”, diz ele.

“Nós temos um Estado que gasta muito mal, que distribui mal o seu custeio, que gasta mais do que arrecada, que é o penúltimo do Brasil no quesito transparência. Nós vamos torná-lo um Estado transparente. Daremos uma satisfação à sociedade de cada real que será gasto, através do investimento na área de tecnologia e inovação que faremos. E vamos qualificar o gasto público, vamos acabar com a politicagem, melhorar o serviço, diminuir o número de Secretarias para até 15. Vamos diminuir o número de cargos comissionados e a nomeação dos novos seguirá critérios”, afirma o candidato.

É aqui que Valadares Filho mistura o suposto preparo “para ser um grande governador” com a necessidade “de sangue novo para colocar Sergipe nos eixos”. “Os experientes quebraram o Estado. Levaram-no ao caos administrativo. E nós precisamos é de sangue novo. O Estado necessita de sangue novo. De novas ideias, de independência administrativa, de força de vontade para colocar Sergipe nos eixos. E vamos colocar”, avisa ele.

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Está no terceiro mandato, consecutivo, de deputado federal
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É graduado em Administração de Empresas, mas tem a vocação politica no DNA

RELAÇÃO MAIS ATIVA COM O SETOR PRODUTIVO
“Vamos ter uma relação muito mais ativa com o setor produtivo. Vamos estimular a micro e pequena empresa, conceder novos créditos, inclusive estimulando essa parceria com o Banese, que é um patrimônio e um orgulho do povo sergipano”

JLPolítica - Entre os quatro pilares do seu programa de Governo – promoção de mais dignidade às pessoas, realização de mais investimento e desenvolvimento ao Estado, promoção de emprego e renda e garantia de mais eficiência e transparência na atividade pública - o senhor destacaria um como o mais importante?  
Valadares Filho -
Eu destaco todos como prioritários. Em cada um desses pilares, nós abordamos temas centrais que serão colocados em prática no nosso governo, como a saúde, a reformulação total da administração pública da saúde, a despolitização dela, a gestão técnica, a melhoria no funcionamento dos Hospitais Regionais, o desafogamento do Huse, a construção do Hospital Geral de Aracaju. Esses pilares também trazem prioridades como a segurança pública, a profissionalização da gestão, a criação de um Comitê Gestor de Segurança Pública, que terá ligação direta com o gabinete do governador, possibilitando que ele coordene pessoalmente as políticas e metas estabelecidas pelo Comitê, que será composto por membros da SSP, mas também da Justiça, da Educação, da Saúde, da Cultura e do Esporte e da sociedade civil organizada, através de entidades.

JLPolítica - Mas e no âmbito de mais investimentos?
VF -
Nós vamos ter uma relação muito mais ativa com o setor produtivo. Vamos estimular a micro e pequena empresa, vamos conceder novos créditos, inclusive estimulando essa parceria com o Banese, que é um patrimônio e um orgulho do povo sergipano. Também vamos criar cursos profissionalizantes para capacitar a juventude para o mercado de trabalho, vamos fazer um trabalho de parceria permanente com o Sistema S e com o setor produtivo, a fim de identificar os jovens que possam ocupar essas vagas. Vamos instalar um bureau de negócios na Secretaria de Estado do Desenvolvimento, que terá uma equipe técnica, competente, qualificada e independe politicamente, que terá um único objetivo, o de atrair novos investimentos, viajar para atrair novas empresas dentro de uma política fiscal responsável mas também atrativa. Tudo isso gerará mais emprego.

