Déficit pode chegar a R$ 1,2 bi este ano

Segundo diretor do SergipePrevidência, José Roberto Lima, estabelecer idade e tempo mínimos de contribuição é mais do que necessário

Por Jozailto Lima
14 mar 2017, 09h22

Depois de o senador gaúcho Paulo Paim, PT, em entrevista exclusiva e esclarecedora ao JLPolítica na última semana, classificar a reforma da Previdência como um “precipício montado pelo senhor Temer” contra o povo brasileiro (leia aqui http://jlpolitica.com.br/sem-categoria/reforma-da-previdencia-ataca-a-poupanca-social-dos-brasileiros/) , o Portal traz uma informação surpreendente sobre um dos aspectos desse tema: só em Sergipe, o menor Estado da Federação, o déficit do setor foi de R$ 1 bilhão no ano passado.

E, segundo José Roberto Lima, diretor do SegipePrevidência, pode piorar este ano. “A previsão é de um déficit de R$ 1,2 bilhão”, revela José Roberto. O número, claro, é preocupante. E se justifica com um cálculo básico: enquanto a equação que poderia balizar a previdência é de 5 pessoas trabalhando para cada uma aposentada, em Sergipe, a proporção é bem diferente.

“Aqui, a proporção é 1 para 1 (ou seja, 1 aposentado para cada pessoa na ativa), bem inferior à desejada”, justifica o diretor, que acrescenta: “Esta proporção resulta inevitavelmente em um déficit financeiro que o Governo tem que aportar todos os anos e que é maior que os gastos em setores importantes, como, por exemplo, segurança pública”.

Por isso, José Roberto entende a questão da Previdência como um tema complexo e que necessita de amplo debate com a sociedade. “O modelo atual do ponto de vista de sustentabilidade financeira já não se sustenta mais. Como o Estado é responsável pelo pagamento das aposentadorias a que todos temos direito, ou há aumento de impostos, de contribuição dos ativos, ou, como é o caso de Sergipe, há uma transferência brutal de recursos do orçamento para cobrir as aposentadorias e pensões”, analisa.

Nesse contexto, ele acredita que estabelecer uma idade mínima para aposentadoria como também um tempo mínimo de contribuição se faz, sim, necessário, além de revisar certos critérios de concessão de pensão. “A sociedade tem que entender que ao final essa é uma conta que é paga por todos”.

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