Sepuma acusa Edvaldo de gastar muito com CCs e não informar quantos são

Por Jozailto Lima
09 mar 2017, 23h45

Nesta sexta-feira, o Governo do prefeito Edvaldo Nogueira, PC do B, completa 70 dias. Para o Sepuma – Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Aracaju -, maior das instituições sindicais na esfera da Capital, são 70 dias melancólicos e marcados por omissões e por falta de transparência nos gastos públicos com pessoal.

“Para começar, o prefeito Edvaldo Nogueira está burlando a ele próprio, quando desobedece a um decreto que ele mesmo baixou no começo do Governo e aumenta mês a mês os gastos com Cargos em Comissão”, diz Nivaldo Fernando.

O presidente do Sepuma apresenta números que atestam isso. Em janeiro, a gestão de Edvaldo, segunde Nivaldo, gastou R$ 3,8 milhões com Cargos em Comissão. No mês seguinte, fevereiro, foi a R$ 4,8 milhões.

“Eu acho que o prefeito Edvaldo não se apercebeu que a gestão dele está desobedecendo ao artigo 8° do decreto baixado por ele mesmo, que diz que o atual Governo de Aracaju não poderá gastar com CCs mais do que 50% do que havia sido gasto em setembro de 2016, pela gestão do então prefeito João Aves”, diz Nivaldo.

A conta da desobediência embutida neste o artigo 8° é meio constrangedora: a gestão de Edvaldo Nogueira, segundo os dados do Sepuma, transgrediu em R$ 1,250 milhão o limite imposto por ela mesma.

Simples: o gasto de João Alves em setembro de 2016 com CCs foi de R$ 7,1 milhões. O limite da atual gestão seria os R$ 3,550 milhões, que são os 50% disso. Quando Edvaldo despeja R$ 4,8 milhões em fevereiro, ele passa desse limite nos R$ 1,250 milhão.

Outra situação que Nivaldo Fernando aponta como chata e inconveniente do começo desta gestão: Edvaldo não informa quantas pessoas estão sendo contratadas por via dos Cargos em Comissão.

“O Governo de Edvaldo não divulga a quantidade de pessoas. A quantidade de dinheiro a gente sabe, porque aparece na folha de pagamento da Prefeitura. Diferentemente de João Alves, que informava valor financeiro e quantidade de pessoas”, diz Nivaldo.

“A Prefeitura de Aracaju esconde o jogo nos aspectos de finanças. Não pode reclamar. Em janeiro, teve uma arrecadação de R$ 92 milhões e uma folha de R$ 43 milhões. Em fevereiro, esta arrecadação foi a R$ 145 milhões, para uma folha de R$ 45 milhões. Eu acho que o prefeito Edvaldo não pagou o mês de dezembro por vaidade”, diz Nivaldo.

“Aliás, gostaria de saber do conselheiro Ulices Andrade qual o critério dele para ter decretado bloqueios de contas por três vezes na gestão de João, em atrasos máximos de 27 dias e nada fazer contra a gestão de Edvaldo Nogueira, por atraso da folha de dezembro em mais de 50 dias. Por que o TCE encolheu o braço? São dois pesos e duas medidas?”, quer saber Nivaldo Fernando.

“ESTA CONTA DE NIVALDO ESTÁ INCORRETA”
O prefeito Edvaldo Nogueira não acolhe os dados de Nivaldo do Sepuma. “Não é isso não. Não são estes valores. Eram R$ 7 milhões no final do ano e hoje não está nem em R$ 4 milhões. Nós chegamos a uma redução de 50% dos cargos”, disse o prefeito. “Esta conta dele não está correta”, completou ele. Edvaldo falou com esta coluna num evento público e não dispunha de dados em mãos. Ele disse que posteriormente revelará quantos são os cargos e quais os valores reais.

JACKSON E ANDRÉ SE ENCONTRAM NA QUARTA
O govenador Jackson Barreto confirmou ontem à coluna Aparte que já marcou a visita ao deputado federal André Moura, PSC, líder do Governo Temer no Congresso, para discutir junto ao Governo Federal a construção do Canal de Xingó. “Meu Gabinete entrou em contato com o Gabinete do deputado André Moura e marcamos a audiência para a quarta-feira da semana que vem. Já que ele é o líder do Governo, quero conversar com André para que ele se envolva de fato nesta questão do Canal e Xingó. Vamos deixar de lado as questiúnculas de ordem política pessoal. Politicamente, cada um fica no seu palanque e subimos todos num outro palanque e vamos levar a ele só os interesses de Sergipe, para ver se a gente busca tirar do papel o

Canal de Xingó, porque estou certo de que ele será redenção de Sergipe”, disse JB.

