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Reportagem Especial

Tanuza Oliveira

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Irmã Dulce: a santa que Sergipe consagrou e a Bahia batizou

A história da religiosa passa por Sergipe, onde ela entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada  Conceição da Mãe de Deus, em São Cristóvão. A canonização dela neste domingo é um ato que contempla também Sergipe

A primeira santa nascida no Brasil tinha que ser ela: Irmã Dulce. Um nome e uma personalidade bastante conhecidos dos brasileiros, alguém que é referência de bondade e de entrega, independentemente de religião ou região - embora a história dela esteja geograficamente ligada ao Nordeste e, mais incisivamente, à Bahia e a Sergipe.

Não é à toa que os versos da canção de Theotônio Neto dizem que Dulce é “o Anjo Bom que a Bahia batizou” e a “doce Irmã que Sergipe consagrou”. Em terras sergipanas, além de ter servido para o início da sua vida religiosa, o Estado foi também o cenário para a realização do primeiro milagre atribuído à sua intercessão, que culminaria na beatificação dessa religiosa fisicamente fraquinha.

A história da religiosa Dulce, cujo nome de batismo é Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, começa em 1914, quando nasceu, em Salvador. Quase 20 anos depois, em fevereiro de 1933, logo após a sua formatura como professora, ela entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, já em Sergipe.

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Irmã Dulce aos dois anos, quando ainda era só Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes
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Dom João: Irmã Dulce é a santa do nosso coração

HUMANITÁRIA
“Ela foi, sem dúvida, uma das mais importantes, influentes e notórias ativistas humanitárias do século XX”, garante o arcebispo de Aracaju. De fato, as obras de caridade de Irmã Dulce viraram referência nacional e ganharam repercussão pelo mundo afora. Seu nome é sempre relacionado à caridade e ao amor ao próximo.

Prova disso é que a pequena-grande Dulce foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, em 1988, pelo então presidente do Brasil, José Sarney, com o apoio da rainha da Suécia. Ela não chegou a ser agraciada. Mas, em 2001, foi eleita “a religiosa do século XX”, em uma eleição que foi publicada pela revista IstoÉ.

“Em 2012, a Irmã Dulce foi eleita entre os 12 maiores brasileiros de todos os tempos em uma pesquisa feita pelo SBT para eleger a personalidade que mais contribuiu para o país”, lembra Dom João.

TRÂMITE
Irmã Dulce será canonizada nesse domingo, após 19 anos de processo de tramitação do pedido. A canonização, inclusive, foi uma das mais rápidas transcorrida no Vaticano. “A canonização de Irmã Dulce será a terceira mais rápida da história recente da Igreja Católica, a partir da data da morte: 27 anos, contra 19 anos no caso de Madre Teresa de Calcutá e nove anos no de João Paulo II”, revela Dom João.

Com o início do processo, os restos mortais de Dulce, que desde 1992, quando faleceu, estavam na Igreja da Conceição da Praia, foram então transferidos para a Capela do Convento Santo Antônio, na sede das Obras Sociais Irmã Dulce, também em Salvador. A validação jurídica do virtual milagre presente no processo foi emitida pela Santa Sé em junho de 2003.

Já em abril de 2009, o Papa Bento XVI reconheceu as virtudes heroicas da Serva de Deus Dulce Lopes Pontes, autorizando oficialmente a concessão do título de venerável à freira baiana. O título foi o reconhecimento de que Irmã Dulce viveu, em grau heroico, as virtudes cristãs da fé, esperança e da caridade.

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Peregrinação: em reunião na sexta, o governandor Belivaldo Chagas, o prefeito de Aracaju e Dom João José discutiram um roteiro de peregrinação por Santa Dulce em Aracaju

PROCESSO
O voto favorável e unânime da Congregação para a Causa dos Santos, que levou ao título de Venerável, havia sido concedido em 2008 e anunciado em janeiro de 2009 pelo colégio de cardeais, bispos e teólogos após a análise da Positio - documento canônico misto de relato biográfico e das virtudes e resumo dos testemunhos do processo.

