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Reportagem Especial

Tanuza Oliveira

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Turismo sergipano clama para ser prioridade como política pública

O governador Belivado Chagas vê razão na luta do trade e diz que seu Governo vai priorizar essa atividade. “A gente precisa preparar melhor o Estado para desenvolver nosso turismo”, admite

A palavra turismo remete, inevitavelmente, a lazer. A descanso. Mas, na verdade, há uma enorme cadeia produtiva por trás desse segmento que move milhões de pessoas e de reais em todo o mundo: as agências, as operadoras, os receptivos, a rede hoteleira, os bares e restaurantes e todos os profissionais que atuam em cada uma dessas áreas.

Em Sergipe, a atividade gera 12 mil empregos, entre diretos e indiretos, e tem em Aracaju sua principal estrutura hoteleira - reúne novos e modernos hotéis –, gastronômica – inclusive com um boom de restaurantes nos últimos anos – e de lazer – museus, parques, praias –, o que certamente é fator decisivo para a Capital ser o principal destino de turistas que visitam o Estado.

Depois da capital, somente Xingó, em Canindé de São Francisco. Aquela região passou por uma verdadeira readequação até ostentar o título de case de sucesso do turismo em Sergipe. O que prova que a beleza natural conta muito, mas que a infraestrutura local também pesa bastante na hora de escolher onde passar os tais dias de descanso.

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Aracaju é porta de entrada dos turistas que vêm a Sergipe
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Antônio Carlos Franco Sobrinho: Governo precisa dar prioridade ao setor

IMPACTOS DA CRISE

É claro que Antônio Carlos reconhece que a retração ocorreu em todas as áreas com a crise financeira. “Apesar de os últimos anos, como em todas as áreas da economia, o Turismo ter apresentado queda nos seus índices em Sergipe, estamos esperançosos que isso mude”, admite. Mas a questão é que tanto para ele quanto para o trade turístico, o sentimento é de que o turismo demora mis a se recompor exatamente pela falta de iniciativa do poder público.

“Por iniciativa própria e motivada pela inércia dos órgãos públicos competentes, a Abih já investiu desde o início do ano, mais de R$ 100 mil em capacitações em vários Estados, a exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso, e neste mês de novembro, em Brasília e Goiânia. Em dezembro, faremos uma grande caravana no Nordeste. Além de todo o material promocional que é feito pela Associação e da contratação de um representante comercial”, ressalta o presidente da Abih/SE.

Segundo Antônio Carlos Franco Sobrinho, essas ações destacam, em primeiro lugar, o Estado de Sergipe enquanto destino e, depois, os hotéis. “Temos um destino competitivo, as pessoas que conhecem querem voltar. Precisamos divulgar. Estamos anos atrás de Estados vizinhos nesse quesito”, critica ACF Sobrinho.

CADEIA PRODUTIVA

Para ilustrar essa inércia, Antônio Carlos cita um caso recente. “Sergipe teve um estande na Feira Internacional de Gramado, uma das três maiores feiras do nosso segmento, na semana passada, porém estava vazio, arranhando a imagem do nosso Estado. Poderíamos ter feito uma parceria, Associação e Secretaria de Turismo, para ocupar esse espaço tão importante. Mas não fomos procurados nem comunicados disso”, lamenta.

Por isso, ele é enfático ao afirmar: “o poder público não dá a devida importância ao setor há muito tempo”. “Mas temos esperança de que isso vai mudar”, acrescenta. Até porque, segundo ACF Sobrinho, a atividade é fundamental na recuperação econômica do Estado como um todo.

“O turismo é um grande gerador de emprego e renda. Movimenta toda uma cadeia produtiva em mais de 50 áreas. Todos ganham com a chegada dos turistas, desde os taxistas, bares, comércio, até roteiros turísticos como Xingó, Laranjeiras, São Cristóvão, entre outros, incrementando a economia também desses municípios”, destaca.

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Xingó, segundo os empresários do setor, é o produto mais vendido

CIC E TURISMO DE NEGÓCIOS

João de Souza Ávila, presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem – Abav – em Sergipe e representante da Confederação Nacional do Turismo no Estado, compila todo esse cenário em duas ações importantes que, na opinião dele, fariam com que o turismo sergipano voltasse a ter força.

“São duas coisas importantes que o turismo em Sergipe precisa: voltar a ser prioridade e ser profissional”, resume João Ávila. Isso porque, para ele, “há muito tempo, em nível de Estado, deixou de ser as duas coisas”. “O maior exemplo disso é o Centro de Convenções, fechado há cinco anos. Aliás, também perdemos o Hotel Parque dos Coqueiros, um ícone para o turismo do Estado”, diz ele.

