“Tem gente dizendo que esta seca é pior do que a de 1915. Mas morre menos gado”

Por JL Política
05 mar 2017, 08h48

A seca de 1915 foi tão implacável que inspirou a cearense Rachel de Queiroz a escrever o histórico romance “O Quinze”, hoje um clássico da literatura brasileira. Com cinco anos de chuvas escassas, perdas de safras seguidas, a dilatação deste estio sobre todo o Estado e 32 municípios com decreto de emergência, Sergipe vive seu 1915.

“Já pesquisamos, ouvindo os mais velhos e através de estudos, que é a primeira vez que a seca chegou com a intensidade em cidades do litoral. Em termos de intensidade, os pesquisadores dizem que há dúvidas de se essa seca empata com a de 1915. Mas já tem gente dizendo que é, sim, a pior da história”, diz o secretário de Estado da Agricultura, Esmeraldo Leal, sobre cujos ombros recaem os piores impactos da pouca chuva.

Paradoxalmente à tanta escassez de chuva, que impacta sobre safra, que faz perder em 70% a 80% a produção do milho, Esmeraldo Leal diz que a morte do rebanho bovino não é tão intensa. A causa disso, segundo ele: a melhoria genética dos animais, que fez o rebanho menor, porém mais resistente e mais produtivo.

O secretário informa que dos R$ 7 milhões prometidos pelo Governo Federal, chegaram pouco mais de R$ 2 milhões. Esmeraldo teme por mais um ano seguido de seca, conforme é previsto. “É lógico que a gente já sente que não está conseguindo ajudar como deveria. E se essa seca continuar, aumenta a dificuldade de resistência do produtor e também aumenta a dificuldade do Estado de acompanhar com as políticas públicas necessárias”, diz ele.

Diferentemente do que muita gente imagina, Esmeraldo Leal dos Santos, 43 anos, casado pai de um filho, não é engenheiro agrônomo. É um cientista social pela UFS e mestre na mesma área pela UFPB de Campina Grande. Ele nasceu no povoado Raposa, em Simão Dias, e é filho de pais assentados do MST no 8 de Outubro, na divisa entre sua cidade natal e Paripiranga na Bahia.

Ali, o pai, já falecido, produzia abacaxi e vendia para os baianos. A mãe, ainda viva, sempre foi costureira. Esmeraldo tem três irmãos – uma delas, médica, formada em Cuba e com serviços prestados ao assentamento. Antes de chegar à Seagri, ele atuou no Incra, como técnico. É filiado ao PT e um dia disputou mandato de vereador em Simão Dias. “Pra nunca mais” diz. Veja a entrevista com ele.

JLPolítica – O quadro da seca em Sergipe parece preocupante. Ele é um dos mais graves dos últimos anos?

Esmeraldo Leal – Com certeza é. Essa é a primeira seca que atinge de fato todo o Estado. Já pesquisamos, ouvindo os mais velhos e através de estudos, que é a primeira vez que a seca chegou com a intensidade em cidades do litoral, por exemplo. Ontem, estávamos em Pacatuba e vimos que aquelas áreas extensas de alagados que existiam lá estão secas e os proprietários estão cavando para encontrar água e dar para os animais. Temos nascentes em Japaratuba que estão secando e rios perenes perdendo o fluxo de água. Não tem uma cidade que não tenha sido impactada – isso em termos de abrangência. Em termos de intensidade, os pesquisadores dizem que há dúvidas de se essa seca empata com a de 1915. Mas já tem gente dizendo que é, sim, a pior da história.

JLPolítica – Quais os impactos para agricultura, pecuária e recursos hídricos? Nessas três áreas, quem mais sofre?

EL – Os três sofrem. Por exemplo, em termos de produção de grãos, em que Sergipe sempre foi destaque, o único número positivo na produção de grãos no Estado é o arroz, que deve passar das 30 mil toneladas este ano – ano passado foi de 25 mil. Apesar de alguns casos, a diminuição da vazão do Rio São Francisco ter impactado nas várzeas de arroz, de um modo geral os perímetros acabaram ajudados a ter um saldo positivo. E como o Governo lá faz a distribuição de sementes, há um trabalho de qualidade muito forte e isso tem ajudado na produtividade. Lá, o que aumenta não é só a área plantada, como também a produtividade anual. Em termos de grãos, o único setor que está respondendo com saldo positivo é o arroz. Mas o milho, por exemplo, teve uma média de perda de 70% a 80%. No ano passado, foi de cerca de 40%, a depender da localidade. No alto sertão já será o oitavo ano que não tem produção de grãos. Mas não podemos ainda falar em uma seca de cinco anos em todo o Estado.


JLPolítica – A Secretaria tem alguma estatística sobre a morte de animais?

