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Entrevista

Jozailto Lima

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Valmir Monteiro: “A gestão de Lagarto é um exemplo para Sergipe e para o Brasil”

Publicado em 2 de fevereiro de 2019, 20h00

“Lagarto não merece a menor perseguição de qualquer esfera”

José Valmir Monteiro, 56 anos, é um sujeito simples. Muito simples - tem cara e linguagem de povo. De família humilde em Salgado, ele migra para Lagarto na adolescência e dali, em cerca de 30 anos, se faz um conhecido empresário de um ramo que até lhe emprestou um novo nome - Valmir da Madeireira - e, a seguir, nos anos 90, troca tudo isso por uma carreira política meteórica, e que lhe roeu as posses.

Na base da aproximação com uma delas - a Ribeiro - e depois por conta e risco próprios, e no braço, Valmir Monteiro deu uma cotovelada nas duas famílias quatrocentonas do lugar - os Reis e os Ribeiro - e assumiu as rédeas da política de Lagarto, a segunda maior cidade genuinamente do interior de Sergipe - se se levar em conta que a Nossa Senhora Socorro conurbada é um pouco Socorro e um pouco Aracaju.

Ali, o sujeito simples do Valmir Monteiro amealhou para si quatro mandatos de deputado estadual desde 1998, dois de prefeito e tem agora o filho Ibrain Monteiro, PSC, com um mandato de deputado estadual obtido no ano passado.

Do alto desse desempenho, vez em quando Valmir Monteiro recebe uns golpes abaixo da linha da cintura, com os quais tentam jogá-lo para fora das cordas do ringue da política.

Na mais recente, deixaram-no de fora da gestão municipal de Lagarto por 37 dias - de 21 de novembro a 28 de dezembro -, num afastamento judicial a partir de firulas de um matadouro municipal.

Na sua simplicidade repleta de desconfiômetros e de sabedorias, Valmir Monteiro deu a volta por cima, se livrou dos golpes e se repôs nas quatro linhas das cordas.

Diz que não foi complicado provar que havia um erro no seu afastamento e, com isso, garantiu o seu retorno à Prefeitura. Para isso, entende que a linha de defesa “foi a mais simples e a mais exata possível”.

Mas qual? “A de que não tinha nenhum motivo para o afastamento do prefeito de Lagarto. Até porque, eu não fui citado ou notificado nessa questão (a do matadouro)”, revela.

“Mas o que mais conta é o seguinte: nada estava errado, e nem está, dentro do matadouro e, insisto, pode ter certeza de que nós vamos comprovar nossa inocência com documentos e, assim, revelar que estava tudo certo e dentro da lei. Estou apenas esperando que se abra devido procedimento e me ouçam para que possamos nos defender”, diz ele. 

As convicções de Valmir Monteiro, de que não há nada de errado com Lagarto vão além e ultrapassam as fronteiras da querela do matadouro municipal. “Pelo contrário, a gestão municipal de Lagarto é um exemplo para Sergipe e para o Brasil, e não merece e nem justifica a menor perseguição que alguém queira fazer, de qualquer esfera, seja da política ou do Judiciário - não estou aqui dizendo que o Judiciário nos persegue. Mas, infelizmente, não posso dizer o mesmo de setores políticos”, sustenta ele.

O que Valmir não esconde, na sua percepção política desconfiadeira, é que a sua performance como gestor pode estar despertando a ira em alguém da esfera política.

“Basta olhar como em dois anos Lagarto mudou e se transformou radicalmente. Hoje é uma cidade que cresce, um município que se desenvolve. Isso em todos os números que você possa pegar, como na habitação, no comércio - fomos a cidade que mais abriu empresa. O orgulho de ser um lagartense mudou muito”, diz ele.

Pelo menos na aparência, esse não é um discurso de alguém que quer se perpetuar no poder. Que trabalha por um fico perenizado. Pelo contrário. Valmir faz juras de que não disputará a sucessão de si mesmo em 2020, embora tenha esse direito e se ache o maior prefeito de Sergipe nesta nova safra.