No dia 9 de junho de 2010 é realizada a exumação e transferência das relíquias - termo utilizado para designar o corpo ou parte do corpo dos beatos ou santos - da venerável Dulce para sua capela definitiva, localizada na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, situada ao lado da sede da OSID - Obras Sociais Irmã Dulce.

A Capela das Relíquias foi construída na própria Igreja da Imaculada Conceição, erguida no local do antigo Cine Roma e do Círculo Operário da Bahia, construídos pela freira na década de 40. Os teólogos que estudaram a vida e as obras de Irmã Dulce a definiram como a Madre Teresa do Brasil, pelas semelhanças do seu testemunho cristão com a Beata de Calcutá.

MILAGRES
O primeiro milagre atribuído à intercessão da Irmã Dulce foi reconhecido em 2001, nove anos após a sua morte, quando Cláudia Cristiane dos Santos venceu uma forte hemorragia após o parto realizado na cidade de Itabaiana, e foi curada depois que o padre José Almi de Menezes rogou pela intercessão da freira baiana em favor de Cláudia – o padre Almi, inclusive está em Roma para solenidade deste domingo.

O segundo milagre atribuído a Irmã Dulce e reconhecido pelo Vaticano foi a cura instantânea da cegueira de um maestro que hoje está com 50 anos, natural de Malhador, Sergipe. Maurício Moreira conviveu com a cegueira durante 14 anos e voltou a enxergar de forma permanente desde 2014. A cura teria acontecido no dia em que ele estava com uma conjuntivite e com dores agudas nos olhos e clamou a Irmã Dulce por uma solução, que lhe fizesse ter de volta a visão.

No dia seguinte, Maurício Moreira teria voltado a enxergar. A intercessão da beata foi imediata. E Deus atendeu ao seu apelo. “O médico Sandro Barral disse que “não tinha explicação. Era um paciente que estava cego e que, de um dia para o outro, ele volta a enxergar, sem explicação”. Sandro Barral foi médico das Obras Sociais Irmã Dulce e perito inicial da causa”, diz Dom João.

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Convento do Carmo, em São Cristóvão, é um dos cenários da história da santa em Sergipe

OUTROS MILAGRES
Antes de ser encaminhado para Roma, o caso de Maurício Moreira foi analisado por oftalmologistas de Salvador e de São Paulo, que não encontraram explicação para a cura. “O milagre foi avaliado por uma comissão de médicos em Roma, que também não encontraram explicação científica para o acontecimento”, ressalta Dom João. Na sequência, o caso foi analisado por uma comissão de teólogos e depois por uma comissão de cardeais.  

Segundo Dom João, depois da beatificação, a coordenação das Obras Sociais Irmã Dulce - OSID - informou que recebeu milhares de relatos de pessoas que afirmaram ter obtido graças por meio de Irmã Dulce, “o Anjo Bom da Bahia”. “Que é também o “Anjo Bom do Brasil”. Mas, cada caso deve ser avaliado por peritos e teólogos”, explica o arcebispo metropolitano.

O fato é que, de acordo com Dom João, a Igreja Católica está em festa. “O Brasil católico está em festa. A Arquidiocese de Aracaju também está em festa. Afinal, a primeira Paróquia, em todo o mundo, dedicada a Irmã Dulce dos Pobres, com a construção original de uma igreja, foi erigida na nossa capital, no bairro Aruana. Exultamos, pois, com a canonização da Irmã Dulce dos Pobres, a santa genuinamente brasileira. A nossa santa. A santa dos nossos corações”, reitera.

HISTÓRIA ANTIGA
Embora a primeira paróquia dedicada a Irmã Dulce em todo o mundo tenha sido a de Aracaju, foi em São Cristóvão que ela, oficialmente, entrou para a vida religiosa. Para o prefeito do município, Marcos Santana, esse marco também faz parte da história do município que, por si só já traz a dupla condição histórica de ter sido a capital de Sergipe e de ser a quarta mais antiga cidade do Brasil.

