Interviewer 9c963a73b5519178

Entrevista

Jozailto Lima

Compartilhar
Cover image da06f566674d8935

Wagner Oliveira: “A vida é feita de acertos e erros. Eu repetiria tudo novamente”

“A história do Hospital Primavera significa amor à medicina”
24 de maio - 8h00

O nome do médico ginecologista, obstetra e empreendedor do ramo da saúde particular no Estado de Sergipe Carlos Wagner Bravo de Oliveira é, obviamente, grande e sonoro. Grande, seguramente, é também a visão de mundo, de vida e de objetivos dele na área em que atua.

Assim como a transigência com que encara as pessoas e os problemas, sempre aparentemente com ar leve, descontraído, quase blasé, mas sabendo o que quer e aonde pode ir e chegar sem pisar no pé de ninguém e nem desbotar em suas convicções.

Isso leva o amigo e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto a ver em Carlos Wagner Bravo de Oliveira e em seus traços e posturas uma deliberada visão social e a lhe consultar se “essa dimensão espiritual e ao mesmo tempo cívica constitui”, para ele, “uma razão de viver”.

Claro que Wagner Oliveira, como é resumidamente tratado e conhecido, acolhe e fatura a visão de Britto. “Dir-lhe-ia que, sem dúvida, sim! Desde a minha infância meus pais me orientaram, e eu aprendi, a sempre permear os meus projetos e as minhas atitudes na preocupação com o “outro”. O respeito e a consideração são tônicas do meu cotidiano”, consente Wagner.

E é aqui nesse mantra que Wagner Oliveira, aos 69 anos, com aparência mais jovem e de cabelos pintados, quer colocar e inserir sua trajetória de duplo profissional: a do médico e a do empreendedor do setor de saúde em Sergipe, cujo maior símbolo proporcionado por ele na paisagem do empreendedorismo poderia ser o Hospital Primavera, não fosse a rede de Clínicas Diagnose e Policlin, com seis unidades entre a capital de Sergipe e Itabaiana, à qual ele dedicou 38 anos de sua vida e se fez patente forte na atividade de análise laboratorial do Estado.  

Wagner Oliveira - e só poderia ser assim - é deliberadamente um irrequieto. Pensa saúde, negócios e tecnologia 100% do seu tempo. Agora mesmo, em isolamento social em uma chácara com a esposa Ana Cecília Teixeira Barreto de Oliveira, ele vai às vezes até as meias-noites analisando planilhas e decidindo ações e situações.

Muitas dessas decisões, em nome do Hospital Primavera que, em menos de 11 anos de existência, tornou-se uma referência na oferta de soluções médicas na esfera particular do Estado, é seu maior portfólio e que ele o tem como uma obra em construção.

Para Wagner, pessoalmente, esse empreendimento é uma declaração de amor à medicina. “O Hospital Primavera significa excelentes serviços prestados à comunidade sergipana, atendendo plenamente o seu objetivo, além da realização plena do seu idealizador, que sou eu”, diz ele.

“A história do Primavera é um significativo também de determinação, resiliência e de amor à medicina de um homem apaixonado pela carreira escolhida, propósito essencial para tornar concreto este grande sonho de um médico”, completa.

Mas o Hospital Primavera não lhe caiu pronto dos traços de um arquiteto nem das mãos de um engenheiro. É obra de muito suor e trabalho na qual já são aplicados mais de R$ 200 milhões - num dado momento, ele pensou até que fraquejaria. Filho de pais de classe média baixa, Wagner Oliveira amassa o próprio pão desde muito jovem.

Aos 17 anos - algo muitíssimo precoce para a geração dele -, entrou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Sergipe. Era 1969. Aos 23, já estava médico. Era 1974. Ainda que com ajuda e anteparo afetivo da família, custeou a própria formação e se sustentou a partir dos 18. Exerceu a atividade na área privada, como ginecologista, e no ambulatório médico do Ipes, do Sindipetro e do Sesi.

Foi um pioneiro na implantação da primeira ressonância magnética no Estado de Sergipe, assim como na rede de clínicas. Aos 33 anos, em 1984, já com residência médica concluída em obstetrícia e ginecologia e atuando em diversas frentes no mercado, fundou a primeira Diagnose.

E, como mostra a fotografia atual, nunca mais parou. Nunca mais largou o fardo. Discreto e conservador para com os números, não gosta de falar em valores investidos e nem de faturados. Mas deve estar entre os dez maiores geradores de empregos particulares de Sergipe – algo em torno de 1,5 mil.

A inércia não parece ser “um movimento” agradável para esse Wagner Oliveira. Muito menos desejável. “Sem dúvida, o Hospital Primavera hoje atende aquilo que planejei. Obviamente, o que é uma cultura natural do ramo, há sempre um desejo de fazer mais e, quando se busca, existe também sempre algo a melhorar. A se modernizar”, diz.

Carlos Wagner Bravo de Oliveira nasceu no dia 24 de março de 1951 na cidade de Propriá. Ele é filho do classe média rual e produtor de arroz Edinaldo Gomes de Oliveira e de Janice Bravo de Oliveira, ambos falecidos.