“Eu não quero. Não tenho vontade. Não desejo ser candidato. Já são 20 anos com mandatos e eu agora quero descansar”, diz ele. Mas que ninguém também pense que Valmir está dando uma de Pôncio Pilatos e lavando as mãos.

“Claro que não vou ficar de fora, vou apoiar meus candidatos e estarei sempre à frente da política enquanto for vivo, porque sei o quanto contribuí para o município de Lagarto que viveu o radicalismo de dois grupos políticos, e ainda tive a felicidade de ser deputado por quatro vezes e prefeito duas vezes. Sei, sim, que contribuí com a consciência do lagartense, hoje um povo aberto para votar em quem bem quiser, sem rótulos e nem tutelas”, diz ele. 

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“O prefeito Adinaldo Andrade veio com a informação de ser Lagarto um município com grandes ações e obras", revela, sobre a visita do prefeito de Rondônia a Lagarto
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José Valmir Monteiro, 56 anos, é um sujeito simples

NÃO HOUVE ERRO COM O MATADOURO
“Ninguém tinha interesse de arrumar o matadouro. E quando eu cheguei, em 2017, arrumei. Está preparado. Fiz licitação e a empresa ainda assumiu, mas posteriormente houve o meu afastamento e está fechado até hoje. Na real, não nada houve de errado”

JLPolítica - Prefeito, bem didaticamente, o que há de errado com a sua pessoa política ou com a sua gestão para que o senhor sofra essas sanções de justiça, como a do afastamento?
Valmir Monteiro -
O que supostamente houve de errado é uma ação já de há muitos anos, que vem se protocolando por vários prefeitos na esfera do Matadouro Municipal - inclusive, na administração passada, para você ter uma ideia, foram feitas três licitações e deram desertas, porque ninguém tinha interesse de arrumar o matadouro. E quando eu cheguei, em 2017, arrumei. Está arrumado, preparado. Fiz licitação e a empresa ainda assumiu, mas posteriormente houve o meu afastamento e o matadouro está fechado até hoje. Por isso que eu digo que supostamente, porque na real não houve de errado.

JLPolítica - Mas e o matadouro em si justificaria um afastamento do prefeito de uma cidade do porte de Lagarto?
VM –
Não. O que o Ministério Público afirma, inclusive em entrevistas que tem dado às emissoras de rádio e aos portais de notícia, é que os valores dos abates de bovinos são muitos e que a pessoa que fazia esse serviço dividia com o prefeito. Isso não é uma verdade, eu garanto aqui e vou mostrar mais à frente nas esferas judiciais. Mesmo porque temos todos os dados de tudo que foi gasto dentro do matadouro – e do que foi arrecadado. 

JLPolítica - A conta do que rende o matadouro é uma conta monitorada pela Prefeitura?
VM -
Uma parte sim. A outra era monitorada dentro do próprio matadouro, que fazia os pagamentos das suas atividades, e eram muitas, porque eram cerca de 68 pessoas trabalhando lá. 

JLPolítica - Esse seu afastamento de 37 dias tem alguma coisa a ver com aquela outra ação que o Ministério Público dizia que o senhor concedeu um terreno da Prefeitura para o uso de servidores públicos?
VM –
Não. Não tem nada a ver uma ação com a outra. São coisas diferentes. Essa é só sobre o matadouro, e nesse caso eu nunca fui sequer ouvido, nunca fui citado depois que houve toda essa celeuma. Fui citado na outra gestão minha. Nessa eu nunca fui. Veja: um matadouro que por toda vida foi administrado por terceiros, nunca pela Prefeitura, e que resolvemos isso ano passado, porque fizemos a licitação e já tinha uma empresa administrando ele. 

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Tenho um carinho muito especial por Hilda e jamais tive nada contrário a ela”, assegura, sobre a vice-prefeita Hilda Ribeiro

LINHA DE DEFESA PARA RETOMAR MANDATO EM DEZEMBRO
“Foi a mais simples e a mais exata possível: a de que não tinha nenhum motivo para o afastamento do prefeito. Até porque, não fui citado ou notificado nessa questão. Mas o que mais conta é o seguinte: nada estava errado e vamos comprovar nossa inocência com documentos”

JLPolítica - Quanto foi investido nessa obra?
VM -
Não me lembro bem, mas sei que a maioria dos recursos arrecadados ia para a reforma. E hoje ele não fica atrás de nenhum dos frigoríficos do Estado. 