“Nossa cidade tem uma tradição religiosa forte. É quase impossível separar a história da religiosidade e isso está presente em nossa arquitetura, museus, ruas. Irmã Dulce é personagem forte em nossa construção histórica, iniciou sua vida religiosa aqui e deixou um legado de fé e de doação ao próximo que até hoje está presente no Convento do Carmo”, destaca Marcos Santana.

Por isso, segundo o prefeito, a administração municipal não poderia deixar de participar dos rituais da canonização dela. “Organizamos, juntamente com a Igreja, vigília, transmissão ao vivo e café da manhã para receber os fiéis. Paralelo ao evento, trabalhamos para ampliar o Memorial de Irmã Dulce e para implantar o roteiro dos ‘sete passos de Dulce’, que retratará a trajetória que ela fez ao chegar a São Cristóvão”, ressalta Marcos.

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Madre Tereza de Calcutá quando visitou Salvador, no final da década de 70, ao lado de Irmã Dulce

TURISMO RELIGIOSO
Com isso, segundo Marcos Santana, a cidade também estará fomentando o turismo religioso. “Sabemos a importância da data para todo o país e estamos montando um planejamento para atrair visitantes para a cidade com esse foco, o que reflete na economia do município, gerando emprego e renda”, acredita.

A beatificação de Irmã Dulce, portanto, promete ser um marco no turismo religioso de São Cristóvão. A gestão municipal pretende implantar o roteiro turístico religioso com Memorial de Irmã Dulce, loja de artigos religiosos, visita guiada ao convento que a primeira santa brasileira frequentou e reconstrução dos sete passos de Dulce ao chegar no Centro Histórico.

“Para isso, técnicos de turismo da Prefeitura têm negociado com a Cúria Metropolitana de Aracaju e com a Organização Sociais de Irmã Dulce, em Salvador”, revela o gestor. Inclusive, dos dias 10 a 13 de outubro, a Prefeitura de São Cristóvão preparou, juntamente com a paróquia Nossa Senhora da Vitória, uma programação com Tríduo Preparatório, Vigília e transmissão da Missa de Canonização, na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, no Convento do Carmo.

MOMENTO SINGULAR
O advogado Douglas Lima preside a Comissão de Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe -OAB/SE - define a canonização de Irmã Dulce como um momento histórico e singular. “A primeira santa brasileira e que, ainda em vida era reconhecida por muitos como um ser santo”, justifica Douglas Lima.

Para Douglas Lima, Dulce fora “uma incansável na ajuda com o próximo e na assistência aos pobres e necessitados”, que, na opinião dele, deu uma contribuição humanitária de valor inestimável. “E, em tempos tais ao que vivemos, relembrar ou mesmo conhecer um pouco de sua trajetória nos serve como inspiração para seguir o seu exemplo de fé e caridade”, observa.

O presidente da Comissão admite que para os sergipanos é, além de tudo isso, uma honra o fato de irmã Dulce ter iniciado seus votos religiosos na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em São Cristóvão, de onde confirmou sua vocação e trilhou seu caminho.

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Irmã Dulce atendendo a uma multidão que necessitava de alimento e remédios

TESTEMUNHO
“O primeiro milagre, ocorrido na maternidade São José, em Itabaiana, aproxima-nos ainda mais de Irmã Dulce e foi importante para o seu processo de beatificação. Por fim, sua vida marcada como um testemunho de amor ao próximo e de tantos predicados que a fizeram santa, ressalta o quanto é importante enxergarmos o outro com a visão do coração, pois, como bem disse Irmã Dulce, “miséria é a falta de amor entre os homens””, reconhece.

Também advogada, Ana Lúcia Aguiar, vice-presidente da OAB/SE, é considerada “anjo de Irmã Dulce” aqui em Sergipe. São assim que são chamados os voluntários que ajudam a manter as obras dela. Considerada a embaixadora das obras no Estado, Ana Lúcia se considera o elo de divulgação desses serviços aqui há 27 anos.

“O que a gente tem aqui são voluntários que fazem um trabalho de acolhimento a pessoas necessitadas, em diversos locais, como na própria paróquia dedicada a ela, na Maternidade de Itabaiana, onde há uma congregação dela, e também estamos criando um grupo de orações em Malhador, terra da miraculada. É um trabalho social de acolhimento a quem precisa”, resume Ana Lúcia.

