JOESLEY BATISTA

"Temer é chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil"

Presidente pedia propina desde 2010, segundo o delator. Dono da JBS afirma que Temer comandava Cunha e Funaro

Por PODER 360
17 jun 2017, 11h46

O empresário Joesley Batista, dono da JBS, afirmou em entrevista à revista Época, publicada nesta 6ª (16.jun.2017), que o presidente Michel Temer era o líder de uma “organização criminosa” formado pelo núcleo que comandou o PMDB na Câmara nos últimos anos –Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima e Moreira Franco.

Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites“, diz Joesley.

O empresário está no Brasil para prestar novos esclarecimentos à Polícia Federal. Em 17 de maio, tornou-se público que Joesley havia gravado uma conversa com o presidente como parte de acordo de delação premiada. Dois dias depois, o ministro do STF Edson Fachin retirou o sigilo sobre a delação completa. Assista aos vídeos.

Como resultado das acusações, Michel Temer é investigado em inquérito no STF. O Ministério Público deve apresentar denúncia contra o presidente na próxima semana.

Na delação, o empresário, seu irmão Wesley Batista, e outros 5 executivos da JBS relatam esquema de repasse de propinas a Michel Temer. O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, indicado pelo presidente para tratar com a JBS, foi preso após receber mala com R$ 500 mil. Também sugere estar “comprando” o silêncio do ex-presidente Eduardo Cunha, preso no Paraná. Cunha nega.

Segundo o delator, ele e Michel Temer foram apresentados pelo ex-ministro Wagner Rossi, que também teria intermediado viagens do presidente em jatinhos da JBS.

Desde o início, a relação entre Joesley e Temer teria sido direta e frequente. O empresário teria participado de inúmeras reuniões com o então vice-presidente. O peemedebista sempre teria pedido dinheiro para financiar campanhas e benesses pessoais para colegas próximos. “O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro“, diz na entrevista.

Joesley menciona alguns pedidos: R$ 300 mil para fazer uma campanha de publicidade antes do impeachment de Dilma Rousseff, mesadas para Wagner Rossi e o ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura, Milton Ortolon, e uma ajuda para seu ex-assessor e amigo próximo, José Yunes. Teriam sido frequentes também os pedidos de doação para campanhas eleitorais de 2010, 2012 e 2014.

Segundo o empresário, havia uma relação de hierarquia entre Michel Temer, Eduardo Cunha e o operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro. Cunha sempre se referiria ao presidente como seu superior.

O grupo também teria coordenado achaques ao empresário por meio de abertura de CPIs e convocações para depoimentos. Em troca de não concretizar as ameaças, Eduardo Cunha e Lúcio Funaro pediriam propina.

Um exemplo teria sido a possível criação de uma CPI da JBS para investigar contratos com o BNDES. Joesley relata:

O Eduardo, quando já era presidente da Câmara, um dia me disse assim: “Joesley, tão querendo abrir uma CPI contra a JBS para investigar o BNDES. É o seguinte: você me dá R$ 5 milhões que eu acabo com a CPI”. Falei: “Eduardo, pode abrir, não tem problema”. “Como não tem problema? Investigar o BNDES, vocês.” Falei: “Não, não tem problema”. “Você tá louco?” Depois de tanto insistir, ele virou bem sério: “É sério que não tem problema?”. Eu: “É sério”. Ele: “Não vai te prejudicar em nada?”. “Não, Eduardo.” Ele imediatamente falou assim: “Seu concorrente me paga R$ 5 milhões para abrir essa CPI. Se não vai te prejudicar, se não tem problema… Eu acho que eles me dão os R$ 5 milhões”. “Uai, Eduardo, vai sua consciência. Faz o que você achar melhor.” Esse é o Eduardo. Não paguei e não abriu. Não sei se ele foi atrás. Esse é o exemplo mais bem-acabado da lógica dessa Orcrim“.

Lúcio Funaro está preso em Brasília desde junho de 2016. É réu por corrupção e lavagem de dinheiro. Recentemente, contratou 1 advogado especialista em delações premiadas.

Procurado para comentar o conteúdo da entrevista, o Planalto disse que não vai ser manifestar.