CONVICÇÃO

André Moura avisa: isso vai dar em nada e Temer fica

Por Jozailto Lima
01 jun 2017, 21h39

O líder do Governo no Congresso Nacional, deputado André Moura, PSC, avisa com exclusividade à coluna Aparte, sem rodeios: isso tudo que está sacudindo o Governo Federal vai dar em nada e Michel Temer ficará no mandato.

“A oposição sabe que aqui nenhum pedido impeachment passa, porque temos maioria e uma base de unidade em torno do Governo. Não passa tanto na Câmara quanto no Senado”, diz o parlamentar.

Para André, “a oposição promove barulho e zoada porque isso faz parte do jogo dela de causar a instabilidade. Eles querem instabilidade política e econômica”. Veja a entrevista dele.

Aparte – O senhor acha que tudo isso no entorno de Temer vai dá aonde?
André Moura – Em nada. Digo isso com base na estabilidade que ele já adquiriu no Congresso. Aqui, nós estamos sob controle absoluto.

 Aparte – Mas há uma boa grita da oposição?
AM – A oposição promove barulho e zoada porque isso faz parte do jogo dela de causar a instabilidade. Eles querem instabilidade política e econômica. Querem que o país vá mal, que a inflação e a taxa de juro voltem a subir. Que o nível de desempregados volte a aumentar. Mas veja: no mês passado, em abril, foram criados 59 mil postos de trabalho no Brasil.

Aparte – Como é o que senhor vê esses tantos pedidos de impeachment? AM – Com naturalidade. A oposição sabe que aqui nenhum pedido impeachment passa, porque temos maioria e uma base de unidade em torno do governo. Não passa tanto na Câmara quanto no Senado, assim como não passam eleições diretas. Porque não cabe eleições diretas. O processo de impeachment não tem a mínima condição de prosperar por aqui. Fica um monte de gente aí falando na possibilidade do impedimento do presidente, mas é tudo discurso da boca para fora.

Aparte – Como tem sido o desempenho nas votações do interesse do Governo?
AM – Só para provar que nós temos maioria, na semana passada aprovamos num dia só sete Medidas Provisórias, dois projeto de lei e vários requerimentos, e aprovamos a convalidação dos incentivos fiscais que tanto os Estados, sobretudo os do Nordeste, esperavam. Isso dá para provar a nossa força.

 Aparte – E isso caracteriza bom desempenho?
AM – Sim. Só na semana passada, nós aprovamos o que em 30 dias não se conseguia. Isso demonstra muito bem a nossa força.

Aparte – Num editorial desta quinta o Estadão diz que as delações e o Ministério. Público estão a serviço de algo que quer acabar a com a classe política. Mas quando elas atingiam somente o PT não havia este questionamento. O que o senhor acha disso?
AM – Creio que as delações devem ser cuidadosamente examinadas. O que defendo é que você não pode pegar uma delação e transformá-la numa coisa verídica sem análise. Geralmente, elas são feitas por pessoas prestes a ser presas, ou por pessoas já presas, sob pressão psicológica, com a esperança de que a delação lhes dê uma expectativa de liberdade. O cara então sai delatando o que pode ser inverídico e verídico, para poder libertar-se. Uma pessoa assim, com a família toda apreensiva, qual o caminho para ela, senão delatar? Ela então faz isso, atende à opinião pública sedenta e termina ganhando uma salvo-conduto.

 Aparte – O senhor apontaria um caso em específico?
AM – Veja este caso da JBS. Isso é o maior absurdo que já pode ter existido. O cara praticou os maiores crimes de corrupção, comprou, como ele diz, 1.900 políticos, de deputado a governador, e qual foi prêmio dele? Delatar e pronto. E ganhar depois a liberdade americana. Aí, verdadeiramente, tenha paciência: aquela velha frase de que o crime compensa termina validada.

 Aparte – O senhor estaria desqualificando as delações, de modo geral?
AM – Não é isso. Estou chamando a atenção para os cuidados que se deve ter de investigar a delação e não de transformá-la em fato verídico. Não fazer dela um passo para condenar outras pessoas. Deve-se apurar, averiguar, para constatar se há veracidade. Mas condeno o fato que a delação no nosso país esteja virando um salvo-conduto para corruptos.