JLPolítica - E a eficiência e transparência?
VF -
Nós temos um Estado que gasta muito mal, que distribui mal o seu custeio, que gasta mais do que arrecada, que é o penúltimo do Brasil no quesito transparência. Nós vamos torná-lo um Estado transparente. Daremos uma satisfação à sociedade de cada real que será gasto, através do investimento na área de tecnologia e inovação que faremos. E vamos qualificar o gasto público, vamos acabar com a politicagem, melhorar o serviço, diminuir o número de Secretarias para até 15. Vamos diminuir o número de cargos comissionados e a nomeação dos novos seguirá critérios. Hoje Sergipe transformou o Diário Oficial num comitê, e nós vamos acabar isso. Vamos qualificar, para termos uma boa gestão, finanças com responsabilidade fiscal e muita transparência.

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Eleições 2010: Déda reelegeu-se para o Governo, Dilma elegeu-se para Presidência e Valadares Filho para o segundo mandato na Câmara Federal

DANDO SATISFAÇÃO DE CADA REAL GASTO
“Temos um Estado que gasta muito mal, distribui mal o seu custeio, gasta mais do que arrecada, que é o penúltimo no quesito transparência. Vamos torná-lo transparente. Daremos satisfação à sociedade de cada real que será gasto”

JLPolítica – Seguindo esses quatro pilares, não há risco de um governo não dar certo?
VF -
Não há. Dessa forma, com gestão, transparência, melhor distribuição do custeio, sem dúvida teremos um novo governo a partir de janeiro.

JLPolítica – O senhor teria um planejamento inicial para sanar as dívidas já a partir de janeiro de 2019?
VF –
Claro, sem dúvida. É priorizar o que tem que ser feito: pagamento de servidores e aposentados e pensionistas no mês de janeiro; uma reorganização administrativa, como eu disse: a diminuição de Secretarias, de cargos comissionados, qualificar o gasto público, evitar o desperdício, e arrecadar com qualidade mas em onerar a população, através de uma equipe econômica preparada que vamos formar, vamos estabelecer essas metas. Já a partir de janeiro o grande objetivo do nosso governo é a reorganização das finanças para até o final do primeiro ano de nossa gestão Sergipe ser novamente viável.  

JLPolítica - Qual seria o espaço para a meritocracia num eventual governo do senhor?
VF -
A meritocracia terá um espaço de prioridade no nosso Governo. Vamos identificar pessoas das universidades, da iniciativa privada, do serviço público. Eu tive uma conversa há cerca de 20 dias com gestores públicos concursados do Estado e fiquei impressionado com a forma detalhada que eles conhecem o funcionamento da máquina pública. Então pessoas como essas nós vamos identificar e colocar em funções estratégicas da nossa gestão, além de pessoas da classe política que tenham competência e conduta ética. Essa questão de não governar com a classe política é demagogia, e demagogia eu não faço. Tem muita gente boa na política. Muita gente competente e ética, que também participará do nosso governo.  

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Eleições 2012: a sua primeira tentativa de ser prefeito da capital. A sua vice, Conceição Vieira, era do PT. Edvaldo era o prefeito de Aracaju

FIM DO DIÁRIO OFICIAL COMO COMITÊ
“Hoje Sergipe transformou o Diário Oficial num comitê, e nós vamos acabar isso. Vamos qualificar, para termos uma boa gestão, finanças com responsabilidade fiscal e muita transparência”

JLPolítica – O senhor não criminaliza a classe política...
VF -
De maneira nenhuma, pelo contrário. Criminalizo os maus políticos, e os maus políticos farão oposição ao nosso governo.  

JLPolítica - Ao que o senhor atribui a sua boa cotação perante os sergipanos nesta campanha?
VF -
A nossa candidatura tem a concepção de uma ideia dos novos valores, de um novo Sergipe, de um governo que veio para modificar tudo que deu errado até agora. Consequentemente, isso tem entrado muito no coração dos sergipanos e creio que o esse conceito é o principal responsável por isso. Esse conceito de novos valores na política.  

JLPolítica - O que lhe faz crer que os índices que deram a dianteira ao senhor até agora nas pesquisas publicadas poderão ser refletidos nas urnas dia 7?
VF -
O que me faz crer é a confiança das ruas. Elas têm correspondido muito bem as nossas andanças, o olho no olho. Eu tenho feito uma campanha bem ao meu estilo, de muito diálogo, e eu sinto uma energia muito positiva em cada ato político que demonstra que o que está dito nas pesquisas será correspondido nas urnas.