“PARECE QUE A CLASSE POLÍTICA ENTENDEU O RECADO”
O ex-deputado federal e ex-vice-prefeito de Aracaju, José Carlos Machado, PSDB, tem sido um crítico compulsivo da desunião dos políticos de Sergipe. Para ele, sempre houve oposição e governistas no Estado, mas na hora do “boca de forno”, os interesses de Sergipe entravam em primeiro lugar. Mas esta semana ele animou-se ao ver uma espécie de mudança de rumos nesta desunião, com muitos deles falando em discutir conjuntamente uma pauta em favor do Canal de Xingó. “Isso me deixou satisfeito e parece que a classe política entendeu o recado”, disse Machado, chamando para si a crítica dura ao fato de Alagoas já estar com seu Canal do Sertão – correspondente ao Canal de Xingó – à altura de Arapiraca, a mais de 15 quilômetros do São Francisco, enquanto que o daqui não se tem nem projeto.

“O POVO QUER SABER QUANDO COMEÇA A OBRA”
A “satisfação” de Machado está diretamente ligado à promessa de André Moura, líder do Governo Temer no Congresso, de receber JB em discussão sobre o Canal de Xingó, e ao fato de o senador Valadares ter se apressado e divulgado anteontem que a Codevasf lhe assegurara estar com o pré-projeto pronto. Machadão ainda se encontra parcialmente crítico. “O povo quer lá saber de pré-projeto pronto e pago? Quer saber como, quando e com quanto se vai começar a obra”, diz Machado. “Mas para mim, há uma ponta de esperança nesta anunciada unidade. É hora de eles irem todos juntos ao Governo Temer e dizer: “olha aqui, temos necessidade de obra das BR-101, da BR-235 e do Canal de Xingó. Jackson está certo em ir conversar com André. No estamos vivendo um tragédia, com a seca atingindo até o litoral. Chega de divisão”, diz Machado.

A CHATEAÇÃO DE MARIA MENDONÇA
A deputada estadual Maria Mendonça admitiu ontem ter ficado muito chateada e ressentida com dois aspectos dos boatos que ligariam hipoteticamente em acordo ela e o deputado Luciano Bispo, seu arqui-adversário histórico. Um dos aspectos: o que lhe daria cargos no Governo Jackson para isso. Maria explica que a família dela não professou o fisiologismo na política. Nunca teve cargos em trocas de benesses. O outro aspecto foi o que fazia referência a esta suposta unidade com a finalidade de atrapalhar o caminho do prefeito Valmir de Francisquinho. Para Maria, há maldade demais nestes boatos, e ela os rechaça solenemente. 

OS 100 ANOS DE MARIA VIRGÍNIA LEITE FRANCO
Se estivesse viva, a matriarca dona Maria Virgínia Leite Franco estaria fazendo hoje 100 anos. Os filhos não deixarão a data passar em branco e farão celebrar uma missa às 17 horas na Igreja Nossa Senhora Menina, na rua Itabaiana, templo que ela frequentava em vida. Com o médico, industrial, ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal Augusto Franco, dona Virgínia Leite Franco teve nove filhos – Albano, Walter, Amélia, Clarinha, Osvaldo, Marcos e Ricardo, todos vivinhos da silva, e Cesar e Antônio Carlos, falecidos. Dona Virgínia e o neto Ricardo Franco, filho de Albano, nasceram no mesmo dia e mês. Mas a missa de hoje não contará com a presença de Ricardo. Ele está na Cidade do Cabo, na África do Sul.

ALMEIDA DÁ SHOW DE CONVENCIMENTO NA ALESE
O secretário Almeida Lima deu um show de informação sobre os dramas e projetos da Secretaria de Estado da Saúde ontem na Assembleia Legislativa. Melhor seria escrever “um show de informação e convencimento”. Acompanhado do procurador   federal e da Saúde do MPF, Ramiro Rockenbach da Silva Matos Teixeira de Almeida, que mantém a saúde de Sergipe numa espécie de tornozeleira eletrônica, Almeida falou de enxugamento de tudo, da mexida que por lei terá de fazer na Fundação Hospitalar de Saúde até desaparecer. Mas ele deixou claro que ninguém concursado perderá emprego, exceto aqueles que tem Cargos em Comissão e não tinham necessidade de estar em ação. Destes, já foram demitidos cerca de 300, restando apenas 267. A economia ai foi de R$ 1,5 milhão. Segundo Almeida, as mexidas que fará na Saúde vão gerar uma economia de R$ 10 milhões ao Estado. Ramiro Rockenbach Almeida revelou uma visão bastante crítica do papel do Governo Federal face aos problemas de Saúde e se mostrou um procurador bastante sensato. Ele e Almeida parecem bem afinados nos propósitos.