JLPolítica - Qual foi a linha de defesa do seu advogado para que o senhor reconquistasse o mandato?
VM -
Foi a mais simples e a mais exata possível: a de que não tinha nenhum motivo para o afastamento do prefeito de Lagarto. Até porque, como eu falei aí há pouco, eu não fui citado ou notificado nessa questão. Mas o que mais conta é o seguinte: nada estava errado, e nem está, dentro do matadouro e, insisto, pode ter certeza de que nós vamos comprovar nossa inocência com documentos e, assim, revelar que estava tudo certo e dentro da lei. Estou apenas esperando que se abra devido procedimento e me ouçam para que possamos nos defender. 

JLPolítica - Mas sejamos mais precisos: do ponto de vista de outras legalidades, há algo de anormal com seu Governo iniciado em 2017?
VM -
Pelo contrário, a gestão municipal de Lagarto é um exemplo para Sergipe e para o Brasil, e não merece e nem justifica a menor perseguição que alguém queira fazer, de qualquer esfera, seja da política ou do Judiciário - não estou aqui dizendo que o Judiciário nos persegue. Mas, infelizmente, não posso dizer o mesmo de setores políticos.

JLPolítica - Em que aspecto se dá essa condição exemplar de que o senhor fala?
VM -
Basta olhar como em dois anos Lagarto mudou e se transformou radicalmente. Hoje é uma cidade que cresce, um município que se desenvolve. Isso em todos os números que você possa pegar, como na habitação, no comércio - fomos a cidade que mais abriu empresa. Conseguimos melhorar a educação, estamos reformando quase todas as escolas, fazendo praças novas dentro do município, reformamos os postos de saúde e estamos pagando os salários dos servidores antecipadamente. Em 2018, pagamos praticamente todos os meses no dia 20. Estamos hoje como um canteiro de obras formado por mais de 200 obras. Fizemos pavimentos em mais de 100 ruas - algumas delas onde a mão do poder público nunca tinha chegado perto. Temos a satisfação de fazer até serviços que não são obrigação na área da saúde, a exemplo do fornecimento do aparelho auditivo - no ano passado demos a mais de 200 pessoas. Isso é obrigação do Estado. Também fizemos cirurgias de cataratas. Ou seja, transformamos a saúde. Da turma de Medicina da Universidade Federal de Sergipe, nós contratamos 14 dos 50 médicos. Nós passamos de 11 equipes do PSF para 27. O orgulho de ser um lagartense mudou muito, e a resposta disso foi dada nas últimas eleições, quando conseguimos eleger bem os nossos candidatos. 

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"Eu espero que Gustinho olhe por Lagarto, mesmo porque foi Lagarto que deu a maior votação a ele", diz

DA INTENÇÃO DE SER EXEMPLO PARA O BRASIL
“A gestão de Lagarto é um exemplo para Sergipe e para o Brasil, e não merece e nem justifica a menor perseguição que alguém queira fazer, de qualquer esfera, seja da política ou do Judiciário - não estou dizendo que o Judiciário nos persegue. Infelizmente, não posso dizer o mesmo de setores políticos”

JLPolítica - Pois é, o senhor vem dizendo que a cidade de Lagarto tem numa única gestão o maior quantitativo de obras entre o municípios sergipanos. Quantas foram inauguradas e estão em curso na sua gestão?
VM –
São dezenas, e muitas com recursos próprios. Temos 12 postos de saúde para serem inaugurados de uma vez só. Na semana passada, foram quatro em um único dia. Temos 18 escolas que foram reformadas, 12 praças para serem inauguradas - três já estão prontas. No último dia 7 inauguramos a do Povoado Curralinho. Já inauguramos a Praça dos Três Poderes, que tem o nome do saudoso pai do empresário José Augusto Vieira, uma das maiores do município. Estamos refazendo a Praça Filomeno Hora, que é a principal de Lagarto. Se eu fosse dizer a quantidade de inauguração que temos por fazer nos próximos dias, citaria 100 obras, sem dúvida. 

