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Reportagem Especial

Tanuza Oliveira

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Meritocracia deve reger indicação de mando nos órgãos federais em Sergipe

São mais de 20 no Estado. Há poucos detalhes sobre isso, mas apoiadores sergipanos do presidente eleito dizem que o mérito e a carreira funcionais devem prevalecer sobre a politicagem. Será?

Na última semana, com a diplomação no Tribunal Superior Eleitoral - TSE -, o presidente eleito Jair Messias Bolsonaro, PSL, e sua equipe entraram na segunda fase da transição do Governo, com a montagem das equipes do segundo e terceiro escalões - a primeira etapa da transição, de formação de ministérios, foi concluída no domingo, 9, com a escolha de Ricardo Sales, do Partido Novo, para o Meio Ambiente.

A diplomação é uma etapa indispensável para que os eleitos possam tomar posse. Ela confirma que o político cumpriu as formalidades previstas na legislação eleitoral e está apto a exercer o mandato – no âmbito de Sergipe, isso será feito nesta segunda-feira, 17.

Agora, parlamentares e outras figuras que apoiaram a eleição de Bolsonaro e que viram a Esplanada dos Ministérios ser preenchida sem que eles pudessem indicar aliados esperam uma sinalização do futuro governo sobre a abertura que terão para sugerir nomes para as demais estruturas federais.

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Lúcio Flávio: “Minha expectativa é a de que em Sergipe ocorra como aconteceu em nível federal”
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Waldir Viana: “Não vai haver negociação de cargos. Eles serão distribuídos por meritocracia”

ÓRGÃOS FEDERAIS

Um rápido levantamento do Portal JLPolítica identificou pouco mais de 20 órgãos federais que atuam em Sergipe, como a Advocacia Geral da União, a Delegacia do Ministério da Agricultura, a Embrapa, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE -, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan -, a Infraero, a Codevasf, os Institutos Federais, a Secretaria da Receita Federal, a própria Universidade Federal de Sergipe - UFS - e tantos outros.

“Acredito que todos vão sofrer mudança na gestão, porque o nosso modelo não é o do loteamento. Nosso lema é mais Brasil e menos Brasília. Nos próprios órgãos têm pessoas de carreira, competentes, que podem ocupar, de forma técnica, as direções. É isso que defendemos e é o que vai ser analisado”, garante Waldir.

Apesar de não poder falar muito sobre o assunto, o dirigente partidário assegura que já há gente aspirando, fazendo cálculos dos órgãos e cargos, mas que quem realmente tem as definições é a equipe do governo de transição. “Qual número mínimo que precisa ter no órgão para ter serviço de qualidade? Há pessoas técnicas? Tudo isso é a equipe que está avaliando”, adianta.

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Belivaldo Chagas: “Desci do palanque em 28 de outubro”

SEM CONCHAVOS

Outra certeza de Waldir Viana é a de que não haverá “escambo político”. “O formato será outro, assim como é outro o momento. Haverá valorização à capacitação dessas pessoas que já existem e não são valorizadas em detrimento do apadrinhamento”, garante. Essa postura, para Waldir, evitará o que, segundo ele, vem acontecendo ao longo dos anos. “Com advogados na Secretaria de Saúde, médicos em órgãos de trânsito. Esse modelo vai mudar. Não vai haver barganha”, assegura.

O empresário Lúcio Flávio Miranda da Rocha, coordenador do Movimento Brasil 200, que apoiou a candidatura de Bolsonaro, também aposta numa equipe mais técnica e menos política. Ele confirma que está acompanhando as discussões da transição, mas que também não está autorizado a falar dela.

Apesar disso, Lúcio reforça o entendimento do que ele garante ser de todo o grupo. “Minha expectativa é a de que a transição em Sergipe ocorra de forma linear com o que acontece em nível federal, com as indicações para o Ministério, às quais classifico e enxergo como certas até hoje”, afirma.

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Eduardo Amorim: “Ainda é cedo para dizer não ou sim”

DOIS PODERES

Lúcio acredita que indicações nesse sentido também ocorrerão aqui em Sergipe. “Haverá menos interferência política e mais relevância técnica. Minha expectativa é essa”, reforça. Ele também aposta numa boa relação entre os futuros gestores desses órgãos federais com o Governo do Estado. 

“Apesar de o Governo do Estado não ser um aliado, acredito que a visão de Bolsonaro será exatamente a que vem falando, de governar para todos. Considerando essa fala, mesmo Belivaldo Chagas sendo opositor, as indicações serão as melhores e a relação também”, opina. Belivaldo também sinaliza que assim será.

Procurado pelo JLPolítica, o governador reafirmou o que costuma dizer, que desceu do palanque no dia 28 de outubro, quando encerrou o segundo turno. “E é assim que pretendo administrar pelos próximos quatro anos: focado no desenvolvimento de Sergipe, na melhoria de vida dos sergipanos”, assegura.