F32de9cf864de89e
Com o sogro, Luciano Franco Barreto, Luciano da Celi, com quem tem uma relação de admiração e respeito
Internal image 547f8edfba7f0938
Aos 17 anos, um grande feito pra sua geração, Wagner chega ao curso de medicina da UFS. Aqui ele é contemplado pelos veteranos com o diploma de "burro", um trote da época

PRIMAVERA SIGNIFICA EXCELENTE SERVIÇO PRESTADO A SERGIPE
“A história do Hospital Primavera é significativo também de determinação, resiliência e amor à medicina. Estes 12 anos zêm muitos sentidos. O Primavera significa excelentes serviços prestados à comunidade sergipana, atendendo plenamente o seu objetivo, além da realização plena do seu idealizador, que sou eu”

JLPolítica - Em 12 de outubro, o Hospital Primavera fará 12 anos. O que esta pouco mais de uma década significa para um equipamento como este?
Wagner Oliveira -
Tem muitos sentidos. O Hospital Primavera significa excelentes serviços prestados à comunidade, atendendo plenamente o seu objetivo, além da realização plena do seu idealizador, no caso eu. A história do Primavera é um significativo também de determinação, resiliência e de amor a medicina de um homem apaixonado pela carreira escolhida, propósito essencial para tornar concreto este grande sonho de um médico.

JLPolítica - De quanto foi o investimento nele até agora?
WO -
O Hospital Primavera foi inaugurado, de maneira muito discreta, no dia 12 de outubro de 2008 exatamente no Dia do Médico. Fiz questão de abri-lo nesta data exatamente para homenagear a minha classe, à qual tanto me orgulho de pertencer e que é o grande esteio da atividade na área da saúde. Sem a presença sequer de nenhum dos meus familiares, sequer eles sabiam do fato, lembro que ofereci nas dependências do hospital um café da manhã para não mais que 10 colegas e ali dei por aberta a instituição. Completaremos então, no próximo outubro, doze anos de atividade. Portanto, para responder sua pergunta teria que ter aqui uma soma dos valores despendidos neste período, e não a tenho. Entretanto, posso lhe afirmar que esta soma atinge muito mais que duas centenas de milhões de reais. A atividade hospitalar, com qualidade, exige investimentos contínuos, quer diretos ou indiretos, e que começam desde a aquisição do terreno e o posterior desenvolvimento dos diversos projetos. Equipamentos, instrumentais e mobiliários hospitalares são muito caros. Suas atualizações também, até porque damos preferências por produtos importados e destes os melhores nas suas áreas. Como exemplo, muito recentemente instalamos no hospital um sofisticadíssimo mamógramo, que nos custou quase US$ 200 mil. Nossa ressonância, que tem diferenciada potência magnética, 3 Teslas, custa US$ 2 milhões. Quase todas as nossas mesas cirúrgicas e instrumentais do nosso centro cirúrgico são também importados. 

JLPolítica - A partir de quando ele começou a se pagar?
WO -
Tivemos enormes dificuldades na sua fase inicial, que continuou por algum tempo. Confesso que em alguns momentos cheguei a enxergar uma possível inviabilidade do projeto. Foi um período muito duro. Entretanto, a vontade de realizar, além do incontestável apoio de Ana Cecília, minha esposa, fez com que progressivamente fosse embora a tempestade e que se seguisse a bonança, que são tempos de estabilidade, fato que atualmente nos permite inclusive projetar um crescimento físico do hospital e com maior abrangência assistencial. A atividade hospitalar, por si só, é difícil. Administrar um hospital exige muito da sua equipe, por causa das muitas peculiaridades e especializações. Na prática, não existe cotidiano ou rotina. Nele, ada se repete.

JLPolítica - Uma cidade do porte de Aracaju estaria bem representada na medicina particular com hospitais do nível do Primavera e do São Lucas, ou comportaria mais?
WO -
Sem dúvida. São duas ótimas instituições, cada uma delas estabelecida em seus próprios espaços e com os melhores propósitos. Ambas, além de diversos outros nosocômios bastante conhecidos do mercado, têm atendido suficientemente as demandas atuais do nosso Estado por vários anos. Desconheço problemas de vagas e, na prática, não existem dificuldades de acesso a especializações assistenciais hospitalares em Sergipe.

E9f9b28848b15acf
Wagner Oliveira e Ana Cecília num momento cidade estrangeira, na Rússia: eles se dão bem na condução dos negócios e na criação da família

SEMPRE SONHANDO COM ALGO A MAIS
“O Hospital Primavera hoje atende aquilo que planejei. Obviamente, o que é uma cultura natural do ramo, há sempre um desejo de fazer mais e existe também sempre algo a melhorar. A se modernizar. Há sempre um sonho novo nascendo todos os dias. Isto se chama determinação”

JLPolítica - O senhor se propôs a fazer do Hospital Primavera o quê na esfera da prestação de serviços à saúde particular, e acha que já atingiu o seu objetivo?
WO -
O Hospital Primavera hoje atende aquilo que planejei inicialmente. Aliás, até bem mais. Isto é o resultado de uma cultura natural do ramo. Quero dizer, à medida que a atividade vai se desenvolvendo dentro da instituição, surge o desejo de se fazer mais. De melhorar e de modernizar. Há sempre um sonho novo nascendo todos os dias. Este sentimento de maneira popular denominaria de gosto por aquilo que se pratica. Que se faz.

JLPolítica - Qual é a média mensal de atendimento dele?
WO -
O atendimento ou a assistência oferecida pelo Hospital Primavera é muito estratificada. Atuamos em várias áreas, desde consultas médicas eletivas nos diversos consultórios do seu Centro Ambulatorial, atendimentos em diversas especialidades na nossa Emergência 24h, realização de diversos tipos de exames, além das internações clínicas e cirúrgicas, quer eletivas ou emergenciais. Embora tenha alguma dificuldade de estimar estes dados aqui para você, mas acredito que se situem em torno de 20 mil.

JLPolítica - Aquisição de 70% do Hospital São Lucas pelo Grupo Copa D’or gerou no senhor necessidade de mudar práticas e serviços do Primavera?
WO -
Não. Em nada mudamos. Continuamos com as mesmas práticas, até porque são duas instituições que caminham cada uma sua própria estrada, porém com o mesmo objetivo - o de entregar à sociedade uma medicina do melhor padrão. E temos conseguido.