O Centro de Convenções de Sergipe foi fechado para reforma há cinco anos e até então não reabriu. A obra, no momento, está andando. Mas esteve parada durante um bom tempo. E o fato de ter um Centro de Convenções fechado há tanto tempo ganha ainda mais peso quando se leva em conta que a principal atividade turística do Estado é o de negócios. Ou seja, daqueles turistas que vêm a Sergipe para participar de eventos corporativos. Consequentemente, com um Centro de Convenções ativo, o número de visitantes seria ainda maior.

MOMENTO DE MUDANÇA

João Ávila acredita, porém, que Sergipe pode viver um novo momento. “Apesar de ser uma continuação, porque Belivaldo foi reeleito, o que até é bom, pois ele já está por dentro, que ele possa efetivamente dar uma visão diferente ao Governo”, diz João. De acordo com ele, a iniciativa privada já está fazendo isso. “Falta o poder público”, ressalta.

Para Ávila, o poder público tem que decidir se quer ser protagonista ou não nesse setor. “Tem uma série de divulgação sendo feita através da hotelaria, em outros Estados. Os empresários que estão fazendo essa parte de promoção, já que não têm o apoio do Governo”, reforça.

Segundo João Ávila, quando o trade se reuniu com o governador, defendeu essa necessidade, mas a resposta foi a de que não havia condições. “Porque há outras prioridades”, conta o presidente da Avab/SE. “Mas se quer gerar emprego, renda e trabalho, o turismo reponde imediatamente”, completa.

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Principal estrutura está em Aracaju, que reúne bons hotéis, restaurantes e equipamentos de lazer

MÃO DE OBRA

Isso porque, segundo Ávila, o turismo emprega grupos de mãos de obra qualificados, mas não necessariamente com nível técnico e superior. “Precisa de camareira, garçom, pessoal de limpeza, cozinheiro, manutenção, eletricista, hidráulica. Também não se faz turismo sem motorista”, sentencia.

Essa cadeia também precisa de profissionais de outros níveis de treinamento, como guias de turismo e os próprios empresários. “Além disso, a infraestrutura de turismo precisa da construção civil. Quer dizer, o turismo gravita em torno de todas as áreas, inclusive da agricultura, pois é necessário botar alimento na mesa”, avalia.

Com tudo isso, João Ávila está dizendo o seguinte: o turismo é importante, sim. “Mais do que isso: é prioridade. Precisa ser”, atesta. E, segundo ele, já o foi em alguns momentos. “Sergipe tem momentos de lampejo, como quando foram criados o aeroporto, o Hotel Palace e a Rodoviária (hoje chamada de rodoviária velha). Tudo isso foi feito no Governo de Luiz Garcia (de 1958 a 1962) e esse foi o primeiro grande momento do nosso turismo”, relembra.

HISTÓRICO

Depois disso, ele aponta a criação da Empresa Sergipana de Turismo – Emsetur –, que, na visão de João Ávila, “trouxe a institucionalização do turismo como atividade, já que na época empresários criavam hotéis e “descobriam” a Atalaia”. Algumas obras estruturantes também foram criadas.

Com elas, a consolidação de Aracaju como portal de entrada para o turista. Tempos depois, a operacionalização de Xingó enquanto destino. “O produto turístico mais conhecido é Xingó, porque tivemos empresários que investiram – e investem – na região, que acreditam na coisa. Em falar que o poder público, seja a Prefeitura ou o Estado – também o promoveram muito”, analisa.

Ele avalia que, hoje, falta esse tipo de ação. “Não está tudo errado, mas os lampejos que ocorrem são da inciativa privada, e a atividade pública também precisa dar prioridade”, ressalta. Antônio Manoel de Carvalho Neto, o Manoel Foguete, como é mais conhecido, admite que lá pelas bandas de Xingó, os protagonistas do turismo são, de fato, os empresários do setor.

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João Ávila: Turismo precisa ser prioridade e ser profissional

O CASE XINGÓ

“Não apenas eu, mas todos que atuam por aqui, vão no sentido inverso: a gente não espera pelo Governo. Cada um faz a sua parte e se vier algo do poder público, ótimo”, resume Manoel Foguete. “A gente vai para feiras, faz panfletos, até tapa buraco nas estradas. A turma se acostumou a não esperar pelo poder público. Obviamente que quanto mais ele gasta com turismo, propaganda e eventos, mas isso retorna em forma de passageiros”, completa.

