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Entrevista

Jozailto Lima

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Valmir Monteiro: "Fábio Reis tem má vontade com Lagarto'

Publicado em  30  set 2017, 20h00

“Tudo que sou devo a Lagarto, e só posso pagar com obras e carinho ao seu povo”

Aparentemente, José Valmir Monteiro, prefeito de Lagarto, é um homem duro. Pouco sensível. Mas isso fica somente na aparência. Na casca. Porque no âmago, é um sujeito permeado por uma certa sensibilidade social que ele não se preocupa em negar, ou esconder.

Na última sexta-feira, ao inaugurar um Centro de Referência em Assistência Social nos limites entre Brasília e Jenipapo, dois grandes povoados, Valmir deixou derramar lágrimas ao lamentar as dificuldades do poder público neste momento de recursos escassos para fazer frente a tanta carência social, o que lhe coloca, enquanto gestor, na iminência de ter até de cortar empregos públicos.

Mas em sua carreira de 21 anos na política, ele não vacila, sabe o que quer para si mesmo e sobretudo para Lagarto. De 1996 para cá, de nove eleições disputados, amealhou quatro mandatos de deputado estadual e dois de prefeito da segunda maior cidade genuinamente do interior de Sergipe.

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Nasceu no povoado de Água Fria, em Salgado, em 16 de julho de 1962. O pai, José Monteiro Romão, foi vereador de dois mandatos em Salgado.

JLPolítica - Como é que o senhor encontrou as finanças públicas de Lagarto em janeiro deste ano? O município devia muito ou pouco?
Valmir Monteiro –
Devia muito. E eram débitos que já vinham de há muito tempo, de prefeitos anteriores, a exemplo do da Previdência, dos precatórios. E isso pesou bastante. Da gestão passada, também tivemos algumas dificuldades com o salário do mês de dezembro e um terço do salário de setembro atrasados, que o prefeito Lila Fraga ficou devendo. Tivemos muitos problemas, também, com as aulas, por exemplo, já que no ano de 2016 houve muitas greves e o ano letivo acabou se estendendo até março de 2017, o que acarretou muito custo para o município. Por tudo isso, no primeiro momento não deu para fazer tudo que desejávamos. Mas estamos arrumando a casa. Lagarto é um município grande, que precisa de algumas ações rápidas, a exemplo de infraestrutura, mas estamos resolvendo junto à equipe e hoje estamos bem-conceituados com a população.

JLPolítica – O senhor tem ideia de quanto era o extrato das dívidas deixadas?
VM -
Se for calcular de imediato, tivemos que cortar até o mês de junho toda e qualquer ação que pudéssemos realizar ligadas à infraestrutura. Mas diria que, no imediato, chegou a algo em torno de R$ 20 milhões.

FEITO MUITA ECONOMIA
“Nós temos feito muita economia e um trabalho de conscientização junto à população. A gente tem dito que só pode gastar aquilo que a gente tem. A gente tem conseguido efetuar os pagamentos de forma antecipada”

3JLPolítica – Então podemos dizer que para um orçamento anual de R$ 182 milhões foi um débito mediano...
VM –
Não, porque estamos falando de débito imediato, sim. Mas também tivemos que parcelar os precatórios, a Previdência, que o município deve hoje, de gestões passadas, mais de R$ 40 milhões.

JLPolítica – O senhor hoje a gestão já está respirando razoavelmente bem?
VM –
Nós temos feito muita economia e um trabalho de conscientização junto à população. A gente tem dito que só pode gastar aquilo que a gente tem. A gente tem conseguido efetuar os pagamentos de forma antecipada.

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"As emendas que ele poderia ter botado para Lagarto, deveriam ter sido em 2016 para valer agora em 2017", sobre Fábio Reis

JLPolítica – Pois é, qual é a metodologia que a sua gestão tem adotado para pagar os salários dentro de cada mês?
VM -
A da responsabilidade. Cuidando bem do que é do povo, da finança pública do município, usando os recursos apenas no que é importante e no que dará retorno.

JLPolítica – Qual é a orientação que o senhor passa para o seu secretariado nesse sentido?
VM –
A de não deixar que as pessoas entendam que a coisa pública é algo à mercê, que não tem dono. Porque o dono é o povo, e estamos apenas cuidando em nome dele. É isso que tenho pedido, que eles não se sintam como donos e sim como funcionários. Empregados do povo.