61ff580b183716c8
Wagner Oliveira e Ana Cecília com Luciano Mitidieri Barreto, neto mais novo, de quatro anos, filho de Luciano Neto

DO GOSTO PELO EMPREENDEDORISMO NA SAÚDE
“Percebo-me como médico muito vocacionado e tenho muito gosto pelo empreendedorismo na saúde. Faz parte deste gosto desejar o possível e admirar o impossível. Muitas coisas se passam na minha cabeça. O difícil é tornar realidade estes pensamentos. Lembro que, enquanto sonho, construir o Primavera foi um desses quase impossíveis”

JLPolítica - Qual é o horizonte da prestação de serviços na área médica particular em Sergipe e no Brasil? Tem espaço para crescimento?
WO -
A assistência à saúde na área particular sempre caminha pari passu com as evoluções da sociedade. Olhando pelo viés econômico, diria que nos últimos cinco anos a saúde privada, que aqui eu chamo as Operadoras de Saúde e que representam os nossos clientes, perderam aproximadamente cinco milhões de associados por causa das diversas contingências, especialmente na área econômica. Tais acontecimentos trazem especiais reflexões para alguns subsegmentos da nossa atividade. Para dificultar ainda mais este panorama, fora de qualquer expectativa surgiu o coronavírus, inicialmente praticamente paralisando a atividade hospitalar no país, em muito porque os hospitais passaram a concentrar suas forças, suas energias, à espera do combate frente a este inimigo invisível que chegaria. E chegou! Ainda não tenho dados concretos sobre o quanto a pandemia do Covid-19 precipitou a piora destes números no país, mas certamente em muito nos afetou. Por estas tantas razões, o crescimento da atividade sem dúvida depende da melhoria da economia. Para este acontecimento, a estrada é longa e tem que passar inicialmente pela recuperação do tanto que já se perdeu.

JLPolítica - Passa pelo planejamento empresarial do senhor ampliar o Hospital Primavera ou fazer uma extensão dele em algum outro Estado brasileiro?
WO -
Percebo-me como um médico muito vocacionado e, de maneira especial, tenho muito apreço pelo empreendedorismo na saúde, inclusive faz parte deste meu perfil o olhar para o possível e admirar o impossível. Por estas razões, muitas coisas se passam na minha cabeça. Entretanto, o pensar ou o sonhar é fácil, o difícil é tornar realidade muitos destes pensamentos. Lembro, porém, que o sonho de construir o Primavera me era quase impossível. Mas foi concretizado.

JLPolítica - Como é que foram as suas primeiras incursões no mundo do trabalho como ginecologista e obstetra?
WO -
Fui premiado com a oportunidade de estar ao lado de ótimos mestres durante a minha graduação, e aqui gostaria de destacar a convivência tida durante os primeiros tempos de faculdade com o professor Dr. Francisco José Plácido Tavares de Bragança, o querido Dr. Bragança, hábil cirurgião e pai do urologista professor Dr. Ricardo Bragança. Com o avançar do curso, fiz opção pelas especialidades ginecologia e obstetrícia, quando fui acolhido pelo professor Dr. Hugo Gurgel, fundador da Clínica Santa Lúcia - hoje Hospital do Coração -, e posteriormente fundador também da Clínica Santa Helena, grandes legados para a nossa sociedade. Brilhante enquanto profissional e exemplar conselheiro, foi o Dr. Hugo minha maior referência profissional e motivação para abraçar as especialidades que escolhi. Sua filha e sucessora é a conhecida ginecologista e obstetra Dra. Eline Gurgel. Finalmente, terminado o curso médico no ano de 1974, fui aprovado na Residência Médica no Hospital Antônio Pedro, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, pertencente à Universidade Federal Fluminense. Lá fiquei durante dois anos. Toda esta bagagem muito me ajudou no início da minha caminhada profissional quando retornei para Aracaju, minimizando então parte da natural insegurança tão própria do início da atividade profissional de um jovem médico, especialmente quando determinado a tentar fazer sempre o melhor.

6e84542ee4d86422
O paparicado. Wagner Oliveira é o único filho homem da família, aqui ao lado das quatro irmãs: Kátia, Marilda, Ciene, que é médica também, e Ilka. Ele é o primogênito

EVOCAÇÃO AOS MESTRES COM CARINHO
“Felizmente, tive ótimos mestres durante a graduação, e gostaria de ressaltar durante o meu início a figura do professor Dr. Francisco José Plácido Tavares de Bragança, hábil cirurgião e pai do Dr. Ricardo Bragança, e posteriormente o Dr. Hugo Gurgel, fundador da Santa Lúcia. Foi o Dr. Hugo minha maior motivação para abraçar a ginecologia e a obstetrícia”

JLPolítica - Onde e como foram os seus primeiros trabalhos e empregos como médico?
WO -
Ao chegar de volta a Aracaju, inicialmente fui convidado pelo Dr. Albano Franco a trabalhar no Ambulatório Médico do Sesi, substituindo o professor Dr Reginaldo Silva, meu cunhado e fundador do Hospital Renascença, que estava de mudança para Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, com o intuito de realizar mestrado e doutorado em ginecologia e obstetrícia. Aliás, naquele tempo, com vistas a este primeiro emprego, o empurrão do Dr. Reginaldo foi essencial para que eu o substituísse e ocupasse aquela vaga. Hoje, formado há 45 anos, há mais de 20 anos deixei o exercício da medicina clínica ou assistencial, entretanto afirmo sempre que exerço uma outra especialidade médica, que é aquela voltada à construção, implantação e administração de edifícios voltados à prestação de serviços na área da saúde. Afinal, participei de maneira muito presente do planejamento, da construção e das implantação de todas as Clínicas Diagnose, Policlin e do Hospital Primavera. Além disto, a minha atividade diária desde então é permanentemente, de maneira exclusiva, voltada a conversas e entendimentos com médicos, quando não com outros profissionais da saúde. Este permanente contato me dá uma visão muito especial e atualizada da medicina. Saudades daquilo que deixei de fazer? De verdade tenho, muito especialmente dos muitos momentos em que realizava procedimentos cirúrgicos na minha especialidade. Adorava realizar cirurgias ginecológicas. Entretanto, já está muito longe de mim a figura do médico Wagner com um bisturi nas mãos.