Mesmo com essa autonomia, Manoel Foguete reconhece que há algumas ações que só podem ser realizadas pelo Estado – enquanto ente federativo mesmo. “O que poderia melhorar e ajudar Sergipe é o aumento de voos para o Estado, pois, para se ter ideia, um turista de Brasília ou do Rio paga muito mais num pacote para Sergipe do que para Fortaleza, Maceió ou Natal por conta das passagens. Então, isso seria muito bem-vindo”, admite.

Isso, na opinião dele, faria com que o efeito comparativo deixasse de levar os visitantes para essas outras regiões do Nordeste. Mas não é só isso. “O governo também poderia ajudar com propagandas e manutenção das estradas. Isso já seria muito bom. Mas entendo que, na medida do possível, isso tem sido feito, porque o Estado enfrenta dificuldades financeiras”, pondera.

CRISE AFETOU

Mas engana-se quem pensa que a crise não chegou às margens do Cânion de Xingó, muito embora tenha sido sentida em menor escala. “Com a crise em que o Brasil entrou, o turismo caiu um bocado e, apesar de termos sido afetados, Xingó foi um dos locais menos atingidos no Nordeste em virtude de receber turistas por Sergipe, mas também por Alagoas e Bahia. Ou seja, tem fluxo de três Estados”, argumenta Manoel Foguete.

Isso ajudaria, segundo ele, o destino a se manter. “A região de Xingó, composta pela Rota do Cangaço e o Lago de Xingó, recebem uma média de 150 a 200 mil turistas por ano, via esses três Estados que falei”, quantifica. Ele faz questão de ressaltar que acredita muito na nova gestão do Turismo no Estado.

“As pessoas que estão na Secretaria de Turismo atualmente, especialmente Cacau Franco (presidente da Emsetur) e Manelito Franco (o secretário da pasta) têm muita experiência. Acredito que farão uma boa gestão. Por justiça, é preciso dizer que foi Cacau, quando secretário de Turismo, que me chamou para atuar nos cânions. A ideia foi dele, então ele tem visão. Podemos dizer que ele é o pai da criança e agora está tentando fazer a criança crescer”, comenta o empresário.

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Manoel Foguete: empresários de Xingó não esperam pelo Governo

OUTROS DESTINOS

Mas como Xingó já é destino consolidado, na opinião de João Ávila, da Abav/SE, o mesmo precisa acontecer com outras regiões do Estado. “Agora, estamos vivendo o momento de São Cristóvão e de Estância, que reavivou seu São João. Mas ainda é Aracaju que concentra a principal estrutura, os hotéis, os bares, restaurantes, o aeroporto”, avalia.

De fato, o município de São Cristóvão tem buscado um espaço ao sol nessa dicotomia entre Aracaju e Xingó. O prefeito da cidade, Marcos Santana, MDB, tem procurado iniciativas que possibilitem a consolidação do município enquanto destino turístico. E encontrou no Festival de Arte de São Cristóvão uma possibilidade para isso.

Ao assumir a Prefeitura, em 2017, Marcos tratou de retomar o evento, que já não acontecia há mais de 10 anos. Agora, em 2018, ele chegou à sua 35ª edição e, pela vontade do prefeito, não deixará mais de ser realizado. “Espero que continue consolidado e que não deixe de ser feito, pois quem perde com isso é o Estado, e não apenas São Cristóvão”, diz Marcos.

ARTE E CULTURA

Com uma programação composta por cortejos, exposições, atrações culturais e muitos shows, o evento, claro, se tornou um facilitador para o turismo local. “O Fasc está fortalecendo também o turismo. Para se ter ideia, nós o vendemos há um mês na Feira da Abav. Além disso, já estão surgindo pequenos empreendimentos de hotelaria na cidade. O Fasc movimenta a economia e reverbera durante todo o ano, como um legado”, avalia o prefeito.

De acordo com Marcos Santana, a expectativa deste ano é de receber três vezes mais turistas do que no ano passado, quando a cidade recepcionou 30 mil pessoas para o Festival. “Esperamos entre 90 mil e 100 mil pessoas durante todo o evento”, confirma.

A 35º edição do Fasc começou na última quinta-feira, dia 15, e foi até o domingo, 18. “O Festival é o maior evento cultural do Estado de Sergipe. Não há questionamento nisso. O Fasc é, também, um dos maiores festivais do Brasil”, ressalta Marcos.

Isso porque, para o prefeito, ele não é só um evento voltado para o entretenimento. “O Fasc envolve todas as manifestações artísticas – artes plásticas, música popular e erudita, dança, cinema, folclore, gastronomia, inclusive –, então é um grande encontro, a culminância da arte”, define.

