Geografia do quem é quem na estrutura política de Sergipe

Com 40 dos 75 municípios do Estado, oposição poderia ser a bola da vez. 
Mas como em política nem tudo que 
parece é, a “situação” vai “muito bem, 
obrigada”

Por Tanuza Oliveira
16 jun 2017, 08h11

“O que me dá uma certa tristeza é a falta de renovação nos quadros políticos de Sergipe”. Esta frase foi dita pelo ministro aposentado do STF e parecerista  Carlos Ayres Britto em entrevista ao JLPolítica no domingo, 30 de abril.

Mas, apesar disso, ele considera duas ocorrências significativas, marcantes e reveladoras em Sergipe, materializadas nas passagens de Marcelo Déda e de José Eduardo Dutra pela vida pública.

“Não é porque já não estão, infelizmente, entre nós, mas foram duas figuras que dignificaram a política – no que é algo de inestimável valor em nossos dias”.

E continuou: “não baixo o olhar positivo, também, para a figura do atual governador Jackson Barreto, um homem com seus quase 50 anos de vida pública, de bons enfrentamentos democráticos, e que, pelo que se sabe, nega toda uma tradição patrimonialista”, afirmou o ministro, acrescentando, ainda, “que, do fundo desta falta de renovação, há uma espécie de compensação de ver que numa hora de tanta confusão como isso que se chama Lava Jato os nomes de Sergipe passem incólumes”.

Instigado pelas colocações do ministro, o JLPolítica decidiu debruçar-se de forma mais aprofundada sobre a geografia política sergipana e fazer de seus aspectos – sejam eles quantitativos, qualitativos ou de quaisquer naturezas – o primeiro tema da série de Reportagens Especiais que será veiculada a cada segunda-feira, para, assim, confirmar ou não essa não renovação criticada pelo ministro, além de situar para o leitor deste portal como são e estão as configurações políticas do Estado.

Carlos Ayres Britto: alerta para a falta de renovação
Carlos Ayres Britto: alerta para a falta de renovação

QUEM É QUEM NO QUANTITATIVO

E esta série começa exatamente por uma análise detalhada da composição político-partidária e eleitoral de Sergipe. Para chegar ao centro desta questão, é preciso analisar números. Por exemplo: o Estado tem 75 municípios. Destes, 40 estão sob o comando do grupo de oposição ao do governador Jackson Barreto, PMDB, – formado, principalmente, por partidos como PSC, PSB e PSDB – contra 35 geridos por partidos ligados a JB.

Mas em política os números parecem não ser exatos e um outro dado desfaz a alegria dos oposicionistas. Isso porque, apesar de ter mais municípios sob o seu comando, o bloco da oposição tem poderes sobre menor quantidade populacional. Ou seja, menos eleitores sob suas asas: são 795.106 contra 1.395.891, o que, em termos percentuais, corresponde a 36% contra 64%.

Quando se analisa a distribuição do poder através dos partidos, o grupo do governador Jackson Barreto também mantém a liderança: o PMDB, presidido no Estado por João Augusto Gama, ex-prefeito de Aracaju e atual secretário de Estado da Cultura, administra 15 cidades, seguido pelo PSC, com 12; PSB, com 11; DEM, com 6; PSDB e PSD, com 5 cada; PR, com 4; SD, PRB e PT, com 3; PTN, PDT e PCdoB, com 2, e PTdoB e PTC, com apenas uma cidade.

Jackson Barreto: 35 cidades sob seu comando

PODER SOBRE POPULAÇÃO

Mas ainda aqui cabe um adendo: o PCdoB, embora só tenha duas cidades sob seu comando, é o partido que governa para a maior parcela da população sergipana, já que abarca as duas maiores cidades do Estado: Aracaju e Nossa Senhora do Socorro, respectivamente.

Juntos, os prefeitos delas, Edvaldo Nogueira e o Padre Inaldo, têm 751.132 moradores para cuidar – o JLPolítica entrou em contato com o maior expoente do PCdoB no Estado, o vereador e presidente da sigla, Antônio Bittencourt, mas ele não respondeu aos questionamentos.