JLPolítica - Aos 10 anos de formado, em 1984 o senhor funda a primeira Diagnose, instituição que faz história como clínica e laboratório de análises clínicas em Sergipe. Nasce ali e o empreendedor da área de saúde e desaparece o médico ginecologista e obstetra?
WO -
O empreendedorismo, com uma pitada de vanguardismo, sempre fez parte da minha natureza. Entrei na Faculdade de Medicina aos 17 anos e a partir dos 18 passei a manter-me. No ano de 1981 trouxe o primeiro aparelho de ultrassom para Sergipe e em 1984 fundei a primeira Clínica Diagnose, que trazia um diferenciado padrão de assistência ambulatorial para o nosso mercado. Neste momento eu tinha dois empregos e, além da atividade em consultório particular, atendia ainda na Clínica Santa Helena. Com a chegada do aparelho de ultrassom, somou-se então a estas tantas tarefas a realização destes exames, cuja procura se tornava cada vez maior. Diante deste assoberbamento por tantas atividades, já sem conseguir dar conta, tive que fazer escolhas e aí, inicialmente, optei em continuar realizando o exame de ultrassonografia e administrar a Clínica Diagnose. Em sequência, decorrente do meu progressivo envolvimento com a gestão da clínica, se fez necessário suspender também a atividade enquanto ultrassonografista, voltando-me somente aos cuidados com a sua administração, o que incluía os projetos de ampliação.

JLPolítica - Entre Diagnoses e Policlins, quantas clínicas são hoje?
WO -
Atualmente são duas unidades Diagnose - Rua Campos e Av. Barão de Maruim - e três unidades Policlin - Augusto Franco, Siqueira Campos e cidade de Itabaiana -, além da Clínica Primavera Alameda das Árvores, perfazendo um total de seis unidades. Por razões estratégicas, fechamos a Diagnose Gonçalo Prado. Encerramos também as atividades e nos desfizemos dos respectivos imóveis da Clínica Policlin no Conjunto D. Pedro I e Clínica Policlin no Orlando Dantas.

5352d49f3d07279d
Descendência assegurada: aqui estão os sete netos de Wagner, produção de três dos seus cinco filhos. Aí tem trigêmeos na turma

DA SATURAÇÃO DO MERCADO DO EXAME LABORATORIAL
“Felizmente, para a população, houve um crescimento muito grande dos serviços ambulatoriais assim como a oferta dos mais diversos tipos de exames. Por estas razões, fica muito claro para mim que o crescimento da procura não acompanhou o da oferta, que tornou-se muito grande. São estas as principais causas que revestem hoje este ramo de atividade de grandes dificuldades”

JLPolítica - Qual a importância desses laboratórios no mix empresarial dos seus negócios hoje?
WO -
Naturalmente, dentro do conceito de Rede Primavera Saúde, o que atualmente me traz bem mais demandas é o Hospital Primavera. Quanto às clínicas, embora se mantenham bem equipadas e muito bem conservadas, além de terem um público fiel, está nos nossos projetos a realização nestas unidades de melhorias físicas e tecnológicas, inclusive para melhor reposicioná-las em seus mercados. E este assunto é mais um projeto que faz parte dos meus sonhos.

JLPolítica - Análise ambulatorial é uma atividade promissora ou está muito invadida por muitos serviços similares?
WO -
Ocorreu em nosso Estado, o que é um fenômeno nacional, um crescimento muito grande na oferta de serviços no leque de exames ambulatoriais, e nisso aí se incluem os laboratórios de análises clínicas, assim como dezenas de outros tipos de exames. Suas razões, a meu ver, decorreram de uma elevada oferta para o mercado, por causa dos fabricantes de equipamentos médicos dos mais diversos tipos, quer importados ou nacionais, acompanhado por uma queda relativa nos preços destas máquinas. Por outro lado, aconteceu uma progressiva perda do valor que remunera as consultas médicas por parte das operadoras de saúde, até porque estas também cronicamente enfrentam cada vez mais o acirramento da disputa pelo mercado, além das dificuldades provocadas pelo engessamento patrocinado pelas regras da sua controladora, a ANS - Agência Nacional de Saúde. Estas causas levaram muitos profissionais a migrarem em busca de uma melhor e necessária alternativa de remuneração. Este cenário torna muito claro que o crescimento regular de pacientes pela procura da assistências não acompanhou o grande crescimento da oferta patrocinada pelos muitos profissionais da saúde. Desta maneira, na minha visão, é este o imbróglio de causas que reveste este ramo de atividade, comprometendo e tornando duvidoso o status de promissor para o mercado na área do laboratório de análises clínicas ou de qualquer outro tipo de realização de exame.

JLPolítica - Juntos, por essas clínicas e pelo Hospital Primavera, quantos empregos diretos são gerados em Sergipe?
WO -
Estes números estão ligados a um departamento da nossa empresa pelo qual tenho pouco aptidão, que é a área de Gestão de Pessoas - RH.  Suponho que geramos, de maneira direta, em torno de 1,5 mil postos de trabalho. Nossa atividade leva também à criação de um bom número de empregos indiretos, à exemplo de fornecedores de material, segurança e higienização. Tal demanda provoca-me permanentemente um sentimento de muita responsabilização junto a estas pessoas. Gera-me também muita satisfação.

