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Reportagem Especial

Tanuza Oliveira

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A UFS “sofreu” uma eleição ou uma tentativa de golpe?

Adversários do profesor que lidera lista tríplice elencam supostas irregularidades em todo o processo eleitoral da Universidade Federal de Sergipe

Em ano de eleição municipal em meio a uma pandemia, só mesmo uma eleição de reitor muito complexa - ou irregular - chamaria tanta a atenção quanto a que ocorreu recentemente na Universidade Federal de Sergipe – UFS. De um lado, um reitor tenta emplacar um sucessor; do outro, três chapas opositoras tentam retomar esse espaço. No meio de tudo isso, uma briga que virou questão de justiça e tem trazido à tona os vieses políticos que também dominam o ambiente acadêmico.

Tudo começou quando, por força da pandermia, a consulta à comunidade acadêmica - composta por alunos, técnicos, professores e aposentados –, uma praxe na escolha do reitor dali, não pôde ser realizada, tendo permanecido a escolha do Colégio Superior que, segundo as chapas opositoras, não contempla a vontade da população acadêmica, e culminou no dia 15 de julho com a sacramentação de três nomes na lista tríplice que vai à Presidência da República para a escolha de um.

Sindicatos começaram a pressionar a Reitoria para a consulta on-line, que precisaria de um sistema específico da Universidade e que, segundo os concorrentes, teria sido motivo de barganha do atual reitor para emplacar o candidato que ele apoia para o cargo. Até que ponto tudo isso procede? Até onde a escolha dos três nomes foi justa? Foi eleição ou um golpe? É em torno do que se debatem os envolvidos nessa história.

 

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Universidade está sob o comando do mesmo grupo há mais de 20 anos
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Universidade está sob o comando do mesmo grupo há mais de 20 anos

PARTIDARISMOS
Ela não nega que votou no presidente Jarir Bolsonaro, mas admite que o fez depois de votar no PT, ter parentes queridos fundadores do PT na cidade natal e até um cunhado filiado ao partido. “Reconheço que os avanços são maiores do que os erros em seu governo e espero que o novo ministro do MEC atue eficazmente para fazer o Brasil avançar na melhoria do quadro da educação que vem em declínio há vários anos. Sou católica e reafirmo meu compromisso com valores cristãos”, admite.

Mas, o que isso tem a ver com o processo de escolha de reitor de uma universidade pública? Tudo. “Essa mundivisão foi transposta para as universidades públicas, fazendo persistir discursos e posturas que demonizam a livre iniciativa, que achincalham a religião, que exaltam um pensamento único de matriz marxista. Nunca fui filiada a qualquer partido político e nem sou propriamente uma militante bolsonarista, mas não me envergonho do meu voto”, afirma.

Denise diz que em 25 anos como professora universitária, na UFS e em outras três instituições privadas de Sergipe, desafia qualquer estudante a provar que fez da sala de aula espaço para proselitismo religioso, ideológico ou político-partidário. “Por que somente agora, quando disputo a Reitoria da UFS, passo a ser reputada como uma fanática religiosa e de extrema-direita?”, questiona.

ESQUERDA
Por outro lado, ela não vê a associação de outras chapas à extrema-esquerda, “embora haja um candidato com estreitos vínculos com o PT e com o MST e uma candidata apoiada por figuras proeminentes do Psol”. “Ousamos fazer uma campanha propositiva, denunciando os desmandos que imperam na UFS e se fugir do debate sobre certos temas que são um tabu na universidade pública brasileira, como a questão da segurança nos campi e a hegemonia do pensamento marxista”, reitera.

Já sobre a eleição, ela não esconde que a chapa esperava que o reitor respeitasse a tradição da consulta à comunidade no pleito eleitoral deste ano, já que, segundo Denise, ela fora observada nas quatro vezes em que Ângelo esteve na disputa - duas como vice-reitor e duas como reitor -, incluindo as duas últimas eleições em que somente a sua chapa esteve na disputa.

“Isso mostra que lhe falta um autêntico compromisso com a democracia, aderindo a ela ou a invocando apenas conforme seja conveniente ao seu projeto pessoal de poder”, acusa Denise, que também abordou a necessidade de, uma vez mantida a decisão de realizar a eleição restrita aos conselhos superiores, que fosse aprovada uma espécie de regramento da eleição on-line, com um regimento eleitoral para disciplinar o processo.

