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Vazamento de óleo
Por Terra e BBC News Brasil  | 26 de Out de 2019, 08h17
Greenpeace questiona Bolsonaro; "O que ele está fazendo fora do país?"
Coordenador da ONG ambiental reage a críticas do presidente
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Para mim isso é um ato terrorista. Para mim, esse Greenpeace só nos atrapalha', afirma Bolsonaro (Foto: Isac Nobrega)

Alvo do governo durante a atual crise de vazamento de óleo na costa brasileira, a ONG Greenpeace está reagindo.

No Twitter, Salles publicou uma foto do navio Esperanza, usado pela ONG, com um comentário que sugere vínculo dela com a onda de contaminação nas praias.

O presidente Jair Bolsonaro, que está na China, reforçou a associação em conversa com jornalistas na noite de quinta-feira, 24. Bolsonaro usou o termo "terrorismo" e criticou enfaticamente a organização internacional.

"Para mim isso é um ato terrorista. Para mim, esse Greenpeace só nos atrapalha", afirmou.

Em conversa com a BBC News Brasil, Marcio Astrini, Coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace, disse não ter certeza sobre se o presidente de fato se referia à organização quando falou em terrorismo, mas questionou: "Se Bolsonaro acha que o Brasil está sob ataque terrorista, o que ele está fazendo fora do país?"

Astrini critica a postura do ministro. "Quem deveria estar olhando pelos voluntários está no Twitter brincando de caluniar os outros. O que precisa de resposta no Brasil vai ficar sem resposta", diz ele.

Diz ainda que a coordenação da remoção do óleo não deve ser feita pela população em geral e nem por ONGs, como o Greenpeace, mas pelo governo.

"Estamos junto com a população ajudando no trabalho de limpeza. Mas a coordenação dos esforços desses voluntários deveria ser feito pelo governo (...) A não organização dessa atividade por parte das autoridades pode provocar outros problemas, como para a saúde da população."

Para ele, a ONG está sendo atacada pelo ministro porque "o governo tem essa postura com todos que dizem a verdade".

Astrini nega que o navio citado pelo ministro tenha qualquer relação com o vazamento. "Quando ele passou (pelo Brasil) já havia esse problema."

Diz ainda que não é possível estimar as consequências do vazamento sem saber sua origem, algo em que a Marinha está empenhada, segundo ele.

Fonte: Terra e BBC News Brasil