111d3a379815c7e4
A turma de estudantes de medicina da UFS no começo dos anos 1970 da qual Wagner Oliveira fazia parte

DA DÍFICIL REMUNERAÇÃO FEITA PELO SUS
“Não mantemos atualmente nenhum vínculo com o SUS, embora já o tivemos há anos. Na época atendíamos este convênio em todas as nossas unidades em alguns bairros fora da área central de Aracaju e em Itabaiana. O SUS passou a manter congelada sua tabela por muitos anos, o que nos motivou a suspender”

JLPolítica - Quantos exames as suas seis clínicas de análises conseguem fazer por mês?
WO -
Estes números, suas mensurações e comparações, ficam sempre sob os cuidados da nossa Diretoria Comercial. São muitos, até porque não são contabilizados pelo número de pacientes atendidos. Digo melhor: um mesmo paciente pode realizar mais que uma dezena de exames, à exemplo de sumário de urina, hemograma, raio-x, eletrocardiograma e ultrassom. Só aqui contam-se seis exames em um mesmo paciente.

JLPolítica - O senhor tem uma relação zero com o SUS?
WO -
Não mantemos atualmente nenhum vínculo com o SUS, embora já o tive há muitos anos. Na época atendíamos este convênio em todas as nossas unidades localizadas em bairros fora da área central de Aracaju e na cidade de Itabaiana. Por razões estratégicas governamentais, o SUS passou a manter congelada sua tabela de preços por muitos anos, o que nos motivou a suspender o atendimento e a mudar o modo de a dinâmica da assistência que oferecemos aos nossos pacientes nestas unidades.

JLPolítica - Qual é o seu conceito do SUS?
WO -
O meu conceito sobre o SUS é de admiração. Olhando-se o propósito do SUS, implantado em um país com as características econômicas e a diversidade deste nosso Brasil, além das suas dimensões continentais e da enorme população, vê-se que é algo fantástico. Infelizmente, muitos têm uma visão distorcida sobre este sistema, até porque não prestam a devida atenção ao significado desta assistência. Trata-se o SUS - Sistema Único de Saúde - de um gigantesco plano de saúde que atende gratuitamente - ressalto, gratuitamente -, a mais de 150 milhões de brasileiros. Quase três vezes a população inglesa. 

F84e131bdad76de8
"Sem dúvida, o Hospital Primavera hoje atende aquilo que planejei", pontua

DAS VIRTUDES QUE IDENTIFICA NO SUS
“Meu conceito sobre o SUS é de admiração. Olhando seu propósito em um país com características econômicas diversas, dimensões continentais e populacionais do Brasil, vê-se que é algo fantástico. Trata-se de um enorme “plano de saúde” que atende gratuitamente mais de 150 milhões de brasileiros. Mas muitos têm uma visão distorcida sobre este sistema”

JLPolítica – Então o senhor considera um projeto público acertado?
WO -
Sim. É fruto de um projeto corajoso e, com certa ênfase, feliz, e que exigiu muita determinação de quem o criou e mantem-se pedindo muita determinação dos seus atuais gestores. Na sua proposta, espelhou-se também no sistema de saúde inglês NHS - National Healtly Service -, uma das referências mundiais em saúde pública. Ao comparar, obviamente tem que se considerar, muito especialmente neste aspecto, todas as diferenças, algumas enormes, que existem entre o Brasil e a Inglaterra. Veja um bom exemplo do que é SUS: há uns cinco meses um jovem de 24 anos, que eu conheço, teve um acidente com sua moto na região do Mosqueiro. Chamado, imediatamente o Samu o transportou para o Huse. Lá, fez um procedimento cirúrgico no pé e perna direta, tendo alta no mesmo dia. Nos dias seguintes, fez curativos e recebeu a medicação em um posto de saúde na mesma região. Tudo isto à custo zero. Naturalmente esta não é sempre a regra, entretanto impressiona que a quase totalidade dos transplantes de órgãos, cirurgias cardíacas, tratamento emergencial de traumas e diversos outros procedimentos no Brasil sejam realizados gratuitamente pelo SUS.

JLPolítica - A chegada da pandemia do coronavírus ao Brasil e a Sergipe pega o Hospital Primavera no contraponto? Ele estava preparado para essa realidade?
WO -
O mundo não estava preparado e ainda não se adequou a esta realidade, que é a pandemia pela Covid-19. Ainda estamos atordoados e de joelhos frente a este novo organismo. Sequer sabemos tratar, convenientemente, daquilo que provoca os seus sintomas. Há muita tentativa e diferentes respostas frente a este vírus. Naturalmente os hospitais tiveram e têm tido dificuldades no manejo da doença, mas o Primavera, enquanto um hospital bem equipado e sustentado por uma competente equipe de médicos, enfermeiros e profissionais outros, tem conseguido atravessar esta infecção com muito sucesso. As equipes souberam transformar suas preocupações e temores em força e em vontade de fazer o melhor. Com muita coesão. Impressiona-me e me toca a união entre todos em qualquer nível. O sucesso dos tratamentos oferecidos pelos nossos médicos é uma prova incontestável deste fato. Curamos todos os pacientes, inclusive diversos que nos procuraram com a doença muito agravada.

JLPolítica - Houve demanda até hoje para os contêineres que foram montados à margem do hospital?
WO -
Sem dúvida. Têm sido muito procurados. Diria que a rápida implantação daqueles contêineres foi uma ideia bastante original dos nossos diretores. Suas estruturas foram posicionadas e preparadas de maneira que tornou-se bastante efetiva a utilização. Pacientes que estão nos seus interiores sentem-se em um ambiente bastante agradável, graças as suas decorações, aos condicionado de ar e a instalação de energia e água, além de gases medicinais. Com isto, separamos, com muita segurança, os pacientes que procuram a nossa Emergência 24, recebendo diretamente nestes contêineres aqueles pacientes com suspeita de Covid e aqueles com outros sintomas são orientados diretamente para um outro local da nossa emergência. Não há contato entre eles.