RISCO DOS SALÁRIOS EM DIA
“Está difícil, apertou bastante. E eu poderia dizer que esse mês já estou tendo dificuldades com a folha de pagamento. Eu não sei se no próximo mês ainda consigo pagar dentro do mês"

JLPolítica – O senhor acha que esse pagamento em dia vai ser possível até quando?
VM –
Está difícil, apertou bastante. E eu poderia dizer que esse mês já estou tendo dificuldades com a folha de pagamento. Eu não sei se no próximo mês ainda consigo pagar dentro do mês.

JLPolítica – Quais são as maiores necessidades de Lagarto em termos de obras hoje?  
VM –
Eu diria que de infraestrutura, sobretudo de um deslocamento para o centro da cidade, que está atrofiado. Seriam novas avenidas e um anel viário que nos desafogassem, porque isso tem prejudicado bastante. Para você ter ideia, temos hoje três faculdades e uma universidade e isso nos dá um fluxo muito grande de pessoas e infelizmente os prefeitos anteriores não tiveram capacidade ou condição de estender a sede, o centro da cidade.

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Valmir Monteiro abriu espaço a cotoveladas e se impôs frente a duas famílias centenárias - a Reis e a Ribeiro – que mandavam no município em revezamento

JLPolítica – Esse anel viário seria uma obra que depende da Prefeitura, do Estado ou da União?
VM –
Da União. Acho que nem o Estado nesse momento tenha condição de realizar uma obra tão importante como esta. Mas já há o projeto. Nós vamos brigar para conseguir uma emenda impositiva, coletiva, da bancada federal, para Lagarto. Chegou o momento de Lagarto cobrar isso. Lagarto é o maior município do interior sergipano, com mais de 100 mil habitantes, e não pode mais conviver com essa dificuldade. Veja que ao longo dos anos, Lagarto não teve um código de obras, de urbanismo, e aí construíram muitos conjuntos ao redor da cidade como bem quiseram.

JLPolítica – A própria entrada da cidade parece que não obedece um limite para que seja ampliada, duplicada, com os imóveis muito próximo às margens.
VM –
Pois é, não tem. E aí nós temos muita falta de infraestrutura ainda, apesar de o Governo Federal estar fazendo toda a parte de esgotamento, mas falta ainda.

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“Chegou o momento de Lagarto cobrar isso. Lagarto é o maior município do interior sergipano, com mais de 100 mil habitantes, e não pode mais conviver com essa dificuldade”

JLPolítica – Essas suas idas e vindas a Brasília têm a ver com essa preocupação de trazer recursos para a infraestrutura?
VM –
Sim. Nós estamos fazendo hoje umas 50 obras dentro do município, entre infraestrutura e calçamento. Seguramos alguns recursos do pagamento do IPTU e estamos reformando todas as praças. Fizemos um tapa buracos no centro, demos uma melhoria nas ruas. Mas ainda falta muito, porque somos uma cidade muito grande, com muitos bairros e 119 povoados. Veja que 50% da nossa população estão na zona rural, e que não tinha planejamento. Precisamos dar apoio a essas pessoas. Elas precisam de educação, de saúde, de assistência social. Hoje mesmo eu estou abrindo um Cras, que já temos um na zona rural e outros dois na cidade, para atender a região dos povoados Jenipapo, Brasília, Estancinha e Quirino.

JLPolítica – Como tem sido a sua relação com os 11 da bancada federal de Sergipe?
VM –
Posso dizer que quem tem feito, quem tem atendido nossos pedidos, é o deputado federal André Moura. Esse tem sido um parceiro, que ajuda bastante. Assim como os senadores Antônio Carlos Valadares e Eduardo Amorim, além do apoio de deputados amigos como Adelson Barreto, João Daniel, que têm ajudado bastante com suas emendas.

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Valmir gosta tanto de gente que é o terceiro entre outros 13 irmãos, e fez seis filhos

JLPolítica – O senhor diz que está realizando em 50 obras. Isso parece negar a ideia dos Reis, que dizem que sua gestão só vale 0,5 de nota. Isso confronta essa avaliação?
VM –
Olha, eu ficaria surpreso se eles dissessem que eu tinha nota 10. Porque eles não vão querer me elogiar. Mesmo porque eles não têm outra forma de se defender, a não ser com a de acusar.