CHEGA DE INDÚSTRIA DA SECA
Uma agressão ao ser humano que sobrevive no sertão. Esta é a visão da empresária Luciene Silva sobre a secular indústria da seca em Sergipe. “É inaceitável que um Estado cortado por tantos rios – São Francisco, Real, Poxim, Sergipe, Piauí, Cotinguiba, etc -, e o aquífero Marituba sofra com a falta d’água. O que precisamos é de ações políticas e tecnológicas do Governo para resolver definitivamente o problema. O Canal de Xingó é um grande começo. Enfim, temos tecnologia para fazer transposição. Levar água mineral, carros pipas, são medidas paliativas, esmolas. Algo mediático, panfletário”, defende Luciene.    

DUAS MISSAS PELA ALMA DE ORLANDINHO
A missa de sétimo dia do ex-prefeito Orladinho Andrade, de Canindé de São Francisco, acontece em duas ocasiões. No próximo sábado, dia 11, às 19 horas, será celebrada uma na Igreja Matriz de Canindé. Em Aracaju, a missa terá lugar no dia 13, próxima segunda, também às 19h, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Bairro Grageru. Orlando Porto Andrade, do PSD, morreu no último dia 5. Ele exercia o terceiro mandato de prefeito daquela cidade.

O PESO DA ESTÁCIO
Como esta coluna havia previsto em nota – “Faculdade Estácio de Sergipe e os políticos” – publicada aqui ontem, os mantenedores da Faculdade Estácio de Sergipe fizeram da inauguração da suas novas instalações uma festa política. A instituição conseguiu reunir os chefes dos três poderes: Jackson Barreto, Executivo; Cezário Siqueira Neto, Judiciário, e Luciano Bispo, Legislativo. De quebra, ainda arrastou o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, e o ex-governador Albano Franco. Jackson fez um discurso no qual reconheceu a importância da educação particular, que hoje ajuda o setor público na preparação de pessoas. O novo edifício tem 121 salas, fica na Rua Teixeira de Freitas, 1, Salgado Filho, colado ao Colégio Dinâmico, e foi feito pelo empreendedor Roberto Prudente para ser locado pela Estância, que tem mais de 12 mil alunos em Sergipe. Prudente se negou a dizer o valor do investimento.

ETC&TAL

@ Engraçado: a palestra de Almeida Lima na Alese ontem começou com as galerias repletas de manifestantes, todos com cartazes acesos em punho em defesa da FHS.

@ Quando ele encerrou a apresentação, os cartazes estavam todos murchos, como ramos usados por rezadeiras, e os portadores apascentados. Também pudera: o secretário disse que ninguém perderia o emprego. 

@ Não chamem o ex-deputado estadual Arnaldo Bispo, irmão de Luciano Bispo, para qualquer lambança política. Para ser candidato ao prefeito de Itabaiana, por exemplo.

@ “Eu quero é paz”, diz ele. Pelo jeito, a política na família vai ficar só com Luciano mesmo. Roberto, que disputou a Prefeitura ano passado, diz que nunca mais disputará mandato algum.

@ Apesar do alinhamento ao senador Eduardo Amorim, que migra para o PSDB, o prefeito Valmir de Francisquinho não deixará o PR.

@ “Mas se meu filho for mesmo candidato a deputado federal, ele se filiará ao PSDB”, diz Valmir. O filho dele é Talisson Costa. Pensa em se candidatar.

@ Na esfera do PSDB, diz-se que o entendimento pela permanência de Machado não foi sacramentado ainda porque ele estaria pedindo aos caciques garantias de eleição para federal em 2018.

@ Machado nega. “Eu não estou pedindo garantias de uma eleição. Estou solicitando apenas que me digam que serei prioridade. A minha parte farei eu”, diz ele.

@ Segundo Machado, todos os grandes partidos sonham em fazer um federal em 2018. E admite que há de convir que ele, por ter meio caminho andado, fará bem a esse projeto em qualquer partido.

@ Para Machado, se a Deso economizasse apenas 10% da água que perde, Sergipe não teria crise hídrica jamais.

@ Machismo chancelado: de 75 municípios, Sergipe tem prefeitas em apenas 11. Vices em 28 e apenas 128 vereadoras em quase 800.

@ Machismo chancelado II: a cada 11 minutos uma mulher brasileira é violentada sexualmente.