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Orla receberá Natal Iluminado, com decoração e apresentações

SOLUÇÕES

Para o presidente da Abav/SE, João Ávila, essa ação do prefeito de São Cristóvão é exatamente uma das soluções para voltar a alavancar a atividade turística do Estado. “Precisamos ter um calendário de eventos”, atesta ele. É o que o trade está tentando fazer com o Natal.

“Edvaldo nogueira se reuniu com o trade, apresentamos o projeto do Natal Iluminado para a Orla da Atalaia, e ele prometeu ajudar. Isso é muito importante, porque mesmo que esse Natal comece de forma embrionária, ele pode crescer e se igualar a outros locais que têm essa referência”, sugere.

Além desse calendário de eventos, o dirigente também aposta que o Estado precisa abandonar alguns preconceitos. “Nós só valorizamos eventos voltados para profissões destacadas, como Medicina e Direito. Precisamos enxergar, por exemplo, as áreas esportivas e rurais”, diz. 

PERSPECTIVAS

Por falar em enxergar, é isso que na opinião de Antônio Carlos Franco Sobrinho, da Abih/SE, está faltando a Sergipe. “Vários Estados do Brasil já enxergaram a importância do Turismo e hoje colhem os seus frutos. Sergipe, infelizmente, não teve essa visão ainda”, lamenta.

João Ávila, por sua vez, apesar de ciente desse cenário, acredita que o momento pode ser de mudança. “Nós estamos confiantes”, admite. Isso porque, para ele, é possível que tanto o país, no âmbito nacional, quanto Sergipe no estadual, possam apresentar propostas que priorizem o setor.

“E estamos aqui para apoiar o governador e o presidente. Mas também para cobrar, porque se não, a gente não sai do lugar. Alagoas cresce, Bahia cresce e Sergipe não. Apesar de termos indicativos bons, uma Capital bem-equipada. Então, a gente precisa vender o peixe, pois está claro que não estamos sendo profissionais no marketing do turismo”, atesta.

 

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Marcos Santana: já surgem pequenos empreendimentos hoteleiros na cidade

Governador vê razão na luta do trade e diz que seu Governo vai priorizar turismo

O governador reeleito de Sergipe, Belivaldo Chagas, PSD, garante que seu Governo vai atuar no sentido de “destravar os projetos” que beneficiem o turismo sergipano e o faça caminhar. Segundo Belivaldo, “as coisas estão acontecendo” e deverão ter novo fôlego a partir de 2019. “Estamos arrumando a casa, colocando as coisas em ordem, inclusive no turismo”, assegura o governador. Ele está de olho nos recursos disponíveis do Prodetur, que se aproximam dos R$ 100 milhões.

De acordo com Belivaldo Chagas, uma gestão mais eficaz do turismo passa, obviamente, pela escolha de bons gestores, o que ele acredita ter na pasta atualmente. “Estou muito satisfeito com o perfil do secretário, que, apesar de jovem, é muito focado; e também com o trabalho da equipe do momento. Eles estão buscando destravar os projetos que estavam travados e eu acho que dá para a gente desenvolver um grande trabalho”, afirma. A referência é a Manelito Neto.

Belivaldo admite, no entanto, que há muito a fazer. “A gente precisa preparar melhor o Estado para desenvolver o nosso turismo. Para tanto, temos hoje o Prodetur, que está trabalhando os projetos que serão licitados a partir deste ano, além de outros de infraestrutura, como o atracadouro da Ilha Mem de Sá, em Itaporanga. O projeto de urbanização da Sarney também pode sair este ano ainda a licitação”, revela.

INVESTIMENTOS

Segundo ele, o Governo também realizou a revitalização da Orlinha de Canindé de São Francisco e da região de Santa Luzia do Itanhy, que ele considera obras de infraestrutura para o turismo. “E também temos uma linha de custeio para divulgação do Estado lá fora”, destaca Belivaldo.

“Através de recursos do Prodetur, temos tudo para incrementar o turismo no Estado. Mas você pode me perguntar, e o Prodetur já não existe, porque que as coisas não andaram antes? Não aconteceram, porque não tivemos secretários atuantes, esse é o ponto principal. A partir de agora, vamos agir de forma mais técnica. Além disso, os projetos que são apresentados ao BID, são projetos que são analisados e reanalisadas. Eles buscam consistência, eles não aceitam qualquer projeto”, completa o governador.

Num primeiro momento, segundo Belivaldo, Sergipe apresentou um projeto de divulgação do Estado dentro do próprio Estado, o que, na visão dele, não daria os resultados esperados pela instituição. “Mas agora está tudo engatilhado e a tendência é de que tenhamos, a partir de 2019, ações concretas, frutos do que já se iniciou, e um processo acelerado no que diz respeito ao Prodetur”, compromete-se.