AÇÃO POPULAR
Mas isso também não foi levado em conta, o que a fez ingressar com uma Ação Popular. “Nessa ação, requeri, de modo alternativo  que essa reunião fosse suspensa, diante da ausência de uma regulamentação do processo eleitoral, para, assim, não haver clara ofensa ao princípio da legalidade; que o sistema de votação on-line fosse auditado e operado por técnicos externos à UFS, e que essa reunião fosse presidida pelo presidente do Conselho Diretor da UFS e não pelo reitor, uma vez que este tinha “seus” candidatos na disputa”, revela a candidata.

Além dessa Ação Popular que ainda não foi julgada, há um procedimento administrativo no Ministério Público Federal voltado à apuração do que vem ocorrendo nesse processo de eleição para a Reitoria da UFS. Denise garante que se buscou, até o último instante, evitar a judicialização da eleição, mas que não houve outra opção. “Apenas em nossa instituição, entre quase 20 instituições onde ocorrem eleições neste ano, a eleição da lista tríplice ocorreu sem que o reitor convocasse o Conselho Superior da Instituição para, antes, discutir e aprovar um regimento eleitoral”, justifica.

Para ela, o reitor da UFS aproveitou o período de pandemia para golpear a instituição, revelando, nesse processo, seu descompromisso com limites éticos e legais. Isso porque, no entendimento dela, a eleição ocorreu de forma tumultuada, com muitas questões de ordem não esclarecidas, sem a devida transparência, sem o sistema de votação ter sido auditado e sem garantia do sigilo dos votos.

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Reunião do Conselho é uma das críticas das entidades e chapas ao processo

ESCOLHA
“Com isso, o resultado era previsível: os seus candidatos foram os "escolhidos" por ampla maioria de votos como reitor e vice-reitor, cujas ideias e propostas ninguém conhece, que não se inscreveram em um processo eleitoral, fizeram uma campanha espúria e nem mesmo se declararam impedidos, por imposição da moralidade pública, de participar de uma votação entre cerca de 80 votantes em que eram, ao mesmo tempo, candidatos e eleitores”, resume Denise Albano.

Também candidata, a professora Vera Núbia é a terceira na lista tríplice, com nove votos. Doutora em Serviço Scial e docente do Magistério Superior, ela também entende que a eleição marcou um duro golpe na democracia interna na Universidade Federal de Sergipe. “Os indícios de ataques à democracia ficaram evidentes à medida em que se percebia, paulatinamente, as decisões da gestão superior que interferiam nas unidades acadêmicas departamentais ao longo dos últimos quatro anos, porém, não se esperava que chegasse ao ponto de interferir na definição da escolha do cargo máximo da UFS”, analisa Vera Núbia.

Ela acredita que o fato de a pessoa que ficou em primeiro lugar na eleição ser apoiado pela reitoria, por si só, não explica o resultado. “Entendo que se ela estivesse na consulta pública não obteria votos para ficar em primeiro lugar. Com isso, quero afirmar que há uma falsa liderança do atual reitor na UFS, e a consulta pública mostraria isso”, opina a candidata.

“A quem votou na pessoa que ficou em primeiro cabe essa pergunta: será que percebem liderança nesse docente? Eu deixo aqui a minha dúvida”, questiona Vera. A professora lembra que, na última eleição, em 2016, a chapa única não atingiu sequer 10% de votos na consulta pública. “Esse sinal demonstra que já se percebia um declínio da comunidade à atual gestão (que em 2012 teve mais de 4.000 votos)”, avalia.

MAIS CANDIDATURAS
Para Vera Núbia, a pluralidade de candidaturas sinaliza um amadurecimento no corpo docente sobre a necessidade de novos projetos para a UFS serem compartilhados. “Vale lembrar que há muito tempo não se tem um processo de consulta pública tão participativo quanto neste ano. E é importante, porque mostra que a universidade é espaço plural, por excelência”, ressalta

Ela também defende a realização da consulta pública. “A comunidade universitária deve apontar com qual projeto de universidade está associado”, justifica Vera. A professora, por princípio, defende a lista tríplice, com a nomeação da pessoa que fica em primeiro lugar. Mas diz que esse princípio foi atingido na UFS com o golpe da reitoria ao convocar eleição via Colégio Eleitoral Especial sem que a consulta pública fosse finalizada.

