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Reportagem Especial

Tanuza Oliveira

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UFS: a grande caixa de ressonância da ciência e do saber sergipanos

Universidade tem um orçamento de R$ 725 milhões - o terceiro do Estado -, conta com seis campi, onde estão distribuídos 29.290 alunos. São 1.530, com 1.232 dele doutores

“Estudar na universidade pública é um momento de desafios. Eu não entendia direito sobre a vida até entrar naquele espaço. Agradeço muito tudo que vi e vivi. Afinal, estamos lidando com professores que têm uma bagagem incrível e com saberes poderosos. A Universidade Federal é um espaço que melhora a vida, por isso deve ser respeito e preservado”.

Este relato é da jornalis*ta Luciana Maria Nascimento Santos, que foi aluna da Universidade Federal de Sergipe - UFS - entre os anos de 2011 e 2015. Nesse período, segundo ela, aprendeu muito - e não apenas em sua área especifica de estudo.

“Creio que ter passado pela Universidade Federal de Sergipe me ensinou muito sobre mundo. São várias pessoas, ideologias, desafios”, ressalta Luciana Nascimento. Hoje, ela é uma entre os milhares de sergipanos formados pela UFS nesses 50 anos de sua existência e funcionamento na Capital, Aracaju, e, mais recentemente, no interior do Estado.

Nota:
 A foto de abertura é da fachada do
 prédio da Reitoria da UFS, na Cidade
Universitária, em São Cristóvão.
É de autoria de Adilson Andrade/
Ascom-UFS

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Universidade é um dos grandes divisores de água em Sergipe
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Luciana: “UFS me mostrou que educação move e muda”

VÁRIOS CAMPI

“A Universidade Federal de Sergipe conta atualmente com seis campi: o Campus-sede Professor José Aloísio de Campos, em São Cristóvão; o Campus João Cardoso Filho, em Aracaju; o Campus Alberto Carvalho, em Itabaiana; o Campus de Laranjeiras; o Campus Antônio Garcia Filho, em Lagarto, e o Campus do Sertão, em Glória”, afirma Kleber.

Além desses, há ainda os 13 polos de apoio presencial situados em Arauá, Brejo Grande, Carira, Estância, Japaratuba, Lagarto, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora das Dores, Poço Verde, Porto da Folha, Propriá, São Cristóvão e São Domingos.

“Saímos de uma Universidade com poucos cursos, poucos professores e poucos alunos, para uma instituição que foi se agigantando ao longo dos anos. Assim, têm sido muitos os profissionais das mais diversas áreas do conhecimento que se formaram na UFS, para prestar inestimáveis serviços à sociedade sergipana e à própria estrutura pública do nosso Estado”, afirma Angelo Antoniolli, doutor em Farmacologia e reitor da instituição.

INTERIORIZAÇÃO

Para Angelo Antoniolli, isso comprova o que a UFS representa intelectual, econômica e socialmente para Sergipe. “A Universidade Federal de Sergipe, desde a sua instalação, em 1968, portanto, há 50 anos, vem contribuindo decisivamente para alavancar o desenvolvimento e o progresso do nosso Estado, bem assim para ajudar na consolidação de conquistas econômicas, culturais e sociais para a gente sergipana”, avalia o reitor.

De acordo com Antoniolli, a UFS ficou muito tempo circunscrita à Grande Aracaju. Isto é, aos Campi de São Cristóvão e de Aracaju - o da Saúde, no Hospital Universitário. “Aos poucos, ela foi buscando o interior, começando por Itabaiana e passando para Laranjeiras, Lagarto e Glória. Ir para o interior foi uma decisão acertada, pois, marcando presença em regiões diferentes do Estado, a instituição pode estar mais perto das comunidades e de seus problemas”, analisa.

Este processo foi, inclusive, um dos motivos a serem celebrados este ano, quando da comemoração dos 50 anos da entidade. Aliás, segundo o reitor, 2018 foi marcado por grandes conquistas para essa Universidade. “Começamos com as comemorações do nosso cinquentenário, disseminadas ao longo do ano, e que culminarão com a V Semana Acadêmica, que se realizará de 5 a 9 de novembro. Foi, sem dúvida, um ano proveitoso, especialmente em face das diversas obras que foram concluídas”, destaca.