Depois do PCdoB, vem o PMDB, com uma população de 352.890; o PSC conta com uma população de 281.323; o PR, 144.346; seguido pelo PSB, com 133.172. O DEM administra uma população de 78.545, seguido pelo PRB, com 70.616; o PSDB, com 68.879; o PTC, com 68.846; o PT, com 54.100; o PTB, com 46.957; o PSD, com 47.546; o SD, com 45.035; o PDT, com 27.615, e o PTdoB, com uma população de apenas 19.995.

Por trás de cada uma dessas siglas, há um nome – um dono ou um cacique, pois, nesse caso, a nomenclatura não altera a função: André Moura, presidente do PSC em Sergipe, é, sem dúvida, o de maior projeção ultimamente.

Líder do Governo no Congresso Nacional, André tem transitado bem entre o Governo e a oposição e avisa: não há qualquer dissidência entre ele e o senador Eduardo Amorim, PSDB, que seria, diga-se assim, o candidato natural ao Governo pelo bloco ao qual ambos pertencem – como o foi em 2014, apesar de estarem levantando a peteca do senador Antonio Carlos Valadares.

OPOSIÇÃO RESPONSÁVEL

Em entrevista ao JLPolítica, André demonstra enorme maturidade e ótimo equilíbrio que as circunstâncias lhe conferiram, e vê no momento político em que está vivendo múltiplas possibilidades, mas que poderiam ser resumidas a uma única: a de servir bem a Sergipe.

“Eu já disse antes que não adianta ser líder do Governo, ter carro oficial e toda a liturgia do cargo se eu não ajudar Sergipe. Lá na frente, quando eu for questionado sobre o que fiz pelo meu Estado, alguém não virá me dizer “você teve carro, teve cargo, teve a liturgia, portas abertas com ministros e o presidente da República, e serviu para que, para nada?”, confronta André.

“Eu poderia estar aqui fechando as portas e as torneiras para Sergipe com a finalidade de prejudicar o Governo de Jackson Barreto, por exemplo. Mas se agisse assim, eu não estaria tendo a responsabilidade e nem o espírito republicano”, filosofa André.

“Estaria, na verdade, tendo irresponsabilidade com Sergipe e com os sergipanos. E eu não quero isso. Minha responsabilidade agora é maior. Terei que mostrar que a posição que ocupo serviu ao Estado. Que foi importante para o Estado”, diz ele.

André Moura: noção da importância de liderar

PROJETO EDUARDO AMORIM
No aspecto político, sobretudo dentro do seu bloco, André avisa que perde tempo quem pensa que ele vai “morder a isca” de uma desavença com o senador Eduardo Amorim em torno de uma candidatura ao Governo. Para negar isso, usa, ao pé da letra, uma frase-clichê do próprio Eduardo: “Não tem a menor chance”.

Assim como André, Eduardo Amorim também tem se destacado gradativamente no bloco da oposição e na política de Sergipe. Ele comanda o PSDB no Estado e é um dos nomes mais cogitados para disputar o Governo no próximo ano.

“O plano é chegar forte! Fazer com que o sergipano entenda que precisamos ter um Estado melhor administrado, com salários em dia, sem violência, com bons serviços de Saúde e Educação para a população. Estamos num grupo qualificado e compreendemos que vamos apresentar bons nomes não só para Governo, como para o Senado, para a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa”, garante Amorim.

Eduardo Amorim: um Estado melhor administrado

GOVERNO X OPOSIÇÃO

Questionado sobre se o fato de o bloco oposicionista administrar mais municípios – 40 – do que o grupo ligado ao governador Jackson Barreto – 35 – significa mais um enfraquecimento de JB e do grupo dele, ou um fortalecimento do próprio Amorim e do grupo, o senador diz que “isso mostra que o sergipano entendeu e compreendeu tudo que falamos nas eleições de 2014 e 2016”.