“Ao atingir esse princípio, fica evidente que quem estava a participar da consulta pública tenha que discutir com as suas bases o que defender no momento”, afirma. Vera Núbia diz que a candidatura dela está associada à percepção de que a UFS abria mão de um elemento primordial nas universidades públicas: a autonomia. “Entrei como docente na UFS em 2009 e sempre acompanhei as decisões institucionais como muito cuidado”, diz.

FORÇAS POLÍTICAS
Vera admite que percebeu, ao longo dos anos, que cada vez mais a gestão distanciava-se da sua necessária defesa da autonomia para atender, muitas vezes sem questionar, a definições vindas dos ministérios de Planejamento (ou Economia, na atual nomenclatura) e da Educação sem passar pelo crivo da comunidade universitária, e algumas definições demandariam a participação da comunidade universitária, que passou a não ser ouvida. “Isso ocorreu com todos os governos, e ocorre com o governo atual”, afirma.

Além disso, Vera diz que observou que o ambiente de trabalho, as condições de trabalho e a própria natureza da instituição - “é uma instituição de educação” - eram cotidianamente atingidas, e faltava a escuta da comunidade. “A UFS cresceu em tamanho, mas encolheu em processos democráticos, e isso foi fundamental para pensar em mudar o comando na atualidade”, define

Para ela, há forças políticas que atuam para eleger certas pessoas que se vinculam a partidos. “Como observamos situações denunciadas no ano passado, por exemplo, quando determinado deputado federal enviou ofício do seu gabinete para o ministro da educação, com a indicação de pessoas para assumirem a reitoria de algumas instituições. Contra isso, temos que buscar tornar lei, por exemplo, que seja reitor aquela pessoa escolhida pela comunidade universitária, numa eleição ampla, devidamente regulamentada”, reforça.

Diante de tudo isso, a professora não tem dúvida de que esse momento será registrado na história como o de um golpe que marcará para sempre a democracia interna na instituição. “Espero que também sirva para que a comunidade seja estimulada a participar mais ativamente da consulta pública, de forma a mostrar a derrocada de um modelo de gestão que não será mais aceito na Universidade”, pondera.

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Denise Albano e seu vice, Aderval Aragão, compuseram uma das chapas mais atuantes

Fala aí, Angelo: “A consulta informal não é e nunca foi responsabilidade do reitor”

O atual reitor, professor Angelo Antoniolli, garante que, pelo aspecto formal, o processo de escolha das listas tríplices, com os nomes dos três concorrentes ao cargo de reitor e os três postulantes ao cargo de vice-reitor, foi normal. “Formalmente, a eleição para elaboração das listas tríplices é realizada no Colégio Eleitoral Especial. Conforme a legislação federal e o Estatuto da Universidade Federal de Sergipe, esse colegiado, composto pelos três conselhos superiores, tem essa atribuição”, assegura Antoniolli.

Para ele, toda essa repercussão vem do fato de as entidades sindicais que representam a associação dos professores, dos técnicos administrativos, além da ASAP e do DCE e AAU, estes últimos representado os estudantes, não terem conseguido realizar a consulta informal à comunidade acadêmica dentro do calendário programado por eles e nem nos 45 dias que foram decorridos da convocação do Colégio Eleitoral e sua reunião.

Segundo Ângelo, a consulta não foi possível por dois motivos muito fortes e alheios à vontade dele: uma Medida Provisória, a MP-914, editada em dezembro e que permaneceu válida até o início de junho e a chegada da pandemia pelo novo coronavírus. “Tanto os regramentos formais quanto o próprio funcionamento da Universidade foram intensamente afetados. Durante a vigência da MP 914, inclusive, o único papel que restava ao Colégio Eleitoral Especial seria a condução formal do processo de consulta e dele sairia diretamente a lista tríplice, mesmo com profundas divergências das previsões estatutárias da UFS”, avalia.


“ATUEI COM SERIEDADE”
Durante esse período e após, segundo o atual reitor, restou à gestão cuidar dos aspectos legais, buscando minimizar os riscos e seguindo as previsões nos regramentos externos e do Estatuto da UFS. “A consulta informal não é e nunca foi responsabilidade do reitor. Quem chamou o processo, estabeleceu calendário e se colocou para conduzi-lo da maneira como achou melhor, ainda que em desacordo com a legislação vigente durante a maior parte de sua condução, foram as entidades. Ora, seria tarefa delas tomar as providências para concluir a proposta”, ressalta.