7d637406b14d9ec8
Ele é filho de Edinaldo Gomes de Oliveira e de Janice Bravo de Oliveira, ambos falecidos

EFICÁCIA DOS CONTÊINERES PARA O CORONAVÍRUS
“Têm sido muito procurados. Diria que a implantação daqueles foi uma ideia bastante original. Suas estruturas foram posicionadas e preparadas de maneira que tornou-se bastante efetiva sua utilização. Pacientes que estão no interior desses contêineres sentem-se em um ambiente bastante agradável, graças às decorações e condicionadores”

JLPolítica - Como o senhor enfrenta a realidade da pandemia do coronavírus?
WO -
Desde 13 de março estou com a esposa isolado em nossa chácara, às margens do rio Vaza Barris, região da Matapuã. Temos tido dias bastante ocupados neste trabalho em regime de home office. Cotidianamente nos mantemos até a noite trabalhando entre calls’, videoconferências, WhatsApp e ligações telefônicas. Nesta condição, procuramos também nos oferecer o maior nível possível de conforto e segurança, buscando atravessar da melhor maneira estes tempos tão esdrúxulos. E assim temos conseguido. Um dia, creio, isso passa!

JLPolítica - O senhor emprega parentes em suas empresas?
WO -
Minha esposa, Ana Cecília, e meu filho mais velho, Luiz Neto - pai de três dos meus sete netos, por sinal trigêmeos -, participam junto com a Diretoria e o corpo gerencial da administração da empresa. Minha segunda filha, Glenda, trabalha em uma atividade voltada a um tipo de comércio, administrando também seus três filhos, meus netos já adolescentes. Meus outros filhos – três -, têm também atividades fora da empresa.

JLPolítica - Como empreendedor, o senhor tem acompanhado a formação de mão de obra na esfera da medicina e da enfermagem em Sergipe pelas instituições que tem cursos na área?
WO -
Sem dúvida. Entretanto faço este acompanhamento através dos olhos dos nossos diretores, superintendente assistencial e da Gerência de Gestão de Pessoas - RH. O nosso mercado, por estar ainda em amadurecimento, nos apresenta muitas dificuldades neste nosso segmento. Entretanto, internamente, dentro da empresa, procuramos capacitar e evoluir permanentemente os nossos colaboradores. Para isto, temos o NEP - Núcleo de Educação Permanente -, voltado à enfermagem e criamos o CEP – Centro de Ensino e Pesquisa -, que se tornará com o passar dos anos uma importante ferramenta para preparar e atualizar nossas equipes, inclusive médicos. Este ano iniciamos também com a residência médica no hospital, o que também obriga nossas equipes a se manterem atualizadas para cuidar destes jovens médicos que chegam.

82032f52f4afdf70
Aqui, o médico obstetra Wagner Oliveira quando atuava na área. Hoje, ele faz partos de planejamentos, engenharias e tecnologias. É um gestor vocacionado do setor de saúde

DOS ESPINHOS PARA QUEM EMPREENDE NO PAÍS
“O Brasil é um país com muitas oportunidades. É pena que estas tantas oportunidades sejam obstaculizadas por uma crônica burocracia, por uma ótica distorcida da iniciativa privada pelas regras do Estado e por uma visão nem sempre incentivadora estabelecida no seio da população à expressão da riqueza, do lucro e do ganho”

JLPolítica - É fácil ser empreendedor no Brasil?
WO -
O Brasil é um país com muitas oportunidades. Mas sinto porque estas tantas oportunidades são obstaculizadas por uma crônica burocracia, por uma ótica distorcida da iniciativa privada pelas regras do Estado e por uma visão nem sempre incentivadora estabelecida no seio da população à expressão da riqueza, do lucro e do ganho. Alguns até torcem a cara quando se aponta um vencedor. Acho que tudo isto pode ser resumido em uma célebre frase, atribuída ao conhecido artista, ao maestro Tom Jobim, que diz que “o Brasil não é um país para amadores”.

JLPolítica - Entre Edinaldo e Janice, seus pais, de quem o senhor herda mais lições práticas para a vida e para o homem que o é hoje?
WO -
Eu diria que de ambos. Tive a felicidade de ter pais maravilhosos. Foram exemplares em tudo. Se completavam inclusive na orientação aos filhos. O meu pai, Edinaldo, tinha uma visão de mundo que permeava o social e dotada de grande humanismo. Ele a minha mãe Janice eram quase obsessivos nos seus aconselhamentos pela necessidade da busca por uma graduação universitária, que para eles deveria ser sempre conquistada pela excelência nos estudos e que estes se sedimentassem em mim como verdadeiros enquanto conhecimento. E aí dona Janice complementava com a sua cantiga diária sobre a importante necessidade do trabalho duro, amealhando recursos para suportar a família condignamente e, já na maturidade, atravessar com tranquilidade e dignidade os invernos da vida e os tempos que regem o seu ocaso. Nestes momentos eu ficava a pensar sempre no célebre fábula da Formiga e da Cigarra.

JLPolítica - O senhor se transformou no que eles queriam e planejaram, ou os frustrou?
WO -
Sem nunca fraquejar junto aos conceitos que eles me passaram, tenho como mantra todas as lições que meus pais escreveram, através de palavras, atitudes e gestos no livro da minha vida. Embora já estejam em uma outra dimensão, suas lições continuam sendo das mais brilhantes luzes que iluminam as estradas por onde eu caminho os meus passos ao largo da vida. Procuro transferir, ao máximo, este enorme patrimônio que recebi destes mus pais tão sábios para os meus cinco filhos.

