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Reportagem Especial

Tanuza Oliveira

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Com estatísticas, SSP quer mostrar uma outra segurança de Sergipe

Das 75 cidades sergipanas, 31 registraram redução nos índices. Tobias Barreto teve o mais significativo deles, com queda de 75%; Poço Verde, 73,3%, e Canindé, 59,1%. No interior do Estado, de forma geral, a redução foi de 10,6% entre 2015 e 2017, e de 10,1% entre 2016 e 2017

Entre 2016 e 2017, o Estado de Sergipe registrou aumento no número de prisões, de apreensão de drogas – foram mais de duas toneladas apreendidas pelas Polícias Civil e Militar – e de armas. Além disso, houve redução no número de homicídios dolosos e outros crimes letais.

No entanto, é inegável que esse cenário, apresentado em estatísticas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública - SSP - não se reflete na sensação de segurança das pessoas. “Onde eu moro, na Aruana, está cada vez pior: os assaltos são constantes e a polícia não aparece”, afirma Wilson Pereira dos Santos, administrador de empresa.

Mas por que isso acontece? Apesar de o tema ser complexo, a resposta é simples: porque não se trata apenas de uma questão numérica. Ou, em outras palavras, não é uma questão apenas de polícia. “Todos os envolvidos precisam parar e pensar no país que teremos no futuro com um sistema de justiça criminal falido. Fazemos parte desse sistema também e temos que estudar um meio para melhorá-lo”, afirma a delegada-geral Katarina Feitoza.

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Katarina Feitoza: Encontramos um norte para a segurança
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Sidney Teles: Não existe planejamento sem estatística

MATERIAL HUMANO

“O apoio dele se deu especialmente com a realização dos concursos para perícia, para agente escrivão da Polícia Civil e para a Polícia Militar. Com isso, a gente conseguiu fazer um planejamento melhor, porque sem pessoas capacitadas, sem material humano, é impossível fazer segurança pública”, analisa.

A teoria da delegada-geral é de que, com mais pessoal e, principalmente, com pessoal qualificado, foi possível planejar ações integradas em áreas de violência conflagrada. “Isso se demonstrou muito eficaz e tem se refletido nos números”, reforça Katarina.

Nesse planejamento, está sacramentada uma reunião semanal com os integrantes do Gabinete de Gestão Operacional – GGO –, do qual fazem parte a delegada e o comandante-geral, os coordenadores da Capital e do interior, a Inteligência, a Estatística, e, claro, o secretário de Segurança Pública, João Eloy.

ESTRATÉGIA

“A depender da situação, convocamos os outros envolvidos”, explica Katarina. As ações que saem semanalmente dessa reunião são baseadas nos dados coletados e analisados friamente pela equipe, como, por exemplo, onde estão acontecendo os homicídios, quais as causas, como ocorrem, etc.

“É através dessas informações que encaminhamos nossas tropas, no caso, as da PM, e cobramos mais ação da PC na elucidação dos crimes e na consequente prisão dos envolvidos”, ressalta a delegada-geral. Estudos contratados pelo Núcleo de Pesquisa de Segurança Pública, junto ao pessoal da Universidade Federal, apontam que, no Estado, a maior parte dos homicídios está ligada ao tráfico de drogas – ou seja, de alguma forma, vítimas e autores têm alguma ligação com o tráfico.

Por causa disso, Katarina Feitoza revela que começou a ser desenvolvido um trabalho em parceria com o Departamento de Narcóticos, o Denarc, e também com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, o DHPP. “Hoje, trabalhamos para elucidar quadrilhas envolvidas com o crime e evitar essas mortes oriundas da guerra do tráfico”, destaca.

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Eduardo Amorim: Governo não tem credibilidade, prega mentiras

PRINCIPAIS ÁREAS

Nesse sentido, o foco em 2017 foram duas áreas, a norte e a sul, que abrange as principais localidades envolvidas com tráfico de drogas: os Bairros Santa Maria e 17 de Março, e o Santos Dumont e adjacências. Em ambas as áreas houve redução dos homicídios: na Zona Norte a redução foi de 28,3% e na Sul, de 23%.

Tomando como base os municípios, também houve diminuição nos crimes: 31 das 75 cidades sergipanas registraram redução nos índices. Tobias Barreto teve o mais significativo deles, com uma queda de 75%; seguido de Poço Verde, com 73,3%, e Canindé de São Francisco, com 59,1%. No interior do Estado, de forma geral, a redução foi de 10,6% entre 2015 e 2017 e de 10,1% entre 2016 e 2017.

“Esses números demonstram que estamos no caminho certo, que encontramos um norte de trabalho para reduzir os homicídios”, avalia Katarina. Para Sidney Teles, escrivão de Polícia e diretor da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal – Ceacrim –, os números mostram o cenário real da criminalidade hoje.

ESTATÍSTICAS

Segundo Sidney Teles, a metodologia da SSP utiliza um sistema moderno que é alimentado diretamente pelos dados do Instituto Médico Legal – IML. Antes, esse serviço era feito manualmente por uma servidora. “O IML preenche as informações e nós fazemos as estatísticas, incluindo até as que estão por esclarecer”, afirma.

De acordo com Sidney, os anos anteriores mostram que o Estado vinha numa linha criminal ascendente, com índices de crescimento que chegavam a 15%. “De 206 para cá, essa linha estagnou e, no ano passado, houve uma queda. Ou seja, além de quebrar a linha de crescimento, caiu”, ressalta o diretor.

