EM SERGIPE

Peemedebista diz que banqueiros financiaram Michel Temer

Senador veio ao Estado para evento de bancários, a 19ª Conferência Interestadual dos Bancários da Bahia e Sergipe

Por Portal Infonet
15 jul 2017, 12h09

O senador Roberto Requião (PMDB/PR) se tornou uma das estrelas partidárias por se posicionar contrário à reforma trabalhista e ser um contundente crítico da ascensão do correligionário Michel Temer à Presidência do Brasil. E, nesta condição, o senador desembarcou em solo sergipano para ser um dos palestrantes da 19ª Conferência Interestadual dos Bancários da Bahia e Sergipe, e, como palestrante, abordar a temática ‘A defesa de um projeto nacional de desenvolvimento’, evento que acontece neste fim de semana promovido pelo Sindicato dos Bancários.

Em coletiva concedida na sexta-feira, 14, à imprensa sergipana, o senador, que já foi governador do Paraná, confirmou que teve em seus quadros, na condição de chefe de gabinete, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, preso no início do mês de junho acusado de receber propina da JBS, que teria sido acertado para valer durante o período de 20 anos, conforme revelações feitas pelo próprio dono da JBS, Jesley Batista. “É um menino rico, um coxinha , um mauricinho, mas é um menino educado”, conceituou. Mas garante que desconhece este perfil do ex-aliado. “Nunca soube do desvio de conduta do Rodrigo. Quando vi na televisão Rodriguinho sair com a mala da pizzaria Camelo imaginei: ‘não , esse menino deve ter ficado amigo do Dória, prefeito de São Paulo. O Dória pediu uma pizza e ele deve estar correndo para a pizza não esfriar. Eu nunca pude imaginar que tivesse R$ 500 mil ali”, disse Requião.

Assim como conhece Loures, Requião se declarou íntimo do presidente Michel Temer por integrar os quadros da mesma sigla partidária e garantiu que a ascensão dele à Presidência da República é consequência de entendimentos feitos pelo próprio Michel Temer com banqueiros financiadores eleitorais. “Conheço Temer porque sou do PMDB ele nunca falou em precarizar o trabalho, nunca falou em entregar o petróleo, nunca falou em entregar a base de Alcântara aos Estados Unidos, nunca falou em limitar garantias trabalhistas da CLT, mas ele fez um negócio”, observou.

Negociata que teria lhe rendido o prêmio maior da política brasileira: comandar o destino do Brasil. “Temer foi financiado por um grupo de interesses. Ele queria ser presidente da República, levar Marcela [Temer, a esposa do presidente] para o Palácio do Planalto. Ele não sabe o que está fazendo lá”, ironizou.

Além das críticas diretas ao presidente, Requião também condenou o Poder Judiciário e seus órgãos auxiliares, que, em sua ótica, se transformaram em instituições corporativistas. Pelo olhar jurídico, Requião não vê motivos para o juiz Sérgio Moro condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O triplex é de propriedade da OAS, penhorado pela Caixa Econômica e assim está até hoje, não há materialidade do crime, não há corpo do delito. Do ponto de vista jurídico, é rigorosamente impossível a condenação”, enalteceu. “Claro que a OAS iria dar de presente o triplex ao Lula, mas se ele ia aceitar ou não, não sei”, conjecturou.

PMDB

Requião só vê saída para o Brasil por meio de uma mobilização nacional, que já está se construindo em Brasília a partir da criação da Frente Mista em Defesa da Soberania Nacional, no âmbito do Congresso Nacional. Mas o senador tem convicção que o presidente Temer tem sustentação política dentro do PMDB. “Porque no PMDB não existe democracia interna, o PMDB é uma federação, somos desligados, somos cartórios eleitorais”, comentou.

Na entrevista, o senador não falou sobre o futuro partidário, diante do divisionismo, declarou-se militante e garantiu que não tem origem no partido o Projeto Ponte para o Futuro, defendido pela base aliada que destaca o processo de privatização de empresas públicas e as reformas trabalhistas e previdenciárias. “Eu contestei o projeto, disse que era um projeto suicida e os 17 Estados presentes rejeitaram o projeto porque era absolutamente irracional. Não é um projeto do PMDB”, comentou, referindo-se ao momento que o projeto foi apresentado aos correligionários.

O senador reconhece a falta de representação operária no Congresso Nacional e disse que faltou ao PT um projeto de sustentabilidade. “Os banqueiros ganharam com o nosso governo, e não conseguimos construir uma economia sustentável que gerasse emprego. O governo foi extraordinário, mas faltou o raio do projeto”, emendou.