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Havia apoiado Edvaldo Nogueira em 2008, quando o comunista chegou ao segundo mandato na PMA

OLÁ SENHOR MÉRITO!
“A meritocracia terá espaço de prioridade no Governo. Vamos identificar pessoas das universidades, da iniciativa privada, do serviço público. Tive uma conversa com gestores públicos concursados e fiquei impressionado como conhecem o funcionamento da máquina”

JLPolítica - O senhor menospreza ou se preocupa com o real avanço de Belivaldo Chagas nas pesquisas, ultrapassando a candidatura de Eduardo Amorim e encostando na sua?
VF -
Nem menosprezo nem fico com receio. Eu acho que é do jogo eleitoral. Mas a rejeição do governo dele é muito alta. Belivaldo tem positivamente o teto da máquina, e ele já está alcançando esse teto. A partir daí, não cresce mais. Vai estagnar.

JLPolítica - Não pode lhe atrapalhar o fato de o senhor aparecer 15, 20 pontos à frente de outro candidato no segundo turno? Isso não pode lhe causar convencimento e relaxar a campanha?
VF -
De maneira alguma. Eu creio que essas questões que podem acontecer no início do segundo turno demandam maturidade de nossa parte, exigem responsabilidade e pé no chão, necessários para nos estimular a trabalhar ainda mais.

JLPolítica - O senhor sente o peso da falta de um grupo político forte na retaguarda da sua candidatura?
VF –
Não. Eu me sinto é muito leve por ter podido construir um grupo que não é muito grande, volumoso, cheio de partidões, mas que me ajudou a liderar as pesquisas. É um grupo que me deixa muito tranquilo com relação à formação do governo que terei pela frente.  

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Eleições 2014: O seu PSB apoiou a reeleição de JB e a tentativa, frustrada, de Rogério Carvalho ser senador

ESPAÇO PARA A  CLASSE POLÍTICA
“Essa questão de não governar com a classe política é demagogia, e demagogia eu não faço. Tem muita gente boa na política. Muita gente competente e ética, que também participará do nosso governo”

JLPolítica - Este desempenho de Belivaldo Chagas nas pesquisas não descredencia o discurso das duas oposições, de que ele e Jackson Barreto fizeram o pior Governo na história de Sergipe?
VF –
Não. Pelo contrário. Esse discurso não é dito por mim e sim pelos sergipanos, que classificam esse como o pior governo da história de Sergipe. E as pesquisas refletem isso quando apontam o índice altíssimo de rejeição deles.

JLPolítica - Como o senhor avalia a visão de Belivaldo Chagas, dita aqui, de que só ele tem condições e meios de pensar Sergipe pelos próximos 30 anos?
VF –
Nos últimos quatro anos, Jackson e Belivaldo atrasaram Sergipe em 30 anos. Então, ele teria que dizer que iria recuperar 60 anos - contando os 30 do passado perdido e os 30 do futuro -, e isso é impossível. Afinal, eles são os responsáveis diretos por esse atraso. Eu tenho certeza de que com a forma de pensar Sergipe que disponho, o Estado será recuperado e será viável novamente.

JLPolítica - Mas Belivaldo não é um produto político e administrativo oriundo da sua família?
VF –
Ele, infelizmente, se desviou através da contaminação do poder, da vaidade de Jackson Barreto, que não é um bom exemplo a ser seguido. Belivaldo vinha numa linha política ao nosso lado, tem história conosco sem dúvida, mas o poder encantou os olhos dele e ele degenerou-se.