ELO PELA FÉ
A advogada Ana Lúcia Aguiar foi, inclusive, responsável por preparar a peça do primeiro processo de milagre operado por Dulce enviado a Roma, dando conta da ação sobre a jovem de Itabaiana. “Preparei o documento, fiz todo o trabalho legal junto à Obra de Irmã Dulce, com o relato, a documentação. Preparei o processo e encaminhei ao Vaticano. Ainda tivemos que guardar segredo por 10 anos, quando o milagre foi reconhecido, levando-a à beatificação”, lembra Ana Lúcia.

Ela acredite que, para Sergipe, é importante ter esse elo pela fé com a Bahia. “Foi aqui que Dulce se tornou freira, inclusive, nos escritos dela, sempre mostra esse carinho com o Estado, porque foi em Sergipe que ela teve a certeza de que queria seguir a vida religiosa”, diz a advogada.

Dom João José Costa concorda. “Creio que o fato de ela ter vivido aqui seja uma graça especial da parte de Deus, pois é uma grande honra termos tido entre nós a primeira santa brasileira, essa mulher piedosa que dormia em uma cadeira de balanço de madeira, tamanha a sua simplicidade de vida e a sua grandeza espiritual”, ressalta.

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Marcos Santana: Irmã Dulce amplia tradição religiosa de São Cristóvão

ENCONTRO
Dom João José Costa foi marcado pessoalmente pelo testemunho de vida de Irmã Dulce, que o então sacerdote teve a honra de conhecer, em uma ida a Salvador. “Lembro quando São João Paulo II veio aqui, quando Dulce foi chamada para saudá-lo, a multidão manifestou todo o carinho por ela, que aos olhos do mundo parecia ser pequena, mas que aos olhos de Deus era grande”, reitera Dom João.

Em 1979, Dom João José Costa pôde ver de perto essa grandeza. “Sempre quis conhecer Dulce dos Pobres e a obra dela. E foi uma experiência muito positiva. Na época, ela já se destacava muito pelo testemunho de vida, pelo seu amor aos pobres, sua dedicação e tudo isso fez com, enquanto viva, ela já fosse um destaque para o povo brasileiro. Foi uma bênção”, define.

Segundo Dom João, o maior exemplo que a religiosa deixa é o da necessidade de aproximação aos pobres. “Quando nos aproximamos deles, estamos nos aproximando de Jesus Cristo, que está presente na pessoa do irmão abandonado. E ele deixou claro no Evangelho de São Matheus, quando disse: “eu estava com fome, me deste de comer; estava com sede, me deste de beber”. Jesus se identifica com essas pessoas que estão abandonadas e Dulce soube ver Jesus nessas pessoas”, resume.

CEO BAIANA
O baiano e soteropolitano Nizan Guanaes, um dos maiores publicitários brasileiros, considera que Irmã Dulce não é apenas a primeira santa brasileira, e sim que ela é a primeira CEO brasileira a ser canonizada. E, nesse contexto, a Organização Social Irmã Dulce seria o seu primeiro milagre.

“Franzina, saúde frágil, ela não tinha a rigor condições físicas de fazer nada, nem de segurar um copo de água. Mas seu hospital de mil leitos construídos sabe Deus como é obra do seu empreendedorismo. O hospital começou num galinheiro nos fundos do convento e hoje tem 40 mil metros quadrados”, justifica ele num artigo.

Nizan Guanaes diz conhecer a história da santa, porque Irmã Dulce, que tinha sérios problemas pulmonares, era paciente do pai dele, médico pneumologista. O irmão, André Guanaes, quando residente, também foi médico de Irmã Dulce. “Ele conta algo que é típico da situação de tantos CEOs no Brasil: os problemas respiratórios de Irmã Dulce pioravam todo fim de mês”, lembra.

EMPATIA
A resposta também era sempre a mesma: “dia tal eu tenho 3 milhões para pagar, isso é problema de Santo Antônio, isso não é meu problema, isso é um problema dele”. “O problema era de Santo Antônio, mas era ela quem ia pedir a Antônio Carlos Magalhães, a Ângelo Calmon e a outros poderosos da Bahia e do Brasil”, lembra Nizan.