Aparte – Os prefeitos brasileiros fizeram um pacto com a União para o parcelamento das dívidas com a Previdência em 200 meses. A MP já foi aprovada?
AM – Ainda não, mas esta MP já está validada. Ela tem agora 120 dias de validade e nesse prazo deveremos aprová-la nas Comissões Especiais e nos plenários das duas casas. E vamos aprová-la. De modo que o Refis já está sob validade.

ANDRÉ MOURA: CONHEÇO O MEU LUGAR
Como última pergunta desta breve entrevista com o deputado federal André Moura aí acima, a coluna lhe tacou este questionamento: “O senhor sonha em ser o candidato a governador de Jackson Barreto?”. André não perdeu a pompa nem a circunstância e sou faltou repetir por resposta o verso inteiro da canção “Conheço o meu lugar”, de Belchior: “Você sabe bem: conheço o meu lugar”. “Eu sonho em ser candidato àquilo que o meu grupo político decidir. E o meu grupo político, obviamente, não é o do governador. Eu faço parte de outro agrupamento, que é o mesmo do senador Eduardo Amorim e espero que seja também do senador Valadares. Estamos trabalhando juntos”, disse ele. Tá bom, deputado: não se fala mais nisso. Ou se fala?

LUCIANO E VALADARES AO GOVERNO
Ainda que pisando em ovos, de modo que não gere atritos com o senador Eduardo Amorim, PSDB, numa entrevista ao jornalista Joedson Teles, do Universo Político, o deputado estadual Luciano Pimentel, PSB, levantou crachá para a possibilidade de uma candidatura do senador Antônio Carlos Valadares, do seu partido, ao Governo de Sergipe. “Um nome como o do senador Valadares é sempre lembrado pela sociedade, porque é um homem que está há 50 anos na vida pública, já foi prefeito, governador, senador, vai completar, quando terminar seu mandato, 24 anos no Senado, sem ninguém no Brasil ter levantado uma única suspeição sobre ele. Isso, aliado à sua capacidade técnica, coloca o senador numa condição muito favorável para a disputa de uma eleição para governador”, disse o deputado. No bloco, Eduardo Amorim trabalha mais a candidatura ao Governo.

Valadares: “50 anos na vida pública sem uma única suspeição

LUCIANO E VALADARES AO GOVERNO II
Mas, sabedor disso, Luciano Pimentel faz a ponderação conciliatória. “Entendo também que se a decisão for pelo nome do senador Eduardo Amorim, as oposições estarão todas unidas no sentido de buscar elegê-lo, que é hoje muito bem lembrado para o Governo do Estado”, diz. Ele até ressalta, na entrevista, os reais objetivos do seu correligionário. “O senador Valadares tem dito sempre que é pré-candidato à reeleição. Mas ele está atento ao sentimento do povo sergipano. Havendo um entendimento, eu tenho certeza de que o senador não se furtará a ser pré-candidato a governador, e, com certeza, terá uma grande vitória no Estado de Sergipe. Fará uma administração esplendorosa, pensando o futuro de Sergipe”, diz o parlamentar. Supõe-se que isso não seja capaz de abalar a passarinha de Eduardo Amorim.

 JOÃO DANIEL E MAIS RIGOR SANITÁRIO
O deputado federal João Daniel, PT, está presidindo a Comissão Mista da Medida Provisória 772/2017, a que altera a Lei nº 7.889/89, que dispõe sobre a inspeção sanitária e industrial dos produtos de origem animal. Essa MP foi editada depois que veio à tona o resultado da Operação Carne Fraca pela Polícia Federal – é um tema nobre. Embora a medida trate unicamente do aumento da multa a ser aplicada pelo governo ao infrator não primário que descumprir a legislação referente aos produtos de origem animal (passando de R$ 15 mil para R$ 500 mil), João Daniel defende que seja feita uma discussão mais ampla que trate da política nacional de inspeção sanitária. “Vamos nos empenhar e seremos contrários a qualquer projeto que flexibilize as normas e regras e que ameace a saúde pública”, afirmou.

