Machado é alvo de cobiça de nove partidos

Por Jozailto Lima
07 fev 2017, 08h49

Na caçada feita pelos partidos ao ex-deputado federal e ex-vice-prefeito de Aracaju, José Carlos Machado, PSDB, houve ontem uma encontro exótico: ele se viu reunido com sua própria agremiação partidária para saber se fica ou não nela. Foi recepcionado num café da manhã pelo senador Eduardo Amorim, pelo presidente da Executiva Estadual, Zé Franco, e pelo Tesoureiro, Valtinho Soares.

Os dois, Machado e o PSDB, passam por amplas mudanças. Com o “fim” de João Alves Filho, Machado é meio cachorro caído do caminhão de mudança. Quer achar um novo ninho pra chamar de seu. Com a migração do PSDB das suas para as mãos do senador Eduardo Amorim, Machado de novo precisa se enquadrar.

Mas o que não lhe falta são casas partidárias de portas e janelas abertas lhe acenando. Aos 68 anos, Machado pretende, de novo, um mandato de deputado federal – já os obteve em 2002 e 2006. Não o terá se não tiver um partido no qual se guarde.

Mas aí ele é alvo de cobiça de nove deles. Vão dos de oposição aos governistas: PMDB, PSD, PDT, SD, Pros, PPS, PTN, PEN e o PSDB. Desde criancinha, Machado é um demista. Por regressão, um pefelista, um pedessista, um arenista.

Ele foi a figura mais próxima de João Alves na política de Sergipe – seu secretário desde a primeira gestão na Prefeitura de Aracaju na década de 70 a seu vice-prefeito até o ano passado.

“Estou decidido a tentar mandato de deputado federal ano que vem, vai ser a primeira eleição em que vou estar sem João Alves e me sinto liberado para procurar espaço onde haja menos dificuldade nessa minha intenção”, diz ele.

Pelas conversas, esse espaço tanto pode ser ao lado de Jackson Barreto, quanto de Eduardo Amorim. O difícil é receber de qualquer um deles as garantias de plena ajuda para uma eleição federal.

Eduardo Amorim diz que gostaria de mantê-lo no partido, mas quanto às condições de elegê-lo em 2018, fala em “construir juntos”. Machado teve três mandatos de deputado estadual, os dois de federal, um de vice-governador e outro de vice-prefeito.

Tem frustração das experiências de vice-governador ao lado de Albano Franco, a quem ele admira ainda hoje, e de vice-prefeito, ao lado de João. “José Carlos Teixeira costumava dizer que vice é uma ficção jurídica”, diz.

Mas uma eleição de federal em 2018 é complicada para quem não vem de um processo de construção continuado. Para Machado, tem um agravante: saiu arranhado da gestão de Aracaju depois da gravação em que aparecia dizendo que os secretários de João só pensavam em roubar – e não provou nada – e com o excesso de nomeações de CCs no seu gabinete de vice. Mas renascer das cinzas nem sempre é impossível.

VALADARES REAGE A RICARDO

O senador Valadares não gostou – e o senador Valadares tem gostado de pouca coisa ultimamente que não seja briga – da entrevista do suplente de senador Ricardo Franco ao portal JLPolítica. Não gostou, sobretudo, das críticas que o empresário fez à emenda impositiva de R$ 100 milhões colocada por ele no Orçamento da União para a Codesvasf. E desatarraxou palavras duras como “demagogo”, “ignorância” e “insensibilidade” para rebater ao pensamento do moço.

“UM AUTÊNTICO DEMAGOGO”

“Ao afirmar que a emenda de R$ 100 milhões para a Codevasf aplicar nos perímetros irrigados não é prioridade e que essa emenda é uma tragédia, Ricardo Franco apresenta-se como um autêntico político demagogo, ocupando o lugar-comum da política tradicional que ele deseja substituir”, diz Valadares.

“MANIFESTAÇÃO DESASTROSA”
E Valadares segue espremendo mais o carnegão: “Ricardo Franco revela um preconceito inadmissível com uma região considerada a mais pobre de Sergipe, o Baixo São Francisco. Sua manifestação desastrosa diz bem de sua ignorância sobre a realidade do nosso Estado. Prefere, na sua insensibilidade e desconhecimento dos problemas sergipanos, relegar ao abandono região tão carente, o maior bolsão de pobreza do Estado”, diz Valadares.

