Palanque de 2018 está mais para Jackson Barreto

Por Jozailto Lima
31 jan 2017, 21h48
FOTO: Arquivo/ASN

O Brasil está num momento conturbado, com a operação Lava Jato revelando uma classe política bem afeita à lama. O mundo vive grandes incertezas, com o ególatra presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cometendo sandices que prometem sobrar para boa parte da humanidade.

Mas em Sergipe, que economicamente passa por uma situação atípica, com servidores públicos tendo os salários parcelados, a política bota sua roda em movimento como se nada tivesse acontecendo. Isso é bom e isso é ruim.

Por aqui, politicamente o ano de 2017 começou com cara de 2018 – como se um grande palanque unisse os pleitos do ano passado e o do próximo. Ou seja, rufando os tambores da política de uma eleição que só vai acontecer em quase dois anos à frente.

Em parte, isso se inicia com as eleições municipais do ano passado. Ou, mais precisamente, com a de Aracaju. O enfrentamento de Edvaldo Nogueira e Valadares Filho, em duelo de segundo turno, trouxe esquentamento de ideias, de projetos e de intenções que impossibilitaram a desmontagem dos palanques.

E começou antes, com a ruptura do grupo dos Valadares com o de Jackson Barreto, com a morte anunciada e antevista do grupo de João Alves Filho e com a anexação, pouco convincente, dos Amorim aos Valadares.

Nas cinzas de João Alves, na pulverização dos sonhos dos Valadares/Amorim de levarem a Prefeitura de Aracaju, a figura de Jackson Barreto se agigantou.

Político sagaz, o governador está montando uma estrutura que ameaça qualquer estabilidade da oposição em 2018. Que atravanca os caminhos de Eduardo Amorim, que defenestra Antônio Carlos Valadares.

No caso deste último, com uma ironia que deve doer no estômago do velho Cacique do Pau de Leite: fazendo governador de Sergipe Belivaldo Chagas, que Valadares pensava ser propriedade privada dele, e cujo rompimento, fomentado por JB, foi rumoroso, mas poucos sabem ainda as razões a fundo.

Reeleito governador em 2014 prometendo que penduraria a chuteira, que não seria candidato ao Senado, JB hoje é uma dúvida eleitoral séria. Uma dúvida que ele pode empurrar com a barriga em seu favor até as convenções de 2018.

Uma dúvida que seduz os deputados Laércio Oliveira e Fábio Mitidieri, e que seduz o ex-deputado Rogério Carvalho – todos sequiosos pelo céu do Senado daqui a dois anos.

JB, que já teria pré-candidato ao Governo na figura de Belivaldo Chagas, vai se jogar como moeda de troca na questão Senado. E aí fica a perguntinha incômoda: com que roupa irão a este samba os senadores Valadares e Eduardo Amorim, cujos mandatos se encerram agora? Têm, ambos os dois, afinidade, tolerância, liga, cacife e paciência para suportar uma aliança futura?

Pelo que se pode medir de hoje, o palanque de 2018 está bem mais para Jackson Barreto. Mas aqui vale um santo clichê: ninguém ganha eleição com tamanha antecedência.

“UM SHOW DE POLÍTICA”

João Augusto Gama acha que Jackson Barreto está indo no caminho certo ao puxar para seu bloco, como um imã, boa parte da oposição a ele, inclusive gente ligada a João Alves Filho, como José Carlos Machado. “Jackson está dando um show de política. Viu uma oposição que foi montada contra o projeto dele, com grande parte desta oposição tendo sido eleita ao lado dele, se mostrar incompetente, e vai construir um grande projeto para 2018. Eu acho Machado, por exemplo, um grande nome. Mas não sei se ele virá. Não tenho conversado com JB sobre isso”, diz.

MEMEDINHA HOMEM MUDADO

Não esperem de Almeida Lima um retorno ao homem abespinhado, dominado por estado de exasperação, no trato com a Secretaria de Saúde. O Almeidinha “paz e amor” em que ele se converte depois da reconciliação com Jackson Barreto não vai mais ceder àquele brigão que ele fora. Na Adema, por exemplo, ele fez um excelente trabalho e adotou a discrição e o silêncio como nortes. Não vai ser diferente na Saúde. “Aqui, nosso lema é universalizar os serviços com qualidade, fazendo mais com menos”, disse ele a esta coluna. Ah, e disse mais: que vai cair do cavalinho quem estiver achando que ele usará da estrutura da Saúde pensando em proveito político-eleitoral. “Não serei mais candidato a nada”, compromete-se.