As obras a que ele se refere são a construção do Centro de Simulações e Práticas no Campus de Lagarto, no valor de R$ 24.758.762,72; Materno-infantil do Hospital Universitário de Aracaju, no valor de R$ 17.323.235,17; e o prédio da Didática VII, no valor de R$ 26.330.587,61, no qual serão agregados todos os Projetos de Pós-Graduação, além dos observatórios sociais.

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UFS Lagarto: Curso de Medicina é o mais concorrido

PERSPECTIVAS DE FUTURO

Angelo espera que os próximos anos sigam a mesma trajetória, especialmente agora, passada a eleição, e com a promessa de priorização da Educação por parte do governador reeleito, Belivaldo Chagas. “Vemos com grande expectativa a nova gestão estadual a iniciar-se em janeiro. É preciso que a rede de ensino a cargo do Estado, no ensino básico, possa aprofundar-se ainda mais no bom desempenho dos processos que culminam na aprendizagem dos alunos”, conceitua.

“No que diz respeito à Universidade Federal de Sergipe, estaremos abertos para colaborar com o Estado no que nos for solicitado e permitido, na conformidade da lei. A educação é, sem dúvida, o caminho para desenvolver qualquer nação. Investir, pois, nos processos educativos em todos os níveis é promover os meios de crescimento econômico, social e cultural do país. Que a educação seja, sim, uma das prioridades da gestão estadual”, espera Angelo Antoniolli.

No cenário nacional, o reitor acredita que há apreensões por parte de muitos educadores e gestores educacionais, especialmente no caso das universidades federais. “É evidente que muitas reformas na estrutura do Estado brasileiro precisam ser implementadas. Mas, como se darão tais reformas? O que deverá ocorrer no cenário da educação superior pública?”, questiona.

“Passados os arroubos da campanha eleitoral, baixada, por assim dizer, a poeira, vamos ver quais os rumos que serão dados à educação, a partir do anúncio do nome do novo ministro da área. Esperamos que as universidades federais sejam fortalecidas. Afinal, como demonstram todos os estudos realizados, a maioria esmagadora das pesquisas científicas desenvolvidas pelas instituições de ensino superior estão sedimentadas nas Universidades públicas”, completa.

RECURSOS

Apesar de toda a sua relevância, a UFS, assim como todo o ensino público do país, também atravessa momento difíceis, especialmente depois da aprovação do congelamento dos investimentos em educação por cerca de 20 anos.

Por isso, há um trabalho incansável por parte do reitor também nessa seara. Tanto que ele esteve em Brasília na última semana – mesmo recuperando-se de dois procedimentos cirúrgicos – para acompanhar a reunião da bancada sergipana que definiu a destinação de emendas parlamentares para o Estado. O sacrifício valeu a pena.

A bancada destinou R$ 20 milhões para a UFS. Fruto de uma indicação do deputado federal João Daniel, PT – e defendida pessoalmente pelo reitor –, a emenda impositiva aprovada deverá ser utilizada para a construção do campus do UFS no Sertão e já estará dentro do Orçamento Geral da União de 2019.

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Campus Itabaiana foi o pioneiro no processo de interiorização da UFS

CAMPUS DO SERTÃO

“Fico muito feliz de saber que o Sertão sempre foi um território de muita luta, de muita força dos movimentos sociais, em especial da luta pela terra, e que este campus fortalecerá, ainda mais, a importância deste território”, afirmou João Daniel.

Implantado em 2015, em Nossa Senhora da Glória, o Campus do Sertão vem atendendo a jovens estudantes do Alto-Sertão sergipano e de outros Estados da Região Nordeste em quatro cursos de graduação na área das Ciências Agrárias – Agroindústria, Engenharia Agronômica, Medicina Veterinária e Zootecnia. Em 2019, serão formadas as primeiras turmas.

O deputado João Daniel destacou que, com os recursos dessa emenda, será possível a UFS proporcionar melhores condições físicas básica para as atividades de ensino, pesquisa, extensão, contando com a construção do Centro de Vivência, biblioteca, centro poliesportivo, blocos laboratoriais didáticos, escola de laticínio, unidades demonstrativas para produção agropecuária e alojamentos estudantis. 

REITORIA ATUANTE

O professor Angelo Antoniolli, que acompanhou as discussões em torno da destinação das emendas, defendeu a concretização do Campus do Alto-Sertão, que funciona provisoriamente em Nossa Senhora da Glória, numa área cedida pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, na confluência dos municípios de Glória e Feira Nova, onde serão construídas as instalações do Campus. 

