No 8 de Março, sergipanas irão às ruas contra fim da aposentadoria

Por Niúra Belfort
03 mar 2017, 11h47

O Dia Internacional da Mulher – 8 de Março – será lembrado, em Aracaju, em um ato com o tema “Aposentadoria fica, Temer sai – Pela Vida das Mulheres!”, promovido pela União Brasileira de Mulheres – UBM-SE -, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB-SE -, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado – Fetase – e União da Juventude Socialista – UJS. As sergipanas participarão de uma aula pública no auditório do Sindicato dos Bancários de Sergipe – SEEB-SE -, às 8 horas, e, em seguida, sairão em caminhada pelas principais ruas do Centro comercial da capital até à Praça General Valadão.

“A reforma da Previdência do governo Temer atinge mais as mulheres. Ela amplia a jornada de trabalho no campo e na cidade, e aumenta a idade para aposentadoria. Precisamos dizer não ao fim da aposentadoria”, afirma Maria de Lourdes Pereira, integrante da coordenação da UBM-SE. Para ela, está claro que o Governo Temer quer acabar com a aposentadoria a que as trabalhadoras e os trabalhadores rurais e urbanos têm direito.

Por isso, as direções das entidades optaram pela realização de um aula pública sobre os aspectos jurídicos da Reforma da Previdência e o impacto dessa na vida da mulher e da jovem do campo e da cidade. Segundo Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB Nacional e presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe, a reforma é uma agressão violenta aos direitos da mulher.

“Violenta com requintes de crueldade. Nós, mulheres sindicalistas, temos que compreender que a tarefa de denunciar esse caráter da reforma é tão importante quanto à luta sindical diária. É uma luta pelo direito à vida, à dignidade no trabalho, à aposentadoria”, salienta. A secretária da CTB Nacional enfatiza que o governo quer que a mulher tenha igualdade com o homem na aposentadoria, mas, ao longo da história, essa mesma mulher é tratada desigualmente pela sociedade. “Recebe menos que os homens quando desempenha a mesma função e trabalha muito mais”, diz.

Além da reforma da Previdência, outros temas serão debatidos na aula pública, a exemplo da questão da violência contra a mulher e a importância da participação da mulher na política e no sindicato. Entre os palestrantes estão os advogados Valdilene Martins e Thiago D’Ávila Fernandes Fontes. Maria de Lourdes, da UBM, enfatiza que a violência contra a mulher está banalizada e, ao invés de combatê-la, o governo desmontou o ministério que produzia as políticas públicas para as mulheres.

“Nós ainda vivemos em uma sociedade machista, patriarcal e conservadora e, apesar de sermos maioria, não temos esse reconhecimento. Portanto, devemos nos posicionar de forma clara contra essa reforma que penaliza as trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Vamos dizer não à redução de recursos para a saúde e a educação; não ao machismo, à homofobia e à violência contra a mulher”, enfatiza.