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Codevasf é apontada como órgão federal que funciona bem em Sergipe

TROCA COM CAUTELA

Por isso, segundo Belivaldo, a relação será baseada no respeito às instituições e aos poderes. “Pleitearemos, democraticamente, políticas e parcerias que favoreçam o crescimento do Nordeste e de nosso Estado”, garante. Para Lúcio Flávio, com essas “indicações melhores” e relações institucionais baseadas no respeito, a expectativa é de gestões mais eficientes.

“Porque a gente está colocando pessoas gabaritadas e não cobradores de favores e de conchavos. A alocação não será por troca de favor e sim por competência”, ressalta o empresário. Isso encontra ressonância em políticos tradicionais. Para o senador Eduardo Amorim, PSDB, que admite ter sido procurado pela equipe de transição, a troca pura e simples dos gestores nem sempre é o melhor caminho.

“A Codevasf, por exemplo, é um órgão que está funcionando muito bem. Eu diria que está vivendo o melhor momento de toda a sua história de mais de 40 anos, seja em investimento ou em gestão, através do superintendente César Mandarino”, exemplifica o senador. Para Amorim, vale a máxima “em time que está ganhando, não se mexe”. Vale lembrar que César é uma indicação dele.

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André Moura: expectativa é de manutenção de todos os investimentos que foram feitos em Sergipe sob Michel Temer

COTADO

“Acho que outros órgãos também estão assim. Alguns funcionam muito bem, e a gente sempre procurou, através do nosso mandato, ajudar. Por isso, fico feliz de fazer parte de tudo isso e hoje ver a Codevasf atuando em todo o Estado. Portanto, espero que o que esteja funcionando bem não mude. Mas o que não está, deve sim passar por mudanças”, analisa Amorim.

O senador admite ter sido cotado pela equipe. “Não tenho participado do processo de transição, mas fui chamado para algumas coisas, embora não tenha entrado de corpo e alma. Deixei tudo tranquilo e não procurei. Não bati à porta de ninguém. Tive uma conversa com o presidente, mas não ficou acertado nada de concreto”, revela o senador.

Mas Eduardo Amorim não refuta de todo a ideia de integrar o novo Governo. “É muito cedo para dizer se vou aceitar ou não. Visitamos, os senadores eleitos e os que já têm mandato, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, mas não nos prolongamos nessa questão. Nesse momento, não posso dizer que não ou que sim. Apenas que eu não fui atrás”, ressalta.

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Equipe de transição trabalha desde a decisão, em outubro

ORÇAMENTO 2019

O deputado federal André Moura, PSC, também está indiretamente envolvido nas questões da transição, já que é quem conduz na Câmara as discussões sobre o Orçamento 2019. “Estou fazendo o meu trabalho de deputado, focado na aprovação dos relatórios setoriais, por Ministérios, para votar na próxima semana o Orçamento Geral da União para 2019. Conversei com a equipe de transição a respeito apenas disso, já que o orçamento será para eles. Foi uma construção conjunta, a pedido do presidente Michel Temer”, afirma André.

Segundo o deputado, a expectativa é de que o futuro Governo possa manter todos os investimentos que foram feitos em Sergipe sob Michel Temer. “Por dois anos consecutivos, 2017 e 2018, Sergipe foi o Estado que proporcionalmente mais recebeu recursos do Governo Federal”, destaca. Além disso, segundo André, também foi nesse Governo que eles conseguiram, efetivamente, colocar os órgãos federais em Sergipe para funcionar.

“Antes, esses órgãos eram mais cabides de emprego. Agora, não. Todos ganharam vida. O Incra funcionou como nunca antes. Fez desapropriações, fez entrega de títulos de terra, assim como a Codevasf e a Funasa. Então, minha expectativa é a de que os próximos parlamentares, deputados federais e senadores, consigam ter força política para que Sergipe siga nesse caminho, pois a força de um Estado depende muito da força de seus parlamentares”, diz André Moura.

Está prevista para esta semana, uma nova reunião entre o PSL de Sergipe e os movimentos apoiadores e a equipe de transição, em Brasília. “Só a partir desta reunião teremos mais detalhes. Mas o que podemos garantir é que a velha política não vai passar nem perto do PSL”, avisa Waldir Viana. É claro que o JLPolítica continuará acompanhando. 

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Expectativa de apoiadores sergipanos é de que Bolsonaro escolha por competência

Órgãos federais em Sergipe

  • Procuradoria Geral da União;
  • Advocacia Geral da União;
  • Delegacia do Ministério da Agricultura;
  • Embrapa;
  • IBGE;
  • IPHAN;
  • Incra;
  • Infraero;
  • Codevasf;
  • IFS; 
  • UFS/Hospital Universitário;
  • Secretaria da Receita Federal;
  • Banco do Brasil;
  • Caixa Econômica Federal;
  • Banco do Nordeste do Brasil;
  • Ibama;
  • Hidrelétrica de Xingó;
  • Petrobras;
  • DNIT.

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