Questionado se esses novos números não vão de encontro com os apresentados pelo Fórum Nacional de Segurança Pública, que apontou Sergipe como o Estado mais violento do país, ele garante que não. “No próximo Anuário, os números serão esses que estamos apresentando. Eles solicitam os dados à Secretaria e nós repassamos. Não pode haver discrepância, pois eles solicitam via Lei de Acesso à Informação (LAI)”, esclarece.

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Gilmar Carvalho: É preciso investir em segurança

QUESTÃO DE HONRA

Com esses dados, segundo Sidney, Sergipe pode perder esse estigma de mais violento. Aliás, todos na Secretaria deixam claro que as tratativas realizadas tiveram justamente esse foco – foi como uma questão de honra para a SSP. “Temos acompanhado as estatísticas informalmente e é muito provável que a gente não fique em primeiro colocado, porque há Estados que tiveram aumento nesse período. Nós, além de não termos tido aumento, conseguimos reduzir”, frisa.

Sidney assegura que vem acompanhando os dados há dois anos e que é impossível ter um planejamento eficaz sem que eles sejam o norte. “Não existe planejamento sem estatística, sem fazer uma análise do que está. Acontecendo Por isso, a gente se preocupa em analisar os dias, os horários, os locais onde está tendo mais incidência”, diz.

E apesar de a maioria dos dados ser positiva, há, ainda, os números que fogem a essa estratégia, como os que envolvem Nossa Senhora do Socorro e Itabaiana – dois calcanhares de Aquiles da segurança no Estado. “Atualmente, Socorro e Itabaiana destoam dessa política, mesmo a gente tendo conseguido reduzir os homicídios de Itabaiana de 100, em 2016, para 83, em 2017, o número ainda é bem alto. Em virtude disso, a cidade é sempre prioridade em nossas reuniões”, justifica Sidney.

GRANDE NA VIOLÊNCIA

O número de reincidências também não é bom: das 4.055 pessoas encaminhadas ao sistema prisional, 40% apresentaram reincidência. E é justamente por isso que Katarina Feitoza, a delegada-geral, diz que apesar de os números serem positivos, a Secretaria ainda não está satisfeita com eles.

“Sabemos que para um Estado pequeno como Sergipe, ainda são números elevados. É claro que são significativos, já que vínhamos numa linha ascendente ano a ano. É uma vitória com relação ao trabalho que vem sendo efetuado”, avalia.

Ela também acredita que na próxima apresentação do Fórum,  Sergipe não estará mais liderando o ranking da violência. “Certamente, não será o primeiro, mas, repito, não estamos satisfeitos ainda, apenas conseguimos perceber que a poltica de segurança pública vem dando resultado. Ou seja, que essa política integrada é uma política de Estado e não de Governo, que estamos olhando para a segurança com sensibilidade e responsabilidade”, reforça Katarina.

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Antônio dos Santos: Socorro merece mais atenção

LEGISLATIVO

Na esfera legislativa, a preocupação com a segurança também existe. Muitos dos deputados fazem discursos acalorados sobre o tema. Gilmar Carvalho fez o mais recente deles, no qual fez um alerta a respeito da necessidade de investimento na área, da realização de concurso público para a Polícia Militar e a convocação dos policiais civis aprovados no último concurso.

O parlamentar lamentou que as delegacias estejam em condições deploráveis e afirmou que o dinheiro público não está sendo aplicado da forma devida pelo governo, o que, segundo ele, é uma agressão ao contribuinte. “Os policiais civis aprovados em concurso foram treinados com o dinheiro público e preparados pelo próprio Governo, que descumpriu sua parte ao não fazer a convocação de todos os 200 aprovados”, ressaltou.

MAIS CRÍTICAS

O deputado Antônio dos Santos também ocupou o pequeno expediente da Assembleia Legislativa de Sergipe – Alese –, para  fazer um apelo à Secretaria de Segurança Pública do Estado. Em seu pronunciamento, o parlamentar se solidarizou com os moradores do município de Nossa Senhora do Socorro, que, segundo ele, recebeu o título de 3ª cidade mais violenta do Brasil,  em virtude da falta de segurança e do alto índice de criminalidade.

O deputado relatou que o município vem sofrendo com uma quadrilha que tem agido na cidade realizando assaltos, invadindo casas utilizando spray nos olhos das vítimas e levando todos os bens. “O apelo é de que a segurança pública intensifique seu trabalho naquele município”, disse o parlamentar.

O JLPolítica procurou saber quantos desses discursos se transformaram em Projetos de Lei, mas o diretor de Comunicação da Alese, Marcos Aurélio Costa, não retornou aos contatos até o fechamento da matéria.

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Marcos Aurélio: comunicação da Alese não informou sobre Projetos de Lei voltados para o tema

Concursos da área

De acordo com a delegada-geral do Estado, Katarina Feitoza, a lacuna entre o penúltimo concurso da Polícia Civil e o último, em 2001 e 2014, respectivamente, foi o que causou esse drama do segmento no Estado. Mas que, segundo ela, vem sendo reparado.

“O Governo já entende essa ação como um grande erro no planejamento e deve realizar mais concursos, porque 140 aprovados ainda devem ser chamados e há um número alto de policiais prestes a se aposentar”, afirma Katarina.

Além disso, segundo ela, o edital do concurso para delegado de polícia deverá ser lançado em breve, já que são dez vagas disponíveis. “Não vamos esperar mais uma, duas décadas. Isso afeta e muito o planejamento, a política de segurança pública”, reforça.

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Dados do SPP: diferentes da realidade

OS INFOGRÁFICOS

Abaixo, nos links, você clica e acessa, em PDF, todos os dados estatisitcos da SSP:

Infografico 1

Infográfico 2

Infográfico 3