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Eleições 2014: como foi feito em 2006, na eleição de Déda ao Governo, o PSB indicou Belivaldo, como vice-governador

MOTIVO DA BOA COTAÇÃO PERANTE OS SERGIPANOS
“Nossa candidatura tem a concepção de uma ideia dos novos valores, um novo Sergipe, um governo que veio para modificar tudo que deu errado até agora. Creio que esse conceito é o principal responsável por isso. Esse conceito de novos valores na política” 

JLPolítica - Por que o senhor, ou a logística de sua candidatura, não foi pra cima do candidato Eduardo Amorim?
VF –
Porque nós temos um grande desafio, que é o de consertar o nosso Estado e o nosso foco é mostrar o que vamos fazer para tirá-lo desse caos administrativo. A política tem que ser feita de forma objetiva. Nosso objetivo é ganhar o governo. Vamos ganhar e consertar esse caos. Por isso, nosso foco é com relação ao desastre administrativo do nosso Estado.

JLPolítica – O senhor acha que faltou mais tônus, gás e garra na campanha de Eduardo Amorim?
VF –
Não acompanhei a campanha do senador Amorim nesse sentido. Não posso nem conceituar. Eu estou focado nas minhas propostas e naquilo que eu quero para Sergipe.

JLPolítica - Mas a que o senhor atribui essa queda de Amorim ao terceiro lugar?
VF -
É difícil fazer uma análise dessas. Mas acho que a força da máquina fez Belivaldo chegar ao segundo lugar, e acredito que ele está muito próximo do teto dele. Chegando lá, Belivaldo não vai mais crescer. 

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Mas, nacionalmente, o PSB rompeu com o PT em 2014, indicando Eduardo Campos para presidente

CONFIRMAÇÃO NAS URNAS DO QUE ESTÁ PREVISTO
“Eu tenho feito uma campanha bem ao meu estilo, de muito diálogo, e eu sinto uma energia muito positiva em cada ato político que demonstra que o que está dito nas pesquisas será correspondido nas urnas”

JLPolítica - O senhor teme um eventual abuso de ordem financeira na reta final da parte das duas candidaturas que lhe estão próximas?
VF -
Sim, mas estamos muito atentos a isso. Até porque eu fui vítima de uma ação como essa no final das eleições de 2016 no segundo turno. E a nossa equipe, nossos amigos e nossa assessoria jurídica estão muito atentos, porque é uma questão que preocupa, não posso negar. O poderio da máquina e o uso de recursos públicos na reta final preocupam, sim. Mas estou com muita fé na nossa fiscalização e de que o povo sergipano não irá cair nessa falácia de mostrar estrutura financeira para reverter quadro eleitoral.  

JLPolítica - O senhor tem indícios de que seus adversários teriam feito isso em 2016?
VF –
Com certeza fizeram. Eu não posso provar, mas que rolou dinheiro, não tenho dúvida disso.

JLPolítica - O que o senhor teria a dizer aos que alegam que, como Jackson Barreto e Marcelo Déda, o senhor não teria vocação para o Executivo e sim para o Legislativo?
VF -
Isso não existe e é porque eu nunca tive a oportunidade do Executivo. Eu terei agora essa oportunidade de mostrar que estou muito preparado e focado para ser um grande governador.

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Eleições 2016: foi para o embate e o debate com Edvaldo Nogueira, na briga pela PMA

NATURALIDADE DIANTE DO AVANÇO DE BELIVALDO
“Nem menosprezo nem fico com receio. Eu acho que é do jogo eleitoral. Mas a rejeição do governo dele é muito alta. Belivaldo tem positivamente o teto da máquina, e ele já está alcançando esse teto. A partir daí, não cresce mais. Vai estagnar”

JLPolítica - Mas essas suas três disputas pelo Executivo revelam algum tipo de insatisfação do senhor com Legislativo?
VF -
Não. Todo político tem sempre o objetivo de chegar ao Executivo em virtude de, nele, ter a oportunidade mais direta de ajudar as pessoas, de ajudar o seu Estado, de mudar a realidade da vida das pessoas. Mas é claro que eu me dei por muito satisfeito com o Legislativo. Sou muito feliz como deputado federal, tenho honra pelos meus mandatos, tanto que eles me levaram a disputar o governo com chances de vencer esta eleição. Se não fossem os mandatos que fiz, as pessoas não iriam reconhecer a minha importância política. Mas o Executivo dá ao político uma oportunidade maior de ajudar as pessoas, de melhorar a vida delas e de desenvolver o seu Estado, a sua cidade. É o que eu busco.

