SUCESSÃO

Jobim e Tasso lideram conversas sobre candidatura em pleito indireto

A Lava Jato, contudo, evidencia um calcanhar de Aquiles de Jobim, pois investiga tanto o banco BTG do qual foi sócio quanto o maior negócio de sua gestão na Defesa lulista, a compra dos submarinos

Por Folha de São Paulo
24 maio 2017, 13h45

Nas cúpulas partidárias que costuram o pós-Temer, dois nomes despontam para uma candidatura de consenso em caso de pleito indireto : Nelson Jobim (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB).

O primeiro tem em seu favor ser, como diz um cacique, “uma figura de autoridade”. Tem trânsito com PSDB (foi ministro de FHC) e PT (foi titular de Lula e Dilma), além de influência no Supremo –foi ministro da corte, a qual presidiu, de 1997 a 2006.

Em tempos de convulsão política e Lava Jato, é um ativo e tanto. Há expectativa de que o próximo presidente “fale grosso” com o que é considerado abuso da operação.

A Lava Jato, contudo, evidencia um calcanhar de Aquiles de Jobim, pois investiga tanto o banco BTG do qual foi sócio quanto o maior negócio de sua gestão na Defesa lulista, a compra dos submarinos.

Já Tasso, senador pelo PSDB-CE que acaba de assumir interinamente o leme tucano com a queda de Aécio Neves (MG), é visto como um político de grande habilidade para a costura interna.

Há dúvidas, que são levantadas também na hipótese Jobim, sobre como lidaria com o chamado baixo clero, a massa de congressistas de menor expressão.

Afinal de contas, serão eles que elegerão o próximo presidente. Aí o papel de Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, é central.

Com influência sobre o baixo clero, o temor de caciques é de que Maia tente viabilizar seu nome caso assuma a Presidência no lugar de Temer.

O nome de Henrique Meirelles (Fazenda) perdeu gás nesta semana no arranjo, devido à leitura de que ele não teria tanta condição de negociação com o Congresso.

Sua permanência num novo governo, por outro lado, é vista como essencial para manter o apoio empresarial e alguma expectativa positiva nos mercados.

Outra que perdeu pontos na bolsa de apostas foi Cármen Lúcia, a presidente do STF, que teria muita dificuldade para angariar votos numa eleição indireta.

Essa é a fotografia da terça (23), distinta da registrada semana passada e, provavelmente, das seguintes.