“Do que o grupo que assumiu o Governo do Estado falou, nada se concretizou. Lá, falamos das dívidas do Estado, da violência, que os servidores pagariam com salários atrasados. Tudo isso eram coisas que prevíamos e aconteceu e o povo está consciente e sentindo na pele e no bolso. Tudo está visível”, argumenta Eduardo.

O senador admite que o grupo do Governo se enfraqueceu. “E isso teve reflexo na campanha no interior do Estado em 2016. O sergipano está sofrendo com o descaso e a falta de gestão do atual Governo. Além disso, temos hoje uma oposição qualificada, que luta por dias melhores, com excelentes senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos com ótimas gestões e vereadores que lutam pelo nosso povo”, justifica.

Antes um aliado, Amorim é, hoje, um dos grandes adversários do governador. Mas garante: não o vê como inimigo. “Sou adversário nas propostas de gestão e de administração. As coisas poderiam ser diferentes administrativamente no Estado. A coisa pública poderia ser melhor conduzida. Temos bons exemplos de administradores, como em Itabaiana, Simão Dias e Poço Verde. Não é fácil ser oposição em canto nenhum do mundo. Mas não nos deixamos iludir pelas benesses do poder, nem pelos privilégios palacianos. Estamos em lados opostos e vamos continuar mostrando o que há de errado”, avisa.

Assim como Ayres Britto, o senador acredita que a política precisa se renovar urgentemente. “O planeta se renova diariamente. As células do corpo se renovam. A vida é um grande exemplo de renovação. E na política não pode ser diferente. Cada um deve cumprir a sua missão e passar o bastão para outro. Chega! São sempre as mesmas ideias, as mesmas pessoas. Voto não tem preço, tem consequência. E ele precisa ser renovado constantemente”, argumenta.

Heleno Silva, ex-prefeito de Canindé de São Francisco e um dos fundadores do PRB em Sergipe – presidido pelo deputado federal Jony Marcos -, concorda com essa necessidade de renovação. De acordo com Heleno, o partido é novo, participou apenas da segunda eleição para prefeito e para deputado, e vem crescendo.

“Elegemos um bom número de vereadores, três prefeitos, cinco vice-prefeitos. Estamos mesmo em ascensão. É o processo que chamamos de crescimento sustentável, porque não é baseado na força de um governo nem na força de lideranças que aparecem e depois somem. Não, contamos com pessoas que surgem no campo de trabalho, se projetam e ganham a eleição. Estamos muito felizes com esse crescimento e a tendência é a de que a gente continue a crescer agora em 2018”, ressalta.

Por falar em 2018, Heleno Silva garante que o partido lutará para eleger, ao menos, três deputados estaduais. “Estamos construindo uma chapinha própria, vamos sair sem coligação, com nomes médios, que não querem servir de escada para outros, e devemos, além de três estaduais, manter a campanha do Pastor Jony e lutar, no bom sentido, por um espaço na chapa majoritária. O partido já decidiu que o nome é o meu”, avisa Heleno.

Heleno Silva: convencimento de importância

FORÇA POLÍTICA

Para Heleno Silva, as três Prefeituras ainda não representam a força política do partido. “Todo o Sergipe sabe da minha liderança no Sertão, um conglomerado de 150 mil votos, e todas as pesquisas me botam em primeiro lugar para tudo. Porque o povo do Sertão sabe que, quando deputado, fui atuante, presente, com resultados, lutas simbólicas e históricas junto ao homem do campo, como pela vinda da Universidade, da criação de programas sociais, investimento no Nordeste como um todo”, diz ele.

“Nosso respaldo de voto é no Sertão como um todo, sem falar na comunidade evangélica, que cresce a cada ano no Estado, e sabe do meu compromisso com os valores cristãos, embora trabalhe visando não apenas a comunidade evangélica”, analisa.

Heleno foi deputado federal por duas vezes, estadual por um mandato, secretário de Estado e prefeito. “Temos ciência da nossa força, certeza de nossa liderança no Estado e nenhum governo que queira a vitória pode tê-la sem uma conversa com o PRB”, destaca.