Agora, ele diz que não aceita que joguem tal fardo às suas costas. Alguns professores e entidades chegaram a classificar o processo como um golpe perpetrado pelo reitor. “É claro que não procede. Eu sou reitor há quase oito anos, fui vice-reitor por oito anos durante a gestão de Josué Modesto, sou professor da UFS há quase 30 anos e todos me conhecem, sabem como sempre agi. Atuei com seriedade, isenção e transparência. Minha gestão é limpa”, assegura.

Angelo diz que, mesmo assim, desde o final do ano passado, tem esido agredido, inclusive em sua honra, e suportado tudo isso com tranquilidade. “A Universidade tem o regramento que historicamente lhe bastou. Caso esse regramento não interesse mais para o melhor desenvolvimento da universidade, trabalhemos então para estabelecer outro regramento, dentro das estruturas próprias e legais da instituição. Quanto às agressões sofridas, e como eu disse, que atingiram minha honra, verei que providências tomar”, ressalta Angelo Antoniolli.

REUNIÃO
Uma das queixas em relação a todo o processo diz respeito a uma reunião para convocação do Colégio Eleitoral Especial, que somente se esgotaria em 17 de junho, similar ao que havia ocorrido nas últimas 3 eleições. “A reitoria foi provocada pelo Ministério Público Federal a tomar providências para a realização do pleito, mesmo estando dentro do prazo legal. Após essas provocações do MPF, flagrantes divergências entre o Estatuto e o que preconizava a MP 914 foram motivo de manifestação da AGU (Advocacia Geral da União), revela.

Segundo Angelo, o órgão orientou os devidos ajustes estatutários. “E assim procedeu a gestão, buscando tornar o Estatuto mais receptivo ao regramento externo e que estaria em funcionamento apropriado mesmo com a queda da MP. Essa reunião do Consu, Conselho Universitário, foi marcada por forte rejeição das entidades e, inclusive, de candidatos. Retiramos a matéria de pauta, para posterior ajustes, que se tornaram desnecessários com a queda da Medida Provisória”, explica.

O atual reitor reforça que procurou “fazer tudo dentro da lei”. “Após a convocação do Colégio Eleitoral, com antecedência de 45 dias para a reunião, respondemos a diversas ações movidas pelas entidades e, em todas elas, a legalidade dos atos e das decisões foi reconhecida pela Justiça Federal”, garante. Primeiro, foi o indeferimento da tutela provisória de urgência antecipada requerida pelas entidades, que ingressaram em juízo pretendendo assegurar o direito à utilização do sistema eletrônico de votação SIGEleição, da UFS, para que pudessem realizar a consulta pública com a comunidade.

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Vera Núbia: “os indícios de ataques à democracia ficaram evidentes”

ELEIÇÃO LEGAL
Logo depois, em outra ação, foi indeferido o mandado de segurança coletivo impetrado pela Adufs, que pedia a suspensão dos efeitos da Portaria que convocou o Colégio Eleitoral Especial, atribuindo a esta ilegalidade, mantendo a reunião para o dia 15 de julho. “Um recurso impetrado pelas mesmas entidades junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região foi indeferido, reafirmando que a gestão da UFS estava agindo dentro da legalidade”, lembra Antoniolli.

Uma das justificativas para todo esse impasse pode estar na quantidade de chapas que disputaram a Reitoria este ano, já que, nos últimos anos, praticamente não tem havido concorrência. Mas, para o reitor, mesmo com chapa única, o processo foi igualmente legal.

“Na última eleição coloquei meu nome à disposição da comunidade na consulta realizada pelas entidades. Fui candidato em chapa única, sim, à reeleição na consulta informal. Acredito que isso resultou do que a gestão mostrou à comunidade em seu primeiro mandato”, diz ele.

CHAPA ÚNICA
Depois, a eleição no Colégio Eleitoral Especial teve o nome dele como primeiro da lista e incluiu mais duas outras pessoas. Foi cumprido o que determina o Estatuto da UFS e a legislação pertinente. Foram eleitas as listas tríplices que foram encaminhadas para escolha da Presidência da República, através do ministro da Educação. A presidente da República à época, Dilma Rousseff, indicou o primeiro da lista, que foi o candidato único na comunidade.