OLHA O ÉMERSON AÍ!

Émerson Ferreira, o Dr Emerson, foi uma revelação positiva na eleição de Aracaju no ano passado. Vereador da capital, ele tentou ser prefeito pelo Rede Sustentabilidade e saiu do pleito com 23.190 votos dos aracajuanos, ou 9,01% dos válidos, quase empatado com o “histórico” João Alves Filho, que teve 225.715 votos, ou 9,99% dos válidos.

PRA ONDE ELE VAI EM 18?

Com um cabedal desse, o Dr Émerson é visto hoje como um “magro cobiçável” para 2018. Metido a diferente, ele observa tudo com cuidados e não quer meter os pés pelas mãos da especulação. “Quanto à disputa para o Governo em 18, o Rede estará fazendo essa discussão com os seus filiados, dialogando com a Executiva Nacional, sempre de olho na legislação eleitoral e na conjuntura política do nosso Estado. Poderemos ser candidato, mas não temos consenso sobre a qualquer cargo. Portanto, qualquer citação nesse momento não ultrapassa a barreira da especulação”, diz ele, todo jeitoso.

WAGNER JÚNIOR

Há muito entusiasmo na família Bravo de Oliveira e Barreto Franco com a decisão do jovem Wagner Júnior em disputar um mandato de deputado federal ano que vem. “A opção é unilateralmente minha, mas meu avô Luciano Barreto e meu pai Wagner Oliveira me apoiam”, diz Wagner Júnior. “E faço isso por achar que a política, se não for a única, é uma das principais vias de mudança que nós temos para o Brasil. E daí a importância dos jovens nela”, diz. Wagner Júnior faz 20 anos em julho. Disputará a eleição pelo PP já com pouco mais de 21 anos. “Me acho hoje preparado e tenho este curto período que nos separa da eleição para me preparar ainda mais. Na vida, há sempre o que aprender”, completa.

UÇÁ, A CERVEJARIA SERGIPANA

O Estado de Sergipe terá em funcionamento até o mês de julho a primeira cervejaria artesanal devidamente regulamentada e com autorização para comercializar o seu produto. Trata-se da Uçá Cervejaria, que nasce geminada em um bar. Ela é produto e iniciativa dos jovens André Felizola, 23 anos, e Fellipe Barros, 28. Os dois andaram viajando pelo Brasil e o mundo afora em busca de cursos sobre produção de cervejas artesanais. Eles vão investir R$ 1,2 milhão no negócio, com recursos financiados pelo BNB. A Uçá Cervejaria – nome em homenagem a uma espécie de caranguejo – vai funcionar na avenida Tancredo Neves, 655, no Inácio Barbosa, a Wall Street dos bares e da gastronomia aracajuana.

JOÃO FONTES, NEVER!

O advogado e ex-deputado federal pelo PT, João Fontes, admite que, apesar de gostar muito da cena política, não se vê disputando mais um mandato eletivo, seja em que esfera for. “A conjuntura política ficou muito difícil para disputar cargo eletivo. Não tenho mais interesse pela política partidária. Estamos assistindo a um espetáculo deprimente da política nacional. Melhor ficar fora”, diz Fontes.

ANIMAL POLÍTICO

Mas como analista das cenas gerais, João Fontes é um animal político e se delicia com esta atividade. Ele acha, por exemplo, que o governador Jackson Barreto elege o sucessor e se torna senador ano que vem. “A oposição não tem projeto. Falta nomes na oposição. Antônio Carlos Valadares não ganha mais cargo majoritário e não entende que o tempo é de renovação. Eduardo Amorim não ajuda. É sem tesão. A oposição vai ter dificuldade para eleger dois deputados federais”, diz João Fontes.

PELA MEMÓRIA DE DÉDA

Espetacular o trabalho da cidadã Eliane Aquino em favor da preservação da memória de Marcelo Déda. Numa terra em que nenhum morto tem um memorial erguido, preservado e atualizado, Eliane luta feito uma leoa por um memorial para Déda. Mas o que está sendo construído na Sementeira, a um preço bagatela, sequer sai do chão. Por culpa da Prefeitura de Aracaju. Eliane, no entanto, não se entrega, e quem quiser saber o que ela faz pela memória do marido, acesse o Instituto Marcelo Déda.

