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Reportagem Especial

Tanuza Oliveira

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Eleições 2018 serão (mais) fortemente impactadas pelas redes sociais

Liberadas para a campanha e até para arrecadação de fundos para custeá-la, plataformas digitais serão utilizadas à exaustão e já se configuram como uma nova forma de fazer política

Que as redes sociais são “o” fenômeno desta geração, não há nenhuma dúvida. No entanto, este ano, elas já mostram que se tornaram ferramentas eficazes, também, no âmbito político e que, nestas eleições, serão e terão um significativo diferencial. É que, em virtude do grande alcance e do baixo custo, estar na rede é a mais nova forma de fazer política - em Sergipe e no Brasil. Com todo o benefício e todo o perigo que isso implica.

Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp formam o “kit político” que todo pré-candidato que se preze deve ter. Porém, cada uma dessas redes sociais tem suas características e peculiaridades, cabendo ao político, portanto, a melhor adaptação a ela e ao público-alvo que pretende atingir. Sim, com todo o benefício e todo o perigo que isso implica.

A doutora em Comunicação Lilian França, professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe - UFS - e dos mestrados PPGCOM e PPGCINE, diz que, na verdade, a presença das redes sociais tem influenciado em vários processos eleitorais, a exemplo das eleições para a Presidência dos Estados Unidos, com os exemplos de Barack Obama e Donald Trump.

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Davi Leite: Redes sociais já são protagonistas deste processo eleitoral
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Lilian França: Sucesso nas redes está diretamente ligado ao profissionalismo

DESPREPARADAS

“Ele diria que: “as redes sociais são uma armadilha”, pois, em sua opinião, não permitem o verdadeiro desenvolvimento de laços humanos, que terminam reduzidos a adicionar ou deletar “amigos” com grande facilidade. Acredito que ainda engatinhamos no que tange ao uso das redes sociais e, justamente por isso, o número de equívocos ainda é muito grande”, analisa.

Segundo ela, as pessoas acabam por ser negligentes com as redes – ou seja, se expõem demais, divulgam informações confidenciais, atravessam as fronteiras do público e do privado. “Chegamos a um ponto que "precisamos" fotografar o que estamos comendo e compartilhar; fotografar a hora que acordamos, que vamos dormir, aonde fomos, o filme que assistimos...Nos esquecemos de pensar sobre a importância desses fatos”, critica a professora.

“Será que alguém realmente se interessa por essas particularidades do nosso dia a dia? Será que essa quantidade de informações não sufoca outras questões importantes, a exemplo das próximas eleições?”, questiona. Mas Lilian França acredita que, “com o tempo, talvez sejamos capazes de transformá-las em um forte meio de melhoria da qualidade de vida”.

COADJUVANTES, AINDA

Apesar do crescente uso das redes desde as últimas eleições, em 2016, para Lilian França, elas ainda serão coadjuvantes nesse processo eleitoral. “Acredito que este ano será um ano de muita experimentação para tentar chegar ao eleitor. Alguns políticos ainda acham que o melhor tipo de propaganda é aquele feito pelos cabos eleitorais. Mas, claro, ninguém deve se arriscar a ficar fora das redes sociais. Mas não as vejo como protagonistas ainda”, avalia.

Ela afirma que procura sempre acompanhar o que os políticos e pré-candidatos estão aprontando nas redes. E, com essa observação nada animadora, constata que existem experiências interessantes, mas que a grande maioria não é profissional.

“Algumas contam com a participação de profissionais da área, dá para perceber. Por outro lado, em alguns casos ainda se observa uma ação mais amadora, como se bastasse entrar numa rede e postar alguma coisa”, analisa. Para Lilian, observando-se até os comentários, é possível perceber que muitos dos que interagem o fazem ou para dizer que “aquele é o melhor candidato” ou para “dizer que é o pior”.

“Não consigo ver um verdadeiro debate entre os frequentadores das redes, mas alguns monólogos ou frases soltas e descontextualizadas. Como eu disse, acho que ainda é uma fase de aprendizado’, reitera a professora.