“Independentemente do número de candidatos frente à consulta informal, pelo regramento da UFS quase 1.300 professores estavam aptos a serem votados eleitos para compor as listas tríplices para reitor e vice-reitor nessa eleição. Os membros do Colégio Eleitoral Especial votaram, sem qualquer voto nulo ou em branco, e escolheram os que consideraram melhores neste momento”, argumenta o reitor.

Para ele, a pluralidade de candidaturas deste ano não representa e nunca representou problema algum. Pelo contrário: é parte do processo democrático. “Mas o processo democrático se perde se os regramentos não são respeitados. Afinal de contas, se nem mesmo a instituição que forma bacharéis em direito atentar para a legislação vigente no país, se a Universidade não respeitar os seus próprios regramentos, por qual razão eles existiriam? Qual seria, então, a nossa referência? O desrespeito às regras? A ausência de normas?”, questiona.

TRÂMITES
Uma vez concluídos os trâmites locais, toda a documentação relativa à reunião do Colégio Eleitoral especial, além de documentos complementares como currículos dos docentes que formam a lista tríplice, será encaminhada à Presidência da República, através do Ministério da Educação. Eles analisarão os documentos encaminhados e o presidente da República escolherá o futuro reitor.

Esse ato sairá através de ação presidencial nomeando o futuro reitor ou a futura reitora da UFS. “Estamos tranquilos quanto aos aspectos legais. Tudo está ocorrendo com absoluto respeito à legislação. A escolha final não cabe a nós. Mas é bom saber que temos um membro da gestão que está liderando a lista tríplice”, admite Antoniolli, em referência ao atual vice-reitor, professor Valter Joviniano.

Segundo Angelo, apesar da juventude, ele tem uma vasta experiência em docência, em pesquisa com importantes publicações e demonstrou também uma imensa capacidade de gestão. “Nas ações de enfrentamento à Covid-19, vimos esses dois aspectos: a capacidade desse jovem gestor e a importância que a Universidade Federal de Sergipe tem para o povo sergipano. Acredito, assim, que sua indicação será algo muito positivo para a UFS, para nosso Estado e para nosso povo”, classifica.

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Ângelo Antoniolii garante que o processo seguir todos os dispositivos legais

Fala aí, Joviniano: “Acredito que a vida universitária seja principal elemento ligado às eleições na UFS”

O professor Valter Joviniano de Santana Filho é fisioterapeuta, doutor e, juntamente ao candidato a vice, professor Rosalvo Ferreira, obteve 37 votos. Também procurado pelo JLPolítica, Joviniano diz que, apesar de ter tido vivências necessárias como pesquisador, docente e gestor, a colocação do nome à disposição para a composição da lista tríplice veio muito mais da opinião dos colegas, e do estímulo deles. “A concepção de que o gestor é o único responsável pelo sucesso de uma instituição, emergindo como o “salvador da pátria”, nunca deve ser a norteadora nesse processo de escolha”, analisa Valter.

“O nome surge do compartilhamento de ideias e da visão de importância que a universidade possui, e foi desta forma que o meu nome foi posto. O movimento de ideias em uma universidade tem particularidades e não se confunde com ideologias partidárias específicas, indo muito além disso. Para onde queremos levar a universidade? Qual o papel da UFS para o desenvolvimento de nosso Estado e para a melhoria da vida das pessoas? Neste contexto, um grupo propositivo composto por docentes, servidores técnicos-administrativos e discentes associou o meu nome a esta ideia”, completa o candidato.

Apesar disso, Joviniano crê que o trabalho em projetos que exigiram forte perfil de gestor ajudou a posicioná-lo bem frente a essas pessoas, como um gestor que teria condições de consolidar os vários eixos de desenvolvimento institucional existentes na UFS, a aprimorar a gestão fazendo com que a trajetória de crescimento se mantenha e a melhorar ainda mais as condições de ensino para que o papel social também seja mantido.

 

DESAFETOS
Com relação às críticas por liderar a lista tríplice sendo um indicado do atual reitor, Valter diz que Ângelo tem uma “fantástica história de dedicação à UFS”, que levou a instituição a muitas mudanças, mas também lhe rendeu desafetos. “Por fazer parte da gestão, e hoje ocupar a Vice-Reitoria, é natural que desafetos do professor Angelo critiquem e projetem as críticas à presença do meu nome na lista tríplice”, justifica.