JLPolítica - O senhor se surpreendeu com alguns lances pouco republicanos da campanha, sobretudo nas peças da propaganda eleitoral da TV e do rádio?
VF –
Não me surpreendi. Infelizmente, eu sabia que vinha dessa forma. É assim que eles tentam ganhar a eleição. É mentindo, difamando, em vez de usar o horário eleitoral pago com recursos públicos para propor o que pretendem. Eles insistem em macular a imagem das pessoas. E nesta campanha nós inclusive ganhamos muita coisa na Justiça por causa disso. Esperamos que o povo repudie, como está repudiando.

JLPolítica - O que mais lhe avilta ou incomoda: tentarem vender à opinião pública a ideia de sua incapacidade administrativa em virtude da pouca idade ou passar a impressão de que o senhor é um seguidor de Michel Temer desde a primeira infância?  
VF -
Nenhuma dessas atitudes me incomoda. Mas eu combato as duas, por serem mentiras. Isso, infelizmente, é do jogo político: o adversário vai sempre tentar colocar o defeito onde ele acha que pode desgastar o outro. Eu tenho combatido ambas as afirmações. Veja: os experientes quebraram o Estado. Levaram-no ao caos administrativo. E nós precisamos é de sangue novo. O Estado necessita de sangue novo. De novas ideias, de independência administrativa, de força de vontade para colocar Sergipe nos eixos. E vamos colocar. Em relação à ligação com Temer, essa é uma mentira grotesca: todo mundo conhece a minha atuação como parlamentar de enfrentamento. Isso é tentar burlar a verdade.  

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Eleições 2018: Belivaldo. feito governador pela renúncia de JB, tenta reeleger-se e pode polarizar, no segundo turno, com Valadares Filho

BELIVALDO NÃO É UM PRODUTO DA SUA FAMÍLIA?
“Ele, infelizmente, se desviou através da contaminação do poder, da vaidade de Jackson Barreto, que não é bom exemplo. Belivaldo vinha numa linha política ao nosso lado, tem história conosco, mas o poder encantou os olhos dele e ele degenerou-se”

JLPolítica - O senhor se vê fazendo alguma outra coisa que não envolva política?
VF -
Política é vocação. Eu nasci na política. Preparei-me para ser um bom político, para ser um homem público que ajude a desenvolver o seu Estado, o seu país e, por tudo isso, me sinto uma pessoa que contribui com o Estado enquanto político. Esse é meu grande objetivo: continuar ajudando o Estado e o país.

JLPolítica – Se lhe fosse dado escolher, o senhor teria preferência por quem entre Belivaldo e Eduardo Amorim num eventual segundo turno?
VF -
Não tenho preferência. Estarei pronto para a batalha com quem vier.

JLPolítica - O senhor já se pegou pensando algum momento na possibilidade de não ir a um segundo turno?
VF
- De maneira nenhuma. No segundo turno eu estarei, e sempre tive convicção disso. Nós sabemos que o sentimento das ruas, que aquilo que está sendo colocado através de nossas propostas, que o crescimento de nossa candidatura, nos coloca consolidados no segundo turno. E lá no segundo turno venceremos as eleições.