CASES SERGIPANOS

Diferentemente do que pensa a professora Lilian França, David Leite, um dos marqueteiros políticos que atuam no Estado, acredita que as redes sociais serão o grande diferencial das eleições de 2018 no Brasil. “Dominaram o cenário, até mais do que o rádio e a TV, no período da propaganda gratuita. São abertas, livres de regras - a não ser o bom senso - e estão à mão de qualquer pessoa através dos aparelhos móveis”, justifica.

E que, para isso, os profissionais da área tiveram que se adaptar. “Na eleição norte-americana de 2016, quando Donald Traump foi eleito, o WhatsApp estourou e o Twitter foi fundamental para o diálogo com os eleitores, sem intermediários. São ferramentas de comunicação direta e como atingem uma massa considerável de pessoas, já estão sendo usadas para transmitir mensagens dos candidatos”, afirma David.

Ele trabalha na equipe do pré-candidato ao Senado André Moura, PSC, que está entre os mais presentes nas redes sociais da Internet, com destaque para o Facebook, Instagram e WHatsApp. “O grande impacto se dá nos debates dos grupos de WhatsApp, através dos quais uma verdadeira guerrilha está estabelecida”, admite.

DE 2016 A 2018

Segundo David, na eleição municipal de 2016, foram testados vários modelos de gestão de comunicação nesses grupos e, agora o que deu certo lá atrás, começa a servir de plataforma efetiva. “Sem dúvida, são os vídeos e áudios, também distribuídos em listas, que fazem o maior sucesso. Mas há outras ações também muito eficazes, como o monitoramento dos movimentos dos adversários, agora mais fáceis de observar”, analisa.

Para ele, o lado negativo de tudo isso residiria, talvez, na profusão de informação e desinformação plantada nas redes sociais, com o objetivo de atacar adversários e “vender” o candidato que se apoia. “Além disso, as redes também estão cheias de “especialistas”. Nunca vi tanta gente que entende de tudo, de remédio para verruga a pósitrons e neutrinos no mundo subatômico. Chega a ser patético”, opina David Leite – com a acidez que lhe é peculiar dentro e fora das mídias.

O marqueteiro acredita que, mais das vezes, são opiniões escritas em português sofrível, mas são opiniões. “O aspecto positivo, por assim dizer, está na democratização do acesso irrestrito à informação que somente a internet proporciona”, pondera.

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Jatobá: Elas são aliadas e servem como ferramenta de comunicação e interação

WHATSAPP LIDERA

David ressalta que a equipe hoje, depois de testar alguns produtos, foca no WhatsApp e no Instagram. “Estamos bastantes avançados neste ponto. Mas ainda há ações, sim, em planejamento, e estão baseadas em pesquisas que fizemos. O WhatsApp está bombando”, atesta.

Questionado sobre se esse processo foi natural, David Leite conta que a ferramenta já se fazia presente desde quando coordenou a campanha de Henri Clay Andrade para presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Sergipe, em 2015. “Lá, pudemos perceber como as redes sociais poderiam influir na eleição de 2016. Foi um bom laboratório”, diz.

Mas, experiente na área como poucos, ele sabe que não pode entregar toda a estratégia de divulgação da equipe. “Não dá para falar em estratégia, pois seria entregar o ouro ao “bandido”. Contudo, o que posso adiantar, é que usaremos à exaustão as redes sociais da internet”, avisa David.

E como na opinião dele não há diferenciação entre o eleitor sergipano e o de qualquer outro lugar, essa estratégia compreende dar a ele o que ele quer. “Entendemos que os eleitores querem se informar sobre os seus candidatos, querem fazer comparativos, querem tirar dúvidas. Então, todo e qualquer instrumento que agilize ou assegure um canal de diálogo acaba se tornando natural”, avalia.