ROGÉRIO E O SENADO

O ex-deputado federal Rogério Carvalho, PT, está firme em seu propósito de chegar ao Senado. Vai disputá-lo de novo em 2018. “Política é programação, e eu estou me programando para isso”, diz ele. Em 2014, Rogério bateu na trave numa eleição dura e maniqueísta com Maria do Carmo Alves, DEM, que se safou vitoriosa para o terceiro mandato por apenas 3,39% de margem de votos à frente dele – foram 448.102 dela e 416.988, dele. Era eleição de apenas uma vaga de Senado. Ano que vem, serão duas.

ROGÉRIO E O SENADO II

Presidente estadual do PT, Rogério Carvalho diz que vai tentar o Senado na intenção de inserir mais o Estado de Sergipe na pauta da política nacional e também para fazer mais pelo Estado. “Nós precisamos dar mais voz a Sergipe”, diz. Segundo Rogério, ele nunca deixou de lado a interlocução política com as lideranças municipais do Estado. Nem no depois de 2014 e se intensificou muito mais nas disputas de 2016.

MARIA VICE

Essa história de a senadora Maria do Carmo ser candidata a vice-governadora numa aliança com um candidato de Jackson Barreto ano que vem, sendo ela senadora por ainda mais quatro anos, não passaria de uma ironia? Por que ela trocaria seu mandato por um de vice? Bem, como na política os rios correm morro acima…

O FUTURO DE CLOVES

A eleição municipal do ano passado deixou sem espaço de atuação na vida pública Cloves Trindade, um dos bons quadros da jovem política sergipana. Ao lado do prefeito Jean Carlos, ele perdeu a reeleição de vice-prefeito de Boquim.

O FUTURO DE CLOVES II

“Perder a eleição não foi uma experiência boa e nem o que eu esperava, mas a vida segue. Deixei passar janeiro e agora começo a repensar o que fazer politicamente. Só sei que minha vida passará por mudanças e sou muito grato aos amigos boquinenses por tudo que fizeram por mim”, diz Cloves.

O FUTURO DE CLOVES III

Cloves Trindade foi vice-prefeito duas vezes e assumiu a Prefeitura interinamente por bons períodos. Jornalista e radialista com bons conhecimento de causa, já respondeu pela Ascom da Funasa e pela gestão dela, e foi diretor do Complexo do Sesi em Boquim. Cloves é filiado ao PSB e tem relacionamentos fraternos com os Valadares, com Jackson Barreto, com os Reis, de Lagarto, e com os Mitidieri.

PIMENTEL E O FUTURO

Engana-se quem está especulando uma candidatura do deputado estadual Luciano Pimentel, PSB, para a Câmara Federal no ano que vem. O projeto pessoal dele passa pela reeleição.

PIMENTEL E O FUTURO II

“Desde que assumi o mandato, trato minhas bases políticas com a informação de que tentarei a reeleição em 2018. Sou muito prático e não trabalho com especulações futuristas. Além do mais, creio que ainda tenho muito a colaborar com Sergipe nestes dois anos que me restam de mandato e, se Deus e o povo me consentirem, prestar um novo serviço por mais quatro anos”, diz Luciano Pimentel.

NEGÓCIOS INTERNACIONAIS

Nos dias 10, 11 e 12 de janeiro Sérgio Sobral, presidente do Creci-SE, esteve em Lisboa, Portugal, para a posse de Luis Carvalho Lima na Presidência da Apemip – Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal -, uma espécie de Cofeci de lá. Carvalho Lima preside, também, a Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa – Cimlop -, da qual Sérgio Sobral é vice-presidente, e reúne Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

PORTAL COMEÇA POR SERGIPE

A boa notícia é que a Cimlop escolheu Sergipe como o primeiro estado brasileiro a receber, como experimento para além de Portugal, o Portal de Vendas e Divulgação da Cimlop, que está revolucionando o mercado imobiliário e a economia de Portugal. Segundo Sérgio, depois de dar certo por aqui, o portal vai ser aplicado em todo o resto do Brasil. É a universalização garantida das aquisições do mercado imobiliário.

A VOLTA DE ISMAEL SILVA

Com três mandatos de deputado estadual pelo PT obtidos em 1990, 1994 e 1998, o engenheiro Ismael Silva está botando as asas políticas de fora novamente e se preparando para disputar uma vaga na Câmara Federal 20 anos depois – em 2018. Ele está sem filiação partidária, diz que analisa a opção, conversa com uma série de opções e decide depois de carnaval.