JLPolítica - O senhor costumava dizer que a ação do promotor de justiça Toinho Vilanova em Lagarto tinha algo de pessoal com a sua pessoa. Quais os indícios disso?
VM -
Eu até acho que não era só comigo, e sim com todos os gestores. Comigo ele até conversava um pouco, mas antes de saírem os resultados das questões que movia contra a Prefeitura e gestores ele já ia para a imprensa divulgar. E eu acho que macular a imagem de qualquer gestor não faz parte do projeto do Ministério Público. 

JLPolítica - O senhor acredita que a aposentadoria dele tira um pouco a tensão em que o município vivia?
VM -
Para mim tanto faz, porque não tenho nada a esconder. Nunca fiz nada de errado. Faço as coisas dentro do contexto certo, então não tem diferença nenhuma. 

JLPolítica - Que tipo de relação o senhor espera ter com o sucessor dele na cidade?
VM -
A melhor possível, como tenho com os outros. 

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Diz que o deputado federal Fábio Reis (MDB) não trouxe "ajuda substanciosa para a melhoria da saúde e da infraestrutura de Lagarto"

DO DESEMPENHO DO PROMOTOR TOINHO VILANOVA
“Comigo, ele até conversava um pouco, mas antes de saírem os resultados das questões que movia contra a Prefeitura e gestores ele já ia para a imprensa divulgar. Eu acho que macular a imagem de qualquer gestor não faz parte do projeto do Ministério Público” 

JLPolítica - O que mais constrange num gestor público ao se ver afastado de sua função?
VM -
É a paralisação de atividades que vinham sendo executadas. Dentro do município, por exemplo, houve uma perda, porque fomos afastados dia 21 de novembro e ficamos até o dia 28 de dezembro. Nesse período, tínhamos algumas ações a desenvolver, como a de diminuir o limite prudencial, e não tivemos como fazer porque só voltei nessa data. Eu passei janeiro todo praticamente trabalhando para não atrasar a folha de pagamento, mesmo assim ainda consegui antecipar. 

JLPolítica - O senhor tem queixa da ação da sua vice-prefeita, Hilda Ribeiro durante a sua ausência?
VM -
Não, pelo contrário. Tenho um carinho muito especial por Hilda e jamais tive nada contrário a ela. 

JLPolítica - Os secretários de Finanças e Administração - Anderson e Floriano - não retornaram às suas funções?
VM -
Ainda não. Mas o porquê eu não sei. Acredito que o mais rápido possível eles vão retornar, mesmo porque são funcionários competentes que tiveram a oportunidade de passar praticamente esses dois anos nos ajudando, equipando, preparando toda a parte de Finança e da Administração para que nós pudéssemos oferecer o melhor serviço para à população e aos servidores. 

JLPolítica - No seu retorno, o senhor fez uma micro reforma administrativa. O que foi alterado?
VM -
Quando chegamos, recebemos o município sem o secretário de Planejamento, Carlos Ângelo, o Carlos da Brasília, que tinha sido tirado da Prefeitura no dia 27. Como eu retornei dia 28, no 29 ele foi restituído ao cargo e aí eu aproveitei para colocá-lo como secretário de Obras e de Planejamento, porque como havia algumas divergências entre essas duas secretarias, as unifiquei e, pela competência de Carlos, pelo trabalho dele ao longo de dois anos, eu fiz questão de colocá-lo no comando das duas pastas unidas. Hoje a gente vê o avanço na área. Não quero aqui dizer que o outro secretário não estivesse fazendo, apenas que são estilos diferentes de fazer. O outro fez uma parte muito boa em seu setor, numa área que não é de Obras, acho até que ele poderia atuar na Ação Social, mas Carlos com as duas pastas deu um avanço interessante. 