João Daniel: sem flexibilizar normas ameacem a saúde pública


QUEDA NOS HOMICÍDIOS DE SERGIPE
O Governo de Sergipe divulgou ontem dados mostrando queda nos índices de homicídios de Sergipe. Segundo o Governo, a redução foi de 11% nos cinco primeiros meses do ano. De janeiro a maio de 2015, foram registrados 536 casos. Em 2016, 514 e em 2017, 457. Neste período, a redução de homicídios na capital foi 20,4% – foram 152 em 2016 e em 2017, 121. Na região metropolitana, a situação ficou assim, para uma redução de 5,9%: 136, em 2016 e em 2017, 128. A situação no interior foi esta: 2016, com 226 casos e em 2017, 208. Redução de 7,9%. Que bom que houvesse nisso uma tendência.

 CHEGA DE FORO PRIVILEGIADO
Com o título de “4 a 0 pela restrição do foro”, o site O Antagon!sta publicou ontem a seguinte nota – e como ela diz tanto de um novo tempo que se anuncia: “Cármen Lúcia, presidente do STF, também acompanha Luís Roberto Barroso para que o foro privilegiado se aplique somente a crimes cometidos durante o cargo e em razão do cargo. “Esse foro se dá em razão do cargo e com fatos relacionados às funções desempenhadas. Estou acompanhando o relator”, destacou a ministra. E mais: “Foro não é escolha, prerrogativa nem privilégio”. Chega de usar da estrutura oficial para proteção de bandidos de colarinhos brancos.

 ALEXANDRE FIGUEIREDO DESISTIU?
O advogado Alexandre Figueiredo, controlador-geral do Município de Aracaju, confirmou ontem que seu projeto de disputar um mandato de deputado federal pelo PMDB está crescendo e consolidado – esta semana circularam boatos de que ele havia desistido. “Não procede de forma alguma. É bem ao contrário: tenho atendido a meio mundo de gente, com as pessoas hoje já me procurando. Sou candidato até o final. Só tem um homem que me faria abrir mão da candidatura, que é o meu pai. Fora isso, não abro de jeito nenhum”, diz ele. “O meu pai” aí é o velho Benedito Figueiredo, ex-vice-governador de Sergipe por dois mandatos, ex-deputado federal e atual secretário de Governo.

Alexandre Figueiredo: hoje já estou sendo procurado


“AS COISAS ESTÃO ANDANDO BEM”
“Estes últimos dias estou é mudando um foco e atuando na Grande Aracaju. Ainda ontem estive na Barra e recebi lideranças de Nossa Senhora do Socorro estes dias. Graças a Deus, as coisas estão andando bem. Sou pré-candidato com a intenção de me suceder bem. Mas sou uma pessoa que não gosta de se iludir: entendo que se a eleição fosse hoje, eu não ganharia. Agora, para quem há meses pouca gente sabia quem eu era, hoje a minha intenção de candidatura é algo que já está bem colocado para a sociedade. A cada dia mais as pessoas do interior estão me chegando. O que eu mais tenho gostado é de que estou sendo procurado. Nem sou eu que estou unilateralmente procurando. As pessoas vêm até a mim e eu estou me sentindo muito bem de fato”, diz o advogado.

UMA NOVA TEORIA POLÍTICA?
Uma palestra do jornalista Gaudêncio Torquato ontem, no auditório do Senac, reuniu diversas lideranças políticas para debater o tema “O Brasil sobe a montanha ou despenca no precipício?”. Entre eles, o ex-deputado federal José Carlos Machado, que chamou a atenção até mesmo do palestrante com uma nova “teoria” sobre as ideologias políticas.

Deputado Laércio Oliveira, Gaudêncio e Machado: contributo


UMA NOVA TEORIA POLÍTICA? II
No bloco aberto para perguntas e comentários, Machado, um iconoclasta itabaianense, saiu com essa: “antes, só tínhamos direita e esquerda. Mas, hoje, está surgindo uma nova ideologia política no Brasil, a do centro móvel, na qual as lideranças vão se posicionando de acordo com os interesses do mandato em curso”. O palestrante acabou aplaudindo a análise e garantiu incluir a nova teoria nos próximos debates.