TRAGÉDIA DE BACANA
E não para aí. “Tragédia é alguém que quer ser o bacana, o diferente, negar a aprovação de recursos federais para o avanço do Baixo São Francisco, com a modernização de sua infraestrutura hídrica e econômica, visando colocá-lo no eixo do desenvolvimento, aumentando a produção e gerando emprego e renda”.

ENTREVISTA REPERCUTE BEM
A entrevista de Ricardo Franco – acesse-a aqui http://jlpolitica.com.br/sem-categoria/jl-entrevista-ricardo-franco-empresario-e-suplente-de-senador/ – teve enorme repercussão nos meios políticos, econômicos e empresariais de Sergipe. Ricardo disse que o pensamento dos que empreenderam o Estado de 1982 até agora é repleto de lugares-comuns, sem ideias novas e futuristas. Não poupou nem o pai, Albano Franco, que foi governador duas vezes nesta fase. “Ele foi incisivo. É do estilo dele, e eu nada posso fazer”, diz Albano. “Eu acho que o que ele disse tem muita pertinência. Só faltou se lembrar de que para fazer mudanças em Sergipe, mais do que em outros Estados, o cara necessita estar inserido em grupos políticos”, diz Belivaldo Chagas, vice-governador o Estado. Para ele, Ricardo está órfão.

POSTURA DE INDEPENDÊNCIA.
O radialista Gilmar Carvalho, que vira deputado estadual pelos próximos dois anos como consequência das eleições de prefeitos do ano passado, avisa aos navegantes que não esperem dele alinhamento incondicional com o governo e nem com as oposições.

ANTIVAGÃO
“Manterei postura de independência. Não serei deputado de Jackson, de Valadares ou de Amorim. Isso não quer dizer que caminharei sozinho na Alese. Conversarei sempre em torno dos projetos que apresentar e sobre todos os que tramitarem na Casa. O tempo me ensinou que quem é candidato a vagão acaba sempre ficando no caminho”, diz ele.

DARCI E O CIRURGIA
O médico Darci Tavares Pinto informa a esta coluna que se for convidado à disputa pela Presidência do Hospital de Cirurgia, topa. A eleição dali será dia 1º de março. Ele disse que não está candidato, como foi colocado aqui por informações do médico Ednei Freire Caetano, este sim, já em campanha. “Anterior a Gilberto dos Santos, eu fui presidente por dois mandatos, num período em que a gestão de três anos. Não lancei candidatura, mas se precisarem de mim estou à disposição”, diz Darci.

ESTATÍSTICA CURIOSA
Na série de três notas publicadas aqui sobre o assunto, foi dito que dos 11 membros do Conselho Deliberativo, que é de onde sai o presidente, Ednei tinha nove e Darci apenas dois votos. “Achei curiosa essa estatística. Eu sei que tenho pelo menos o meu voto, porque sou membro do Conselho, e Ednei nem o é”, lembra Darci.

INTERESSE NA ELEIÇÃO
Por trás da eleição do Cirurgia, há um grande braço político. O Hospital é mantido com ajuda dos Governos de Sergipe e de Aracaju. Logo, Jackson Barreto e Edvaldo Nogueira têm muito interesse na eleição, para ter lá um interlocutor deles.

ALGUÉM DA CONFIANÇA
“Ednei é a cara do senador Valadares e quem deve ir para ali é alguém da confiança de Jackson e de Edvaldo, senão tudo faz água. A eleição para a Presidência do Cirurgia vale quase que por uma obra”, diz o deputado estadual Luciano Bispo, PMDB, a quem Darci é ligado. Este médico é superintendente do Hospital Geral de Itabaiana. Ele é amigo de “modernagem” de Edvaldo Nogueira e ambos são, inclusive, contemporâneos de Pão de Açúcar, Alagoas.

