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CONSCIENTIZAÇÃO
Por Ascom PMA | 07 de Outubro de 2017, 18h00
Orla da Atalaia mobilizando contra o trabalho infantil
Movimentando milhares de pessoas, principalmente nos finais de semana
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Vice-prefeita Eliane Aquino

A Orla da Atalaia é um dos principais pontos de turismo e lazer em Aracaju. Movimentando milhares de pessoas, principalmente nos finais de semana, ela também de torna ponta estratégico para ações voltadas para a conscientização. E foi com esse norte que equipes da Secretaria Municipal da Assistência Social e da Cidadania (Semasc), da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e da Secretaria Municipal da Educação (Semed) realizaram, na noite desta sexta-feira, 6, uma ação de enfrentamento ao trabalho infantil. A atividade faz parte de um trabalho continuado que teve início no dia 12 de junho, data em que se comemora o Dia Nacional de Luta Contra o Trabalho Infantil. 

A faixa hasteada pelos profissionais envolvidos era clara: “Quanto mais você fechar os olhos mais você vai ver”. Através dela, o intuito era chamar a atenção para um problema que ainda não foi efetivamente solucionado e, de forma, muitas vezes, camuflada, tem ceifado a infância de diversas crianças Brasil a fora. Com atividades lúdicas, apresentações culturais e panfletagem, a ação chamou a atenção de quem passava pela Orla.

A secretária da Assistência Social e Cidadania e vice-prefeita de Aracaju, Eliane Aquino, esteve presente na ação. Segundo ela, é preciso colocar um fim na naturalização do trabalho infantil. “O combate ao trabalho infantil é extremamente necessário. Queremos chamar a atenção da sociedade para que as nossas crianças tenham a opção de estarem em casa ou na escola. A Prefeitura de Aracaju tem esse papel de cuidar para que as crianças não entrem na mendicância do trabalho infantil. A Semasc e demais secretarias tem esse foco para que as crianças se desenvolvam da maneira que merecem. Queremos apresentar novos horizontes para quem é, na verdade, o nosso futuro”, ressaltou.

De acordo com a coordenadora do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil de Aracaju, Lucimeire Amorim, não existe um diagnóstico que aponte o número de crianças em situação de trabalho infantil e esse também é um dos focos da Semasc para que a problemática seja, de fato, monitorada e tratada. “Esse tipo de ação que realizamos na Orla é continuada e assim deve ser. Estamos fazendo um levando para cuidar da erradicação do trabalho infantil e, para isso, não medimos esforços. Passamos por alguns anos sem ação alguma, mas, agora, estamos mobilizados. Toda semana fazemos uma ação nas ruas junto à população. Nesta ação especifica da Orla, por exemplo, tratamos muito sobre exploração sexual e, inclusive, temos recebido denúncias a esse respeito. É preciso falar sobre o assunto, envolver a população. Criança precisa estudar, brincar, precisa de cultura, de arte. É como costumamos dizer, ‘criança não trabalha, criança dá trabalho’”, disse.

Paralelo às atividades nas ruas, a secretaria tem trabalhado ainda na capacitação de servidores de diversas pastas a respeito do tema. “Essas ações seguirão durante os quatro anos dessa gestão. Atualmente, fechamos uma parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS) para fazer o diagnóstico do trabalho infantil em Aracaju e, a partir dele, poderemos traçar outras estratégias de erradicação”, explicou Lucimeire Amorim.

Música como instrumento de transformação

Durante a noite de atividades na Orla, o grupo de percussão Lateiros Curupira, formado por crianças e adolescentes usuários do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) Maria Diná Menezes, localizado no bairro 17 de Março, fizeram uma apresentação. Munidos de instrumentos feitos com garrafas pet, latas e tonéis, eles levaram, através da música, o ritmo que foi capaz de mudar suas vidas.

Tom Tony, oficineiro que atualmente tem ajudado a formar novos músicos no Cras, tem 15 anos de experiência com crianças e adolescentes e afirma que a música é capaz de mudar as pessoas. “Nós desenvolvemos um trabalho de criatividade com essa turma e, através dessa ação, levamos também informação. Nosso pensamento é instruí-los para o futuro, para que eles descubram as suas potencialidades. Como a maioria deles é de família de baixa renda, também mostramos que eles estão no momento de estudar e não trabalhar. O que me move a trabalhar com crianças é a palavra ‘oportunidade’. Um dia me deram uma oportunidade e descobri a minha potencialidade através da música. Hoje, procuro fazer isso com outras pessoas”, contou. 

Lara Cintia Santos, coordenadora da Ação Social Básica, que envolve os Cras de Aracaju, ressaltou que ações como as que vêm sendo desenvolvidas têm relevância no momento que alcança a sociedade. “É de suma importância que a secretaria tenha momentos como esse de diálogo com a população porque muitas vezes o trabalho infantil é naturalizado, o que não pode acontecer. Nos Cras, existem diversos serviços como a oficina de música que as crianças do Lateiros Curupira fazem parte. Através deles, mostramos as possibilidades que essas crianças podem construir de forma digna e damos outras perspectivas de história”, reforçou.

Sofia Hemeth, de 10 anos, é uma das crianças assistidas pelo Cras e que hoje faz parte do Lateiros Curupira. “Estou no grupo há cinco meses, mas já sinto que quero isso para a vida inteira. Me sinto feliz e adoro me apresentar para as pessoas. Quando crescer, eu quero ser veterinária, mas não vou deixar de tocar”, afirmou.

Aos 14 anos, Kauane Santos Feitosa disse que descobriu seu dom. “Foi graças ao grupo que descobri o que quero para a minha vida. Sinto que tocar é meu dom porque é quando me sinto mais feliz. Além disso, hoje tenho ocupação. Estudo pela tarde e toda manhã estou aprendendo a tocar melhor a cada dia. Não quero mais parar”, frisou.