Valter diz que qualquer um dos nomes que compõem a lista tríplice tem a vida ligada à Universidade Federal de Sergipe e cumpre os preceitos legais para a indicação pelo presidente da República, independentemente das escolhas partidárias fora dos portões da UFS. “A presença do nome na lista tríplice ocorreu pelo convencimento, de cada conselheiro, em quem deveria votar. Ao final, os três nomes que conseguiram mais votos passaram a compor a referida lista. Não acredito que a política partidária, mas, sim, a vida universitária, seja o principal elemento ligado às eleições na UFS”, argumenta.

Valter Joviniano de Santana Filho reforça que todo o processo ocorreu dentro dos preceitos legais e guiado por normativos que permitiram adaptações necessárias para a proteção da vida das pessoas, fato imposto pela pandemia. “Todos que participaram puderam expressar em quem desejariam votar e o fizeram através de plataforma segura, com garantia do sigilo. Todos os membros do Colégio Eleitoral votaram nos nomes que julgaram ser os melhores para conduzir a UFS durante os próximos quatro anos”, resume.

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Valter Joviniano acredita que rejeição ao seu nome vem de desafetos do atual reitor

SINDICATO REAGE
Wagner Vieira, coordenador-geral do Sindicato dos Técnico Adminstrativos em Educação da Universidade Federal de Sergipe - Sintufs -, diz que a questão, para a entidade, não é a escolha dos nomes em si, mas a forma como o processo foi conduzido. “Não importa quem ficou em primeiro e sim que o processo fosse feito da forma correta”, diz Wagner.

E, para que isso tivesse ocorrido, dois critérios precisariam ter sido observados: um deles é o do costume, que vem da década de 80, de se fazer a consulta pública. “O reitor não respeitou o costume, não esperou a consulta pública, fez de tudo para dizer que não era válida agora, sendo que que ele sempre usou, mesmo quando foi candidato único”, critica o coordenador do Sindicato.

Segundo ele, a consulta vai existir, independentemente do que vai acotecer. “A comunicade precisa dizxer quem ela gostaria que fosse o reitor, para que quem assuma saiba quem a comunidade queria. Se Valter assumir, por exemplo, ele vai saber que não tem a legitimidade da comunidade”, analisa Wagner Vieira.

ESTATUTO
Além disso, o Sindicato também vai acionar a Justiça. “Aquela eleição do Conselho, pelo Estatuto, é presencial, com cédula. E não foi. Segundo o mesmo Estatuto, se não vai ser com cédula, por causa da pandemia, entra no caso omisso e é defindo pelo Conselho e não pelo reitor. Ele não tinha como ditar as regras dessa eleição, mas o fez”, reforça.

Além do Sintufs, outras entidades apoiam a ação, como a ssociação dos Docentes (Adufs), o Diretório Central dos Estudantes – DCE; A Associação Atlético Universitária e a Associação dos Pós-graduandos. “A ideia é ingressar com uma ação conjunta para cancelar todas essas irregularidades, mesmo que, no fim das contas, seja mantida a decisão pelo novo reitor”, esclarece.

Isso porque Wagner não tem dúvida de que Angelo Antoniolli tem empreendido esforços enormes para conseguir manter essas pessoas no poder, nos cargos de comando da Universidade. “Foi um golpe para mantê-los no poder, memso depois de 20 anos comandando a UFS”, ressalta. Vale lembrar que, ao fim do mandato, Antoniolli volta a ser professor, mas ainda pode ser indicado pelo novo reitor para um cargo que componha a Reitoria. “Algumas pessoas acham que ele quer ser o diretor do Hispital de Lagarto”, diz Wagner.

Os professores André Maurício, que concorre pela lista tríplice ao cargo, e David Soares, que ficou fora dela, preferiram não se pronunciar. Mas a sensação entre todos é de que o processo de escolha foi, no minimo, falho, incompleto, e que deixará uma marca na história da instituição, que, antes de qualquer coisa, é um ambiente referência no ensino superior e não pode se desviar desse foco, sob risco de tornar-se tudo aquilo que se fala por aí.

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Wagner Vieira: “foi um golpe para mantê-los no poder, memso depois de 20 anos comandando a UFS”