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Eduardo Campos faleceu; vítima de acidente aéreo; e o PSB indicou Marina Silva para seu lugar. No voo, também estava Pedrinho Valadares, primo de Valadares de Filho

TEMOR DE ABUSO FINANCEIRA NA RETA FINAL
“Estamos muito atentos a isso. Até porque fui vítima de uma ação como essa no final das eleições de 2016. E nossos amigos e assessoria jurídica estão muito atentos, porque é uma questão que preocupa, não posso negar”

JLPolítica – Mas isso lhe dá a certeza de que chega no dia 7 em primeiro lugar?
VF -
Sim, minha liderança tem sido preservada durante toda a corrida eleitoral e eu estou com muito otimismo de que isso continue até o dia da eleição, inclusive ampliando a vantagem.

JLPolítica - Como é que o senhor recebe a tese do prefeito Edvaldo Nogueira, segundo a qual Sergipe deve barrar a sua candidatura para evitar um governador que faria revanche à administração de Aracaju, por lhe ser contra?
VF -
Essa é uma declaração totalmente inconsequente, que não condiz com a verdade e que demonstra uma total falta de sintonia do prefeito com a realidade. Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa do diálogo, do respeito, que tenho relações institucionais com meus adversários e serei um governador que vou ajudar Aracaju independentemente do meu adversário. Edvaldo Nogueira já é meu adversário político, mas como governador vou me colocar sempre à disposição para ajudar a nossa Capital. Se não pude ajudar muito, como eu queria, enquanto deputado, ajudarei como governador.

JLPolítica - O senhor acha que o resultado da eleição de 2016 vai se repetir agora em 2018 no âmbito da Capital?
VF –
Não. Tenho convicção de que, dessa vez, chego na liderança. Vou chegar ao final do segundo turno em primeiro lugar, inclusive em Aracaju.

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Na Câmara Federal, apoiou o segundo Governo de Lula e o primeiro de Dilma. Disse sim ao impeachment da presidente e votou contra Temer, pedindo a sequência das investigações contra o presidente, no caso JBS

VONTADE DE EXECUTIVO X LEGISLATIVO
“Todo político tem sempre o objetivo de chegar ao Executivo em virtude de, nele, ter a oportunidade mais direta de ajudar pessoas, seu Estado, de mudar a realidade da vida das pessoas. Mas é claro que eu me dei por muito satisfeito com o Legislativo”

JLPolítica - Como está o seu desempenho na Grande Aracaju?
VF
- Bem. Liderando. Com Belivaldo em segundo, pela força da máquina. Mas anote aí: vencemos em todos os municípios - Socorro, Barra, São Cristóvão e Aracaju.

JLPolítica - Os senhores fazem o cálculo de quanto por cento migrará da candidatura de Eduardo para a sua, se ele não for a um segundo turno?
VF -
Dos dois - porque do governista também, se ele não passar -, a maioria migra para mim. Tanto o eleitor de Belivaldo quanto de Amorim vota majoritariamente em mim no segundo turno.

JLPolítica - Por que o seu partido segrega financeiramente nomes mais vistosos eleitoralmente, como Luciano Pimentel, Carlos Magno e Ednei Caetano na disputa pela Alese, em favor de figuras novas, como Niully Campos, a quem foram dados R$ 245 mil do Fundo Partidário do PSB, e zero àqueles?
VF -
Nós temos tratado nossos candidatos com isonomia. Com relação a Niully Campos, é porque esse é o percentual dedicado às mulheres. É obrigatório. A legislação obriga que 30% dos recursos sejam destinados a elas. Por isso ajudamos também a outras candidatas, e não só a Niully. Todos os outros estão sendo ajudados. Estão recebendo material. Mas o partido tem limitações financeiras. Nós não somos um partido rico, que tem a condição de ajudar a todos como eles merecem, mas temos contribuído e ajudado da melhor forma.