EL – Não tem. Na verdade, nisso há um dado interessante. Apesar da seca, o número de morte de animais é muito menor do que nos outros anos. Nós fizemos um levantamento para tentar entender o porquê disso. Hoje, são poucas as imagens de animais mortos. Tanto é que você não vê muito isso na imprensa. Eu peço para as pessoas que quando vejam algum animal morto que nos repasse. Mas, até agora, recebemos poucas imagens de animais mortos e de animais debilitados, escorados por banguês. Eu ligo para os secretários municipais de Agricultura e peço para nos avisar se chover um pingo de água que seja.

JLPolítica – Mas não é estranho que numa seca histórica haja poucas mortes de animais?

EL – Então, além de ter visto poucos animais debilitados, conversando com a população, dizem que a diminuição de mortes se deve à qualidade da nossa genética. Nos últimos anos, nós melhoramos tanto a qualidade de animais no alto sertão, diminuindo o rebanho e aumentando a quantidade de leite, vendendo três vacas e comprando uma boa, que hoje o rebanho tem uma qualidade genética muito melhor. E resistente. O camponês se preocupa mais com a perda. Então, ele faz um esforço maior para comprar ração e água. A gente sente que há um empenho maior para manter um animal. Antigamente, tinha um camponês com 100 cabeças e perdia 90 numa seca. Agora, ele tem 10, mas briga para salvas as 10. É uma informação colhida através dos próprios produtores. Portanto, a gente sente que o impacto é menor por isso.

JLPolítica – Tecnicamente, quais são as ações que o Governo tem adotado para amenizar essa ação da seca sobre homens e animais?

EL – Temos muitas ações previstas, mas vamos falar das práticas. A Cohidro intensificou a limpeza de poços e a abertura de outros novos. No ano passado, chegou perto de 150 poços cavados pela Cohidro. Este ano, já temos algo em torno de 30 poços cavados. Comparando com outras médias, é um aumento significativo. Houve um aumento nas equipes da Cohidro para aproveitar melhor as nossas máquinas e os nossos equipamentos. Também intensificamos a limpeza de barragens. Só para citar algumas – em Alagadiço, em Graccho, em Cedro de São João, em Poço Redondo, apenas algumas que já estão sendo limpas. São 12 barragens que já estão secas.

JLPolítica – O que é que a Deso tem feito, do ponto de vista de suprimento de água, para essas comunidades?

EL – O que nos surpreende na Deso é que no sertão há uma impressão muito negativa da empresa, principalmente nos povoados. Mas eu queria fazer um comparativo com outros Estados: a mesma relação que tenho com os secretários municipais, também temos com de outros Estados, através do Fórum de Secretários de Agricultura do Nordeste e conversamos regularmente. E a gente percebe que os outros Estados não têm a mesma capacidade de distribuição de águas com adutoras como nós temos na Deso. Apesar de termos de algumas comunidades que passaram a ter um fluxo menor de água e até revezamento, temos, na Paraíba por exemplo, cidades como Campina Grande que estão com um dia de água para oito sem. Caruaru chegou a passar de um dia para 15 sem água – só para se ter uma ideia. Então, aqui, quando se vê reclamação é muito mais das pontas de redes. Sergipe, comparando com outros Estados, consegue ter uma rede que chega em todas as cidades. E isso ajudou a diminuir o impacto da Seca.

JLPolítica – O que é que os R$ 7 milhões que o Governo Federal liberou significam para as demandas sergipanas?

EL – Significam muito pouco. Isso foi dito pelo próprio governador. Os deputados – tanto da situação quanto da oposição – fazem a mesma reclamação. Os R$ 7 milhões ajudam e a gente agradece, mas a necessidade é muito maior. A nossa avaliação é que precisaríamos, no mínimo, do dobro de recursos para a ração animal. Por isso é que há uma pressão muito forte para que a Conab faça a liberação do estoque de milho de Itabaiana, onde temos armazenadas 640 toneladas. O presidente fez o anúncio de que liberaria esse estoque, não só de Sergipe mas do Nordeste inteiro. Mas não liberou ainda. Se a gente vai no sertão hoje, são três as coisas de que os produtores mais falam: o milho da Conab, a ração e a melhora do acesso à água para consumo humano e animal.


JLPolítica – O Estado vai correr atrás dos outros R$ 7 milhões para completar os R$ 14 na ajuda do Governo Federal?

EL – Hoje nós só temos R$ 2 milhões e pouco daqueles R$ 7 milhões anunciados. Então, a primeira briga nossa é chegar ao valor efetivo que já foi prometido. Mas é lógico que vamos correr atrás do restante.

JLPolítica – Quantos carros-pipa do Governo do Estado entraram em ação?

EL – Na verdade, os carros-pipa do Estado entrarão agora esta semana. O Governo vai decidir e lançará a quantidade lá em Porto da Folha, provavelmente no dia 15 de março. Então, não temos um número ainda. A Defesa Civil já fez o levantamento da necessidade. Mas o número de quantos serão liberados ainda não foi anunciado.