“Tivemos êxito na empreitada em prol do bem do povo sergipano e, mais de perto, da nossa gente sertaneja, salientando que a maioria dos nossos alunos no Campus do Alto-Sertão é originária da própria região e, assim, uma vez formados nos cursos que ali oferecemos, todos ligados ao trabalho com o setor agropastoril e à agroindústria, com certeza boa parte deles ficará junto às propriedades familiares ou outras das redondezas, aplicando os conhecimentos teóricos e práticos que conseguiram amealhar”, comemora.

Segundo o reitor, todos os parlamentares foram solícitos no sentido de assegurar a emenda Impositiva. “Eles compreenderam o quanto a UFS está sendo importante para ajudar a alavancar o desenvolvimento da região que mais sofre com as intempéries das secas. Aos integrantes sergipanos do Senado e da Câmara dos Deputados externamos de público os nossos agradecimentos em nome de toda a comunidade acadêmica, formada por professores, técnico-administrativos e estudantes”, ressalta Antoniolli.

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Além dos campi, a Universidade conta com 13 polos de apoio presencial

ORÇAMENTO

Para este ano, o orçamento da UFS apresentou os seguintes valores: investimentos: R$ 22.009.150,00; custeio: R$ 133.834.814,00; pessoal: R$ 569.703.307,00; totalizando R$ 725.547.271,00 – o terceiro maior orçamento sergipano, perdendo apenas para o do próprio Estado e o da Capital. Para os próximos anos, a esperança é de que os recursos não sejam reduzidos nem estagnados. 

“Isso seria um absurdo”, opina o reitor Angelo Antoniolli. Isso porque, para ele, qualquer governo responsável e que prima pela necessidade de incrementar o desenvolvimento do país, deve ter entre suas prioridades a educação.

Para isso, de acordo com o reitor, faz-se necessária a alocação de recursos no Orçamento Geral da União, destinados ao atendimento das despesas correntes, para fazer face ao custeio, e para atender as despesas de capital, que se referem aos investimentos que devem ser feitos em obras, equipamentos, instalações e materiais permanentes. “Que as nossas esperanças não sejam frustradas”, diz. 

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Campos do Sertão é a bola da vez nos debates de expansão

UFS E PODER PÚBLICO

O maior exemplo de como a presença da Universidade Federal de Sergipe muda a realidade em que está inserida é o município de Lagarto. Com uma expertise em cursos na área de Saúde, a UFS lá atua como um vetor direto para a sociedade e não apenas para a academia em si.

Segundo o prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro, PSC, isso é fruto da parceria que há entre a escola e o poder público. “Há uma integração muito grande. Os alunos da área de saúde são engajados dentro das ações. Eles usam os postos médicos do município, porque lá, eles trabalham nas comunidades, eles conhecem as necessidades locais para atuar em cima delas. Por isso conseguimos melhorar a saúde pública”, garante Valmir.

Um exemplo dessa interação foi a oferta de 100 aparelhos auditivos. A Prefeitura entrou com a aquisição dos equipamentos e a equipe de Fonoaudiologia da UFS com a instalação deles. “Ações assim são fundamentais para a comunidade, e nós estamos muito felizes com a presença da UFS aqui, porque, de fato, ela mudou a realidade de Lagarto”, assegura Valmir.

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Deputado federal João Daniel, PT, é o autor da indicação da emenda para a construção do campus

TRANSFORMAÇÃO

Segundo Valmir, essa mudança se deu não apenas no quesito saúde pública ou econômico e comercial, mas sobretudo na autoestima da população. “Lagarto, depois da universidade, se transformou, tem uma nova condição de vida e uma perspectiva para o seu povo, que já não precisa sair daqui para estudar e pode competir com igualdade com os que vêm de fora”, reforça Valmir.

O governador reeleito Belivaldo Chagas, PSD, compreende a importância da instituição e a necessidade de priorizar a Educação. “A Universidade Federal de Sergipe é uma incubadora de conhecimento e tem papel fundamental no desenvolvimento de nosso estado, contribuindo com a formação de profissionais qualificados, os quais ajudam na construção de um Sergipe mais moderno”, acredita Belivaldo.