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Seguindo seu partido, vota em Ciro Gomes, do PDT, para presidente

VONTADE DE EXECUTIVO X LEGISLATIVO II
“Se não fossem os mandatos que fiz, as pessoas não iriam reconhecer minha importância política. Mas o Executivo dá ao político uma oportunidade maior de ajudar as pessoas, de melhorar a vida delas e de desenvolver seu Estado, sua cidade. É o que eu busco”

JLPolítica - Mas se o PSB fizesse quatro deputados estaduais, esses três do sexo masculino estariam dentro. Como Niully, eles não mereceriam uma mínima disposição financeira?
VF -
Com certeza, mas é porque o partido não tem recurso para distribuir como poderia, mas em gênero de material estrutural, estamos fazendo das tripas o coração para poder ajudar não só a eles, mas a todos os candidatos da coligação.

JLPolítica – Um eventual governo do senhor seria em que nível manobrado por Antonio Carlos Valadares com mandato ou sem mandato de senador?
VF -
Em nenhum nível. O senador Valadares será, se Deus quiser, reeleito pelo reconhecimento do povo sergipano e será um senador que vai continuar em Brasília nos ajudando, ajudando o governo, trazendo recursos para infraestrutura, saúde, segurança. O que for possível ele fazer para ajudar o nosso governo, não tenho dúvida de que ele fará, como sempre fez, independentemente de quem fosse o governador.

JLPolítica - Mas ele não manobraria...
VF -
Não, de maneira nenhuma. Isso não é nem a forma dele atuar e nem a minha. Nem eu aceitaria nem ele faria.

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O PDT, como nas eleições municipais de 2016, segue com ele, apresentando a deputada estadual Silvia Fontes como vice-governadora

PRECONCEITO CONTRA IDADE X ALIADO TEMER
“Nenhuma dessas atitudes me incomoda. Mas combato as duas, por serem mentiras. Isso, infelizmente, é do jogo político: o adversário vai sempre tentar colocar o defeito onde acha que pode desgastar o outro. Veja: os experientes quebraram o Estado”
 

JLPolítica - Afinal, quais as diferenças básicas entre o senhor e seu pai na forma de fazer política?
VF -
Nós temos estilos muito parecidos em boa parte. Poderia dizer que eu sou mais calmo, mais tranquilo. Mas somos muito parecidos na grande maioria do comportamento. Ele também é do diálogo. É da diplomacia.

JLPolítica – Tendo por base a candidatura de Henri Clay Andrade, qual a diferença desta campanha para a de 1994, quando a candidatura de Valadares puxou a de Zé Eduardo ao Senado?
VF -
Agora é uma eleição totalmente diferente: nós tínhamos lá em 1994 um quadro bem diversificado. Hoje tem mais candidatos. Lá havia uma coalizão. Hoje você vê a briga na chapa entre Jackson e Rogério, e entre André e Heleno. Mas não na nossa, porque somos muito unidos.

JLPolítica - O senhor acha que Henri Clay terá que performance no final?
VF -
Terá uma grande performance. Ele será senador ao lado de Valadares.

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Fábio Henrique, esposo de Silvia e presidente do PDT estadual, é candidato a deputado federal. VF assegura que ele não bate fofo

PREPAREI-ME PARA SER UM BOM POLÍTICO”
“Política é vocação. Eu nasci na política. Preparei-me para ser um bom político, para ser um homem público que ajude a desenvolver seu Estado, seu país e, por tudo isso, me sinto uma pessoa que contribui com o Estado. Esse é meu grande objetivo: continuar ajudando o Estado e o país

JLPolítica - Uma vez eleito govenador, o senhor visualiza dificuldades de base de apoio na Alese e na Câmara Federal?
VF –
Não. Não vejo, porque com diálogo, com a minha forma de fazer política, com fácil acesso e boas propostas não tenho receio do futuro. Tenho certeza de que terei uma grande convivência tanto com a Assembleia quanto com a bancada federal.

JLPolítica - O senhor acredita que o partido fará deputados federais?
VF -
Sim, faremos dois federais. Não vou citar nomes, porque temos um quadro competitivo e valoroso.