PROGRAMA DE GESTÃO
Ednei Caetano já tomou gosto pela disputa e está nadando de braçadas. Depois das notas publicadas aqui, ele já andou divulgando o seu programa de Governo. São suas metas: 1 – A imediata regularização dos salários dos funcionários, com implantação de calendário de pagamento anual. 2 – Pagamento regular das cooperativas médicas e fornecedores. 3 – Incrementação das receitas com emendas parlamentares nos âmbitos federais e estaduais para reformas estruturais (Centro Cirúrgico, UTI, enfermarias). E aí, vai ficar aí de braços cruzados?

MORTES POR CÂNCER
Pelas contas do senador Eduardo Amorim, de 2012 a 2020, quando o Hospital do Câncer de Sergipe poderá estar pronto com oito anos de atraso, cerca de 30 mil sergipanos deverão ter morrido de câncer. O senador não consegue tirar esse extrato ruim das costas do govenador Jackson Barreto. “Isso é um crime, e alguém precisa pagar por isso”, diz Eduardo. Esse “alguém”, insiste, tem de ser Jackson.

FALA, JASON NETO
O vereador de primeiro mandato por Aracaju, radialista Jason Neto, PDT, não tem dúvida da parte que lhe cabe nesse latifúndio do Governo Municipal: será, puxado pelo mano Fábio Henrique, mais um situacionista.

“SEREI DA SITUAÇÃO”
“A perspectiva do mandato é boa. Já fiz várias indicações, alguns projetos de lei, inclusive beneficiando a nossa classe. Estou animado e farei um mandato visando o melhor para nossa querida Aracaju. Serei da situação, acompanharei o meu partido. O PDT faz parte da base aliada”, está certo.

GENRO INTERDITADO
O vice-governador Belivaldo Chagas, PDMB, diz que o seu genro, o advogado José Carlos Felizola, não disputará mandato algum em 2018. Havia conjectura de que ele poderia tentar eleição para a Alese. “De jeito nenhum. Não será candidato a nada”, diz. E se Belivaldo for de fato o candidato ao Governo, aí é que seria complicado.

BOA BANCADA FEDERAL
Para a Câmara Federal, Belivaldo Chagas acha que o próximo ano terá uma das eleições “mais difíceis de Sergipe”. Mas prevê uma boa bancada. “Há candidatos fortes nos dois lados. Acho que teremos um placar de 5 x 3, ou possivelmente 6 x 2 pra federal”, diz.

ETC&TAL
@ Conselho de um itabaianense a outro, envolvendo um terceiro itabaianense: “Machado precisa definir sua vida partidária. Ele é que sabe se quer ser enganado mais uma vez por Eduardo Amorim”. A voz falante aí é a do deputado Luciano Bispo, PMDB.

@ Luciano Bispo tem certeza de que o senador Eduardo Amorim não gosta nem dele e nem de Machado. Ó, quanto desafeto!

@ Alguém precisa receitar uns lexotans ao senador Valadares com urgência. Ele fica tuitando até 3h, 4h da madrugada. Sempre curtido a bons – será que republicanos também – ódios?

@ As relações azedas que se interpuseram entre o senador Valadares e o ex-aliado Belivaldo Chagas não contaminaram ainda Valadares Filho. Belivaldo tem profundas dificuldades em ver qualquer defeito no herdeiro.

@ O vice-prefeito de Boquim, advogado Chicão Almeida, diz que fez com o prefeito Eraldo um pacto que vai além do meramente político e passa pelo administrativo.

@ “Não fosse assim e jamais aceitaria participar do acordo. Nossa harmonia tem tudo pra prevalecer ao longo dos quatro anos ou até mais que isso”, diz.

@ “Com esses líderes adquiridos a peso de ouro por Jackson Barreto não quer dizer que ele está levando o povo”. Isso é Eduardo Amorim, enfezado com as cooptações de gente feita por Jackson Barreto.

@ O primeiro suplente de senador pelo mandato de Maria do Carmo, Ricardo Franco, desfiliou-se do DEM. Mas garante: não tem pressa para fazer uma nova filiação. Nem tampouco vai sair se oferecendo.

@ Gráfico do senador Amorim: a dívida pública do Estado de Sergipe era de R$ 829 milhões em 2008. Hoje, menos de dez anos depois, é de R$ 7 bilhões.

@ “E é uma dívida ruim, porque a maior parte dela é com bancos e não com o Governo da União. Com bancos, dívidas não têm perdão”, diz ele.