Complexo de termelétrica levará Sergipe longe

Negócios envolvem cerca de R$ 5 bilhões, obras já estão em ação e tudo deve funcionar a partir de 2020

Por Tanuza Oliveira
16 mar 2017, 09h46

Em tempos de crise, o Governo de Sergipe tem se empenhado para continuar atraindo investidores. E usa uma expertise do Estado para isso: a vocação para gerar e exportar energia. O novo projeto, uma termelétrica de grande porte, já tem endereço certo – o município de Barra dos Coqueiros – e investimento de mais de R$ 5 bilhões.

De acordo com José de Oliveira Júnior, assessor de Política de Desenvolvimento do Governo de Sergipe, a usina gerará 1.500 megawatts, o que seria capaz de abastecer 15% da demanda energética de toda a Região Nordeste. Para isso, usará o gás como matéria-prima.

“Essa produção de energia vai acontecer a partir da produção de gás, que aciona as turbinas, produzidas através de uma das tecnologias mais eficientes do mundo”, explica Oliveira Júnior.

Segundo ele, em termos comparativos, a nova termelétrica irá produzir cerca de metade de toda a energia que a hidrelétrica de Xingó é capaz de gerar quando opera com toda a sua capacidade.

E o que isso significa? “A possibilidade de Sergipe se consolidar enquanto produtor e exportador de energia e, em segundo lugar, atrair empreendimentos industriais”, resume o assessor.

Mas, para além disso, o novo projeto representa também, e sobretudo, uma garantia, já que, por ser um produto caro e essencial, é fator decisivo para toda uma cadeia produtiva. “Ter esse domínio é absolutamente estratégico”, assegura Oliveira Júnior.

Outro fator que amplia a relevância do projeto é o panorama atual da matriz energética, que aponta para a perda da capacidade de geração hidrelétrica na Região, com o Rio São Francisco perdendo sua força. “Não podemos mais contar com isso. Para o futuro, precisamos de alternativas. E o gás é a de maior volume”, justifica.

Vale lembrar que na mesma Barra dos Coqueiros já se tem a geração de energia eólica, com capacidade para 34 megawatts – bem aquém da termelétrica a ser implantada. Mas Oliveira Júnior diz que um projeto não exclui o outro. “Não são projetos excludentes. São complementares”, garante.

A instalação da termelétrica está na fase de início das obras de engenharia, com a conclusão da terraplanagem. Segundo Oliveira, contratualmente, a usina precisa operar a partir de 2020, mas a previsão é de que esteja concluída já em 2019.

“O pico de montagem da infraestrutura de energia ocorre a partir de janeiro”, revela. Essa produção, num primeiro momento, servirá para abastecer outros Estados, já que o próprio Sergipe, segundo Oliveira, “consome pouco, mas exporta muito”.