YoutubeFacebookTwitterInstagram
INFARTO
Por FOLHA DE S,PAULO ONLINE | 22 de Ago de 2017, 21h34
César Mata Pires, fundador da OAS, morre aos 67
A notícia sobre a morte do patriarca da empreiteira chegou à empresa uma hora depois do ocorrido
CompartilharWhatsapp internalFacebook internalTwitter internal
1ebd814bcde5ebf4

O proprietário da empreiteira OAS, César Mata Pires

O fundador do grupo OAS César Mata Pires, 67, morreu na manhã desta terça-feira (22), em São Paulo, de infarto. Ele caminhava pelo Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, às 9h30, quando sofreu um ataque cardíaco. Foi socorrido por pessoas que frequentavam o local e levado para o Hospital das Clínicas, mas não resistiu.

A notícia sobre a morte do patriarca da empreiteira chegou à empresa uma hora depois do ocorrido. A OAS não divulgou informações sobre o velório e o enterro do empreiteiro a pedido da família, que quer que a despedida seja feita numa cerimônia reservada a familiares e amigos.

Mata Pires morava nos Jardins, zona oeste de São Paulo, mas costumava caminhar no parque Ibirapuera e nos arredores do Estádio do Pacaembu. A caminhada foi um hábito adquirido pelo empreiteiro depois de ter sofrido, no passado, problemas no coração.

Nos últimos três anos Mata Pires andava preocupado com o avanço da Lava Jato sobre a empresa da família. Léo Pinheiro, acionista e ex-presidente da OAS, foi preso duas vezes pelo juiz federal Sergio Moro.

Pinheiro tentou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no ano passado, mas a negociação foi interrompida por conta do vazamento de um dos temas conversados com os procuradores.

Neste ano as tratativas retomaram e agora executivos e acionistas da empreiteira estão próximos de fechar acordo com os procuradores da Lava Jato. Cerca de 20 candidatos a delatores já entregaram documentos com histórias de corrupção protagonizadas pela OAS e o próximo passo é discutir as penas dos executivos.

Entre os colaboradores estão os herdeiros César Mata Pires Filho e Antonio Carlos Mata Pires. O patriarca não estava entre os que negociavam com o Ministério Público Federal.

HISTÓRICO

Engenheiro, César Mata Pires formou-se na UFBA (Universidade Federal da Bahia) e fundou a OAS em 1976 ao lado dos empresários Carlos Suarez e Durval Olivieri.

Casou-se com Tereza Magalhães, filha do então governador da Bahia Antônio Carlos Magalhães (1927-2007). Teve três filhos: Cesar Mata Pires Filho, Antonio Carlos Mata Pires e Fernanda Mata Pires Morari.

Poucos anos depois de sua fundação, a OAS passou participar de obras públicas federais e tornou-se uma das maiores empreiteiras do país.

Após a morte do deputado Luís Eduardo Magalhães, em 1998, filho de ACM, a relação de Mata Pires com o sogro ficou conturbada. Ambos tinham personalidade forte e temperamento explosivo e brigavam com frequência.

Fizeram as pazes em 2007, quando ACM já estava hospitalizado. Após a morte do sogro, contudo, o empresário brigou com os demais herdeiros da família Magalhães.

Em 2008, iniciou uma briga judicial pelo espólio de ACM. Oficiais de Justiça, acompanhados de policiais militares, fizeram arrolamento de bens e obras de arte que integram uma coleção deixada pelo senador. Eles recorreram a um chaveiro para entrar no apartamento onde mora a viúva de ACM, Arlette Magalhães.

Na época, o empresário ACM Júnior, que sucedeu o pai no Senado, afirmou que César Mata Pires era o mentor do litígio familiar. "Ele não está brigando por dinheiro, até porque tem muito. Ele quer poder, quer ter o poder que o meu pai teve sem ser político", disse ACM Júnior na época à Folha

Mata Pires ainda tentou obter o controle da Rede Bahia, afiliada da Rede Globo da qual sua mulher detinha um terço das ações. Em 2013, acabou cedendo e vendeu a participação da emissora para a empresa paulista EPTV, encerrando o imbróglio com a família.

No campo político, Mata Pires aproximou-se de adversários de ACM como o petista Jaques Wagner, para qual a OAS fez doações nas campanhas para o governo da Bahia.

No governo Wagner, a OAS tocou grandes obras como a Via Expressa, avenida que liga o porto à BR-324 e a construção da avenida 29 de Março.

ASCENSÃO DA OAS

Sob o comando de Mata Pires, a OAS tornou-se uma das maiores empresas do país. Nos anos 1980, teve forte crescimento atuando nos setores de construção civil e imobiliário, com obras públicas e privadas.

Na década seguinte, diversificou seu portfólio passando a atuar nos setores de energia, agroindústria e petroquímica. No final dos anos 1990, conquistou a concessão de rodovias como a Linha Verde, na Bahia e a Rio-Teresópolis, além da Linha Amarela na cidade do Rio de Janeiro.

A partir de 2005, internacionalizou sua atuação e passou a investir nos setores de petróleo, gás e construção em países como Moçambique e Gana.

Em 2014, Mata Pires entrou na lista de bilionários do mundo da revista Forbes com uma fortuna pessoal estimada em R$ 1,5 bilhão.

Nesta época, a OAS tocou algumas das principais obras para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

A empreiteira participou de consórcios que ergueram a Arena Fonte Nova, em Salvador, e Arena das Dunas, em Natal –ambas estão sendo investigadas por suspeitas de superfaturamento.

No mesmo período, estreitou relações com o mundo político. Entre 2002 e 20012, a OAS foi a terceira empresa que mais doações fez a campanhas eleitorais no país.