ARTIGO

Operação “tem que tirar esse cara” – o que levará Temer a sucumbir fatalmente

Por Henri Clay Andrade, presidente da seccional de Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil.

Por Reprodução de Artigo inserido no portal Congresso em Foco
01 jun 2017, 12h39

Desde a divulgação da conversa criminosa entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer no Palácio Jaburu, o governo anda trôpego, atabalhoado e emitindo claros sinais de insensatez política.

As aparições do presidente Temer para explicar o colóquio com o dono da JBS foram desastrosas: confessou a existência do encontro oficioso no Palácio Jaburu e da conversa marginal que estarreceu o país e ainda levantou uma celeuma estéril sobre duvidosas edições das gravações.

Movido pela pequenez e o incentivo dos áulicos que nutrem a psicótica atração fatal pelo poder, compulsivamente o presidente Temer tem dado passos cambaleantes e erráticos em direção ao precipício político.

Não bastassem a estupidez do decreto que convocou as Forças Armadas para as ruas da capital do Brasil, por 15 longos dias, e a obcecada insistência em manter a tramitação das pretensas reformas trabalhista e previdenciária no Congresso Nacional aos trancos, agora Temer, abruptamente, enxota o então ministro da Justiça, Osmar Serraglio, para empossar Torquato Jardim, com a indisfarçável intenção de operar uma antirrepublicana intervenção na Polícia Federal.

Em conversa também gravada entre Joesley Batista e Aécio Neves, ambos reclamavam da inoperância do Ministro da Justiça, Osmar Serraglio, face aos inquéritos em andamento da Polícia Federal que apuram práticas de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Também lamentavam a perda da oportunidade de exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, em decorrência da criticada Operação Carne Fraca. Daiello exerce o cargo desde 2011 e tem conduzido as principais operações que desnudaram os bastidores e abalaram as estruturas do poder. Ambos, Aécio e Joesley, reclamavam em tom apelativo: “Tem que tirar esse cara”!

O presidente Temer – diretamente afetado pela investigação da Polícia Federal, que inclusive o interrogará em breve – agora pretende, ao que tudo parece, implementar a trama engendrada nos bastidores do Palácio Jaburu . De Jardim brota a audácia de intervir na Polícia Federal e insultar, mais uma vez, a paciência do povo brasileiro. É a operação “Tem que tirar esse cara” nas ruas da capital do Brasil com os tanques de guerra simbolizados pela caneta que empossa, nomeia, exonera, decreta e escreve a história do seu lastimável governo.

Essa aventura de intervenção e de controle da Polícia Federal será mais uma desventura do governo. Tirar esse cara, o diretor-geral Leandro Daiello, no atual contexto, consiste em um grave atentado à autonomia das investigações sobre fatos criminosos que indiciam Temer e os seus mais próximos asseclas. É um evidente desvio de finalidade administrativa, porque afronta o interesse público e ofende os valores éticos e os princípios fundamentais da República e da democracia. E isso pode até vir a configurar crime de obstrução da Justiça.

Só um surto de sensatez do presidente Michel Temer evitará um horroroso e ainda mais traumático final do seu governo. Neste momento, a sua renúncia seria um ato de bom senso e de grandeza pelo Brasil. Apegado ao cargo e com esses sucessivos descalabros, Temer fatalmente sucumbirá à legítima operação perpetrada pelo povo que, em tom imperativo, brada nas ruas: “Tem que tirar esse cara”!