TRANSPARÊNCIA

Outro pré-candidato bastante atuante nas redes sociais é o senador Eduardo Amorim, que pleiteia o mandato de governador do Estado este ano. De acordo com João Jatobá, coordenador de Marketing de Eduardo Amorim, as redes sociais são aliadas e servem como ferramenta de comunicação e interação com as pessoas.

“Eduardo Amorim sempre foi um defensor do uso das redes como ferramenta de transparência do mandato junto com o site oficial, onde há a possibilidade de as pessoas visualizarem, por exemplo, as emendas destinadas aos 75 municípios de Sergipe”, afirma João Jatobá.

Jatobá destaca que, em 2016, Eduardo Amorim liderou a lista dos parlamentares mais influentes na Internet e nas redes sociais segundo ranking da Pesquisa Medialogue Político Digital. “Atualmente, todas as redes são autenticadas e com reconhecimento pelos aplicativos: um dos poucos parlamentares que possui todos os selos”, reforça.

DIÁLOGO

Para ele, as redes são mais uma forma de fazer a mensagem chegar aos eleitores e de se posicionar, já que, diferentemente das mídias tradicionais, conseguem manter um diálogo com a audiência. “Os resultados esperados são manter o diálogo e fazer com que nossa mensagem chegue a mais gente, inclusive fora da bolha de fãs”, explica o coordenador.

Mas João sabe que este ano será diferente de todos os outros. “A legislação mudou e a internet terá um peso maior, principalmente, pelo fato de poder fazer impulsionamento (pagar por mais alcance). Não temos como prever o futuro, mas uma coisa é certa: teremos que combater as fake news, que se espalham indiscriminadamente. Com as redes, podemos desmentir os boatos e mostrar o verdadeiro trabalho”, acredita.

Em uma micro entrevista dentro dessa Reportagem, o marqueteiro Carlos Cauê, um dos mais ativos de Sergipe, dirá o que pensa das redes, do peso delas – acha que só perderão para a TV no momento da propaganda eleitoral institucional - e como se deve lidar com elas. Cauê deverá ser responsável pelo marketing de três candidaturas majoritárias este ano – as de Belivaldo Chagas ao Governo, e de Jackson Barreto e de Rogério Carvalho, ao Senado.

EXPERIENTE

O senador Antônio Carlos Valadares, unânime conhecedor e fazedor da política – não só a sergipana –, também foi um dos que reconheceram precocemente o peso das redes sociais na vida de um político, com mandato ou não. “Desde a eleição de 2010 que eu comecei a usar intensamente as redes sociais para impulsionar as minhas mensagens a partir do Twitter, Facebook e, agora, o Instagram e o WhatsApp”, afirma Valadares.

O senador se apresenta como um autoditada dessa era de mídias digitais e garante que todos esses mecanismos – Twitter, Facebook, Instagram e WhatsApp – de instrumentalização da internet ajudam substancialmente não só aos políticos, mas também às empresas que fazem negócios e às famílias de modo geral.

“Mas com relação às eleições, as redes sociais adquiram uma importância tão grande que se forem praticados abusos extremos, a gente pode perder esse direito de expressão, de comunicação”, avalia. E para que isso não aconteça, a legislação eleitoral já regula o uso das redes. “É a primeira vez que acontece, era tudo livre. Agora, foram estabelecidos limites para o uso das redes em benefício de candidaturas”, opina.

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Senador Valadares: precursor do uso das mídias para a política em Sergipe

RESPONSABILIDADE

Essa regulamentação, obviamente, traz mais responsabilidade. “Na minha visão, elas (as redes) são um prêmio que a sociedade ganhou da tecnologia e, em função disso, devem ser usadas com reponsabilidade”, observa. Com a legislação, também veio a primeira permissão para usar as redes para arrecadar recursos financeiros para a campanha, o que leva o senador à conclusão de que elas terão, sim, mais repercussão este ano.