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"Ibrain vai ter a orientação de fazer o que for bom para a população de Sergipe", anuncia sobre a postura que o filho, Ibrain Monteiro, vai adotar na Alese

O QUE MAIS CONSTRANGE NUM AFASTAMENTO DE FUNÇÃO
“É a paralisação de atividades que vinham sendo executadas. Houve uma perda, porque fomos afastados dia 21 de novembro e ficamos até 28 de dezembro. Nesse período, tínhamos algumas ações a desenvolver, como a de diminuir o limite prudencial, e não tivemos como fazer”

JLPolítica - Quais as consequências políticas para o senhor do fato de a sua opção política eleitoral no segundo turno terminar sendo por Belivaldo Chagas?
VM –
Boas, positivas. Primeiro, a minha relação com Belivaldo Chagas sempre foi cordial. Fomos colegas por oito anos na Assembleia Legislativa. Conheço Belivaldo e a maneira dele, aquela do sim-sim, não-não. E Belivaldo Chagas é uma pessoa que a gente sabe que vai fazer um bom governo. Claro que minha decisão foi tomada a partir de um desconforto interno: nós ficamos - e acredito que não só eu, mas todos os prefeitos da oposição -, nos sentimos incomodados com a postura do senador Valadares. Todos entendíamos que se o grupo estivesse todo unido, não teríamos dificuldade de eleger o governador e o próprio senador. Ou os dois. Acredito que foi um tiro no pé que Valadares deu, porque ficou sem mandato. E teve também a questão maior de André Moura, que foi uma perda muito grande para nosso Estado. 

JLPolítica – O senhor já tem alguma contrapartida desse apoio dado ao candidato Belivaldo?
VM -
Eu tenho conversado bastante com ele sobre a necessidade de mais água para Lagarto. Ele precisa que o município dê autorização para levar água do Piauitinga, de Estância, até Lagarto. Precisamos de uma vazão maior e, assim, abastecer bem toda a região.

JLPolítica - A sua opção por Belivaldo já foi digerida pelos Reis?
VM -
Eu procuro fazer minha política no município sem tratar de questões dos meus adversários. Os Reis usam de muita picuinha via rede social e rádios para macular a imagem de uma administração que tem se modernizado e que nenhum município a supera. Eu desafio qualquer outro. Então não estou preocupado com os Reis. Preocupo-me, na verdade, é com a questão de ter um deputado federal como Fábio Reis, que já vai em seu terceiro mandato, eu estive quatro anos na Prefeitura, agora com mais dois e não tenho recebido nenhuma ajuda substanciosa dele para a melhoria da saúde, da infraestrutura. Algumas emendas que a gente tem são do governo passado, que ele colocou, e algumas ele retirou, por sinal. As que ele não pôde tirar, que foram poucas, estamos fazendo. Inclusive, as que fiz com ajuda dele fiz questão de chama-lo para a inauguração. 

JLPolítica - Mas o senhor não acha que nessa nova legislatura, tendo um federal a mais do município, que é Gustinho Ribeiro, os dois podem se unir mais por Lagarto? 
VM -
Tomara que façam isso. Se eu fosse eles, faria exatamente isso.

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Para senador, votou em Rogério Carvalho do PT, antigo parceiro

DA EXPECTATIVA EM TORNO DE BELIVALDO CHAGAS
“Belivaldo Chagas é uma pessoa que a gente sabe que vai fazer um bom governo. Minha relação com ele sempre foi cordial. Fomos colegas por oito anos na Assembleia. Conheço Belivaldo e a maneira dele, aquela do sim-sim, não-não”

JLPolítica - Qual é a sua expectativa com o mandato de Gustinho Ribeiro, seu aliado, para com Lagarto?
VM -
Eu espero que Gustinho olhe por Lagarto, mesmo porque foi Lagarto que deu a maior votação a ele. Foram nossos aliados que ajudaram ele, e espero que ele contribua de volta. Aliás, quando conversamos, o Gustinho tem dado demonstração dessa intenção. 

JLPolítica - Mas o senhor acha que Gustinho é grato à ação que o senhor fez pela eleição dele, saindo de Lagarto com mais de 11 mil votos?
VM -
Eu espero que ele seja. Não a mim, pessoalmente, mas ao povo de Lagarto, e que isso se materialize em recursos de emendas do orçamento da União, benefícios e tudo aquilo que o povo precisa. Lagarto é uma cidade grande, que tem uma necessidade também grande de infraestrutura. Temos um anel viário por fazer. Precisamos da saúde, que já teve avanço com emendas de cerca de R$ 10 milhões de André Moura e outros deputados, e por isso melhoramos muito. Então espero que tanto Gustinho quanto Fábio pensem no povo de lagartense e não apenas nas questões políticas. 