D4661ab0ec355507
A casa do pai, rizicultor, em Propriá. Wagner é de 24 de março de 1951

TENDO OS PAIS COMO BÚSSOLA E NORTE
“Sem fraquejar dos seus conceitos, tenho como mantra todas as lições que meus pais escreveram através de palavras, atitudes e gestos no livro da minha vida. Embora já estejam em uma outra dimensão, suas lições continuam sendo das mais brilhantes luzes que iluminam os caminhos para onde conduzo os meus passos ao largo da vida”

JLPolítica - O senhor é pai de cinco filhos e avô de sete. É uma atitude de risco ter muitos filhos hoje em dia?
WO -
Claro. Mas sempre olho o mundo com uma visão muito positiva. Este mundo tem se tornado cada vez melhor para as pessoas viverem. O conforto, bens e serviços têm sido cada vez mais acessado pela população. O conhecimento também. O lado inverso desta prosperidade tem tornado muitas vezes penoso para os pais oferecerem estas conquistas aos seus filhos, que implicitamente as exigem. Os valores são altos, mesmo para a classe média, e o controle da prole, fora dos seus olhos, é quase sempre uma dura missão.

JLPolítica - Seus pais não são mais vivos e o senhor tem uma relação muito harmoniosa com os sogros Luciano e Maria Celi. Há aí uma espécie de busca pela compensação das ausências paternas?
WO -
Não. Em absoluto. Por razões óbvias, inclusive pelo anteriormente justificado, seria mentalmente impossível alguém que não fossem meus pais me provocar esta percepção. Tenho muito firme a presença deles na construção da minha história. No entanto, é mesmo incontestável a relação bastante harmoniosa e respeitosa que mantenho com os meus sogros, Dr. Luciano e D. Maria Celi. São insubstituíveis como sogros. São exemplares e desempenham com sobra os seus papéis no nosso contexto familiar. Não posso esquecer nunca que eles são gratas figuras na minha estrutura familiar. Deles brotou a minha dedicada esposa, Ana Cecília e, por via de consequência, três dos meus cinco filhos, Luciano Neto - que me deu mais um neto, o sétimo -, Wagner Júnior e Ana Celi. Quanto aos demais filhos, Luiz Neto e Glenda, além dos seus filhos, são acolhidos no seio da família dentro desta mesma percepção. Não existem hiatos.

JLPolítica – Qual é o papel de Ana Cecília na sua vida e na dos seus negócios?
WO -
Ela é quem manda (risos) e eu, prontamente, obedeço. Brincadeiras à parte, acho que amadurecemos ao longo da construção diária do nosso relacionamento, de maneira que, de forma permanente, dividimos entre nós nossas ideias. Soubemos fazer crescer no interior de cada um o respeito mútuo, inclusive no mundo dos negócios. Ela é polivalente enquanto administradora. Aprendeu a gostar da apaixonante atividade na área da saúde, assim como na área de negócios do nosso filho Wagner Júnior, o Minimercado Massimo, e mantém-se também bastante ativa enquanto vice-presidente da Construtora Celi, de propriedade de seu pai, Dr. Luciano Barreto. Ali, ela sempre divide opiniões com nosso filho mais velho, o engenheiro Luciano Neto, também bastante envolvido com os negócios da empresa do avô, desde que mostra-se com crescente competência na área financeira e nas discussões sobre o posicionamento estratégico da Construtora Celi no mercado.

969a10bdd1f006e0
O Hospital Privamera pratica a medicina com alta tecnologia

DO PAPEL DE ANA CECÍLIA NA FAMÍLIA
“É quem manda (risos) e eu obedeço. Brincadeiras à parte, acho que amadurecemos ao longo da construção diária do nosso relacionamento de maneira que, de forma permanente, dividimos nossas ideias um com o outro. Soubemos fazer crescer interiormente o respeito mútuo, inclusive no mundo dos negócios. Ela é polivalente enquanto administradora”

JLPolítica - Os seus amigos costumam dizer que o senhor se afina com um pensamento de centro, à direita, mas se dá bem com gente de esquerda. Como o senhor se sente nesta gangorra?
WO -
Embora eu tenha muitos amigos envolvidos na política, jamais pretendi vivê-la por dentro. Nunca pretendi candidatar-me a qualquer cargo político ou participar de qualquer grupo político ou mesmo ser parte de qualquer administração pública. Na juventude, participei de reuniões na Uses - União Sergipana dos Estudantes Secundaristas - instalada em um porão de um antigo prédio localizado na praça Teófilo Dantas - e fui por um período presidente - ou algo equivalente - do Cegas - Clube Estudantil de Geologia Amadorista de Sergipe, que revelava-se como uma corrente de estudantes secundaristas, defensora das nossas riquezas minerais, dentro da apologia à frase “O Brasil é nosso”. Mas tudo isto passou.

JLPolítica - Mas que país o senhor defende hoje?
WO -
É óbvio que hoje sou defensor de um estado mínimo, que ofereça uma ótima educação, saúde e segurança aos seus cidadãos e que tenha uma preocupada atuação na proteção daqueles mais fragilizados, inclusive em tentar recuperá-los para que se tornem autônimos e em condições de reposicionar-se na sociedade. Resumiria esta minha visão lembrando uma máxima que norteia o Instituto Luciano Barreto Júnior, instituição criada e mantida pela família da minha esposa, como forma de homenagear a memória do meu falecido cunhado, que lhe deu o nome, cujos pilares se baseiam na máxima defendida por ele: “não dê o peixe, dê a vara e ensine a pescar”.