Vale lembrar que, na maioria das vezes, é o próprio senador que alimenta as redes sociais dele, principalmente o Twitter, do qual é usuário contumaz. “Há jornalistas que me acompanham por lá. Depois de postar, passo as mensagens para o Facebook, as vezes para o Instagram e, principalmente para minha lista de transmissão do WhatsApp, onde tenho mais de 1500 pessoas, fora os grupos. Uma tuitada minha pode valer para entre 20 e 40 mil, ou até mais”, estima Valadares.

E esse é um dos pontos que mais chamam a atenção: o alcance – imediato, orgânico e, na maioria das ezes, gratuito – das redes sociais. “É uma multiplicação de mensagens que você jamais poderia imaginar, então o bom uso, o uso ético das redes, é o que aconselho, além de sempre trazer ou coisas serias ou coisas pessoais, para mostrar que não está distante”, orienta o autoditada.

PESSOAL X POLÍTICO

Para o senador Antônio Carlos Valadares, é preciso ter uma diversidade de temas para atrair o interesse nas redes sociais, e, para isso, nada melhor do que mesclar assuntos profissionais e pessoais. No entanto, do alto de sua experiência, o senador é categórico ao afirmar que as publicações de cunho pessoal são mais atrativas.

“Se eu saio no meu Fusca 1964, tiro uma foto e coloco no Instagram, aquilo tem centenas de curtidas. A saída com o Fusca chama mais a atenção do que um post sobre tema técnico do meu mandato. Se for em vídeo, e curto, de 15  segundos, atrai ainda mais”, assegura. “Aprendi isso ao longo do tempo e hoje sei que o que comanda mesmo não é apenas o que se escreve e sim a imagem”, atesta.

Ele também sugere a publicação de coisas mais simples, naturais – e é por isso que o vídeo atrai tanto. “O vídeo tem muita naturalidade. Ali, o povo está vendo sua feição, o modo como você se posiciona. Aconselho a quem quer usar redes sociais em campanha política a usar o vídeo e a ser o mais natural possível, ser uma pessoa, e não robô”, diz.

FAKE NEWS

Segundo o Digital News Report de 2017, um estudo sobre o consumo de notícias, apontou que 46% dos brasileiros usam o WhstApp com esse objetivo. Para Lilian França, o que preocupa, nesse cenário, é a falta de análise crítica acerca daquilo que se recebe pelo WhatsApp.

“As pessoas devem sempre checar a fonte, verificar se, de fato, aquela notícia é verdadeira. Como a maioria simplesmente, em geral, recebe e encaminha, acaba por se criar um círculo vicioso, com a divulgação de fatos que podem gerar pânico, difamar ou criar falsas interpretações da realidade”, argumenta.

Ou seja, na opinião da professora, as pessoas ainda são suscetíveis aos golpes mais antigos, para roubar senhas ou dados pessoais, pois não acreditam que o meio seja potencialmente perigosos. “Isso se deve ao extraordinário desenvolvimento das TIC - Tecnologias da Informação e da Comunicação –, desconhecidas pela maioria das pessoas”, ressalta.

MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Ainda nesse cenário, as fake news se apresentam como o lado negativo da utilização das redes. “As fake news, ou notícias falsas, têm sido muito comentadas, mas, ao meu ver, existe um problema ainda mais grave, que é a manipulação da informação”, opina Lilian França.

Isso porque, na visão dela, os princípios básicos do Jornalismo têm sido abandonados em ambientes que não prezam pelos fundamentos da profissão. “A apuração, a apresentação dos diferentes pontos de vista, a diversidade de opiniões, acabam por ser superados por uma "voz única", que dificulta o posicionamento crítico e acaba por intensificar aquilo que se tem chamado de "discursos de ódio"”, justifica.

Davi Leite concorda. Para ele, o monitoramento e reação imediatada são as melhores estratégias para as feke News. “A mentira, a falsa informação ou mesmo a meia informação devem ser combatidas de modo a evitar que, por um descuido qualquer, venham a viralizar, o que acaba sendo um problemão. É complicado desmentir uma mentira dita mil vezes, por exemplo. Dependendo da profundidade do estrago, pode ser fatal”, reconhece.