CENTRO DE CONVENÇÕES

Com relação ao Centro de Convenções, uma das principais queixas do trade turístico, Belivaldo Chagas diz que “como está sendo feito hoje, é um Centro que a gente nem dará conta. Ele vai servir e muito. É coisa de primeiro mundo. É um Centro com excelentes condições”.

No âmbito do turismo de lazer, o Teatro Tobias Barreto está sendo reformado, através de uma parceria com a Celse - a termoelétrica que está se instalando na Barra. A empresa também está revitalizando a Biblioteca Pública Epifânio Dória e o Arquivo Público, que será inaugurado em dezembro. 

Belivaldo também sonha com um São João maior, mas reconhece que, para isso, teria que ter recurso – “e o Estado não tem”. “A própria prefeitura de Aracaju sozinha não conseguiu fazer. Eu defendo que Aracaju poderia ter uma ação mais descentraliza dos forrós pelos bairros, assim como dos municípios do interior. O problema são os recursos”, reforça.

Por falar em recursos, o Estado dispões de cerca de R$ 100 milhões para tocar os projetos. “Mas é muito complicado para ter acesso a eles. Por isso, acompanharei de perto a questão”, promete o governador, que, num tom bastante diplomático e assertivo, assegura não ter nenhum problema de relação com o trade. “Eles têm razão quando reclamam”, reconhece. Que esse seja o ponto efetivo de entendimento entre o Governo e os empresários e o marco para a retomada de um turismo cada vez mais forte.

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Centro de Convenções é a grande queixa dos empresários

Natal iluminado na orla 

Uma nova parceria foi firmada pela Prefeitura de Aracaju para iluminar a capital sergipana no período natalino. A gestão municipal vai se somar às principais entidades ligadas ao trade turístico para realização do “Natal Iluminado Aracaju”, na Orla da Atalaia.

A informação foi confirmada pelo prefeito Edvaldo Nogueira no início do mês, em reunião com empresários que conduzem o projeto. Segundo Edvaldo Nogueira, a Prefeitura se responsabilizará pela iluminação da avenida Santos Dumont, zona Sul, atendendo ao pedido da comissão.

“Tive a oportunidade de ver o projeto de forma mais detalhada e debater com os empresários sobre como poderemos contribuir para fazer uma linda festa na Orla. Como já disse outras vezes, vivemos momentos difíceis e precisamos unir forças para colocar em prática projetos importantes como este. Posso dizer, com toda certeza, que a Prefeitura vai colaborar com o Natal Iluminado Aracaju”, afirma Edvaldo.

O “Natal Iluminado Aracaju” está previsto para ocorrer de 7 de dezembro a 6 de janeiro de 2019. Esta será a primeira edição do evento, organizado por uma comissão que envolve diversas entidades ligadas ao setor turístico da capital sergipana. O projeto prevê a decoração da Orla da Atalaia, além de apresentações artísticas e culturais.

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Belivaldo: é preciso preparar melhor o Estado para desenvolver o turismo

Mais capacitaçáo

Para qualificar o atendimento aos turistas que visitam a cidade e melhorar a competitividade do destino, a Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Indústria, Comércio e Turismo também desenvolveu o projeto “Qualificação do trade turístico de Aracaju para alinhamento de produtos e serviços ao conceito do Turismo de Experiência”, tendo como público alvo os profissionais dos setores de alimentos e bebidas; hotéis, pousadas e hostels; e guias de turismo.

A primeira fase do projeto foi dividida em dois módulos. No primeiro, uma oficina abordou conceito, histórico inicial no Brasil, benefícios, a importância do Turismo de Experiência e qual o perfil do viajante que opta por esse tipo de vivência turística. No segundo módulo, o foram trabalhados os aspectos práticos da abordagem turística de experiência.

A diretora de Turismo da Semict, Luciana Kariny, considera fundamental a qualificação dos trabalhadores que atuam diretamente com o turista. “O guia de turismo é o profissional que está na ponta da atividade, recebendo e conversando com o turista, e quanto mais qualificado for o guia, melhor será o serviço oferecido e turista que é bem recebido, além de voltar, também divulga nossa cidade quando chega em sua cidade de origem”, avaliou, lembrando que as próximas capacitações serão oferecidas aos trabalhadores dos setores de alimentos e bebidas, hotéis, pousadas e hostels, finalizando o projeto.

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Mão de obra tem sido capacitada para atender melhor