JLPolítica - Para lhe formularem perguntas, o Portal JLPolítica convidou três pessoas que o senhor considera amigas e que lhe têm na mesma conta. Pela ordem de abordagem do Portal a elas, vão aqui as perguntas. Eduardo Amorim, médico e ex-senador: “Wagner, como é que você vê a saúde pública e privada em Sergipe? Você a vê falida, sem perspectiva, atrasada, sem investimento? A saúde em Sergipe é um paciente bom, ruim ou em coma”?
WO -
Realmente o Portal JLPolítica foi bastante assertivo nas suas escolhas. Sem dúvida, estou sendo perguntado por pessoas pelas quais tenho especial respeito e carinho, cada um deles exemplar naquilo a que se dedicam. Ao senador, caro colega e amigo Eduardo Amorim, digo que Sergipe é um Estado de gigantes em muitas das suas vertentes e a saúde neste Estado é tratada com muita responsabilidade. Na área privada, ela é excelente. Temos diversas instituições exemplares e bem estabelecidas, inclusive, obedecendo as devidas proporções, nada devendo quando comparadas a muitas daquelas que fazem parte do naipe das melhores no cenário da saúde em nosso país. Ainda nesta área, a particular, também labutam nela médicos e diversos outros profissionais com o mais elevado conhecimento, a exemplo do autor desta questão, o anestesista Dr. Eduardo Amorim. Ele, mesmo ausente das salas cirúrgicas, em função dos seus doze anos de irretocável vida parlamentar, voltou à prática da anestesiologia de maneira brilhante. Diria assim: “já reentrou fazendo gol”. Quanto a medicina no setor público, tenho menor percepção. Não a vivo. Mas possuo um firme conceito de que é oferecida à população uma assistência bastante aceitável, quando não muito boa ou ótima. Posso ouvir eventuais queixas neste segmento, mas não vejo crises. Todos, no seu tempo, são atendidos. Em resumo, diria que o usuário da saúde pública de Sergipe recebe uma assistência adequada às suas necessidades. Lembro, porém, que não vivemos em uma Noruega ou Inglaterra.

Bc39b92e848a95e5
Com Ana Cecília, é pai de Luciano Franco Barreto Neto, 24 anos, Carlos Wagner Bravo de Oliveira Júnior, 22, e de Ana Celi Teixeira Barreto de Oliveira

DAS ATITUDES QUE LEVAM EM CONTA O OUTRO
“Desde a infância meus pais me orientaram, e eu aprendi, a sempre permear os meus projetos e as minhas atitudes na preocupação com o “outro”. O respeito e a consideração são tônicas do meu cotidiano. Sou um homem sem definição religiosa, entretanto não sou um “sepulcro caiado”. Tenho sempre atitudes humanizadas e que certamente também se expressam espiritualizadas”

JLPolítica - Carlos Ayres Britto, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal: “Wagner, você sempre administrou o seu conhecimento das coisas com preocupação social. Eu lhe pergunto: essa dimensão espiritual e ao mesmo tempo cívica constitui para você uma razão de viver?”
WO -
Lisonjeia e honra-me ser perguntado pelo conterrâneo e velho amigo, ex-ministro e ex-presidente do STF, Carlos Ayres de Britto, estrela das mais brilhantes entre todas que iluminam o céu do direito no Brasil. Tenho a felicidade de conhecê-lo desde a minha infância. Filho do Dr. Britinho e de D. Dalva, nascemos na mesma cidade, Propriá, e morávamos na rua Serapião Aguiar, em casas que quase se confrontavam. Enfim, respondendo à sua pergunta, sensível e inteligente, como sempre, dir-lhe-ia que, sem dúvidas, sim! Lembrei-me agora do capítulo 13 do livro de Coríntios, versículo 1 e 2, que resume-se na frase “se eu não tivesse amor, nada seria”. Desde a minha infância meus pais me orientaram, e eu aprendi, a sempre permear os meus projetos e as minhas atitudes na preocupação com o “outro”. O respeito e a consideração são tônicas do meu cotidiano. Sou um homem sem definição religiosa, entretanto não sou um sepulcro caiado. Tenho sempre atitudes humanizadas e que certamente também se expressam espiritualizadas. Faz-me feliz me auto perceber desta maneira, permanentemente impregnado destes conceitos na alma. Realiza-me sobremaneira e torna a minha vida muito melhor, porque assim posso sentir que ao fazer estou servindo dentro da sua maneira mais genuína.

JLPolítica - Francisco Sales Barbosa, empresário e vizinho de apartamento: “Wagner, qual é o seu projeto de vida para depois que passar essa pandemia?”
WO -
Está aqui o querido amigo Sales, um herói da vida, meu estimado companheiro de caminhadas matinais no Parque da Sementeira. Respondendo-lhe, Sales, digo que pretendo continuar buscando oferecer sempre o melhor para a sociedade, dentro dos meus propósitos, e neste contexto realizando sempre com mãos que têm a energia da determinação e os melhores instrumentos -Hospital Primavera, Clínicas Diagnose e Clínicas Policlin. Com estas forças, posso continuar a fazer muito bem as pessoas.

JLPolítica - O senhor faria tudo do mesmo jeito ou recomeçaria de uma outra forma se tivesse de resetar e reiniciar?
WO -
A vida é feita de acertos e erros. De maneira particular, sou muito grato por tudo que alcancei. Aliás, muito mais que aquilo planejado para mim. Sou grato também por ter conseguido corrigir meus rumos aonde se fez necessário. Sim, eu repetiria tudo novamente.

Bb77388d2e33cc05
O pai Edinaldo e mãe Janice, de Propriá, escreveram boas lições de princípios no livro que ainda hoje Wagner Oliveira carrega e folheia como um mantra