José Carlos Machado e a cartada de JB

Por Jozailto Lima
31 jan 2017, 22h10
Foto: Sérgio Silva/Secom

Trazer José Carlos Machado, PSDB, para o PMDB atende a mais uma boa lógica do jogador Jackson Barreto na política sergipana. O governador tem uma mesa de jogo pré-armada para 2018. E é natural que o tenha.

Jackson Barreto quer fazer o sucessor dele no Governo de Sergipe e, possivelmente, carimbar seu próprio passaporte para o Senado, onde, ali sim, armaria rede e encerraria a carreira. Pretensões, identicamente, naturais. Se vai consegui-las, aí são outros quinhentos.

O político Jackson Barreto viu, com clarividência, que a sucessão do ano passado em Aracaju matou pela cepa um dos quatro grupos da política estadual sergipana, que foi o de João Alves. Para esse, não há a mínima chance de ressurreição.

Catar José Carlos Machado nos restos mortais deste grupo joãozista é jogada de mestre e pá de cal sobre o espólio de João – veja como o governador mexeu na eleição da Presidência da Câmara de Aracaju. Não que Machado seja essa coca-cola toda. Mas é, ou foi, o símbolo e a chancela do alvismo num tempo em que havia alvismo. E aí JB está corretíssimo.

Aos poucos, JB vai tecendo os fios para enredar seus insetos da política e sair por cima. Sabe a aranha política que traz consigo. Em si. Em seu DNA. Ao Governo, ele pode ir de Belivaldo Chagas, pode ir de Ricardo Franco ou pode ir de qualquer outro que o faça duplamente vitorioso em 2018 – para o Governo, para o Senado. Mas vamos repetir: se vai conseguir, aí são aqueles outros quinhentos.

Para tudo isso, JB usa, e não é inadvertidamente, José Carlos Machado e fica de longe, de beição estirado, olhando como se haverão de portar nesse contexto os senadores Antônio Carlos Valadares, PSB, e Eduardo Amorim, PSC, que, juntamente com ele, compõem agora os três grupos significativos da política estadual com a morte e a morte do nosso João Alves Berro D’Agua.

Mas será que Eduardo Amorim e Antônio Carlos Valadares darão liga para manter unificado um projeto político em comum em 2018? Há muitas dúvidas sobre as afinidades desses – em 2010, quando ambos disputaram o mesmo mandato de senador sob o mesmo guarda-chuva de JB e de Déda, saiu faísca. Um é leve por demais; o outro, coronel em demasia – raposo, ladino, um bom-pensante das possibilidades e dos lances políticos, mas, por vezes, irascível. É escasso em transigência.

Quanto ao duplo plano pessoal de JB, só um lembrete a mais: em 2018 haverá a eleição de dois senadores. Valadares já disse que não se interessa por uma vaga que lhe daria, se eleito, um seu quarto mandato – e um recorde que nenhum outro sergipano jamais atingiu.

Difícil, hoje, é achar que JB não quereria uma dessas vagas. Mas convém, em nome do raciocínio lógico e da precisão, separar o seu “bom desempenho” na sucessão de Aracaju do ano passado, quando elegeu Edvaldo Nogueira, de uma eleição de âmbito estadual. Porque as coisas haverão de ser diferentes, com ou sem o espólio de João Alves. (Publicado no meu Facebook no dia 3 de janeiro de 2017).