A “MODERNIZAÇÃO” DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA É O RENASCIMENTO DA IDADE MODERNA

[*] Cezar Britto

 Modernizar se tornou a palavra da moda, aquela em que todos se arvoram na condição de defensor, apóstolo ou praticante. Certamente, por “desapego ao passado” ou simples marketing político, não mais se usa o vocábulo mudança, pois ele se confunde com o termo oposição, ambos conhecidos nos debates, propagandas e comícios eleitorais.

A sedução substitutiva vocabular é justificada, assim, pelo simples fato de que a expressão modernização está intimamente vinculada à essência evolutiva da própria humanidade, a motivação que a conduziu para fora das cavernas e a descobrir o mundo.

Reconheço que quem não está afeito às coisas da política, ou mesmo ao uso da gramática, fica confuso diante dos exemplos contraditórios apontados como sinônimo de modernização, especialmente quando o grito retumbante que a alardeia brota da boca da elite que sempre usufruiu o que agora acusa de velho e desbotado pelo tempo. 

 Nesse caso, então, vale a pena ser mais precavido, pois a nova expressão pode ter como significado fazer com que o combatido passado se torne o presente recauchutado.

É o que também se conhece como mudança involutiva, aquela em que se regride às condições críticas do ontem, ressuscitando crises ou teses já superadas no avançar da história, várias delas quedadas na Bastilha de 1789.

[*] É advogado, com atuação na área trabalhista, pela ala dos trabalhadores. Foi presidente da OAB de Sergipe e da OAB nacional. Originalmente, este texto foi publicado ontem no site Congressemfoco.

Cezar Britto: “vale a pena ser mais precavido”

 

ETC@TAL
@ O prefeito de Tomar do Geru, Pedrinho de Balbino, não negou que tivesse sido alvo de grosserias do presidente do Tribunal de Contas do Estado, Clovis Barbosa.

@ “Foi um momento infeliz. Todos cometemos atos falhos. Temos grande apreço um pelo outro. Dr. Clovis Barbosa é um ser bom”, disse Pedrinho a esta coluna, sem mais alongar.

@ O caso vazou através do programa Jornal da Fan, do radialista George Magalhães, e Clovis saiu pela tangente de duas maneiras: dizendo que é amigo de Pedrinho e afirmando que a boataria vazara pela “fofoqueira” conselheira Susana Azevedo.

@ Pauta boa: ativa e de olho nas coisas de Sergipe, a TV Atalaia levará na segunda-feira a estúdio do Balanço Geral, com Fábio Henrique, a discussão para se trazer a Sergipe um campus da Univasf.

@ A bandeira é do prefeito de Propriá, Iokanaan Santana, PSB, que já foi bater às portas do Ministério da Educação com a ideia bem aprofundada.

@ Na segunda, Iokanaan e o deputado estadual Luciano Pimentel descem aos subsolos deste projeto, em entrevista a Fábio Henrique.]

@ Nesta seara, há uma notícia nova e boa: “Para nossa alegria, recebemos no dia de hoje uma mensagem da senadora Maria do Carmo, informando do seu engajamento em favor da Univasf em Propriá”, registrou ontem na Alese Luciano Pimentel. Maria é propriaense.

@ “Nós temos certeza de que com o engajamento de toda a classe política, como os nossos três senadores, o prefeito Iokanaan transformará a realidade do povo de Propriá através da educação”, disse Luciano.

@ Gato escaldado: “Após controvérsia, Temer registra em agenda até reunião de 2 minutos”, título de matéria da Folha de S. Paulo ontem. Janela fechada depois de o enxame se alojar no centro da sala.

@ A música boa e harmoniosa do Brasil e de Sergipe tem agenda fixa e cativa depois das 10 horas da manhã no Seleção Brasileira, na Rádio Aperipê, programa bem cuidado por Mário Sérgio. O cara é uma enciclopédia de MPB. Além do mais, é um tricolor convicto.