Quem também entende de força política é Benedito Figueiredo, fundador do PMDB no Estado. Ele foi um dos que batalharam pela vitória de Jackson, o primeiro governador pelo PMDB da história de Sergipe. “Lutamos muito. Em 1994, ele tentou ser e não conseguiu. Mas agora foi, coroando toda uma vida de luta”, opina Benedito, atual secretário de Governo de JB. “Para o PMDB, que fundei em 1976, é uma grande satisfação”, ressalta.

Apesar de entender o papel da oposição, Benedito acredita que as insertas do senador Valadares vão além dele. “Parece que não se conformou com a derrota para a Prefeitura de Aracaju. E quem conhece o senador Valadares sou eu, que fui vice dele. Sei de sua forma de se comportar”, diz.

Benedito foi vice-governador de Valadares entre 1987 e 1991. “Quando ele fez a intervenção na Prefeitura de Aracaju, fiquei ao lado de Jackson Barreto. Então nem preciso dizer mais nada com relação a ele”, lembra. Mas o secretário assegura que os dois nunca tiveram maiores rusgas. “Só digo que é um homem que não sabe ser grato. E, como dizia o filósofo Sócrates, a pior coisa do mundo é a ingratidão”, opina.

Benedito Figueiredo: Valadares é um homem que não sabe ser grato

POLÍTICA DA DOMINAÇÃO
Mas nada disso leva Benedito a ver o senador Valadares como um problema, um empecilho para os planos do Governo. “Não estou preocupado com o que ele acha ou deixa de achar. A minha atitude é a mesma de Jackson. Uma atitude de ignorá-lo”, admite. O filho de Benedito, o advogado Alexandre Figueiredo, presidente do Instituto Tancredo Neves, será candidato a deputado federal.

E, para Benedito, Sergipe precisa mesmo dessa renovação. “Temos que fazê-la. Difícil é encontrar pessoas de bem que queiram participar, porque a política está estigmatizada, como se fosse do mal. E não é. Não há democracia sem política. Quem errou que pague, mas a política haverá de continuar e eu, que fui preso lutando pela democracia, não abro mão disso”, argumenta.


Embora não seja considerado um problema pelos governistas, o senador Antônio Carlos Valadares, PSB, reconhece estar numa posição mais ativa de cobrança aos responsáveis diretos pela gestão do governo estadual. “O que poderia causar mudanças qualitativas na forma de governar, caso essa nova concepção fosse levada a sério, abriria perspectivas alentadoras para o nosso desenvolvimento”, diz ele.

“Mas preferem o feijão com arroz no dia a dia, a prevalência da atração, pelo Diário Oficial, de políticos de todos os matizes para fortalecer seus projetos de mando, ao invés de projetos permanentes para fazer Sergipe crescer e avançar”, diz o senador Antonio Carlos Valadres.

“É a velha política de dominação de uns que se consideram fortes sobre outros que se acham frágeis, os quais se aproveitam dessa política atrasada para tirar vantagens à custa do contribuinte, forçando mais ainda o emperramento da máquina administrativa”, pontua Valadares.

O partido do qual o senador faz parte, o PSB, administra mais de 10 cidades no Estado, o que, para ele, significa responsabilidade e compromisso para que, num amanhã, seja ainda mais forte.

“Há tentativas de desestabilização do PSB desde o início deste governo perseguidor e desagregador. JB e alguns de seus ambiciosos aliados têm pavor do nosso agrupamento sério, ético e aguerrido. Daí a preocupação constante em querer nos destruir. Somos osso duro de roer. Ainda vamos dar a eles muito trabalho. Quem viver, verá”, avisa.

Valadares: PSB deve ser aplicado e cuidadoso para não ferir a sua história

RENOVAÇÃO, SIM!
Antônio Carlos Valadares afirma que houve momentos na história mais recente da política sergipana em que de fato houve mudança qualitativa e renovação. “Foi quando, com a minha participação direta, e do nosso PSB, trouxemos Déda para comandar o Estado. Homem decente, um estadista admirável. De lá para cá, mergulhamos na escuridão e no retrocesso”, admite.