JLPolítica – A queda de Ciro Gomes, PDT, com quem o seu partido é coligado, lhe prejudica em que grau?
VF -
Não prejudica em nenhum grau. Ele é meu candidato, é em quem votamos, mas não há prejuízo.

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Nega favorecimento a Niully Campos, candidata à deputada estadual: "A legislação obriga que 30% dos recursos sejam destinados a elas", argumenta

ARACAJU NÃO TEM O QUE TEMER
“Quem me conhece sabe que sou uma pessoa do diálogo, do respeito, que tenho relações institucionais com meus adversários e serei um governador que vou ajudar Aracaju, independentemente do meu adversário. Como governador vou me colocar sempre à disposição para ajudar nossa Capital”

JLPolítica – Jair Bolsonaro e Fernando Haddad num segundo turno lhe colocam ou não numa sinuca de bico?
VF -
Só quero pensar nisso quando chegarmos lá, até porque vai depender da decisão do quadro nacional do PSB.

JLPolítica – O senhor não acha que se valeu pouco do talento político e do charme da sua candidata a vice Sílvia Fontes?
VF –
Não. O que se deu foi falta de tempo mesmo. São três, quatro comerciais por dia, então é pouco para colocarmos nossas propostas. Mas Sílvia tem tido um papel fundamental na campanha. Ela é uma mulher guerreira, lutadora, preparada, conhecedora dos problemas de Sergipe. Sem dúvida, será uma grande vice-governadora. Confio plenamente na capacidade técnica e moral dela para poder, ao meu lado, fazer com que Sergipe saia desse marasmo administrativo.

JLPolítica - Como o senhor avalia a participação dela na campanha?
VF –
Tem sido excepcional. É uma mulher muito disposta. Às vezes a gente se divide, ela vai para um lugar e eu para outro no cumprimento de agendas. Ela é muito entusiasmada.

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Acredita que Valadares chega a seu quarto mandato e Henry Clay ao primeiro, como senadores da República

SENADOR VALADARES NÃO VAI MANOBRAR NADA
“Valadares será um senador que vai continuar em Brasília, ajudando o governo, trazendo recursos para infraestrutura, saúde, segurança. (Mas manobrar), de maneira nenhuma. Isso não é nem a forma dele atuar e nem a minha. Nem eu aceitaria nem ele faria”

JLPolítica - O senhor tem noção da importância do voto feminino nessa eleição?
VF –
Tenho. É algo é muito forte, com 4% a mais do que os homens. Tanto é que Sílvia está na linha de frente das nossas propostas para as mulheres.

JLPolítica - Ela terá espaço no governo?
VF -
Sem dúvida. Ela não será uma vice-governadora figurativa. Ela será ativa, com funções administrativas importantes.

JLPolítica - E Fábio Henrique, está batendo firme ou fofo?
VF -
Ele tem sido correto. Inclusive, falou recentemente ao seu Portal sobre isso. Ele tem atuado de forma dura, guerreira, na nossa campanha.

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"Eu me sinto é muito leve por ter podido construir um grupo que não é muito grande, volumoso, cheio de partidões, mas que me ajudou a liderar as pesquisas", comemora

CONFIANÇA NO PAPEL DE SÍLVIA FONTES
“Sílvia tem tido um papel fundamental na campanha. Ela é uma mulher guerreira, lutadora, preparada, conhecedora dos problemas de Sergipe. Será uma grande vice-governadora. Confio plenamente na capacidade técnica e moral dela para, ao meu lado, fazer com que Sergipe saia desse marasmo administrativo”

JLPolítica - O senhor o coloca como um dos prováveis federais eleitos?
VF -
Ele é um dos nomes entre os demais.

JLPolítica - Quais as chances reais de Elber Batalha?
VF -
São muito boas também. Ele terá uma boa votação.

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Com a mãe, Ana Luíza; a irmã, Luciana; e os sobrinhos. Antonio Carlos Valadares Filho pode ser o mais jovem governador da história do Estado de Sergipe