JB situa melhor recursos do Proinveste e pede à bancada de Brasília por Sergipe

Por Jozailto Lima
16 fev 2017, 00h53

Mestre primeiro e depois herdeiro da tradição de um Marcelo Déda que se foi novo, Jackson Barreto, que não é lá um excelente orador, tem usado da palavra para travar a guerra com seus oponentes e manter de pé um Governo num tempo de extrema crise.

Claro que ele sempre foi dado ao palavrório forte, às vezes agressivo, que sempre “dançou de acordo coma ocasião”. Ontem, JB falou por cerca de uma hora na abertura do ano Legislativo da Alese e derramou sobre a plateia e os 22 deputados 44 mil caracteres de texto.

Para quem não é da área, um informe: essa quantidade pode preencher cinco páginas de jornais, a depender do tanto de fotografias. JB falava com a sede e a certeza de que esta é a penúltima vez que ele tem chance de se dirigir aos parlamentares numa retomada de ano de trabalho.

Mas foi sóbrio, como manda a circunstância. Na fala dele, uma prestação de contas dos dois anos, do uso dos recursos do Proinveste, uma certa continência, reverente e sem agressão, ao momento tenso em que está metido, simbolizado no bate-boca azedo com os senadores Valadares e Eduardo Amorim, e um dedal esperança ao futuro com elogios aos seus colaboradores.

No campo do Proinveste, JB deu uma notícia que os oposicionistas sempre quiserem saber mais amiudemente. “Em primeiro lugar, é preciso dizer que os recursos do Proinvest não foram liberados todo de uma vez. Dos R$ 428 milhões previstos inicialmente, nesta primeira etapa já foram liberados R$ 257 milhões, e desses, foram utilizados R$ 167 milhões”, disse.

E continuou: “Existem ainda duas cotas a serem liberadas posteriormente, uma de R$ 130 milhões e outra final de R$ 42 milhões. A previsão é de que até janeiro de 2019 esses recursos sejam totalmente aplicados nos diversos projetos”, disse.

E mexeu no tema-tabu entre ele e o senador Amorim: “Com a parte dos recursos que já chegaram, o Governo do Estado fez a terraplanagem do Hospital do Câncer, para dar as bases e poder edificar esse sonho que se tornará realidade a partir de amanhã”, disse. A partir de amanhã é hoje.

“A essa altura da minha vida não tenho o direito de cultivar egocentrismos ou vaidades pessoais, muito menos, de alimentar ilusões sobre o poder. Tenho, contudo, um sentimento forte e inarredável do dever e da responsabilidade de governar, de produzir resultados para Sergipe”, diz ele. E aí tenta trocar as pedras do dia a dia pelas flores das circunstâncias para estancar o furor entre ele e parte dos daqui em Brasília.

“Isso me faz ultrapassar animosidades, e até esquecer ofensas. Diante dos integrantes desta Casa, diante dos que ocupam essas galerias, quase reeditando o apelo dramático que em determinada circunstância a eloquência inigualável de Marcelo Déda produziu, do mesmo modo, guardadas as distâncias da virtuose oratória, faço, também, um apelo, desta vez, pela unidade da nossa bancada em Brasília, pela somação dos esforços de todos os representantes, no Senado e na Câmara, não para ajudar um governo, ou um eventual governante, mas, exclusivamente, em favor de Sergipe e do nosso povo”, diz. Será que se entenderão?

NOTA TRÊS PARA JB
Georgeo Passos leva ao pé da letra sua condição de deputado oposicionista na Alese. “Fala muito para não dizer nada. Por cordialidade, eu dou nota três”, foi assim que ele reagiu aos 44 mil caracteres do discurso de Jackson ontem no plenário da Alese, sob um calor de amolecer moleira de gente dura.