“NÃO VETEI ALMEIDA”

Pelo que sustenta João Augusto Gama, secretário de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, à coluna Aparte e em nota já emitida, rolou uma certa barrigada na mídia com a informação de que ele tinha deixado o Governo de Jackson Barreto, ressabiado com a ida de José Almeida Lima para a Secretaria e Saúde. Primeiro, continua lá. Segundo, nega qualquer interdito a Almeida. “Não cabe veto meu. Eu nunca tratei de assunto desta ordem com o governador. Isso é ato do governador. De jeito nenhum me sinto desconfortável com ele na Saúde”, diz Gama.

E A REFORMA DE JB?

Mas e a reforma estaria à altura do Estado sonhado por ele, JB e os sergipanos? Gama desconversa: “Quem pode responder se a reforma é suficiente é o govenador. Ele é quem sabe das escolhas dele. Não sou que vou julgar os atos do governador. Eu sou um auxiliar dele e estou aqui para colaborar e não para julgar”, diz Gama.

 

ETC&TAL

@ Tão logo terminou a eleição de Aracaju do ano passado, o deputado federal Valadares Filho, PSB, caiu em campo realimentando suas bases pelo interior do Estado.

@ Em política, nem sempre quem não vence é perdedor. Valadares Filho saiu da eleição num segundo turno com 134.435 votos dos aracajuanos – 47,89% dos válidos – e de cabeça erguida.

@ Apesar de pertencerem a correntes diferentes dentro do PT, Márcio Macedo e Rogério Carvalho poderão comer na mesma tigela na eleição pela Executiva Nacional da sigla.

@ Tesoureiro Nacional, Márcio Macedo está cotado para assumir a Presidência Nacional. “Apesar desta militância em correntes divergentes, eu o apoiaria, porque isso seria bom para Sergipe”, disse Rogério a Aparte.

@ Depois de dez anos de casa, Arnildo Ricardo deixou na semana passada a Diretoria Comercial do Jornal da Cidade. Vai cuidar de um site.

@ O engenheiro e empresário Ivan Leite, Sulgipe, não descarta disputar o Sendo ano que vem. Ano passado, Adriana Leite, esposa dele, foi eleita vice-prefeita de Estância.

@ Eike Batista: de cara mais rico do Brasil a detento, trancado na Penitenciária de Bangu e de cabeça rapada. Não há como não ver evolução na esperança numa coisa dessas. Meu caro Moro, vê se não deixa nenhum avião cair com você nos próximos 40 anos.

@ Comprometedora a manchete do Cinform sobre o excesso de cargos em comissão no gabinete da Presidência da Alese e no gabinete pessoal do deputado Luciano Bispo, que exerce o mando presidencial. Cabem urgentes explicações.

@ Lamentável, sob todos os aspectos, que a Aperipê FM, emissora com a melhor programação cult de Sergipe, venda espaço em horário nobre para uma igreja evangélica.

@ Benedito Figueiredo, um dos baluartes do PMDB de Sergipe, está apostando suas fichas no filho Alexandre Figueiredo como candidato a deputado federal em 2018.

@ Em nome do pai e do PMDB, Alexandre só não pode é repetir ano que vem o desempenho que teve como candidato a prefeito de Poço Verde em 2012, de onde saiu com 208 votos, ou 1,53% do eleitorado. Poço Verde é a terra de Benezão!

@ Pode até não ter sensibilidade para o trato político, mas o ex-reitor Josué Modesto dos Passos Subrinho é quadro qualificado para a Sefaz.

@ O primeiro suplente de deputado federal e ex-deputado federal Bosco Costa ironizou “a ida dele” para uma Secretaria de Estado no Governo de Jackson.

@ “Eu não assumi nada. Não tive nem um acerto até agora com ninguém. Li na imprensa. Por enquanto, estou na roça”, diz ele. Bosco é pecuarista.

@ Está certo que o deputado estadual Luiz Mitidieri não tentará reeleição ano que vem. A filha Maisa Mitidieri está se planejando para tentar sucedê-lo. E não é que a moça leva jeito e gosto pela política?

@ Laurinho Menezes, o primeiro suplente de senador de Eduardo Amorim e bambambam da economia de Sergipe que sofreu um revés tremendo, prefere ficar à margem dos fatos políticos e econômicos. Cada um na sua.