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Marcelo Ennes: redes sociais tendem a unir pessoas que pensam da mesma maneira

VERDADEIRAS?

O senador Valadares acredita que as redes sociais terão dez vezes mais força este ano do que nos anos anteriores. E que, por isso, o apelo às mensagens reais deve ser buscado. “Em 2018, teremos um acúmulo de mensagens. Esperamos que elas não venham cansar os internautas e que sejam mensagens de otimismo, esperança e, especialmente, verdadeiras”, destaca. 

A preocupação de Marcelo Ennes, pós-doutor, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe – UFS – e do Programa de Pós-graduação da área, é exatamente essa: a veracidade das informações propagadas pelas redes sociais. “Minha opinião é de que os políticos podem, inclusive, usar as notícias falsas nesse período”, afirma Marcelo Ennes.

le tem as redes como novas expressões da política, tanto no sentido da exposição das opiniões quanto no das formas de debate, de arregimentação de pessoas-eleitores. “Elas fazem parte de uma nova dinâmica da política do mundo contemporâneo”, atesta. 

NOVA ERA

Para Marcelo, o chamado movimento das redes sociais é uma característica dessa era, embora não possa ser considerado natural no sentido de ser uma coisa automática. “Ele é fruto de várias mudanças. No plano tecnológico, materializadas na internet; e de mudanças de comportamento, de uma época em que estamos com menos laços duráveis e profundos e mais ligados de maneira efêmera, provisória”, analisa.

Na opinião do professor, as redes sociais expressam o que a sociedade é hoje e, no âmbito político, tendem a unir pessoas de mesma corrente. “Em geral, reúnem pessoas que querem falar com outras pessoas que pensem igual a elas, então vão funcionar muito mais como uma confirmação de determinada opinião do que um espaço de diálogo, de troca de informações e opiniões”, avalia Ennes.

INSTITUCIONALIZADA

José Carvalho Peixoto é secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral – TRE – de Sergipe e fala de como a midiatização da informação eleitoral/política já é uma coisa institucionalizada. Segundo José Carvalho, para este ano, o órgão já lançou diversas ferramentas que convergem para este cenário.

“Foram lançados pelo TRE-SE o agendamento de atendimento e o cadastro de voluntário da justiça eleitoral pela internet via web e via smartphones. Merece destaque o aplicativo Atendimento Online, acessível através do site mobile do TRE-SE, que representa um serviço atendimento através de troca de mensagens via celular”, diz José Carvalho.

O aplicativo permite ao eleitor sanar dúvidas sobre sua situação eleitoral e local de votação, além de permitir o agendamento de atendimento e o cadastramento do eleitor como voluntário da Justiça Eleitoral. “O TSE também já lançou o aplicativo mobile e-Titulo. Adicionalmente, serão lançados os aplicativos Mesários, Pardal (para registro e acompanhamento de denúncias), Agregador (informações de onde votar, agenda da Justiça Eleitoral) e uma nova versão do aplicativo de divulgação de resultados”, elenca.

AVANÇO TECNOLÓGICO

Todas essas mudanças ocorreram de dentro para fora. “Diversas outras soluções tecnológicas que aprimoram processos internos diretamente ligados às eleições foram concebidas e são utilizadas por servidores, juízes, membros e colaboradores da Justiça Eleitoral”, confirma o secretário. Além disso, o próprio TRE está nas redes sociais.

Segundo José Carvalho, a permanência dos pré-candidatos nas redes é regulamentada pela Resolução TSE 23.551/2017, que trata da propaganda eleitoral. “A Justiça Eleitoral, a exemplo de outros órgãos públicos, tem procurado acompanhar o avanço tecnológico com o objetivo de modernizar seus procedimentos e entregar, cada vez mais, um melhor serviço para a sociedade”, justifica.