JLPolítica – Desse mutirão que o Governo anuncia para o interior, não envolve somente a distribuição de alimentos. Fala-se também de uma série de coisas. Que coisas são essas?

EL – O DER deve ajudar na limpeza de barragens. O Banese deve ajudar na liberação de recursos para regularização das queijarias, que é algo que teve impacto forte há poucos meses, onde o banco fez um plano de liberação para toda a cadeia produtiva do leite. Essa nova ação vai ajudar desde a compra de ração até as queijarias. A Emdagro deverá intensificar ações para regularização fundiária. Programa de Mercantilização Agrícola, o governador já sinalizou que também colocará recursos. A Secretaria de Meio Ambiente ajudará com o Programa Água Doce, com a distribuição de dessalinizadores.

JLPolítica – Qual a importância de se ter a Defesa Civil nessa questão da seca, já que ela não atuava antes?

EL – A Defesa Civil sempre atuou nesses momentos mais emergenciais. A nossa Defesa Civil, inclusive, é bastante elogiada nacionalmente por sua eficiência. Tanto é que temos 32 municípios com decreto de emergência e em nenhum momento a Defesa Civil deixou de atuar. Ela aparece mais nesses momentos.

JLPolítica – Qual o efeito da seca sobre as duas maiores monoculturas sergipanas: a cana e a laranja?

EL – A seca, que está impactando forte no milho e no leite, entrou na laranja e também na cana. Na laranja, não temos dados numéricos, mas a gente acredita que impactou cerca de 30%. Também não temos informações sobre a cana, mas converso regularmente com alguns usineiros e eles reclamam pelo fato de não ter água para irrigação. Isso não é algo que afeta somente a cana, pois paramos alguns perímetros de irrigação. A barragem do Jacarecica II está seca e parou a irrigação de Itabaiana. A barragem de Lagarto está muito seca. O Jabeberi também está em seu limite. Então, não dá para saber em termos de números o impacto, mas é comum ouvir dos produtores de cana de um modo geral esse baque da seca.

JLPolítica – A Secretaria de Agricultura acompanha a crise dos novos usineiros de Sergipe? Monitora-se e tem alguma preocupação de que isso impacte no emprego rural?

EL – Não há um monitoramento regular. O que existe é uma relação muito boa de diálogo com eles. Conversamos muito com Henrique Menezes, até porque eles atuam não somente na cana, como em vários polos produtivos. Inclusive, seu Henrique acaba sendo uma grande liderança do Platô de Neópolis. Conversamos também com os Francos e a gente percebe que a crise é um fato. E que é não somente em função da seca, como é o caso da laranja, que sofre uma crise internacional. A gente também tem conversando em alguns momentos com o presidente da Associação dos Canavieiros para discutir esses problemas.

JLPolítico – Como está a Campo Lindo atualmente? Está insolvente?

EL – Não tenho essas informações. Sei que passa por um problema sério, que não é de agora. O que eu ouço vez ou outra é que há a possibilidade de reabilitação. Que há grupos interessados em assumir e retomar. Mas não tenho informações mais precisas.

JLPolítica – Qual é o risco da seca por mais um ano nessa intensidade? A secretaria e o Governo estão preparados para isso?

EL – Temos que estar. Não temos outra opção. Há de fato um reconhecimento de que a necessidade é muito maior do que a nossa capacidade. E se isso se mantiver por mais um ano, aumenta ainda mais essa dificuldade. Agora, o que é claro também, e há um reconhecimento em nossas visitas, é que as pessoas sentem a presença do Estado e reconhecem que está sendo feito um esforço. É lógico que a gente já sente que não está conseguindo ajudar como deveria. E se essa seca continuar, aumenta a dificuldade de resistência do produtor e também aumenta a dificuldade do Estado de acompanhar com as políticas públicas necessárias.

JLPolítica – A seca alterou as exposições do agronegócio? Ou isso não sofreu transformação?

EL –  Isso nos surpreende: estou vindo de uma exposição em Porto da Folha. Há alguns dias, estávamos em uma exposição de caprinos e ovinos em Itaporanga. Por isso que eu falo da força da genética que temos em nosso rebanho não só de bovino, mas de caprino, ovino e suíno. Temos uma cooperativa de suíno em Campo do Brito que é top. Que se compara com qualquer produtor do Brasil ou do mundo. Eles estão trabalhando bem.

JLPolítica – A avicultura em Sergipe encolheu?

EL – A avicultura sergipana está passando por um problema, que é a disputa com o mercado baiano. E a redução do milho acaba tendo uma influência na avicultura, impactando negativamente na produção de aves. Mas hoje a reclamação maior é com relação a essa entrada do produto baiano aqui em Sergipe.