JLPolítica – Mas o senhor reconhece as emendas do deputado Fábio Reis em favor do município?
VM -
Reconheço. Não tanto quanto ele mesmo diz e nem tanto para mim. As emendas que ele poderia ter botado para Lagarto, deveriam ter sido em 2016 para valer agora em 2017, e ele não botou nenhuma. Isso já caracteriza automaticamente a boa vontade que ele não tem com Lagarto, porque se tivesse colocado alguma emenda de 2016 para 2017 estaríamos, como sempre estivemos, prestigiando-o, porque as obras que entregamos com emendas com recursos federais conseguidas por ele fizemos questão de ele estar na inauguração e de ter a oportunidade de falar.

ORÇAMENTO DE R$ 180 MILHÕES
“É muito pouco. Porque é uma cidade com 119 povoados para dar atenção, para dar atendimento na saúde, educação, então é muito difícil. Ainda mais por termos povoados com dimensões de cidade. E tem alguns que ficam a 40 km de distância da sede, cujo acesso ainda é difícil”

JLPolítica – Quais são as maiores necessidades de Lagarto em termos de serviços hoje?   
VM -
Tenho problemas sérios na área de saúde. Apesar de existir um hospital regional aqui, está fechado. Não funciona. Então é como se não existisse. Estivemos agora em Brasília numa reunião com o ministro do Planejamento para tentar que ele libere o mais rápido possível os concursados da Ebser e a equipe, que vão trabalhar no hospital, e a liberação de alguns já foi sinalizada.

JLPolítica – Sua relação com o Governo do Estado está republicanamente em dia? É altura da importância do município que o senhor administra, ou deixa a desejar?
VM –
Trato todos de maneira que eu entendo correta. Não tenho inimigo. Temos nossas divergências, mas entendo e tenho cobrado. Até vou ao governador, como fui, juntamente com Gustinho, solicitar uma nova entrada para a cidade. Estamos em andamento com projeto. Já temos alguns recursos de emendas dos senadores Amorim e Valadares, e esperamos que esses recursos que o governador se comprometeu também possam vir para concluirmos o projeto dentro dessa rodovia, que dará uma nova trajetória ao município.

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Reconhece e agradece o apoio dos senadores Antônio Carlos Valadares e Eduardo Amorim

JLPolítica – Em síntese, o que é essa nova entrada?
VM –
Ela sai de onde foi construída a Universidade Ages, uma antiga estrada do município, e vem até a pista de Itabaiana, ali no hospital, o que dará uma nova condição de sair da própria universidade e até em direção aos povoados.

JLPolítica – O senhor disse a este portal que tem um projeto de ver duplicada a Rodovia entre Lagarto e o Treze. É possível pensar nisso?
VM –
É. Inclusive, no Plano Habitacional, a ideia é que possamos construir uma pista com a distância de 300 metros de uma para a outra e dentro desse espaço deixar espaço para construções de áreas industriais, residenciais, comerciais, etc.

ALIADOS DO CONGRESSO
“Posso dizer que quem tem atendido nossos pedidos é o deputado federal André Moura. Esse tem sido um parceiro, que ajuda bastante. Assim como os senadores Antônio Carlos Valadares e Eduardo Amorim, além de Adelson Barreto e João Daniel”

JLPolítica – O senhor acha que isso é projeto para um mandato?
VM –
É difícil, é complicado, mas não é impossível, porque pegaríamos uma área que não tenha muita habitação ainda, então a despesa não seria tão grande. Mesmo porque todas essas pessoas que têm imóvel lá teriam interesse, porque acaba valorizando.

JLPolítica - Um orçamento de R$ 180 milhões por ano é suficiente ou escasso?
VM –
É muito pouco. Porque é uma cidade com 119 povoados para dar atenção, para dar atendimento na saúde, educação, então é muito difícil. Ainda mais por termos povoados com dimensões de cidade. E tem alguns que ficam a 40 km de distância da sede, cujo acesso ainda é difícil.

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"Posso dizer que quem tem atendido nossos pedidos é o deputado federal André Moura", reconhece

JLPolítica – O senhor já enviou a previsão orçamentária de 2018 para a Câmara? Aumentou ou permanece a mesma?
VM –
Permaneceu o mesmo valor, por isso sabemos que é difícil.

JLPolítica - Qual a solução para que o Mercado Municipal da cidade, feito pelo Governo do Estado e entregue, finalmente entre em funcionamento?
VM -
Só terminar a licitação. Algumas áreas já foram licitadas.

EMENDAS DE FÁBIO REIS
“Não tanto quanto ele mesmo diz e nem tanto para mim. As emendas que ele poderia ter botado para Lagarto, deveriam ter sido em 2016 para valer agora em 2017, e ele não botou. Isso já caracteriza automaticamente a boa vontade que ele não tem com Lagarto”

JLPolítica – Licitação para quê?
VM -
Para a concessão do uso por 15 anos das bancas, dos locais onde serão vendidos os produtos da feira.

