“A luta do bode de Edvaldo Nogueira contra a Maldição do Cacique Serigy”

Por Gilton Lobo
06 abr 2017, 19h01

O CACIQUE SERIGY – Muitos já sabem. Lá pelos anos finais do século XVI, o Cacique Serigy comandava seu povo que vivia entre os atuais rios Vaza-Barris e Sergipe. Serigy, além de guerreiro, era líder incontestável nesse espaço territorial sergipano. Mantinha relações de trocas de mercadorias com os piratas franceses, que forneciam armas de fogo a Serigy, com o intuito de impedir a ocupação portuguesa da região.
E o cacique não estava para brincadeira. Para derrotar o chefe indígena, foi necessário que Portugal formasse uma esquadra de guerra, a mando do rei Filipe II, que na época comandava Portugal e Espanha. As tropas portuguesas, sob o comando de Cristóvão de Barros, praticamente dizimaram quase toda a tribo, executando e prendendo milhares de índios, porém os custos e as baixas portuguesas foram acentuadas.
Alguns defendem que o próprio Cristóvão de Barros desejava evitar os confrontos sangrentos, negociando com Serigy a permissão dele para a fundação de uma cidade portuguesa às margens do Rio Sergipe, com a consequente colonização. Serigy teria rejeitado o acordo, porque, para ele, colonização significava escravização de seu povo. Assim, em janeiro de 1590, após quase um mês de batalha desigual, porém sangrenta, deixou de existir a tribo que realmente soube se impor contra o colonizador português.

A MALDIÇÃO DO CACIQUE – A lenda diz que, antes de tombar, Serigy teria lançado uma maldição sobre o território que comandara e o povo que ficaria sob o juízo dos novos comandantes estrangeiros. Traduzindo: o cacique implorou a seus deuses que nunca deixassem prosperar qualquer empreitada dos governantes, que sucumbissem quaisquer manifestações de prosperidade na sua região – região esta que, para ser mais exato, coincide com a de Aracaju.
Acontece que a colônia e o império se foram, os comandantes portugueses e espanhóis se foram, Sergipe e Aracaju são governados pelos seus próprios comandantes, os tempos são outros, o povo é outro, tudo está diferente e, segundo dizem, tudo passou. Menos uma coisa: a maldição do Cacique Serigy.

O BODE REDENTOR – Também diz a lenda que foi Zé de Florêncio, caboclo nascido e criado em Aracaju, no bairro do Aribé, violeiro de herança de pai e avô, pouco conhecido, mas muito talentoso, de talento que se pode comparar com o de Jackson do Pandeiro e que com este manteve amizade e parceria lá pelas bandas de Pernambuco, conhecido também como Florencinho, que anunciou a profecia do Bode.
Ainda pelo que reza o dito popular, Zé de Florêncio, sabendo-se vítima da maldição do Cacique, agora em seu leito de morte, doente pelo que fora acometido por uma tuberculose impiedosa, angustiado pelo fato de nunca ter sido famoso e bem sucedido como merecia, profetizou o surgimento do Bode.
O Bode nasceria em um dos cantos entre os rios Vaza-barris e Sergipe, seria primeiro em carne e osso, perpetuando-se depois em espírito, com a missão de combater a maldição do Cacique Serigy. A luta seria intensa, Maldição versus Bode. Este último que se faria bem junto, quase encarnado, a um dos governantes da região.

EDVALDO NOGUEIRA E O BODE – Eu, há décadas sabendo das promissoras lendas – Maldição do Cacique e Bode Redentor -, e acreditando nelas, sempre esperei por esse governante, o que seria quase encarnado pelo espírito do Bode, o que enfrentaria e sofreria a maledicência da praga lançada por Serigy. Quem seria o dito cujo governante que seria o afiliado ao barbicha de quatro patas?
Foi nos tempos dessa última campanha para prefeito de Aracaju que gritei “eureca”. Eureca! Mil vezes eureca! Descobri. É ele. Lá vai ele, ali, no vidro traseiro de um carro. Ele, o encarnado do Bode. É ele sim…! Como eu não tinha percebido antes? É ele. Ele é o Bode. O Bode é Edivaldo e Edivaldo é o Bode.
A primeira luz sobre a questão bodeana me veio, confesso, pela aparência. Ali, no parabrisa do carro, de sorriso estampado, estava ele, Edivaldo, o barbicha candidato, o Bode encarnado, cara de Edivaldo, focinho de Bode, um se confunde com o outro. O Bode comunista, o Bode prefeito, o Bode condenado a enfrentar a maldição do Cacique. Só podia ser ele. Edivaldo era o comandante anunciado por Zé de Florêncio para ser o Bode encarnado.
Num segundo momento, com mais tempo para a reflexão, reforcei minhas suspeitas. Ao dito cujo, sempre caíram algumas agruras incomuns. Uma delas, presenciei. Estava presente na inauguração da segunda etapa do Calçadão da 13 de Julho, aquela que fica depois do caju da ponte da Coroa do Meio. Ouvi, quando alguém que estava ao meu lado, após o marco inaugurativo e os aplausos do público, manifestar seu contentamento pela obra inaugurada: “Déda é um grande governador, sempre fazendo mais!”.
Não sendo contrário ao que disse o entusiasmado cidadão sobre Déda, mas a obra ali inaugurada pertencia à gestão do prefeito Edivaldo Nogueira, este que sempre teve a iniciativa de suas obras públicas designadas ao saudoso Marcelo Déda. Que coisa, né? Praga do Cacique.
Numa perspectiva mais atual, o prefeito Edivaldo Nogueira se lançou numa empreitada quase impossível. Mesmo recebendo a Prefeitura numa situação financeira calamitosa, com uma dívida estratosférica e salários atrasados, quis o Encarnado pelo Bode resolver a questão salarial. E assim fez.
Está pagando salários em dia e ofereceu aos servidores que retirassem o vencimento de dezembro no banco, que a prefeitura se responsabilizaria em pagar ao banco. Aí, o pau quebrou. Os médicos, por exemplo, que não moveram uma palha diante dos atrasos da gestão anterior, deflagraram a maior greve de todos os tempos contra a gestão municipal. Oxente! Praga do Cacique.
A questão do lixo é outra que me causa suspeita sobre a veracidade da Maldição de Serigy. A prefeitura quis consertar um contrato mal feito com empresa de recolhimento de lixo da gestão anterior, fazendo outro contrato de maneira correta, com mais serviços contratados, evidentemente mais custoso. O que seria bom virou um inferno, e a oposição se aproveitou para criar uma celeuma e ameaçou até constituir uma CPI do lixo. Cruzes. Mais um gol do Cacique Serigy.
Assim, concluo: Edvaldo Nogueira que se prepare, pois ele é a encarnação do Bode, pela cara e pelos fatos, e terá que enfrentar a Maldição do Cacique Serigy. Que Deus nos ajude, não sobre farpas dessa briga de cachorro grande.
Para terminar, somente um recadinho para o PC do B. Favor não colocar na mesma ilustração os rostinhos de Edivaldo Nogueira e do vereador Bittencourt. Os dois são incomensuravelmente “fracos de feição”, feios pra caramba. Os dois juntos não fazem um cartaz de propaganda política. Fazem um cartaz de filme de terror. Assim ninguém aguenta!

Próximo domingo
Próximo domingo, comentarei sobre “O céu é um hotel 5 estrelas”. Até lá.