PESQUISA PADRÃO VEM AÍ
Assim que passe o carnaval, o Estado de Sergipe vai saber como é que estão pensando os sergipanos sobre as eleições do ano que bem. O Opinião Pesquisas e Marketing Ltda, comandado por Val Santana e um dos institutos mais confiáveis do Estado, vai pesquisar intenção de votos para Governo do Estado, Senado e Presidência da República. A sucessão de 2018 tem um grau de precocidade mais do que a de outros anos.

O TEATRO VAI A DÉDA
Será prestígio do homenageado, de Jorge Lins ou do teatro em si enquanto meio? O certo é que na noite de terça-feira o Teatro Atheneu quase ficou lotado para assistir à estreia da peça “Déda, história de uma geração”. Presentes, três dos quatro irmãos de Déda: Cláudio, Maria do Carmo e Selma. E gostaram do que viram.

O TEATRO VAI A DÉDA II
A coluna não viu por lá nenhum dos cinco filhos, nem Bel e nem Eliane Aquino, e nem Oliveira Júnior, que só andava encambitado com ele. Ah, Rivando Gois, que já foi Raul Seixas e quer ser Belchior, incorporou bem o gestuário do Déda maduro, com caras, bocas e tudo. O espetáculo tem algumas imaturidades, comuns a um grupo 67 atores em cena e em estreia. Jorge Lins promete fazer as devidas emendas e levá-lo às escolas. Tem apresentações hoje e amanhã.

AH, MEU CAMPEONATO DE CUSPE!
E não é que a Prefeitura Municipal de Lagarto inovou, desafiando as leis, e está promovendo um campeonato de jogos de azar? Mais precisamente, um Campeonato de Buraco. Isso mesmo: do carteado. Do nosso velho e bom baralho. Tudo com a chancela da Secretaria Municipal da Cultura, da Juventude e do Esporte, com convocação em banner de whatZaap pelo diretor de Juventude, Mharcyio (assim mesmo) Cruz. O torneio, com inscrição de R$ 40 e direito a dois jogadores e um reserva, teve início no último dia 10. A primeira fase vai até amanhã. Depois do Carnaval, realiza-se a segunda fase.

AFINAL, É CONTRAVENÇÃO?
Bom, o Mharcyio Cruz explica que o buraco é uma tradição visceral de todos os lagartenses – “aqui quando dá 18h está todo mundo da cidade jogando buraco”, diz -, e garante que vai ter prêmio e tudo: R$ 680 para o primeiro lugar e troféu e medalha para outras colocações. Mas dá um aviso importante: a Prefeitura não desembolsa nada. “Apenas cedemos espaço físico e logística”, diz o moço do nome bem-grafado. Mas será que um advogado criminalista aí pode acudir este jornalista: por acaso, o poder público promover jogos de azar em campeonato com prêmios contraria o Código Penal? Quem me diz o quê?

DOMINGUINHOS NÃO JOGA A TOALHA
Depois de quatro mandatos, e se sentindo meio que “exilado” pela perda da reeleição ano passado, o ex-vereador José Domingos Machado Soares, o Dominguinhos, de Estância, não joga a toalha. “Estou exilado pelo perda do mandato, mas politicamente vou tentar sobreviver. Recomeço por disputar a Presidência do PT de Estância em abril próximo”, diz ele. Dominguinhos não confirma, mas o que se diz em Estância é que ele quer se estruturar para em 2020 tentar a Prefeitura. “Eu só admito que penso em construir um projeto de cidade diferente” afirma.

PENSAR ESTÂNCIA DIFERENTEMENTE
Para Dominguinhos, pelas tradições de Estância no contexto cultural e econômico de Sergipe, os futuros gestores têm que pensá-la diferentemente. “Precisamos priorizar o meio ambiente, a cultura do povo, a relação direta com a população, valorizando a cultura da participação da juventude”, diz ele. Nesse renascer das cinzas, está iniciando um curso de Direito numa faculdade particular instalada na cidade.