JLPolítica – Qual o balanço que o senhor faz do funcionamento do Instituto de Prevenção Anna Hora Prata, unidade do Hospital do Câncer de Barretos em Lagarto?
VM –
Está indo muito bem. Mas a gente sabe que os resultados não são imediatos, mesmo porque o atendimento é preventivo. Mas no futuro o resultado será muito grande, apesar de a clínica ainda não estar em total funcionamento. Mas o caminhão, que funciona como ambulatório, sim, e tem feito um bom trabalho.

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“Nós estamos fazendo umas 50 obras dentro do município”, diz

JLPolítica – Qual a importância da conversão dessa cidade me uma cidade universitária, como tem ocorrido nos últimos 10 anos? Isso significa o que?
VM –
Antes Lagarto era cotada como uma cidade onde o povo fazia mais política do que trabalho administrativo e hoje estamos vendo como a cidade está crescendo, com a chegada da universidade. E a gente sabe que o potencial e a cabeça dos moradores são totalmente diferente. Até porque, muitas das pessoas vêm de fora. Nós temos uma Universidade Federal com curso de Medicina. Então, recebemos pessoas de toda a federação. É totalmente diferente. Não duvido de que Lagarto será, em breve, a cidade universitária que mais terá ações na área de saúde no Estado.

JLPolítica - Ela mudou muito o perfil? Qual a base da economia de Lagarto?
VM -
Mesmo tendo as universidades, as indústrias são fortes, principalmente as do Grupo de José Augusto Vieira. Mas a gente tem incentivado ainda essa cultura rural, como fizemos agora em junho com o Festival da Mandioca, que é um dos itens mais produzidos da região e cuja ideia é incluir os produtos e subprodutos da mandioca na alimentação escolar para que Lagarto seja uma referência nessa área de amido da mandioca para a região e para o Estado.

PROBLEMAS NA SAÚDE
“Tenho problemas sérios na área de saúde. Apesar de existir um hospital regional aqui, está fechado. Não funciona. Então é como se não existisse”

JLPolítica – Apesar de ser genro de Arthur do Gavião, cunhado de Jerônimo Reis, tio de Fábio Reis, José Augusto Vieira se mete na vida política de Lagarto?
VM –
Não vejo isso, diretamente. E tem sido um amigo, um parceiro. Tem contribuído bastante com o desenvolvimento de Lagarto e eu tenho sinalizado a ele que estamos à disposição para fazer parceria e melhorar, principalmente, a geração de empregos.

JLPolítica – O senhor era um classe média, bem-sucedido, e entrou para a política. Compensa essa dedicação do ponto de vista da realização pessoal e do ponto de vista material?
VM –
Do ponto de vista material, talvez não. Mas do pessoal sim, porque eu sei o quanto fiz bem. O quanto eu cresci politicamente na vida pública. Na questão política do município de Lagarto nós enfrentamos a concepção de duas famílias, de dois grupos políticos que passaram a vida toda brigando um com o outro para fazer uma administração passiva, sendo que gente deve atender aos interesses da população e não os de um grupo político. E isso me deu a possibilidade de fazer, dentro do espaço daquilo que você entende que é humano, o que é necessário que você faça. Mesmo porque a gente sabe que aqui nós somos passageiros. Estamos vivendo aqui um momento e, quando vamos lá para cima, por esse momento daqui somos credenciados por aquilo que a gente faz. Porque lá em cima tem uma pessoa que está anotando o que você faz de bem e o que você faz de ruim. Então, eu acredito que nesses meus anos de vida pública, de vida política, fiz muito bem. Fiz muita coisa boa e isso me dá o credenciamento e eu sei que quando eu chegar lá as portas vão estar abertas para eu entrar.

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Venceu as eleições tendo Hilda Ribeiro, esposa de Gustinho Ribeiro, como vice-prefeita.

JLPolítica – Nesses 21 anos, o senhor evoluiu ou involuiu, patrimonialmente?
VM –
Não evoluí. Eu não tenho nada. Hoje eu não tenho nem 10% do que eu tinha anteriormente. Eu era um homem bem-sucedido. Eu cheguei a ter 102 funcionários. Eu tive supermercado, fazenda, sítio, 16 apartamentos em Aracaju. Eu sempre fui um homem bem-sucedido na minha vida, por isso eu devo muito a Lagarto, porque cheguei aqui praticamente com uma mala na mão e um saco nas costas, e tive a oportunidade de ser um dos empresários mais bem-sucedidos dessa cidade. E não reclamo por aquilo que eu perdi. Não me arrependo não. Porque eu sei que muito do que eu fiz foi benefício da população. Tudo que eu sou devo a Lagarto e só posso pagar com muitas obras, com atenção e carinho ao seu povo.