JLPolítica - Essas seriam as duas necessidades mais básicas: o anel viário e a saúde?
VM -
Nós temos muitos empreendimentos feitos ao longo dos anos em Lagarto sem a infraestrutura necessária. Então, que eles fiquem de olho nas necessidades desse setor.  

JLPolítica - Qual deve ser a orientação política do deputado Ibrain Monteiro na Alese?
VM -
Pelo que sei, Ibrain vai ter a orientação de fazer o que for bom para a população de Sergipe. Os projetos que forem bons para o povo, serão acolhidos por ele, assim como fiz em meus quatro mandatos. Espero que ele faça o mesmo. Aquilo que for ruim para o povo, que não vote de jeito nenhum, porque o povo já é sofrido e nós precisamos é melhorar as condições de vida dele. Claro que nós temos caminhado ao lado de Belivaldo e esperamos continuar, pois o governador tem nos dado a devida atenção. Não pedimos nada a ele, mas existem alguns compromissos de melhorias para o município e tudo aquilo que for feito em benéfico do povo, estou aliado. Para assim fazer de Lagarto o que sempre pensei. 

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“Belivaldo Chagas é uma pessoa que a gente sabe que vai fazer um bom governo", aposta

“OS REIS USAM DE MUITA PICUINHA”
“Preocupo-me ter um deputado federal como Fábio Reis, que já vai em terceiro mandato, eu estive quatro anos na Prefeitura, agora com mais dois e não tenho recebido nenhuma ajuda substanciosa dele para a melhoria da saúde, da infraestrutura”

JLPolítica - Se Eduardo Amorim quiser voltar à cena política, o senhor será um aliado dele ou será opositor?
VM -
Depende. Eu não sei o momento. Hoje eu diria que tenho uma amizade muito grande com o ex-senador Amorim, pela pessoa, pela personalidade, pelo caráter de homem, de pai, de esposo - então temos uma irmandade que vai além da política. 

JLPolítica - O senhor andou falando que estava meio desiludido e que não bancaria uma reeleição de prefeito de Lagarto. Mudou de ponto de vista?
VM -
Mudei não. Eu não tenho vontade. A minha vontade é a de ver Lagarto crescer. É a de prestar serviço. Quando a gente fala em obra, a gente já liga a praças, desenvolvimento, mas tem também projetos sociais, como a substituição de casas de taipa por casas de alvenaria. Essa é uma obra que temos grande prazer em realizar.

JLPolítica - Se o senhor não for à reeleição, vislumbra em seu agrupamento que nomes capazes de encarar esse projeto?
VM -
A gente tem várias pessoas boas dentro do município e do nosso grupo que tem condição de fazer um bom trabalho, que tem o mesmo pensamento. Mas até o momento não nos sentamos para escolher quem seria. Não é bem a hora.

JLPolítica - Então o senhor já descartou mesmo a hipótese de reeleição?
VM -
Eu não quero. É como eu disse: não tenho vontade. Não desejo ser candidato. Vou descansar um pouco. Já são 20 anos com mandatos e eu agora quero descansar - claro que não vou ficar de fora, vou apoiar meus candidatos e estarei sempre à frente da política enquanto for vivo, porque sei o quanto contribuí para o município de Lagarto que viveu o radicalismo de dois grupos políticos, e ainda tive a felicidade de ser deputado por quatro vezes e prefeito duas vezes. Sei, sim, que contribuí com a consciência do lagartense, hoje um povo aberto para votar em que bem quiser, sem rótulos e nem tutelas. 

