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Por Ascom Sindijus | 31 de Jul de 2020, 09h08
Em defesa da vida, servidores do TJSE decidem por greve sanitária
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Na greve sanitária os servidores continuarão promovendo o andamento dos processos judiciais

Com o objetivo de defender as suas vidas e as vidas de todas as pessoas que acessam os serviços do Judiciário sergipano, as trabalhadoras e trabalhadores do Tribunal de Justiça de Sergipe aprovaram o início de uma Greve Sanitária.

Definida em Assembleia Extraordinária online da categoria na tarde dessa quinta-feira, 30, a Greve foi motivada pela intransigência da gestão do TJSE em ignorar a gravidade da covid-19 em Sergipe e manter o retorno presencial das atividades nos fóruns a partir da próxima segunda-feira, 3 de agosto. “Tivemos uma Assembleia importante em termos quantitativos e qualitativos, foram mais de 150 servidores do Judiciário e uma preocupação única: a defesa da vida não apenas de cada um, mas da coletividade. Não seremos irresponsáveis com as vidas dos sergipanos que buscam os serviços do TJ”, afirma Jones Ribeiro, coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário do Estado de Sergipe (Sindijus/SE).

Com característica diferente de uma greve tradicional, em que há uma paralisação dos serviços, na Greve Sanitária os servidores continuarão promovendo o andamento dos processos judiciais e a realização de funções administrativas, porém no regime de teletrabalho, como tem sido feito desde o início da pandemia, mesmo sem qualquer apoio do órgão.

“Desde meados de março, estamos trabalhando das nossas casas, sem apoio do Tribunal no que diz respeito a cessão de equipamentos ou auxílio para despesas que aumentaram por conta do home office, como internet e energia elétrica. Então, mesmo já não sendo o cenário ideal, optamos pela continuidade do teletrabalho porque estamos mais protegidos em nossas casas”, ressalta Sara do Ó, também coordenadora-geral do Sindijus.

Vale destacar que a deliberação pela Greve Sanitária tem sido uma reação do conjunto dos trabalhadores às tentativas de órgãos públicos e empresas privadas de colocar as suas vidas em risco. No início dessa semana, os servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo também deflagraram Greve Sanitária, com motivação semelhante à dos trabalhadores do TJSE.

Durante a Assembleia online e em diversas manifestações pelas mídias sociais ao longo da última semana, a diretoria do Sindijus tem demonstrado que a postura do TJSE poderia ser diferente, de prorrogação do teletrabalho e defesa da vida, como tem sido feito por outros órgãos. Exemplos disso foram a continuidade do trabalho remoto até o próximo 31 de agosto no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e até o dia 14 de agosto no Tribunal Regional do Trabalho em Sergipe (TRT/SE). “Se outros Tribunais decidiram pela permanência do home office, por que o Judiciário sergipano insiste em jogar com as vidas dos seus servidores que mesmo durante a pandemia seguem trabalhando e garantindo altos níveis de produtividade?”, questiona Sara.

Outra instituição que prorrogou a suspensão das atividades presenciais foi a Universidade Federal de Sergipe, até o dia 31 de agosto. Em notícia oficial no site da UFS, é explicitado o motivo de tal medida: “a decisão considera a situação de emergência em saúde pública devido à Covid-19 e os últimos decretos estaduais a respeito do tema”. Diante disso, “é lamentável que um órgão como o TJSE não se referencie em uma instituição que tem desenvolvido diversas pesquisas sobre o coronavírus e alertado para a necessidade de ações de proteção da vida”, critica Jones, coordenador do Sindijus.

Ainda nesta sexta-feira, 31, a diretoria do Sindijus irá protocolar ofício à Presidência do TJSE para informar da Greve Sanitária e buscar sensibilizar a gestão do Tribunal para que, em defesa da saúde e da vida, reveja a sua decisão.