JLPolítica – Prefeito, foi difícil abrir caminhos entre as famílias Ribeiro e Reis, naturalmente fortes, e se configurar como uma liderança política para além desses dois clãs?
VM –
Sempre trabalhei fazendo aquilo que considero importante para o meu povo. O homem público tem que deixar a vaidade, a prepotência, e ver que ele tem que trabalhar para a população, e é assim que tenho feito. Esqueci qualquer questão dos meus adversários. Não sou homem de estar falando dos meus adversários. Não tenho intenção de fazer política assim, mas pensando naquilo que é melhor para a população e assim consegui vencer os adversários. Posso dizer que na minha carreira política, de 21 anos, consegui quatro mandatos de deputado e dois de prefeito – e isso responde bem a esta pergunta.

RICO POBRE
“Eu tive supermercado, fazenda, sítio, 16 apartamentos em Aracaju. Eu sempre fui um homem bem-sucedido, por isso eu devo muito a Lagarto. Cheguei aqui praticamente com uma mala na mão e um saco nas costas, e tive a oportunidade de ser um dos empresários mais bem-sucedidos da cidade. E não reclamo por aquilo que eu perdi”

JLPolítica – Mas seria mais fácil se os Reis e Ribeiro fossem mais convergentes, mais parceiros?
VM –
Seria. Mas da vez que tentamos fazer isso, percebemos que as pessoas que dizem querer ajudar o município, na verdade, querem se auto beneficiar.

JLPolítica – Por que o Cabo Zé se vira tanto contra o senhor?
VM –
Porque é o estilo dele de pensar, de administrar. Já falei que quero administrar para o povo, porque entendo que os recursos são do povo, é o povo que paga os impostos e faz com que a gente posa hoje estar trabalhando. É o povo que paga meu salário.

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Amealhou quatro mandatos de deputado estadual e dois de prefeito

JLPolítica – O senhor admite gravidade nessa denúncia que ele tentou fazer essa semana de que a Prefeitura estava pagando para defender judicialmente um bandido?
VM –
Que nada! Isso é apenas o Cabo Zé querendo achar um motivo para entrar na imprensa e tentar barganhar espaço. Aparecer.

JLPolítica - Se o deputado federal André Moura for candidato à reeleição, como fica a sua opção eleitoral frente à pretensão de Gustinho Ribeiro, de também disputar o mandato federal?
VM -
Eu tenho dito que sou parceiro de André Moura, que é meu presidente partidário, mas que compromisso é compromisso. Eu não tenho duas palavras, e é por isso que tenho conseguido seis mandatos em 21 anos de vida pública, pelas minhas decisões e posições. Então, eu vou com Gustinho. Claro que é uma parceria, na qual nós indicaremos nosso candidato a deputado estadual.

JOSÉ AUGUSTO VIEIRA
“Tem sido um amigo, um parceiro. Tem contribuído bastante com o desenvolvimento de Lagarto e eu tenho sinalizado a ele que estamos à disposição para fazer parceria e melhorar, principalmente, a geração de empregos”

JLPolítica – Há espaço para Lagarto ter dois federais, prefeito?
VM –
Temos espaço, sim. Nós temos mais de 70 mil eleitores. E além disso, temos uma região muito grande, que engloba Simão Dias, Poço Verde, Boquim, cidades grandes que têm respaldo político mas não têm deputado federal.

JLPolítica – O senhor também torceria para que Lagarto tivesse dois federais? Para que Fábio se reelegesse junto com Gustinho?
VM –
Sim, mas que não seja ele (Fábio), porque pode ser outro. Espero que possa ser outro.  

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Tem compromisso de apoiar Gustinho Ribeiro para deputado federal

JLPolítica - O senhor tem uma ligação muito forte com Rogério Carvalho, PT, e não esconde isso de ninguém. Ele sendo candidato a senador, terá de novo seu apoio?
VM –
Olhe, tenho consideração e respeito por ele. É filho desta terra, homem que trabalhou bastante para que pudéssemos ter hoje uma universidade com curso de Medicina, um hospital regional - apesar de não estar funcionando. Foi Rogério que lutou para construir duas clínicas da saúde. É um parceiro, é um amigo. Uma pessoa que temos um relacionamento muito bom. Convivemos no dia a dia. Ele sempre está em Lagarto e tem nos ajudado a administrar. Tem orientado, participado de algumas decisões. Mas eleitoralmente não definimos nada, mesmo porque dentro do meu grupo ainda não foi decidido - então tenho que deixar as coisas acontecerem.