Mas o senador ainda acredita no poder de renovação da política. “Lutarei, junto a outras lideranças que pensam em renovar os nossos costumes políticos e prevenir o futuro de Sergipe, assim como fiz no passado, para que, em 2018, um novo projeto nos arranque desse período obtuso de escuridão em que a velha política carcomida pelo tempo quer sufocar o nosso povo outra vez”, reforça.

Para isso, o PSB tem planos para as eleições do próximo ano, embora, para Valadares, ainda seja cedo para tratar disso. “O PSB deve ser aplicado e cuidadoso, em tudo que fizer até lá, para não ferir a sua história, sempre atento aos reclamos da população. Não iremos embarcar em propostas que venham a acirrar os ânimos entre trabalhadores e empresários”, diz.

“Refletirmos sobre a paz social neste momento tenso da vida do Brasil – cujo mercado de trabalho tem um desfalque efetivo de mais de 13,5 milhões de empregados -, deverá ser a nossa meta, sem, no entanto, cruzarmos os braços para a garantia da governabilidade em todos os níveis da federação”, analisa.

O professor Eliano Sérgio Azevedo Lopes, doutor da Universidade Federal de Sergipe, também foi questionado pelo JLPolítica. De acordo com Eliano, a situação política em Sergipe atualmente é completamente distinta daquela que saiu dos resultados das urnas nas eleições de 2014.

“Lideranças que foram contra JB, por exemplo, hoje fazem parte do governo. Outras, como o senador Valadares e o filho, deputado federal, eram aliados de JB e hoje lhe fazem oposição”, diz Eliano.

“A dança das cadeiras na Assembleia Legislativa, o posicionamento político mutante de tradicionais lideranças do Estado, assim como o ostracismo a que foram relegados alguns dos caciques políticos historicamente presentes na vida política e administrativa de Sergipe, a exemplo do ex-governador e ex-prefeito João Alves, dificultam uma interpretação clara desse”, analisa.

Eliano Sérgio Azevedo Lopes: a chafurdar na corrupção estão PMDB, PT, PSDB

Além disso, para Eliano, é preciso levar em conta a conjuntura política nacional, posto que Sergipe não é uma ilha – como nenhum Estado o é. “Ora, o contexto atual mostra um país em grave situação de crise política e recessão econômica, com mais de 14 milhões de desempregados, por exemplo. Sem contar com as ações e desdobramentos da Operação Lava Jato, de combate à corrupção, a colocar nas grades magnatas da construção civil, agentes públicos e políticos pertencentes aos partidos mais importantes do país”, afirma.

E continua: “Acrescem-se a isso, as citações pela Lava Jato de indícios que envolvem, nesse lamaçal da corrupção, lideranças partidárias como Lula, Aécio, Renan, Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Alckmin, José Serra, dentre outros. Em resumo, a chafurdar na corrupção estão PMDB, PT, PSDB e outros partidos menos expressivos. Conclusão: o quadro político está completamente confuso e complicado, o que dificulta uma análise substantiva e clara da situação atual do país”, ressalta.

E, segundo o professor, localmente, os partidos políticos estão trincados, alguns até se liquefazendo. “Como foram incapazes de formar quadros políticos competentes e consistentes, impediram que a tão necessária renovação na política ocorresse, a ponto de termos as mesmas figurinhas carimbadas – e já desbotadas pelo tempo – de sempre”, critica.

O professor Eliano também acredita que o cenário político só deve ficar mais claro a partir de setembro. “Isso porque, queiram ou não, somente após a definição do que acontecerá com o Lula – se a justiça vai impedi-lo de se candidatar ou se ele vai para a cadeia – é que o cenário político brasileiro voltará a ser menos complicado e permitirá análises mais consistentes sobre as cenas nacional e local”, pontua.