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Sobre Eduardo Amorim: "temos uma irmandade que vai além da política"

DA GRATIDÃO QUE ESPERA DE GUSTINHO RIBEIRO
“Não a mim, pessoalmente, mas ao povo de Lagarto, e que isso se materialize em recursos de emendas do orçamento da União, benefícios e tudo aquilo que o povo precisa. Que pense no povo de lagartense e não apenas nas questões políticas” 

JLPolítica - O senhor não acha que o fato de abrir mão com dois anos de antecedência pode lhe ajudar a terminar a gestão sem muita perseguição?
VM -
Espero que seja assim, porque os lagartenses veem como estamos trabalhando e o que estamos fazendo. Estou dizendo a você que se chamar 20 municípios para uma comparação de gestão, nenhum terá a quantidade de obras e serviços que temos. 

JLPolítica - O município tem o levantamento de quantas casas de taipa ainda restam?
VM -
Eram 800, mas no primeiro mandato eu fiz 423. Agora nesses primeiros dois anos só tive condução de fazer mais 50. Espero fazer mais 200 até o fim do mandato, ficariam cerca de 100, porque o Minha Casa Minha Vida também fez algumas. 

JLPolítica - O senhor recebeu o prefeito de Mirante da Serra, Rondônia na última semana. Ele veio com que informação do Lagarto?
VM -
O prefeito Adinaldo Andrade veio com a informação de ser Lagarto um município com grandes ações e obras, e ao qual lá do Norte do Brasil ele tem acompanhado. Isso nos orgulha. Temos o bolsa-família municipal, que é uma ação do social. O Adinaldo ficou extremamente satisfeito com a nossa administração, e inclusive vai voltar com os técnicos de Mirante da Serra para que possam acompanhar, durante dez dias, a nossa gestão. Vai fazer um treinamento para implantar lá aquilo que temos feito aqui. Terá todo o nosso apoio e assistência, porque isso é bom para Sergipe e é bom para Lagarto. 

JLPolítica - Além da água, qual a área que demandaria uma parceria forte com o governo? 
VM –
Para mim, o anel viário. Que a gente sabe que tem grande importância para um horizonte amplo de Lagarto. Nós estamos fazendo uma nova entrada, mas ainda não é o anel viário de que Lagarto e aquele entorno do Sul e do Centro-Sul de Sergipe necessitam. 

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"Se eu fosse dizer a quantidade de inauguração que temos por fazer nos próximos dias, citaria 100 obras", calcula

DA INTENÇÃO DE NÃO DISPUTAR NOVO MANDATO DE PREFEITO
“Eu não quero. É como eu disse: não tenho vontade. Não desejo ser candidato. Vou descansar um pouco. Claro que não vou ficar de fora, vou apoiar meus candidatos e estarei sempre à frente da política enquanto for vivo”

JLPolítica - Esse anel viário compreende o que?
VM -
Ele circundaria toda a cidade, num aro bem por fora. Vai ali pela saída de Itabaiana, passando pela pista que vai para Simão Dias e, para Tobias Barreto, antes da represa e das indústrias Maratá, saindo na pista de Riachão do Dantas. É uma coisa espetacular. Mas que todos saibam: não pode ser uma obra municipal. O que o município deve é planejar, pensar e projetar. E é o que nós estamos fazendo.

JLPolítica - Isso garante um crescimento harmonioso para Lagarto?
VM -
Não tenha dúvida nenhuma disso. O crescimento, o desenvolvimento, o desatrofiamento do nosso centro urbano, como acontece com todas as cidades de grande porte. É assim teríamos mais facilidade em atrair mais empresários e mais empreendimentos.

JLPolítica - O senhor desistiu do sonho de duplicar da Colônia Treze até Lagarto? 
VM -
Não. Essa ideia permanece e a gente vai deixar o Plano feito para que outros prefeitos possam realizar. Eu acho difícil fazer agora, porque temos outras ações, mas isso também seria fundamental.

JLPolítica – Afinal, o presidente da Câmara, Eduardo do Maratá, é do seu grupo ou do grupo dos Reis?
VM -
Ele foi eleito vereador pelo nosso grupo e tem demonstrado estar conosco. Claro que as disputas internas da Câmara são normais e naturais. Isso acontece em todo lugar, mas no momento que outro candidato, ligado à mim e mais ainda a Gustinho, sentiu que não ia ganhar, não ia deixar de votar nele e Eduardo venceu.

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Mas diz que não quer e não tem vontade de disputar a reeleição