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Douglas Lima: Religiosa deixa exemplo de humildade

Comemoração na Paróquia Bem-Aventurada Dulce dos Pobres

A Paróquia Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, na Arquidiocese de Aracaju, também preparou uma programação especial para este domingo, 13 de outubro, dia da Canonização da primeira santa brasileira. Toda a comunidade católica está sendo convidada a comparecer à igreja matriz, na Rua Orlando Tavares Macedo, s/n, bairro Aruana.

Das 4h às 5h, haverá Adoração ao Santíssimo Sacramento e Louvor. Logo em seguida, os fiéis irão acompanhar, pela televisão, a transmissão da Solenidade de Canonização (direto do Vaticano). A programação será concluída às 8h, com uma missa solene presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom João José Costa.

Uma programação especial está sendo organizada pela Paróquia Nossa Senhora da Vitória, os frades carmelitas e a Prefeitura de São Cristóvão. Haverá um tríduo preparatório, de 10 a 12/10, com celebrações às 6h, na Igreja do Carmo


CERIMÔNIA
A partir das 21h do dia 12, haverá uma vigília na gruta de Nossa Senhora do Carmo, que fica ao lado do convento do Carmo. Além de momentos oracionais e testemunhos, será exibido o filme “Irmã Dulce”. Os féis presentes também podem assistir, em telão, à Santa Missa de Canonização, às 5h, diretamente de Roma.

A programação em São Cristóvão será concluída com uma celebração litúrgica na Igreja do Carmo, às 17h, sob a presidência do arcebispo metropolitano de Aracaju, Dom João José Costa.

Na Bahia, uma multidão é esperada para assistir à cerimônia na Arena Fonte Nova. Além disso, cerca de 15 mil baianos foram à Roma para ver a canonização que será presidida pelo Papa Francisco. “Irmã Dulce não é uma santa católica. Ela é uma santa baiana. São devotos dela a mãe de santo, o ateu, o pastor e até o padre”, provoca Nizan. Mas alguém há de duvidar?


Aracaju e Estado pensam em roteiro de peregrinação

Sergipe caminha para ter um roteiro de peregrinação em homenagem à Irmã Dulce. O passo inicial para efetivação do projeto foi discutido na manhã desta sexta-feira, 11, em reunião entre o prefeito Edvaldo Nogueira, o governador Belivaldo Chagas e o arcebispo metropolitano, Dom João José Costa, ocorrida no Palácio dos Despachos.

Proposto pelo próprio Edvaldo, o encontro teve a finalidade de delinear como seria o percurso, que deverá ter Aracaju, local onde se localiza a primeira Paróquia do Brasil que leva o nome da Santa, como ponto de partida, seguindo até São Cristóvão, cidade em que Dulce viveu.

Também participaram das discussões iniciais para concretização do projeto o padre da Paróquia Irmã Dulce, José Lima, a embaixadora das obras de Irmã Dulce em Sergipe, Ana Lúcia Aguiar, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Carlos Pinna de Assis, e o assessor do TCE/SE, Theotonio Neto.

“Estamos trabalhando a ideia para que a presença de Irmã Dulce em Sergipe também seja valorizada. Vamos estabelecer um caminho de peregrinação, que vá de Aracaju, onde está a primeira paróquia do país com o nome da Santa, até São Cristóvão, e também definir como data comemorativa em nosso Estado o dia 13 de agosto, quando ela decidiu se tornar religiosa”, detalhou o prefeito Edvaldo Nogueira.

O gestor destacou que o projeto também possui o objetivo de fortalecer o turismo religioso em Sergipe. “Temos certeza de que esse percurso será muito importante, tanto do ponto de vista da fé quanto do ponto de vista do turismo religioso. Por isso é um dia muito feliz em que estamos estabelecendo um caminho de fé, de desenvolvimento econômico e de justiça social”, salientou Nogueira.

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Ana Lúcia: “anjo” de Dulce que ajuda a divulgar a obra dela