INDIFERENÇA

Mudez do prefeito Padre Inaldo afronta Socorro

Ele tomou posse no dia 1º de janeiro e se trancou glacialmente num gabinete. Como um deprimido do poder, não fala com ninguém

Por Jozailto Lima
14 jul 2017, 11h36

A segunda maior cidade de Sergipe, Nossa Senhora do Socorro, parece órfã de prefeito. Pelo menos para a interlocução com a sociedade, com a classe política e com a comunicação social, ela é plenamente abandonada.

O cidadão Inaldo Luis da Silva, 47 anos, conhecido como Padre Inaldo, PC do B, que se fez prefeito no ano passado, com 35.190 votos – ou 73,12% dos válidos – contra os 12.276 votos do Dr Samuel, o segundo colocado, desfila como quem não tem noção do papel que lhe cabe como gestor público.

Com 180 mil habitantes, quase o dobro das históricas Lagarto e Itabaiana, individualmente, Socorro pede para ser gerida por um prefeito com maior brilho nos olhos. Com maior vontade de interlocução.

DA AFRONTA
Mas Padre Inaldo rema contra este tipo de pedido e de necessidade: tomou posse no dia 1º de janeiro e se trancou glacialmente num gabinete. Como um deprimido do poder, não fala com ninguém. Não dá entrevistas e ainda cultua a imagem de quem trata o povo, os secretários e os vereadores aos pontapés.

O Governo de Socorro fez um organizadíssimo São Pedro este ano, mas ninguém leu uma única linha de fala dele sobre o assunto e não ouviu uma mínima sonora de TV ou entrevista de rádio.

Aos que buscam interlocução com o padre prefeito, Inaldo contempla com um estrondoso silêncio. E nem lhe falta apoio para ser diferente disso: ele tem como secretário de Comunicação um sujeito bastante palatável e capaz, o jornalista Renato Nogueira.
Ademais, padre é padre, e isso quer dizer muito: fez Teologia até chegar à ordenação e nos anos em que se dedicou ao sacerdócio imprecou muitos sermões, lidou com muita gente, falou com Deus e o diabo, fez duas campanhas de prefeito e uma de deputado estadual da qual saiu vitorioso em 2014.

De onde viria, enfim, tanta afazia, tanto silêncio e tanta quase misantropia deste alagoano? Quem sabe responder? Será que ele se convenceu de que quer ser um prefeito temporão, de um só mandato?

Mesmo que seja assim, irmão Inaldo, por dever de respeito à segunda maior comunidade sergipana, é preciso que se ouça o filete da sua voz. E aí?

Inaldo Luis da Silva: que silêncio mais ensurdecedor