JLPolítica – A Alese convidou o senhor para fazer uma explanação sobre a atuação do Projeto Dom Távora. Como é que está esse projeto em Sergipe? Qual é a radiografia dele?

EL – Não podemos dizer que está maduro, mas está em uma fase de fortalecimento. Passamos alguns anos com dificuldades para tirar os primeiros projetos efetivamente do papel. Para ser mais preciso, os primeiros projetos lançados foram no início do ano passado, que foram os de Pacatuba e Betume, com os pescadores. Depois desses dois, no final do ano passado, o governador fez uma série de cerimônias lançando os projetos em Graccho Cardoso, Poço Verde e Carira. Então começou a ganhar vida, pois estava com muita dificuldade. Temos hoje pouco mais de 50 projetos sendo analisados, com média de 16 em execução. Ou seja, é um número ainda muito pequeno. A nossa meta é atingir 300 donos de negócios, 10 mil famílias. Estamos chegando no limite das quantidades de associações organizadas. É bom que haja esse convite da Assembleia porque podemos pedir o apoio para que ajude, inclusive, com o reconhecimento de utilidade pública, que é uma das condicionantes para aprovar projetos.

JLPolítica – Sergipe está produzindo um milhão de litros de leite com essa seca?

EL – É provável que seja em torno disso.

JLPolítica – A seca abalou as queijarias sergipanas, que é um mercado forte de atuação?

EL – Impactou, com certeza. Mas o impacto mais recente foi a frente de fiscalização do Ministério Público, que expôs algumas deficiências e fechou algumas queijarias. Isso nos obrigou, inclusive, a criar um programa, que será lançado pelo Banese, de apoio para ver se as queijarias se adequam e cumprem com a obrigação de ter produtos de qualidade e com higiene.

JLPolítica – A Secretaria tem estatísticas de como se compõem os rebanhos de Sergipe?

EL – Nosso maior rebanho é bovino. Há um monitoramento permanente da Emdagro e a gente acompanha isso através das vacinações. De bovino, é em torno de 1,2 milhão de animais.

JLPolítica – O que é que prepondera: leite ou corte?

EL – Hoje é uma disputa muito grande. O leite chama muita a atenção, mas o corte também é muito forte em Sergipe. O leite socializa mais, dá mais emprego, é produzido pelo pequeno, médio e o grande e todo mundo acaba ganhando. O que a gente sente no corte, é que comparado com o leite, a participação da agricultura familiar no leite é maior. Então, acaba envolvendo mais gente do que o corte.

JLPolítica – Quais são as raças bovinas que preponderam em Sergipe?

EL – Temos muito holandesa de leite e nelore de corte. Essas duas tem um destaque. Tem também uma força muito grande do mestiço girolano. Acredito que são esses três. Mas é preciso chamar atenção de que hoje a gente fala de raças, quando antigamente, no sertão, só se falava em gado pé-duro. Sem matriz genética.

JLPolítica –  O senhor acha que a seca está gerando, aparentemente, menos estragos do que está sendo exposto?

EL – Quero dizer que, apesar da intensidade ser maior, o Estado e os produtores se preparam. Principalmente no sertão, eles têm uma cultura de conivência com a seca. Hoje, é comum a gente ver roças de palmas. Quase todo criadouro tem silos. Então, o sertanejo se preparou mais para esse ambiente. Há programas como o Garantia Safra e outros seguros que envolvem o agronegócio. Há uma série de ações governamentais e particulares que ajudaram a reduzir esse impacto.

JLPolítica – O Governo de Sergipe abarca a ação do agrônomo Paulo Suassuna, para implantação de palmas por aqui?

EL – Ele tem uma relação muito próxima com o Sebrae e tem um trabalho intenso em Poço Redondo. É uma tecnologia premiada e que tem o nosso reconhecimento.

JLPolítica – O senhor não acha que Sergipe é muito escasso em ações de aguamentos e retenção de água, como boas barragens e açudes?

EL – Há uma dependência muito grande do Rio São Francisco. E, mais uma vez, dá para comparar com outros Estados. Tem Estados que tem dois ou três grandes açudes, que chamam a atenção. Aqui nós temos várias grandes barragens que trabalham com irrigação. Os seis grandes perímetros que temos são grandes barragens. Desde o Jacarecica I e II, a Ribeira. Há uma necessidade de melhorarmos. Estamos planejando melhorar outras três grandes barragens: Bate-Lata e Barra da Onça, em Poço Redondo, e a Cuiabá, em Canindé de São Francisco. Há uma preocupação nossa sobre o Riacho Capivara. Ali passa muita água que vai para os povoados e que depois some. Como no Riacho do Cachorro. Então, estamos falando em obras que custam até R$ 4 milhões e R$ 5 milhões. O ideal é termos um trabalho de construção de mesas de bancadas, que nos ajudaria bastante.