Além disso, para o governador, a UFS desenvolve pesquisas e debates importantes para o crescimento científico e intelectual da juventude, assim como a ação econômica da UFS, que desenvolveu a região do Rosa Elze, fomentando um bairro universitário, com comércio e infraestrutura voltada para docentes e universitários.

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Reitor Angelo Antoniolli comemora as conquistas, mas quer mais para a UFS

TRANSFORMAÇÃO

“Temos que trabalhar pelo fortalecimento e ampliação da Universidade Federal, que já tem polos em Laranjeiras, Itabaiana, Lagarto, Nossa Senhora da Glória, para dar mais oportunidades aos nossos jovens”, destaca Belivaldo Chagas.

Para o vereador Josenito Vitale, o Nitinho, presidente da Câmara Municipal de Aracaju, a Universidade Federal de Sergipe, ao longo desses seus 50 anos, contribuiu significativamente para a formação de milhares de jovens, não só na vida acadêmica e profissional, preparando-os para o mercado de trabalho, mas também para a vida.

“A fundação da UFS foi um marco histórico para o nosso Estado. De um campus inicial, surgiram outros cincos espalhados por várias cidades sergipanas, dando oportunidade de quem mora no interior também poder alcançar a almejada formação superior, seja jovem ou adulto, de Sergipe ou de outro Estado brasileiro”, ressalta Nitinho.

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Governador reeleito Belivaldo Chagas prometeu priorizar a educação

CONTRIBUIÇÃO

Ele defende a importância dos órgãos públicos fortalecerem o papel da UFS. “Tanto que a Câmara Municipal de Aracaju está aberta aos universitários para intermediar suas discussões. É sempre bom ouvir os jovens e estimulá-los a participarem da vida pública, da política, exercendo a cidadania. Que venham mais 50 anos e tantos outros, fortalecendo ainda mais a instituição UFS, que tem um papel fundamental no desenvolvimento social e econômico do Estado”, destaca.

De fato, o alcance da UFS vai muito além de questões meramente acadêmicas, como expõe Luciana Maria, a jovem que abre esta reportagem. Ela não tem dúvidas de que valeu a pena estudar para conseguir uma vaga na Universidade Federal de Sergipe.

“Todos esses momentos me humanizaram muito. Apesar da precarização do Ensino Superior público nos últimos dois anos por parte do Governo Federal, a UFS me mostrou que a Educação move e muda”, reitera. Hoje, Luciana pretende retornar aos bancos da sala de aula da universidade para um mestrado, afinal, conhecimento nunca é demais.

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Vereador Nitinho reconhece importância da UFS no desenvolvimento do Estado e de Aracaju

De 1968 a 2018: 50 anos de história

A Universidade Federal de Sergipe foi criada e mantida pela União sob a forma de fundação, nos termos do Decreto - Lei nº 269 de 28 de fevereiro de 1967 –, sendo integrada ao Sistema Federal de Ensino Superior Brasileiro com a incorporação dos cursos superiores até então existentes no Estado. A sua instalação efetivou-se em 15 de maio de 1968.

Em 1968, no momento de sua fundação, a UFS possuía os seguintes cursos, que foram agregados: Curso de Química (1950); Curso de Ciências Contábeis (1950); Cursos de Filosofia e Direito (1951); Curso de Serviço Social (1954); Curso de Medicina (1961).

Desde então, a UFS vem passando por uma intensa reestruturação e expansão, potencializada, ao longo dos últimos dez anos, após sua adesão ao Reuni. “A regulamentação do Reuni-UFS contribuiu para que houvesse a ampliação de cursos e aumento da oferta de vagas nos cursos existentes, gerando assim, as condições para a criação dos novos Campi no interior do Estado”, opina o professor Kleber Fernandes de Oliveira, da Coordenação da Coordenação de Planejamento e Avaliação Acadêmica – Copac.              

Para Kleber, o aumento de alunos e servidores – professores e técnicos –, em geral, foi acompanhado pela ampliação e melhoria dos espaços físicos da Universidade, que tem sede central na Cidade Universitária Professor José Aloísio de Campos, localizada no Jardim Rosa Elze, município de São Cristóvão. A UFS é mantida com recursos da União, mas possui autonomia administrativa, pedagógica e disciplinar, sendo regida pela legislação federal, pelo seu Estatuto, pelo Regimento Geral e por outros atos normativos internos.

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Prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro, PSC, apoia a integração da Universidade e o poder público