JLPolítica – O senhor tem observado uma mudança de perfil em Rogério no modo de fazer política? E o senhor a aprova?
VM –
Com certeza. Talvez até de tanto ele viver aqui, tenha aprendido um pouco, entendido que o homem público tem que estar à disposição do povo. Essa mudança é positiva.

A FORÇA DA UNIVERSIDADE
“Nós temos uma Universidade Federal com curso de Medicina. Então, recebemos pessoas de toda a federação. É totalmente diferente. Não duvido de que Lagarto será, em breve, a cidade universitária que mais terá ações na área de saúde no Estado”

JLPolítica - Quem o senhor acha que deve disputar o Governo pelo seu bloco: Eduardo Amorim, Antônio Carlos Valadares e André Moura?
VM –
Qualquer um dos três que venha a disputar, será muito bem recebido. A gente tem visto que a oposição, nesta eleição, tem condições de ser a vencedora. Mas vejo que todos três têm capacidade, boa vontade e o espírito de luta para resolver os problemas do Estado.

JLPolítica – De onde é que o senhor tira essa convicção de que a oposição agora tem essa condição de sair vencedora?
VM -
Infelizmente, pela péssima administração do Governo que aí está. Aqui em Lagarto, por exemplo, o Governo teve uma vitória esmagadora, mas até o momento ainda não mostrou a que veio e nem o que está fazendo em benefício da população.

JLPolítica - Não é exótico, estranho, que pai e filho decidam pelos destinos do Executivo e do Legislativo de uma mesma cidade, como ocorre com o senhor e o vereador Ibrain Monteiro?
VM –
Não quando é a vontade do povo. Não fui eu que coloquei ele lá e nem ele eu aqui. Quando se é a vontade do povo -, e foi o povo que votou e aprovou - sem dúvida nenhuma continuaremos atendendo essa vontade popular.

  

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'Ela tem muita boa-vontade e vem desenvolvendo um grande trabalho social", comenta sobre a esposa Andreza Santana

JLPolítica - Mas há a possibilidade de haver algum ato não-republicano na cidade em virtude disso
VM –
Não, porque somos muito democráticos. Atendemos as pessoas e fazemos dentro das ações legislativas. Por exemplo, atendemos a vontade do povo e dos vereadores.

JLPolítica - O senhor acha que Ibrain Monteiro estaria preparado para a disputa de um mandato de deputado estadual? E ele será candidato mesmo ano que vem?
VM –
A tendência e a vontade dos nossos aliados, principalmente os que ficam na linha de frente, são de que sim. E a gente também sente isso na população com pesquisas. A aceitação foi de 75,8% à nossa administração e também houve a sinalização da vontade de termos mais um deputado do nosso lado.

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"Olhe, tenho consideração e respeito por ele. É filho desta terra, homem que trabalhou bastante para que pudéssemos ter hoje uma universidade com curso de Medicina, um hospital regional - apesar de não estar funcionando"

JLPolítica – O senhor arquivou seu espólio de deputado de quatro mandatos por aí ou é possível transferir alguma coisa ainda?
VM –
É possível. E pela minha convivência, pela maneira de ser, de conduzir os nossos amigos, correligionários da região, sempre somos procurados e bem recebidos em todas as cidades onde eu ando, onde tive votação expressiva como deputado estadual nos meus quatro mandatos.

JLPolítica - Os seus processos jurídicos como político estão sanados ou o senhor ainda corre risco?
VM –
A gente tem um processo que está no STJ, que esperamos que seja julgado favorável, para que a gente possa continuar fazendo nosso trabalho político.

JLPolítica – O senhor aposta na capacidade política da primeira-dama do município, Andreza Nascimento e há a probabilidade de ela disputar um cargo eletivo no Executivo ou no Legislativo?
VM –
Acredito. Ela tem muita boa-vontade e vem desenvolvendo um trabalho social. Talvez tenha aprendido comigo que política administrativa se faz com ações em benefício da população. Agora, quem vai decidir se há probabilidade é o povo, a população.

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Na última sexta-feira, 29, inaugurou o Centro de Referência de Assistência Social, Sedest, no Povoado Brasília