De fato, esse avanço tecnológico, na opinião da doutora em Comunicação Lilian França, deve estar à disposição do eleitor para que ele vá às urnas cada vez mais – e melhor – munido de informações a respeito de suas escolhas. “É um momento confuso, cheio de dúvidas. Assim, não creio que nenhum eleitor esteja preparado. O que eu sempre recomendo é que devemos sempre verificar se a informação que recebemos é verdadeira”, reforça.

Para ela, apesar de toda a dependência criada em torno das redes sociais, ninguém está preparado, de fato, para as mudanças geradas por elas. O que se espera, porém, é que políticos e eleitores possam aprender juntos a seguir por esse novo caminho, usando as ferramentas para mostrar o que pensam e o que desejam para seu Estado e seu país – dentro e fora do mundo virtual.

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Carlos Cauê atua como marqueteiro político há exatos 30 anos

ENTREVISTA
Carlos Cauê - “Não há receita para lidar com o formato da mentira num ambiente de rede”

O jornalista Carlos Cauê atua como marqueteiro político há exatos 30 anos. Sua primeira campanha foi a que elegeu Wellington Paixão prefeito de Aracaju em 1988.

Carlos Cauê é uma figura temida nessa esfera. Quase não perdeu nenhuma campanha em Sergipe. E tem um olhar muito apurado sobre o papel das mídias sociais, sobretudo agora na pré-campanha.

“As redes cresceram muito o seu papel desde 2016 e continuarão atuando crescentemente, mas temo que cada vez mais se destinem a um trabalho destrutível”, prevê ele. Veja abaixo, o pensamento dele nas respostas a estas nove perguntas que a Reportagem Especial do JLPolítica lhe formulou.

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Na campanha de Edvaldo, para a prefeitura de Aracaju, foi acusado de fazer o "marketing do mal"

PERÍODO DE CAMPANHA
"Nessas eleições, o que chama a atenção é o encurtamento do período eleitoral, propriamente dito, e a extensão do período de pré-campanha"

JLPolítica - As eleições deste ano já apontam um diferencial significativo, que é o da existência das redes sociais e a possibilidade de fazer pré-campanha/campanha nelas. Foi preciso se adequar a esse novo cenário? Como?
Carlos Cauê -
A realidade das redes já existe desde a eleição de 2016, assim como o estatuto da pré-campanha. Para mim, tem sido um aprimoramento de um processo que vivemos intensamente na pré-campanha de Edvaldo Nogueira a prefeito de Aracaju. Ali, a pré-campanha foi decisiva para a consolidação do nome dele. Nessas eleições, o que chama a atenção é o encurtamento do período eleitoral, propriamente dito, e a extensão do período de pré-campanha.

JLPolítica - Quais alterações essa novidade traz para o processo eleitoral?
CC -
Como em dois anos também houve uma significativa alteração das plataformas das redes sociais, a adequação se dá no sentido de alcançar o domínio das diversas linguagens que cada uma dela encerra e procurar instalar-se no amplo debate diuturno que ali acontece. Seja no campo da discussão política, do enfrentamento aos adversários ou na construção de conteúdos que delineiem o posicionamento do candidato nas plataformas.

JLPolítica - Quais seriam os pontos negativos e os positivos da inserção das redes/mídias no processo eleitoral?
CC -
É muito positiva a ampliação do alcance que as redes permitem à mensagem, além de sua diversificação audiovisual e formal. O negativo é que as redes também permitem que circulem nela todo tipo de contrabando informacional, não só no formato de fake news, mas em todos os sentidos. Isso fragiliza as plataformas digitais, pois perdem credibilidade e permitem a difusão de mentiras. Além disso, os agentes políticos terminam fazendo delas um front, que deve tornar insuportável para o usuário comum a permanência nelas. Especialmente em algumas plataformas, são grupos se digladiando eternamente, muitas vezes sem um nível de racionalidade que torne a discussão civilizada. Isso é péssimo.