SOLUÇÃO PARA A SECA
O deputado estadual Luciano Pimentel, PSB, recebeu nesta quarta-feira, 15 de fevereiro, em seu gabinete na Assembleia Legislativa, o superintendente do Dnocs em Sergipe, Anailton Ribeiro, acompanhado dos ex-prefeitos de Poço Verde, Toinho de Dorinha, e de Simão Dias, Zé Valadares.

SOLUÇÃO PARA A SECA II
Na pauta dos três, uma discussão em busca de soluções para os problemas relacionados aos municípios e aos recursos hídricos. “A seca que atinge Sergipe é uma das mais inclementes dos últimos quatro anos. Nós precisamos, com urgência, dar as mãos para encontrar soluções atenuantes”, diz o parlamentar. “Eu tenho certeza de que a chuva no campo segura o homem em seus espaços naturais e evita a migração dele para as grandes cidades e isso gera menos instabilidade urbana”, diz Luciano.

UUUUUUUUUUUUUUUUU!
O cantor Lula Ribeiro entrou de cabeça na rejeição ao projeto de lei de Emília Correia, que garante meia entrada em espetáculos para jornalistas, radialistas e publicitários em eventos e espetáculos aracajuanos. “Que ideia ridícula a dessa vereadora. Será que Aracaju está tão bem assim, que ela não precise elaborar projetos em favor da cidade? Vou estipular uma campanha contra essa babaquice” diz Lula. Apois.

ETC&TAL

@ No discurso de JB ontem na abertura dos trabalhos da Alese ele citou o nome da Deso quatro vezes. Nenhuma delas para falar em privatização.

@ “Em obras, a Deso completará este ano investimentos que totalizam R$ 1 bilhão”, disse o governador.

@ Ontem, na reabertura dos trabalhos da Asese, o deputado Luciano Pimentel foi muito indagado sobre a privatização da Deso. Em todas as ocasiões, disse ser contrário.

@ “No meu modo de ver as coisas, a Deso deveria era receber mais investimentos e ter melhor gestão. Se combatêssemos o desperdício e cobrássemos a dívida ativa dela, seria muito mais rentável e útil aos sergipanos”, disse o deputado.

  

@ No meio deste ano, o prédio sede da Alese completa 30 anos. Está acabado e pequeno para o tamanho e a importância do Poder Legislativo do Estado. Mas vá pensar em fazer um novo agora!?

@ O vice-presidente da OAB de Sergipe, Inácio Krauss, representou o presidente Henri Clay Andrade ontem na abertura do ano Legislativo da Alese ontem. 

@ Nada de passar o bastão para filho ou irmão. O deputado estadual Venâncio Fonseca diz que ano que vem tenta o sexto mandato.

  

@ E razão é a menos “convencida possível”: “Simplesmente porque o povo me quer”. E é, bunitinho!?

@ O senador Valadares tem demonstrado segura convicção de que a Deso não deve ser privatizada. Quando Sérgio Passos, presidente do Sindisan, deu entrevista aqui condenando a venda, ele se solidarizou. Fez comentários no seu tuíte.

@ Ontem, ele reagiu no Senado. “Em meio à crise, a privatização de estatais tem sido apresentada como a solução para a melhoria da situação fiscal”.

@ “Em Sergipe, porém, é inadmissível que a privatização da Deso seja a estratégia escolhida pelo governo para fazer o ajuste das contas públicas”, disse ele.

@ “A dívida de Sergipe já superou os R$ 6 bilhões. O Governo age sem responsabilidade. Os recursos que quer obter com a venda da Deso servirão, apenas, para cobrir o rombo que ele está criando nas contas públicas”, disse Valadares.

“A Deso vem sendo sucateada. Entre 2007 e 2014, a dívida cresceu mais de 2.000%. Não é concebível, por exemplo, que a empresa perca 50% da sua água tratada com vazamentos nas suas estações, por falta de manutenção preventiva”, reforçou.