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Foi bem sucedido na reeleição de JB para o Governo, em 2014

SEM RECEITA PARA A MENTIRA 
"Não há receita para lidar com o formato da mentira num ambiente de rede que se instaura na nuvem global da comunicações nos tempos atuais"

JLPolítica - Um estudo sobre o consumo de notícias apontou que 46% dos brasileiros usam o WhatsApp em busca de informações. Vocês (no caso a equipe) utilizam a ferramenta? Houve algum estudo para a definição dessa estratégia?
CC - Nos referenciamos nos estudos globais e em sondagens de consumo de informação aqui no Estado. O WhatsApp, sem dúvida, tornou-se uma ferramenta primordial de comunicação, dada a sua extrema facilidade de compartilhar dados, e por isso damos atenção especial à ferramenta que, por reunir todas essas facilidades, tornou-se o principal cenário, também, para o que mencionei de negativo nas redes.

JLPolítica - Esse processo foi natural? O senhor esperava essa mudança no contexto político-comunicacional?
CC –
Essas mudanças vem na esteira das transformações tecnológicas no campo da comunicação, que já se processam há alguns anos, dentro do que se chamou de quarta revolução. O grande impacto disso nas comunicações é que, confirmando a máxima de Marshall Mcluhan, definitivamente, o meio é a mensagem.

JLPolítica - Ainda nesse cenário, as fake news se apresentam como o lado negativo da utilização das redes. Como lidar com elas?
CC -
Não há receita para lidar com o formato da mentira num ambiente de rede que se instaura na nuvem global da comunicações nos tempos atuais. A contraposição com dados e fatos sempre será oportuna e necessária, dependendo do grau de nocividade do conteúdo fake. E uma ação que seja instantânea de refutação para competir com a velocidade com que tais conteúdos circulam. O acionamento de mecanismo legais para tentar coibir tais práticas é uma exigência de toda a sociedade, não só dos atingidos, especialmente dos órgãos responsáveis pelo controle e dos partidos e candidatos envolvidos nas eleições. O estabelecimento de um marco legal adequado também precisa ser pensado, sem que fira o direito da livre expressão que a rede conquistou.

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Agora, recebeu a procuração do Galeguinho Belivaldo Chagas e tenta reeditar o sucesso

O ELEITOR SERGIPANO 
"O eleitor sergipano não difere, especialmente, do eleitor brasileiro. Cresce seu consumo de informação pelas redes e pelas possibilidades tecnológicas que o mundo apresenta"

JLPolítica - Atualmente, de quais outras ferramentas a equipe dispõe? Qual a estratégia de utilização delas?
CC -
As ferramentas são as que estão disponíveis no universo das redes, já que somente aí, em termo de comunicação de massa, a pré-campanha transcorre. As estratégias obedecem a natureza intrínseca de cada uma delas, respeitando as linguagens, possibilidades de narrativas, e potenciais de alcance.

JLPolítica - Para a senhor, as redes sociais já serão protagonistas nesta eleição ou ainda são coadjuvantes frente a outras ferramentas?
CC -
Nesse período de pré-campanha elas reinam absolutas. Quando se instalar o período eleitoral clássico, acredito que os outros meios dividirão a cena, sendo a TV ainda um meio possante, capaz de formar opinião e persuadir. As redes cresceram muito o seu papel desde 2016 e continuarão atuando crescentemente, mas temo que cada vez mais se destinem a um trabalho destrutível.

JLPolítica - O eleitor, não só o sergipano, estaria preparado para essas mudanças?
CC -
Sim. O eleitor sergipano não difere, especialmente, do eleitor brasileiro. Cresce seu consumo de informação pelas redes e pelas possibilidades tecnológicas que o mundo apresenta. E para além de um jogo de discursos midiáticos, as eleições põem em curso a boa e velha política, os diversos projetos políticos que se apresentam e que os eleitores conhecem, senão profundamente, pelo menos em seus contornos principais, que lhe tornam apto a julgar, a escolher, a votar.